Projeto Borboleta Seguir história

sophiagrayson Sophia Grayson

Shiro passava por uma decaída em sua depressão, mas o que ele se esquecia era que poderia sempre contar com ajuda de seus amigos.


Fanfiction Desenhos animados Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#drama #voltron #Setembro-Amarelo
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Capítulo Único

Tinha sido um daqueles dias onde se tinha uma recaída da depressão, que fazia-o sentir-se triste, inútil, um fardo. Onde só queria ficar na cama e desejar sua morte, sem conseguir acabar com sua ínfima vida. O mundo poderia ser bem melhor sem sua presença.

Mas, todavia, entretanto, existia umas pessoas que acreditavam no oposto. E elas praticamente sabiam ler o ambiente, mesmo com todo o fingimento. Sim, Shiro fingia que estava tudo bem, mesmo estando em ruínas por dentro. Mas com aquelas tudo era diferente. Elas se importavam com sua vida e sua pessoa. Por nada em troca.

Então naquela manhã, véspera de Ano Novo, o Quarteto Alegria – como Shiro chamava internamente – pegou suas tralhas em ritmo de The Beautiful Brave e seguiram para casa do mais velho que era a um quarteirão de distância.

Como sabiam do estado do amigo? Ah, muito simples. Mesmo fingindo o japonês era muito transparente – primeiro japa a ser tão entendível. Especialmente no status da única rede social que tinha – ele não tinha consciência de como isso fazia o muro de fingimento cair. Pidge a mais ligada nessas coisas, logo avistou e o murmurinho se espalhou para o restante do quarteto.

Seu “líder” não estava bem. Bom, era o Lance a intitulá-lo dessa forma, por Shiro sempre saber o que fazer e como fazer, ser a peça chave para manter os amigos reunidos, o ombro amigo, o conselheiro, o mediador, o irmão mais velho. Se não fosse pelo asiático, muito provável que eles nem fossem amigos, ou melhor, família. Era isso que se tornaram com o passar do tempo. E o moreno se tornou o patriarca, mesmo não querendo. Não que ele soubesse.

Lance, como sempre teve uma ideia terrível de levá-lo a uma festa e beber – sendo o quarteto ainda menor de idade. Era como jogar uma bomba em campo minado. Keith, encrencou com o outro, mesmo que sair fosse bom, estavam falando de uma pessoa depressiva e introspectiva, que tinha uma zona de conforto a se respeitar. E nesses períodos a bolha formada ficava pior ainda.

Logo assistir um filme, jogar ou simplesmente colocar o papo em dia, poderia ser o suficiente para levantar o astral do japonês. Saber que tinha alguém que entendia e se importava era tudo.

Hunk, que desde da primeira mensagem da única moça do grupo, começou a preparar o rango, no qual já estava pronto. Enquanto que a Pidge escolhia os filmes e outras coisas para se distraírem, afinal ainda tinha a virada do ano. No meio da procura, a ruiva encontrou um projeto interessante, chamado Projeto Borboleta, mesmo sendo voltado para pessoas que estão em um grau pior do que Shiro, onde se cortam. Achou que era um bom apoio, se entrarem mesmo sendo simbólico.

O projeto em si era desenhar borboletas e dar nomes a elas de alguém que os ame. Não poderiam lavá-las, e até que saiam normalmente não poderia em forma alguma se cortar ou sentir dor intencionalmente, auto flagelando-se. O mesmo vale para comer como forma de aplacar o vazio. Isso mataria a borboleta.

Era uma intenção bonita, mas não sabia se funcionava, mas tentaria. Os demais concordaram. Mesmo que o Lance fizesse frescura. Keith desenhou com caneta permanente – pois era o melhor no desenho – nos braços, colocando o nome de Shiro embaixo. Cada um com uma cor. Azul, vermelho, amarelo e verde. Como os Power Ranges.

Em menos de duas horas – isso ainda parando para comprar algumas coisinhas – o Quarteto Alegria batia no portal do moreno, que demorou um pouco a atender, amaldiçoando quem tivesse querendo o perturbar. Tinha 80% de certeza de quem eram. Suspirou. Abriu a porta surpreso, a cambada entrou antes que pudesse afirmar algo, com a típica algazarra.

Como não esperava ninguém, vestia pijama de leões e pantufas igualmente felinas. Tinha uma feição de “morto". E o senso de humor pior, forçou um sorriso.

- O que fazem aqui? – perguntou depois de vê-los se espalhando pelo sofá.

- É ano novo docinho, achou mesmo que deixaríamos sozinho – afirmou o Lance gesticulando com energia, ocultando o real motivo, mesmo que realmente não fossem deixa-lo virar o ano sozinho. Uma coisa, não era bom falar a verdade, poderia chateá-lo a beça, fazendo-o ficar mais arisco – Nessa casa, mofando – dramatizou – Podemos mofar juntos, como família – se cobriu com o edredom de leões estirado no estofamento.

- Eu trouxe comida! – gritou o afro americano mostrando as marmitas e cestas – E estou com fome – resmungou tristonho.

Pidge tirou o que tinha levado da mochila, indo direto ao DVD no móvel de madeira imprensada, no qual em cima estava a televisão de modelo um pouco antigo, por ser de cinco anos atrás.

- Trouxe filmes-

Shiro bufou. Entendeu o que acontecia. Ele estava bem. Querendo morrer, mas bem.

- Eu estou legal gente – cortou a ruiva, arisco – Podem ficar tranquilos.

O quarteto olhou para o moreno. Um breve momento tenso se passou, sendo encarados. Keith levantou-se, entregando um embrulho e seguindo para a cozinha.

- Ok, ok – pegou uma louça, quebrando o clima, voltando-se em seguida para o japa – Quanto mal humor, deve ser fome – gesticulou para o Hunk, desviando completamente do assunto – Traga isso para cá, vamos almoçar! – o capricorniano pulou feliz – Não sei de onde tira essas coisas, mas só queremos passar o dia contigo, como sempre fazemos, algum problema?

- Não, não! – negou com a cabeça, sentiu um frio na espinha e mais mal ainda.

Os demais puxaram Shiro para o sofá, que olhava sem entender nada, emburrado. Especialmente do presente. Abriu e era uma caneca de cerâmica, com os dizeres: Best Daddy. Seu coração se aqueceu e os olhos ameaçaram lacrimejar. Antes que se condenasse por fazê-los se preocuparem, Pidge inseriu o DVD de Your Name no equipamento. Yumetourou, dos Radwimps, espalhou por toda sala. Era só o filme favorito dele, o mais lindo também.

Mesmo tendo assisto por inúmeras vezes não deixava de surpreender, e acabou virando um dos filmes para se assistir para enfrentar as crises. Makoto Shinkai conquistava seu coração com os últimos filmes lançados.

Logo a “mesa” estava posta na sala para que todos pudessem assistir o filme. Shiro, Pidge e Lance no sofá, com o restante no sentado/deitado no piso com carpete.

Basicamente passaram o dia assim, Shiro aos poucos baixou a guarda saindo de seu loop depressivo, deixando-se se levar pelo ambiente amistoso e familiar que só seu Quarteto fazia. Eles realmente sabiam o que fazer para deixa-lo melhor. Mesmo que com pouco.

Acabaram por adormecer, todos juntos. O aquariano acordou com os fogos soando, sentindo um enorme peso sobre si. Todos estavam agarrados nele, mal podia se mexer.

Foi só naquele momento que percebeu os desenhos nos pulsos dos meninos. Borboletas?

- Anh, gente? – sacolejou acordando-os – Feliz Ano novo...

Foi mais esmagado ainda, com as felicitações dos demais. Não soube como sobreviveu a algazarra, mas quando viu já estava perguntando sobre os desenhos.

Se segurou o choro antes, agora não teve o mesmo sucesso quando explicado. Arregaçando as mangas mostraram melhor e o nome escrito embaixo.

- Nós preocupamos quando se senti dessa forma Shiro – a ruiva começou – Você é importante para a gente, uma pessoa muito boa, que tem um futuro e tanto – pegou em suas mãos – Não é inútil e nem um fardo, isso é só sua cabeça lhe pregando peças. Estamos aqui Shiro, deixe-nos ajudar, pode contar conosco, sabe disso.

- Sinto muito – desmanchou-se – E obrigado, por ficarem ao lado de uma pessoa como eu.

Mais um abraço de urso dado no japonês que recebeu de bom grado.

- Não se deprecie assim não cara – Lance bagunçou os cabelos castanhos – Você é a melhor pessoa que poderíamos ter – levantou as mãos – O best daddy! – riram – Além de ser ano novo – Sorria meu bem, sorria – cantou.

Shiro sorriu verdadeiro. Ele tinha uma família e tanto.

- Vem cá, podemos ter um cachorro? – o cubano perguntou do nada, arrancando mais risada. Mas espera, ele estava falando sério?!

15 de Julho de 2019 às 16:34 0 Denunciar Insira 1
Fim

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Sophia Grayson Só uma garota que gosta de escrever.

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