A Maldição Seguir história

kelly-tavares1539942006 Kelly Tavares

De repente você percebe que tem um poder sobrenatural, e que não faz a menor ideia do que fazer com o que recebeu! Para alguns um presente, para mim uma maldição! A Eternidade nunca demorou tanto... Gêneros: Fantasia, Hentai, Amizade, Drama, Ação Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência


Fantasia Épico Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#lendas #romance #hentai #vampiros #bruxas #theauthorscup #ChallengeAccepted #TheFinalFantasy #clãs
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O Início da Maldição


* * *



Mordendo um pedaço de pão, como se fosse uma das sete maravilhas do mundo, Melvy estava sentado ao meu lado, olhávamos a paisagem da cidade abaixo. Velhos hábitos eram difíceis de tirar, preferia a solidão das montanhas, não que fosse um local seguro, mas tinha menos pessoas.

“Vou te fazer uma pergunta, mas não se sinta na obrigação de responder, afinal devo a minha vida a você!”, olhei para o único homem que me fazia companhia a pouco mais de dois meses, apesar de ser mais velho do que eu, eu tinha centenas de anos a mais do que ele! De uma beleza exótica, Melvy se tornou para mim uma presença bem agradável por sinal.

O encontrei por acaso, na verdade ele se chocou comigo em uma esquina enquanto fugia de dois homens por ele ter saído sem pagar a conta de um restaurante. Surpreendentemente, ele não sentiu nenhum tipo de alteração ao me ver, algo inédito, o que foi bem estranho! Já os outros dois homens não viam a ninguém além de mim, os convenci a deixá-lo ir e desde então Melvy, ou só Mel como gostava de ser chamado, virou a minha sombra como forma de me agradecer e de se proteger! Foram décadas de solidão, era bom me lembrar de como funcionava ter alguém ao meu lado, um amigo.

“Pode perguntar, me desculpe por não falar muito, Mel.” Graças ao espaço que ele me dava, consegui me adaptar a sua presença facilmente, eu sabia de toda a sua vida, ele sempre gostava de conversar, ainda que eu permanecesse calada, apenas ouvindo.

“Sabe, estava pensando, claramente você tem um poder, algo como hipnotizar, controlar os homens não sei bem... você é linda, é claro, mas vai além disso, logo você poderia ser uma vampira, com poderes de controle da mente, mas já saímos várias vezes durante o dia, apesar de você preferir a noite. Uma lobisomem também não poderia ser, já passamos pela lua cheia e nada... o que só me restou uma opção, você seria uma bruxa?” Ele continuou comendo, me dando tempo para responder.

“Não, eu não sou uma bruxa, na verdade não conseguirá me enquadrar em nenhum clã existente.” Ele pensou na minha resposta, “Já ouvi falar que existem os raros, os híbridos! Seria esse o seu caso?”. Me ajeitei me sentando mais ereta, “Também não. Na verdade eu era humana como você, Mel, nem nesse grupo eu pertenço mais...” Respirei fundo, era a primeira vez que eu contaria a minha história.

“Incrível como sua vida pode mudar da noite para o dia, Mel, comigo foi literalmente assim, uma total injustiça! Hoje, duzentos anos depois, “agraciada” com a imortalidade, com “poderes” dados a mim que não pedi e que demorei demais para entendê-los e principalmente aceitá-los.

Eu nos meus eternos 25 anos, fui amaldiçoada por uma bruxa que nunca havia visto na vida, até aquela maldita noite fatídica.

Eu não tinha uma vida de luxo, mas me virava bem, trabalhava, me sustentava. Perdi meus pais ainda nova para uma epidemia que levou vários da nossa cidade a óbito. E por azar do destino, escapei, me vi sozinha ainda na adolescência, mas nada que eu não consegui seguir em frente.

Trabalhando em uma taberna durante a noite, conheci o homem que me colocaria nesse inferno, Robert! Simpático, vistoso, começou a ir várias noites seguidas no meu trabalho, me deixava gorjetas generosas, e aos poucos ia me contando da sua vida, conforme eu ia o servindo, ele era novo na cidade, trabalhava do que aparecia: carpinteiro ou ferreiro. Como não tinha família, o dinheiro que ganhava era muito bom, pensava até em se mudar de vez para a minha cidade, ele conseguiria comprar uma casa facilmente.

Todas às noites ele me cortejava, fazia promessas de compromisso, de morarmos na nova casa que ele já estava procurando, ele sempre esperava eu sair do trabalho para jogar conversa fora, me tratava muito bem e quando dei por mim, estava completamente envolvida com ele.

Com mais ou menos um mês e meio, eu tinha acabado de sair do trabalho e como sempre, ele estava me esperando na saída. Mas desta vez ele não queria conversar, insistia em ganhar pelo menos um beijo. Era de madrugada, a rua estava deserta, não pensei que pagaria tão caro por ceder a um simples beijo! Permiti que ele me beijasse, estava nervosa, era a primeira vez que eu beijaria na vida! Ele sabia disso, por isso foi tão paciente comigo! Cedendo aos seus encantos, fechei os olhos e ele então me beijou. Nesse momento muito breve, mal sabia eu que estava selando o meu destino.

Abri meus olhos, ao ouvir que alguém o chamava furiosamente. Ele logo se afastou de mim e foi se explicando para a mulher de nome Dália, que me rendia vários insultos, o que mais repetia era o de “meretriz”.

Ela não se acalmava, estava furiosa, não o ouvia na verdade, mas eu ouvi o suficiente para entender que ela era sua esposa e se sentia traída por ter ficado várias noites sem o seu marido que jurava estar apenas trabalhando, ela então o empurrou para que saísse da sua frente e com olhos cheios de ódio se dirigiu a mim.

Eu estava tão perdida e incrédula na cena que acontecia na minha frente que não consegui se quer me defender, ou me explicar, eu o olhava chocada, esperando que ele fizesse alguma coisa, mas ele não fez.

A mulher não me falou muita coisa, mas não esqueci nenhuma das suas palavras, com um sotaque carregado ela disse: “No meu clã, não existe pior ofensa do que ser trocada por uma meretriz, mulheres essas, que apenas existem para trazer o mau e o infortúnio para as famílias”. Levantando a sua mão na direção do meu rosto, fechei os olhos esperando pela bofetada que não veio, apenas ouvi palavras sussurradas: “Qui habet omnes, ut sine ipsa non est, aeternum est tui invenire et non invenies, viros et mulieres, quae proteguntur a sordibus: generatio prava! " que descobri anos mais tarde ser algo como: “Que tenha todos os homens, sem ter de fato nenhum, que sua eternidade seja de encontrá-los e não achá-los, e que as mulheres sejam protegidas da sua imundice!” Ela se virou, dando às costas para mim e ele apenas abaixou a cabeça e disse sem emitir som “Me perdoe”, e a seguiu.

Descobri no mesmo dia no que aquelas palavras mudariam a minha vida para pior, bem pior, ao ponto de ter que fugir da minha cidade apedrejada pelas mulheres de lá!

Simplesmente os homens me viam como um pedaço de carne à disposição deles, e não havia nada que eu dissesse ou fizesse que eles mudassem de ideia, apenas após me usarem, o tal “encanto” se desfazia e eles criavam um tipo de repulsa de mim. Apesar da vítima ser claramente eu, até porque por diversas vezes fui usada e abusada, sem entender o que estava acontecendo ao meu redor, ao buscar ajuda com outras mulheres elas apenas me rejeitavam e não se aproximavam de mim, como se eu estivesse com uma terrível doença!

Em poucos dias eu estava enlouquecendo! Me isolei de tudo e de todos, fugi para longe, os traumas eram grandes, meu mundo havia virado de cabeça para baixo! Eu só implorava dia após dia para que a morte me levasse desse inferno! Mas descobri que ela jamais viria me salvar...

Foram anos para que eu entendesse de fato o que acontecia comigo e o porquê de acontecer justamente comigo!

As noites eram os momentos mais delicados para mim, tinha que redobrar os meus cuidados devido aos vampiros, não que durante o dia os homens, bruxos e lobisomens não merecessem cuidados. Afinal, eu não pertencia mais a nenhum grupo. O que era péssimo, pois os grupos tinham a intenção de se protegerem da guerra de raças e territórios.

Descobri a existência de várias raças, até então lendas para mim! Os lobisomens sofriam do mesmo “encantamento”, assim como os vampiros. E sem sombra de dúvidas, os vampiros me davam muito mais trabalho! Pois ao beberem do meu sangue o "encantamento” era prolongado até demais! Ao ponto de me drenarem até que eu caísse inconsciente!

Ainda que eu não morresse, sentia todas as dores normalmente, e sentir fome e dor, não era nada agradável, descobri nas minhas várias tentativas de me encontrar com a morte que de fato eu havia perdido essa benção! Acordar sem o sangue o suficiente para o corpo era uma dor e um esgotamento terrível!

Por alguns anos vivi assim, fugindo dos homens de todas as raças, aparecendo apenas em casos que precisava comer, beber, pegar roupas ou algo estritamente necessário! Que eu tentava postergar até o limite.

Durante os anos que se passavam, eu só pensava em uma coisa: Encontrar a tal bruxa e provar a minha inocência! Não poderia pagar por algo que não fiz! Claramente eu era a vítima! Então essa tinha sido minha motivação, desfazer toda essa maldição recaída em mim, por causa de um mentiroso!

O que eu tinha para encontrá-los eram apenas os seus nomes: Robert e Dália, e suas fisionomias que eu guardava a sete chaves na minha mente! Os reconheceria facilmente! Para o meu azar, descobri que eles foram para bem longe! Os encontrei cinco anos depois da maldição!

O primeiro que vi foi o Robert, quase não o reconheci, aparentava estar com aproximadamente uns oitenta anos, o que não fazia muito sentido, se quando o conheci tinha aproximadamente trinta e cinco anos de idade, e é claro que ele me reconheceu na hora! “Lucy...”, ignorei-o, o meu assunto não era para ser tratado com ele, que claramente não era afetado pelo meu “encantamento”, e ficou tentando me pedir desculpas e toda essa conversa fiada, que não dei a menor importância! Eu queria ver ela, a Dália! Me lembrava claramente desse dia!

Entrei na pequena casa que o Robert estava na entrada da porta e vasculhando todos os cômodos, a localizei no seu quarto, o cômodo estava com as cortinas fechadas, deixando o quarto um pouco escuro, mas eu a via claramente! Ela estava acamada! Ótimo, assim não poderia fugir de mim! E assim como ele, ela logo me reconheceu! Coisa que eu demorei para associar a mulher daquela noite infeliz! Talvez fosse a doença que a acometeu, mas ela estava aparentando, ter o dobro da idade que a vi!

Eu não tinha medo do que ela poderia jogar de feitiço em cima de mim, não poderia ter algo pior do que ela já havia me feito! Olhei naqueles olhos escuros e falei claramente, “Eu sou inocente! Nunca tive nada com o seu esposo, que eu nem sabia que tinha esposa ou família! Eu fui tão enganada quanto você!” Ao contrário daquela noite, ela não falava ou gritava comigo, apenas me olhava. “Está me ouvindo? Eu sou inocente! Eu não sabia da sua existência! Ele mentiu para mim!!!”, ela respirou fundo e a sua voz não aparentava ter a idade do se corpo, permanecia jovem, “Eu sei que é inocente, Robert me explicou depois”, respirei de alívio, pensei que seria mais difícil!

Me aproximei mais dela, “Então, quebre essa maldição que jogou em mim! Outros bruxos não conseguiram fazê-lo!”, tinha tentado duas vezes e fracassei nas duas tentativas! Dália me olhou e balançou a cabeça em negativa “Eu não posso...”, olhei para ela, estava debilitada mais tinha certeza que tinha forças para quebrar ou fazer um feitiço! “Preciso que pelo menos tente, está fraca, mas com certeza tem forças o suficiente para isso!”. “Você não entende... eu não posso quebrar essa maldição que joguei em você... na verdade ninguém pode...”

Fiquei parada olhando para a senhora que tinha a chance de me livrar desse tormento e o que estou ouvindo é um “não”? Meu sangue ferveu, fui consumida por uma raiva desconhecida, até então! Comecei a andar no pequeno quarto, “Não, não, não pode ser...” olhei para a maldita bruxa que me aprisionou e eu me recusava em acreditar no que ela falava, minha voz quase não saía, travava na garganta! “Faz ideia do que me fez passar???”, ela apenas me disse baixinho “me desculpe”, “Me desculpe? ME DESCULPE? É ISSO??? FUI VIOLENTADA DIA APÓS DIA POR HOMENS CONHECIDOS E OUTROS QUE NUNCA VI NA VIDA! EU IMPLORAVA E CHORAVA!! E QUE DEPOIS DE TUDO ME DEIXAVAM NO CHÃO COMO UM LIXO!”, eu chorava de raiva, “VOCÊ DESTRUIU A MINHA VIDA!!! DESCULPAS NÃO VÃO CONSERTAR A INJUSTIÇA QUE VOCÊ FEZ A MIM! QUEBRE A PORRA DESSA MALDIÇÃO, AGORA!!!”

Dália chorava e só balançava a cabeça em negativa “eu não posso, infelizmente eu não posso!”, respirei fundo para não matá-la, ela era a minha única esperança! “Se você colocou, você pode tirar!”, “Não é tão simples assim...”

Passei as mãos no meu cabelo, lembrando de não matá-la! “Por que não pode?”, ela hesitou em falar, mas pela cara que eu fiz ela achou melhor não arriscar e começou a falar “Naquela noite, eu estava tão possessa de raiva e ódio que eu só pensei em vingança, queria que você e o Robert pagassem pelo que me fizeram passar!” ela engoliu a seco e prosseguiu, “Eu ofereci a minha vida e a do Robert nessa maldição, para que você tivesse vida eterna e sofresse o que eu achava ser o suficiente... ”, eu não entendia nada de bruxaria mas parecia ser fácil, “Então desfaça e pegue as suas vidas de volta e devolva a minha!”, ela encheu os olhos de lágrimas, “Que vida está vendo aqui? Cada mês que passa, é um ano a mais que eu ganho, não achou estranho quando nos viu?”, olhei para ela e sim parecia uma senhora de sessenta anos bem debilitada.

Ela continuou, “Tudo na vida é um equilíbrio, se você ganha vida, alguém tem perder a vida! Nesse caso, o Robert e eu!”, por mais sentido e justo que fosse essa lógica, eu não a queria! “Acha justo que eu esteja sofrendo por um erro e egoísmo seu???”, “Não, não acho, e acredite, estou pagando caro por isso que fiz a você, estou praticamente morta em vida!”, isso nem de perto era um consolo para mim! “Isso não é justo, ISSO NÃO É JUSTO!!!”, ela falou calmante “Lucy, se eu pudesse voltar atrás, não acha que eu já teria feito isso? Me livraria dessa prisão da morte em vida!”, eu respirava fundo tentando me acalmar, tinha que haver uma saída! “Eu não posso desfazer o que fiz, mas posso ao menos tentar equilibrar...”, olhei para ela “O que quer dizer com equilibrar?”, “Infelizmente essa obsessão dos homens à você e a rejeição das mulheres eu não posso fazer nada...”, “Nossa! Bom saber!”, “Me escute, mas posso ajudá-la a pelo menos se proteger, a controlar a maldição... assim evitará abusos...”.

Parecia ser uma luz no fim do túnel, se pelo menos eu pudesse controlar os homens que se aproximassem de mim, já era um baita alívio! Sussurrei,“Será de extrema ajuda não ter que fugir de todos os homens!”, ela confirmou com a cabeça, “Preciso que chame o Robert, por favor.”

Saí do quarto e voltei para a entrada da casa onde ele permanecia no mesmo lugar, o chamei e ele entrou na casa. Andando devagar devido a “idade avançada”, ele se aproximou dela e sentou-se na cama, ela dizia algo para ele, e ele concordava com a cabeça, ouvi ele dizer, “Sim, é justo!”. Dália olhou para mim e me chamou para me aproximar deles, “Preciso tocar em você para criar a proteção e o controle que precisa...”, “Tudo bem”, concordei.

Ela sinalizou para que eu me ajoelhasse, como eu disse, não estava com medo, nada poderia piorar a minha situação! Dália, com a mão esquerda pegou a mão do Robert e com a outra colocou o polegar direito na minha testa e disse: “Itaque cum nubibus defendat quæ a solis lumine luna sicut cadit in te praesidium etiam maritimos aestus maximos pluviis ut ostenderent lucem, et de potestate control quod procedit a vobis: non est servus, sed dominae, qui habitat in vobis?” . Era algo como: “Assim como as nuvens nos protegem da luz solar, que essa proteção recaia sobre você, assim como a lua controla as marés, você controle o poder que emana de você, não sendo mais escrava, mas senhora do poder que habita em você!”

Senti um formigar por toda o meu corpo, da cabeça aos pés! Olhei para ela e vi o quão abatida ela ficou, “Agora tem que aprender a controlar o seu poder, a intensidade que ele emana de você. Mas enquanto isso, poderá estabelecer uma distância de segurança dos homens enquanto aprende a se controlar.” Com paciência ela foi me ensinando a criar a barreira que me manteria segura até o controle total, me explicou tudo sobre as raças e os clãs. Eu não me sentia grata, o que ela estava fazendo era o mínimo para amenizar o estrago que eles causaram eternamente a mim!

Depois de algumas horas eu me sentia pronta para sair o mais rápido possível de lá, era notável a olhos nus o que as horas estavam fazendo com eles, eu não daria mais do que uma semana de vida para cada um! “Lucy”, ouvi a voz do Robert me chamar, estava de costas para ele e assim permaneci, “Sei que não tem obrigação de me ouvir, mas eu só queria que soubesse que de fato eu queria assumir você, mas apenas naquela noite descobri que a Dália havia vinculado a minha vida a dela, senti na hora o impacto quando ela soltou a maldição em você...minha vida começou a ser drenada dali... e não teve um dia em que não me culpei pelo infortúnio que eu levei para a sua vida! Me perdoe...”, com o meu olhar periférico eu respondi, “Não posso te perdoar por algo que você não faz ideia do que me fez passar devido as suas mentiras!”. Saí daquele local para nunca mais vê-los novamente.

Como ela me prometeu, consegui controlar e dominar com o passar dos anos essa maldição, pelo menos agora não me tocariam, se eu não quisesse!"

Ele tinha parado de comer para me ouvir com atenção.

“Jamais imaginaria isso Lucy... lamento muito...”, “Tudo bem, agora são só lembranças de um momento ruim da minha vida, já superei isso! Não sou mais ingênua, aprendi muito, principalmente a não me permitir sofrer.” Olhei para ele que estava triste com a minha história, “Existe o clã dos amaldiçoados?”, ele me olhou e disse, “Se existe, pertenço a esse clã também!”. Mel, também não tinha família, foi criado por estranhos e desde de cedo teve que se virar, e claramente preferiu fazer pequenos furtos como forma de sobreviver.

“Tem razão em uma coisa, Mel.” Ele ainda me olhava, “Com essa guerra entre lobisomens, bruxas e vampiros que está cada vez pior, precisamos encontrar um clã que nos aceitem.”, “E para qual iríamos?”, “Bom, como de fato eu não pertenço a nenhum grupo, até tentei encontrar algum bruxo que desfizesse essa maldição, mas não se quebrava ou não queriam quebrar algo feito por um dos seus, se recebi a maldição eu mereci a maldição! Logo, não pretendo e também não me aceitariam no clã dos bruxos... Lobisomens podiam farejar uma bruxa assim como os vampiros e eu não era uma delas, mas também não era um deles! Me juntar aos homens humanos é algo impensável! Afinal foi por causa de um que caí nessa armadilha! O que nos sobrou foram os lobos, vampiros e híbridos!”

Ele também se ajeitou e sentou-se mais ereto, “Hum, tenho alergia à pelos!”, sorri, uma coisa que Mel me fez lembrar de como fazer, era muito grata a ele, “Nesse caso, eliminamos mais dois clãs! Então, iremos ao rei dos vampiros, acredito que teremos mais chance lá.”

Mel levou a mão ao pescoço, “Sabe que serei a refeição deles, não é?”, “Só ficarei com a garantia de que você estará seguro, Mel!”, ele puxou um sorriso, “Se bem, que não deve ser tão ruim ter um vampiro lindo e maravilhoso grudado no meu pescoço!”, puxei um sorriso, “Ótimo, pense apenas nos pontos positivos!”, ele fez cara de quem pensava em um grande problema, “E quando o problema é a solução? Quem ganha?”, respondi sorrindo, “Nesse caso, quero que a solução ganhe, não vou ficar em um lugar que você não fique”.

Me levantei da rocha, “Se vamos nos encontrar com um rei, teremos que estar bem apresentáveis, não é?”, ele se levantou animado, “Oba! Vamos em umas lojas chiques e quero ficar no melhor hotel!”. Começamos a descer a montanha, “Então torça para que os responsáveis por cada local sejam homens!”, ele sorriu, “Pode deixar!”.


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23 de Junho de 2019 às 02:19 0 Denunciar Insira 3
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