Três dias em Budapeste Seguir história

ayzu-saki Ayzu Saki

1999 foi um ano a se lembrar. Não apenas por ser a passagem do milênio e o dito fim do mundo, mas porque foi o ano em que Gaara achou um corpo, que Naruto perdeu o irmão e Ino se apaixonou por uma voz no telefone. Aquele foi o ano que mostrou que a vida é frágil demais, que enterrou o medo da terrível realização da mortalidade. A realização de que se deve correr atrás dos seus sonhos antes que seja tarde demais. Eles entenderam bem esse recado. [Sobre três amigos em uma Kombi azul, uma roadtrip pela Europa, uma promessa e o rito de passagem para a vida adulta.]


Fanfiction Para maiores de 18 apenas.

#luto #shiita #gaalee #sakuino #sasunaru #romance #amizade #suicídio #roadtrip #NaruGaaInoAmizade #naruto
10
3.7mil VISUALIZAÇÕES
Em progresso
tempo de leitura
AA Compartilhar

1999



"Minha casa em Budapeste

Meu baú de tesouros escondido

Piano de cauda dourado

Meu lindo castelo

Você, ooh, você

Ooh, eu deixaria tudo.

Oh, por você, ooh, você

Ooh, eu deixaria tudo" Budapest- George Ezra


O ano era 1999, a passagem do milênio. Um clima de expectativa tomava conta do mundo, recoberto por um número de desastres ao redor do globo. Nos Estados Unidos foi o ano do massacre de Columbine, o pior massacre em uma escola da história do país até então, com 15 mortos e 24 feridos. Também do Tornado de Bridge Creek-Moore que arrasou Oklahoma e do Terramoto de İzmit que deixou mais de 17 000 mortos na Turquia.

Também foi o ano em que durante uma corrida matinal Gaara encontrou um corpo debaixo da ponte Kachidoki.

Ele nunca esqueceria da pele amarelada e olhos opacos. A barriga inchada pela água, a língua protruída entre os lábios azulados. Dos segundos, ou minutos, talvez horas em que ele passou parado, apenas olhando sem entender o que estava logo ali, até seu tio o tirar de lá e chamar as autoridades. Apenas mais tarde ele descobriria quem havia sido a pessoa: Yato Misaki, 22 anos. Misaki tinha uma irmã mais nova que estava dois anos abaixo deles na escola. Gaara a tinha visto uma ou duas vezes no corredor.

Naquele ano muitas pessoas pularam de pontes ao redor do mundo, em uma certeza estranha de que ninguém sobreviveram ao próximo milênio. Gaara nunca saberia a razão de Misaki, mas naquele dia algo mudou dentro dele. Algo que o deixou inquieto, que lhe tirou o sono. Em seus sonhos Misaki sempre estava lá, com seus olhos opacos e barriga inchada. Ele passou semanas mais sombrio que o normal, sem entender o que havia mudado. Sem entender o que era aquele aperto em seu estomago e o gosto de cinzas em sua boca.

Depois de Menma, Gaara percebeu que naquele dia ele se deu conta de algo óbvio: da morte. Era a primeira vez que Gaara a via, como uma verdade nua e crua. Como uma piada cruel do destino, nos dois extremos entre Misaki e Menma Gaara sentiu o gosto da mortalidade. E ele sentiu medo, um medo irracional, vindo da certeza que aquela era a piada mais sem graça possível.

Menma morreu em 23 de setembro de 1999. Ele tinha 18 anos, uma moto Harley Davidson que havia herdado do avô, um violão e uma coleção de livros de um escritor Húngaro que tinha um nome difícil. Na noite anterior eles haviam assistido Dirty Dancing na casa de Gaara e Menma e Ino haviam imitado a dança de Patrick Swayze e Jennifer Grey enquanto Naruto tinha um ataque de riso. Gaara havia reclamado do barulho e trocado a fita sob protestos. Menma comentou sobre a faculdade no próximo verão e uma viagem para Budapeste.

Eles estavam rindo e dançando e fazendo planos, e no outro dia ele não estava mais lá. O livro na cabeceira ainda marcado na página que ele deixou, a xícara de café que ele nunca guardava ocupando a cômoda do irmão, porque a dele já estava lotada delas.

Um carro ultrapassou o sinal e pegou em cheio o lado do motorista. Naruto passou ainda três semanas no hospital. Gaara estava lá quando ele acordou, quando a primeira coisa que ele perguntou foi pelo irmão.

E Gaara apenas não conseguia entender. Pessoas como Menma não deviam morrer aos 18 anos. Prestes a ir para faculdade, com uma viagem programada e cheio de sonhos. Pais como Kushina e Minato não deviam perder um filho, Naruto não devia perder o irmão e ficar desconectado do mundo, ausente. Sempre olhando para o lado, esperando ver a pessoa que sempre esteve lá desde o começo. Naruto que até aquele não sabia como era existir sem o irmão por perto.

Gaara, nos meses que seguiram, sentia que eles haviam perdido os dois, porque aquela sombra que passava pelos corredores não era seu melhor amigo tagarela. Ele estava sempre tão perdido, um falso sorriso no rosto, tentando agir como se tudo estivesse bem. E isso era triste e assustador e seus sonhos agora sempre viam Naruto como o corpo abaixo da ponte, o deixando sem ar e tentando não chorar sempre que acordava.

E então um dia Naruto não veio para escola. Nem Ino. E o mundo de Gaara pareceu entrar em suspenso até os ver no dia seguinte, batendo na sua porta com uma ideia mal planejada e um envelope de dinheiro depois de Ino vender o carro. Gaara nunca soube o que aconteceu com os dois, mas pela primeira vez em meses ele viu seu melhor amigo quando fitou o outro, nos olhos vermelhos e sorriso incerto, no abraço caloroso e tagarelice.

No último dia de aula os três pegaram passagens de avião para Barcelona e lá alugaram uma Kombi. Azul bebê, antiga e desconfortável. Gaara não tinha certeza se ela daria conta, mas Naruto apenas parecia otimista. Ino arrumou tudo, como só ela conseguia. Nunca passou pela cabeça deles que ele faria isso sozinho. Um dia eles foram quatro, agora eles eram apenas três, mas ainda assim eram tudo um para o outro. E ainda continuariam a ser por anos e mais anos que se seguiriam.

Gaara lembrava de tudo. Do cheiro do perfume doce quando o vento jogou o cabelo dela para fora da janela. Em como ela estendeu os braços e deu um grito de guerra. Gaara lembrava em como Naruto segurava a caixa de cartas de Menma com cuidado antes de o pedir para a guardar até chegarem em Budapeste. E da importância desse pedido, do peso daquela promessa para um garoto morto que agora os três dividiam.

Gaara lembrava.

O ano era 1999, o mês novembro.

1999 foi o ano que mudou tudo.

.......................................

Notas inicias

E esse foi o começo!

Eu tenho 10 capítulos curtos planejados para essa história, cada um terá um pov diferente, entre Ino, Gaara e Naruto. A tag de suicídio se refere ao personagem da ponte, então podem ficar sossegados daqui para frente.

No próximo: Ino

Até breve 😊

16 de Junho de 2019 às 18:21 2 Denunciar Insira 3
Leia o próximo capítulo Alma irmã

Comentar algo

Publique!
KL Kitsune Lyra
Socorro, como assim, cade o resto? Só dor e sofrimento, é isso Brasil? Se bem que choca um total de 0 pessoas ne? To indo ler Da tua retina, me deseje sorte. Quem sabe não vamos um dia pra Budapeste?
19 de Outubro de 2019 às 16:05
Políbio Manieri Políbio Manieri
AE CARALHO FINALMENTE. Gente ce n tem idéia o quanto eu amo fiz que trabalham amizade do Gaara com Naruto ou com a Ino, melhor do que um melhor amigo loiro, pra frete e tagarela só dois! Amiga eu gosto TANTO da sua escrita... Vc descreve cenarios de uma vida em tao poucas e boas palavras e tudo acaba fluindo em segundo com a gente presa nesse texto. To bem feliz de poder acompanhar uma história sobre esses 3 e bem curiosa sob que tipo de aventuras eles pretendem e que tipo de coisas aconteceram neste ano em que tudo mudou.
5 de Agosto de 2019 às 15:09
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 1 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!