common love Seguir história

missunofirework iara oliveira

hoseok é o jogador de tênis metido e com péssimas notas do último ano, e yoongi, o comunista pro-lgbt militante que numa bela aula de história, acaba sendo suspenso junto do burguês safado por conta de uma discussão sobre direitos iguais. #pridemonth


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#k-pop #bangtan #shortfic #loveandhate #taehyung #jimin #jin #namjoon #jungkook #yoongi #suga #hoseok #bts #gay #yaoi #love #fanfic #yoonseok #sope
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primeiro

em homenagem ao mês do orgulho lgbt, trago essa fanfic, completamente diferente de tudo que já escrevi, e uma das maiores expectativas que já foram geradas em mim em relação à produção de minha autoria. é uma trilogia (por enquanto).


boa leitura.


-


hoseok odeia abelhas. por isso mesmo a aula de biologia prática envolvendo pólen e reprodução no reino plantae é o maior motivo pelo qual ele falta nas terças. acontece que, de tanto faltar no penúltimo bimestre do ano e perder tantas provas, ele estava quase reprovando de ano e perdendo sua desejada bolsa na universidade que já estava garantida há dois anos.


normalmente suas notas são abaixo da média, as quais só consegue recuperar devido às aulas particulares que seus pais pagam em casa. acontece que não dá tempo mais, ele não pode continuar confundindo insetos com fungos. hoseok está fodido, e sabe bem.


"sou contra estudar essas merdas na escola, pra que estudar o que a gente não quer? pra que estudar filosofia e história sendo que eu vou fazer engenharia? mano, que merda" gemeu se encolhendo na cadeira e jogando a caneta na cadeira. sentiu o olhar de seus amigos nele.


"caramba, você é um otário mesmo" jimin disse, balançando a cabeça e repreendendo o amigo, antes de se virar pra frente e ignorar o que quer que fosse que o moreno fosse falar.


"falou o viado que vai cursar letras" disparou chateado. jimin o ignorou e folheou seu caderno.


todos os seus amigos pensavam a mesma coisa nesse momento: hipócrita.


hoseok era um gay incubado que, às vezes, se pegava com uns caras da escola e fazia chantagem para que não falassem nada. odiava quando sequer tocavam no assunto sobre gays. era o gay homofóbico frustrado que descontava sua raiva nos ideais "defensores" da causa lgbt; fingia acreditar em deus e usava a religião como pretexto pra culpar os homossexuais.


pobre hoseok... pistolava muito fácil, e só era bom em uma coisa na sua vida: jogar tênis. tinha talento pra isso e fazia disso sua âncora.


ia para a quadra de sua casa e treinava por horas a fio quando estava mal, guardando tudo para si e não dizendo nem para seus amigos mais próximos o que lhe afligia.


taehyung já foi uma das vítimas de hoseok; amigo de rolê do grupo. hoseok ficou bêbado e taehyung estava afim. se pegaram muito, mas hoseok veio com um papo de marcá-lo caso contasse pra alguém, e taehyung chutou suas bolas e saiu no meio da sessão.


hoseok odeia taehyung até hoje. e por isso, apesar de adorar seu amigo jimin, sente remorso pelos dois estarem namorando agora.


todo mundo muito feliz...


hoseok se frustrou olhando o quadro da professora de biologia e saiu da sala sem pedir permissão. a professora viu e respirou fundo, já acostumada com o mau comportamento do garoto.


o mesmo se dirigiu pra fora do campus, indo até o jardim mais silencioso e quieto das redondezas.


...acontece que não era o único que procurava pelo mesmo lugar silencioso.


hoseok colocou seus cotovelos no muro de concreto e encarou a cena a alguns metros a sua frente, calado.


"não podemos culpar os pobres; não podemos culpar o povo. eles não têm instrução adequada. e a escassa instrução pública e gratuita que eles têm, está em ameaça de lhes ser tirada" hoseok ouviu a militância do aluno do terceiro ano que fazia alguma disciplina com o mesmo.


tentou lembrar-se do seu nome, ou da onde o conhecia.... ah! aula de história.


hoseok riu. lembrou de alguns comentários que o garoto já fez na aula.


ele estava lá treinando pra algum tipo de debate; sozinho. falava com confiança e tinha argumentos sólidos. hoseok achou tão sério que achou graça.


como pode alguém falar tanta baboseira? - pensou, rindo.


ficou alguns minutos escutando o que o garoto falara. mandou mensagem para seu amigo jimin e lhe perguntou se sabia de algum debate de história; ele disse sim.


hoseok sorriu fazendo algumas anotações e planejando o que queria. tinha preguiça de pensar; mas naquele dia teve vontade de acabar com o garoto comunistinha da sala.


-


no dia seguinte, yoongi estava de bom humor. foi convidado pelo professor para iniciar um debate sobre educação pública na escola, já que os alunos de lá estavam numa bolha e não sabiam que pobres estudavam e tinham esse direito.


abriu e fechou seu armário repassando seu discurso na sua cabeça várias vezes, até que seu fone de ouvido, qual reproduzia um discurso de Martin Luther King, foi tirado de seu ouvido de forma nada gentil.


"não ouviu eu falando contigo?" virou -se para a pessoa que se dirigia a ele, e arqueou-lhe as sobrancelhas fechando seu armário.


"quem é você?" com descaso na voz.


hoseok se surpreendeu com a audácia do garoto e sorriu divertido com a língua na bochecha.


"você vai saber mais tarde... - o olhou de cima abaixo - e esse tênis velho? - riu - aposto que é bolsista" rebateu. yoongi sorriu entendendo sua jogada.


"tem algum problema em ser bolsista? afeta tanto seu ego assim eu ter conseguido três bolsas em universidades públicas enquanto você tá quase perdendo a única que ganhou?" bomba.


hoseok o olhou incrédulo por um segundo, e depois riu debochado se escorando no armário ao lado.


"então você sabe quem eu sou... baixinho" jogou com sua altura dessa vez.


"sim, sei" falou sem interesse colocando seu fone de ouvido novamente. "falando nisso, prefiro mil vezes o seokjin do que você nos jogos estudantis" sorriu forçadamente uma última vez, antes de virar costas e deixar hoseok lá, estupefato.


"filho da mãe" sussurrou, com os olhos semicerrados, observando o garoto se afastar, pensando a mil por hora de quantas formas diferentes poderia foder com sua vida.


"ei, otário" um tapa na cabeça de hoseok lhe tirou do transe. jungkook riu. "social na minha casa mais tarde, NÃO caça briga com ninguém" avisou.


hoseok o olhou sério, ainda pensando na humilhação que o nerd lhe fez passar.


"nao vou"


-


"então... galera, como vocês sabem, marquei um debate pra hoje, alguém lembra do tema?" o professor chegou apagando o quadro e conversando com os alunos.


silêncio.


"yoongi?" o professor deu uma chance pra turma.


"educação pública gratuita e os direitos do povo" respondeu uma voz de altura razoável do meio da turma. nem na frente demais, e nem no fundo demais. yoongi era na medida certa.


"exato" apontou, pousando o canetão na sua mesa e encarando a turma. "pedi que yoongi representasse a pessoa a favor desse ensino, e também pedi que o resto dos interessados se organizassem para que um representasse fosse contra" disse, já fazendo uma análise da sala de aula. "alguém se prontifica?"


de forma a causar espanto e choque, jung hoseok levantou sua mão, ganhando uma sobrancelha arqueada do professor.


"hoseok? tem certeza?" todos estavam chocados. hoseok nunca abriu a boca pra falar na aula de história, ou em aula nenhuma pra falar algo produtivo.


ao invés de responder, hoseok se levantou com sua cadeira e a colocou na frente da turma, ficando de lado dos alunos, sentando-se e esperando que o professor e a turma parassem de olhá-lo como se fosse um bicho.


"vamos logo" disse, tirando o pirulito da boca e observando sua cor vermelha.


o professor deu de ombros, um pouco hesitante do que iria acontecer na próxima hora, mas pediu que yoongi fosse até à frente.


yoongi tinha até preparado sua cardeneta com suas anotações, mas quando estudou o comportamento do garoto ali na frente e entendeu o que aconteceria, foi cru com sua pura inteligência.


levou sua cadeira e sentou-se a dois metros de hoseok. a turma lhes encarou atenta, estupefata e curiosa com o que ia acontecer.


o comunista e o burguês safado.


yoongi deu o primeiro suspiro quando percebeu que hoseok não iria jogar o pirulito fora para debater.


"quer começar, jung?" perguntou com a maior paciência possível, alisando sua calça jeans e cruzando suas pernas.


"fique à vontade, min"


é, hoseok fez suas pesquisas. não era inteligente em quase nada, mas era esperto.


"ok. sabe sobre a origem dos ideais da educação pública e gratuita no mundo?" perguntou. hoseok nem o olhou, sabia que faria esse tipo de jogo.


"antes que fale: sei que veio com seu viés histórico de quem estudou uma vida toda e só tira A. mas eu vim provar que a história contada nas escolas nem sempre é a história verídica, e nem sempre é argumento de autoridade pra vencer uma briga" disse, tirando o pirulito da boca e o jogando pela metade no lixo.


yoongi quis rir. mas deixou que continuasse.


"sei que é comunista e acredita numa escola para todos, yoongi. numa vida perfeita para todos e etc, mas no que você se baseia? ninguém NUNCA conseguiu alcançar esse comunismo ideal, por quê você acredita que a educação sequer um dia vai ser pra todos?" se sentou confortavelmente e apoiou seu braço no apoio da cadeira.


yoongi abriu a boca pra falar.


"não inventaram a roda do nada, hoseok. tentaram primeiro. o aprimoramento da medicina e a cura de milhares de doenças que temos hoje vieram de falhas, de tentativas. o comunismo que defendo na verdade não é só sobre todo mundo ter algo, é sobre deixarem de ter também. se acha que defendo a educação pública em nome do comunismo e não da democracia, saiba que o capitalismo mata as pessoas" hoseok o olhou suspeito.


"há um ciclo natural da vida, min, as pessoas nascem, crescem, reproduzem e morrem. além disso, haverá uma superpopulação em poucos anos. é necessário que as pessoas morram"


"de fome?" yoongi o olhou no fundo dos olhos.


hoseok lambeu seus lábios. "isso é outra coisa. a escola tá aí, yoongi. as pessoas têm chances de serem empreendedoras e serem seus próprios chefes hoje. é só economizar e investir, todo mundo consegue ascender socialmente"


algum ou outro riu na sala. hoseok começou a ficar com raiva.


"já entendi... você disse que a escola tá aí. então concorda comigo que ela supostamente é pra todos, não é? que ela é democratizada" yoongi ergueu as sobrancelhas. dependendo de como hoseok respondesse, já poderiam ir para casa.


hoseok pensou por dois segundos. entendeu sua jogada.


"ela não é democratizada." e travou quando foi continuar. yoongi mordeu seu lábio e cruzou seus braços, desfazendo suas pernas cruzadas.


"mas ela deve ser?" yoongi perguntou, tentando ser sério.


hoseok entendeu que estava num beco sem saída. e ele próprio se colocou lá.


cruzou seus braços e partiu pro estratagema popular.


"você está jogando sujo" acusou.


"não, meu amor. eu só usei o que você disse contra você" yoongi sorriu. hoseok teve raiva.


"você defende que o pobre deve estudar porque é pobre, não é? porque é bolsista" yoongi gargalhou.


"você é contra a comunidade lgbt e nem por isso não é gay" soltou.


a sala ficou calada. duas vozes masculinas xingaram algo dos fundos quando entenderam.


hoseok, ao entender, se levantou estressado.


"estamos falando de educação pública, garoto" literalmente apontou o dedo para yoongi, que continuava sentado.


"desculpa, confesso que joguei sujo dessa vez. mas o engraçado é que você ficou com raiva e é verdade" riu.


"yoongi..." ouvimos o professor. "EI, HOSEOK!!!!"


no momento seguinte, dois alunos estavam tirando hoseok de cima de yoongi, que havia recebido um soco na cara. estava com a mão na bochecha. olhando hoseok com nojo e desdém.


"você é nojento" disse. hoseok estava enfurecido nos braços de jimin e jeongguk.


"a bicha não sou eu" quis rir debochado, mas riu de nervoso, tremendo de raiva nos braços de jimin.


"você sabe que é" rebateu.


"CHEGA!!! os dois, já pra coordenação!" o professor apontou, e saíram da sala.


um de um lado do corredor, com uma carranca na testa e cara feia pro mundo, e o outro, seguindo caminho, vulnerável, de cara séria, tentando disfarçar a dor no rosto e não chorar.


o professor no meio dos dois, balbuciando como se fosse um pai que desse birra nos seus filhos, por terem acabado de brigar por algo tão ridículo.


mas calando no final. homofobia mata.


-


"estão suspensos por 5 dias, temporariamente. já que yoongi acredita em direitos iguais, que seja assim" ouviram a diretora.


yoongi quis rir.


"mas o meu filho foi espancado??? por um homofóbico???? qual o seu problema, diretora??? eu vou denunciar essa escola!!" a mãe de yoongi explodiu ao seu lado.


"ei, senhora. não escutou a diretora? ela deu o decreto final" o pai de hoseok disse sério e seguro.


"estúpida gente rica..." a mãe de yoongi murmurou.


"mãe" yoongi pediu que se sentasse. continuou com a mão no queixo, calado. aguentando a dor, quieto.


"não vai pedir desculpas?" a mãe de yoongi olhou emocionada para hoseok. hoseok a olhou com um olhar de desdém.


"ele fez chantagem psicológica comigo?" hoseok riu.


"e você fez física!" sua mãe explodiu de novo.


"senhora" a diretora pediu calma. "hoseok já tem todo um histórico nessa escola, e já está no limite das advertências. eu sei com quem estou lidando e seu pai também sabe disso. nós iremos conversar para ver o que mais podemos fazer com ele" falou.


eles não iam conversar... yoongi pensou. yoongi sabia da desigualdade de tratamento entre os bolsistas e os pais que patrocinavam os jogos estudantis da escola. hoseok era filho do maior empresário da cidade.


yoongi se levantou. "estamos liberados, diretora?" ela assentiu. "obrigado" e yoongi saiu. não estava com saco para tentar mais.


saiu da sala; sua mãe o seguiu.


"filho?" yoongi parou na porta do carro simples que sua mãe conseguiu com esforço e gesticulou. "eu sinto muito" o abraçou forte. yoongi a apertou de volta.


enquanto isso, hoseok ouvia a conversa de seu pai com a diretora, olhando pela janela a cena lá fora.


quando viu yoongi levantar a cabeça do ombro de sua mãe, e limpar o rosto molhado e vermelho, percebeu que sua estratégia de fazer o garoto se sentir mal havia dado certo.


mas pesado, ele percebeu, pela primeira vez, o quão ridículo foi. se sentiu péssimo, e odiou entender o que jimin chamava de empatia.


virou-se para o pai e a diretora que se despediam sorridentes falando de jogos estudantis.


"jade..." pediu a atenção da mulher de meia idade que lhe recebeu simpática. "pode me passar o endereço do yoongi?"



6 de Junho de 2019 às 13:09 0 Denunciar Insira 1
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