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Capítulo Único

Era um dia como qualquer outro, com uma única diferença que naquela manhã estavam sentados em um banco de mármore no jardim de um hospital. Uma bela moça e ao seu lado um rapaz. A jovem tinha pele cor de chocolate, belíssimos cabelos ondulados castanhos caiam em cascata em seus ombros, olhos da mesma cor e vestia um vestido branco, solto. O moço ao seu lado tinha pele branquíssima como a neve, cabelos cor de carvão, olhos castanhos escuros e usava uma túnica preta com um capuz. Eram a Vida e a Morte personificadas.

A Morte pensava nem algo que jamais lhe incomodou. E resolveu externar o pensamento:

— Vida, acha que sou mal, cruel ou algo assim?

— Ora, mas que pergunta é essa Morte, você nunca ligou para isso?!

— Eu estava pensando agora; os humanos me odeiam e me temem tanto que parei para refletir sobre isso nesse momento... E só posso achar que sou mal, cruel...

A Vida balançou a mão como para afastar um inseto.

— Não acho que isso seja o motivo. Os humanos tendem a ter medo do desconhecido e tentam o evitar, descobrir formas para impedir ou afasta-lo, nesse caso procuram um elixir da vida eterna, a imortalidade, pois não sabem o que vem depois, quando já não estão mais nesse mundo, e de certa forma ficam tão preocupados nisso ou pensando em suas próprias mortes, que nem percebe a vida passar, não aproveitam o máximo desse belíssimo planeta e nem a própria vida, e, quando você chega ficam com raiva, por não terem feito tudo o que queriam. Não sabem que o maior motivo da vida ser bela do jeito que é por justamente ter um fim e que não teria sentido se fosse eterna.

— Entendo...

A Vida baixou a cabeça e continuou melancólica:

— Não é o único que acham que o odeiam. Me sinto assim também.

— Mas o que?!

— Sim — diz ela com lágrimas em seus olhos — Acho que me odeiam também. Os homens provocam guerras sem sentido, matam por prazer, decidem quem morre ou não — como os assassinos seriais — ou a arrancam de si mesmos — como os suicidas. É como se me retalhassem, não me respeitassem e me negassem. Tantas pessoas que batalham como todas suas forças para mantê-las, enquanto outras na guerra não se importam em tirar ou que não são fortes o suficiente para mantê-las ou seguir em frente, preferindo a retirar.

A Morte a abraçou tentando reconforta-la.

— Não sabia que sofria dessa forma — afirmou o rapaz — Acho, que de acordo com tudo que você disse, tem pessoas — em sua maioria que me temem, alguns que para mim são a malucados, já que procuraram a vida eterna, uns que não ligam, quando provocam as guerras ou os assassinos que se acham no direito de interrompe-las, aqueles que desistem dela por algum motivo específico, não se importando com mesma. Mas também tem as que lutam e a protegem com todas as forças.

— Sim, é isso mesmo — concordou a moça.

O vento balançou os cabelos da moça e as plantas e folhas do jardim. Os dois se levantaram, tinham muito o que fazer.

— Vai para onde hoje? — perguntou a Morte retirando de sua túnica um relógio dourado de bolso.

— Ah, depois dessa conversa fique deprimida... — suspirou a Vida — Vou para a ala que as pessoas lutam pela vida, vencendo as doenças, sem perder as esperanças e enfrentando também seus próprios demônios.

— Oh, pensei que fosse para a maternidade... — falou o rapaz sacudindo o relógio — É bom mudar um pouco.

— Sim. E você vai para onde?

— Os corredores, como sempre, checando quem tem o tempo a acabar – diz tomando seu caminho, mas para ao se lembra de algo — Vida, não fique pensando nessas coisas ruins, você é bela!

Ela sorriu.

— E você entendeu o que eu disse mais cedo, não é mesmo?

— Sim, querida...

— Não se esqueça mais — concluiu a jovem — E de que você pertence ao meu ciclo e eu ao teu.

Ambos se olharam e sorriam. Ao entrar no hospital cada um foi para um lado diferente, se encontrariam novamente no fim do dia.

2 de Junho de 2019 às 11:27 0 Denunciar Insira 1
Fim

Conheça o autor

Sophia Grayson Só uma garota que gosta de escrever.

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