Na Superfície Seguir história

danimartlivros Dani Mart

Uma história sobre destino, escolhas, desencontros e paixões arrebatadoras. Quanto pode custar uma noite inocente, com uma amiga e shots de tequila? Para Jessica, toda uma nova vida. Um recomeço. E problemas. Daquela noite, lembra-se apenas do sorriso de Fausto e de alguns flashes vergonhosos. Um início incomum e um meio cheio de conflitos e reviravoltas. No meio desse redemoinho de emoções e de escolhas questionáveis, Arthur aparece para deixar tudo mais complicado. Teria sido o destino?



Erótico Para maiores de 18 apenas. © Todos os direitos reservados. História registrada na Biblioteca Nacional. Plágio é crime!

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UM

"Meu nome é Jessica. Na verdade, prefiro Jess. Acabei de sair de um relacionamento sério, sabe? Tem pouco tempo, na verdade era casada. Fui traída. É, foi uma barra, sofri bastante... Não sei nem se tá realmente superado..."

Ah, meu pai! Droga! Quem em sã consciência conhece um cara, totalmente estranho até então, e despeja tudo isso assim, em um golpe só?! Eu devia estar louca, muito louca, os shots de tequila fizeram um trabalho muito, muito ruim... Minha cabeça latejava e os flashes vinham regularmente. Essa parte vergonhosa, me lembrei enquanto tentava tirar o gosto de guarda-chuvas (clichê que jamais entendi, quem diabos chupa um guarda-chuva?), mas não lembrava o que tinha de mais importante: Quem era ele? Qual cara ele fez diante desse despejo de confissões?

Acordei no meu apartamento, ainda com as roupas de ontem (E agradeci por isso!...), na minha cama, mas não tinha a menor ideia de como tinha chegado ali. Na verdade, não tinha ideia de boa parte do que aconteceu - ou do que não aconteceu - ontem. Lembro-me de ter passado o dia trabalhando, um estudo chato sobre um caso cível que envolvia a posse de um veículo... Opa! Mais um flash!

"Sim, sou advogada... Mas estou no início de carreira... Eu fiz a faculdade de Direito, mas não fiz a prova da Ordem. Então, não advogava... Só trabalhava no comércio dos meus pais, roupas... Então me divorciei e resolvi fazer a prova, passei..."

Gente! Muita informação, muuuuuuuuuuita informação! Eu achei que estava em uma entrevista, uma sessão com um psicólogo?!?! Não é possível! Esse cara deve ter me achado totalmente sem parafusos. Aliás, quem era esse cara? Tentei forçar a mente, nem o nome dele me vinha. Algo na ponta da língua, mas não vinha, simplesmente estava fora de alcance do meu deplorável consciente.

Fui para a cozinha, pretensão máxima para um bom café, forte, sem açúcar, acompanhado de meu remédio para controle da hipertensão... "Ah sim, sou hipertensa, mal de família..." Oh Deus! Até isso, Jess? Você disse mesmo isso? Volta para a realidade, sua doida, pega o pó de café, faz pelo menos isso direito... Um analgésico, uma torrada com pouca manteiga... Tudo vai ficar bem, você sabe que vai.

A porta no fim do corredor faz barulho, de repente vem Amanda, ainda coçando os olhos, cabelo totalmente bagunçado, pijama largo e cheio de buracos. Ok, é a dica para saber que ela voltou para casa desacompanhada, pijamas ruins sempre diziam isso. Mas Am tinha um sorriso de meia boca, meio zoado, como se estivesse zombando de mim.

— Ainda tem saliva nessa sua boca falante, Jess? - Ela perguntou com um tom divertido.

— O que você quer dizer com isso, Am? Não sei nem do que você está falando... – Desconversei, fazendo a minha melhor cara de "Oi? Não tô te entendendo".

— Ah... Não deve saber mesmo não... Ontem você falou, falou mais um monte, dançou, beijou e apagou. Uma perfeita Bela Adormecida! – Ela riu, se divertindo com o relato resumido da minha noite de vergonha.

Eu tinha saído com Am. Eu cheguei em casa depois do trabalho, já com planos concretos de pipoca, pijama, seriado e cama, mas ela me deteve. Ela me fez tomar um bom banho, me arrumar, me aplicou a maquiagem, destacando o que, segundo ela, seria o que de melhor tinha em meu rosto, me encheu de um perfume caro que ela guardava para ocasiões especiais e para "amigas em processos depressivos precisando sair e viver". Ela chamou o táxi, nos encaminhou para o melhor lugar da cidade para uma noite de diversão entre amigas, o Shooters[1], nome bem sugestivo, tendo em conta que as amigas iam para se divertir e os amigos para azarar as amigas que iam para se divertir.

Era uma sexta, dia de rock 'n roll. A banda praticamente da casa, de todas as sextas, com um setlist que parecia retirado do meu player: Skydivers. Adorava o som deles. Chegamos, Am pagou as entradas, os shots de tequila... Traidora! Culpada! Ela me colocou na rota de uma grande "shame tour"[2]. Eu não podia culpar Am assim, tão facilmente. Ela viu tudo que eu passei. Ela tem sido meu reforço, meu apoio e até mesmo meu escudo. Grande Am, do alto de seus 1,65m, no máximo. Baixinha, mas com uma autoestima gigante... Tudo que eu não tinha.

Pigarreei e respondi, meio de soslaio: — Am, não lembro de muito do que ocorreu ontem. Na verdade, tudo que lembrei até agora foram flashes bem vergonhosos.

Amanda sentou no banco que estava entre a área de serviço, com nossas roupas penduradas, e o corredor que dá para a sala, separando a cozinha do resto do apartamento, espreguiçando e puxando uma caneca da bandeja que ficava na mesa, para qualquer ocasião.

— Se você encher logo essa caneca com o café que já está esfriando aí, em cima da pia, eu te conto tudo que eu presenciei. Mas já aviso logo! Não presenciei tudo de ontem.

O olhar de Am era divertido. Sinceramente, relaxei. Se algo de muito ruim tivesse acontecido ontem, certeza que essa não seria a sua expressão. Muitas vezes Am agia como mãe. Não seria agora que ela perderia esse status.

Corri para encher a caneca e sentei no chão mesmo, as costas apoiadas na parede do corredor. Ela inspirou o aroma do café e deu um suspiro. Am era tão amante de cafeína quanto eu, café era algo que não faltava na nossa mini república.

— Por onde começo... Jess, você foi pro Shooters sem ter comido nada. Eu nem me toquei disso, tão preocupada em fazer você se sentir bem consigo mesma, bonita... Tarefa árdua, você tem que concordar comigo. Enfim, chegando lá, pedi dois shots de tequila, para nós duas inaugurarmos a noite, mas mais para você se soltar. Depois do primeiro, você logo pediu outro. A Skydivers começou a tocar, Bro te viu na beira do bar e falou "Ê Jess! A boa filha voltou!" ao microfone, seguido de um solinho de baixo muito bom, todos que estavam ali no bar e na pista de dança olharam para você e aí, imediatamente você pediu outro shot, para lidar com essa sua eterna mania de não querer ser o centro das atenções. Depois disso, você virou a “Super Jess”. Foi coisa de uns 10 minutos ou um pouco mais. Você tirou a jaqueta, jogou pra gerente, a Liz riu, mas guardou a peça na chapelaria... Você foi pro meio da pista de dança e cantava todas as músicas, batia palmas ao final de cada uma e assobiava alto também... Um show à parte.

Eu estava digerindo tudo, juro para vocês. O café, no entanto, ficou de lado, esfriando, minhas palmas ao lado do meu corpo, forçando o chão para baixo. Até aí, tudo bem, eu acho.

— Daí teve o intervalo da banda, você foi lá, abraçou o Bro, cumprimentou todos os outros e voltou para o bar. Quando se encostou ao balcão, um sujeito parou do seu lado e perguntou o que você queria. O Doug se adiantou e disse logo "cara, ela é nossa cliente VIP" e virou pra você e disse "E aí, Jess? Uma Becks?". Vou te falar, Jess, dá pena ver o quanto o Doug se esforça pela sua atenção...

Engoli em seco, porque eu sabia disso, mas sempre me fazia de sonsa, deixando tudo no campo da friendzone.

— Continuando... O sujeito falou então que pagaria a cerveja, você não deixou. Falou que não precisava de homem nenhum te pagando nada. Ele se desculpou, disse que você tinha entendido errado. Eu intervi. Fiz sinal para ele deixar pra lá, mas ele fingiu não me ver. Perguntou então se vocês podiam se sentar e conversar, você pagando a sua cerveja. Jess, nem eu mesma te reconheci nesse momento. Você se virou no balcão, apoiando os cotovelos e jogando o quadril pra frente, olhou o cara de cima a baixo, de boa, seu olhar era lascivo...

Senhor, SENHOR! Estava sentindo meu rosto em chamas... Engoli em seco novamente, mas fiz sinal com a cabeça para que ela continuasse o relato.

— Depois de enquadrar o cara todo, você simplesmente disse: Por que não? Você é bonitinho. E sentou com ele lá nas mesas reservadas, perto da passagem para os banheiros. Só te vi novamente lá pelas 5 da manhã, você estava com ele, chegou perto e disse "ele vai me levar em casa, não se preocupe, eu sou mestre em krav maga", piscou e já ia saindo. Eu fui atrás de você, te interpelei, falei pra esperar, mas você só me deu um beijo no rosto e disse "relaxa". Senti que não tinha muito que fazer ali, mas falei com Fausto que o mataria se ele fizesse algo contigo e peguei o telefone dele, anotei o número, dizendo que era uma forma de mantê-lo sob meus olhares clínicos. Ele disse que te deixaria em casa e nada mais que isso. Pelo visto, cumpriu a promessa, levando em consideração que você dormiu até com a jaqueta...

Eu queria que o apartamento virasse um buraco e eu pudesse me esconder nele. Minha cara estava, com toda certeza, em um belo tom roxo, porque vermelho já não seria suficiente. Onde estava minha cabeça? Am me deu um apanhado até muito detalhado, mas não cobria todos os meus passos e nada do que ela disse tinha me ocorrido nos flashes infernais que eu tinha tido.

— Amanda, tem certeza? – Eu ainda estava incrédula.

— Jess, relato nu e cru, sem floreios. Você estava transformada.

— Fausto era o nome dele?

— Jesus! Nem o nome dele você lembrava? Que tequila foi essa! Precisamos anotar a marca!

— Am, não brinque, sério.

— Jess – Am olhou pra mim séria e preocupada – Do que você se lembra?

— Basicamente? Lembro-me de que dei um currículo meu, completíssimo, para o sujeito-que-só-agora-sei-o-nome. Lembro-me de ter falado que fui casada, que fui traída, que sou advogada, que só comecei a advogar agora...

— Jess!?! Ouch!

Amanda começou a mudar o olhar... Estava indo de preocupada para com pena. Odiava esse olhar.

— Am, pare de me olhar desse jeito, já te falei!

— Ai Jess, me sinto culpada pela tequila. Céus, eu só queria te desinibir um pouco, não esse rolo compressor frenético, quase um programa da tarde, de casos tenebrosos e confissões...

A visão não era agradável. Imaginei-me de imediato em frente a uma câmera, aquelas letrinhas no canto inferior da tela "Bebo tequila e viro um monstro". Não era nada legal.

— Am, você pegou o número dele?

— Peguei. Você quer?

Na verdade, não queria. Não queria nem passar perto disso. Queria esquecer. Fiquei imaginando se eu topasse novamente com esse Fausto, nada difícil em se tratando de Vitória. Cidade mega pequena, onde todo mundo conhece todo mundo. Como eu iria olhar pra ele? Na verdade, seria bom lembrar-me dele, do rosto dele, para mim ele ainda era um vulto.

— Am, ele era bonito por acaso?

— Não acredito nisso, Jess. Você não se lembra? Amooooooooooor, você deu uma enquadrada no cara! – Amanda estava incrédula.

Errr... Juro que não me lembro. Quando ocorrem os flashes do que eu estava falando, só consigo me lembrar de um sorriso, mas o resto é puro vulto, como se a fumaça do Shooters estivesse toda concentrada no sujeito. O sorriso é bonito, perfeito, para ser sincera.

— Jess, vou lhe ser sincera, ele era charmoso. Não achei bonito. O sorriso realmente era perfeito, mas eu achei só isso. Um cara normal até. Pouco mais alto que você, bem vestido, não pareceu ser arrogante, playboy, nada disso. Bem seu tipo, moreno, cabelos curtos, rosto limpo. Se você não se lembra do rosto dele, vai ser difícil identificá-lo em qualquer lugar que for.

— Não sei nem se isso é bom, diante da vergonha que eu estou.

— Amiga, vou repetir o que você me disse ontem...

— O quê?

— Relaxa!

Amanda sorriu, deu outra espreguiçada e levantou do banco, levando a caneca consigo para o quarto, não sem antes passar os olhos pela sala e dizer:

— Acho que tem um recado em cima da mesinha de centro da sala. Deve ser para você.

Meu coração bateu forte. Deu pulos dentro do meu tórax, quase descontrolados. Que raios era essa reação?

[1] Tradução: Atiradores.


[2] Tradução: Tour de vergonha.

31 de Maio de 2019 às 12:53 0 Denunciar Insira 1
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