Entrelaçados Seguir história

bomma Bomma

Chanyeol e Baekhyun nunca imaginaram o que uma simples confusão no avião a caminho de Nevada poderia lhes render no futuro, mas, uma vez que seus futuros estavam entrelaçados, precisam agora aprender a lidar com as consequências de uma noite de bebedeira e um casamento mal planejado em Las Vegas. E com mais recordações de Vegas do que apenas fotografias.


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#kaisoo #mpreg #yaoi #gay #baekhyun #chanyeol #chanbaek #exo
5
3.5mil VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo A cada 10 dias
tempo de leitura
AA Compartilhar

Las Vegas, Baby!

A forma como aquela sala monocromática era grande não lhe parecia tão consolável. Batendo levemente o indicador sobre os lábios, pensou que talvez, se colocasse um aparador à esquerda, junto de um porta-retrato com uma foto dos sobrinhos, trouxesse certo aconchego ao ambiente onde o Byun via-se perdendo horas e horas. Sentia os olhos pesados por ter passado a maior parte da madrugada atrás daquela montoeira de contratos que havia lido e relido, mas não poderia ser diferente. Por mais que seu secretário pudesse fazer aquilo por si, já que o Kim era muito mais do que capacitado para qualquer tarefa que ele pudesse lhe dar, sentia que como CEO ele precisava decidir sobre o rumo que sua editora tomaria.

Um azul tornaria aquele ambiente menos mórbido, concluiu antes de entrar em um site de tintas e começar a pesquisar sobre tons, decidindo que uma cor clara seria o ideal; levou a mão de dedos longos até os lábios ao bocejar, decidindo que era hora de descer para tomar um café. Os pequenos raios de sol já apontavam em suas persianas escuras, indicando que já havia passado das sete. Ajeitou seus fios claros, rebeldes pela falta de gel, que provavelmente havia desaparecido há umas cinco horas atrás e ajeitou a gravata, passando pela porta e andando calmamente pelos corredores extensos enquanto recebia bom dia das pessoas que estavam chegando.

Seus lábios se curvaram de maneira natural quando viu o Kim entrando pela porta, vestindo uma blusa social rosa-bebê que caía muito bem em si, na opinião de Byun. Os óculos escorregavam pelo nariz e Baekhyun quase deixou-se apertar as bochechas do secretário, mas não queria que corressem boatos novamente que Kim Jongin estava dormindo com o CEO, como da última vez. Ele obviamente não se importava com isso, mas sabia que Jongin era uma pessoa mais reservada, e poderia não gostar de ser o centro das atenções por motivos idiotas como aqueles boatos.

"Bom dia, Sr. Byun!", disse sorrindo. Baekhyun não era um homem muito protocolar, então havia pedido para que seus funcionários não lhe reverenciassem a todo momento, gostava de quando as pessoas agiam de forma natural consigo.

"Bom dia, Jongin!", respondeu em um tom animado. "Sabe se o Do está no escritório dele?", questionou apoiando os braços na bancada da recepção daquele andar.

"O vi entrar há poucos minutos".

"Espero que ele ainda não tenha tomado café da manhã", disse ao deixar o local, indo em direção ao escritório do editor-chefe. Sequer bateu antes de entrar, vendo Do Kyungsoo lhe encarar com uma expressão um pouco dura enquanto organizava alguns artigos e matérias. Baekhyun sentou-se à sua frente, cruzando as pernas enquanto o fitava. Seus fios negros estavam impecavelmente no lugar, não havia sequer um frizz em seu cabelo, e em seu terno não existia um amassado.

"Impressão minha ou você estava exatamente com essa mesma roupa ontem?", Do Kyungsoo lhe encarou por alguns instante, fazendo Baekhyun revirar os olhos. "Não deveria passar a madrugada trabalhando, sei que temos bastante contratos para assinar, porém, deveria priorizar a sua saúde".

"Você sabe melhor do que ninguém que sou uma pessoa perfeitamente saudável".

"Por mais que eu saiba, Baekhyun, ainda me preocupo. Anda trabalhando demais, e julgando por essas bolsas embaixo dos seus olhos, digo claramente que faz uns três dias que você não dorme".

"Você também deveria saber que esse mês é importante, não podemos deixar tudo para a última hora. Faltam dois meses para o aniversário da editora, e precisamos de uma revista que impressione e chame o público. Precisava resolver todas as pendências antes de reunião de hoje, assim posso pensar em tudo com mais calma", os olhos redondos estiveram fixos em si em cada palavra, e por fim, o Do suspirou e encostou-se de forma ereta na cadeira, e Baekhyun soube que ele não retornaria àquele assunto.

"Nossa reunião começa daqui meia hora, dá tempo de você tomar café e um banho para tirar essa cara de cansaço", e o outro concordou. "Se quiser eu preparo um café para você".

"Não vou negar. Vou no meu escritório tomar um banho e volto daqui uns minutos. Você é demais, Kyungsoo", pensou em enfiar a mão naqueles fios meticulosamente arrumados e bagunçar, mas sabia que Kyungsoo começaria a terceira guerra mundial se o fizesse.

...

Mordia levemente a ponta do polegar enquanto lia, em um notebook, as ideias que a equipe havia reunido. Mil ideias passavam pela sua cabeça, porém, nenhuma era consideravelmente boa o suficiente para que sua mente agarrasse. O Do, que estava ao seu lado analisava de forma tranquila as ideias, anotando algumas coisas em um bloco enquanto os colunistas falavam sobre como os artigos seriam explorados e escritos de forma dinâmica. Baekhyun permaneceu sério por alguns minutos, criando um clima um tanto estranho na sala enquanto tentava chegar a algum lugar.

"Eu concordo com tudo até o ponto dos artigos, porém, precisamos de algo a mais. Precisamos pensar na coisa mais atrativa de uma revista, a capa. Devemos decidir qual será o artigo principal para que possamos dar continuidade e qual imagem irá introduzir o artigo ao leitor", disse sério, encarando a chefe da equipe de produção. Kang Seulgi lhe encarava por detrás do óculos de grau. A garota ficou em silêncio por alguns segundos, mas logo um sorriso de canto surgiu nos lábios pintados de vermelho, indicando a Baekhyun que havia tido uma ideia, e pela forma como ergueu seus óculos no nariz, Byun sabia que era uma das boas.

"Las Vegas", foi apenas o que disse no momento, fazendo Baekhyun franzir a testa enquanto Kyungsoo lhe lançava um olhar solícito, pedindo por uma explicação. "Ultimamente as pessoas andam bem interessadas em viajar para o exterior, mas sempre acabam se questionando "para onde?". Andei pesquisando sobre turismo e o melhor lugar para se viajar nessa época do ano, e acabei chegando à conclusão que Nevada é uma excelente ideia. Porque, além de ser uma cidade quente, que explora a sensualidade, é a cara do verão, o que nós buscamos. É uma cidade que apresenta diversos tipos de espetáculos, até mesmo para a família. Podemos entrar em contato com alguma celebridade do momento, visando que nosso público é feminino, e fazer um ensaio fotográfico nos cassinos, de forma sensual. Creio que isso atrairia um grande público, porque, além de estarmos vendendo nosso produto ao fandom, estaremos chamando o público que gosta de turismo, e criando artigos sobre os espetáculos fantásticos que existem na cidade". Todos ficaram quietos enquanto pensavam na ideia dada por Seulgi, mas pelo sorrisinho que apontava nos lábios do Do, Baekhyun sabia que ele havia aprovado a ideia, assim como ele próprio.

"Eu acho que é uma ideia incrível, Seulgi", comentou o Byun. "Dificilmente temos revistas explorando a cultura de outros lugares, sem ser as de turismo. Misturar turismo com moda é realmente uma ideia interessante. Podemos montar looks inspirados na cidade. Joias extravagantes, roupas sensuais e exóticas. O exótico é atrativo e excepcional", adicionou.

"Precisamos fazer uma pesquisa de campo, para decidirmos o local onde ocorrerá o ensaio, e também, seria bom se entrássemos em contato com um guia turístico.... Um de nós precisará viajar para lá", pontuou Kyungsoo.

"A equipe entrará em contato com guias turísticos, mas será quase impossível aos nossos colunistas viajarem até lá, porque ainda estão no processo de escrever os artigos desse mês", Seulgi lhe encarou. "Acho que dessa vez, você terá que ir", olhou para Baekhyun.

"Eu vou, e também, irei escrever o artigo principal". Por alguns minutos, todos encararam Baekhyun como se perguntassem se aquilo era realmente sério. Por mais que tivesse assumido a editora do pai há cerca de três anos, Byun nunca se mostrou interessado em escrever artigos, apenas na parte administrativa da empresa, mesmo que tivesse cursado Jornalismo antes de Administração. Escrever para si era um hobby, e até aquele momento, ele não se viu com vontade de tornar aquilo profissional, mas pensou que seria interessante que ele pudesse pontuar os melhores espetáculos de Nevada, e contar suas experiências vividas na cidade que nunca dorme.

"Você tem certeza?", Do Kyungsoo não perguntou apenas como editor-chefe, mas sim como melhor amigo. Naquele simples questionamento havia preocupações escritas nas entrelinhas, onde Kyungsoo lhe perguntava se aquilo não seria muito pesado para si. Por mais que ele soubesse que o Byun era capacitado, tinha receio que o melhor amigo se pressionasse a trabalhar ainda mais duro e aquilo pudesse de alguma forma acabar em uma complicação na sua saúde física e mental.

Porque era notório que Baekhyun era perfeccionista em tudo que se dispunha a fazer, e se culparia até o fim de sua vida se algo não saísse como havia planejado.

"Vocês confiam em mim?", foi a única coisa que Baekhyun perguntou à sua equipe, encarando um por um. Ouviu um sim em uníssono, sorrindo. "Eu não vou decepcionar vocês, apenas confiem em mim. Afinal, não cursei Jornalismo por anos para nada", disse em um tom divertido, tentando tornar o ambiente descontraído. "Enfim, chegamos ao término da reunião. Entrem em contato com um bom guia turístico e depois me mandem o contato, para que possamos negociar. Comprarei as passagens para daqui três dias, e enquanto eu estiver fora, o Do ficará responsável por tudo. Qualquer dúvida, passem para ele, que repassará para mim. Entendido?" Todos assentiram. "Ótimo, podemos voltar ao trabalho agora". As pessoas começaram a levantar e sair da sala de reunião, voltando para seus setores, enquanto Baekhyun ao olhar de Kyungsoo a Jongin, se esparramou na cadeira giratória, bocejando.

"Agora que decidimos uma boa parte da edição de aniversário, creio que você pode ir embora e pôr seu sono em dia, eu cuido do resto".

"Acho sexy quando você usa esse tom autoritário comigo", brincou Baekhyun rindo ao ver Kyungsoo revirar os olhos. "Bom, então eu vou ir. Realmente preciso do meu sono da beleza. Cuida direitinho desse hyung rabugento aqui, tá Nini?", Baekhyun apontou para Kyungsoo antes de ir até a porta da sala, sorrindo travesso. "Até amanhã", e saiu.

Baekhyun parou em um restaurante chinês antes de ir para seu apartamento, não planejava cozinhar naquele dia, apenas queria comer e hibernar até o dia seguinte. E naquela quarta-feira, o CEO realmente dormiu, acordando com o rosto todo inchadinho de tanto dormir, e se sentindo renovado. Jongin havia reservado suas passagens de ida e volta para Las Vegas, e entrado em contato com um guia turístico pedindo para lhe acompanhar em alguns espetáculos na cidade, após perguntar quais eram os mais famosos. Tudo já estava pronto para que pudesse viajar, e uma ansiedade virava sua barriga do avesso ao pensar que dali a algumas horas estaria dentro de um avião indo para outro país, sozinho. Era fluente em inglês, bem como em chinês, japonês e espanhol, mas ainda assim, sentia um nervosismo ao pensar que teria de lidar com pessoas com um idioma diferente do seu.

Estava de pé enquanto olhava para o seu closet tentando decidir que tipo de roupa levaria para Las Vegas, enquanto a melhor amiga, Seulgi, encarava a tela do celular de forma distraída, jogada em sua cama. Por mais que fossem mais sérios no ambiente de trabalho, Baekhyun gostava da boa relação que tinha com a Kang. Eram amigos desde o colegial, e haviam feito a mesma faculdade. Ela era uma mulher incrível. Seulgi parou o que estava fazendo quando ouviu Baekhyun suspirar, não conseguindo decidir o que colocar na mala.

"Ainda não decidiu?", a garota levantou-se da cama e foi em direção ao closet, encarando Baekhyun.

"Não. Eu não sei se levo algo mais descontraído, ou algo formal".

"Pode criar looks no meio termo. Por exemplo, pode usar esse blazer de Tweed com essa blusa", apontou para uma blusa do Megadeth, e uma calça de couro sintético. Baekhyun ficou observando-a montar um look, sorrindo para o resultado.

"Não é à toa que temos os melhores looks na nossa revista", riu.

"É óbvio, meu bem. Sou a melhor no que faço", disse com um ar convencido que fez Baekhyun gargalhar. "Leva roupa de calor, também, o clima é meio doido e pode esquentar. Apesar de que sei que você irá voltar de lá com um guarda-roupa novo". Baekhyun deu de ombros, porque não tinha como negar. Faria questão de trazer algumas peças de Nevada consigo, tinha certeza. "Agora, termina logo de arrumar isso que o Kyungsoo acabou de mandar mensagem dizendo que passará aqui em uma hora". Baekhyun apenas assentiu e pegou mais algumas peças para colocar dentro das malas. Não demorou mais do que meia hora para que tudo estivesse pronto.

"Se por um acaso você passar mal, ou ficar doente durante a viagem, ligue que nós mandaremos alguém, tudo bem? E uma, Byun, não confie em qualquer um, e se for sair com alguém, use camisinha, pelo amor de Deus, hein". Baekhyun revirou os olhos enquanto Seulgi falava, o que fez Kyungsoo rir porque ele estava experimentando o que o próprio lhe fazia passar.

"Credo, Seulgi, você parece a minha mãe. Será que devo começar a te chamar de mãe?" A garota lhe mostrou a língua, mas logo envolveu seu corpo em um abraço quente enquanto sussurrava no seu ouvido. "Quando nos mudamos para Seul, eu prometi a sua mãe que cuidaria de ti e enfiaria juízo na sua cabeça, e é isso que estou fazendo. Então, se sair da linha, vou te dar um soco". Baekhyun riu baixinho ao ouvir aquilo e não retrucou, porque sabia que a melhor amiga se preocupava consigo como ninguém. Era óbvio que Do Kyungsoo também se preocupava, por mais que não demonstrasse tanto como Seulgi, e Baekhyun queria muito chorar. Por mais que fosse ficar longe apenas duas semanas, parecia que seria um século. "Vocês não precisam chorar, tá? Eu posso ligar para vocês pelo Skype, todos os dias. Não sinta muito a minha falta, principalmente você, Dyo", Baekhyun aproximou-se do rapaz e envolveu o corpo pequeno em um abraço, sendo prontamente correspondido. "Então, estou indo", disse ao ouvir o chamado de seu voo.

"Espero que seja uma boa viagem", desejou Seulgi.

"Sem comer aqueles camarões do avião porque te dão diarreia." Mais uma vez, Baekhyun revirou os olhos, pegando suas malas e indo até a sala de embarque. Seulgi e Kyungsoo ficaram lhe assistindo partir.

"Quer apostar quanto que ele vai chorar a viagem inteira?", Seulgi olhou para Kyungsoo.

"Tenho certeza que ele já está chorando desde agora. Seria dinheiro jogado fora. Tsc!", estalou a língua no céu da boca. "Esse bobão sempre vem como esse papo de que não precisamos chorar e pipipi, mas ele é sempre o manteiga derretida que vai embora aos prantos quando viaja". Seulgi riu baixinho, enroscando seu braço no de Kyungsoo e o seguindo até a cafeteria do aeroporto, fariam uma boquinha antes de irem para a editora.

A Kang havia conhecido Kyungsoo na época da faculdade, pois Kyungsoo namorava um amigo seu. Um relacionamento que infelizmente não havia ido para frente, mas que serviu para aproximá-los quando começou a trabalhar na editora, dois anos depois de Kyungsoo e Baekhyun se formarem, já que era mais nova que ambos. Os três eram bons amigos, e apoiavam uns aos outros em qualquer situação.

Baekhyun franziu a testa ao entrar no avião, olhando para todas as poltronas enquanto procurava pela sua. Não tardou a encontrar a poltrona sessenta e seis, mas por algum motivo, havia um rapaz alto sentado nela, com os olhos fechados em uma tranquilidade que lhe pareceu invejável por alguns segundos, ao mesmo tempo em que ouvia algo em seus fones de ouvido.

"Com licença", cutucou o ombro do homem, o fazendo tirar um dos fones e olhar para si. "Você está sentado no meu lugar", comentou encarando-o, e ele fez uma careta de desconforto ao ser incomodado.

"Seu lugar?", questionou confuso. "Eu tenho total certeza de que esse lugar é meu", o rapaz disse de forma rude, fazendo Baekhyun bufar. Tudo o que menos queria naquele momento era arrumar confusão com um passageiro.

"Olha, garoto, eu realmente não estou a fim de perder tempo com você. Deveria checar direito a sua passagem, porque você claramente sentou no lugar errado", disse com a pouca paciência que tinha, fazendo o rapaz a sua frente retirar os dois fones. "Você poderia, por favor, sair do meu lugar?", pediu em um tom baixo, tentando não chamar muito a atenção.

"Eu vou não sair daqui! Tenho certeza que esse lugar é meu!", falou rapidamente, porém, ainda em um tom baixo.

"Tudo bem, vamos fazer o seguinte, você me mostra a sua passagem e eu mostro a minha, e quem estiver errado, sai do lugar", Baekhyun propôs, vendo o outro lhe encarar com os olhos semicerrados.

"Eu não tenho que te provar nada".

"Você tem quantos anos? Cinco?".

"Não sou eu que aparento ter", desdenhou, olhando Baekhyun de cima a baixo, fazendo seu interior borbulhar de ódio; suspirou algumas vezes, tentando se acalmar.

"Estou propondo uma solução pacífica, então, por favor, aja de acordo com a idade que tem", sussurrou ainda olhando mortalmente para o rapaz sentado, que encolheu os ombros e se deu por vencido, afinal ele não tinha nada a perder; ao menos era o que acreditava.

"Que seja, eu sei que estou certo", começou a mexer nas suas coisas em busca da passagem, e Baekhyun buscou a sua própria em seu bolso, estava confiante de que seu assento era o número sessenta e seis. Depois de alguns minutos, já com as passagens em mãos, Baekhyun e o desconhecido, que descobriu se chamar Park Chanyeol, trocaram os papéis, e ele abriu um sorriso ao deparar-se com um 68 na passagem do tal Park. Chanyeol lhe encarava perplexo, pois tinha convicção de que havia sentado no lugar certo.

"E então, garoto, acho que é a sua hora de dar no pé". Chanyeol revirou os olhos, pegando suas coisas e as jogando na poltrona de trás, e logo Baekhyun estava sentado tranquilo em seu assento, buscando por seu Ipad na mochila para que pudesse relaxar enquanto o avião decolava. Havia tomado um remédio para enjoo, já que costumava passar mal quando o avião levantava voo, e aquele mesmo remédio o fez pegar no sono em poucos minutos.

Depois de quase treze horas sentado naquele assento, Baekhyun sentia cada músculo do seu corpo doer. Sorriu ao ver Nevada de cima, indicando que eles já estavam próximos de pousar, o que lhe deixou animado. Seria sua primeira vez pisando em Las Vegas, e de todos os lugares para onde já tinha ido viajar, aquele era o que mais lhe deixou animado, mesmo que fosse uma viagem a trabalho.

Demorou cerca de quarenta minutos para que o avião aterrissasse e ele estivesse fora da aeronave, e por mais empolgado que estivesse, tudo que queria no momento era ir para o hotel, tomar um banho quente e tirar umas boas horas de sono. Las Vegas parecia estar muito mais quente que Seul, o que deixou Baekhyun feliz. Daquela forma, poderia conhecer os parques aquáticos que havia na cidade.

Deveria ter dado um jeito de trazer alguém consigo, concluiu enquanto tomava um táxi no aeroporto que o levaria até o hotel. Assim que entrou no carro, o motorista lhe saudou de forma animada, lhe desejando boas vindas, e em seguida, perguntando para onde ele ia. Baekhyun agradeceu pelas horas e horas estudando outro idioma.

"Por favor, para o hotel ACE", pediu, vendo o motorista digitar o nome do hotel no GPS.

"O senhor tem certeza que é esse o nome do hotel?", questionou curioso, ainda procurando pelo tal hotel no GPS.

"Sim, senhor. Meu secretário ligou fazendo uma reserva há uns três dias, não tem como ser outro nome", comentou enquanto buscava o próprio celular para ligar para Jongin, apenas para ter certeza de que era aquele o nome do hotel. Demorou alguns minutos para que o Kim atendesse com a voz sonolenta. "Bom dia, Jongin, ou boa noite, desculpa, eu me perdi no fuso horário", comentou enquanto tentava fazer a conta de que horas era em Seul.

"Boa noite, Sr. Byun. Aconteceu alguma coisa?", havia uma preocupação no tom que Jongin usara.

"Você pode confirmar para mim o nome do hotel?".

"Hotel ACE... Aconteceu algo?"

"Senhor, eu pesquisei aqui, e parece que o único hotel com esse nome fica em Los Angeles", disse o motorista, fazendo Baekhyun abrir a boca em surpresa.

"Jongin, pelo amor de Deus, me diz que você fez reserva em um hotel em Las Vegas, e não em Los Angeles". Naquele momento, o Kim perdera completamente o sono e começou a pesquisar sobre a reserva que havia feito.

"Desculpa, senhor Byun, eu acabei confundindo as cidades... Eu realmente sinto muito, vou entender se o senhor quiser me demitir", começou a falar embolado pelo telefone e Baekhyun apenas suspirou, sabendo que seu secretário andava trabalhando demais nos últimas dias.

"Eu não vou te demitir, Jongin. Apenas faça as coisas com mais atenção a partir de agora, tudo bem?", o outro respondeu com um "sim", choroso, pedindo desculpas mais uma vez. Baekhyun encerrou a ligação desejando boa noite e pediu para que ele tirasse alguns dias de folga para descansar. "O senhor conhece algum hotel que tenha vagas? Preciso ficar duas semanas na cidade", disse ao taxista.

"Estamos em temporada, pode ser um pouco difícil, ainda mais por ser final de semana. Mas creio que não será impossível".

Foi impossível.

Baekhyun e o tal taxista com o nome Brad já haviam rodado a cidade atrás de um hotel que tivesse vagas, mas de alguma forma parecia que todos estavam lotados, e infelizmente não tinha muito a se fazer.

"Eu conheço um lugar... Não é exatamente luxuoso, mas é bem confortável, e você pagará a metade do preço pelo dobro da diversão", disse sorrindo.

"Me parece interessante. Que lugar seria esse?".

"É um hostel. É como se fosse uma pequena vila em um bairro animado de Las Vegas. O único problema, se é que você considera um, é que terá que dividir o quarto com alguém. Tirando isso, é um lugar perfeito. Há gente de todo o mundo, então é um ótimo lugar para se criar boas memórias".

"Sabe que eu acho que seria perfeito? Combina com o estilo de viagem que estou fazendo... Vamos para lá!", disse animado, empolgando o senhorzinho ainda mais. Ele deu partida no carro e Baekhyun abriu o vidro, permitindo-se encantar pela iluminação e os trejeitos que faziam Las Vegas ser um dos mares de luzes mais bonitos do mundo. Não demoraram muito para estar de frente para uma vilazinha charmosa. Havia chalés pintados em cores pastéis, todos iguais. O hostel tinha uma fachada simples cor de rosa, com um letreiro luminoso mais chamativo. Tudo era agradável, de qualquer forma. Baekhyun pagou o taxista e entrou na recepção do local, onde encontrou uma mulher loira, que lhe sorriu de forma simpática enquanto lhe perguntava se poderia lhe ajudar. Baekhyun usou seu bom inglês para alugar um quarto, e acabou se surpreendendo quando a moça disse que tinha outro jovem coreano lá, e perguntou se ele se importaria em dividir o quarto com o rapaz. Ele negou, e disse que se sentiria ainda mais confortável daquela maneira.

O clima estava quente, propício para um bom banho de piscina. Baekhyun lembraria de fazer isso no dia seguinte se aquele mormaço continuasse a abafar a cidade. Entrou devagar e cautelosamente no quarto, visando não acordar o outro rapaz, que deveria estar dormindo, pelo horário, mas acabou que, ao entrar, quase caiu para trás ao ver Park Chanyeol vestindo apenas uma toalha, com gotículas de água escorrendo pelo peitoral malhado. Chanyeol soltou um grito surpreso e voltou para o banheiro, deixando apenas metade do seu corpo visível.

"O você está fazendo aqui?", questionou em um tom assustado, encarando Baekhyun, que passou a mão pelo cabelo, agoniado, suspirando fundo antes de responder.

"Eu acabei de alugar este quarto", respondeu observando o local. Havia duas camas de solteiro, uma ao lado da outra, e em cada, um criado-mudo. As paredes haviam sido pintadas em um tom nude, criando total harmonia com os móveis de madeira rústica. "Isso só pode ser brincadeira", riu sem humor, sentando-se em uma das camas.

"Não quero dividir o quarto com você, trate de procurar outro", avisou o Park, enquanto terminava de se enxugar e saía do banheiro para pegar uma troca de roupas em sua mala.

"E por que eu deveria?", perguntou incrédulo, bocejando em seguida.

"Porque eu cheguei primeiro, nada mais justo". Baekhyun revirou os olhos, mas sabia que o Park estava certo quanto àquilo. "Eu saí do seu assento, não foi? Então você poderia, por favor, sair do meu quarto?" O Park disse voltando para o banheiro e se trocando rapidamente, para então, sentar na cama de frente para o Byun, enquanto enxugava seu cabelo com uma toalha.

"Pelo que eu saiba, eu paguei pelo quarto da mesma forma que você, então tenho todo o direito de estar aqui", respondeu Baekhyun, com certa rispidez.

"Eu não me importo".

"Olha, Park, eu realmente estou cansado. Tão cansado quanto você, aliás. Como sabe, o voo foi exaustivo, ainda preciso verificar uns e-mails do trabalho e fazer umas ligações antes de dormir, então, apenas deixe isso para lá por uma noite. Eu realmente quero tomar um bom banho e dormir. Não existe possibilidade de eu ir para outro lugar, já que todos os hotéis estão ocupados, e este é o único quarto que resta nesse hostel", explicou Baekhyun com a voz mansa, torcendo para que Chanyeol fosse compreensivo com toda a situação. "Por favor, estou aqui a trabalho. Amanhã será um dia cheio, preciso acordar cedo. Depois posso tentar arranjar outro lugar para ficar, vamos apenas fazer uma trégua por hoje, tá legal?".

Chanyeol semicerrou os olhos enquanto encarava Baekhyun, para então, suspirar fundo e assentir com a cabeça.

"Tudo bem, então. Vamos fazer uma trégua. Também estou cansado e preciso dormir", respondeu baixo, terminando de secar o cabelo. "A senhorinha, dona do hostel, deixou alguns sanduíches ali", apontou para o frigobar que havia no canto do quarto, vendo uma cestinha com alguns sanduíches embalados. "Se estiver com fome, pode comer. Tem suco de laranja ali também, se quiser". Baekhyun assentiu enquanto assistia Park ir até o banheiro, escovar os dentes e deitar em seguida, puxando a coberta até seus ombros largos, e logo, o rapaz parecia estar em um sono profundo. Baekhyun realmente invejou sua facilidade para dormir; ele provavelmente ficaria rolando na cama por mais duas ou três horas até conseguir pegar no sono.

O CEO abriu sua mala de forma silenciosa em cima da cama, pegando uma peça de roupa folgada para que pudesse tomar um banho e deitar. Havia ligado para Do Kyungsoo e seus pais para avisar que já estava confortavelmente instalado em Las Vegas, e também, respondeu alguns e-mails aceitando e recusando algumas propostas que a empresa havia recebido de algumas nacionais, mas nem todas lhe agradaram. Baekhyun bocejou após escovar os dentes e olhar para o espelho, encarando as bolsas escuras embaixo dos olhos que lhe diziam de forma clara que ele precisava dormir. Apesar de ficar bons minutos rolando na cama, Baekhyun conseguiu dormir logo, e torceu para que o dia seguinte fosse mais tranquilo.

...

Quando Baekhyun acordou, estava sozinho no quarto; ergueu os braços na altura da cabeça para esticar o corpo enquanto levantava bocejando, piscando algumas vezes enquanto seus olhos se acostumavam com a claridade do local. Havia uma nota adesiva colada no frigobar. Baekhyun se aproximou para ler e sorriu com a surpresa, pensando que talvez o Park não fosse tão ruim quanto ele pensava.

"A nossa trégua pode durar alguns dias, só tente não roncar tanto, quase não consegui dormir". A letra era pequena e Baekhyun teve que fazer um pouco de esforço para entender, mas agradeceu por Chanyeol ter tirado-lhe uma preocupação. Afinal, se não conseguisse arranjar um local para ficar em Las Vegas, todo o seu trabalho estaria arruinado. Em último caso, teria que gastar ainda mais para que pudesse comprar ou alugar uma casa, o que não seria nada fácil e provavelmente gastaria muito mais tempo em Las Vegas do que poderia.

O Byun abriu um sorriso ao ir até o refeitório a encontrar uma mesa cheia de pessoas. Uma garota sorriu para si e lhe chamou para se sentar ao seu lado; seu nome era Lalisa e ela era tailandesa. Sentiu-se confortável e feliz ouvindo e dividindo histórias com pessoas de vários lugares do mundo durante o café da manhã, percebendo que talvez aquela viagem não fosse ser tão solitária. Agradeceu mentalmente o taxista por ter lhe indicado aquele lugar, caso contrário, se estivesse apenas ficado em um hotel como previsto, teria sido uma viagem mais entediante.

Após tomar café da manhã, Baekhyun chamou um táxi que lhe deixou em frente ao shopping de Fremont St, onde ele se encontraria com o guia turístico que havia contratado alguns dias atrás. Baekhyun havia ouvido falar muito de Kang Younghyun. O cara parecia ser simpático e de fácil comunicação, e além do mais, falava vários idiomas. O canadense estava parado em frente a uma cafeteria charmosa, e céus, aquele homem era ainda mais bonito do que havia imaginado! Aproximou-se de forma tímida, parando em frente ao homem e sorrindo pequeno.

"Você é Kang Younghyun, não é?", perguntou em seu idioma materno, sorrindo ao vê-lo aquiescer.

"Sim, Sr. Byun. Seja bem-vindo a Las Vegas!", fez uma breve reverência, já que havia crescido dentro da cultura coreana e conhecia todas as normas formais que ela seguia. "O senhor já tomou café?", questionou de forma simpática, se pondo ao lado de Baekhyun, que encarava aquele shopping a céu aberto com certo encanto. Por mais que já tivesse visto na TV milhares de vezes, ver pessoalmente como tudo funcionava lhe deixava com um calorzinho gostoso no peito.

"Sem o senhor, por favor, creio que devemos ter quase a mesma idade. Não precisa ser tão formal", Baekhyun riu. "E sim, já tomei café! E você?. Younghyun abaixou a cabeça de forma tímida e riu.

"Já tomei, sim, Byun", respondeu enquanto andavam calmamente pela calçada. "Bom, acho que podemos começar, não é?", Baekhyun assentiu. "Pensei que poderíamos começar indo ao Luxor Hotel. É um hotel-cassino bem interessante, vai saber quando chegar". Baekhyun não disse nada, apenas concordou animado e logo eles estavam andando pelas ruas movimentadas de Las Vegas, e Baekhyun ficou deslumbrado quando chegou em frente. O hotel-cassino era focado na temática egípcia, e sua estrutura principal era em forma de pirâmide. Era deslumbrante. Eles entraram direto no cassino e Baekhyun ficou extasiado ao se deparar com as milhares de luzes e o som das máquinas caça-níqueis.

"Isso aqui é incrível", disse afobado, fazendo o Kang rir. Baekhyun caçou a máquina semi-profissional que estava pendurada no pescoço e começou a tirar fotos, para que pudesse estudar mais tarde a ideia de fazer um photoshoot naquele local. Já poderia imaginar vários looks para compor a edição de aniversário; pensou em até mesmo fazer um desfile em um dos hotéis-cassino, promovendo a tal marca de roupas que Seulgi havia comentado consigo.

Depois de conhecer várias atrações do Luxor - e Baekhyun divertir-se em uma das máquinas - eles decidiram ir para outro cassino, com atrações diferentes. Younghyun havia feito uma lista visando buscar lugares que pudessem se encaixar na demanda que a editora precisava, e no final da tarde, Baekhyun já tinha uma ideia do que fazer na cidade, assim encerrando a tour do dia. Estava sentado em um café com o guia turístico, tendo várias conversas paralelas enquanto observavam o sol ir embora, e aos poucos, as luzes da grande Vegas começavam a fazer a cidade brilhar. Após se despedir do canadense, Baekhyun resolveu voltar para o hostel, afinal, ele ainda tinha uma lista de lugares e atrações para visitar durante a semana. Queria que Younghyun o acompanhasse nesses dias, mas o rapaz já estava lotado de trabalho, então teria de rodar a cidade sozinho durante a semana.

Por mais que tivessem tido pequenas desavenças quando se conheceram, Byun desejou tornar-se mais próximo do Park durante a semana, mas trocaram poucas palavras. Se viam apenas na parte da noite, já que ambos passavam o dia fora do hostel. Baekhyun havia entrado em contato com o gerenciamento de alguns hotéis e reservado cassinos para um photoshoot, também assistiu aos espetáculos mais famosos na cidade, entendendo perfeitamente o motivo de ser considerada a cidade do pecado. Mulheres e homens sensuais dançando com poucas vestimentas instigavam sua imaginação de uma forma que ele não queria.

Havia ligado para Do Kyungsoo mais cedo, para ter certeza de que estava tudo certo para a publicação da revista daquele mês, mesmo que soubesse que Kyungsoo nunca deixaria algo faltar. Ligava porque gostava de ouvir a voz do melhor amigo e usava a desculpa de estar preocupado com a publicação. Do Kyungsoo sabia, mas fingia que não.

Naquela noite em especial, o Park não estava dormindo quando Baekhyun chegou ao hostel. Estava acomodado na pequena escrivaninha que havia no canto do quarto, com vários papéis espalhados, e Baekhyun concluiu que ele não gostaria de ser incomodado. Apesar da trégua e da pouca comunicação, havia manias no Park que Baekhyun considerava irritantes. Alguns dias acordou pela manhã e tropeçou nos chinelos jogados perto de sua cama, ou nas roupas que o Park insistia em deixar jogadas no chão. Parecia que nesse aspecto, estava convivendo com um adolescente. Chegou até mesmo a questionar-se quantos anos aquele homem de quase dois metros de altura tinha.

Baekhyun estava sentado em sua cama mexendo no notebook, rindo sozinho enquanto irritava Kyungsoo com algumas brincadeiras. O quarto estava silencioso, então não foi difícil para Baekhyun ouvir quando Chanyeol, irritado, bateu o notebook com força, resmungando algo inaudível enquanto passava a mão grande pelo cabelo, frustrado. Byun mordeu o lábio inferior perguntando a si mesmo se deveria questionar se estava tudo bem, mas temeu ser invasivo, afinal, Chanyeol não havia lhe dado uma abertura sequer durante a semana.

"Sei que não é da minha conta", Baekhyun arriscou, sussurrando enquanto deixava suas coisas de lado e se sentava na beirada da cama, chamando a atenção do Park. "Mas tá tudo bem?", encarou Chanyeol com uma sobrancelha arqueada, e pela primeira vez, notou como ele parecia perdido olhando para si. Merda, e como ele parecia bonito daquela maneira.

"Quer tomar alguma coisa, Byun?", perguntou, surpreendendo Baekhyun. "Acho que se eu ficar mais um segundo olhando para esses documentos, vou surtar", confessou, fazendo Baekhyun sorrir e levantar-se.

"Vamos", resolveu não perguntar sobre, apenas colocou a jaqueta de couro enquanto assistia Chanyeol calçar seus sapatos para que pudessem sair. Chanyeol apanhou a carteira de cigarro no bolso enquanto andava pela calçada larga, com Baekhyun ao seu lado. Havia um silêncio estranho entre os dois, porém, não incômodo. Talvez fosse por terem ficado daquela maneira durante toda a semana. Baekhyun não sabia dizer, mas não era de todo ruim. Não demoraram muito para encontrar um pub perto do hostel, e logo estavam sentados em banquetas enquanto pediam um drink.

"Por mais que tenhamos começado com o pé esquerdo, obrigado", Baekhyun agradeceu, fazendo Chanyeol olhar para si confuso enquanto bebia uma dose de rum. "Por ter aceitado a trégua, graças a isso consegui terminar meu trabalho essa semana. Fico te devendo uma".

"Você tem um tempo livre amanhã?", questionou constrangido, se arrependendo em seguida. "Eu não acredito que estou fazendo isso... Acho que preciso ficar bêbado antes de pedir isso". Após aquelas frases confusas, Chanyeol matou a dose de rum, pedindo outro copo. Baekhyun estava com um baita de um ponto de interrogação na cara, encarando Chanyeol na esperança de que ele continuasse a falar. "Você disse que está me devendo uma, não é? Poderia ir em um lugar comigo amanhã?".

"Que lugar?".

"Eu estou aqui como representante de uma empresa, e preciso apresentar uma proposta de um projeto em parceria com uma empresa de cosméticos daqui de Nevada", começou, virando-se de frente para Baekhyun. "E bom, eu não acho que eu consiga fazer isso, não sozinho".

"Por que?".

"Eu tenho glossofobia", confessou, vendo Baekhyun continuar lhe encarando. "Fobia de falar em público". Ao ouvir aquilo, Baekhyun lembrou-se de já ter lido algo sobre a fobia, apesar de não estar familiarizado com o nome.

"Eu não estou negando, mas você não acha que, nessa condição, você deveria ter trazido alguém com você, para o caso de acontecer alguma coisa?", Chanyeol soltou uma risada sem humor, jogando a cabeça para trás enquanto olhava para o teto.

"Eu trouxe, ou melhor, era para essa pessoa estar aqui hoje... Mas nós terminamos ontem".

"Meu Deus, Chanyeol... Eu sinto muito". Baekhyun não sabia o que dizer, estava constrangido a ponto de querer cavar um buraco no chão e enfiar a cabeça. Chanyeol deu de ombros, voltando a beber. "O que eu preciso fazer?".

"Você só precisa estar na minha frente, para que eu possa apresentar o projeto para você, e não para uma multidão". Baekhyun concordou em silêncio, bebendo o resto da batida.

Baekhyun se sentia alto. Piscou duro algumas vezes ao olhar ao redor, procurando o Park com os olhos antes de encontrá-lo voltando para dentro do pub. Havia saído para fumar, e quando retornou, franziu o cenho ao ver o Byun escorado no balcão no bar.

"Meu deus, o quanto você bebeu?", Chanyeol questionou fazendo uma careta.

"Três", fez três com os dedos, apontando para o copo agora vazio.

"Você é mais fraco do que eu pensava", Chanyeol comentou, estalando a língua no céu da boca. "Vamos embora". Baekhyun sequer respondeu, apenas se apoiou no Park quando ele se colocou ao seu lado, rindo de uma coisa que ele não entendeu.

Chanyeol observava Baekhyun tentando andar em linha reta enquanto caminhavam pela calçada do bairro, naquele horário pacato. Ele sabia que se continuassem andar tão devagar igual estavam, eles provavelmente chegariam tarde no hostel, e bem, ele não conhecia aquele bairro o suficiente para afimar que era seguro de se andar de madrugada. Foi por isso que ele se abaixou em frente a Baekhyun, fazendo-o lhe encarar confuso.

"Sobe", disse baixo.

"Nem fodendo", Baekhyun respondeu cruzando os braços. "Eu não estou tão bêbado assim, posso muito bem andar com as minhas pernas", resmungou a última parte de forma enrolada, fazendo Chanyeol suspirar e passar a mão nos fios bagunçados.

"Do jeito que tá andando devagar, vamos chegar no hostel amanhã, jumento. E eu não sei se esse bairro é perigoso, só sobe logo e para de fazer alarde". Baekhyun revirou os olhos, mas sabia que o Park não estava errado quanto a sua suposição sobre a segurança, por isso apenas se deu por vencido e abraçou, bem desconfortável, as costas largas, tendo as mãos grandes e firmes segurando suas coxas quando Chanyeol se levantou. "Viu? Não é nada demais", comentou ao começar a andar. Baekhyun não demorou muito para se acomodar sobre si e pegar no sono, e Chanyeol odiava admitir que aquele cara era bonito, bonito demais para que ele pudesse lidar.

Principalmente de boquinha fechada.

Quando chegaram ao hostel, Chanyeol teve que se equilibrar para conseguir pegar a chave no bolso enquanto segurava Baekhyun com uma mão, com medo de deixá-lo cair. Ele não era pesado, mas agora adormecido, parecia que seu peso tinha dobrado. Deixou-o com cuidado sobre a cama ao entrar, abaixando-se para tirar o coturno dos pés do rapaz, que resmungou antes de abraçar o travesseiro e voltar a dormir. Chanyeol tomou um banho morno, para que pudesse relaxar e voltar a estudar a proposta que apresentaria no dia seguinte. Seu interior revirava em nervosismo. Ele não queria imaginar o que faria se não conseguisse; não queria ser considerada uma pessoa sempre fadada ao fracasso.

O relógio apontava quase três da manhã quando Baekhyun resmungou algo e sentou-se sobre a cama, esfregando os olhos antes de parar seu olhar em Chanyeol, que ainda estava deitado na cama, com as pernas para fora enquanto lia alguns papéis. Baekhyun sentia seu estômago esquisito, provavelmente era devido à bebida, e claro, à fome. Chamou a atenção do Park quando levantou-se e foi checar se havia algo no frigobar, suspirando frustrado em seguida.

"Queria comer bulgogi", disse ao deitar-se na cama de Chanyeol, que franziu o cenho enquanto olhava para o lado, o encarando. "Será que tem algum restaurante que entrega, agora?".

"Você não acha que está muito perto?", resmungou não respondendo ao questionamento de Baekhyun.

"Não aja como se não tivesse me carregado nas costas até aqui". Chanyeol revirou os olhos. "Você me carregou bêbado, isso significa que já somos amigos", deu um sorriso.

"Você é muito cara de pau".

"Prazer, Pinocchio", riu. "Será que tem algum restaurante que entregue bulgogi agora?", voltou a perguntar, fazendo Chanyeol buscar o celular na cama e procurar na barra de pesquisa por restaurantes coreanos em Las Vegas, de preferência, um que fizesse entregas. Eles fizeram os pedidos e ficaram em silêncio, e por algum motivo, Chanyeol estava se sentindo mais confortável com Baekhyun, mesmo que o garoto estivesse há poucos centímetros de si. "Desde quando você tem glossofobia?". Baekhyun perguntou cruzando os braços atrás da cabeça, olhando para o teto branco.

"Tive a primeira crise com seis anos", sussurrou. "Era uma apresentação da escola, eu fiquei tão nervoso que vomitei no palco. Até então, eu pensava que fosse apenas um nervosismo comum, porque afinal, todo mundo fica nervoso nessas situações, mas o quadro foi se agravando conforme o tempo passava, desde pequenos tremores, até quase um infarto". Baekhyun arregalou os olhos. "Então eu fui diagnosticado com glossofobia"

"E você trata isso?"

"Tratava... Há três anos, eu pensava estar curado... Mas nessas últimas duas semanas, minhas crises voltaram, talvez seja porque estou trabalhando demais, e somado ao fato de ter terminado um relacionamento, acabei virando uma bomba relógio", o rapaz assentiu, ouvindo cada palavra de forma atenta.

"Sinceramente, Chanyeol, por mais que você e essa pessoa tenham terminado, ela deveria ter tido ao menos consideração por você, porque, porra, ela te deixou apresentar um projeto importante sozinho, em outro país, sabendo da sua condição. Ela não teve um pingo de consideração por você".

"Você não deveria se meter nisso", Chanyeol respondeu em um tom baixo e rude, fazendo Baekhyun suspirar.

"Deixa pra lá. Vamos fazer o seguinte, enquanto esperamos a comida, porque não apresenta o projeto para mim? Pode ser que isso te deixe mais confortável na hora".

"Não é uma má ideia", sentou-se na cama, ajeitando os papéis em ordem enquanto esperava Baekhyun sentar-se também. Chanyeol começou a dissertar sobre o projeto, falando sobre a empresa de marketing e sobre todo o plano para a parceria. Baekhyun não deixou de reparar em como o garoto era bom em pronúncia, principalmente, em como sua voz grave era sedutora

Foco, Baekhyun! Balançou a cabeça negativamente, voltando a prestar atenção no que Chanyeol falava, e no final, um sorriso bonito pendia em seu rosto.

"E então?".

"Você é mais comunicativo do que parecer ser, se expressa muito bem, sem contar que fala muito bem, também. O projeto está ótimo. Se a empresa fosse minha, eu já estaria assinando a parceria". Notou que Chanyeol ficou tímido com os elogios, o fazendo rir baixinho. "Eu não acho que terá problemas amanhã, Chanyeol".

"Mas você irá comigo da mesma forma, não é?".

"É claro, não precisa se preocupar". Chanyeol esboçou um sorriso pequeno, pensando que talvez Baekhyun fosse mais agradável do que ele pensava. O Byun repassou o projeto com Chanyeol mais algumas vezes depois de comerem, e acabaram dormindo no meio daqueles papéis espalhados

...

Byun assistiu, pelo canto dos olhos, a forma como os dedos compridos batucavam no joelho, de forma contínua, sem parar um segundo. Chanyeol costumava ser uma criança agitada, sempre correndo, escondendo os brinquedos da irmã, fugindo para a casa de alguma senhorinha do bairro. Deixava seus pais com os cabelos em pé!

Tudo mudou quando sua mãe foi embora, carregando Yoora consigo. Chanyeol acabou se tornando uma criança reclusa. Foi quando teve sua primeira crise de pânico, e quase tudo começou a desandar. A ausência de uma figura materna, e mais tarde, paterna, o fez criar monstros em sua cabeça.

Chanyeol observou a secretária atender o telefone, meneando a cabeça e indo até onde ele e Baekhyun estavam sentados. Baekhyun previu que seu lábio inferior fosse sangrar a qualquer momento, pela forma que ele mordia.

"Vocês podem vir por aqui, por favor", a mulher guiou eles até um escritório amplo, e conforme Chanyeol andava, ele sentia suas pernas ficarem bambas. Céus, ele sentia que poderia desmaiar a qualquer momento. Suspirou alto quando notou Baekhyun o puxar pela mão, para só então, perceber como ela estava gelada.

"Eu estou aqui", sussurrou enquanto paravam do lado de fora do escritório. "Olha para mim, Chanyeol", a mão esquerda segurou o rosto dele, o fazendo olhar diretamente em seus olhos. "Você só precisa olhar para mim, tá bem? Se sentir que tem gente demais, foca o olhar em mim e lembra de como apresentou o projeto pra mim, entendeu?" O Park ficou alguns segundos em silêncio, olhando para Baekhyun com o olhar perdido, mas assentiu.

Assim que eles adentraram o escritório, o Park engoliu seco ao ver várias pessoas em volta de uma mesa oval, notando apenas dois lugares livres. Torceu mentalmente para que conseguisse se comunicar bem com o CEO, porque, mesmo que fosse fluente em inglês, em momentos de nervosismo, costumava se embolar todo nos idiomas.

Tanto Chanyeol como Baekhyun fizeram uma reverência ao entrarem, já que o diretor de lá tinha descendência coreana. O Byun ajustou-se na cadeira vazia ao lado do CEO, afirmando que era seu secretário, enquanto o Park se punha à frente, ajeitando o notebook na projeção, para que pudesse começar.

"Boa tarde, eu sou Park Chanyeol, CEO da PBC Interactive, e hoje vou apresentar para vocês o nosso plano de marketing digital para a L'Occitane", começou a apresentar, surpreendendo Baekhyun ao dizer que era CEO de uma das empresas de marketing mais famosas do país. Pela forma como ele se movia de maneira mais contida, dizia que ele estava tenso. Já havia passado vinte minutos desde que Chanyeol começara a apresentar o projeto, e apesar de tudo estar aparentemente bem, Baekhyun se mantinha alarmado, vigiando cada passo, movimento e tom de voz, e no momento em que mais uma pessoa entrou no escritório, tirando totalmente o foco de Chanyeol, Baekhyun viu tudo ruir. O Park alternou o olhar entre o novo integrante da mesa, o CEO, e Baekhyun.

Seu estômago revirava em uma náusea esquisita e de uma hora para outra, sentiu seu sangue ferver em suas veias, acelerando seu coração e fazendo sua visão ficar turva pela ansiedade. Chanyeol, ao apoiar-se na mesa, sentiu que estava prestes a ter um colapso, o que assustou todo mundo, principalmente Baekhyun, que havia levantado em um pulo e ido ao encontro dele..

"E-eu preciso de um minuto, me desculpem". Dito isso, Chanyeol saiu da sala em passos rápidos e desengonçados, deixando para trás todos com um ponto de interrogação no rosto. Baekhyun olhou para a feição preocupada do CEO e abaixou em reverência, pedindo desculpas.

"Nos desculpe, senhor, o senhor Park não estava se sentindo bem há alguns dias, creio que deve ter pego uma gripe quando chegou. Nos dê apenas alguns minutos, por favor".

"Ele deveria ter entrado em contato comigo se estava doente, poderíamos reagendar a reunião", disse de forma compreensiva, fazendo Baekhyun suspirar aliviado. "Diga a ele que se quiser, podemos remarcar". Baekhyun sorriu, agradecendo e correu atrás do Park, que estava sentado no chão da cabine do banheiro, trancado, enquanto olhava para as mãos trêmulas.

"Chanyeol", Baekhyun sussurrou, vendo-o sentado no chão. "Abre a porta, por favor".

"Eu estraguei tudo, Baekhyun", sussurrou com a voz embargada, ofegante. "Eu sou um fracasso".

"Não sei se você sabe, mas eu sou formado em Jornalismo. No dia da apresentação do meu TCC, eu estava tão nervoso, mas tão nervoso, que me deu diarreia. Eu me caguei todo, Chanyeol. É vergonhoso falar disso...". Baekhyun riu baixinho. "Eu fiquei preso no banheiro, chorando porque minha calça estava arruinada e eu não tinha tempo de ir até em casa trocar de roupa, foi quando o meu melhor amigo, que já havia apresentado o TCC, me deu a calça dele... E você deve estar pensando, "ah, ele deveria ter outra roupa". Errado. A única coisa que tínhamos era uma saia xadrez que nossa melhor amiga, Seulgi, que cursava moda, estava costurando. A saia era curta demais porque os babados ainda não tinham sido colocados, então quase que a bunda dele ficava para fora... Mas naquele dia, Kyungsoo me olhou nos olhos e disse "estou usando a porra de uma micro-saia porque eu acredito em você, então apresenta a porra desse TCC logo que eu estou com frio na bunda". E não é que eu consegui apresentar? Sabe por quê? Porque havia duas pessoas que acreditavam em mim, e eu tenho certeza que você vai conseguir, porque estou aqui por você, e acredito em você".

"A bunda dele pelo menos era bonita?", Chanyeol sussurrou, arrancando uma risada de Baekhyun.

"Felizmente, mas se ele descobrir que eu fiquei reparando, levo um soco, então finge que não ouviu". Chanyeol riu baixinho, deixando Baekhyun mais aliviado. "Eu disse pro chefão lá que você não estava se sentindo bem fazia uns dias, então ele falou que se você quiser remarcar a reunião, pode... Apesar de eu acreditar que você consegue". Chanyeol permaneceu em silêncio por alguns minutos, mas logo o Byun o assistiu abrir a porta da cabine e encará-lo. Suas mãos ainda tremiam, mas parte daquele nervosismo havia se dissipado. "Você realmente acha que eu vou conseguir?".

"Eu tenho certeza. Porque, quando entrarmos naquele escritório, eu vou ser a única pessoa que você vai conseguir ver. Você vai conseguir focar em mim. Eu acredito nisso".

"Por que? Por que acredita tanto em mim?".

"Porque eu vi você estudar essa apresentação a semana inteira, e sei melhor que ninguém que você é capaz". Chanyeol sentiu seu peito aquecer com aquelas palavras, sorrindo pequeno e balançando a cabeça positivamente. "Vamos lá?".

Chanyeol ajeitou a roupa e o cabelo e suspirou, dizendo a si mesmo que conseguiria. Todos olharam para si quando entrou no escritório, e assim como Baekhyun pediu, ele focou o olhar nele, parecendo que estava explicando direto pro CEO. Foi uma ótima tática, e assim o Park conseguiu levar a reunião de forma tranquila e descontraída, deixando seus olhos fixos naquele rapaz com quem havia trocado farpas alguns dias atrás.

Aquilo chegava a ser irônico. Chanyeol nunca pensou em vivenciar uma situação como aquela, e sair da bolha que estava acostumado a viver o assustava demais.

Os lábios curvados em um sorriso discreto, dizia a Baekhyun que Chanyeol havia conseguido a parceria. O CEO permanecia sentado com a postura reta, observando Chanyeol apresentar a última parte, e assim que terminou, fez uma reverência breve e ficou de pé, esperando pela resposta do homem.

"Me traga o contrato, por favor", disse à secretária, que sorriu e rapidamente saiu do escritório, fazendo Chanyeol suspirar aliviado e sorrir, sabendo que havia feito um excelente trabalho. O CEO ficou longos minutos elogiando o Park, tanto o seu plano de marketing para a empresa, como sua boa pronúncia.

Depois de assinarem o contrato de parceria e lidarem com todo o processo burocrático, Chanyeol saiu do escritório e encontrou Baekhyun no restaurante da empresa, sentado enquanto tomava um copo de café. O Park sentou-se de frente para Baekhyun, que sorriu.

"Você conseguiu", disse de forma simpática e animada.

"Graças você".

"Graças a você. Todo o plano incrível foi você quem criou. Você é capaz de fazer o que quiser, Chanyeol, precisa apenas acreditar em si mesmo, e voltar a ver um psicólogo para que ele possa te ajudar com a ansiedade". O Park assentiu envergonhado. "Eu acho que isso merece uma comemoração, não acha?".

"Com certeza".

"Hoje nós vamos curtir a noite em Las Vegas, da melhor forma possível. A noite é uma criança". Baekhyun sorriu ladino, fazendo Chanyeol arquear a sobrancelha enquanto lhe encarava, mas logo ele riu, concordando com a ideia, afinal era seu último final de semana em Nevada, e ele sequer tinha curtido os cassinos da cidade.

Era final de tarde quando eles entraram em um táxi rumo aos melhores cassinos e espetáculos de Las Vegas. Baekhyun e Chanyeol estavam em volta de uma mesa de roleta, o Park carregava na mão esquerda uma dose de whisky e a outra usava para depositar suas fichas em apostas, vibrando quando a roleta parou no número que havia apostado.

Sua cabeça girava de forma que todas as luzes do cassino se transformassem em um borrão colorido, lhe fazendo gargalhar enquanto pulava com Chanyeol comemorando outra vitória na roleta. O som das máquinas caça-níqueis se misturava ao ruído das vozes, criando um zumbido confuso em sua mente, e Baekhyun teve que piscar algumas vezes para conseguir enxergar o número que estava apostando, e quando ganhou, ergueu as mãos para cima e gritou animado, mal se preocupando com a cerveja que derramou na camisa de Chanyeol, que estava tão alto que sequer se importou.

"Chanyeol, nós estamos ricos!", gritou, rindo em seguida. "Ricos não, bilionários! Vamos comprar esse cassino, depois viajar para Paris!", começou a falar mais algumas cidades que poderiam viajar, de forma embolada, fazendo Chanyeol concordar com um sorriso desengonçado no rosto. Baekhyun ficou lhe encarando por alguns segundos, antes de gargalhar e segurar o rosto do grandão entre as mãos, apertando suas bochechas. "Você é bem bonito. Se gostasse de homens, eu te beijaria agora", riu novamente.

"Eu gosto", respondeu baixinho. "Você pode me beijar, se quiser".

Baekhyun abriu um sorriso ainda maior, aproximando seu rosto do Park e deixando um beijinho desastrado, que fez ambos rirem, e logo aquele beijinho casto se transformou em algo confuso. Chanyeol infiltrou os dedos de forma firme nos fios da nuca de Baekhyun, lhe fazendo erguer o rosto enquanto eles aprofundavam o beijo, suspirando baixinho entre as mordidas e o desejo crescente que permanecia no meio, fazendo com que as mãos bonitas de Baekhyun descessem pelos seus ombros e peito, conhecendo e delineando seus músculos rígidos, imaginando o quão bonito aquele homem ficaria em cima de si, em uma cama. Baekhyun não sabia que estava prestes a entrar em um campo minado quando ele e Chanyeol se largaram, rindo dos sons molhados e eróticos que o beijo provocava, para logo voltarem a conhecer a boca um do outro.

"Agora a aposta é valendo um casamento na capela do cassino, com uma noite paga em uma suíte luxuosa para a noite de nupcias", um dos caras da roleta disse, atraindo a atenção dos rapazes, que pararam de se beijar para – tentar – concentrarem-se no jogo.

"Vamos apostar!", Baekhyun disse pegando todas as suas fichas, olhando para Chanyeol. "Eu sempre quis me casar em Las Vegas, parece ser divertido", começou a rir.

"Com quem você vai casar?", questionou confuso, terminando de beber seu whisky.

"Quer casar comigo, Chanyeol? O cerimonialista é um cara vestido de Elvis Presley!", disse animado, fazendo Chanyeol rir baixinho e envergonhando, antes de puxar Baekhyun pelo colarinho e lhe dar um beijo rápido.

"Eu quero! Vamos ganhar essa porcaria!", falou alto, fazendo Baekhyun vibrar e gritar um "Isso aí!". Chanyeol também apostou todas as suas fichas, escolhendo os números junto de Baekhyun. E quando a roleta parou, eles começaram a gritar eufóricos. Baekhyun havia ganhado. Chanyeol só percebeu que Baekhyun havia pulado em si quando eles estavam rolando pelo chão do cassino, fazendo as pessoas gritarem animadas, incentivando o casal, que trocava beijos desastrados no carpete, rindo sem motivo algum.

A cerimônia era simples. Foi uma correria para arrumarem ternos, todos os documentos e passaportes, e em cerca de uma hora, estavam prontos. Havia um bolo branco de três andares na capela, e um champagne muito vagabundo, mas não que aquilo importasse. Estavam altos demais para ligarem para qualquer coisa.

O cerimonialista estava parado no altar, vestido de Elvis como Baekhyun havia comentado, e eles riram e trocaram olhares o casamento todo, e quem visse de fora, diria que era um casal extremamente apaixonado. Após realizar o casamento, o Elvis disse o típico "o noivo pode beijar o noivo", fazendo Chanyeol segurar as bochechas cheinhas e beijar Baekhyun de forma contida, lhe fazendo sorrir.

"Vamos para a nossa lua de mel, querido!", foi a última coisa que Baekhyun disse antes de puxar Chanyeol para dentro do hotel-cassino novamente, lhe fazendo entrar no elevador, que os levaria para a suíte reservada. As costas de Baekhyun bateram levemente contra a parede metálica enquanto Chanyeol atacava seus lábios de forma lenta, pressionando o joelho contra a sua pélvis, fazendo-o gemer entre o contato.

Entraram na suíte ofegantes, arrancando as roupas com pressa. Chanyeol suspirou frustrado ao não conseguir se equilibrar para tirar a calça, causando uma crise de riso em Baekhyun, que ajoelhou a sua frente para tentar abrir o maldito zíper. Demorou um pouco, mas ele conseguiu, ajudando Chanyeol a se livrar das últimas peças de roupa. O Park jogou a cabeça para trás e suspirou ao ter os lábios quentes beijando suas coxas, lhe fazendo sentar na cama para que pudesse aproveitar melhor.

Antes mesmo das mãos de Baekhyun tocarem o pau do Park, ele já estava duro. Aquele vaivém lento lhe fez resmungar baixinho, quase implorando para que Baekhyun não brincasse consigo daquela maneira. Suspirou frustrado quando seu membro foi deixado de lado, para que Baekhyun subisse em seu colo e começasse a deixar beijos pelo seu tronco, subindo até o pescoço onde sugou um punhado de pele, mordendo e estimulando Chanyeol de várias maneiras. Em resposta ele apertou suas coxas com as mãos grandes, lhe fazendo arfar e tirar a camisa.

Havia algo na forma como Chanyeol se adequava ao seu corpo, que lhe tirava o fôlego. Seus lábios se encaixavam de maneira ímpar, fazendo o corpo de Baekhyun tremer inteirinho com cada toque. Por mais que estivesse alto, tinha noção de tudo que experimentava, e talvez estivesse sentindo tudo em dobro; ele queria aquilo.

Chanyeol engoliu todos os seus suspiros sôfregos com beijos, enquanto se movia dentro de si pela primeira vez, gemendo em deleite ao sentir a pressão sufocante em seu membro, apertando tudo que estava ao seu alcance para tentar descontar o prazer que fazia seu sangue borbulhar nas veias. As súplicas entrecortadas, os gemidos interrompidos, as unhas curtas deixando rastros nas costas largas... tudo aquilo estava levando o Park ao delírio, de uma forma que ele nunca havia sentido antes.

Os seus sentidos ficavam ainda mais confusos com Chanyeol puxando seu corpo de encontro ao dele, fazendo com que seu pênis fosse ainda mais fundo, ocasionando um gemido alto por parte de Baekhyun, que sentia os olhos úmidos, inundados pelo prazer.

Céus, aquele homem estava lhe fazendo chorar de prazer.

Baekhyun apoiou as mãos no peitoral largo, subindo e descendo sobre o pau melado, e o Park já conseguia sentir um comichão gostoso no baixo ventre, que lhe avisava que o orgasmo estava próximo. A pele da bunda pulou quando Chanyeol lhe acertou um tapa, lhe fazendo gemer alto e rir, aumentando a velocidade com que rebolava. Seu cérebro tentava entender todos aqueles estímulos, deixando seu corpo em chamas conforme ele alcançava seu ápice, gozando em jatos fortes sobre o abdômem definido, continuando a se mover até sentir o orgasmo quente do Park dentro de si, gemendo de forma rouca, causando arrepios em sua coluna.

O corpo menor caiu ao seu lado, o peito subia e descia rapidamente. Baekhyun virou na cama e encarou Chanyeol, que riu antes de lhe puxar para um beijo, voltando a sobrepor seu corpo em um convite claro para um segundo round.

E Baekhyun aceitou o convite. Tanto o Park Chanyeol, como o agora, Park Baekhyun, nunca imaginariam que entre um simples convite, havia entrelinhas que diziam que a partir daquele momento, eles estariam entrelaçados.

Para sempre.

25 de Maio de 2019 às 00:55 0 Denunciar Insira 0
Leia o próximo capítulo Casualidade

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 1 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!