Os Sonhos de Balder e o Destino de Loki Seguir história

guilhermerubido Guilherme Rubido

Entre os deuses Aesir, há um que os supera em beleza e sabedoria. Seu nome era Balder, o belo. Balder trazia felicidade ao mundo e as coisas sorriam quando ele passava. Porém, as noites do deus começam a ser atormentadas por terríveis pesadelos. Com medo de que algo ocorra, Frigga, mãe de Balder, usa de suas magias para que nada possa ferir seu filho. Com inveja, Loki começa a tramar um plano para encerrar essa felicidade e acabar com o amado deus.


Fantasia Épico Todo o público.

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Os Sonhos de Balder e o Destino de Loki

(Baldrs Draumar/Gylfaginning)

I - Os Sonhos de Balder

Balder era o mais belo e magnifico dos deuses. Sua beleza e carisma irradiavam vida e alegria, trazendo felicidade e esperança a todos aqueles que tinham a oportunidade de pousar os olhos sobre o deus Aesir. Por onde caminhasse, fazia a vida florescer e prosperar. Como um sol, Balder surgia iluminando tudo à sua volta; fazendo dissipar todas as mazelas que nas sombras se abrigavam; dando energia a homens enfermos; expulsando o frio e a perversidade. Como um súdito que abre caminho, a neve se derretia diante dele, revelando os prados verdejantes que se abriam para receber o segundo filho de Odin. A flora à sua volta parecia revitalizar-se ante sua presença. Fazendo frutos suculentos nascerem e velhas árvores recuperarem a cor onde antes só havia cinza.

Sua voz, como uma harpa de som doce como o mais puro leite, era tão potente que podia ser ouvida por todos os nove mundos que serpenteavam Yggdrasill; sendo recebida com alegria mesmo em terras hostis, onde guerras cessavam e inimigos confraternizavam quando o canto de Balder lhes alcançava. A carnificina dando lugar as risadas e bebedeiras, esquecendo-se um pouco da guerra que antes travavam.

Balder não era apenas belo; era, também, o mais justo e sábio ser que existia. Graças a essas qualidades, possuía uma autoridade natural de juiz do mundo e, em virtude dela, proferia sentenças e conselhos aos que nele buscavam justiça. Assim, Balder trazia paz ao mundo. Em suas decisões, ninguém encontrava dúvida ou motivos que exigissem alguma contestação.

Todos o amavam e sabiam que sua presença no mundo era imprescindível para suas vidas. Assim, Odin e Frigga, pais de Balder, davam-lhe tremenda atenção e com ele se preocupavam.

Balder possuía uma esposa. Seu nome era Nanna, a mais sortuda das mulheres, pois com ele compartilhava os dias, a cama e os momentos de alegria. Forseti, o filho do casal, era ainda muito jovem na época destes acontecimentos, ainda sim, já apresentava muitas das qualidades do pai. Todos aguardavam nele o surgimento de um homem sábio e belo, como um reflexo do pai.

Contudo, toda essa felicidade se dissipava aos poucos. Frequentemente, sob a lua e as estrelas, Balder acordava gritando e chorando. Sonhava com coisas terríveis: era atormentado por pesadelos proféticos sobre sua própria morte e a de muitos outros; o Sol e a Lua sendo devorados por dois lobos titânicos; um longo inverno, mais terrível e frio do que todos que já se viram no mundo, seguido de morte e sofrimento eternos. Tempestades e ondas implacáveis. Uma carnificina entre familiares. Irmãos se apunhalando pelas costas em guerras que levariam a um só destino: tudo e todos sendo engolfados pela escuridão do esquecimento. Essas visões perturbavam o sono de Balder.

Nanna via o sofrimento do marido e tentava, em vão, acalmá-lo. O deus definhava mais a cada vez que tinha acesso a essas visões de sinistros futuros. Tentara dizer a Balder para que pedisse ajuda de sua mãe, Frigga, que era versada nas artes das profecias. Mas Balder sempre rejeitava a ideia, não querendo trazer tormento e medo para as pessoas a sua volta. Nanna não aguentava mais ver a vida de seu marido se esvair em tormento e, logo após mais uma noite de pesadelos, foi ter com sua sogra, Frigga, esposa de Odin.

Na sala do trono, Odin e Frigga escutavam os relatos de Nanna atentamente, sendo Frigga quem mais sofria e pesava aquelas palavras funestas que lhe chegavam, estremecendo e empalidecendo enquanto ouvia sobre os terríveis sonhos de seu filho. Após tudo ter sido relatado, Frigga, ressentida, contou-lhes que também havia tido visões parecidas. Era com temor que as recebia, porque, tendo o dom da clarividência, sabia o forte poder que os sonhos tinham de transmitir ao presente, fragmentos do futuro.

Decidido, Odin levantou-se de seu grande trono Hlidskialf e, sem dizer palavra alguma, empunhou seu cajado, vestiu manto e chapéu, pegou sua sela e colocou-a em Sleipnir -seu cavalo de oito patas, filho de Loki e o mais veloz entre os equinos- e, assim, o Pai de Todos pôs-se a cavalgar pelos nove mundos em busca de respostas que pudessem acalentar os corações angustiados de sua esposa e filho.

17 de Maio de 2019 às 01:37 5 Denunciar Insira 126
Leia o próximo capítulo II - A Jornada de Odin

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Fernando Avendanha Fernando Avendanha
Ótima narração e um assunto ainda melhor. É perfeito ver pessoas abordando mitologias e história; vejo que não estarei sozinho na plataforma quando finalmente lançar minha própria obra. Parabéns pela obra! Em breve lerei o resto!
30 de Maio de 2019 às 19:41

  • Guilherme Rubido Guilherme Rubido
    Fico feliz que tenha gostado do que viu! Pode me chamar quando publicar sua nova obra. Abraço! 30 de Maio de 2019 às 19:44
  • Guilherme Rubido Guilherme Rubido
    Fico feliz que tenha gostado do que viu! Pode me chamar quando publicar sua nova obra. Abraço! 30 de Maio de 2019 às 19:44
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