Alcatéia Seguir história

indrakimura Amaterasu '

O sol parou de brilhar. Não existe mais luz. O girassol não o persegue mais, a escuridão sem fim começou há duas noites; quando a lua deu lugar ao sol durante o meio-dia de uma quinta-feira, as trevas começaram de dentro para fora.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#hinata #sasuke #noite #sobrenatural #lobo #SasuHina1Forever #sasuhina
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Capítulo Único

Alcateia

O sol parou de brilhar. Não existe mais luz.

O girassol não o persegue mais, a escuridão sem fim começou há duas noites; quando a lua deu lugar ao sol durante o meio-dia de uma quinta-feira, as trevas começaram de dentro para fora — apesar de quase ninguém ter notado esse detalhe.

Os bons de coração continuaram com sua consciência intacta, sem qualquer mudança ou alteração, mas aqueles tocados pelas trevas acabaram mudados, como se o seu verdadeiro eu tivesse sido libertado.

A essência negra e cruel, a escuridão libertou o mau existente em cada coração, juntamente com seus moradores.

O ar faltou em seus pulmões, grossas lágrimas escorreram pelos olhos claros, umedecendo as vestes brancas. O mundo parou, à noite exerceu sua dominância, as estrelas viraram mais que o nosso guia, se tornaram a luz. O céu escuro escondia inúmeros segredos, que aos poucos começou a ser revelado. Transparecendo para os humanos, para a antiga raça dominante.

Sem luz própria, a lua, se tornou somente mais algo na qual giramos. Deixou de ser somente uma bola cinzenta, que um dia fez parte da Terra, agora tornou-se mais do que o satélite natural.

O mundo se tornou trevas, e com as trevas surgiram seres que se mantinham escondidos, ocultados pelo sol escaldante. Os clãs saíram das sombras, deixando de ser somente lendas, mitos, passados de geração em geração. Criaturas sobrenaturais tomaram o poder, o ser humano rendeu-se, curvando-se para os seres dominantes. Pois foi incapaz de combater aquele que é mais forte.

Vampiros começaram a comandar a noite, a exercer sua soberania com punhos de ferro. Os que eram contra eram expulsos para pequenos polos, mandados para regiões extremas, para lugares poucos habitados. Os humanos que se negaram a obedecer morreram, a resistência durou pouco — ninguém julgou-se capaz de lutar, e sair triunfante — os que conformaram se tornaram refém do medo. Passaram a esconder-se, a temer tudo e a todos, até mesmo seus próprios semelhantes.

Um pacto de sangue fora assinado há luas atrás, dando fim à guerra iniciada.

Acordo que impedia que ambos os lados se matarem, seres sobrenaturais e humanos foram forçados a consistir, a habitar as mesmas cidades e a conviver uns com os outros. A se acostumarem uns com os outros.

Já se passaram vinte anos, apesar de que para muitos foi somente há poucas noites atrás, quando o sol ainda brilhava. Como se o sol tivesse brilhado até o anoitecer do primeiro dia do verão, e sumido no instante em que a noite caiu.

Os lobos e transmorfos fizeram da floresta seu lar, escondendo-se do mundo. As matas intensas e de difícil acesso, tornaram-se o mais novo lar dos seres da noite; o refúgio perfeito para esconder suas reais formas. Poucos humanos os aceitaram, poucos tiveram coragem de se aproximar, os seres da noite que tinham formas diferentes foram naturalmente excluídos, deixados de lado por aqueles que os viam como uma falha.

Uchiha Sasuke é o líder uma alcateia Argentum Lunam. Se manteve escondida por quase duas décadas, o homem de quase quarenta anos tinha receio. Temia o que poderia acontecer com aqueles que tentavam se aproximar de humanos, daqueles que os viam como aberrações.

Os últimos anos foram tensos, nenhum deles estava preparado, nenhum deles esperava a revolta causada pelos humanos quando tentaram aproximar-se do pequeno povoado. Sua forma agora pode ser controlada, adquirindo uma aparecia humana — nenhum traço lupino ficavam em si, podendo ficar oculto por dias.

A curiosidade dos que nasceram depois da aeterna o preocupava, os mais novos não tinham caninos. Não eram fortes o suficiente para se protegerem, se assemelham a crianças humanas até seus doze anos, quando se transformava pela primeira vez, com exceção da classe alfa pura, esse se transformavam com seis anos de idade e nasciam com uma fisionomia diferente. Os filhotes são um alvo fácil para aqueles que carregavam maldade em seu coração.

Sasuke mais do que ninguém sabia o quão perigoso é deixar um filhote só. Perdeu mais do que a esposa durante a guerra, perdeu sua filha, a sua filhote, uma menina de apenas de três anos. Vítima de caçadores.

Não procurou vingança, o lobo somente parou de confiar. Se isolando do resto da matilha, tornou-se um lobo solitário, que tem como objetivo manter a alcateia e os mais novos a salvo. Passando a tentar ao máximo evitar que tal coisa acontecesse novamente, como alfa, como líder é sua obrigação mantê-los a salvo, longe daqueles que não aceitam sua existência, a forma como vivem. Deixando todos afastados de qualquer resquícios de civilização humana existente na cidade de Portland, em Oregon.

Queria mantê-los a salvo, longe de seu segundo inimigo natural. Nem ao menos os vampiros, uma raça oposta a sua lhe perturbava, não amaça seu território e nem tenta ferir seu povo.

Seu sonho era se deitar é ter uma noite de sono, sem temer mais nada, sem se preocupar com um possível ataque, ou com o desparecimento de qualquer membro da matilha.

§

Os humanos ainda não se acostumaram a ver “lendas” andando pelas ruas, os poucos que aceitaram eram julgados, chamados de covardes, traidores. Os que se julgaram apaixonados pelos seres da noite eram mal vistos, para muitos misturar uma raça com outra era indevido — sujo —, não deveria acontecer, ainda mais agora em uma era de monstros.

Hinata não tem nada de especial, uma mulher de cabelos longos e pele clara, olhos grandes e cinzentos. A única coisa que a faz diferente dos demais é o fato de ter se apaixonado por um lobo, o líder da alcateia Argentum Lunam, é o responsável por sua arritmia, pelos seus suspiros longos e apaixonados, e pelos sonhos molhados. Há um ano fora salva por ele, pelo ser de pelos negros e olhos avermelhados; em sua mente ele poderia simplesmente tê-la deixado lá, perdida e ferida, em meio a uma floresta desconhecida por si.

Em sua forma humana ele a trouxe para a civilização, a deixando em frente a um ponto de atendimento emergencial. Ela acordou noites depois com o corpo dolorido e com o forte cheiro de relva impregnado em suas roupas. O cheiro da floresta se encontrava preso em si, sua mãe torceu o nariz, reclamando do cheiro de cachorro molhado — a mulher não sabia da aventura da filha, é que o cheiro que dominava as vestes guardas no pequeno guarda-roupa eram de um lobo, de um lupino de olhos vermelhos e pelos escuros como a escuridão.

Queria reencontrá-lo, ver novamente o homem que evitará seu prematuro fim. Todavia, a jovem sabia que não seria fácil encontrá-lo, principalmente vivendo em uma cidade tão fechada para o sobrenatural.

Lobos são raramente vistos, por conta de sua natureza eles se abrigam em regiões isoladas, com terrenos íngremes e com enorme fartura em caça. Localizá-lo seria uma coisa difícil, ainda se forem migratórios, que fossem para onde existisse comida, presas para serem caçadas.

Caso a matilha saísse, seu lobo certamente iria junto, lobos andam em bando. Difícil vê-los sozinhos, desacompanhados, pois juntos são capaz de se defender com extrema perfeição.

— Hinata, filha, desça o jantar está esfriando — a mulher com quase cinquenta anos grita, chamando a filha que insiste em admirar o céu estrelado, em observar com atenção a lua.

Ela suspirou, a passos lentos desceu as escadas e se viu obrigada a se sentar ao lado do noivo. Desprezava a união, queria sair, ser livre e encontrar o lobo que roubará seu coração há várias luas atrás, quando as estrelas foram ocultadas pelas nuvens de chuva. Ansiava aquele que a faz suspirar, que lhe dava sonhos quentes e incontáveis horas de devaneio.

— Hinata não brinque com a comida!

— Perdão, não estou com muita fome — forçou um sorriso.

— Precisamos conversar, mas antes coma um pouco, está pálida filha — a mulher tocou com delicadeza nos fios azulados, confortando assim, o coração da filha.

A perda de apetite se deu ao fato de estar tentando juntar coragem, contaria aos pais sobre o acontecido de um ano, quando foi deixada no pronto atendimento com as vestes rasgadas e com o cheiro de relva impregnado em si; falaria sobre o homem de cabelos negros que a salvará de uma morte precoce. Diria a eles sobre seus sentimentos, de como se sentiu atraída pelo ser da noite.

Sobre como se tornou cativa do alfa.

Respirou junto, reformulou a forma como abordaria, como contaria aos pais a razão pela qual não pode se casar.

— Filha, eu e seu pai achamos que seria melhor adiantar um pouco seu casamento. — O garfo caiu sobre a mesa, o purê respingou sobre sua roupa.

Com o guardanapo ela tentou limpar o pequeno acidente, da mesma forma que tentava desviar do assunto. Tentando chamar a atenção para outra coisa, qualquer coisa que não fosse o seu casamento.

Os punhos foram cerrados com força, seu lábio inferior tremeu. Em sua mente o único pensamento que fluía era o quão idiota era aquela união.

Tudo para evitar que Hinata se tornasse como primo. Neji não escutou os clamores e muito menos a reclamação por parte de seus pais. Ele abandonou tudo, se juntando a matilha na qual pertencia a esposa, uma metamorfa de vinte e três anos.

Assim que despertou no quarto de hospital ficou receosa em contar para a mãe que havia sido salva por um lobo, por uma criatura de pelos escuros. Enrolou por noites, inventou as mais variadas desculpas, tentou ao máximo não contar a verdade que foi dita cinco noites depois. Horrorizada a matriarca da família logo tratou de arrumar um pretendente para a filha, em sua mente Hinata não deveria se envolver com nenhum ser da noite, que ela deveria se casar com o humano que ela achasse perfeito.

Eles queriam continuar puros, sem serem contaminados por outra raça.

Dentro de casa, Hinata é a única que não compartilha dos mesmos pensamentos, seu desejo é procurar o homem que a salvou. Para agradecer e confessar seu amor — apesar do grande risco de ser rejeitada.

— Mãe, pensei que já tínhamos conversado sobre isso — disse abalada, com a voz vacilante. Nunca responderá a mãe, jamais a tratou mal e nem deixou de dar o devido respeito a ela, ou a seu pai

— Filha, Naruto é um bom menino, sem contar que é o filho do prefeito — escutou a mesma frase durante meses, passou noites tentando se acostumar com o fato e mesmo depois de quase um ano não se adaptou a ideia. Pois seu coração pertence a outro. — Eu só quero o melhor para você meu anjinho — a mulher tornou a tocar no rosto da filha de forma singela. — Desejo somente o seu bem meu amor.

Ela não deseja o meu bem, nem ao menos sabe o que se passa em meu coração — pensou a jovem, angustiada ao ver a seriedade em sua voz. Não quer esse casamento, nem ao menos ama o loiro, não sente nada além de respeito.

— Por favor, não desejo me casar agora, tenho uma vida pela frente.

— Hinata você já tem quase vinte e cinco anos, já passou da idade de casar e ter sua própria família.

Casamentos arranjados começaram a ser feitos, quando as primeiras uniões com as raças opostas começaram a acontecer, pais queriam evitar que a curiosidade que assola os jovens tomassem outras proporções. Mestiços eram cada vez mais comuns, mas tão mal vistos como os próprios “monstros”. Crianças metade humanas e metade não humana eram vistas como falhas por famílias conservadoras humanas, exceto pela própria espécie de criaturas.

Hinata queria ser mãe de uma “falha”, queria saber qual seria a sensação de ter um filhote de lobo crescendo dentro de si. De como seria dormir com alguém como o ser que a salvou, se seria mais intenso ou normal como é com outro homem.

Ela era movida a curiosidade, tinha um objetivo e para realizá-lo, ela estaria disposta a tudo.

O plano criado durante o caótico jantar estava previamente definido, seu casamento seria realizado daqui há duas noites.

Assim que todos dormissem ela iria embarcar em uma aventura, realizaria o seu sonho, conheceria o lobo que mexerá com seu coração.

§

Sasuke tentava afastar a pessoa que o perseguia, há cinco noites um cheiro novo se fez presente, atiçando os mais novos e aqueles que buscavam vingança. A essência doce e delicada, tão nostálgica e melancólica.

Tentou afastar a pessoa, a fazendo desistir. Dando pistas falsas, tentando desviá-la, mandar o intruso para longe, para manter sua alcateia e a pessoa a salvo, longe dos membros que almejavam feri-la em sinal de retaliação. Mas a persistência era um dos fortes da jovem — juntamente com sua determinação e coragem.

A mulher estava a poucos metros do acampamento, todavia, ela nunca se aproximou. Podia sentir o cheiro de flores que vinha de sua pele, uma fragrância tão nostálgica quanto sua presença. Na primeira noite pensou que fosse só um aventureiro, um humano que estaria atrás de problemas.

Os filhotes foram escondidos pelas mães, os mais velhos ficaram em alerta, mas depois do terceiro dia pararam de se preocupar. Aos poucos perceberam que o intruso não estava atrás da alcateia.

Sasuke não deixou de vê-la como uma ameaça, qualquer humano que achasse sua fortaleza natural deveria ser viajado até que parta. Que deixe as terras íngremes e deformada para trás. Ficando à uma distância mediana da planície onde o acampamento feito pela mulher se localiza.

Precisava saber do que se tratava, saber o que motivou a mulher a ir até o seu lar, para perto de suas terras.

O líder esperou que todos se recolhessem para visitar a mulher, a cachoeira tornou-se o ponto de referência da jovem, que usava do som produzido pela queda d’água para se orientar, a água pura e cristalina, lhe dava o que beber e banhos gelados todas as noites. Para ela era uma verdadeira dádiva, pois havia se preparado para banhos semanais e com racionamento da água que trouxe.

O celular fora deixado em casa, desejava não ser perturbada, não queria ser encontrada por ninguém, principalmente por sua família. O isolamento causado pela densa mata trouxe alívio a ela. Estava longe da mãe e do noivo, pela primeira mês em meses se sentia livre, sem qualquer pressão ou obrigações.

Andou por alguns dias, sua localização foi baseada em sua habilidade em se guiar através das estrelas, tanto que em sua mente se encontra próximo ao lugar onde supôs que a alcateia reside. Tanto que parou de andar, simplesmente resolveu esperar que eles notem sua presença, que o líder venha até si.

O corpo cheio de curvas é refletido pela água, os dedos pequenos acariciam a pele exposta, as estrelas que brilhavam no céu deixavam o lugar com um clima relaxado. Com uma gostosa sensação de paz. Adorava sentir aquilo, gosta de sentir a água fria passando por seu corpo, da sensação de liberdade que a ausência de pessoas lhe julgando por amar um transmorfo lhe causava; Hinata estava feliz, principalmente por saber que estava perto de seu amado.

Um grito foi dado quando notou um par de olhos atrás de si. Tão vermelhos quantos sangue, tão encantadores quanto as pétalas de uma rosa vermelha.

Ela o reconheceu, seu coração errou uma batida, ou duas, suas mãos soaram. Seu corpo ficou mole, em seu estômago mil borboletas fizeram-se presentes. Saiu da água apressada, não se importou em esconder sua nudez queria ver com atenção o lobo a sua frente.

— É você! — Exclamou eufórica. — Não acredito que te reencontrei, esperei tanto por esse dia, peço perdão por entrar em seu território sem a sua permissão — curvou-se minimamente, em sinal de respeito. — Deus, você está aqui! — o sorriso dado assustou o lobo, que esperava que ela se assustasse que recuasse perante sua presença.

Corresse para longe, deixando-o aliviado por espantar seu convidado indesejado, a pessoa que adentrou em suas terras sem permissão.

O cheiro nostálgico o deixou perdido, uma parte de si sentia que a conhecia, enquanto outra parecia não se lembrar quem é ela. Viveu mais de quarenta anos, passou metade da vida sentindo cheiros e os catalogando entre aliados e inimigos, tanto que julgou-se incapaz de dizer, se cataloga-la como sempre faz.

Deu dois passos, seu pelo aos pouco começou a encolher, dando lugar a um homem de físico e aparência invejável, de uma pessoas com seus pouco mais de trinta anos e não de um lobo de mais de quarenta. Na mente da mulher ela se deu conta do quão pobre é sua imaginação, sua única lembrança era o som da voz do homem, o cheiro de relva e o rosto que lhe parecia ter sido esculpido por anjos.

— O que faz em meu território? — a voz do Uchiha soou autoritária, um tremor passou pelo corpo de Hinata.

Tão grave — pensou cativada.

Ambos estavam nus. A tensão instalada no ar a fez prender a respiração, seus olhos foram feitos de cativos em questão de segundos, apaixonou-se novamente pelo menos transmorfo, pela mesmo ser da noite, novamente foi amor à primeira vista. Pela segunda vez se viu amado um ser sobrenatural sem nem ao menos saber seu nome e idade.

— Vim te conhecer... — hesitou, sua voz vacilou, juntamente com suas pernas.

Toda a sua coragem sumiu ao vê-lo novamente, ao escutar a voz grossa e de ver os olhos vermelhos que adquiram uma cor preta, tão intensas quanto à escuridão.

— Como nos encontrou? — ele avança, aproximando-se de Hinata. — Quem mais sabe sobre minha alcateia? Para quem mais contou sobre a nossa real localização? — Questionou irritado, apesar de temer um ataque surpresa.

— Ninguém! — Gritou assustada.

— Não minta humana, sua raça é traiçoeira, por isso diga a verdade: quem mais sabe a nossa localização? Diga?!

— Eu juro por Deus, que não contei a ninguém — não tinha coragem em dizer que havia fugido de casa para conhecê-lo, de dizer em voz alta o seu real objetivo —, por favor, sai de perto de mim! — O cheiro forte parecia sufoca-la, o ar entrou com dificuldade, jurou ter sentido os braços do homem segurarem o seu corpo, fazendo-a encarar uma névoa. — O que está fazendo, por favor, se afaste, não consigo respirar... Se afaste! — ditou.

Ele fechou os olhos, e repetiu a pergunta. A mulher lhe deu a mesma resposta, seu coração não acelerou, ela não hesitou e muito menos mentiu.

Sasuke se levantou, pediu desculpas a mulher que puxava o ar com dificuldade. Um sorriso tímido surgiu em seu rosto, o cheiro de relva é o mesmo de um ano atrás, esse é o lobo que a salvou.

— Qual o seu nome? — Questiona curiosa. — O meu é Hinata, é o seu?

— Uchiha. Uchiha Sasuke.

O coração da jovem se aqueceu, saber que seu amado se chamava Sasuke fez com que outra batida de seu coração fosse errada. Não entendia como conseguia gostar tanto de um alguém, de se ver presa a um ser que até poucos segundos atrás nem ao menos sabia o nome.

— Obrigado... — Disse sem graça.

— Não me agradeça, se eu tivesse usado um pouco mais de força teria te machucado. — ele suspirou pesado. — Lamento ter feito isso, são tempo difíceis. — Os fios negros foram jogados para trás, envergonhado, o lobo tentou novamente se desculpar com a figura feminina a sua frente.

— Não, não é por isso — suas bochechas esquentaram. Desejou encarar o chão, mesmo não sendo a melhor alternativa. — Há um ano tentei fazer uma trilha sem guia, acabei caindo e me machucando, fui salva por um habitante da floresta. — Sasuke começou a entender, a ligar os pontos e a se recordar do cheiro. — Há um ano trás você salvou a minha vida.

— Era você a humana que caiu na área de caça há um ano? — ela faz que sim, apesar de não saber que havia parado em uma área de caça. — Não precisava ir aqui para agradecer, somente o fato de ter sobrevivido serviu como recompensa.

O lobo disse sincero. Não queria nada, não cobiçava nada da humana a sua frente.

Uma tradição antiga existe entre os grandes clãs. Quando favores são feitos de bom grado, sem nenhuma cobiça ou recompensa um presente é dado.

Mulheres adultas davam coisas feitas por elas mesmas, crianças davam flores e brinquedos. Homens adultos oferecem a melhor caça.

Hinata não tinha nada de valor consigo. Nada além de algumas trocas de roupa e si mesma. Ela apertou o próprio peito, respirou fundo e subiu seus olhos em direção ao homem; sua boca ficou seca, não sabia como dizer aquilo sem parecer oferecida, queria der a si mesma a ele.

Queria dar a ele algo para se lembrar de si, para recordar da jovem sempre que olhasse para a lembrança que deixaria para o moreno. Para o presente que desejava dar ao lobo.

Mas por ser humana a chance de ser rejeitada dominou seu coração. Ela o amou desde a primeira vez que o virá, o fato de não serem iguais não a incomodou, somente queria ser dele e desejava que ele a quisesse também — nem que fosse por uma única noite.

— Não tenho nada para te dar.

— Já disse que não é necessário. Disse que me contento somente pelo fato de ter sobrevivido. — Hinata não acha isso suficiente, por conta da bondade existente no coração ferido de Sasuke ela continua a respirar. Graças a isso ela pode amá-lo secretamente por um ano.

— Uma vida, por uma vida. — ela disse decidida. — Lhe darei um filhote, em resposta ao seu ato de um ano atrás.

Ele cambaleou, não esperava que ela se oferecesse para dar à luz a um filho seu. O mestiço poderia não ser bem aceito pela matilha, apesar de Sasuke desejar ser pai novamente, já que precisaria de um alguém para assumir seu posto como líder daqui há alguns anos, quando não aguentasse mais correr e nem lutar pela alcateia.

Uma criança seria necessária para tal coisa, à maioria das mulheres de sua matilha ainda são jovem demais e as com mais de trinta, eram casadas. Em sua mente isso soava tão errado, não poderia simplesmente deitar-se com ela e esperar até que o filhote fosse gerado, sem contar que os lobos de sua alcateia nunca deitaram com uma humana, nem ao menos sabia se ela é capaz ou não de gerar vida de um lobo vindo de sua alcateia Argentum Lunam.

— Não posso. — ele se virá. — Agradeço a sua oferta, mas não posso aceitar, sua família ficará preocupada...

— Não desejo voltar pra minha família, pelo não antes pagar essa pequena dívida. Senhor, você salvou a minha vida. Mas caso tenha mulher...

— Sou viúvo.

Ela se calou por alguns instantes, quando ofereceu a si mesma não pensou se ele era ou não comprometido.

— Lamento, não sabia... Droga, o que eu queria dizer é lamento, meus pêsames pela sua esposa. — Ela deu pequenos passos em direção ao homem. — Mas, por favor, considere a minha proposta.

Parada a somente centímetros de distância ela esperou o homem pensar, analisar com calma suas palavras, para que ele sentisse a seriedade de suas palavras. Não quis parecer oferecida, odiaria saber que ele cultiva tão pensamento sobre si, somente queria pagar uma dívida, dar uma vida por outra.

— Ficará ao meu lado até que ele nasça depois te levarei de volta a sua família. — Ela sorriu, enquanto Sasuke pareceu repensar sua decisão. As mulheres da alcateia provavelmente o julgaram por escolher uma forasteira.

Mas o que poucos sabiam é que os lobos mestiços costumavam ser mais fortes do, principalmente se tiverem ligação linhagem alfa pura, que são naturalmente mais forte, apesar da estimativa de vida ainda não ter sido descoberta.

— Quando começamos?! — Questionou animada.

— Agora. — Os lábios do mais alto colaram nos seus com rapidez.

Não seriam necessárias muitas tentativas, já que de acordo com Hinata estaria em seu período fértil.

O homem deixou seu instinto falar mais alto, deixando de lado — mesmo que por breves instantes — suas preocupações. Explorou a boca da mulher com agilidade, suas presas coçaram em sua gengiva, suas unhas cresceram; o cheiro da mulher e o corpo molhado o deixou excitado.

Hinata tentou acompanha-lo, o fôlego de Sasuke é maior que o seu, sua agilidade e força a deixaram com as pernas bambas. Os dedos quentes seguraram sua coxa com força, a forçando entrelaçar as pernas em sua cintura.

O membro recém-desperto encostou de forma rápida na intimidade exposta da mulher. O cabelo preto fora puxado com força, Hinata desejava aprofundar o beijo que roubava seu fôlego, que a deixava com as pernas moles, com a mente em branco, o corpo em êxtase, julgou-se incapaz de pensar com clareza.

Seria uma noite intensa. Lobos não se cansam fácil, o apetite sexual costuma ser maior em tempos de abstinência, desde a esposa que ele não se deitou com ninguém. A ideia de formar outra família ficou o assustava, ter filhotes e uma mulher para amá-lo, deixava-o receoso. Apesar de tal pensamento estar no passado.

Continuará a focar na alcateia, pois foi graças a ela que se manteve firme, foi para proteger aqueles que continuaram ao seu lado quando tudo desabou. Eles o chamam de bom líder, apesar de em grande parte do tempo ser guiado pelo medo, pelo receio de perder a única família que lhe restou.

Os seios foram segurados com força, a mama direita foi sugada, controlou-se para não feri-la, para não mordê-la. Sasuke caminhou com ela em colo, até entrar com ela dentro da barraca improvisada.

O desejo de Hinata era que ele fosse direto, não é virgem, sabe que o que vai acontecer; tinha experiência, apesar de ser sua primeira vez ter sido com alguém de sua própria raça, um humano.

Queria sentir mais, apesar de ter medo do que pode acontecer. Puxou os fios com força, o pescoço branco se encontra com marcas de beijo, avermelhadas e róseas. Julgou-se de perder-se no meio das crias do corpo feminino, pois Sasuke aos poucos está a perder o controle sobre si. Seu desejo aumentou, o pênis ereto roçou contra a intimidade feminina. O que é estranho, pois nem ao menos se sentiu atraído quando a viu nua, mas bastou sentir seus lábios colocados, explorar a boca de Hinata, sentir a língua da mulher valsar junto a sua, para que tudo mudasse.

Tocou na feminidade com delicadeza. O arfar de Hinata misturado ao gemido, o som obsceno produzido pela mulher, fez seu coração disparar, o sangue foi bombeado com mais rapidez, o rosto avermelhado e o lábio entreaberto, a respiração ofegante. A visão do corpo da jovem o deixava assim, com forte desejo, com tesão.

Assim que sentiu o dedo indicador de Sasuke lhe invadir, Hinata se viu obrigada a cobrir a boca, não queria que ninguém com ouvidos sensíveis escutasse gemer, não queria que ninguém aparecesse — pelo menos não por agora.

Marcando cada pedaço de pele ao alcance de seus olhos, as coxas fartas ganharam uma atenção especial. As chupões avermelhados e a visão privilegiada da intimidade alheia o deixou eufórico. O dedo que brincava com a entrada da mulher se encontra úmido, ele a sentia se contrair, seu outro ponto sensível fora sugado.

O movimento circular e a língua unida causaram uma pequena onda de prazer. Segurando os cabelos negros ela tentou auxiliá-lo, a estimular Sasuke a continuar o trabalho, que ela julgava ser maravilhoso.

O homem era habilidoso, como se ainda se lembrasse da época em que a esposa ainda estava viva. É das noites quentes e apaixonadas que dividiram juntos.

O som alto que escapou dos ouvidos da jovem serviram como um alerta. De que faltava pouco para chegar ao seu d'leite, para derreter-se nos dedos do homem.

Ele parou. Um protesto foi escutado, o homem nada disse, somente segurou o membro ereto contra a entrada da mulher. Esperou que ela desse um simples aceno de cabeça, tanto que de forma paciente esperou a mulher.

Sugou-lhe a pele leitosa, indo em direção a sua clavícula, agarrando a cintura feminina, impulsionou o corpo para perto do seu, dando a ela calor.

A invadiu de uma vez. A primeira estocada fora lenta, o movimento controlado e um tanto rígido de seus quadris. Agarrando o pequeno cobertor abaixo de si ela tentava controlar os solavancos, os movimentos causados pela movimentação do corpo cima de si; pelo homem olhos avermelhados.

Ela gostou de quando ele a penetrou de uma vez. Estranhou o controle, de como o Sasuke controlou-se para não ser bruto.

Tentou pedir para que fosse ao seu ritmo, tinha curiosidade em saber, sentir a masculinidade alheia dentro de si. Apesar da lentidão de sentir prazer com os movimentos lentos feitos pelo alfa.

— Sasuke… — o chamou de ofegante.

Ela pediu para ir mais rápido, queria senti-lo mais! A queimação existente em seu interior misturou ao calor existente em seu meio, o corpo quente de Sasuke a fez transpirar em demasiado. Os fios molhando colaram em sua testa.

Beijando os lábios junto ao do moreno, Hinata tentou transmitir seu sentimento mais sincero, o seu amor para com o lobo.

Amou sentir os toques quentes das mãos ásperas e ágeis, sobre seu corpo, ansiava por mais, queria poder deleitar-se, perder-se no corpo do homem. Hinata julgou-se capaz de viajar a sensações causas pelo Uchiha, adorou de ter os lábios tomados e os seios apalpados.

Perdão... Não consigo me segurar Sasuke disse ofegante. Os caninos pareciam roçar em sua gengiva.

Seu lobo pedia, clamava dentro de si para marcar a pele leitosa, cravar os caninos na nuca de Hinata, e fazê-la sua, mesmo não sendo uma loba, uma ômega.

— Não se segure! — Exclamou. — Faça, Sasuke somente, faça!

Afastou-se ligeiramente, virando Hinata de costas, segurando seu quadril a forçou para perto de si, abrindo as pernas, ela deu espaço para que ele a penetrasse novamente, gemeu. O som sairá deverás de alto, fazendo o moreno sorrir, enquanto perdurava a pele da nuca da jovem.

A dor misturada ao prazer fez com que seu corpo relaxasse perante a penetração vaginal, com as investidas de Sasuke e o carinho recebido em seus cabelos, enquanto tratava de marcá-la, apesar de Hinata não ser uma semelhante, a marca irá cicatrizar, ela irá sumir.

Gemeu manhosa, enquanto sentia seu corpo relaxar, dando lugar a breve sonolência. Os lábios de Sasuke encostarem nos seus, fechou os olhos, permitiu-se sentir, novamente, voltou a se entregar para o homem de olhar primitivo.

Sua teoria sobre a resistência dos lobos fora testada, ele demorou a gozar. Foram necessários investidas mais rápidas, movimentos certeiros e mais duas vezes para que o corpo do homem demonstrasse cansaço.

— Tão intenso — ofegou.

— Durma, sei que está cansada, quando acordar ainda estarei aqui contigo pequena... Por isso durma querida.

— Boa noite, Sasuke.

§

A alcateia não a aceitou, foram hostis quando Hinata aproximou-se pela primeira vez, está no segundo mês gestação de um filhote de híbrido.

Por conta dos comentários maldosos, ela se viu obrigada a ficar afastada, morando em uma cabana afastada.

O filhote está a crescer de forma saudável. Como pai, Sasuke, se manteve ao lado de Hinata, como alfa, líder, acabou por concordar com as palavras ditas por seus familiares, apesar de confiar em Hinata. A ajudando quando os enjoos apareceram, caçando para lhe dar a carne de desejo da jovem e aquecendo nas noites frias, para dar a ela calor e carinho.

Seu receio em relação aos humanos continuou, apesar de confiar em Hinata, de confiar na mulher que está a li dar outra esperança. Falta pouco para o nascimento da criança, Hinata já sentia as dores e o lobo ficava angustiado sempre que a escutava chorar. O corpo pequeno se contorcia para frente, as mãos apalparam o útero com frequência, a voz calma se embriagava sempre que sentia a dor aumentar, todavia, da sua forma tentava acalmar o filhote e ao pai que parecia ansioso, nervoso por conta do parto.

Foi a mesma coisa quando sua esposa ficou grávida, agora novamente está a repetir a experiência com Hinata.

Ela se tornou especial, ele sente isso em cada parte de si, cada poro seu deseja que ela não vá. Sentiu-se assim desde que a marcou, quando mordeu a nuca da jovem durante a primeira noite juntos.

Hinata confessou seu amor, disse a ele dois meses depois como se sentia. No exato dia em que teve seu primeiro enjoo, quando desmaiou pela primeira vez.

Uma senhora de setenta anos cuidou de seu corpo adormecido, foi a mesma senhora que lhe deu a notícia a respeito de seu filhote.

Uma enorme onde alegria habitou o seu ser, ela se sentiu completa, apesar de saber que seria temporário. Assim que o bebê nascer deixaria a alcateia, voltaria para casa, aguentaria os olhares acusadores e o castigo que ganharia. Se casaria com o homem indicado por seus pais, mesmo amando Sasuke e ao seu filho, ou filha. Mas o faria com um sorriso no rosto, afinal havia ficado com aquele que ama, teria dado a ele uma lembrança de si.

No momento em a bolsa estourou ela entrou em desespero. A dor ficou mais intensa, partos de lupinos costumam ser rápidos, pois o filhote sabia exatamente o que fazer. A senhora disse que eles costumam ser um pouco mais espertos, apesar de necessitarem de sete meses para serem gerados.

— Menina faça força, ele não sairá sozinho!

Ela gritou. Usando toda a sua força ela tentou fazer o filhote nascer.

Seu peito subia e descia de forma rápida, a mulher a sua frente estava insegura. Nunca havia feito nenhum parto assim, nunca havia ajudado uma humana a por um lobo ao mundo.

Sua mão tremia. Já Hinata só queria se livrar da dor, esperando sempre a contração vir para tentar fazê-lo nascer.

Do lado de fora Sasuke ficava impaciente, a alcateia inteira estava o encarando, escutando os gritos de Hinata. Seu coração estava acelerado, se ela não resistisse iria carregar essa culpa pelo resto da vida.

Dez minutos depois um choro foi escutado, o homem que havia se sentado entre os degraus da pequena cabana se levantou apressado. Abriu a porta sem nem ao menos ser chamado, ganhou um xingo da mulher que segura um menino, de cabelos pretos e olhos claros.

— Sasuke, eu cumpri a minha promessa. — Hinata segurou a criança com cuidado, tocando nos cabelos sujos, sorrindo minimamente.

Seu corpo está cansado, sua mente esgotada. Queria dormir, mas se fizesse perderia o pouco tempo que tem com o filhote.

— Não vou te levar embora. — os olhos cansados o encaram com um pingo de esperança. — Ele irá precisar da mãe, e eu preciso de você também.

— Precisa de mim? — sua voz saiu chorosa.

— Me sinto sozinho sem você por perto. — o homem se pronunciou sem graça. — Já tenho quarenta anos, não sou tão jovem quanto seu antigo noivo, também não sou humano

— Não ligo para a sua idade e nem para o fato de não ser igual a mim, Sasuke, eu te amo por ser quem é! Se é humano ou não tanto faz, se o sentimento for recíproco é o que importa.

Ela era boa com as palavras, sempre sincera, já ele tinha medo de machucar a mulher a sua frente. De ferir aquela quem só quer o seu bem, ele lhe deu esperança e ao mesmo tempo amor.

A dor que ele sentiu duas noites depois que o sol parou de brilhar passou. A dor que a consumiu quando o girassol parou de seguir o responsável pelo calor se foi, as grossas lágrimas se foram.

10 de Maio de 2019 às 01:15 0 Denunciar Insira 0
Fim

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Amaterasu ' Ela queria ser um arco-íris, por isso desejei ser o céu atrás dela.

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