FODA-SE OS CONTOS DE FADAS Seguir história

mmfelisberto M.M. FELISBERTO

Chega de princesas fofinhas e bobinhas, uma aventura cheia de palavrões e personagens totalmente estranhos já conhecidos dos contos de fadas. Algo repleto de comédia estilo Shrek, mas um pouco mais adulto. Banca de neve é uma ágil e astuta ladra do reino encantado. Cinderela é uma valentona musculosa, que não leva desaforo pra casa. Rapunzel uma princesa falida que perdeu seu castelo e vive como uma camponesa hippie. Bela adormecida carrega sua maldição do sono em seus beijos. Ariel, a muda sereia que foi trocada por uma cantora de opera, e agora está sem rumo na vida. Essas cinco princesas fracassadas irão se unir para partir rumo a uma aventura, encontrar um tesouro escondido nas Terras do Nunca. Será que elas vão se dar bem? Quais outras personagens dos contos de fadas irão se intrometer nessa história? ESTA HISTÓRIA CONTÉM PALAVRÕES, CONTEÚDO COM TEOR SEXUAL, É DIRECIONADO PARA MAIORES DE 18 ANOS.


Fantasia Épico Para maiores de 18 apenas. © todos

#fantasia #piratas #magia #aventura #comédia #princesas #contosdefadas #terradonunca #humor #ladras
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BAR E ESTALAGEM DA DOTHY

Era uma vez... — dizia o narrador.


— Era uma vez porra nenhuma, narrador dos infernos, estou farta de vocês fantasiarem os contos de fada. Meu nome é Branca, é.... a merdinha da Branca de neve e os sete anões que esses narradores filhas de uma puta gostam de narrar, toda fofa e cheia de frescuras... Arghn! Chega a dar ânsias. Quem vai contar essa história serei eu, sem rodeios, sem firulas, sem esse papo chato de ERA UMA VEZ, entendeu meu chapa? Ou vou ter que ir aí te dar um soco nessa sua boca mole e quebrar esses seus dentes?


Tudo bem, fique à vontade.


É bom mesmo, então vamos lá contar a história como ela deve ser contada.


Estava galopando em meu cavalo, sentindo a porra da sela assar a parte interna das minhas cochas, mas que merda precisava arranjar calças novas essas que roubei do último palerma que saqueei na vila tinha um tecido muito fino. Carranca estava a todo vapor, é meu cavalo se chama Carranca, está sempre de cara amarrada e faltando boa parte dos dentes, tinha perdido numa briga com uns ogros uns anos atrás, mas é muita coisa para contar agora. Preciso contar o que é importante, saca?


Preciso chegar ao bar e estalagem da Dothy o mais rápido possível, precisava de ajuda para algo que consegui que seria muito lucrativo, e as únicas garotas que podiam me ajudar nessa missão, pelo que me contaram, estavam provavelmente lá.


Avistei depois da colina a chaminé do bar e estalagem, era afastado, um lugar não muito bem frequentado a beira da floresta assombrada, próximo ao cemitério do reino oeste, do palerma do Arthur. Poucos se atreviam a vagar por aquelas bandas, então era o melhor lugar para uma ladra procurada como eu poder parar para descansar e beber algo quente para relaxar, a comida era horrível, a cozinheira de Dothy era uma negação, vivia queimando o pão e esturrando os cozidos, mas se colocasse um pouco de pimenta dava para encarar, claro, se estivesse com muita fome.


Desmontei sem muita demora e atrelei Carranca a um cepo próximo a entrada, e entrei como de costume, metendo o pé na porta.


E ai barangada do meu coração. — Desviei de uma caneca de cerveja que passou zunindo por minha orelha direita e estatelou com estrondo no batente da porta.


Vá pro inferno Branca — dizia Cindy com seu costumeiro mal humor.

Cinderela sempre estava de mal humor. Não que ela fosse a única.


E aí Cindy ainda chateada com a vida?


Sempre vaca. — Cuspia Cindy ao chão. — Me vê outra caneca de cerveja Dothy porque aquela já era... errei a vaca da Branca de novo. — Sorria divertindo-se a acenar para Dothy no balcão.


Você precisa controlar seu mal humor Cindy ou não terei canecas o suficiente para meus clientes — repreendeu Dothy.


Vá a merda, foda-se, me vê outra caneca. — Esbravejava ela, a bater com seu punho sobre a mesa, podia ver cada músculo de seus braços musculosos se contraírem, daria medo a qualquer um, mas não a mim, já estava acostumada com o seu temperamento explosivo.


Ainda está chateada com sua fada madrinha Cindy? — falei descontraidamente, puxando um banco próximo ao balcão e me sentei. — Ainda não a encontrou?


Não — respondeu bufando, puxando a nova caneca de cerveja que Dothy havia trazido. — Aquela puta gorda! Juro que quando a encontrar vou enfiar a porra dos saltos daqueles sapatos de cristal nos olhos delas, para ver se aprende a fazer as coisas direito, por que ela não me ouviu, eu não queria ir naquele maldito baile, e ainda me vestiu como uma princesinha mimada. Ah! Se eu encontrar ela juro que acabo com a raça daquela fada idiota. Tudo porque eu disse que o príncipe não era de se jogar fora, ela me fez ir naquele inferno de baile e ter que aturar aquele, almofadinhas, fresco.


Ah! Mas, você não perdeu tempo não é colega, na primeira oportunidade trocou o príncipe pelo cavalariço.


Troquei mesmo e ele fodia muito melhor que o pateta do príncipe. — Sorria Cindy satisfeita. — Pena que não durou. — Franziu o cenho e voltou ao mal humor costumeiro. — peguei ele de gracinhas com a cozinheira do castelo, aquele porco, mas não deixei barato, o piquei em pedaços e moi cada pedaço de carne para recheio de linguiça, achei digno para um porco. Dei para a prostitutazinha cozinhar e servir no jantar. — Gargalhou satisfeita.


Já tinha ouvido aquela história por cima, mas agora chegava a dar medo da Cindy, mas bem era como ela era, uma piranha desalmada, que seja.

Dothy depositou um caneco de cerveja a minha frente, mas antes que pudesse apanhá-lo uma corda de palha trançada, ou algo parecido se enroscou na alça e foi puxado para longe. Virei indignada e me deparei com Rapunzel, nossa fazia anos que não a via desde do último baile quando ainda era casada com o encantado.


Seus cabelos estavam embaraçados cheios de dreads grossos e sujos, como se não vissem um pente a anos, muito diferente da antiga Rapunzel cheia de longas tranças, usava uma roupa rota e remendada de camponês, e estava com uma cara de quem estava completamente bêbada.


E aí Zelzinha como anda a vida colega? Faz anos que não a vejo.


Uma droga — dizia molemente, puxando a tira de cabelo para trazer o caneco mais para perto, com dificuldade devido a visível embriagues.


Como andam as coisas no seu castelo?


Que cas.... hic .... te.... hic... lo? Aquele... hic... idiota do meu príncipe... hic... perdeu tudo na... hic... última batalha inútil dele... hic.... Agora moramos em um casebre no campo... hic... tendo que ordenhar vacas e plantar nabos.... hic.... tenho vontade de enfiar os nabos... hic.... no cu dele.... hic isso sim. — Tentava contar ela, mas com aqueles soluços era difícil.


Mas o que aconteceu com seus cabelos? Estão um horror.


Agora... hic... não tenho mais serviçais... hic... para penteá-los.... hic... com o trabalho da fazenda e aquelas... hic... crianças melequentas.... hic... a me encher... hic... não sobra tempo.... hic.... — contava ela enquanto coçava o topo da cabeça e retirava um piolho. Eu posso... hic... conviver com os nós.... hic... mas os piolhos são de matar... hic.... — informava a estourar o gordo piolho sobre o balcão com a unha do dedão.


Senti nojo e sabia que estava fazendo careta também.


E por que não corta tudo isso não seria mais fácil? — questionei ela.

E adianta?... hic.... essa porra é pior... hic.... que erva daninha... hic.... não para de crescer... hic.... — disse-me antes de sumir detrás da caneca em um demorado gole de cerveja.


Aqui está Branca sua cerveja. — Depositou Dothy um caneco a minha frente.


Obrigado! Dothy — disse a ela apanhando o caneco, ela me respondeu com um sorriso, que logo se transformou em uma cara de espanto ao encarar algo no chão atrás de mim.


Aquilo é um fêmur? Totó! — berrou ela para um cãozinho ao chão, que arrastava um largo osso com dificuldade a boca, atravessando o bar. — Eu já lhe disse para não violar túmulos do cemitério atrás de ossos, isso dá má sorte. Cãozinho mal, muito mal.


Totó sendo totó, sorri achando engraçado como sempre.


Agora descansada com minha cerveja na mão pude analisar melhor a clientela do bar naquela tarde. Um bando de cinco ladrões de baixo nível a direita, deviam estar combinando o próximo furto, pois, pareciam concentrados na conversa, estava acostumada com essas coisas, já a tinha feito muitas vezes. Dois homens nobres encapuzados, era fácil notar a capa de boa qualidade bordadas a mão, que pareciam estar tendo um encontro romântico, pois estavam de mãos dadas e se acariciando por debaixo da mesa. Uma garota de volumosos cabelos castanhos estava a beijar um rapaz que parecia estar bêbado e inconsciente, porque pendia molemente na cadeira encoberto pela juba da garota. E olha quem estava lá! Ariel, minha ex-cunhada, de cabeça baixa encarando o tampo da mesa, fazia meses que não tinha notícias dela desde que fugi do castelo de meu ex-marido.


E aí ruivinha, como você anda cunhadinha? Ariel?


A jovem garota ruiva levantou a cabeça com a cara chorosa e me encarou arregalando os olhos. E começou a gesticular com os braços freneticamente enquanto mexia a boca sem produzir som algum. Eu entendia os gestos já estava acostumada com aquela garota muda, mas precisava me aproximar para compreendê-los melhor. Sentei ao seu lado.

— Hum entendo, aquele idiota fez isso, não acredito? — dizia para ela abismada ele te trocou por uma cantora de ópera, que falta de consideração, e você abriu mão de sua voz para ficar com aquele paspalho imbecil!


Ela assentia com a cabeça chorando, em seguida começou a golpear o tampo da mesa com a testa repetidamente.


— Calma cunhadinha não fique assim, ele não merece isso.


— BUUUUURP.... — Arrotou Cindy de forma grotesca levantando-se. — E você vaca, andei sabendo que também não deu certo com aquele seu príncipe encantado, e aí também tinha rola pequena como o meu e não sabia foder gostoso? — perguntou Cindy, sentando a minha frente do outro lado da mesa.


— Ele era um idiota doente, gostava de necrofilia ou algo do tipo, sempre me pedia para me fingir de morta toda vez que íamos transar, mandei ele para a puta que pariu.


— Então foi aí que decidiu trocar ele pelos anões não é mesmo — disse-me ela dando uma piscadela — andei ouvindo uns boatos.


Gargalhei incontrolavelmente.


— Ah! Tempos bons aqueles, nunca me diverti tanto — contei satisfeita — pena que eles não gostaram muito quando fugi com o cavalo cheio de bolsas de pepitas de ouro e pedras preciosas, ficaram meio furiosos. Devem estar me procurando até hoje.


— Você é das minhas, vaca, uma vadia sem coração.


Gargalhamos juntas.


— Eu entendo, me identifico com seu príncipe, Branca, sei bem como é sempre tentar transar com defuntos ou quase isso — disse a garota de cabelos volumosos da mesa ao lado.


— E aí Bela, não tinha percebido que era você aí — disse a ela — ainda com aquele probleminha dos beijos.


Ela cutucou seu companheiro que estava adormecido com a boca entre aberta com metade da língua de fora a babar, ele escorregou para o lado e tombou ao chão.


— O que você acha? — questionou ela, a encarar o grandalhão adormecido esparramado a roncar. — E mais um que vai dormir por cem longos anos. Que bosta de maldição.


— É, concordo Bela — afirmei pesarosa, observando Cindy e Ariel assentirem com um gesto de cabeça, concordando.


— Bem a acho que foi uma sorte encontrá-las todas aqui, estou precisando de ajuda feminina para uma tarefa um tanto lucrativa — informei a elas sem rodeio, não tinha tempo a perder — e até Ariel aqui foi um achado porque sereias são nosso principal problema.


Ariel me encarou curiosa ou até devo dizer espantada.


— Como assim vaca, o que está tramando dessa vez? — perguntou Cindy interessada, meio desconfiada.


— Eu estive na cidade portuária há uma semana, e acabei topando com capitão Gancho e seus marujos. — Todas me olharam espantadas ao ouvir o nome de Gancho, afinal era um dos piratas mais temidos por aquelas redondezas e ninguém se atrevia se meter com ele. — Calma eles não me notaram, acabei ouvindo uma conversa interessante sobre um tesouro perdido muito valioso, que pode fazer qualquer um se aposentar para o resto da vida, garantido uma boa vida por gerações.


— Interessante, conte mais.... hic.... — falou Rapunzel se aproximando cambaleante e sentado muito próxima, aquilo me causou desconforto, não queria que um daqueles piolhos mutantes saltassem para minha cabeça.


Continuei:


— Gancho contava que o mapa que eles acharam em um baú, na terra do nunca, detalhava um local escondido debaixo d'água, em uma caverna subterrânea, guardado por sereias. Bem pelo que ouvi a dificuldade deles era que sereias encantam homens e não deixariam que eles chegassem perto para afanar o tesouro. Aí é que nós entramos.


— Pelo que entendi vaca, você precisa de mulheres para essa tarefa que não seriam afetadas pelo canto das sereias, assim conseguiriam chegar mais fácil até o tesouro concluía Cindy pensativa.


O grupo de Ladrões no canto do bar começaram a gritar uns com os outros e se soquear. Cadeiras começaram a ser arremessadas, estava se tornando um tumulto. Nos abaixamos.


Um tiro estrondoso e alto foi proferido, acertando a parede, fazendo estilhaçar a madeira voando pedaços pelo ar. Passando a poucos centímetros da cabeça de um deles.


— Eu já falei que não quero confusão no meu bar! — bradava Dothy autoritária para eles, segurava um rifle muito maior do que seu braço e mirava ameaçadoramente para o grupo.


Eles pareceram entender seu recado porque abaixaram a cabeça acatando a ordem, arremessaram moedas sobre a mesa, e saíram porta a fora, deixando o lugar tranquilo novamente.


— Desculpa meninas, as vezes isso acontece, mas nada que meu queridinho aqui não resolva — dizia-nos ela, acariciando o rifle e devolvendo para o suporte na parede atrás do balcão.


— Então você precisa de nossa ajuda para conseguir executar seus planos — falava Bela, analisando as informações olhando para o teto. — Porém, o mapa em questão está com o Gancho, como pretende consegui-lo?


Sorri para ela, enquanto retirava um rolo de papel da parte interna de meu casaco de couro.


— Você acha que iria falar tudo isso para vocês se já não tivesse afanado o mapa? — O abri e estiquei sobre a superfície da mesa, um mapa repleto de desenhos de ilhas da terra do Nunca e um X no centro do oceano, com as coordenadas de latitude e longitude, indicando a localização exata do tesouro. — Até parece que não me conhece Bela, sou a melhor ladra do reino encantado.


— Vaca esperta. — Sorria Cindy ambiciosa.


— Não vou negar.... hic.... que uma.... hic.... fortuna cairia muito bem..... hic.... estou farta.... hic.... de ver tetas de vacas e plantar.... hic.... aqueles malditos nabos.... hic.... — afirmava Rapunzel balançando a cabeça, em seguida sumindo detrás do caneco novamente.


Ariel começou a gesticular com as mãos.


— Onde você entra em tudo isso Ariel? Afinal você ainda é parte sereia, pode não conseguir falar, mas pode nos dizer o que as sereias falarem na sua língua natal e essas inscrições aqui no mapa, são em sereiano não? — falei a ela e apontei para um trecho do mapa.


Ela sorriu e arregalou os olhos animada, balançando a cabeça concordando.


— Vocês aceitam embarcar nessa aventura comigo? — perguntei a elas.

— Bem vaca, não tenho nada melhor pra fazer, estou dentro — respondeu Cindy.


— Vamos lá — confirmou Bela.


Ariel confirmou com um aceno afirmativo de cabeça entusiasmado.


— Será como.... hic... umas férias.... hic.... estou dentro. — falou Rapunzel.


— Então que comece nossa aventura. — Ergui o caneco de cerveja em um brinde, como a selar um pacto. — Vamos ficar ricas.


— Ricas! — Brindamos todas, derramando cerveja sobre a mesa.

9 de Maio de 2019 às 07:43 0 Denunciar Insira 2
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Conheça o autor

M.M. FELISBERTO Aspirante a escritor que não sabe pra onde vai. Gosto de escrever sobre fantasia. Construir estórias repletas de aventuras com demônios, bestiais, mitologia, magia, mortes sangrentas e sexo. Gosto de ler tudo, pois, ler revigora a alma.

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