Insanire (INSANIDADE) Seguir história

fernando-camargo1554138998 Fernando Camargo

Após a morte repentina do esposo, Sueli começa a falar sozinha e a ter comportamentos estranhos. Até que os filhos decidem coloca-la em um hospício.


Conto Todo o público.

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Insanire (INSANIDADE)

- Tirem-me daqui, seus filhos da puta! – Gritou Sueli, de quarenta e cinco anos, careca e magra de ver ossos e com olheiras profundas. Ela estava sozinha em uma sala, vestida com um macacão verde musgo e envolvida em uma camisa de força, Sueli era considerada louca. Viúva e mãe de quatro filhos, viu o marido morrer de um ataque cardíaco enquanto discutia com um vizinho por causa de uma vidraça quebrada por um de seus filhos. O coração do marido, fraco, não aguentou e ele veio a falecer. A cena foi chocante demais, assistida pelo resto da vizinhança e comentada aos quatro ventos pelas almas desavisadas.

E assim começou o calvário de Sueli, tendo alucinações e conversando solitariamente com as paredes. Diversas foram as vezes em que um dos filhos entrou no quarto e pegou a mãe sentada na beirada da cama, de sorriso no rosto, penteando os cabelos, conversando com alguém que não estava lá. Ela não tinha essa coisa de mediunidade, ou se tinha esse poder, nunca tocara no assunto diante de amigos e familiares.

Meses foram passando e a situação foi só piorando. Sueli começou a ser vista vagando pelas ruas, vestida num pijama azul claro, toda urinada e melada em fezes, ela sorria quando via algum conhecido. Ela parecia não se importar com aquilo. Estava maltratada e judiada. Os filhos tentaram em diversas ocasiões levá-la ao hospital, a princípio para exames, depois para um tratamento psiquiátrico, porém, em todas as oportunidades ela recusava, afirmando estar bem de cabeça e de saúde.

No entanto todos sabiam que Sueli não estava bem. Que perambular por ruas escuras e perigosas, de pijama e suja com suas necessidades, não era normal; muito menos falar sozinha com as paredes em conversas que poderiam durar um dia inteiro, com direito a discussões acaloradas de uma só pessoa.

O jeito seria internar. Os filhos decidiram por um hospício no interior da cidade, localizada a pouco mais de cem quilômetros. Um lugar onde ela seria tratada, recuperada, e poderia voltar ao aconchego do lar, bem, de saúde e restabelecida.Eles conversaram bastante buscando compreender as razões para essa mudança tão drástica no comportamento da mãe. Para alguns a morte do pai, tão repentinamente, somado ao stress do trabalho eram os fatores determinantes para tal distúrbio. Já outros garganteavam aos quatro ventos que o problema dela era percebido havia muito tempo, mas com a morte do marido o caso tornou-se de vez preocupante.

Estava chovendo e caindo raios quando a ambulância do hospício estacionou na porta da casa. Quatro homens fortes vestidos de branco desembarcaram do veículo, um deles carregava uma maleta de cor escura, os outros três eram os responsáveis pelo serviço sujo. Sueli almoçava ao lado dos quatro filhos quando a campainha tocou. Suas mãos começaram a tremer e uma fina gota de suor escorreu por seu rosto. Um dos filhos levantou-se e dirigiu-se a porta; foi nesse momento que Sueli começou a gritar e a atirar coisas nos homens de branco. Pratos, copos, tudo o que estava ao seu alcance era arremessado.

Depois de muito tempo Sueli foi vencida por uma agulha, uma injeção de calmante foi aplicada a duras penas por um dos enfermeiros. Em seguida ela foi colocada em uma maca, amarrada pelos pés e mãos. A vizinhança em peso assistiu de camarote aquele episódio deprimente, onde uma mulher indefesa, doente mentalmente seria jogada aos leões e provavelmente não voltaria mais para casa; e caso isso acontecesse, ela regressaria pior do que estava.

E não adiantou muito. Na clinica psiquiátrica Sueli tornou-se violenta, atacando e ferindo desde pacientes até funcionários, o jeito seria coloca-la em isolamento e deixa-lá por lá até acalmar os nervos.

E assim foi feito, num inicio de tarde, logo após as refeições, Sueli foi surpreendida pelas costas por um exército de enfermeiros, amarrada e amordaçada foi levada a uma sala minúscula, de paredes brancas e acolchoadas, com uma janelinha pequenina onde um mínimo sopro de esperança pudesse entrar ali. E ali ela permaneceu, metida numa camisa de força, sem querer se alimentar, triste pela vida perdida e magoada com os filhos.

3 de Maio de 2019 às 19:33 3 Denunciar Insira 120
Fim

Conheça o autor

Fernando Camargo Escrevo desde os oito anos de idade, culpa da professora de português. De tanto gostar de fazer isso (escrever), resolvi estudar jornalismo. Formado, atualmente eu passo meus dias a criar personagens e novas histórias.

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Karimy Karimy
Olá! Escrevo-lhe por causa do Sistema de Verificação do Inkspired. Caso ainda não conheça, o Sistema de Verificação existe para ajudar os leitores a encontrarem boas histórias no quesito ortografia e gramática; verificar sua história significa colocá-la entre as melhores com relação a isso. A Verificação não é necessária caso não tenha interesse em obtê-la, então, se não quiser modificar sua história, pode ignorar esta mensagem. E se tiver interesse em verificar outra história sua, pode contratar o serviço através do Serviços de Autopublicação. Sua história foi colocada em revisão pelos seguintes apontamentos retirados dela: 1)Acentuação: "coloca-la" em vez de "colocá-la"; "Diversas foram às vezes" em vez de "Diversas foram as vezes"; "nunca tocará" em vez de "nunca tocara"; "leva-la" em vez de "levá-la"; "clinica" em vez de "clínica". 2)Pontuação: falta de vírgula em vocativos, como "Tirem-me daqui seus filhos da puta" em vez de "Tirem-me daqui, seus filhos da puta"; "Viúva e mãe de quatro filhos viu o marido morrer" em vez de "Viúva e mãe de quatro filhos, viu o marido morrer"; "porém, em todas as oportunidades ela recusava" em vez de "porém, em todas as oportunidades, ela recusava" 3)Verbo: "Diversas foram às vezes em que um dos filhos entrava no quarto e pegava" em vez de "Diversas foram as vezes que um dos filhos entrou no quarto e pegou a mãe". Obs.: os apontamentos acima são exemplos, há mais o que ser revisado na história além deles. Aconselho que procure um beta reader; é sempre bom ter alguém para ler nosso trabalho e apontar o que acertamos e o que podemos melhorar, assim como ajudar-nos com a gramática e a ortografia. Caso se interesse, esse recurso também é disponibilizado pelo Inkspired através do Serviços de Autopublicação. Além disso, também temos o blog Tecendo Histórias, que dá dicas sobre construção narrativa e poética, e o blog Esquadrão da Revisão, que dá dicas de português. Confira! Bom... Basta responder esta mensagem quando tiver revisado a história, então farei uma nova verificação.
5 de Maio de 2019 às 08:40

  • Fernando Camargo Fernando Camargo
    Alterações realizadas 5 de Maio de 2019 às 17:22
  • Karimy Karimy
    Olá, Fernando Camargo! Escrevo a você mais uma vez para dizer que outra verificação foi feita no seu conto, mas encontrei algumas coisas que ainda precisam de um olhar mais atento: algumas especificadas no meu primeiro comentário, como pontuações; outras que foram revisadas de forma desatenta, como no caso do meu apontamento 2 que diz para mudar para "porém, em todas as oportunidades, ela recusava", mas que foi modificado erroneamente para "porém, em todas as oportunidades ela, recusava" (dessa forma, o sujeito foi separado do verbo). Além disso, há outras coisas que não foram especificadas no meu primeiro comentário, como dito em "os apontamentos acima são exemplos". Recomendo que considere a possibilidade de contratar um Beta Reader do Inkspired. 11 de Maio de 2019 às 19:28
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