O astronauta e a borboleta Seguir história

dcsales Danieli Sales

A difícil infância no orfanato o levou ao crime. O recomeço o levou a guerra. A semelhança com o inimigo, a se passar por ele, e a chance de finalmente ter uma família.


Romance Romance adulto jovem Todo o público.

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Prólogo da dor

Uma batida na porta. Sob a chuva, ela a abre mesmo sem estar preparada. Ao invés de encontrar o marido que fora para a guerra, cerca de oito meses antes, tudo o que recebe é um telegrama. Eram notícias do desaparecimento do marido em combate. Lágrimas de tristeza desceram rosto abaixo.

Sentiu-se a cinco passos do precipício, apesar de ela sentir que não eram tão distantes assim. Olhou para seus dois meninos que brincavam dentro de casa, e do outro, não se sabe se menino ou menina que ainda estava por nascer. A dor tentava dominá-la, ela deveria ser forte. Sem outra escolha ela deveria seguir em frente.

A dor da morte do marido não era a única fatalidade que aguardava horas intermináveis. Os inimigos haviam avançado as fronteiras e agora estavam às portas da sua casa. Fugir era a única opção, pois os inimigos destruiriam tudo o que vissem pela frente.

Ao longe, não tão distantes assim, era possível ouvir tiros e granadas, fogo e chamas. Não havia outra opção que não fosse levar seus filhos, gêmeos idênticos, para longe da cidade. Um de seus filhos ela encontrou facilmente, quanto ao outro, buscou-o dentro de seu guarda roupa, seu esconderijo favorito, mas ele não estava lá. A mãe correu desesperadamente pela casa, mas ele não estava em nenhum dos cômodos. Chamava-o, mas o garoto de apenas quatro anos não respondia.

Não havia tempo para salvar nada além de suas vidas. Assim a mãe segurou seu filho, procurando desesperadamente encontrar o outro filho do lado de fora da casa. Outros tentavam levar seus pertences atrasando-se. A vizinha era uma dessas que tentava em vão carregar uma pesada mala de um lado e a filha de seis anos do outro.

Tiros próximos começaram a ser disparados. Os moradores começaram a correr ainda mais depressa com a proximidade dos soldados inimigos. Um tiro atingiu a vizinha que caiu no chão ensanguentada, junto com ela sua mala. Com lágrimas nos olhos a vizinha olhou para a filha e percebeu que em seus olhos havia estilhaços de bala, o remorso encharcou sua alma.

— Salve minha filha! – e continuou agonizando a vizinha.

Não havia tempo para lamentar. Olhando para o filho que lhe restara pediu que ele segurasse sua mão e por nada soltasse. Com sua outra mão segurou a filha da vizinha que ainda não entendera o que aconteceu com a mãe ou mesmo com seus olhos e porque eles doíam tanto. O filho sumido apareceu na multidão. A mãe implorou que ele segurasse na mão de seu irmão e que por nada soltasse.

Ao ver as tropas aproximarem-se, a mãe dos gêmeos assustou-se. Mas percebeu que eram as tropas aliadas. Um soldado indicava o caminho até um navio de carga. Distanciando-se da cidade, em águas pouco mais seguras, ela olhou para os filhos e percebeu novamente que um deles não estava lá.

E começou a procurá-lo dentro do navio, chamando por nome. Mas o pequeno não estava a bordo. Aproximou-se da proa do navio. Olhando para a guerra deixada para trás, percebera que o filho também fora deixado. Num esforço em vão desejava pular do navio em busca do filho perdido em meio à guerra. Voltando a razão entre lágrimas, ela percebeu que mais um pedaço de si se fora para sempre.

Uma dor infernal, a bolsa rompeu-se seu terceiro filho nasceria naquele dia de morte e lágrimas. Sem outra escolha, ela precisava dar à luz enquanto parte de sua luz ficara para traz.

7 de Abril de 2019 às 05:35 1 Denunciar Insira 120
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Danieli Sales Danieli Sales
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8 de Abril de 2019 às 21:27
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