Senhor da Guerra Seguir história

indrakimura Amaterasu '

Por conta de seus cabelos, os fios avermelhados herdados de seu bisavô, Park Jimin acabou sem amigos. Tudo por ser descendente de um tirano, alguém desumano, sem coração, ser parente do primeiro “Senhor da Guerra” se resumia a solidão.


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#medieval #jimin #jikook #kookmin #MNHouseMedieval
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Guerra e Bondade

Historia também postada no SocialSpirit. Revisão não feita por mim, os créditos pertencem a beta e não a mim. Caso queria encontrar o responsavel basta pesquisar @Trivia- ou o projeto, para qual a história foi escrita.

§

— Por favor, não se mexa, seus pontos irão abrir de novo. — Jimin tentou fazer o homem continuar deitado. — Por Deus, homem, não se mexa.

Suspirou cansado, passou as últimas noites cuidado do homem que queimava em febre, delirante, escutou-o falar sobre coisas ilógicas, sussurrando sobre seu passado. Assustou-se ao escutá-lo gritar no meio da noite, clamando para alguém ficar, pelas lágrimas e soluços, a voz embriagada e pela forma como segurou Jimin, deu a entender a importância da pessoa para o homem, que o forçou a dormir consigo aquela noite; todavia, Jimin, não pregou os olhos, temeu o retorno da febre.

Apesar de sentir curiosidade em saber o motivo do choro, a razão para as lágrimas abundantes.

— Preciso ir, deixe-me! — sua voz soou rude, como se os toques de seu “salvador” o incomodassem, como ter um homem o tocando o irritasse.

— Por favor, fique, pelo menos até que a ferida se cure — disse, apontando para o corte no abdômen do homem envolto em tiras brancas e limpas de tecido.

O guerreiro torceu o nariz não acreditando nas palavras do camponês, no homem que o acolheu e cuidou de si, sem nem ao menos esperar algo em troca. Em tempos de paz acreditaria nas palavras do homem, na sinceridade de seus atos, mas agora… Os tempos mudaram, bondade é algo inexistente no campo de batalha, todos almejam somente uma coisa: a vitória. Como? Isso não importa, somente emergir triunfantes é o que importa.

Coisas como bondade são somente fachada, as pessoas querem somente as cabeças uma das outras, coisa como amor não existe, entenda: vencer a guerra é a única coisa importante para um “Senhor” — recordou das palavras de seu antigo mentor, palavras tão sábias quanto às palavras dos antigos profetas.

Seu pai era um homem sábio, nunca faz ou atacou ninguém em motivo, um excelente guerreiro e um magnífico pai. Orgulhava-se de seu progenitor, pois mesmo atarefado, ocupado com outras coisas, sempre tirava um tempo para o filho, para o seu futuro sucessor.

— Dê-me um bom motivo para não pegar minha espada e cravá-la em seu peito. — Levantou-se caminhando até a espada próxima à pequena mesa. Onde seu escudo, armadura e vestes encontram-se lavados e dobrados.

Sua nudez não parece incomodar o homem, que tenta se levantar; as roupas rasgadas e a deformidade em sua perna, impedem-no de andar com perfeição.

Jimin caminhou vacilante até a espada, entregando-a ao homem, que suspirou desgostoso — mas aliviado —, deu três passos e voltou a deitar sobre a cama improvisada.

— Irei te costurar novamente, a ferida abriu, tenho de aproveitar enquanto os demais pontos encontram-se inteiros. — Pegou o pote e a agulha velha, a linha não é a usada por médicos e curandeiros, mas era a única que tinha.

Ninguém lhe daria outra, muito o ajudará a cuidar do homem, era mais provável causarem feridas em si ao invés de ajudá-lo.

— Obrigado.

— Não me agradeça, somente fiz o que qualquer outra pessoa teria feito. — Sorriu, como se estivesse dizendo o óbvio.

— Não, ninguém teria parado para ajudar um guerreiro, teriam continuado sua vida, seu caminho como se nunca nem ao menos tivessem me visto — pronunciou-se sincero. — São tempos de guerra, a chance de eu ser guerreiro do reino inimigo, ou até mesmo um ladrão, alguém com más intenções, faz com que pessoas neguem a ajudar alguém como eu.

As falas do homem deixaram Jimin abatido, nunca negaria ajuda a alguém, é incapaz de deixar um animal ferido, imagina um semelhante? Alguém, igual a si por dentro, largá-lo à própria sorte, era o mesmo que cravar uma lâmina em seu peito.

O desconhecido fora encontrado por si há três noites, o trabalho nos campos terminou tarde, forçando o garoto de dezenove anos se aventurar sozinho pela trilha. Estava exausto, a cicatriz em sua perna latejava, impedindo-o de andar rápido, seus passos eram lentos, houve momentos em que arrastava a perna, tentando caminhar o mais ligeiro para a pequena cabana. Estava cansado, a colheita não estava boa, alimento estava a faltar em algumas casas e vilas.

Contudo, a esperança de que a plantação se salvasse ainda era grande, as pragas estavam menores este ano, só a ausência das chuvas deixava os pequenos agricultores preocupados.

Havia pedido para um de seus companheiros o ajudar com os fardos pesados, todavia, fora ignorado, forçando o corpo esgotado a realizar uma dura tarefa. As feridas em seus dedos e os calos em sua palma foram o resultado de uma tarde longa, exaustiva, os pequenos cortes em suas costas ardiam devido ao suor. As vestes brancas encontram-se sujas, os cabelos oleosos e a pele ressecada. Pensou em convidar um de seus colegas, mas ao recordar-se da forma como o afastam desistiu.

Seus companheiros de trabalho tinham receio em ficar perto de si, os cabelos avermelhados eram os responsáveis pela sua falta de amigos, pela forma como é tratado.

A guerra lhe roubou bem do que sua família e amigos, como também o fez ser temido, ignorado, deixado de lado pela maioria dos moradores, que somente após anos finalmente se acostumaram com sua presença. Jimin é descendente do primeiro Senhor da Guerra, dono da fortaleza de “Ferro”.

Isso fez com que seu clã fosse temido, muitos tinham medo, receio em relação à família de Jimin, apesar de terem se passado mais de cinquenta anos desde a queda do clã, quando os quatro reinos lutaram contra os autointitulados “Lordes da Rosa Negra”.

A fortaleza, considerada impenetrável por seu construtor, caiu após seis longos meses de combates. O clã fora destruído, somente poucos sobrevieram, os avós de Jimin foram um dos poucos sortudos a escapar da fortaleza com vida quando os demais clãs atacaram, trazendo consigo caos e destruição.

Jimin fora o quarto filho de sua mãe, o único a nascer com os fios avermelhados. Sua mãe fora feliz em seu casamento até o nascimento de Jimin, quando seu caçula nasceu antes do previsto, trazendo à tona um passado há muito esquecido.

A mulher foi forçada por seu companheiro a abandonar o recém-nascido na floresta, era isso ou o marido a denunciaria e os remanescentes do clã que moravam no vilarejo. Sua escolha foi seguida pela lógica, pois seu coração clamava para manter o recém-nascido ao seu lado, dando a ele todo amor existente em seu coração.

Todavia, seu marido jamais permitiria colocar a vida de seus três filhos e de seus familiares estava fora de questão, mas, ao mesmo tempo, não podia abandonar seu caçula. O bebê que nascera tão pequeno que sumia em meio aos panos que o cobriam.

A floresta escura foi o lugar escolhido por sua mãe. Em um pequeno cesto, em um lugar pouco movimentado, Jimin foi deixado por sua mãe.

[...]

— Onde esteve? — questionou.

— Fui trabalhar.

— Pensei que a época da colheita tivesse passado.

— Aqui ainda não, devido ao clima estranho começamos a plantar um pouco tarde, uma parte que fora plantada na época certa já foi colhida. — Caminhou até a pequena jarra, enchendo o copo simples com o líquido transparente. — Agora, precisamos limpar o campo e deixá-lo pronto… — não terminou a frase. Resmungou de dor, sua cicatriz voltou a doer.

Sentou-se na cadeira rústica, a madeira velha e gasta pertenceu à senhora que o criou. Fora ela quem o encontrou, a pessoa que lhe deu amor e carinho até seus quinze anos, quando faleceu devido à idade avançada.

Uma senhora bondosa, diga-se de passagem, nunca se incomodou com os comentários a respeito dos fios vermelhos de Jimin, pelo contrário, achava o menino belo por conta das cores confusas existentes em seus fios. Os olhos que a encarava com tanta devoção, o fato de ser descendente de um antigo Lorde da Guerra a deixava nostálgica, recordava-se de sua juventude, quando jurou amor ao um dos maiores carrascos do antigo Lord. Seu melhor amigo e eterno amor.

— Deixe-me ver. — Levantou-se, encarando o garoto que resmungava, pedia para deixar quieto que logo passava. — Se não é nada, deixe-me ver!

— Não mostrarei minha parte íntima na frente de alguém que nem ao menos sei o nome… — sussurrou, tentando não demonstrar desconforto.

— Já me viu nu outras vezes, até mesmo minhas partes íntimas, não entendo o porquê da vergonha.

— É diferente… Só é diferente, senhor que não sei o nome.

— Jungkook, meu nome é Jeon Jungkook, agora que sabe meu nome, deixe-me ver a ferida. — Jimin bufou e tentou ficar de pé, equilibrando-se com a ajuda do tórax de seu antigo desconhecido.

Jungkook sentiu um forte nó em sua garganta ao ver a ferida na perna de Jimin, no corte mal cicatrizado. Irritou-se ao imaginar alguém ferindo um ser tão gentil, que lhe cedeu a cama para descansar. O jovem divide a pouca comida que tem consigo, dando a ele as melhores partes de seus pães e frutas, os tecidos usados para tratar de si são lavados diariamente pelo ruivo, que checa sua temperatura e ferida várias vezes durante a noite.

Passou-se mais de uma semana desde o incidente, quando foi traído e ferido por seu irmão, largado à própria sorte em um vilarejo simplório, sem muitos recursos. Pensou que fosse morrer, que a ferida o mataria ou um dos ursos que habitam as florestas.

Somente pensou, pois em meio aos delírios recorda-se de ver uma cabeleira avermelhada.

O Park pensou em formas de contar a verdade a Jungkook sem assustá-lo, nunca esteve próximo a ninguém. Não tem amigos e nem conhecidos, a única vez que tentou aproximar-se acabou por adquirir uma cicatriz.

Muitos alegaram, disseram que foi somente um acidente, contudo, a profundidade do corte fez com que o jovem tivesse dificuldades em caminhar, sentindo dores em determinadas épocas, em outras somente desconforto. O processo de cicatrização fora lento, passou dias em cima de uma cama, tomando cuidado para os pontos malfeitos — a vista da senhora que cuidava não era muito boa, todavia, ela deu seu melhor para estancar o sangramento e evitar um cenário pior.

— Como isso aconteceu? — Jungkook questionou.

O homem tentou manter o tom de voz neutro, mas sentia seu sangue ferver em suas veias, sabia da maldade com as pessoas descendentes do primeiro Senhor da Guerra, mas jamais passou por sua cabeça encontrar pessoas capazes de ferir um menino tão doce quanto Jimin.

— Foi um acidente. — Sorriu.

— Acidentes não causam cicatrizes assim — disse entre dentes. — Jimin, você poderia ter ficado aleijado, como isso aconteceu? — Irritou-se ao imaginar alguém o ferindo.

Pessoas são horríveis, principalmente quando são movidas pelo medo — recordou-se das palavras de seu progenitor, o responsável pela queda dos “Lordes da Rosa Negra”. Antigo Senhor da Guerra e pai de Jungkook, que recebeu o título do pai.

— Não me lembro direito, ainda era somente uma criança, a senhora que cuidou de mim quem deu os pontos. — Sorriu ao recordar-se da forma como ela zelou por si. — Passei dias deitado, quando me recuperei fiquei manco e com essa cicatriz. — Tocou na extensão do corte. — Ela não tinha uma visão boa, mas se esforçou na hora de dar os pontos, até que ficaram bons!

Torceu o nariz em sinal de desaprovação, irritado levantou-se, jogando Jimin sobre seus ombros o levou até a cama, deitando-o sobre o canto da parede, para impossibilitar sua fuga. Os dedos grandes e calejados, devido ao manuseio constante de espadas e lanças, começaram a massagear a perna do garoto, tocando no músculo ferido, com cuidado, pressionou pontos específicos.

Tentou aliviar a tensão existente, o desgaste físico era o responsável pelas dores em sua perna, não pode ficar muito tempo de pé e nem forçar-se a caminhar rápido, isso causa dor, desconforto. Mas ficar em casa, viver de esmola e caridade, não é uma opção, pois primeiramente, ninguém cuidaria de si; não lhe dariam nem ao menos uma moeda de prata ou um pedaço de pão velho. Somente sentariam próximo às tabernas e observariam Jimin definhar em vida.

Quando fora encontrado, os moradores temeram a ira do falecido Lorde, afinal, foram ordenados a delatar e entregar todo e qualquer descendente, entregá-los vivos, de preferência, para que sejam punidos de acordo com as leis.

Agiam por medo, isso nublou seus corações, transformando-os em feras sem coração, sem qualquer pingo de amor dentro de si.

— Não precisa fazer essa cara.

— Por favor, não me toque. — Tentou afastar Jungkook. — Sei que sente nojo, todos sentem — a voz embriagada e sentida, fora assim que as palavras entraram nos ouvidos de Jeon. — Por favor, senhor, não me toque...

— Sinto nojo somente daqueles que te feriam, de ti sinto... Droga, nem ao menos sei o que realmente sinto — confessou. — Jimin, você salvou a minha vida, em tempos de guerra ninguém ajudaria um desconhecido.

Faça para os outros o que desejam que façam consigo — Jimin ansiava plantar somente bondade, para no futuro colher bons frutos. Esforçou-se ao máximo para plantar coisas boas em sua vida, nada de ventos, pois não estava pronto para qualquer tempestade.

— Quando a minha mãe me encontrou, poderia muito bem ter me deixado na floresta para que morresse de fome, mas mesmo sem condições ela me manteve e me criou, deu todo o amor que tinha guardado dentro de si para mim! Ensinou-me a caçar e a ser um bom menino, nem mesmo quando as pessoas eram más comigo. — Jungkook sentiu seu coração se aquecer, as palavras de Jimin foram as responsáveis pelo disparar de seu coração. — Sou um bobo por ajudar quem só quer o meu mal — disse cabisbaixo.

— Não é bobo, você é a prova de que ainda há bondade, mesmo que ela seja mínima. — Sorriu. — Melhorou?

— Sim, você tem mãos boas. — Arrependeu-se de suas palavras, o rubor em seu rosto apareceu após se dar conta de suas palavras. Mas não mentiu quando disse sobre as mãos de Jungkook, elas são boas, apesar de grandes não causaram dor ou desconforto, pelo contrário, aliviou-a.

Julgou-se capaz de passar a tarde massageando, cuidando do homem que o acolheu. Dando a ele um pouco de descanso, quem sabe, paz, todavia, em breve terá de retornar para a fortaleza, deixar Jimin não é uma opção, apesar de saber que levá-lo, principalmente, agora está fora de questão.

Precisa avisar aos seus familiares, contar a eles a respeito da traição, comunicá-los de sua decisão.

Jimin deu a ele uma nova perspectiva de vida, a guerra não é tudo, pessoas boas existem, são elas quem sofrem com a maldade das pessoas movidas pelo medo. Somente por ser descende do primeiro Senhor da Guerra foi ferido pelos moradores e abandonado pela mãe, ele é um bom menino, notou isso durante a semana em que foi forçado a ficar de cama, à espera da melhora do ferimento.

Saindo cedo e chegando tarde, tirando todos os dias um pouco do tempo para cuidar de Jungkook, dando banhos rápidos e o alimentando. Esforçou-se para ser um bom anfitrião, foi ao ponto de trabalhar um pouco a mais para ter condições de alimentá-lo apropriadamente.

Irei cuidar de você — sussurrou enquanto os olhos de Jimin fecharam lentamente.

[...]

Ao amanhecer, Jungkook havia partido, a espada e o escudo foram levados por ele, somente a camiseta gasta que fora costurada por Jimin ficou para trás, a peça branca encostada sobre a cama do homem.

Abraçado ao tecido, tentou sentir qualquer resquício de Jungkook, sentiu-se um tolo ao imaginar acordar ao lado do guerreiro, de tê-lo ao seu lado de forma definitiva. Afinal, era um recluso, alguém que todos evitavam, e com razão, ser descendente do antigo Senhor da Guerra não trouxe benefício algum para si, foi abandonado pela mãe e maltratado pelos moradores da vila, sempre visto como uma ameaça ou como mau elemento.

— Jungkook — choramingou.

Sentia saudades de chegar em casa e vê-lo tanto se mover, forçando os pontos e colocando a saúde em risco, era algo engraçado de se ver.

— Não deveria ser assim. — Abaixou a cabeça, sentindo sua cicatriz doer com a mesma intensidade que o aperto em seu coração.

A vila encontra-se em festa, a colheita fora boa, mesmo com a chegada da estação fria as pessoas poderão manter-se aquecidas e não morrerão de fome. Todos os trabalhadores receberão partes iguais, com exceção de Jimin, que recebeu somente um menos da metade.

Não reclamou, pois havia a chance de nem ao menos ser pago, como da primeira vez que trabalhou e das outras vezes quando juntou lenha e nem ao menos fora recompensado pelo esforço. Havia feito aquilo para cuidar de sua mãe, mulher que faleceu três luas depois devido à idade avançada e falta de cuidados — remédios.

Passaram-se mais de seis luas desde a última vez que viu Jungkook, quando o moreno massageou suas pernas, deu a ele algo que há anos não recebia: carinho.

— Park Jimin! — seu nome fora gritado do lado de fora, o som do trote dos cavalos parou. — Park Jimin, em nome de nosso rei, ordeno que abra a porta!

— Por favor, espere um pouco — clamou, sentia dificuldade em permanecer de pé.

— Park Jimin, nosso rei, o atual Senhor da Guerra, ordena que o levemos até a fortaleza, mas caso esteja sentindo dor ou desconforto em sua perna, fomos instruídos a esperar que fique bem.

— Perdão, mas o que o rei deseja comigo?

— O rei Jeon convoca sua presença para a celebração de vosso noivado com seu escolhido. — O homem sorriu. — Mas para que a cerimônia aconteça, sua presença é necessária.

— Não entendo, por qual razão preciso comparecer ao noivado... O que o rei quer comigo?

— O questione quando encontrá-lo.

Por alguma razão, seu coração se agitou ao escutar o sobrenome do rei Jeon, assim como o seu Jungkook.

[...]

Os guardas ficaram a postos, todos esperaram até que Jimin arrumasse tudo e também para que a dor em seu músculo passasse. Ninguém o apressou, muito menos o ameaçaram, com enorme paciência todos esperaram-no pegar as melhores peças de seu mostruário — que se resumia em uma peça nunca usada por si, feita pela sua mãe.

Banhou-se antes de sair, verificou as janelas e as ervas usadas para aliviar as dores estavam consigo; ninguém na vila o encarou. Nem ao menos lhe dirigiram a palavra, o silêncio foi ao reconfortante e, ao menos tempo, aterrorizante, em suas mentes a possibilidade de o rei estar somente o usando como exemplo, punindo-o por ser descendente de uma pessoa deveras cruel. Por conta do cabelo avermelhado, acabou sendo o primeiro da lista.

Queria poder ter outra perspectiva, sonhar um pouco mais, fantasiar um cenário diferente, menos melancólico. Quem sabe com um final feliz, ele não precisa ser perfeito, somente o fato dele existir bastava para si, ansiava encontrar um lugar onde a cor de seus cabelos não definiria a forma como o tratariam. Palavras machucam, muito mais do que atitudes, gestos, elas ficam marcadas, mas ao contrário das feridas externas, elas cicatrizam, enquanto as do coração voltam a sangrar com a menor das atitudes.

Podia sentir seu estômago se contrair ao avistar a fortaleza do atual rei. Os muros altos e o acabamento rústico tão belo quanto a mata ao redor, diferente de seu vilarejo, não havia pessoas o olhando torto, nem cochichando ao vê-lo; pelo contrário, elas nem ao menos se importavam com a sua aparência, com a sua presença. Nem mesmo o fato de estar rodeado de guardas chamaram-lhe atenção, somente um curioso ou outro apontava para a carruagem.

Suspirou cansado, a viagem fora longa, temeu dormir durante a noite, nunca havia saído da vila, então tudo para si era uma novidade; até mesmo a preocupação demonstrada pelo responsável pela pequena “caravana” o deixou com um pé para trás, pararam várias vezes para Jimin esticar as pernas, a cicatriz não doeu, somente uma sensação de formigamento o dominou em momentos inoportunos.

— Estamos chegando — Namjoon pronunciou-se ao cruzar uma ponte de pedras. — Assim que passarmos por aquele portão, estaremos dentro das dependências do castelo.

— Por favor, diga-me o que o rei deseja comigo. Nunca lhe pedi nada — disse manhoso, estava começando a ficar apavorado, sentiu seu interior se contrair desgostoso com a possibilidade de estar sendo usado.

— Não é nada de ruim, se isso o deixa mais calmo.

— Deus, ao invés de alívio, ganhei mais uma preocupação — sussurrou.

Estava a ficar negativo à medida que via um homem usando roupas escuras com uma coroa sobre sua cabeça. Os cabelos negros encontram-se grandes, a espada estava próxima de seu corpo, as peças de ouro e prata pareciam refletir sobre o Sol alto, juntamente com as jóias da coroa, o manto negro arrastava pelo chão. Os guardas pareciam não se mover, somente à espera das ordens do rei, do homem que sorria, eufórico com a aproximação dos cavalos e seus homens, os bravos guerreiros, nos qual incumbiu de buscar seu bem mais precioso.

Jimin engoliu seco, sua perna parecia protestar, pois no instante em que entrou pelos enormes portões começou a doer, da mesma forma que seu coração errou algumas batidas. Quis abrir a porta estreita e correr, ir embora, apesar de ter consciência de que seria apanhado antes de chegar ao vilarejo.

Respira, vai dar tudo certo. Isso, Jimin, vai dar tudo certo — repetiu para si mesmo, tentou não ser negativo, pessimista, iria entrar de cabeça erguida. Não há nada a temer, Namjoon mesmo o segurou. Somente seja respeitoso, curve-se e o trate bem, faça o que lhe for ordenado e o faça sorrindo, de preferência.

Os cavalos pararam, podia escutar seu coração pulsar rápido. Quem o ajudou a sair foi um dos guardas, o homem de cabelos castanho o questionou, perguntou se estava tudo bem. Queria dizer que sim, alegremente anunciar estar somente nervoso, um tanto ansioso, mas estava com medo... Isso fez a dor em sua perna aumentar, andar tornou-se algo complicado, mancou até perto das escadas, onde o rei o aguardava.

Encarou o chão, parecia mais tentador do que ver o homem à sua frente. A figura onipotente de seu soberano, do atual rei e Senhor da Guerra.

— Jimin! — exclamou eufórico.

— Jungkook! — sua voz saiu alta. Fazia tempo desde a última vez que o viu. — Deus, o que... Perdão, não sabia que era o rei. — Suas forças sumiram. Seria executado, por sua falta de educação.

— Sente-se bem? — ele negou. Obsoleto a tudo à sua volta, havia tratado o rei como um simples guerreiro, despiu-o e o fez usar suas roupas gastas, comer comida velha e deitar-se em sua cama improvisada. — Namjoon, quando ele comeu pela última vez?

Queria poder sumir, ir embora, voltar para a sua vila. Quem sabe, morar na floresta? Na parte densa e escura, queria esconder-se da vergonha que causou a si mesmo, mas como iria imaginar, deveria pelo menos conhecer seu soberano por rosto, quem sabe por nome, mas não! Nem quando anunciou chamar-se Jeon ligou os pontos. Continuou a tratá-lo como um qualquer, mas um qualquer ferido e que necessitava de cuidados.

Levantou-se fugindo dos toques do homem sobre sua pele, tentou caminhar na direção oposta, fugir, ir para longe, todos estavam ocupados demais questionando um ao outro sobre sua alimentação. Deu três passos, até ser notado, Jungkook o chamou.

— Jimin, onde vai?

— Embora — sua voz vacilou. — Lamento ter lhe tratado mal, mas, por favor, não me machuque, prometo sumir, ninguém nunca mais saberá sobre mim. — Agarrou a barra da sua veste, o manto dado por Namjoon, como se a sua vida dependesse da peça escura.

— Por que te machucaria? Como eu levantaria a mão para o meu escolhido? — disse sincero. — Como afastaria o meu noivo?

— Noivo? — virou-se, sem se importar com as lágrimas que escorriam pelo seu rosto.

— Mas primeiro preciso saber se o noivo aceita, depois que ele dizer sim, irei pegá-lo no colo e levá-lo até os meus aposentos, banhar-lhe e dar todo o amor pertencente ao mundo a ele.

Estava pálido, de todos os seus pensamentos, nenhum deles era relacionado ao casamento, que fora esquecido por si rapidamente. Afinal, era uma criança “amaldiçoada”, nem mesmo seus pais o quiseram, ninguém além da sua falecida mãe desejou mantê-lo por perto. Quando Jungkook foi embora, pensou ser por causa de seus cabelos, das conversas e burburinhos a respeito de si que circulavam pela vila.

Que assim, como todos, o guerreiro também temia retaliação por parte do rei. Os moradores haviam alertado, mandando que fosse embora inúmeras vezes por conta dessa possível ameaça.

Esperou dias por uma cavalaria, por um possível julgamento. Temeu o pior, receoso, ficou dias trancado dentro da pequena cabana, cogitou a ideia de tornar-se um recluso, morar no interior da floresta — na parte abandonada durante a guerra, poderia plantar e viver do que se encontra na floresta.

A possibilidade de tê-lo como companheiro o assusta ou ele se esqueceu da deformidade de sua perna? De seu passado, da sua linhagem? Gosta de Jungkook, de certa forma, sua presença o fez sentir-se querido... Até mesmo amado.

Seu coração se agitava, suas mãos suavam, podia sentir seu interior remexer em êxtase. Respirou fundo, a realidade vivida por si era cruel, era manco e camponês, alguém sem qualquer atrativo, chamava atenção por conta dos cabelos avermelhados. Não tinha quaisquer posses, seu “casamento” não traria qualquer vantagem para o rei.

— Senhor, não posso ser seu noivo. — Forçou-se a continuar de pé, sem dar para trás.

— Jimin, por favor, dê-me uma boa justificativa.

— Soberano, sou somente um camponês, manco, descendente do primeiro Senhor da Guerra. Não tenho nada para lhe dar, tudo o que tenho encontra-se dentro da minha pequena cabana, não tenho quaisquer qualidades... — Jungkook o calou, beijando os lábios rosados e ressecados.

Odiou ver a forma como ele mesmo se colocou para baixo, da fala desanimada, da forma como forçou tudo o que disse. Não anseia aumentar seu território, nem quer um casamento vantajoso, deve uma a Jimin, ele salvou sua vida. Deu a ele uma segunda chance.

Jungkook somente não espera arrepender-se na metade do caminho, queria escutar a voz arrastada de Jimin pela manhã, de vê-lo animadamente lhe preparar o café enquanto o questionava sobre o ferimento. A semana que passou ao lado de Jimin o ensinou grandes lições, ele tinha pouco e era feliz, era isolado, sem amigos ou familiares, mas não desanimou. Sabia sobre seus ancestrais, os fios avermelhados o fariam ser reconhecido em qualquer lugar.

Mas diferente do lorde tirano, Jimin era doce, meigo, um anjo em forma humana. Seu pequeno pedaço de esperança foi para dar um futuro melhor, uma nova perspectiva de vida que esforçou-se para reaver o trono, para cessar as guerras e diminuir a fome no reino. Queria ser um bom governante, ao mesmo tempo em que almejava ser um bom noivo, quem sabe, no futuro, um excelente pai.

Mudou por Jimin, por conta dos pequenos gestos, das singelas atitudes, que aquecem seu coração. Deixavam-no em pleno êxtase.

— Não almejo fortuna, nem casamento vantajoso. — Afastou-se, encarando o homem com os lábios avermelhados e os olhos embaçados, pequenas gotas escorriam pela sua face, umedecendo sua veste.

— Então, soberano, o que deseja? O que quer de mim?

— De você nada, o que desejo é somente o seu amor.

— Amor?

— Park Jimin, descendente de Park Yoona, deseja casar-se com seu soberano?

Chorou ao escutar o nome de sua mãe, da senhora que cuidou de si ser ligado à sua descendência. Não houve menção do antigo Senhor, do líder da Rosa Negra. Mas sim da mulher que lhe deu amor.

Jimin, meu filho, um dia irá aparecer alguém. Uma pessoa especial, que lhe dará tudo o que não pude te dar; quando essa pessoa aparecer, ela te fará sorrir, tratará-te com amor e carinho — tentou conter o choro, não se emocionar com o pedido e nem com as falas de sua mãe. — Park Jimin, um dia você encontrará alguém que o ame pelo que é!

— Jungkook, diz... Por favor, diga-me que não é um sonho.

— Não é um sonho, sou tão real quanto os meus sentimentos. — Abraçou, tentou acalmá-lo para que conseguisse pronunciar sua resposta. — Jamais brincaria contigo, não é de meu feito lubriar ou mentir, estou a ser sincero, Jimin, não minto quando digo sobre meus sentimentos.

— Eu aceito, mas prometa que não irei me arrepender.

— Não irá se arrepender, meu noivo.

20 de Março de 2019 às 17:06 2 Denunciar Insira 122
Fim

Conheça o autor

Amaterasu ' Ela queria ser um arco-íris, por isso desejei ser o céu atrás dela.

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Publique!
Luana Queiroz Luana Queiroz
AMEI MUITO BOM o capítulo Sensacional amei
31 de Agosto de 2019 às 16:09
Maira  Pareja Maira Pareja
Lo último ritmo .
27 de Agosto de 2019 às 20:11
~