Escondendo-te em uma poeira estelar Seguir história

isoft ISOFT

[CHANSOO | 80's] Kyungsoo e Chanyeol têm um ritual todos os anos: observar a chuva de meteoros e fazer um pedido.


Fanfiction Bandas/Cantores Todo o público.

#gay #fluffy #angst #80s #kyungyeol #chansoo
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Pedidos às estrelas

 

Bolo de morango é a minha terceira coisa favorita.

A segunda é o sorriso de Do Kyungsoo, que está sentado a minha frente escrevendo juras de amor para estranhos nos post-it com um sorriso brincalhão no rosto achando a coisa mais divertida do mundo. Há um deles colado estrategicamente em minha caneca com café. Pego, leio e depois riu deixando a risada morrer ao ter os olhos de Kyungsoo me analisando. Às vezes esqueço que foi meu melhor amigo e que sempre está vendo o que faço.

— Não temos uma espaço-nave para conhecer as estrelas — comento, embora minha vontade seja de ficar calado e esperar que sua atenção seja desviada para as crianças que brincam do lado de fora e batucam os dedos contra o vidro ao nosso lado sem nos olhar.

— Nossa imaginação não é o suficiente?

Penso em uma resposta para derrubar qualquer tipo de argumento que possa fluir nossa conversa porque tudo o que quero é continuar o observando mesmo sabendo que ele sabe o que faço. É irritante ser tão óbvio, é mais irritante ainda quando sou capturado pelo movimento que as suas mãos fazem no próprio cabelo o ajeitando e depois colocando o boné. Agora não posso mais olhá-lo nos olhos e tudo o que faço é ignorar o sorriso em minha direção.

Me inclino sobre a mesa para roubar uma colherada de seu bolo de morango apenas para irritá-lo. Consigo perceber isso quando ele faz a mesma coisa, no entanto, ao invés de comê-lo passa a colher em minha bochecha para depois deixar um beijo limpando-a. E afasta-se novamente com aquele sorriso de abalar estruturas.

Apenas com aquele gesto meu coração acelera e fico parado sem saber o que fazer, porém, não preciso pensar muito pois no instante seguinte Kyungsoo já está agindo normalmente, desta vez com sua câmera fotográfica apontada para meu rosto e antes que eu possa procurar algo para evitar a possível foto, novamente seu sorriso me desarma e permaneço parado.

— Meu vizinho foi enterrado esta manhã.

Ele fala como se fosse algo do cotidiano. Do seu cotidiano. Kyungsoo mora em uma zona afastada do centro onde tudo o que há são pessoas da terceira idade que o elogiam quando sai no portão e reclamam por não estar aproveitando a vida do jeito certo. E concordo com isso. Ele merece ser mais do que um simples fotógrafo, contudo, essa conclusão vira uma completa mentira quando ele diz que vive apenas para me fotografar para me transformar em uma de suas melhores lembranças.

Essa conclusão é má, muito má.

Sua mãe o chama, ela é a dona do estabelecimento, e Kyungsoo sai dizendo que volta logo. O reconfortante é que ele sempre volta mesmo não tendo certeza se esterei lá quando voltar ou não.

Como das outras vezes pago o que não comemos e diferente das outras escrevo atrás de meu polaroide onde espero que ele esteja daqui alguns minutos. Vou embora.

Brinco com algumas crianças pela rua e chego em casa onde minha família curte mais uma vez Ritmo Quente e mamãe tenta acalmar minha irmã que chora sobre o filme ser perfeito demais e o quanto quer viver aquele tipo de romance. Passo por elas e digo que primeiro precisa aprender a dançar e depois precisa de um homem. Sou cumprimentado por sua língua me xingando, digo que a amo e vou para o quarto.

Ajeito o velho telescópio de meu pai na janela e verifico o horário. Ainda é cedo, mas parece tarde diante do anunciamento da chuva de meteoros pela manhã. Engulo em seco ao ver a caminhonete velha e enferrujada de Kyungsoo parar ao lado do impala 67 de meu pai. Sou capaz de sentir o gosto do morango em minha garganta. Não consigo ver seus olhos por causa da distância, porém, sei que eles estão me analisando ao ter uma de suas mãos balançando e acenando para mim.

Não é preciso mais nenhum gesto para que ele entre na casa e venha ao meu quarto.

Meu coração acelera por imaginar que talvez ele demora e não possamos ver a chuva juntos. Minha boca quase abre e pede para que venha mais rápido, correndo se puder. Porém, não é preciso. Sou pego de surpresa ao ter seus braços rodeando meus ombros enquanto olho por alguns segundos no telescópio o céu. Lá fora está roxo, algumas partes escuras e outras azuladas.

— O que vai pedir este ano? — questiono mesmo que seu sorriso entregue seus pensamentos. É adorável quando seu corpo trai sua mente.

— Mais momentos juntos? — ele fala e sei que é apenas para não soar ignorante, embora nunca seja. É automático meu sorriso e sou pego novamente de surpresa por outra foto. — Eu te amo — sussurra, mesmo que não seja segredo a ninguém. Para mim tudo é novo e Kyungsoo percebe isso, puxando-me novamente para seus braços e depois deposita um beijo por cima de meu cabelo.

Então, um clarão invade o quarto, não é tão forte porém o suficiente para rompermos o abraço e logo Kyungsoo apoia-se no telescópio para olhar as estrelas e fazer seu pedido. É tão rápido que nem percebo que já é minha hora. Tomo seu lugar e faço o meu pedido rápido com medo da chuva terminar.

— Dá pra olhar sem usar o telescópio — informa e com o pedido concluído afasto-me da janela dando alguns passos para trás e tendo novamente seus braços ao redor de meus ombros. Sou o mais alto mas ele não se importa com isso. — Como diz Carl Sagan, diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você — e rouba um beijo meu. É sempre assim.

A chuva continua por alguns segundos entretanto ainda dá tempo de Kyungsoo pegar sua câmera fotográfica e tirar fotos, do céu, de nós. Pega a minha e tiro alguns polaroides. E tudo termina. O céu está mais escuro e o último meteoro corta o manto meio roxo enquanto Kyungsoo puxa-me para outro abraço com direito à selinhos roubados. 

— Um momento — peço mesmo que minha vontade no momento seja ficar agarrado a si. Vou até a cama, vejo minha canetas, alguns papéis jogados de qualquer jeito. Pego uma delas e escrevo meu desejo atrás do polaroide mais bonito, aquele que grava seu sorriso o brilho de seus olhos olhando a chuva. Entrego-o à Kyungsoo.

Sei que está lendo o que escrevi e fico novamente perdido quando ele tira outra foto e faz a mesma coisa que eu escrevendo alguma coisa e depois entregando-me.

"Eu te amo". Eu também te amo.

A minha primeira coisa favorita é estar ao lado de Do Kyungsoo.

27 de Fevereiro de 2019 às 22:31 0 Denunciar Insira 1
Fim

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ISOFT 80年代的情人 ♡

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