A arte milenar de alimentar o impossível Seguir história

sadhokage Katarina Paludetto

[Narusasu + Naruhina - Angst] "Naruto arrastou as costas na parede até que estivesse sentado no chão, tão desesperado que mal conseguia respirar corretamente. Aquelas três palavras haviam feito sua percepção de mundo mudar completamente em poucos segundos. Ele não era mais o garoto que os pais deixaram morando sozinho, porque achavam que ele seria maduro o suficiente para se manter sozinho. Era apenas um idiota que engravidou a namorada, mesmo sendo completamente apaixonado pelo melhor amigo."


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#drama #fanfiction #fanfic #narusasu #sasunaru #angst #tragédia
10
4865 VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Todos os Domingos
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capítulo 1

+ Ironicamente, Naruto não acordou de bom humor como de costume depois de uma noite regada de muito sexo. Sua mente o traiu ao sonhar com sorrisos — na época, incrivelmente fáceis — de um certo moreno que não falava há exatos três meses. Mesmo com o lençol da cama sujo de fluídos corporais e exalando o cheiro do perfume da namorada, conseguia sentir o cheiro de Sasuke como se o ele estivesse ali e logo descobriu o porquê. Durante a noite, quando Hinata foi embora alegando ter compromissos na manhã seguinte, ele pegou o moletom preto com o símbolo da família Uchiha que reapareceu depois de meses nas roupas bagunçadas do quarto. A saudade era tanta que se permitiu vesti-lo. Independentemente do orgulho, retrocedeu os pensamentos para os momentos felizes que já passaram juntos.


Quando ambos tinham treze anos tudo era mais fácil. Sasuke apesar de ter o gênio difícil, conseguia se derreter quando estavam sozinhos e não estavam brigando. Eles tinham um jeito de se comunicar com os olhares que ninguém compreendia, apenas eles. Quando eram tomados pela raiva, tristeza ou compaixão, esses sentimentos eram lidos entre eles, então Naruto nunca teve dúvida de que tudo o que sentia pelo amigo era igualmente correspondido. O que fez o paraíso caótico em que viviam mudar do dia para noite foi sua própria confusão.


Tinha inúmeras dúvidas a respeito da própria sexualidade. Sempre fora Sasuke o tempo todo, na rivalidade, na amizade e também naquele sentimento que nos últimos meses percebeu ser o amor. Mas por não ter certeza sobre nada, aceitou namorar a primeira garota que se declarasse para si. Então aqui entra Hinata Hyuuga, apenas uma garota ingênua no meio de suas incertezas.


Sentia-se imensamente arrependido agora que chegou a conclusão que no final usou Hinata para seus fins egocêntricos. Ele não poderia ter feito isso, porque, primeiro: Sasuke — talvez — nunca o perdoaria. Em questão de orgulho, o amigo sempre foi o pior quando era afetado e segundo: Hinata era um ser humano. Seus sentimentos provavelmente já estavam feridos, porque nos últimos dias Naruto apenas tem aparecido quando precisava de sexo, por mais ridículo que fosse ela aceitava.


Ele sempre foi um grande idiota, mas agora tinha plena consciência sobre esse fato.


Pegou o celular sob a cabeceira e ligou para Hinata. Precisava dar um fim naquela história antes que saísse de seu controle e não tivesse mais volta. A cada minuto que passava naquele relacionamento, era um minuto perdido tentando entender aqueles sentimentos avassaladores sobre Sasuke.


Naruto. — Neji disse do outro lado da linha com o costumeiro tom rude que tinha desde que o conheceu.


— Onde tá’ a Hinata? Preciso falar com ela o quanto antes.


Sempre soube o quanto você é babaca, mas agora você me surpreendeu.


— Do que você tá’ falando, cara?


Tô’ falando que ou você é burro o suficiente para não perceber que Hinata estava passando mal há dias ou você realmente não se importa com a minha prima. Cá entre nós, como consegue dormir a noite?


As palavras de Neji tiveram um impacto maior por não estar esperando algo do tipo. Sentou-se na própria cama e olhou a bagunça em que morava e instintivamente comparou-a a própria vida e ao próprio relacionamento. Desde que os pais foram para Konoha cuidar de seu avô, sua vida pareceu descarrilar dos trilhos em alta velocidade. Esse foi o primeiro passo que deu para perceber que havia algo de muito errado consigo mesmo.


— Ela não me disse nada. — Falou sério, com as feições do rosto fechadas como se o outro pudesse vê-lo. — E também não demonstrou nada. Ontem mesmo ela aparentava estar ótima. O que houve?


Um silêncio se formou do outro lado da linha. Os dois sabiam que o que dizia era verdade, visto que Hinata sempre foi amável o suficiente para não querer incomodar os demais com seus problemas, mesmo que estes envolvessem sua própria saúde. Ter percebido tal fato nessa altura do campeonato o fez se sentir ainda pior. Quantas coisas ela não deve ter sentido e guardado para si mesma?


Ainda não sabemos. Ela está dentro da sala com a médica, ficarei sabendo assim que me permitirem entrar. Você deveria vir, Naruto. Estamos na clínica da nossa família no centro.


— Estarei aí. — Disse antes de desligar.


Ao levantar da cama, o perfume impregnado no moletom reapareceu no ar que respirava. Permitiu-se fechar os olhos e o sorriso presunçoso de Sasuke logo veio em sua mente. O queria tanto de volta em sua vida que chegava a doer. Mesmo que magoasse Hinata, não podia ignorar o que sentia, teria que terminar com ela estando doente ou não.



. . .



Desde o início de todo aquele namoro os Hyuuga faziam questão de demonstrar o quanto não era bem vindo. Naruto era apenas um garoto de dezesseis anos como qualquer outro, e esse era o maior problema. Os pais de Hinata gostavam de prestígio social, e tudo o que tinha a oferecer era um capuccino por conta da casa no cyber café onde trabalhava. Parando para pensar nesses pequenos indícios de que aquela não era uma boa ideia, perguntava-se, porque havia se esforçado tanto em vão. Mesmo se a amasse, não conseguiriam manter aquela relação por ele ser uma pessoa normal e ela uma futura médica com um sobrenome de peso.


O hospital particular da família Hyuuga era a sede do império de Hiashi. Vendo aquele prédio pela primeira vez, não pode evitar se sentir intimidado, mesmo que não houvesse ninguém para fazê-lo. Suspirou pesarosamente e entrou, deixando para trás o medo e tendo em mente que faria a coisa certa. Sua distração com as palavras positivas de incentivo que repetia mentalmente era tanta que só notou Neji em sua frente quando foi recepcionado de uma maneira nada amistosa e muito dolorosa.


O impacto do soco em seu estômago o fez cair. Ao seu redor, as pessoas pararam subitamente de fazer o que faziam para olhá-los. Sentia o peso de cada um daqueles olhos curiosos nas suas costas, como quando brigava com Sasuke no pátio da escola. Neji não tardou em se aproximar, puxando-o pela gola da camiseta e lhe socando mais uma vez, mas dessa vez no rosto. Os olhos lacrimejaram não pela dor, mas pela vaga lembrança de seu melhor amigo.


— Você, definitivamente, é o pior dos piores. — Praticamente cuspiu as palavras contra a face de Naruto, que sorriu tristemente. Neji entendeu o ato como um desaforo enorme e, mais uma vez, socou-lhe o rosto. — Eu poderia te matar agora, eu juro que eu poderia!


O largou sentado no chão, engolindo as próprias lágrimas de desespero que se formaram assim que a ira contra o loiro se dissipou. Naruto estava em choque, mas logo se recompôs e não pensou duas vezes antes de levantar e agarrar Neji pelo pescoço, pressionando-o na parede e não se contendo em mostrar seu melhor olhar de ódio.


— E você, Neji? O que estava fazendo para não perceber que tinha alguma coisa errada com a Hinata? Ela não é mais um bebê e devia saber se cuidar melhor, eu sou o namorado dela não a babá!


— Acho que eu não entro em questão nesse assunto, Naruto. — Falou com a voz falha pelo aperto, e só pela curiosidade pelo que ele tinha a falar, foi solto. — Ela esperava algo mais do que o idiota número um da turma quando decidiu tentar algo com você.


— Bem, sinto muito, mas eu sou um idiota. — Nunca pensou que diria essas palavras com tanta convicção em sua vida. Quase podia escutar a risada de Sasuke, porque sempre dissera que um dia cairia em si e a verdade seria revelada. — Liguei para a Hinata hoje, porque preciso parar de ser esse idiota, e isso não vai acontecer se eu continuar com ela.


Neji levantou o punho novamente, mas não pôde executar o movimento pelo segurança da clínica ter imobilizado ele, que ainda lutava ferozmente para ser solto. Foi então que, pela segunda vez no dia, notou algo de errado. O primo de sua namorada o odiava, isso era um fato, porém o ódio mortal refletidos pelo olhar que não havia captado antes dava a entender que não era seu ódio rotineiro. Só então lembrou que Hinata estava naquele prédio, doente ou gravemente ferida. A hipótese de que tenha a ver consigo o fez tremer dos dedos dos pés até os joelhos, sentir certo pavor por ter sido causador de algo que não podia controlar.


Assustado, disparou pelo corredor principal ignorando tanto a Neji como ao segurança. Não olhou para trás, mas pela agitação ambiente alguém deveria estar seguindo-o. Entrou na ala de emergência e começou a invadir cada uma das salas, muitas vezes sendo recebido por olhares receosos. Quando já estava sem fôlego, abriu a última porta do corredor e entrou desorientado, suspirando pelo alívio de enfim tê-la encontrado por acaso.


Com a entrada de Naruto naquela sala, Hinata afastou as mãos do rosto úmido de lágrimas que ainda caíam sem que a mesma tivesse controle. Vê-lo ali, surpreso e preocupado, fez com que os soluços que saíam de sua garganta aumentassem ao ponto de tapar a própria boca para evitar os sons vergonhosos. Mal podia olhá-lo depois da notícia que recebera, sabendo que uma parte da culpa também havia sido sua. Aquela de fato, era a pior sensação que já tivera em toda sua vida. O pânico que a assolava era relacionado a como seria sua vida de agora em diante, como o namorado reagiria e, principalmente, como sua família reagiria. Nunca, em toda a história dos Hyuuga houve um caso desse tipo.


Já Naruto estava em choque por ver a garota que sempre considerou como forte tão frágil a ponto de parecer quebrável. O medo que sentira antes havia triplicado, e a força que fazia para não deixar os joelhos cederem no chão — era imensa. Por ser extremamente emocional, não sabia se ainda queria escutar a verdade sobre todos os acontecimentos daquele dia. Algo o dizia que nada, nunca mais, seria o mesmo se ficasse naquela sala.


A porta foi aberta abruptamente e em poucos segundos Naruto foi imobilizado, com o rosto sendo pressionado contra o chão frio e os braços nas costas.


— O que vocês acham que estão fazendo? — Hinata levantou da maca e, assustadoramente, reassumiu uma faceta de alguém que está emocionalmente equilibrada apesar dos vestígios de lágrimas. — Ele é meu namorado, não podem tratá-lo desse jeito!


— Desculpe, senhorita Hyuuga. — O segurança que o imobilizou disse, afrouxando o aperto em que mantinha o loiro. — Ele causou grandes problemas na central de atendimento para seu primo, então achamos que se tratava de apenas mais um delinquente.


— Soltem-o e saiam daqui, agora.


Por ser filha do dono, foi prontamente obedecida pelos seguranças. Naruto levantou-se, apoiando-se na parede e mantendo o olhar vago no chão. Apenas olhou-a novamente pelos soluços terem voltado na mesma intensidade de antes. Se ela estava chorando era porque queria que ele visse, caso contrário teria retido as emoções, como sempre soube fazer muito bem. Perceber isso o fez sentir-se estúpido por nunca ter notado.


— Eu sou culpado, não é? — Perguntou com a voz fraca, fazendo com que a garota prestasse mais atenção por estar confusa. — Seja o que for... Eu sou culpado. Neji não teria me batido daquele jeito se não fosse.


— Nós dois somos. — Respondeu em meio aos soluços. Aproximou-se timidamente, temendo que o loiro negasse aquela proximidade. Fora da cama, aqueles momentos eram escassos. — Espero que não me odeie depois que eu te contar.


— Como eu poderia te odiar? — Realmente, não sabia de onde ela havia tirado essa ideia. Poderia ser um idiota, mas nunca em um grau que pudesse machucá-la mais do que já havia feito. — Você é incrível, Hinata. Nunca poderia fazer isso.


— Eu estou grávida, Naruto-kun. — Disse de uma vez por todas com os olhos tristes lacrimejando, imaginando o que seria dela e, principalmente, daquele bebê, se o namorado os rejeitasse. A família obviamente a deserdaria, mas pelo menos não seria algo tão ruim se estivesse com aquele que sempre amou.


Naruto arrastou as costas na parede até que estivesse sentado no chão, tão desesperado que mal conseguia respirar corretamente. Aquelas três palavras haviam feito sua percepção de mundo mudar completamente em poucos segundos. Ele não era mais o garoto que os pais deixaram morando sozinho, porque achavam que ele seria maduro o suficiente para se manter sozinho, era apenas um idiota que engravidou uma garota que tinha um futuro bom pela frente. Havia arruinado todos os planos de Hinata pelo seu egocentrismo e isso era tão injusto.


O que mais o deixava triste era saber que nem mesmo se a deixasse naquele instante ela deixaria de amá-lo. Alguém que tem tanto amor no coração não merecia ser tratada com descaso ou segunda opção, ela merecia o mundo que Naruto nunca foi capaz de lhe dar. Naquele momento, observando de baixo a expressão abatida e entristecida de Hinata, desejou poder dar o mundo que ela tanto precisava. Todo o apoio que precisaria para poder gerar aquela criança pacificamente. Mas como faria isso, sendo que ele mesmo ainda era uma criança aos olhos de muitos? Como deixaria de ser imaturo?


Como se não bastasse todas as emoções que passaram a assombrá-lo, lembrou-se de Sasuke e sentiu o seu coração quebrar mais ainda, se é que era possível. Lembrou do verão de seus doze anos, quando a rivalidade entre eles se tornou afeto, e quando percebeu isso já estavam mais próximos do que nunca, sendo invadidos de sentimentos tão bons que chegavam a doer. Seu Sasuke, sendo possessivo como era, nunca o perdoaria. Pensar desse jeito fez com que desabasse sem nem pensar duas vezes. Agora havia dois adolescentes completamente desorientados e devastados chorando naquele quarto de hospital.


— Chorar agora não vai adiantar nada. — Neji anuncia sua entrada para que parassem com aquela cena que era ridícula aos seus olhos. Estavam tratando do assunto como se tivessem descoberto um câncer. — Vocês fizeram isso, agora vão ter que arcar com as consequências. O mundo não é um jardim do Éden que vocês podem desfrutar de todos os frutos e viver em paz e harmonia, o mundo é uma cretina que joga sujo. Então parem de chorar, e enfrente essa porra de frente!


— O que sugere que a gente faça, gênio? — Naruto pergunta com a voz ainda embargada pelo choro. — Meus pais vão me botar pra fora de casa quando descobrirem, e nem quero pensar no que o senhor Hiashi faria. Não há o que fazer.


— Hinata, me escuta. — Ignorou o loiro, e, diferente da outra vez em que falou, agora, se dirigia a prima com um tom mais ameno no objetivo de ser compreendido. — Você é a mais inteligente da sua classe, estamos entre os alunos mais competentes da escola. Seu futuro é brilhante e ter esse filho é algo que arruinaria-


— Eu já falei uma vez, Neji. Não quero tirar esse bebê.


— Mas Hinata, vocês não tem condições de criar uma criança! Seu namorado ainda é uma, se você não percebeu!


Escutar tal fato saindo da boca de outra pessoa o fez perceber o quanto era inferior. Em seu passado, não teria dado a mínima para o que Neji disse por não levar a vida a sério, contudo a situação em que se encontrava era diferente. Naruto tinha que ser forte, tinha que provar que conseguiria arcar as consequências, caso contrário estaria sendo o que todos achavam que era.


— Ela já tomou a decisão dela. — Se levantou, decidido de que iria apoiar Hinata naquele momento. Ela precisaria muito mais de ajuda do que ele, já que teria problemas muito maiores pelos pais terem expectativas elevadas. Nunca poderia dar exatamente tudo o que ela merecia, mas o que pudesse fazer, ele faria. — E eu a minha.


— O que quer dizer, Naruto? — Ela perguntou prevendo o pior. Já tentava segurar o nó que se formava em sua garganta, prendendo o lábio inferior entre os dentes para que ninguém o visse tremer.


— Quero dizer que mesmo que eu seja um idiota, mesmo que as chances estejam contra nós, eu não vou te deixar cuidar desse bebê sozinha. — As palavras eram sinceras, no entanto não podia conter o medo daquela realização. Ele seria pai aos dezesseis. Mal havia entrado no ensino médio e já teria uma responsabilidade enorme e em tempo integral para o resto de sua vida. Tudo aquilo era demais para ele, mas por Hinata, que sofreria bem mais do que ele tanto fisicamente quanto psicologicamente, ele teria que tentar mudar.


— Mas é claro que você vai. — Neji pontuou como se fosse algo óbvio. — E também vai levá-la com você. Hiashi não pode nem imaginar que uma coisa dessas aconteceu debaixo do nariz dele.


— Como? — Dessa vez, quem perguntou surpresa havia sido Hinata.


— Nós dois o conhecemos. Ele não tolera que você tire notas fora da média, como acha que vai reagir a uma gravidez? Isso está fora de questão, você não pode voltar pra mansão de jeito nenhum.


— Vai ficar tudo bem, Hinata. — Aproximou-se da garota e passou um dos braços sob os ombros da mesma, trazendo-a para um abraço. Aquela informação também o afetou, porém não deixaria transparecer dessa vez. Pensaria no que fazer depois, quando tivesse um momento para pensar sozinho. — Nós vamos conseguir.


Hinata, que iria protestar contra o que o primo disse, ficou sem palavras diante daquele gesto tão natural vindo de Naruto. Não queria ser um incômodo em sua vida, mas pelo que ele deixava a entender, desejava que eles morassem juntos como se fossem um casal de adultos. Essa ideia fez seu coração aquecer, e, as bochechas, ruborizar parcialmente. Seria a vida perfeita que sempre imaginou ter, mas como não estavam em um conto de fadas, tinham uma realidade muito mais dura para enfrentar. Não queria ser um fardo a ser carregado, contudo não podia ocultar a real causa de seu choro.


— Isso não é tudo. — Ela falou se afastando, tentando conter suas emoções de fugirem de seu controle. Os garotos presentes no quarto sentiram a tensão que se instalou no ar, tão palpável que chegava a pesar em seus ombros. Naruto não sabia se aguentaria mais algo para surpreendê-lo naquele dia. — Dois especialistas obstétricos me avaliaram e disseram que será um período conturbado para o meu corpo. Será bem arriscado e as chances de algo dar errado são bem grandes.


— E ainda assim você quer continuar? Tem certeza disso, Hinata? — Dessa vez quem a questionava era Naruto. Soou preocupado, mas na verdade estava desesperado. Se ela morresse, o que seria dele e daquela criança?


O olhar perolado da garota estava direcionado a Neji. A faceta superior de quem ditava as ordens como um adulto caiu em instantes diante daquela revelação, assim como seu mundo, que girava em torno de tentar proteger Hinata do mundo lá fora como se fosse sua irmãzinha mais nova. Nunca lhe foi pedido esse tipo de postura, sempre foi algo tão natural que se assemelhava ao respirar. Tudo o que desejava era que ela pudesse ser feliz — e livre — das tradições rigorosas da família. Que pudesse desbravar esse mundo como um pássaro filhote que enfrentava os céus ao aprender a voar, mas assim como um pássaro ao se deparar com uma adversidade, o decair foi inevitável.


— Você entende, não entende, Neji? — Disse não mais conseguindo conter o choro que começava a dar indícios de um retorno, quase tão doloroso quanto o primeiro. — Por favor, me diga que entende. Você é meu melhor amigo!


— Eu entendo. — A voz estava por um fio. Teve que se concentrar para que não deixasse as lágrimas caírem, e transparecessem o quanto também estava frágil naquela situação. Ele não podia se dar ao luxo de ficar triste e desesperar Hinata. Ela se decidiu, e tudo o que lhe restava era torcer por sua vida. Desejou que Naruto fosse esperto ao menos uma vez na vida para entender indiretamente suas ações e colaborasse. — Não concordo, mas entendo. Eu já te disse uma vez e digo novamente: se te faz feliz, eu também serei feliz.


Hinata o abraçou forte como desejava fazer. A aprovação de seu primo — e irmão mais velho — era o que faltava para que se permitisse ser feliz com sua recente adquirida liberdade. Naruto observava a cena com os pensamentos longe. Seu querido Sasuke voltava a lhe assombrar com suas memórias de dias quentes na quadra de basquete da escola, de sorrisos fáceis e na comunicação especial que tinham através dos punhos. Mais pareciam agora pedaços paralelos de vidas passadas que vagavam sem rumo em sua mente, com a intenção de machucá-lo cada vez mais pelas escolhas erradas que fizera nos últimos meses.


Não se tratava sobre ser ou não ser gay. Tratava-se sobre Sasuke, sempre se tratou. Estava assustado pela relação que sempre foi de melhores amigos, que tinham um afeto um pouco mais alto que o normal um pelo outro ter se transformado em algo que ele não sabia definir. Ainda brigavam, sentiam a rivalidade em questões sociais e acadêmicas, mas quando estavam conversando sozinhos e os olhos ônix aventuravam-se nos azuis cintilantes, tinham a intensidade que nenhuma palavra em nenhum idioma poderia explicar. E quando os lábios partiam-se e suas línguas se chocavam, um fogo ardente acendia dentro de si. Queria tocá-lo, queria tê-lo, ao pé da palavra, como seu. Era como se Sasuke tivesse nascido especialmente para si e vice versa, como duas almas gêmeas que ao se reencontrarem não conseguissem evitar ficar tão próximas uma da outra e sempre ansiando por mais.


Ele nunca estaria preparado para um amor desse nível. Não merecia toda a sorte que tinha, de ter encontrado o amor de toda sua vida e, mesmo assim, duvidar do destino e meter-se em um mar de incertezas que poderiam terem sidos resolvidos em uma conversa. Apesar do pavio curto, o moreno o perdoaria, o ensinaria do melhor jeito a abandonar aquele medo infantil e se deixar cair. Mas agora era tarde demais.

3 de Fevereiro de 2019 às 23:47 3 Denunciar Insira 2
Leia o próximo capítulo Capítulo 2

Comentar algo

Publique!
Alice Alamo Alice Alamo
Olá! Tudo bom? Venho em nome do Sistema de Verificação do Inkspired. Sua história foi colocada "Em Revisão" devido aos seguintes apontamentos: 1) Há algumas palavras não acentuadas como "ai" em vez de "aí"; 2) Uso de "mesmo" como sujeito da oração. Ex: "sendo que o mesmo não morava mais ali" -> nesse caso, "mesmo" deve ser susbtituído por nome do personagem ou pronome; 3) Algumas vírgulas estão falando, principalmente nos vocativos. 4) Há alguns erros como "a três meses" em vez de "há três meses". A escrita num geral é muito boa, acho que uma simples revisão cuidadosa sua mesmo basta para colocar esses detalhes em ordem. Quando corrigir esses aspectos, é só me responder aqui que eu venho de novo para conferir a história ;) Atenciosamente, Alice, Sistema de Verificação do Inkspired.
8 de Fevereiro de 2019 às 18:46

  • Katarina Paludetto Katarina Paludetto
    Olá! Eu acabei de corrigir, espero que esteja tudo certinho dessa vez. 9 de Fevereiro de 2019 às 12:21
  • Alice Alamo Alice Alamo
    Bom dia, Katarina! Ainda há alguns errinhos de digitação, como "Seu namorado ainda é uma se não percebeu". Mas a história em si está muito melhor depois de sua revisão, parabéns! Eu vou verificar, mas fique sempre atenta nos próximos capítulos, ok? Parabéns pela história e boa sorte ;) 10 de Fevereiro de 2019 às 07:40
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 2 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!

Histórias relacionadas