Mesmo Quando Você se For Seguir história

niccax Neeca Ashcar

Já passava de uma década de amizade estranha com Itachi, ele educado demais para dizer meu problema e eu complacente demais com as tais convenções sociais. Me impedia de dar um basta em milhares de metáforas sobre minha inabilidade com questões coletivas. Até o dia que me vi na frente da mansão de um dos Uchihas, todos iguais, eu dizia. Ao cruzar meus olhos com Shisui, diante deste fato, minha vida ruiu e o coco (metafórico estúpido) rachou. Então é você e eu Shisui, Sim, desde que começou E eu ainda estou com você Então eu começo e você para Eu quero isso Mesmo quando você se for! Songfic: You and me — Soja.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#relacionamento-abusivo #sociopatia #gatilhos #drama #angst #yaoi #itachi #shisui #kisame #Kisashi #naruto
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O Remédio, o Coco e o Maço de Cigarros Vazios

Notas:


Olá, tudo bem?

Essa Fanfiction eu escrevi para a marida mais linda do mundo, Ester, toma seu Kisashi e fica feliz até o final do ano! Ou não, vai lá saber!  

Eu juro, queria te dar alguma coisa feliz, mas falhei com o mundo, e Kisashi tá tão fadado a desgraça para mim, quanto NagaIta. Sorry!

Saiba que escrevi de coração e espero que você goste! 🙃

Gatilhos: Transtorno de personalidade antissocial (sociopatia) e relacionamento abusivo, não vou justificar minha escolha de tema, fluiu e foi. Quem tiver qualquer problema não leia, sério, expurguei uns 10 demônios graças a ela.

Antes de mais nada não foi minha intenção trazer assuntos tão delicados, apenas percebi que tinha algo errado com o Kisame, joguei no Google os sintomas e tomei no meio da fuça, não me arrependo de nada.

Isto é uma Songfic da música You and Me — Soja. Quem quiser ouvir para entrar no clima, vou deixar os links:

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Acho que é só, boa leitura! 💚 




***



Uma vez ouvi falar:



“Procurar uma pessoa tem muito em comum com estar doente!”



Eu ainda era jovem demais para entender o que se igualava a saúde precária a procurar uma pessoa. E em toda minha falta de conhecimento e ainda sem uma experiência eficaz de vida, questionei displicente:



“Como assim?”



A resposta veio com um sorriso simples na face sem expressão:



“Kisame, as pessoas só te procuram quando precisam aliviar o coração. É a mesma coisa um doente só busca por remédios no instante em que adoece, quando não está mais doente o medicamento é deixado de lado!”



Naquele tempo todas as metáforas de Itachi, não faziam nenhum tipo de sentido para mim, resultando em longas explicações.



Outra vez ele disse:



“A empatia é como um coco verde!”



Não preciso mencionar, novamente questionei suas palavras e elas rodopiavam durante demasiado tempo, tempo suficiente que não queria carecer.



“Por fora a casca é dura, quase impenetrável, mas basta quebrá-la, com força, não apenas o líquido nutritivo é exposto como sua carne deliciosa. Você só pode se colocar no lugar de outros se expor seu interior. A empatia alimenta assim como o coco!”



Então era isso, eu era um filho da puta, que não me colocava no lugar das outras pessoas porque não conseguia rachar a merda do coco, mas o Uchiha era doce demais para falar essas coisas abertamente; este era o motivo para me rodear de metáforas imbecis.



E, desta forma, sucedeu de minha vida vários anos, onde Itachi falava coisas que para mim não eram importantes e por uma educação não submetida por ele, contudo, mesmo assim achava necessário fazer. Fingia ser de suma importância para meu crescimento individual como um ser humano ouvir-lhe.



É, desde que por acaso ele foi inserido em minha vida, havia um esforço das duas partes: a dele quebrar o coco e o meu de me sentir confortável com sua presença.

Ele fingia e eu também. Maldita convenção social sem qualquer sentido, mesmo assim era a serventia do aceitável entre duas pessoas que experimentam a “magia” chamada amizade.



O mesmo Itachi outra vez parafraseou, com seu sorriso simples sem demonstrar qualquer arrependimento:



“Kisame, existem ciclos!”



Eu lembro de franzir os cenhos e ele riu suave, antes de dizer:



“Sei, que está cansado de me ouvir falar!”



É realmente eu estava, mas sabe como é, uma vez que você mente, se torna um vício e a mentira se torna parte de si. Apenas meneei em negativo com a cabeça e falei por seguida:



“Não, gosto de ouvir você falar sobre essas simbologias!”



Ele riu e deu de ombros, sabia como ninguém, eu vivia a mentir. Mesmo assim permaneceu a falar sem qualquer tipo de pausas, como se minha mentira não o machucasse, como me agarrei a essa inverdade nesse tempo:



“Bom, sim, ciclos. É como um maço de cigarros, cada cigarro é uma determinada etapa, ao acabar um, há uma mudança na sua forma de pensar, quando o maço acaba é comum se livrar deles, como algo vazio, mas que em um dia trouxe algum tipo de transformação. Mesmo fazendo mal os cigarros transforma o corpo e o das pessoas a volta do fumante.”



Que espécie idiota de comparação?



Tá okay, vamos avaliar tais circunstâncias de uma mudança e do cigarro como metáfora para tal.



Um único cigarro possui cerca de 5315 substâncias, dentro delas cerca de 4700 são tóxicas e nocivas. Isso se esquecermos dos números presentes nas folhas de tabaco, aí teríamos aproximadamente 8662 substâncias em apenas um cigarro.



É, se pensar, apenas um cigarro fumado não faria muita diferença, apostando claro, a pessoa do exemplo, não vá se viciar com apenas um e que seja uma pessoa saudável. Para está em questão, tanto faz, foi um por curiosidade, a vida segue.



Até porque a grande aposta da indústria do tabaco é na morte lenta do indivíduo, eles precisam faturar em cima do viciado e tudo isso de uma forma legalizada.



Não seria saudável a essas empresas em questão um dia por aí, legalizar de maneira tão a aberta a chamada indústria suicida, com milhões de mortos instantâneos através de um único cigarro. Isso seria como se diz: desumano e em poucos dias elas perderiam todo o dinheiro acumulados com esses pobres coitados.



Mas suponhamos; um viciado fume durante um ano, todos os trezentos e cinquenta e cinco dias um maço ao dia, isso é uma mudança significativa em seu organismo.



Um fumante ou até mesmo um fumante passivo está exposto a várias doenças como alergias, intoxicação dos pulmões, doenças cardíacas, cegueira e vários tipos de cânceres (esôfago, pulmão, boca entre outras infinidades). Isso não interfere apenas na sua vida como cidadão, mas na vida de todos à sua volta, o cigarro também afetada de forma agressiva qualquer ser expostos a ele.



E se analisarmos de maneira fria, o mesmo pobre coitado que fumou esse período de um ano inteiro, se ele tiver a brilhante ideia de depois de tudo, abrir mão de seu vício, ele enfrentará o que qualquer substância denominada como droga, traz para o indivíduo que se vicia, a chamada abstinência.



Irritabilidade, calor, frio, suadeira, crises de choro, violência gratuita e pânico. E quanto mais tempo o vício é levado a diante, mais difícil de se desfazer dele, isso é válido para tudo que tem o poder de te relaxar ou mudar seu comportamento, drogas ilícitas e lícitas. Remédios, tabaco, álcool, heroína, crack e por que não pensar em pornografia?



Umas castigam mais que as outras, mas é tudo uma questão de perspectiva e força de vontade de um viciado, ou de como seu corpo reagirá sem determinada droga.



Então comparar as mudanças da vida com um maço de cigarros não está errado. De novo aquele imbecil me surpreendeu.



Esse é o último avanço metafórico antes de eu alcançar o ponto onde, todos esses anos de amizade estranha com o Uchiha e os seus símbolos clarearam em minha mente de remédio/coco/maços de cigarros vazios.



Foi numa festa, onde a mansão à beira mar pertencia algum de seus parentes.



Eu não tinha a menor ideia de qual! Para mim todos os Uchihas se parecem, era como se primo casasse com primos por gerações (para não ser maldoso e dizer que o incesto rolava solto, até mesmo entre irmãos).



A mesma cara pálida sem qualquer expressão, cabelos desgrenhados pretos e olhos tão escuros, como o mais afastado buraco que algum ser humano adentrou a Terra. Isso talvez nem se aplique a escuridão pertencente aos olhos dessas pessoas, porém é o mais perto que eu poderia descrever sem ficar vago.



O portãozinho de madeira batia na altura dos meus joelhos, deixando o belo jardim com hortências arroxeadas, alinhadas por cores, retas.



Como se algum trabalhador com um salário baixo, mas dependia daquele emprego para levar o que comer para sua família, fosse persuadido a riscar uma linha com régua daquelas de trinta centímetros por todo o campo até ficar alinhado e perfeito.



E conhecendo a família de Itachi, não poderia dizer o contrário de minhas suposições malucas de péssimo ambiente de trabalho e possível escravidão. Esses fatos supostos, rodava em minha mente em todo o momento em que eu encarava a risca perfeita de hortências.



Não duvidaria, que aquela fosse a realidade do jardim ridículo e irreal pelos detalhes milimetricamente decorados como umas das mansões luxuosas ilustradas na revista Casa & Jardim.



Ou pior, o sentimento de encarar a claraboia dando a vista do céu em meio a sala de estar, me lembrou um episódio de Irmão à Obra e meu estômago vibrou de horror.



Mas como dizia antes de lembrar dos móveis, flores, gramas, praia, areia e tudo que fazia recordar de programas de decorações estúpidos, aquela festa em questão fez com que todas as metáforas usadas pelo Uchiha, quase uma década em que convivemos começassem a fazer algum sentido.



O coco rachou, no instante em que fui apresentado, para seu primo, Shusui. Aquelas histórias de amores idiotas, narradas em filmes imbecis, feito para garotas sem qualquer tipo de amarguras em sua vida.



Essa foi minha vida por um longo tempo ao lado dele, cor-de-rosa, como os filmes feitos para garotas, sem qualquer experiência na vida, assim como eu que não possuía nenhuma experiência na vida.



A cena perfeita junto a believe da Cher, tocando alto pelos cômodos, iam até o mar calmo e sem ondas, iluminado pela lua. Shisui falava pausadamente suas inspirações e anseios, a cada palavra regida de forma harmônica sentia-me preste a explodir em alegria.



E talvez eu não fosse um imbecil sem sentimentos. Me apeguei a este mantra durante muito tempo, tentando amenizar toda a expectativa das pessoas em mim, e ao conhecer Shisui, me forcei mais e mais para quebrar o tal coco.



Tudo que contarei a partir de agora é o mais verdadeiro e escuro do psique onde alguém pode habitar dentro de si e alcançar a loucura com tanta rapidez, sem ao menos perceber. Apenas cuidado! Não quero depois, venham me culpar por alguma espécie de problemas causados a terceiros, estejam avisados.



Naquela noite em questão, Itachi me obrigou a sair cumprimentando todos os convidados, do tio estranho de cabelos compridos na altura de sua cintura, até o garoto mimado que ele chamou de irmão.



Os Uchihas mesmo apático e sem qualquer graça, pareciam se divertir.



E a festa não estava de todo mal, as músicas selecionadas eram boas, o buffet de frutos do mar estava uma delícia e as bebidas servidas eram da melhor qualidade.



Mesmo assim me senti um peixe fora d'água, a cada tentativa falha de me submeter a um diálogo sem sentido sobre hierarquia com o tal Madara e ser apresentado de maneira compulsiva a qualquer ser humano pateticamente igual ao adentrar o cômodo.



Em algum momento, eu estava sentado comendo uma salada colorida com lagostins e tomando um vinho seco caríssimo,



Itachi surgiu, segurando entre os dedos quase de maneira obsessiva o pulso de alguém onde a visão bloqueava pela falta de iluminação e o fato da pessoa ser puxada logo atrás dele.



Um sorriso largo, de alguém alcoolizado, no rosto do meu querido amigo e apostaria, minha expressão ao ver a tal cena era de: porra, deixa eu comer!



Até o rapaz dar um passo à frente. Shisui poderia ser assimilado aos demais membros da festa, os cabelos escuros espetados, a pele pateticamente pálida e os olhos escuros, mas algo ia além dessas comparações. Mesmo com ele me encarando ou encarando Itachi com a mesma falta de expressão dos demais ali presentes.



Eu perdi o ar, pois a máscara indiferente não estava ali, ele era inexpressivo de um certo modo, mas não indiferente. Também tinha algo nos lábios semicerrados, no nariz fino e delicado que me deixou num estado de fascinação. Ou como alguns idiotas iludidos falariam, amor à primeira vista.



Itachi apenas sorriu radiante, como nunca antes visto ou tentou, porque os lábios curvados assimilava mais uma careta do que um sorriso, e pronunciou:



— Esse é meu primo e melhor amigo Shisui, Shisui esse é o Kisame que te falei!



— Nossa! Dez anos depois e eu conheço o famoso Kisame!



Pisquei algumas vezes enquanto o lagostim espetado no meu garfo flutuava bem na frente do meu rosto e eu não conseguia formular uma frase conexa.



Permaneci naquela espécie de susto e desconforto por longos segundos, até Itachi empurrar Shisui de qualquer jeito, obrigando ele a dividir um lugar na mesma mesa decorada de forma elegante em que estava, saiu, deixando-nos naquele misto desconfortável e sem assuntos.



Não vou mentir e dizer, do nada a conversa fluiu…



Pois ela não fluiu de primeira, estávamos presos nas tais convenções sociais, de erros e acertos de coisas em comum, onde a maioria era ele puxava o assunto e eu tentava responder, dando a impressão de um monólogo de Shisui e eu um telespectador entediado.



— Itachi sempre fala de você. — Ele tentou uma vez mais.



— Itachi fala muito! — respondi sem pensar, um tanto grosso e depois tentei remediar a situação. — Não é isso…



Ele riu e me cortou:



— É sim, Itachi sempre fala muito! Desde criança por sinal.



Encare o Uchiha, ele manteve uma expressão divertida, afinal de contas, ele não era tão inexpressivo como imaginei.



— É, ele fala muito! — completei.



O silêncio voltou perturbador, mas, pelo menos, o gelo foi quebrado, resultando num clima mais leve entre nos dois, onde esse tempo em que caçávamos assuntos novos fossem menores que as outras tentativas de aproximação forçada.



Mordendo os lábios e de forma natural ele disse:



— Sabe?



Eu que mordiscava um pedaço grande da folha de acelga, engoli com rapidez, então questionei, sem dar muita importância voltando de imediato para minha comida:



— Oi?



— Atrás da casa tem uma vista esplêndida para o mar, depois que terminar sua comida poderia te mostrar!



Surpreso, pelo começo ruim, voltei rapidamente minha atenção para ele, antes de concordar apenas acenando em positivo.



Tinha algo no rosto gentil, nos olhos honestos, E tudo me importunou todo aquele tempo, sem conseguir formular um motivo.



Ao terminar o prato delicioso, observei ele surrupiar uma das garrafas de um caríssimo vinho e um saca-rolhas, e me guiou entre as tantas cabeças dançantes ou bêbadas demais para notar que escapamos da massa em direção a porta francesa ao final da sala iluminada pela claraboia.



Eu não poderia imaginar, um simples convite culminaria na minha ruína, mas estava tão foda-se para tudo naquela noite e não dei a mínima importância para cada celúla de meu corpo que dizia para não ir.



Até porque em todo o caminho pensava: eu amo o mar e não se recusa um convite para vê-lo. Era como se fosse meu escudo.



A porta foi aberta e a brisa salgada bateu em meu rosto. A praia particular era linda, as ondas fraquinhas debruçavam sobre as rochas e a noite estrelada clareava naturalmente a extensão de água. Respirei, inspirei deixando-o me levar em transe.



Guiado longe o suficiente para ter a ciência que estávamos mais à vontade, mas não tão longe, ouvia as vozes altas e música. Sentei perto de onde as ondas dissolviam na areia. Tirei os sapatos para sentir a água banhar meus pés e observei-o sentar ao meu lado.



O cheiro do mar ardia em minhas narinas, enquanto éramos banhados pelo luar prata.



Por muito ficamos daquele jeito entre encarar a lua, o mar e trocar alguns olhares,



Solvemos o vinho no gargalo gota por gota, até as palavras começarem a fluir com mais rapidez. E quando a bebida já havia sugado a sobriedade parcialmente, lá estava, ele e eu, conversando sobre qualquer assunto nos quais surgisse a mente e rindo como se fossemos amigos íntimos.



Eu começava e ele parava.

Ele avançava e eu continuava.



— Eu lembro quando escolhi ser policial! — disse entusiasmo, enquanto a bochechas ganhavam uma covinha charmosa. — Não era porque o meu pai e avó eram, foi mais pela decência de fazer algo pelas outras pessoas!



— Entendo! — Menti, enquanto mordia o interior da minha bochecha, buscando alguma palavra para evitar o embaraço pelo vício mentiroso.



— Você trabalha com o Tachi, né mesmo?



— É, um escritório de marketing, não é tão altruísta assim!



Ele deu de ombros, era como se não importasse com a crueldade que expunha o meu interior egoísta.



— Para cara! Deve ser divertido, provavelmente. — Seu tom saiu fraquinho, me encarando os olhos escuros com tanta intensidade, me perdi.



— É divertido, o melhor é não ter um horário certo para ir ao escritório, nunca cumpro hora, afinal…



— Nossa! Incrível! Melhor coisa, não ter um horário fixo. — Suspirou sonhador.



— Uhum… Melhor coisa!



Pronunciei desanimado, e o Uchiha inflou as bochechas como uma criança, a cena foi espetacular ao ponto de sugerir em minha mente ser um pecado não rir da cena. Antes de vagar seu olhar para o outro lado e dizer amargurado, sem a decência de esconder tal amargura:



— Eu Deveria ter buscado uma carreira como está!



— Ajudar as outras pessoas não te faz feliz?



Sem me encarar ele respondeu:



— É mesmo, não me vejo em outra profissão!.



Forcei um sorriso com tanta dificuldade, conseguiria descrever tal tentativa de sorrir e sua dificuldade com uma louça de porcelana preste a cair no chão e quebrar. Como se meus lábios fossem tão rijos e rachasse mediante a tentativa. Mesmo assim eu sorri.



Neste ponto a bebida se tornou mais necessária para a garganta seca, dificultava a continuidade de assunto e parecia que o sorriso salientado de Shisui, estava grafado em cada partezinha do meu ser.



Com uma rapidez embolada a perda total da noção do tempo, junto ao céu anil iluminado, a água tocando e deixando meus pés, a fala mansa dele e a música gostosa quase se perdendo pela distância. Tudo isso se tornou infinitamente bonito e agradável. Mesmo que o que fora quase confessado minutos antes ainda pesasse no ar.



Shisui se dobrou para rir, talvez bêbado de mais ou talvez pensando em algo que ele não compartilhou, caindo para trás na areia e a voz arrastada brotou:



— Raras são às vezes que eu bebo!



Eu não tinha o que dizer, aquela não era minha realidade eu bebida quase todos os dias.



Aquela altura a bebida já tinha anestesiado minha mente e o cheiro do mar misturado a fragrância de Shisui perto o suficiente de mim, me atordou um pouco mais. Não queria, não queria sair dali.



Aquele período de letargia, é com toda a certeza um dos pensamentos mais decorrentes, eu o guardo como a lembrança mais preciosa que tenho de minha vida.



Seus dedos colaram nos meus e seu corpo praticamente se arrastou para junto do meu. Não contive o sorriso, desta vez não tão forçado como antes. Mesmo assim permaneci com certa dificuldade apagada em partes pela embriaguez.



Antes disso nunca havia sequer pensado em tal possibilidade de tocar meu corpo a de outra pessoa que eu acabará de conhecer, mas já não sabia se era o efeito da bebida ou o sorriso bobo estampado nos lábios dele. Ao encarar tão de perto, apenas guiei-me pelos meus desejos mais primitivos.



Puxei-o pelo queixo aproximando mais nossos corpos, até sentir seus lábios presos aos meus.



Não era educado o suficiente para me prender à esperas, mas naquele momento quis saborear cada parte de Shisui, do encostar dos lábios até o momento de nossas línguas se encontrarão.



***



Voltamos ao vício, o ato de dependência física ou psicológica em algo e a busca constante por aquilo ou o consumo excessivo.



Eu mudei em vários aspectos depois do nosso beijo e nada foi natural, foi rápido e invasivo, mas o ritmo do Uchiha me trazia um certo conforto. Diferente de Itachi onde tudo que fazia era na intenção de quebrar o coco. Shisui poderia ser comparado com aquela noite calma na praia.



É desta maneira onde vem as piores dependências, começam apenas em alguns finais de semana, quando você dá por si, está cheirando cocaína na mesa do escritório às três da tarde de uma terça-feira.



Foi mais ou menos assim com ele, mas troca a euforia seguida por uma “bad” profunda apenas pela euforia e temos o que eu chamo de se apaixonar.



Esse ritmo me deixava confortável, para seguir em frente, um dia simplesmente passei a me encontrar com ele quase todos os dias, eram encontros casuais, falávamos bobagens como na festa. Numa cafeteria ou para jantar.



E em todos esses encontros acabávamos na cama.



Eu não sou uma pessoa muito experiente e o único relacionamento de parar para conversar trivialidades antes dele, era com o Itachi. Não tenho outra referência, a única diferença dos dois, é o lance físico mesmo.



E, neste ponto entre sexo sem culpa, diálogos alongados e a percepção de que eu não era tão vazio quando estávamos juntos, percebi, talvez fosse a hora de avançar.



Uma vez eu li um tipo de porcaria reflexiva em algum jornal:



Tinha uma criança, ela possuía tudo desde bens materiais, até a saúde em perfeita ordem esta criança em questão não era feliz e os pais dela tentaram de tudo para que seu filho fosse feliz. Encheram-no de porcarias matérias, roupas caras, os melhores brinquedos e babaquices tecnológicas.



Não preciso dizer, a criança permaneceu tão triste como nunca antes esteve.



E dizer desta maneira não poderia ser associada com alguma espécie de spoiler, eu deixei claro ser uma porcaria reflexiva, elas possuí a mesma coisa em comum o ato de fazer pensar no mundo a sua volta, querem nos desligar do que a maioria acha necessário, neste caso, os bens materiais.



Voltando…



Então, quando matricularam a criança numa escola qualquer, lá tinha um menininho, ele não possuía os braços e mesmo assim ele não cansava de sorrir.



Os pais da criança rica logo se interessaram no garotinho e tentaram buscar a cura da depressão de seu filho, como se depressão possuísse cura.



Abriram a mão de todo orgulho de adulto que tinham e foram atrás do garoto.



Ao chegar onde o menininho sem braços morava, perceberão, ele era de família muito pobre, algumas crianças corriam para cima e para baixo na casa humilde e aquele fato chamou mais ainda a atenção dos adultos.



Até questionarem os pais pobres:



“Como fazem para ter um filho tão feliz?”



E a resposta veio de forma simples:



“Damos amor para nossos filhos com gesto e ensinamos a eles não deixarem as oportunidades escaparem de seus dedos.”



Como disse: uma babaquice reflexiva!



Mas uma babaquice em que me deu forças de me abrir, pela primeira vez em minha vida com outra pessoa,



Então éramos um casal oficial.



Dormíamos de conchinha, íamos ao cinema de mãos dadas e fazia essas coisas idiotas de casais, como ir para a casa dos parentes nos finais de semana com roupas combinando.



Enquanto isso Itachi estava radiante, alguém conseguiu abrir o coco.



***



Eu me lembro com muita lucidez de uma viagem em questão.



Era um lugar paradisíaco, uma ilha com águas azuis e dias ensolarados, me deu a impressão de verão. Nas manhãs o sol me aquecia e nas noites Shisui me aquecia com seu amor.



Assim como esta viagem poderia passar o resto de minha vida desgraçada citando passeios românticos e viagens de última hora. Era realmente um tempo no qual achava que apenas o amor era a única coisa a preencher o vazio inesgotável pertencente a mim.



Certa noite enquanto observava seu rosto corado e o escuro de seus olhos apertados colados no meu, quase fechar, no mesmo instante em que o segurava pelas nádegas, para o foder de uma vez com pressa, de seus lábios saltou ainda quando possuía ele, como se fosse a mais bela sinfonia tocada pelo homem:



— Kisame, eu..u te amo!



Como poderia eu, um cara esquisito e com algumas questões existenciais e sociais tão excêntricas ser feliz. Alguma coisa apontava em minha cabeça que não era merecedor eu não poderia ser merecedor de alegria qualquer.



Eu era um remédio/coco/maço de cigarros vazios, não era uma pessoa que me colocava no lugar de outras pessoas, me importava com essas outras pessoas ou quisesse fazer isso. Mas pela primeira vez em toda a minha vida me sentia completo. E era por acordar ao lado de Shisui…



E quando isso desandou?





***

O iate mergulhava sem parar em meio as águas marítimas escuras pela noite, o cheiro salgado grudava em meu nariz, conforme o barco avançava mar adentro.



Aquela noite em questão estava nublada a lua não apareceu assim como as estrelas haviam sumido do céu, tudo a se notar era a luz forte do farol, indicando o caminho de volta ao cais que havíamos saído.



O Som tocava ensurdecedor, a garganta prensava a cada minuto dentro daquele iate festeiro em que Shisui disse ser a maior festa do ano, mas eu conseguia lembrar de outras vezes que ele disse o mesmo.



Todas eram as festas do ano.



Já havia bebido mais que o normal, minha cabeça girava, enquanto no deck parecia melhor por não ter pessoas em volta que os demais lugares de lá, já havia perdido Shisui de vista e aparentemente como nas demais festas eu era dispensável, não que me importasse com isso.



Lá dentro conforme ele tentava me deixar a vontade era apresentado a cada ser, um mais patético que o outro. Sorrisos forçados, diálogos forçados, assuntos fúteis da classe média alta que me embrulhava o estômago sempre.



Então observar Shisui cercado de idiotas ao longe era de mais agrado, que confraternizar com os demais. Pelo menos ao longe podia observar o sorriso largo estampado em seus lábios e sua cordialidade ser esbanjada por ai.



Mas se eu não me sentia confortável porque me torturava daquela forma?



Eu começava e ele parava.

Ele avançava e eu continuava.




***



Acordar naquela manhã em questão foi algo doloroso, eu não bebia daquela maneira há muito tempo, os flashes pulavam em minha frente, e tudo parecia infinitamente doloroso, levando embora meu tino e meu ar.



Tentei respirar e inspirar como se alguma merda de exercício de respiração fosse capaz de curar uma ressaca ou levar embora as mágoas presas no meu íntimo.



Mesmo assim respirei e inspirei sem me importar se funcionaria ou não.



O quarto que me encontrava com os típicos lençóis com cheiro de lavanda estavam franzidos em cima da cama de casa do apartamento do Uchiha, pisquei algumas vezes para acostumar minha visão com a claridade ela entrava, sem qualquer gentileza, pela fresta da janela de aço.



A desgraça nunca vem sozinha já dizia o velho ditado, não bastava a ressaca brava, a claridade forte denunciou o dia quente, onde me obrigaria a colocar um terno e gravata e sair em pleno sábado para o escritório. Por um longo período eu praguejei sobre a bebida.



Mas era difícil de acompanhar Shisui para todas as festas, sem me sobrecarregar com os diálogos forçados, estando bêbado amenizava o desconforto por me obrigar a fazer aquilo.



Senti seu abraço em meu torso e um ronronar escapar, enquanto seus lábios circunavegavam pelas minhas costas. Um chiado saiu do fundo da minha garganta quando Shisui alcançou meu pau semiereto embaixo dos lençóis brancos com suas mãos.



— Hum… Diz que você tem meia hora pelo menos Kisame?



Fechei os olhos, mordendo os lábios quando encontrei o relógio jogando a realidade na minha cara, eu não tinha nem cinco minutos, virei meu corpo encarando o rosto de Shisui, beijando-o como se não tivesse feito isso há, pelo menos, uns cinco anos e de forma faminta e cheio de saudades.



Minha boca buscou a dele, enroscando minha língua na dele, procurando lugares não alcançado, sentindo seu gosto, mordendo seus lábios entre o beijo, aprofundando todos os meus desejos reprimidos e recebendo o mesmo.



Mas tinha algumas coisas entaladas na minha garganta e eu não estava com nenhuma vontade de conversar sobre aquilo naquele momento, mesmo que a cabeça cobrasse tais coisas de maneira ruidosa, tentava buscar no beijo uma forma de esquecer todas as máguas prensando minha garganta.



Quase em desespero por paz, meus lábios encontraram o pescoço que tão bem conhecia, saboreando sua pele como alimento mais delicioso do universo e seu aroma penetrava em minhas narinas junto a lavanda dos lençois.



“Fale!”, ignorei, subindo minhas mãos pelas coxas roliças.



“Fale!”, respirei fundo, alcancei a nádega durinha.



“Não me ignore…”, desci minha língua fazendo uma trilha pelo seu pescoço até alcançar sua barriga e dei algumas mordidas enquanto esfregava minha ereção em sua coxa.



— Ki…same… — o murmúrio saiu rouco e embargado.



Voltei minha atenção para ele neste momento o Uchiha mordia seus lábios, o tesão misturado a visão perfeita que minhas retinas capturaram me tirou dos pensamentos negativos que me guiava por um período curto.



Depositei uma trilha de beijos pelo caminho enquanto minhas mãos agarravam sua bunda flexionando meu pau mais ainda nele.



“Vai ignorar mesmo?”, Novamente o pensamento insuportável me tomou, respirei perdendo todo o foco no que eu fazia.



Não dava, alguma coisa na noite anterior havia me tomado, eu ainda não conseguia identificar o que era, estralei minhas mãos em seu traseiro, puxando por sequência para mais perto de mim e sem dizer nada ficamos abraçados por muito.



Perdi o horário…



***



O que vinha me chateando?



Eu desconfio que tenha haver com as tais festas, elas do nada começaram a se tornar presente demais e rotineiras demais! Eu me forçava e tudo parecia rodar Shisui, os amigos eram deles e as festas ele era o convidado.



Era como se eu não tivesse uma vida, eu nunca tive, não é mesmo?



A cada nova festa eu me desgastava mais, me retraída mais, meu obrigava mais. Via-me preso a beira da vida de Shisui, como se eu não tivesse mais controle sobre mim.



Meu círculo era o dele. Eu não tinha vontade própria, mentia sempre que tudo estava bem para mim e para ele e voltava para os vícios pouco a pouco.



Um dia era a mentira, no outro a bebida, no outro eu já havia matado tudo de melhor dentro de mim.



Como se minha vida não fizesse sentido. Jogando mil e uma realidades sobre tudo ser uma mentira e eu ser uma mentira. Passei acreditar nisso como se cada parte de mim fosse obrigado a me diminuir para que tudo fizesse sentido, tais pensamentos se tornou um vício.



Acordava por acordar, transava por transar, ouvia as metáforas do Itachi sem qualquer pingo de absorção, não diferente de antes, apenas não conseguimos recordá-las. Até às atividades triviais eram feitas sem qualquer ânimo.



Eu só não havia notado, eu não mais sorria ao voltar para casa.



Havia entrado numa rotina enfadonha e maçante, onde minha vida era viver ao redor de Shisui, como um papel de parede opaco e gasto sem qualquer serventia além de cobrir todas as manchas de mofo no concreto e sem qualquer previsão de troca. Isso só seria feito se o bônus de final de ano fosse gordo o suficiente para a substituição, caso contrário estaria ali apenas como estepe no próximo ano.



Aquilo estava me desgastando, eu estava infeliz, inseguro e não conseguia perceber o motivo, só me sentia superficialmente feliz ao lado de Shisui, quando estava longe me sentia sufocado deprimido, mas não era muito diferente quando eu estava perto, me sentia sufocado e deprimido do mesmo jeito.



Então um dia veio a primeira briga, onde sem qualquer razão joguei todas as minhas frustrações em seu colo, sem ser específico suficiente sobre o real motivo, sem abrir a boca e falar o que eu sentia de verdade.



E com a primeira começou mais uma, outra e outra.



Eu começava e ele parava.

Ele avançava e eu continuava.



E durante dois anos levávamos entre o mar de rosas, em minoria e as brigas, quase todos os dias.



Eu me culpava e eu o culpava.

Ele se culpava e ele me culpava.



Então como todos os vícios, eu avançava de maneira assustadora para o abismo, eu o culpei, culpei por minha inabilidade social, o culpei pela minha falta de tato e o culpei por minhas mentiras.



E culpá-lo se tornou meu maior vício e erro.



***



Sabe em que ponto nos encontramos?



Na famigerada busca por resoluções que nunca dão em nada e que apenas tem como serventia adiar o inevitável.



É como um paciente terminal, ele é dopado por milhões de remédios não testados antes e só negligência o médico pela culpa de dor e sofrimento posta ao moribundo. Um atestado que tira toda a culpa do responsável das costas para o tão chamado bem maior. E que resulta numa morte lenta e dolorosa.



Mas para relacionamentos abusivos como o nosso, era a desculpa perfeita para lhe culpar um pouco mais, com o mesmo atestado do bem maior que o tal médico subjuga o paciente preste a morrer.



Shisui mudou, ele evitava os convites para as tais festas em que me via cercá-lo, porque eu não tinha a capacidade de socializar. E quando saíamos era aquela espécie inconveniente de casal que não se desgrudam e voltava cedo para casa.



No dia seguinte, o manipulava com culpa que ele não tinha pela minha incompetência e este chorava escondido no banheiro. Me sentia mal, mas tudo fugia do meu subconsciente ao lembrar de minhas incapacidades.



E tudo se tornou um ciclo, o mesmo ciclo do maço de cigarros que Itachi parafraseou, onde a cada etapa avançávamos para o final trágico e cheio de dor. O ciclo da culpa, do medo, das inseguranças, das brigas e no final do silêncio.



Até aquele dia em questão, quando cansado de chorar escondido e se reservar, Shisui saiu sem nem me avisar, afinal ele é livre, não mesmo?



Deixei de falar com ele por, pelo menos, três meses, o tempo eu já não contava mais, apenas coexistia através de suas amarguras e minhas incapacidades.



O silêncio prevaleceu…



***



Ele havia posto o café da manhã como em todos os dias, as tarefas eram divididas e ele cuidava disso. Então me sentei e levei a xícara de café até a boca segurando entre os dedos o celular com a outra mão para evitar contato visual.



Percebi pelo canto dos olhos que este levava nos olhos escuros olheiras carregadas, voltei para a notícia qualquer, até falar ríspido, com um desejo por fazê-lo mais infeliz:



— Esse café tem gosto de merda!



Ele apenas me encarou entristecido, por muito tempo, seu olhar melancólico pesava em mim com tanta mágoa e a falta de resposta doeu tanto quanto um chute nos testículos.



Os minutos avançavam e ele não abria a boca e o silêncio me engolia, me matava a cada minuto mais, ele se levantou e saiu de casa sem dizer uma palavra.



Não preciso dizer, o remorso pesou em minha mente o dia todo. Pesou, passei o dia todo agitado demais, sem qualquer concentração no meu serviço. Todos notaram, até mesmo Itachi.



Meu chefe tentou me persuadir a voltar para casa, como se aquilo fosse adiantar. Era um pressentimento ruim, momentos sufocantes e que quanto mais eu afrouxava a gravata, mais a sensação de sufocamento se tornava parte de mim.



Então aconteceu, ao voltar para casa ele e suas coisas não estavam mais lá e eu sabia; o fim derradeiro havia chegado.




***



Sabe qual a pior parte do vício?

Abstinência.



Eu sei já disse isso antes, mais de uma vez por sinal, mas naquele momento era como se eu fosse um viciado em heroína obrigado a ir para reabilitação, ficar longe de Shisui doía cada parte de mim, dos fios do cabelo as unhas do pé, se isso fosse realmente possível.



O desespero só viera na manhã seguinte, o peito doía, as lágrimas não desciam e isso me sufocou, me deixou paralisado, com medo, inseguro, pensando como seria o próximo dia, como eu queria, mas nunca foi como eu queria, porque eu não falei, não busquei e me isolei.



Parecia que o som da risada baixinha dele ressoava sem parar nos meus ouvidos e meu corpo tremia ao ouvi-la.



Não sentia fome, não dormia, havia perdido a noção de tempo. Apenas estava lá na minha frente a verdade, eu havia destruído a única coisa boa que havia acontecido na minha vida fora o profissional.



Shisui foi embora e eu não era corajoso o suficiente para tentar, ou queria, já havia feito ele sofrer muito, muito e ele não merecia. Como se a deixa dele tivesse aberto meus olhos para o sofrimento causado.



O telefone apitava sem parar, fosse ligações ou mensagens, era um lembrete do mundo sussurrando: minha vida não podia parar, tinha um emprego, uma vida adulta e responsabilidades.



Sabe porque nenhuma história trágica de primeiro amor é narrado com pessoas adultas?



Porque não temos tempo para sofrer por motivos frívolos como uma rejeição. Essa é a verdade, desculpa por acabar com a graça toda, mas certas coisas precisam ser ditas, afinal



***



Sabia que minha demissão viria de maneira cruel a adentrar o escritório no dia seguinte, mas não veio. Meu chefe ficou sabendo por Itachi, o que havia acontecido e este se mostrou solícito ao meu sofrimento, me sugerindo férias, elas estavam em atraso.



Não preciso dizer, eu recusei as férias, não podia me abalar, precisava ocupar a mente, ficar em casa sem o Shisui só me deprimida mais e eu de novo não chorei. Apenas senti a sensação horrível do ar faltando, como se uma mão invisível agarrasse meu pescoço e como se todo o meu corpo doesse de maneira física.



Itachi, por sua vez, se afastou, nunca mais nos falamos, fora, claro apenas o necessário como dois colegas de trabalho…



***



Uma vez ainda na faculdade, o professor passou uma lista de livros, me deparei com uma realidade assustadora, comparando obras quando o casamento e o amor eram tratados como moeda de troca. Os amores eram únicos e duravam até o final de sua via.



Julieta amou Romeu, seu primeiro amor, até onde aguentou e o seu fim foi ao lado do amado com a morte.



Elizabeth amou apenas Darcy, e esses dois tiveram o final juntos, não sabemos se este amor foi feliz, mas por lógica pensamos que os dois tiveram um ponto final. Poderíamos analisar sobre um divórcio já que no período em que é narrado Orgulho e Preconceito, casais poderiam se divorciar, graças a igreja Anglicana, claro a mulher seria arruinada e Elizabeth não era burra para ter um destino tão trágico e Mr Darcy era um homem honrado.



Nesse tempo o amor era barganhado, você vivia para isso, encontrar um único amor e nada mais e ganhava quem tinha mais a oferecer.

Por isso as obras da época tratavam tais amores como único, não tinha como voltar atrás dos votos, por mais infeliz que as duas pessoas fossem depois do ponto final dado pelo padre no altar, por mais cruel seja tal realidade, ainda sim, seria o único até que a morte os separassem.



Mas a verdade sobre o amor, nem todos os amores são regados a floreios ou nem todos os amores duram para sempre.



O primeiro amor é com toda a certeza o mais inesquecível, a primeira pessoa com quem você compartilha uma vida, com quem você faz descobertas, com quem você testa os erros e os acertos. E por todas essas razões primeiros amores sempre são tratados como passageiros em obras fictícias atuais, temos a liberdade de pular fora quando não dá mais.



Falta tato, é cheio de erros, de neuras, ausência de diálogos, santificar o companheiro, romantizar a traição e estereotipar o parceiro, comparando-o com outras pessoas, são apenas algumas coisas que vem com o seu primeiro amor, tudo isso junto a insegurança. Mesmo assim, ele é e sempre será seu primeiro amor, mas não quer dizer que durará para o resto da vida.



Shisui fez certo de sair de casa naquele dia, havíamos chegado num ponto em que o primordial havia se perdido, o respeito. Quem seria eu para criticá-lo?



Dói?



Ainda dói, como se cada parte de mim fosse uma extensão de um abismo em que me coloquei, eu me coloquei.



Se ainda sinto sua falta?



Todos os dias…



Se faria alguma coisa para voltar atrás?



Não, foi isso que me fez perceber o quão doente eu estava e estou, Shisui merece o melhor, não um verme que abre o tal coco pela metade e guarda para si a água e a carne de maneira egoísta. Então não voltaria atrás.



Como estou agora?



Isso é uma pergunta para outra ocasião.

Meu único objetivo com esta obra era narrar de forma didática os fatos perturbadores que navegam a mente de um ser humano sujo, quando colocado sobre pressão sem a mínima ideia de como sair do navio que naufraga.



Eu submeti tudo ao desastre ocasional e nada mudará está realidade.

É, bem, nada mesmo mudará.



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23 de Janeiro de 2019 às 18:11 1 Denunciar Insira 121
Fim

Conheça o autor

Neeca Ashcar Com gosto aguçado em descobrir, vivo fazendo mil e uma pesquisas. A leitura é meu mecanismo de vida e a escrita é tão necessária quanto água. Escrevo tudo que me dá na telha. Tudo mesmo… De casais velhinhos passando os últimos dias de suas vidas juntos, até o ataque de uma horda de zumbis esfomeada e sedenta de sangue. Não espere constância! ;) 💚Mama NagaIta — Igreja Suprema: KakaGai — Tipo Rapadura. 💚 Nath, eu te amo, my Best!

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Di Angelo Di Angelo
Tá eu não sei como descrever, acho que vou ter que ler várias vezes para ter uma opinião concreta sobre, mas caramba Verônica. O Kisame narrando, o relacionamento saindo de uma aparente coisa linda para um relacionamento abusivo e eu aqui com muita raiva dele. As metáforas do Itachi com certeza vão ficar aqui comigo. E você me disse que eu devia manter as expectativas baixas pra ela, tsc. Vou reler algumas outras vezes certeza, vou precisar disso e que bom que você conseguiu expurgar demônios escrevendo ela. Vou terminar aqui porquê tenho certeza que me perdi muito no que eu queria dizer.
23 de Janeiro de 2019 às 13:14
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