Vermelho ou Azul Seguir história

asheviere Jupiter L

Não importava quanto tempo se passasse, três coisas sempre deixariam Percy Jackson encantado: o infinito movimento de Nova Iorque, comidas azuis e os olhos de Annabeth Chase. [RA: realidade alternativa - Percy imortal]


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Vermelho ou Azul

Não importava quanto tempo se passasse, três coisas sempre deixariam Percy Jackson encantado: o infinito movimento de Nova Iorque, comidas azuis e os olhos de Annabeth Chase.

Na primeira vez, eram cinzentos como um céu de tempestade. Agora eram castanho-dourado como mel. Mas algo permanecia igual, algo que desestabilizava e atraía Percy, e o deixava preso com sua espécie de magnetismo. Talvez o misto de atitude e gentileza, talvez a aura de espertalhona que fazia Percy se sentir novamente como um recém-chegado ao acampamento, descobrindo aos poucos sua nova vida. No fim das contas, Annabeth sempre seria parte de seus recomeços.

— Posso ajudá-lo? – Já que ele não parecia disposto a tomar uma atitude além de encará-la como um maníaco, Annabeth resolveu se adiantar. No mínimo, quebraria o olhar fixo do rapaz, que começava a lhe incomodar. – Já sabe o que vai pedir?

— Desculpe, eu… ainda não decidi.

Apesar de ser a primeira vez que se encontravam, Percy não se orgulhava de confessar que tinha agido como um legítimo stalker. Sabia que ela trabalhava naquela lanchonete tentando juntar fundos para a faculdade, mesmo que não ganhasse o suficiente. Ela também dava aulas particulares para alunos do ensino médio. Só precisava de uma parte do dinheiro, o resto seus pais conseguiriam cobrir. Seus dois pais mortais. Percy sentia-se dividido quanto a isso. Por um lado, ficava aliviado e grato por Annabeth não ser uma semideusa nessa vida. Ela estaria mais segura. Poderia ter uma vida completa, sem monstros, sem deuses, sem missões fatais. Ela não amadureceria vendo seus amigos desaparecerem gradualmente, se perguntando quando seria sua vez. Não precisaria se manter vigilante na escola ou quando saía com amigos, com medo de que alguma criatura lhe atacasse desprevenida. Iria ao cinema, estudaria arquitetura (“jornalismo”, corrigiu-se mentalmente, “agora ela estuda jornalismo”).

Por outro lado, sem conhecer o mundo não tão mítico dos deuses, Percy jamais poderia contar a história que ambos viveram. Isso também não era de todo ruim, já que agora Percy se envergonhava de ter aceitado o presente de Zeus, e contar a história para Annabeth seria decepcioná-la uma segunda vez. Não. Era melhor ser um desconhecido para ela do que magoá-la novamente.

Como era o fim da tarde, a lanchonete não tinha muitas opções. Percy olhou sobre a vitrine, onde dois solitários pedaços de bolos ainda esperavam a clientela certa. Um era de morangos, o outro, coberto com chantili azul.

— Eu quero aquele – pediu, apontando para o bolo azul.

Annabeth sorriu, servindo a fatia em um prato no balcão.

— Ainda não está pronto para deixar a Matrix?

A brincadeira o fez sorrir também.

— Eu pensei que estava.

Annabeth gostava de se sentir desafiada. Percy sabia que ela voltaria, os Campos Elíseos não eram suficientes, e sinceramente, na visão dele, Annabeth realmente merecia mais. Era questão de tempo até que ela reencarnasse. A Ilha dos Abençoados era destinada a quem três vezes viveu, e três vezes conquistou o Elíseo. Annabeth estava em sua segunda vida. Mas para uma alma imortal, como Percy lamentavelmente era agora, não era tempo o bastante. Poderia passar a eternidade com Annabeth, ainda não estaria pronto para deixá-la ir.

Porém, não apenas por ela, mas por ele mesmo também, precisava deixá-la ir.

Amanhã”, pensou Percy, comendo sua fatia de bolo azul. Era o mesmo que dissera no dia anterior, e no dia anterior a esse. Acabava sempre voltando para ela, ignorando que um dia não teria mais essa opção.

Percy ainda não estava pronto para deixar sua Matrix.

3 de Janeiro de 2019 às 19:53 0 Denunciar Insira 122
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