A Segunda Esposa Melancólica de um Traidor Seguir história

mandyfran Mandy Fran

Havia um jovem rapaz numa cidade pequena, por mais que este trabalhasse, pagasse suas contas e impostos, e fosse o que muitos chamariam de um “cidadão de bem” , o jovem possuía um hobby um tanto quanto sádico.


Horror Literatura monstro Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#terror #378 #336
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Podridão

Havia um jovem rapaz numa cidade pequena, por mais que este trabalhasse, pagasse suas contas e impostos, e fosse o que muitos chamariam de um “cidadão de bem” , o jovem possuía um hobby um tanto quanto sádico.

Nas tardes de sexta feira, depois do trabalho, ele dizia para sua namorada que sairia com os amigos para um happy hour, ela sempre confiou nele, e ele nunca deu motivos para que ela desconfiasse; afinal sempre voltava para casa no horário combinado; entretanto ao invés de se encontrar com os colegas de trabalho em um barzinho qualquer da cidade, o rapaz seguia sozinho em sua caminhonete, em direção a floresta.

Antes que o sol sumisse do horizonte, o jovem já estava saindo da cidade e adentrando na área rural que cercava-a. Seguia uma trilha não asfaltada e esburacada até o momento em que seu carro não fosse capaz de passar por entre as arvores grossas e densas que o cercavam. Retirou seus sapatos envernizados e deixou-os no banco do passageiro, colocou botas de cano alto que já estavam sujas de lama e uma substância escura, abandonou o veículo com uma sacola nas mãos, e começou seu caminho já conhecido.

Os sons dos animais, ecoando ao redor, não o assustavam, pelo contrário, o deixavam cada vez mais animado, sempre que notava um ruído ou movimentação que não fosse dele, seu coração batia mais rápido em êxtase, e sua boca salivava como se estivesse diante de um saboroso prato de comida.

Caminhou por mais alguns minutos até chegar numa cabana, destrancou a mesma com as chaves que carregava no bolso e entrou, deixou as botas do lado de fora e sacola sobre uma das poltronas, agindo como alguém que acaba de chegar em casa após um longo dia de trabalho. Foi até o banheiro, retirou o paletó, a grava, a camisa social e as calças, e trocou-as por trajes mais confortáveis, largos porém quase rústicos e feitos de um material resistente e grosso, que também possuía as mesmas manchas escuras que as botas.

Pegou uma das espingardas que estavam penduradas na parede, examinou-a para ter certeza que estava funcionando corretamente, pegou alguns pentes de munição e após calçar suas botas e pegar uma lanterna e um saco grande, saiu da cabana, deixando-a destrancada.

Conforme a noite caia, o jovem ligava a lanterna para ajuda-lo a desviar as arvoes e eventuais galhos no chão, mas para ele, a diversão apenas acontecia quando todas as luzes estavam apagadas. Ouviu um ruído próximo, folhas mexendo no chão, como se algum animal estivesse andando, logo desligou a lanterna e se posicionou, enxergando unicamente pela mira acoplada na espingarda, que possuía visão noturna.

Entre os nuances esverdeados, identificou um cervo que caminhava, manteve a arma firme e disparou um projétil certeiro, que matou o animal quase que instantaneamente. O rapaz caminhou até a carcaça do animal, acendeu a lanterna e observou sua caça por alguns segundos, após se decidir, decaptou-a e retirou seus membros inferiores, deixando para traz o que um dia foi um cervo. Após algumas horas, ele voltaria para a cabana, examinaria seus pedaços de animais, e se divertiria como uma criança que brinca com Lego.

Meses se passaram até que sua namorada começasse a estranhar o comportamento do rapaz, ela observava fotos dos colegas dele nas redes sociais e notava a ausência do mesmo. Temendo uma traição, ela o seguiu até a cabana e achou que o encontraria com alguma amante lá dentro por mais que o lugar não fosse um dos mais comuns, entretanto depois que o viu sair sem demorar muito e ir em direção a floresta, ela preferiu adentrar no lugar e descobrir do que se tratava.

O cheiro de sangue e podridão eram constantes, como o lugar passava a semana toda fechado o ar parecia não circular, havia também o cheiro de terra e de animais, que parecia já estar impregnado naquela cabana. A garota procurou por um interruptor mas se arrependeu quando acendeu as luzes e encontrou diversas carcaças de animais empalhados, o pior não era o fato de serem vários animais mortos lotados de serragem, mas sim por suas partes estarem cortadas a mudadas, formando criaturas horrendas e inimagináveis. No centro da cabana, longe da poltrona e da lareira, havia uma enorme mesa de ferro, nela descansava uma raposa morta, que ao reparar melhor, a garota pode notar que já não possuía olhos nem focinho, e a carne da parte interna dessas regiões apodrecia, repleta de larvas e moscas.

A garota correu o máximo que pode em direção ao próprio carro, estava tomada de medo, repulsa e nojo, assustada pelo fato do namorado que pensava conhecer tão bem esconder um lado sombrio e sádico como esse. Quando chegou em casa, tomou um banho, remédios e se deitou como de costume, tentou adormecer mas as lembranças em sua cabeça a impediam. Depois de algumas horas em claro ouviu o barulho da porta abrindo, sabia que era o rapaz chegando, então fingiu estar dormindo para que ele não notasse o que ela tinha feito.

Uma semana se passou, a garota não queria estar ao lado daquele homem por mais nenhum segundo, entretanto temia que ele pudesse fazer algo com ela. Mais uma sexta-feira havia chego, o rapaz disse que sairia com os amigos e a garota tentou se conter, mas suas emoções a levaram á um surto, em que disse tudo que havia visto, e como sentia nojo do sóciopata diante dela.

Ela saiu aos prantos para o próprio carro, deixando-o enfurecido para traz. Naquela noite o rapaz estava especialmente irritado e acabou tomando uma rota diferente e mais distante do que estava acostumado, fazendo isso, encontrou outra cabana na floresta, mas essa parecia antiga e abandonada, entrando na mesma, encontrou diversas estantes e utensílios macabros empoeirados, no meio deles havia um livro o chamou sua atenção.

As escrituras estavam numa língua que parecia ser latim, o rapaz tinha estudado um pouco da mesma quando estava no colegial, mas já havia esquecido boa parte. Mesmo assim foi capaz de entender que se tratava de algum tipo de magia que muitos chamariam de vodoo, e ele encontrou ali a forma perfeita de se vingar de sua ex-namorada.

Dirigiu até sua casa, pegou uma escova de cabelo que pertencia á garota e tinha alguns fios loiros presos, e uma camiseta que a mesma usava com frequência.

Agora o rapaz se encontrava na própria cabana, com o livro e os materiais que precisava para executar sua vingança, leu as instruções e pelo pouco que entendeu, começou a agir, entretanto ao invés de construir uma pequena boneca de tecido como as escrituras haviam mencionado, ele preferiu usar partes de animais, sem entalha-as, apenas juntando-as e criando a pior das criaturas dentro daquela cabana.

Prendeu o cabelo que retirou da escova na cabeça de coelho que estava no topo, vestiu o amalgamo com a roupa pertencente á garota e se esforçou para pronunciar as palavras no livro, selando o feitiço com o próprio sangue.

Esperou alguns segundos, nada aconteceu, mas ele imaginou que aquilo significasse que sua ex-namorada estivesse unida ao “animal”, por isso começou a estrangular, machucar, chutar e cortá-lo, mas tomando cuidado para que não atingisse nenhuma parte vital. Quando se sentiu satisfeito, lavou o corpo e trocou de roupa, pronto para sair, enquanto fechava a porta notou que a massa de carne parecia se mover, respirar de certa forma, mas deu de ombros e foi embora.

Dois dias depois, ligou para a ex-namorada, dizendo que queria vê-la e se desculpar por ter mentido, que não precisaria reatar com ele, só não queria que o término acontecesse daquela forma, mas em seu íntimo ele esperava ouvir que ela estava machucada, debilitada demais para se quer sair de casa, por isso se assustou quando a garota concordou em vê-lo em um café no centro da cidade.

O sangue do rapaz borbulhou quando ele viu a moça caminhando na direção dele sem nem se quer um arranhão, ele teve vontade de ir para cabana naquele exato momento e queimar o livro, acreditando que tudo aquilo fosse apenas bobagem, mas aguentou até o fim do encontro, colocando sua melhor faceta de desculpas.

Depois de se despedirem ele dirigiu para floresta em alta velocidade, pronto para destruir o livro, correu até chegar próximo á cabana mas parou quando notou que a porta estava aberta, mais precisamente arrombada, se aproximou e olhou melhor, notando que ela parecia ter sido quebrada por dentro.

Entrou na cabana, tudo parecia mais bagunçado do que ele se lembrava, olhou na direção da mesa de metal e percebeu a falta da carcaça que tinha deixado ali algumas noites atrás.

Andou pelos arredores, procurando alguma pista do que pudesse ter acontecido, ouviu um barulho do lado de fora mas ignorou, o som só recebeu sua atenção quando ouviu seu nome sendo chamado na porta por uma voz que ele conhecia muito bem, a voz de sua ex-namorada.

Olhou na direção da porta e encontrou ali, de pé diante dele o amalgamo que tinha criado, a criatura repetia seu nome com a voz da garota á quem o cabelo usado para lhe dar vida pertencia, entretanto numa versão rouca e de aspecto doente. O rapaz repleto de medo, correu até uma das espingardas e acertou inúmeros tiros na criatura, mas estes pareceram não surtir efeito.

-Por que você passa um tempo bom com ela, e comigo você faz isso? – A criatura disse um tom melancólico e como se estivesse prestes a chorar, o que só fazia seu tom de voz parecer ainda mais repugnante. De repente a tristeza foi se transformando em ódio conforme ela se aproximava do rapaz, que continuava a atirar na esperança de mata-lo, entretanto ela havia sido criada com o sangue dele, e só morreria quando ele fosse junto.

29 de Dezembro de 2018 às 02:21 1 Denunciar Insira 2
Fim

Conheça o autor

Mandy Fran Estudante de ensino médio que não viver sem humor negro, sarcasmo e piadas ruins. Desde criança escreve algumas coisas e vai mostrando por ai, amante de todas as artes, possui um carinho especial pela escrita, o teatro e a música. É fria por fora, mas uma romântica antiga por dentro, e isso se reflete muito nas histórias que escreve, sendo elas quase sempre sobre casais impossíveis ou complicados.

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Lucas Lucas
Eu que sugeri o titulo, estou orgulhoso de mim :3
3 de Janeiro de 2019 às 19:14
~