A Splitting Of The Mind (Traduçâo) Seguir história

likeaphantomforever Dhayna Tavares

Gerard Way vê o mundo de uma maneira diferente. Sozinho e institucionalizado, Ele afirma que está sendo assombrado e que sua mente guarda a chave da existência. Será que ele realmente possui um segredo de tamanho poder? Ou só é insano como todo mundo nesse lugar?


Drama Para maiores de 18 apenas.

#frerard #gerardway #frankiero #mychemicalromance #mikeyway #bobbryar
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A Cisão da Mente

"Olho em volta e o que eu vejo

Parece que todo o mundo tá ficando um pouco louco

E eu sei que não é possível que estejam todos loucos menos eu

Então acho que sou eu quem está ficando um pouco louco" 

'Crazy' - The John Butler Trio 


Desde o primeiro momento em que eu pus meus olhos nele, decidi que gostava dele. Isso queria dizer algo, por que eu não gosto muito de ninguém. Não posso me permitir gostar ou confiar em alguém. Não mais. 

Ele chegou se esgueirando uma manhã, cabeça baixa, olhos voltados para o chão, ombros tensos e totalmente tentando parecer que não existia. Eu o vi aparecer na porta e rapidamente escorregar para a poltrona que Magda indicou pra ele. Não olhou em volta, fez barulho ou falou qualquer coisa. Só se sentou ali, tentando ficar o mais ereto possível nas almofadas flácidas da poltrona listrada de branco e azul. Ele juntou suas mãos, as entrelaçando firmemente, e as colocando cuidadosamente no seu colo, seus dedões voltados para o teto. Pouco depois, as separou e uma delas foi em direção à sua boca, onde ele começou a roer suas unhas. Então, como se percebesse a extensão de seu hábito, removeu seus dedos de sua boca e entrelaçou outra vez suas mãos no seu colo. Ao invés disso, passou a brincar com seus dedos. Meus olhos se desviaram de suas mãos, que me distraiam, para seu rosto. Deus, ele era jovem. Muito jovem pra estar num lugar assim. Ele devia estar bem fodido. Seu rosto era pálido como se estivesse sob a luz do luar. Virei a cabeça para analisar seus olhos. Sua fronte até podia se parecer com a luz do luar, mas definitivamente não haviam estrelas em seus olhos. Havia um tom de avelã, eu diria. Não conseguia ver, mas não precisava. Eu simplesmente sabia. Além disso, ele tinha toda aquela coisa de "pobre bebezinho" em seu rosto, mas, ao menos, não estava explorando isso. Nos meus primeiros dias, eu teria morrido pra conseguir ter essa carinha de "pobre bebê vítima". 

Uma risada estridente ecoou pela sala e ele deu um pulo. Assustado, olhou cuidadosamente para cima apenas para ver que todo mundo estava vidrado na estúpida televisão. Ele rapidamente deu uma olhada em volta, concluindo que todos estavam assistindo TV. Eu não. Eu ainda estava o assistindo. Foquei em seus lábios nesse momento. Imediatamente, pude perceber que eles já haviam tocado os de outra pessoa e fiquei desapontado. Porém, não havia amor em seu rosto. Não haviam pistas de quem o havia beijado nem em seus olhos, nem em sua boca, nem em sua alma. Ele havia escondido essa memória dentro de si e isso, particularmente, me irritava bastante. Quando pessoas escondem coisas, então têm que realmente procurar para reencontrá-las. Já caso tenham as perdido, extraviado ou colocado em outro lugar, ainda podem acabar tropeçando nelas. 

Como seu primeiro beijo. Se tiver sido uma boa memória, você não tentará escondê-la – apenas a colocará em um local diferente. Se você ocultá-la, nunca mais vai esbarrar nela. Porém, se você se esquecer um pouco ou deixar ela se extraviar, você nunca saberá quando ela pode voltar. Nunca saberá quando ela irá aparecer no seu subconsciente e te fazer uma ótima surpresa. Todavia, se tiver sido um beijo ruim, você tenta esquecer essa lembrança ou perdê-la para nunca mais tropeçar nela. É um bocado triste, na verdade, quando as pessoas se esquecem de perder a memória e são assombradas por elas pelo resto de suas vidas. Mas o cérebro não é como um sistema de arquivamento ou um grande túnel com duas saídas dizendo "guardar" e "se livrar". Você não pode arquivar fisicamente suas lembranças, não pode decidir de verdade quais você perderá pra sempre e quais simplesmente serão colocadas no lugar errado. E eu sou o único que sabe disso, então, naturalmente, sou o único que sabe como fazer isso. 

Quando estou muito entediado e o Jasper não está aqui, eu ordeno e arquivo as memorias da semana, mas em grande parte do tempo eu só as deixo ir. Não é grande coisa desde que você tenha desvendado o segredo pra isso. E eu aposto que se mais alguém tivesse conseguido fazer isso, teria sido bem inovador. Imagine ser capaz de perder as memórias de um acontecimento trágico da infância ou esquecer todas as mortes que você já presenciou. Pense no que um médico ou alguém que trabalha numa ambulância não daria pra ser capaz de esquecer coisas assim.

Então, é assim que todas as memórias funcionam. Não me pergunte como eu sei -- eu simplesmente sei. E agora você também sabe, por isso se eu ouvir falar de algum estudo inovador sobre memórias, saberei quem foi. Até vou entender se não me der os créditos. Afinal, sou só um adolescente e isso não me dá muita credibilidade, né? 

Voltando para o garoto novo. Eu o peguei encarando a TV agora, ao invés de seu próprio colo. Odeio essa TV! Será que ninguém percebe o quão facilmente essa caixa mata as suas células cerebrais? Irritado, cerrei meus dentes tão forte que Ben se virou. 

"Isso aí não foi muito legal, foi?" Ele disse, do seu jeito irritantemente calmo e metódico. 

Eu propositadamente rolei meu olhos e parei de ranger os dentes. Não queria estar ali. Odeio a hora de ver TV. Eles acham que estamos todos tão interessados em quem vai ser escolhido pra deixar o American Idol. Quem se importa com isso? A maioria dessas pessoas nem ao menos sabe cantar. Apostei meu dinheiro numa garota e nem assisto esse programa. Mas ela ia ganhar, eu já sabia disso. 

Me afundei na minha poltrona de modo que minhas costas ficassem encostadas contra um dos braços acolchoados e minhas pernas apoiadas sobre o outro. Outra onda de risadas ecoou na sala e eu lancei um olhar para a televisão, me perguntando o que podia ser tão engraçado sobre American Idol. Só que não era mais isso que tava passando, era alguma sitcom idiota. Puta merda! Rápido, preciso de algo pra arrancar meus olhos e me deixar surdo antes que muita dessa estupidez escoe pra dentro da minha cabeça! Alguém deve ter mudado o canal porque agora que estou pensando sobre isso, não me lembro de ouvir os sons do American Idol durante esse tempo. Devo estar tendo lapsos. Como deixei uma observação tão pequena passar despercebida por mim? Ah sim, foi a chegada desse garoto novo. Esse garoto com os negros cabelos bagunçados, mas já arrumados em outros tempos. Ainda conseguia sentir o cheiro do gel que ele costumava usar. Tá, era óbvio que ele já tinha lavado o cabelo desde que tinha chegado ali, mas, como eu disse, eu sei coisas. E eu sei que ele costumava usar gel. 

Então houve um click baixinho, mas para mim pareceu muito alto por que esperei ouvir isso o dia todo. A TV estava desligada! Aleluia! 

"Hora do almoço!", disse Magda com uma voz excessivamente alegre, sorrindo para todos nós. 

Resmunguei e propositadamente demorei pra desencaixar minhas pernas do braço do assento. Eu desesperadamente esperava que Ben não decidisse me esperar. Contudo, ele não esperava por mim, mas pelo garoto novo com os cabelos escuros que estava sentado ali, tentando ser o mais imperceptível possível em sua poltrona. Ben ofereceu uma mão a ele para puxá-lo dali. O menino aprendeu da pior maneira quão difícil era extrair-se das almofadas daquela cadeira em particular. Ela te engole, chupa sua bunda pra dentro. Eu ri disfarçadamente quando ele segurou nos braços do assento e tentou se empurrar pra fora dali. 

"Aqui, me deixe te ajudar. Posso tocar seu braço?", Ben perguntou cuidadosamente, sua mão ainda esticada e bem próxima à do garoto. 

O bebê vítima sacudiu sua cabeça violentamente e encolheu suas mãos, horrorizado, aninhando-as perto de seu corpo e encarando o outro como se ele o estivesse ameaçando. Ben ergueu suas mãos apressadamente, indicando que não o contestaria. 

Ergui uma sobrancelha pra mim mesmo e passei por Ben no meu caminho até a porta. Parei, minhas costas na direção dos dois e sacudi lentamente minha cabeça. Então me virei para olhá-los, sorrindo levemente. 

"Do que você tá rindo, Gerard?", Ben soltou, olhando para o garoto com uma expressão de derrota. 

Ergui um dedo para indicar que esperasse e comecei a lentamente desfazer o nó da gravata que estava ao redor do meu pescoço. Lentamente, sistematicamente e cuidadosamente eu o desfiz, preferindo reverter cada passo do nó do que afrouxá-la. A tirei do meu pescoço e a balancei na frente da poltrona do menino. Ele me olhava com tamanho escrutínio que quase me senti ofendido. Se eu estivesse fazendo chacota, ele saberia, e não teria que recorrer à tentativa de me decifrar. Finalmente o garoto decidiu que eu tinha boas intenções, ou qualquer coisa assim, e segurou no laço da gravata que eu tinha estendido a ele. Em um único movimento repentino, o puxei para que ficasse de pé. Ele cambaleou um pouco, mas não me movi pra tentar firmá-lo. Ele não queria que ninguém o tocasse, eu tinha que respeitar isso. Se ele caísse e rachasse seu crânio, não o tocaria. Se não era a vontade dele que ele fosse tocado, então eu não faria isso. Não era tão difícil assim de entender. 

Assim que conseguiu sair da poltrona, instantaneamente começou a ficar vermelho brilhante. Eu larguei a gravata e ela caiu, solta em suas mãos. Ele a embrulhou e esticou em minha direção. Sacudi a cabeça e segui meu caminho para o almoço. Eu estava com fome, afinal.

26 de Dezembro de 2018 às 18:57 0 Denunciar Insira 0
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