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kalinebogard Kaline Bogard

Sam precisa impedir que Dean vá para o Inferno. O tempo está acabando e o desespero aumentando, mas graças a uma dica de Ruby ele acha que encontrou a solução. Porém as coisas não terminam como planejado...


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#linguagem-impropria #Spoiler-03 #misterio #fantasia #aventura #dean #sam #310
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Em progresso - Novo capítulo Todas as Segundas-feiras
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– Você ainda não me convenceu. Nem um pouco na verdade – Dean Winchester bateu a porta do Impala com força o suficiente para arrepender-se em seguida. Culpa de Sam, que o fazia perder a cabeça. Acabou sussurrando para o carro – Desculpe, princesa.

O irmão mais novo rolou os olhos com enfado antes de dar a volta e abrir um mapa no capô do veículo.

– Aqui – apontou um trecho especifico – As coordenadas aparecem pelo menos duas vezes no diário do papai.

– Essa parte eu entendi! – Dean agitou a mão como se espantasse moscas imaginarias.

– Mas então...

– Eu me refiro a... espera... qual das opções: você ouvir um conselho daquela tal de Ruby ou nós mudarmos a rota e voltarmos para o Tennessee, quando estávamos quase chegando em Nevada!

Nesse ponto Sam olhou de lado para o irmão.

– Nós não vamos para Vegas...

– Com certeza não. Estamos no Tennessee! E caçando um maldito Leprechaun!!

– Não é um Leprechaun, Dean. Eu já disse que é um Cluricaun.

– Claro... – Dean suspirou de forma exagerada antes de virar-se de costas e meio que sentar-se no capô do Impala, pondo-se a observar o casarão abandonado que fora marcado no mapa – Grande diferença.

– Na verdade tem sim, uma grande diferença. Quando você captura um Leprechaun pode ganhar um pote de ouro – nesse ponto Dean pareceu mais interessado do que deveria – E se capturar um Cluricaun pode realizar um desejo. Qualquer desejo.

– Não sei Sammy. Essa Ruby te disse que há um Cluricaun aqui e que tem um demônio vindo para pegá-lo? Qual é, Sam?! Os poderes de uma criatura dessas devem ser muito limitados. O que eles poderiam fazer que interessaria um demônio?

O mais novo desviou os olhos do mapa e encarou o céu que começava a escurecer.

– Não há nada na mitologia irlandesa que limite os poderes de um Cluricaun. Que eu saiba eles podem realizar pedidos burlando certas regras do sobrenatural.

– Tipo...?

– Eu não sei exatamente. Mas não acho que devemos deixar assim.

A afirmação saiu firme e irrevogável. Sam não ia desistir daquele trabalho, mesmo por que não contara toda a verdade para Dean. Ruby prometera ajudar contra o Demônio da Encruzilhada e salvar a alma do Winchester mais velho de ir para as profundezas do Inferno.

Aquele pequeno personagem do folclore irlandês podia ser a salvação que tanto buscava. Mas para isso tinha que capturá-lo antes do demônio e sem que Dean descobrisse e tentasse impedir.

– Vamos usar mulso então? – o loiro perguntou se rendendo.

– Isso! – Sam sorriu – A única forma de pegar um Cluricaun é quando ele está bêbado.

– Imagino que não tenha nada muito bom de se beber por aqui – Dean apontou o casarão abandonado – Ele deve estar em abstinência.

– Contamos com isso – o mais alto pegou o mapa e começou a enrolar, enquanto Dean desencostava-se do Impala e tratava de pegar armas e os apetrechos de defesa pro caso de algum demônio aparecer para atrapalhar a caçada da pequena criatura. Depois tiraria o carro de vista, para que ninguém desconfiasse da presença de ambos.


S&D


O interior da mansão estava tão ruim quanto o exterior. Tudo parecia prestes a ruir a qualquer segundo, todo cuidado era necessário para evitar as tábuas apodrecidas do assoalho ou os móveis carcomidos.

– E como fazemos a armadilha?

Sam ouviu a pergunta e coçou o nariz, sem jeito.

– Não sei.

– Grande.

– Não há referência a nenhum símbolo ou palavra que sirva de selo.

– E o ponto fraco dele é a bebida? – Dean soou incrédulo – Então vamos deixar uma garrafa no meio da sala e tentar atrai-lo pelo cheiro.

Por um breve instante o mais novo pensou em recusar a idéia, mas era algo tão bizarro que talvez funcionasse...

– Tudo bem. Dean, você fica atento pro caso de algum demônio chegar e tentar atrapalhar. Deixa o Cluricaun comigo.

– Claro, sempre o mais difícil pra mim.

Sam só se deu ao trabalho de rolar os olhos. Então pegou a garrafa com mulso, uma espécie de vinho de mel, e derrubou um pouco pelo chão para que o cheiro se propagasse pelo ar, depois a colocou no meio da sala e foi posicionar-se atrás de uns móveis velhos amontoados num canto.

O mais velho pegou a espingarda calibre duplo com cano serrado e foi para o outro canto, esconder-se atrás da cortina em farrapos, que apesar de velha e decrépita fornecia alguma camuflagem. Preferia aquele ponto, pois podia observar através da janela de vidros quebrados. Sem alguém tentasse se aproximar pela frente da casa seria recebido por um belo tiro de sal banhado em água benta. Se o inimigo viesse por outra parte, bem, teriam que improvisar. Mas os Winchester eram bons nisso.

A vigília se desenrolou lenta e tediosa. Nem mesmo o ar parecia se mover. Por pouco, muito pouco Sam não perdeu a oportunidade. Ele notou o pequeno roedor transitando cheio de precauções pelos escombros da sala. Um ratinho de pêlo cinzento eriçado, que volta e meia farejava o ar como em busca do menor sinal de perigo.

Foi apenas quando o cinzento parou próximo a garrafa e ficou em pé sob as patinhas traseiras que Sam caiu em si. Era o Cluricaun transmutado! E a criatura era ligeira, pois caminhou sobre duas patas até chegar perto o bastante da garrafa para agarrá-la com as patinhas da frente e incliná-la de modo a enfiar a língua e sorver o líquido denso amarelado.

O caçula da família conteve seu ímpeto de lançar-se sobre o ratinho e tentar capturá-lo. As instruções no diário de seu pai eram claras: só poderiam aprisionar a criatura mística se o embebedassem antes. Por isso permitiu que o Cluricaun continuasse bebendo avidamente o presente que trouxeram para ele.

A garrafa estava quase acabando quando Sam sentiu uma súbita e sutil diferença na atmosfera do lugar. De repente o ar pareceu ficar pesado e ainda mais estagnado, como o prelúdio de uma tempestade.

Para comprovar a intuição de Sam, Dean moveu-se de leve atrás da cortina, buscando uma melhor posição e tentando enxergar sob a luz cálida da lua crescente.

O moreno não podia esperar muito. Com toda a agilidade conseguida na luta contra demônios e outras entidades, Sam saltou de trás do esconderijo e apressou-se até o rato cambaleante. Em curtos movimentos conseguiu pegá-lo com as duas mãos e apertá-lo. Dali o Cluricaun não fugiria!

– Segura as pontas com o demônio, Dean! – ordenou enquanto escapava pela porta que levava ao próximo cômodo – Vou despachar essa criatura!

– Sammy! – o mais velho ainda tentou detê-lo, mas nesse instante a porta da frente voou longe, como se um poder imenso a empurrasse – Droga!!

Apesar disso Sam não parou a fuga. Ele lera que a única forma de despachar um Cluricaun era conseguindo que ele atendesse um pedido! E já escolhera o que pedir. Só não sabia como tudo desenrolaria depois que o pronunciasse. Tinha que estar preparado para qualquer coisa!

Já na outra sala parou e ergueu as mãos encarando o rato preso entre seus dedos, que já não era mais um rato. O Cluricaun mostrara sua verdadeira forma: algo que lembrava um Leprechaum, mas com roupas menos elegantes, de pele cinzenta e face meio animalesca, com focinho esguio pontilhado por bigodes pontudos, além de orelhas gatunas e dentes afiados.

A criatura, que não devia ter mais do que vinte centímetros, fitava Sam com olhinhos arredondados brilhantes de curiosidade e embriagues. Embriagues, alias, que dava um ar abobado e levemente estúpido ao pequeno ser.

– Cluricaun – Sam disse sem muita certeza do que fazia – Exijo que realize meu pedido!

A resposta positiva veio num acenar lento de cabeça. Isso animou o moreno, que olhou brevemente na direção de onde viera. Um som abafado cortara sua concentração.

– Okay! Desejo voltar ao passado a tempo de salvar meu irmão Dean! – o plano, na sua cabeça, era muito simples. Se conseguisse voltar ao passado poderia impedir que o mais velho fizesse o acordo absurdo. Perderia a própria vida por isso, mas seria um preço pequeno pela alma de Dean! Podia parecer um desejo impossível e bizarro, mas coisas muito mais bizarras e impossíveis tinham se realizado pra eles antes.

– Voltar no tempo... salvar seu irmão Dean – o Cluricaun repetiu com voz fininha e esganiçada, antes de sorrir de forma idiota e embriagada – Concedido!

E a criatura desapareceu das mãos de Sam, que ficou aguardando o que aconteceria e foi: nada.

– Droga! Ele me passou a perna!

Então um tiro de espingarda e um grito enfurecido vieram da sala ao lado.

– Dean!

Sam saiu do estupor e deu meia volta. Depois lamentaria o malogro com o Cluricaun. Quando pisou na sala de onde viera viu um homem com os olhos completamente enegrecidos, um dos sinais de possessão, com a face soltando fumaça onde fora atingido por água benta, gritar:

– Vai pagar por usar o Cluricaun, Winchester! – apontou enfurecido para Sam e jogou-se pela porta que arrombara minutos antes, desaparecendo na penumbra da noite.

Sam praguejou e logo pensou em socorrer o irmão mais velho. Os olhos percorreram o cômodo sem encontrá-lo! Não havia o menor sinal do loiro!

– Dean?! DEAN!!

Praticamente voou para o local onde Dean estivera de tocaia. Seu desespero aumentou ao ver as roupas do loiro caídas no chão, formando um montinho.

Nada fez sentido.

– Dean!

Só então Sam percebeu que o montinho estava se mexendo. Antes que sequer assimilasse o que acontecia, uma cabecinha de cabelos loiros e lisos surgiu do meio das roupas e cravou os grandes olhos esverdeados em Sam, que deixou o queixo cair enquanto observava as bochechas rosadas e nariz empinado pontilhado de pequenas sardas. O rosto de um garotinho de quatro anos.

– Sammy – a voz veio num timbre infantil, quase frágil – Você parece maior...

– Puta que pariu... – foi tudo o que o moreno conseguiu dizer enquanto engolia em seco sacando a grande lição de moral daquela noite.

Nunca faça pedidos para um Cluricaun bêbado.

17 de Dezembro de 2018 às 11:26 0 Denunciar Insira 0
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