Pure Flower Seguir história

marisaint Mari Saint

Mesmo vivendo no Reino Mágico, Taehyung se sente um pária. Todos tem seu grupo de semelhantes, exceto ele. Estava cansado de ser um estorvo, precisa descobrir quem realmente é e onde estão seus afiliados. Um dia, o itinerante mercador feiticeiro Jungkook surgiu no povoado, com sua carroça cheia de prendas e oferecendo seus serviços exclusivos. Será este a chave para a porta da origem de Taehyung? [ - Fantasy Series - ]Ⓡ


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

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A Loja Mágica


Mais uma vez Taehyung é jogado para fora de um lugar. Já deveria ter se acostumado, mas, ainda assim, toda essa rejeição dói. É claro que, de certa forma, ele tem culpa. Foi avisado diversas vezes para não pisar mais no jardim do senhor Choi, só que o cheiro, as cores e a beleza das flores o atraem inconscientemente. Ele quer estar entre elas, banhar-se no sol e ser amado como as mesmas são. Desta vez, infelizmente, foi pego. Em situações anteriores, sempre escapou.

O que mais o entristece é o fato de ser um local público, onde todas as espécies podem visitar tranquilamente, exceto Taehyung, um “sabe-se lá o que é”. Levantou limpando a terra das roupas e caminhou cabisbaixo. Está na hora de parar, pensou, é odiado o bastante para provocar mais sentimentos ruins sobre si.

– Por que você ainda faz isso? – indagou uma voz severa.

O menor encarou a figura alta de cabelos arroxeados, rosto redondo, olhos muito castanhos e vestimentas azuis que lhe deram ar de superioridade.

– Desculpe, não pude evitar – sorriu fraco.

– Não quero mais ouvir reclamações do Choi quanto a sua presença lá – andou ao seu lado. – É chato ver como papai e mamãe ficam com isso.

– Não repetirei, Nam, de verdade – falou como uma criança arrependida.

– Ah, Tae – afagou as madeixas rosas do rapaz que se encolheu no tronco do mais velho. – Já falei que podemos fazer um jardim lá em casa com todas as flores que quiser.

– Não vai ficar tão bonito – mordeu o polegar temeroso.

– É claro que vai! – exclamou segurando-o pelos ombros. – Ficará do seu jeito. E o seu jeito é o melhor.

– Não é nada – fez careta. – Mas deixa pra lá. Será um incomodo pra vocês.

Namjoon parou de súbito, agarrando Taehyung e o pondo a sua frente.

– Para agora com essa diminuição – encarou firme. – Você tem sido um ótimo filho e irmão. Independentemente se é de sangue ou não.

– Não faço nada direito, como sou “ótimo”? – seus olhos esverdeados aflitos fizeram o outro respirar fundo.

– Isso é normal. Eu também não acerto as coisas.

– Mas você é fada, Namjoon. Tem poderes incríveis, enquanto eu... – sua voz foi sumindo.

– Sabe cantar e muito bem – balançou a cabeleira púrpura o encorajando.

– E para que serve cantar? – desviou o olhar desistindo.

– Sua voz acalma os corações aflitos, as pessoas aceitando ou não – impôs. – E seu cheiro é magnífico, melhor que qualquer outro.

– Melhor que o das camélias do senhor Choi? – perguntou contido.

– Com certeza, elas são nada perto de você – afirmou afável.

– Está dizendo isso porque as estou carregando – puxou sob a camisa um cordão com uma trouxinha amarrada. – O cheiro vem delas.

– Não, Tae, vem de você.

– Meninos, venham comer logo – gritou uma fada da janela.

Eles não notaram que já estavam em frente à casa e Namjoon havia se esquecido que foi buscar o rosado justamente para jantar. Correram para dentro como se ainda tivessem dez anos de idade.




{~.~}




A família Kim é a melhor coisa que Taehyung poderia ter em toda a sua miserável existência. Eles não têm vergonha de o chamar de filho e irmão, de defende-lo das ofensas dos demais, de cuidar e amar sem se importar com o que vem a ser o caçula. E ele é grato por tudo, porém queria não os atrapalhar sendo a aberração que vive no povoado fada, que os limita e arranja confusões das quais eles têm que resolver pelo menor ser um curioso e atrevido.

Foi durante uma viagem de pesquisa que o senhor e a senhora Kim o encontraram. Ouviram um choro de bebê em meio a um campo coberto de flores. Acolheram-no e buscaram informações por todo o reino esperando encontrar seus pais. Alguns questionados até o julgaram como humano por não ter orelhas pontudas. As malditas orelhas pontudas que todos apreciam e Taehyung queria ter para poder ser considerado bonito como os outros. Contudo, seus cabelos róseos o impediam de ser jogando no mundo humano, assim como os Kim que se apegaram a ele e o primogênito deles que já o chamava de “irmãozinho”. Não poderia, também, ser um feiticeiro. Estes carregam uma marca nas costas que – segundo as lendas – é o selo das trevas. O neném tinha as costas lisas.

Então, o que ele é? Até hoje não há resposta.

A única coisa que pode lhe ajudar são as sementes cintilantes que estavam consigo quando abandonado e que carrega para onde quer que vá. Seus pais adotivos já tentaram desvendá-las, mas fracassaram. Não germinam e perdem o brilho longe do garoto. Mais um mistério para a lista de Taehyung.

Ele só queria se entender, viver em paz sem se sentir uma praga numa lavoura em período de grande safra. É isso que acham dele, é isso que ele é nessa floresta. Fadas o desprezam, elfos os odeiam, duendes sentem nojo de si. Se ao menos tivesse as orelhas pontudas, tudo seria mais fácil, mesmo se não fosse um elfo.




{~.~}




– Taehyung, pode ir a área verde pegar um pouco de capim limão para mim? – a senhora fada Kim perguntou, vestindo um roupão marrom que cobria suas brilhantes asas azuis. Está testando diversos tipos de ingredientes de poções para momentos de emergência.

– Uhum, estou indo – levantou-se do chão da sala e seguiu para a porta de entrada. Não estava fazendo algo útil, pelo menos poderia ajudar a mãe com o trabalho.

A área verde é um lugar fora do vilarejo fada, onde qualquer um pode pegar plantas e caçar animais livremente. É um pouco longe da casa, mas o rapaz não se importa em andar longos percursos, o problema são os olhares atravessados que recebe. Passou perto da casa do senhor Choi, este o encarou e parecia querer estrangulá-lo com os olhos. O menor se acanhou.

Por que as pessoas têm de ser tão cruéis?

Olhares tortos o acompanhavam tanto daqueles que caminhavam quanto daqueles dentro das casas nas árvores. Parecia que paravam tudo que faziam para julgá-lo. Apertou o passo para não ter de continuar sentindo o peso da repulsa, mas, ao atravessar o limite do povoado, o clima era o mesmo. Todos pareciam inconformados com sua presença, afastavam-se como se carregasse uma doença contagiosa.

Taehyung queria chorar e gritar o quanto é injusta a forma que o tratam, mas limitou-se a respirar fundo, não podia perder o controle e arranjar mais conflitos. Foi até um conjunto de moitas onde se encontravam diversas ervas e colheu o que sua mãe adotiva lhe pedira. Enrolou em um pano e pôs-se a refazer seu caminho. Seus ouvidos captaram cavalgares de cavalos, rodas de madeira girando na terra, carroça pesada com vidros, metais, pedras e líquidos chacoalhando, e uma respiração serena a seis ou sete mil pés fora da floresta. As fadas também perceberam, porém o rapaz que reagiu mais rápido correndo para não perder a novidade.

O estranho chegará como qualquer outro pela estrada larga que atravessa o vilarejo. O rosado não tinha asas ou um animal para auxiliá-lo, teria de acelerar. Não é um elfo porque está carregando coisas distintas. Não é duende porque seu fôlego é leve e a massa corporal é maior. Será que é humano? Taehyung os viu apenas duas vezes. Não gostam de entrar em terrenos onde estão em desvantagem, permanecem em seu próprio reino. Ou será que é um... Não, impossível. Eles não se misturam e ninguém os quer por perto.

Então, quem será?

Um amontoado de pessoas já se encontrava na entrada. Pelo menos chegou antes do ser misterioso passar pela barreira mágica. Estavam tão ansiosos que sequer notaram o “garoto problema” no meio deles.

Finalmente, o causador da agitação apareceu. Com dois cavalos negros puxando um vagão polido, provavelmente de eucalipto, de cheiro maravilhoso que atraiu a atenção de todos. Claramente que a pessoa descendo da carroça, ajeitando suas roupas e observando a multidão com um sorriso gentil, se destacava bastante. Madeixas vermelhas, roupas largas, cordas finas trançadas e amarradas a cabeça completam a curiosidade do que vem a ser o visitante.

– Caros fadas da floresta, – anunciou entusiasmado – eu sou o mago Jungkook e sejam bem-vindos a Loja Mágica – atrás dele, o compartimento se abriu revelando prateleiras de potes e objetos desconhecidos pela maioria. – Se aproximem, não tenham medo. Estou aqui para ajuda-los no que for.

Poucos se atentaram a chegar perto, os outros se mantinham temerosos. Taehyung apenas olhava. Mago não é o mesmo que feiticeiro? Nunca tinha visto um, só ouvia histórias ruins sobre a raça. “Os Isolados do Reino Mágico”. Mas este não parecia cruel como os dos contos. Será que exageraram ou ele é uma exceção? Nunca soube também que feiticeiros têm mercadores como qualquer outra espécie.

– Safira do encanto? Tenho sim, só um instante – atendia a uma jovem fada que não parava de encará-lo com um brilho no olhar.

Murmúrios e mais murmúrios rodeavam o rosado. Os mais velhos não pareciam confiar no ruivo simplesmente por carregar a marca maldita. Taehyung se sentiu mal por ele. Por que tanto preconceito?

– Imaginei que estivesse aqui – Namjoon veio voando com suas asas brancas cintilantes quase imperceptíveis. – Mamãe quer o capim-limão, sabia?

– Sim, mas você ouviu? É uma loja mágica – falou eufórico. – Até que ponto ele pode fazer algo?

– Não importa, é um feiticeiro – segurou-o pelos braços. – Não se deixe levar pelo que diz. Vamos para casa – alçou voo segurando Taehyung.

– Nam, espera!

Olhou para baixo a tempo de ver e escutar a conversa do mercador com um cliente diferente:

– Uwa! Você pode fazer e descobrir qualquer coisa, não é? – comentou abismado um fada de meia idade segurando um objeto velho.

– Claro, no entanto, preciso ser pago com algo de mesmo valor – sorriu charmoso.

Descobrir qualquer coisa, pensou o de cabelos róseos se distanciando da movimentação.




{~.~}




– Enlouqueceu? – exaltou-se o primogênito. – Definitivamente, não!

– Se acalme, Namjoon – sugeriu o patriarca.

– Pai, ele não pode fazer isso.

– Taehyung só quer saber sobre sua família. O que há de errado nisso? – questionou a mãe.

– Nós já somos a família dele – afirmou. – Para quê saber dos descuidados que o abandonaram?

– Namjoon! – foi repreendido pela fêmea.

O menor de todos só se encolhia a cada frase dita na discussão. Não queria causar mais problemas, só queria achar a solução. Estragou o jantar comentando sobre pedir ao mago o paradeiro de suas origens. Não quer ser ingrato por tudo que os Kim lhe proporcionaram, mas não quer que passem o resto da vida sendo diminuídos.

– Pare de tentar controlar o menino.

– Eu só quero protege-lo, mãe. Aquele homem é um feiticeiro.

– E daí? Ele não fez mal algum a ninguém.

– Mas se ele notar a inocência do Tae e se aproveitar disso? – rebateu.

– De qualquer maneira, não é como se tivéssemos algo de grande valor para dar em troca – interveio o pai, atraindo a atenção de todos. – O feiticeiro não faz favores, ele vende. Então, essa conversa é desnecessária.

Taehyung murchou. Havia se esquecido do fator “troca”.

– Ótimo, assim não fará nenhuma besteira – despejou Namjoon recebendo olhares de censura dos pais.

O mais novo ajudou a limpar a mesa e foi se deitar com um péssimo humor. Iludiu-se ao achar que poderia, enfim, se descobrir. Todavia, é um ingênuo que não serve para nada e um protegido do irmão. Queria saber como é ser independente e livre. Passear pelo reino, conhecer novos lugares e espécies sem ser discriminado e, de preferência, sabendo quem é.

Suspirou. O rapaz não tem nada de valor ou para chamar de seu.

Espere... Talvez tenha sim.




{~.~}




Bateu na madeira com força e pressa. O sol ainda ia nascer, precisava ser rápido antes que o impedissem.

– Será que não dava para me esperar acordar sozinho? – reclamou o mago abrindo uma janela. – Oh, você é diferente.

– É, eu sei – constrangeu-se com o óbvio dito.

– Tem uma aura que nunca vi – entortou a cabeleira escarlate bagunçada. – Suas orelhas não são pontudas – espantou-se. – O que é você?

Taehyung estudou sua feição. Não falou no mesmo tom que os demais, com nojo, parecia apenas intrigado.

– É exatamente isso que eu quero saber, senhor – piscou repetidas vezes.

– Bom, parentesco é complicado e caro – coçou o pescoço. – O que tem a me oferecer?

O rosado tirou o cordão que carrega, desatou o nó da trouxinha mostrando as reluzentes sementes místicas. Os olhos do feiticeiro se arregalaram, seu queixo caiu, não sabia o que dizer ou como reagir de modo discreto aquilo. Pegou uma com os dedos e analisou impressionado. Ergueu a cabeça para visualizar o outro.

– Onde as conseguiu?

– Sempre as tive comigo. Sabe o que são?

– Você não sabe? – franziu o cenho. O rapaz abanou a cabeça negativo. – Bom, – colocou de volta, refez o nó e tomou para si – eu as aceito como troca – esboçou um sorriso enigmático e sumiu na escuridão da carroça.

O garoto ficou apreensivo. O sol estava nascendo, daqui a pouco a circulação de pessoas começaria, não poderia ser visto. Se a informação chegar aos Kim, todo o seu plano estaria arruinado.

O ruivo estava demorando. Será que foi tapeado? Namjoon iria estapeá-lo para parar de ser idiota. Olhou em volta e ouviu passos. O dia começou para o vilarejo.

– Estenda as mãos – sobressaltou-se com a repentina fala do mago. Ele segurava uma pérola gigante.

Obedeceu sem questionar, era pesada. Quanto mais rápido terminarem melhor. O ruivo a sua frente pôs os dedos nas têmporas, alisou a bola, encarou Taehyung, tocou suas mãos as levantando e olhou para o céu alaranjado. O mais novo mordeu o lábio de nervoso.

– Isso vai demorar?

– Shhh! Sua vida é difícil, então seus ancestrais também são – disse com os olhos fechados.

Não achou sentido no que disse, porém não questionou mais.

– Ah! – abriu os olhos de súbito. – Olhe – indicou a pérola.

– É um campo de flores? – indagou o rosado.

– Parece que sim.

– Um murro? – continuou descrevendo o que via.

– Não, uma muralha – corrigiu sério.

– Ah, sou eu! – exclamou ao se ver sentado ao pé de uma árvore florida.

– Sim, é você – seu olhar perfurava o outro como uma lâmina afiada.

– KIM TAEHYUNG! – berrou uma voz muito conhecida pelo rapaz.

Estregou a esfera ao mercador e virou-se para a fúria que se aproximava.

– Nam, eu sei, mas ele achou algo – tentou acalmá-lo.

– O que você fez? O que deu em troca? – parou a frente do irmão espumando.

– As sementes – respondeu diminuto.

Surpreendentemente, o mais velho ficou quieto. Só o olhou desacreditado. Isso chateou Taehyung, com certeza passou dos limites para ele.

– Cometeu o maior erro da sua vida – apenas disse.

– Com licença, nós não terminamos – intrometeu-se Jungkook arqueando as sobrancelhas.

– Verdade – retornou o rosado. – O que acha que significa? – seu olhar delineado brilhava.

– Bom – bateu de leve na pérola –, acho que a resposta para “o que é” está na Fronteira Rochosa.

– Isso já foi longe demais – manifestou-se o fada. – Tae, vamos para casa.

– Não, eu quero saber! – exclamou afastando-se dele. – Por quê? Por causa da muralha que apareceu? – escorou na madeira.

– Sim – assentiu pensativo. – O campo é seu passado, a muralha seu presente e a árvore parece ser seu futuro, sua missão.

– Futuro... Missão... Eu tenho algo para fazer – falou para si mesmo.

– Que bobagem. Para de dar ouvidos a ele – Namjoon pôs a mão no ombro do irmão e recebeu um olhar mordaz do feiticeiro.

– Olha... Taehyung, não é? – sua voz era gentil. – Se quer saber mais sobre sua origem, terá de ir para lá. Te garanto que é o lugar. Minhas visões nunca falham.

O jovem se sentiu encorajado com olhar penetrante do mago. Já ouviu histórias sobre os perigos de se aproximar da Fronteira Rochosa. Dizem que ela protege os reinos de males inimagináveis, os cercando ou cercando os reinos. Ninguém sabe, só especulam. Os espíritos também criaram barreiras protetoras para impedir que alguém tente matar sua curiosidade indo até lá. Entretanto, o medo é tão grande que as pessoas não cometem esse erro. Só Taehyung que o fará, mesmo que morra no processo.

– Que ridículo – cuspiu Nam. – Ele é um charlatão.

– A Fronteira fica para que direção? – perguntou, ignorando o mais velho.

– Taehyung!

– Para o noroeste – respondeu o ruivo tendencioso.

O arroxeado girou o caçula, fitando-o.

– Nós não vamos – suas irises castanhas quase imploravam. – Você tem uma família, não precisa disso.

– Eu os amo e quero estar com vocês, mas também os quero bem – segurou as mãos menores que as suas. – Não deviam ter me acolhido – mordeu o lábio. – Eu vou sozinho. Poderão ter uma vida normal sem mim.

– É claro que não! Não sobreviverá lá fora sem ajuda – pressionou o contato. – Fique, é mais seguro.

– Não quero ficar preso, irmão. Quero viver em paz e que vocês vivam em paz também – os olhos a sua frente marejaram, então, o abraçou.

Afastaram-se ouvindo um pigarrear.

– Caso te conforte, eu posso guia-lo até lá – sugeriu o mercador, penteando os cabelos para trás.

– Você não vai mais, Taehyung – disse o outro severo.

– Ei, qual é o problema? – indignou-se.

– Não confio em você, feiticeiro – mirou-o com antipatia.

– Mas é melhor do que ir sozinho, né? – Taehyung sorriu inocente.

– Na verdade, é o contrário de melhor.

– Namjoonie – insistiu.

– Conversaremos com nossos pais – abraçou-o de lado. – A decisão final deles que valerá.

– De nada – o esquecido mago Jungkook abanou a mão irritado. – Se for aceitar minha oferta, apareça antes que eu atravesse a barreira. Os negócios não foram tão bem aqui.

– Está bem – falou agitado. – Posso ao menos ter uma última refeição com a família?

– Não diga como se fosse morrer – foi advertido por Namjoon.

– Eu também vou comer, então vá aproveitar seus instantes finais – respondeu o ruivo arteiro, provocando o irmão do menor.

Retornaram para casa e o Kim mais novo tinha um sorriso bobo no rosto. Descobrirá mais sobre si, viajará ao lado de quem tem bastante experiência e, quem sabe, é bondoso.




{~.~}




Namjoon considerava inaceitável sua partida e ficou ainda mais inconformado com a permissão que os pais o deram. Ambos abraçavam Taehyung aos prantos, enquanto o primogênito, distante, chorava de raiva em silêncio.

– Volte para nos contar as novidades, está bem? – a fada acariciava o rosto no filho.

– Tenha cuidado – o pai afagou seu ombro. – Estaremos aqui te esperando.

Assentiu várias vezes as madeixas rosas limpando as lágrimas. Foi até o irmão se despedir. Apertou com o dedo o pequeno buraquinho que se formava na bochecha dele.

– Vou cantar todas as noites para você não ficar preocupado, Nam – sua face suavizou com o gesto carinhoso do menor.

– Não importa o que você seja, Tae. Sempre te amarei, irmãozinho – abraçou-o forte.

– Nossa, não levem a sério a história dos “perigos mortais pelo caminho” – surgiu o feiticeiro em sua carroça.

Taehyung limpou o rosto do irmão, beijou sua testa e foi de encontro a seu futuro guia. Acenou até que suas figuras desaparecessem, se ajeitou no assento fungando o máximo que pode para não chorar mais.

– Você demorou de propósito, não é? – falou com o mago.

– Não. Apareceram uns clientes – retrucou indiferente.

– Eu não escutei ninguém – olhou-o desconfiado.

– Como assim “escutei”? – devolveu a desconfiança.

– Esquece – fez pouco caso. – Aonde vamos?

– Temos de ir na direção norte para depois seguir a noroeste – mexeu nas rédeas fazendo os cavalos aumentarem a velocidade. – É o carona, terá de aceitar parar em alguns lugares.

– Tudo bem – deu de ombros com um biquinho nos lábios. – Mas terá de me ensinar mais sobre a vida fora da floresta.

– Fechado – aceitou.

Atravessaram a barreira limítrofe do povoado fada. A vista é diferente da área verde. Uma estrada gigantesca se estendia para um campo de grama e alguns pontos com vegetações distintas. Há tanto para conhecer, tanto sol para pegar, tanto ar novo para respirar.

Não se arrependerá da decisão que tomou.

22 de Fevereiro de 2019 às 00:00 0 Denunciar Insira 0
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