The Moon Rabbit Seguir história

monachopsis Amanda Figueiredo

Em um mundo de transmorfos alfas, betas e ômegas, a lei da natureza é a máxima. Para se provar digno de desposar o companheiro escolhido perante a sociedade, alfas e betas caçavam por três noites na floresta, em sua forma animal, em busca de uma presa para o companheiro. O ritual de acasalamento era a principal meta de Jungkook para finalmente poder marcar Jimin como seu ômega, mas sua situação era no mínimo dramática. Sendo um alfa transmorfo de coelho, como Jungkook conseguiria burlar a fila do pão da natureza se ele estava mais para presa do que caçador? Jikook | ABO au! | Mitologia


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

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I - Uma cenoura pelo seu amor

I – Uma cenoura pelo seu amor

 

 

Em um mundo em que as pessoas se transformam em animais, eu tive a sorte de nascer com a capacidade de me tornar um coelho branco, peludo e fofinho. Infelizmente ser alfa ou beta, ou mesmo ômega, não afetava a roleta do destino de qual animal você será capaz de metamorfosear. Então eu era um alfa normal sob a ameaçadora pelagem macia de um coelho pequeno e saltitante. Tentando ser positivo, pelo menos eu poderia morder e arrancar um pedaço antes de ser derrubado por uma ameaça mais digna que eu. Era mais fácil eu só admitir que era uma tristeza ser apenas um coelho, droga.

Talvez por isso eu tenha criado alguns problemas de auto confiança, principalmente quando via colegas da minha idade brincando de pega-pega em sua forma animal, as brincadeiras sempre terminavam com algum sangue rolando por conta de presas e garras e eu conseguia apenas correr numa velocidade extrema. Okay, eu era o último a ser pego, mas a grande graça era brigar com os outros e testar a própria força, mas eu sequer fazia isso sem manchar a pelagem de sangue e ficar choramingando no canto por ser tão inútil em combate corpo a corpo. E foi numa dessas brigas que um gatinho amarelo fez parceria comigo e me ajudou quando alguém me deu uma mordida forte demais.

A única coisa boa que ser um coelho me trouxe foi aquele gatinho, que depois se transformou no menino baixinho e loiro por quem eu me apaixonei. Jimin vinha de uma família dominada principalmente por genes felinos e não apenas os de pequeno porte, uma tia materna tinha a capacidade de se tornar uma leoa e casara com uma ômega que se tornava uma puma. Mesmo que sua forma fosse a de um gato doméstico, Jimin já deixara muitas crianças com arranhados profundos e ele ficava particularmente arisco quando ameaçado. Eu apenas suspirava feito um trouxa enquanto via ele se defender tão bem... Tão melhor que eu que apenas conseguia correr e pular feito um desesperado.

Minha família possuía alguns transmorfos de grande porte também, o orgulho da atual geração era meu primo Namjoon que se tornava um lobo grande e feroz de pelagem cinza. Alfa e com uma presença imponente, era tudo o que eu poderia pedir, mas quando me transformei pela primeira vez em um coelho, pude ver o olhar de angústia no rosto de minha mãe mesmo que eu estivesse hiper feliz de saltar por aí com 4 anos de idade. Ela sabia que eu enfrentaria desafios maiores do que outros alfas e betas e sei que temia pelo meu futuro, eu mesmo tenho que me controlar para não bater o queixo com o que eu estou prestes a fazer.

Eu e Jimin nos tornamos inseparáveis desde o primeiro incidente naquela brincadeira e muitas crianças nos direcionavam piadinhas criticando sermos coelho e gato, nada ameaçador ou digno de orgulho. A sorte de Jimin é que era um ômega que conquistava todos simplesmente respirando, eu mesmo não tinha nenhuma chance perto dele, não sei como ainda ousaram fazer piadinhas com ele. A grande culpa claramente era minha, por não me afastar dele e deixar que ele derretesse a vila inteira com seu charme, mas logo se esqueceram da minha presença ao seu lado e eu fiquei meio jogado de escanteio. Menos Jimin, que me arrastava pra baixo e pra cima e dava selinhos em mim, falando que nos casaríamos no futuro. Novamente, eu não tinha nenhuma chance perto dele.

Só que aí entrava o maior desafio da minha vida, o ritual anual de acasalamento da vila. Ter que provar ser um alfa ou beta digno de desposar alguém e então formar uma família que honre a vila. Eram 3 dias de caça na floresta, durante a ultima lua cheia antes do inverno, em que você deveria conseguir alguma caça para trazer ao escolhido por si e poderem se casar perante todos. A única regra era essa: trazer algo, não importa o tamanho, a espécie, o quanto você venha machucado ou sem ferimentos, apenas mostrar que está disposto a arriscar a vida por amor a alguém e pelo bem estar e segurança da vila.

Eu amava Jimin. Eu o amo. Ao longo dos anos eu aprendi a viver ao seu lado e não imaginava como seria não o ter comigo. Cada beijo, toque, amassos em que quase íamos longe demais, eu nem sei como meu hiperexcitado coração metade coelho não tinha explodido. Por ele eu daria soquinhos no peito e uivaria para a lua como um digno coelhosomem, de acordo com Namjoon, meu bully pessoal. Meu primo me infernizava todos os dias que me via, com todas as piadas sobre roer cenouras para a lua e nocautear inimigos mostrando meus dentes proeminentes ameaçadores, eu simplesmente queria chutar seu focinho maldito toda vez que ele sorria debochado. Mas eu não dava uma cenoura pra ele, eu queria era poder ter Jimin para todo o sempre. E para isso eu teria que queimar meu nome na fogueira e ir para a caça de 3 dias por ele.

Eu não poderia simplesmente ir contra as regras seculares da aldeia inteira e marcar Jimin como meu sem ter ido caçar em seu nome, eu seria expulso sem pensar duas vezes e teria que ser com Jimin, já que ele seria meu companheiro para a vida inteira por conta da marca. E eu não faria aquilo com ele nem se eu fosse um covarde. Eu não era. Por baixo da ridícula pelagem de coelho eu ganhava combates corpo a corpo facilmente, o meu único problema estava na mesma. E durante a caçada teríamos que tomar uma bebida que nos faria passar 3 dias transformados em nossas formas animais para que não trapaceássemos. Eu ficaria 3 dias na minha forma mais frágil e fraca, tendo que sobreviver à floresta e predadores e ainda conseguir uma presa para trazer de volta. Em uma fodida forma de coelho branco que não chegava a pesar 2 kg. Eu tinha todo o direito de bater o queixo enquanto segurava o papel com meu nome escrito, todo amassado, no punho direito.

Quando fizemos 18 anos Jimin tentava me tranquilizar o tempo todo falando que não ligava para regras e tradições bestas, que estava feliz comigo assim, que já tinha tudo que precisava. Ele derramava todo seu charme em cima de mim e eu admito que a saliva deveria escorrer da minha boca, tamanho estado abobado que eu ficava, mas eu sabia que não dependia apenas de nós dois. A vila inteira acompanhava nossos passos, investigando se havia marcas em seu pescoço, se eu seria burro o suficiente para não seguir aquela lei, a mais importante de todas. E havia a pressão no ar, quando ficaríamos juntos de verdade? Eu não estava enrolando demais? Eu seria a desonra da família Jeon que não conseguia nem ter a pessoa que amava junto a si para todo o sempre? Eu seria o alfa coelho fraco e inútil da vila? Às vezes eu achava que iria enlouquecer.

E de quebra vinha Namjoon me enchendo o saco e ainda ousando falar que queimaria seu nome pelo Jimin na fogueira. Foi exatamente aquilo que me fez trincar os dentes e decidir queimar logo a porra do meu nome naquela merda e ir atrás do que eu queria. Se Namjoon ousou falar, com um sorrisinho cínico, que Jimin era um gatinho – ele era uma droga com metáforas e piadas ruim mesmo – solteiro bem delicioso e digno de queimar o nome, eu não duvidava que outros poderiam ter a coragem filha da puta de fazer o mesmo. Jimin era visto como o genro ideal para muitas famílias ali, seu sorriso encantador e aura doce deixava alguns suspiros por onde ele passava. E saber que, apesar de namorarmos, nada impedia que alguém queimasse seu nome para ele e pudesse chegar a casar com o mesmo... A última escolha partia de Jimin, óbvio, se ele aceitava a caça oferecida a ele, e eu não duvidava que ele rejeitaria qualquer uma que não partisse de mim. Mas eu o queria para mim. Jimin era meu companheiro e ninguém poderia questionar aquilo, marcado ou não. Ridiculamente meus dentes coçavam para roer algo e desgastá-los, de preferência nos ossos do filho da puta abusado que ousasse, maldito lado coelho forte em mim.

Então embora as mãos tremessem um pouco, minha expressão era firme enquanto a vila estava reunida em torno da fogueira principal da véspera da caçada. Eu não contara a Jimin que iria queimar meu nome hoje e ele estava nervoso do meu lado, temendo que eu fizesse alguma loucura e eu estava bem disposto a fazer por ele. Ele parecia pressentir enquanto mordiscava os lábios e entrelaçava as mãos nervosamente, do lado de sua família, enquanto o ancião da aldeia falava sobre a importância e realização da caçada que se iniciaria amanhã.

Era o mesmo discurso de provar o seu valor como guerreiro e protetor da vila e de todos e, principalmente, da futura família que planejava formar. Eu entendia aqueles valores que eram propostos e o quanto norteavam a sociedade e mundo em que vivíamos. Algumas vilas brigavam entre si e havia guerras, era fundamental ter guerreiros dispostos a brigar pela segurança de todos ali. E quer coisa melhor do que incitar todos para uma guerra entre si na floresta, para poder marcar quem amavam? Quer coisa mais instigadora que lutar por amor? Nos anos anteriores eu observava alguns chegando bastante feridos da floresta e me imaginava em seus lugares. Apesar do medo havia uma determinação em vencer aquele desafio, não por mim, mas por ele.

Os cabelos loiros estavam bagunçados, sinal de que ele nem os penteara de nervoso após a nossa tarde rolando em uma campina perto dali. Yoongi, um amigo beta em comum, resmungava que não entendia como não morríamos sufocados um do outro, mas logo Hoseok, seu companheiro, falava que ele era pior quando estavam sozinhos. Yoongi e Hoseok eram betas e tão bobos quanto Jimin e eu, por serem ambos betas, houve uma pequena guerra fria entre quem colocaria o nome na fogueira pelo outro. Pelas regras ambos eram betas e poderiam fazer isso, mas era permitido apenas um nome por um casal. Eu sinceramente não sabia quem tinha ganhado naqueles meses precedentes de farpadas e brigas, então descobriria agora. Assim como Jimin descobriria agora, quando eu caminhasse para a fogueira.

Todos dispostos a caçaram tinham que escrever o próprio nome em um papel, caminhar diante todos e jogar o papel na fogueira principal de reuniões, no centro da aldeia. Todos viam a sua intenção e marcavam seu rosto e nome. Se chegasse ali, dali 3 dias, sem uma presa, era um pária. Não poderia marcar o companheiro e tinha que assistir o mesmo sendo cortejado por outros. Não era visto como guerreiro e cidadão mais, apenas um estorvo. Era uma caçada que determinava toda a sua vida e destino. Não importava a idade, contanto que fosse maior de 18 e pretendesse marcar alguém, poderia colocar seu nome ali. Alguns demoravam a achar alguém por quem se apaixonasse, lembro de um ano ter visto uma mulher alfa de quase 40 anos jogar o seu nome por um ômega. Ela trouxe um cervo para ele 3 dias depois e agora ambos já tinham um filhote. Então, coelho ou não, eu precisava trazer algo.

Hoseok e Yoongi estavam carrancudos do meu lado e aquilo não me ajudava a saber quem tinha ganhado a briga. Felizmente aqueles dois eram mais ridículos que eu e Jimin às vezes, eu sabia que ficariam bem. Hoseok poderia se tornar uma raposa com pelagem avermelhada bastante bonita e Yoongi uma maldita pantera negra. A primeira vez que o vira transformado eu quase liberei bolotinhas de cocô em minha forma de coelho. Ele naquela caçada seria letal e com certeza traria uma presa bem dramática pra Hoseok. Sorte de ambos, porque a minha sorte era inexistente desde a primeira vez que espirrei, aos 4 anos, e me tornei um coelho fofinho e saltitante.

Namjoon também estava ali, eu não fazia ideia por quem ele queimaria seu nome. Mas eu sabia que ele queimaria apenas olhando pra sua expressão orgulhosa e determinada quando o ancião disse que a hora de queimada chegara e que os candidatos poderiam ir até a fogueira. Se ele dissesse o nome de Jimin eu simplesmente iria voar até ele, morder sue pescoço e chutar sua bunda em direção a fogueira, que o cretino morresse queimado antes da caçada.

Namjoon foi um dos primeiros a caminhar até a fogueira e jogar o papel bem dobrado na mesma, dizendo o nome de Kim Taehyung. Houve um pequeno choque na aldeia e direcionei meu olhar para o dito, vendo o mesmo revirar os olhos. Taehyung era um ômega que se transformava em um tigre e um dos melhores amigos de Jimin. Ele era o ômega mais forte da vila inteira simplesmente por poder se tornar um maldito tigre. Quem tivesse coragem de lidar com ele era um filho da puta feito de aço. Namjoon era meio louco de querer cortejar o Kim, claramente ele estava fazendo aquilo porque seu ego era maior que o bom senso. O imbecil vai acabar morto e não durante a caçada, mas sim pelo próprio Taehyung.

Então Hoseok começou a andar para a fogueira e fiquei curioso. Como ele ganhara a discussão? Yoongi estava com uma cara de pura frustração no rosto. Eu não nego, faria um bom sentido ser ele a caçar por ambos, a pantera intimidaria com sucesso qualquer tipo de ameaça na floresta. Mas Hoseok estava lá na frente, sério, jogando seu nome no fogo e falando o nome Min Yoongi. Não houve nenhuma surpresa naquilo.

Quando olhei para Jimin o mesmo já me olhava, sorrindo um pouco pelos amigos. Ele claramente estava feliz pelo passo de ambos, mas havia uma preocupação em seus olhos que ele não poderia esconder de mim. Foquei bem em seus traços e pensando no quanto amava aquele garoto, no quanto ele era bonito e seria o ômega dos sonhos de qualquer um. Ele merecia aquilo tudo, com certeza. O seu sorriso morreu quando eu dei um passo para fora da roda, em direção a fogueira.

Desviei o olhar de seu rosto ao ver a angustia surgindo rapidamente e apenas fui, aparentando uma calma que eu não possuía. Olhei para o fogo ardente, eu estava ainda a alguns passos do mesmo, mas o calor era intenso. As labaredas assustavam um pouco e novamente me senti um coelho acuado por algum predador mortal. Acontece que pouca coisa não era mortal para mim lá fora, entre as árvores densas e frias do outono. O que mudava era a minha disposição para lutar. Tudo parecia difícil e impossível, mas eu não poderia aceitar aquilo facilmente. Havia uma grande diferença entre aceitar sua fraqueza e aceita-la e usá-la como escudo, como arma. Se eu não lutasse por algo eu cairia por tudo. E era melhor cair lutando ferozmente com tudo que eu tinha do que apenas me encolher e esperar a primeira dentada me dilacerar. Olhar para Namjoon dando um sorrisinho irônico me deu o impulso para jogar o papel no fogo.

- Park Jimin. – falei em voz alta e bom tom, para todos poderem ouvir no silêncio que se fazia. E mesmo assim pude ouvir um soluço fraquinho atrás de mim, daquele por quem eu caçaria amanhã.

Havia alguns olhares surpresos e outros de pesar direcionados a mim, mas eu não liguei. Hoseok e Yoongi desfizeram as caretas para me dar olhares alegres e orgulhosos, esquecendo por um momento que estavam putos um com o outro. Era naquelas expressões que eu me focaria. E, claro, na de um certo alguém que roía as unhas com apreensão e confusão.

Eu sabia que quando acabasse a cerimônia eu seria unhado até os ossos por um certo gato endemoniado.

 

 

~*~*~

 

 

- JEON JEONGGUK. – engoli em seco. Eu sabia que eu tava ferrado, mas ainda não estava preparado para lidar com um Jimin furioso.

Olhei para Yoongi e Hoseok ainda do meu lado, pedindo ajuda, enquanto a maioria das pessoas havia se afastado e ido em direção a suas casas. A ultima noite antes da caçada era calma e cheia casais passando momentos cruciais juntos antes do que quer que possa ocorrer após os 3 dias.

- Nossa, Jungkook, foi bom te conhecer, você foi um grande amigo. – Hoseok disse, olhando para trás de mim, claramente para o baixinho que vinha numa fúria extrema.

- Boa caçada. Isso se você chegar vivo amanhã para a abertura. – Yoongi deu uma risadinha divertida. Eu não sei porque ainda era amigo desses safados.

- Perdeu no pedra, papel, tesoura, Yoongi? – alfinetei. O mesmo, fechou a cara e se virou puto pra Hoseok. A mão pequena caindo com força em meu ombro me despertou da possível briga que iria ocorrer em alguns segundos.

- Oi amor, você está tão lindo. – falei rapidamente, me virando e encarando ele com atenção. Deus, Jimin era lindo mesmo irado, tirando o fato que ele também parecia prestes a chorar.

- Achei que você confiava em mim para poder me dizer suas decisões, Jungkook. – Jimin disse, magoado e murchando sua raiva a medida que a frustração crescia. Aquilo me deixava mais surtado que lidar com Jimin zangado.

Ignorei Hoseok e Yoongi batendo boca ao nosso lado e abracei o corpo menor com força, mesmo que ele não tenha me abraçado de volta, mostrando o quanto estava afetado com tudo aquilo. Oh, grande bosta, Jungkook. Eu sabia que teria que lidar com Jimin após queimar o nome, mas eu esperava ele zangado. Jimin se demonstrava tão forte e decidido o tempo todo que tê-lo infeliz e soluçando em meus braços me deixava em um nível de desespero extremo. O seu cheiro doce e agradável se tornou um pouco picante e ardido por conta da tristeza o dominando e eu queria apenas voltar atrás por um momento, para evitar aquilo.

- Achei que éramos companheiros e não escondíamos as coisas, principalmente quando elas afetavam a ambos. – ele terminou a frase com uma entonação de raiva, mas eu sabia que ele estava muito triste por dentro, ainda tentando se mostrar forte.

- Você nunca teria concordado. – disse simplesmente, era a pura verdade. Jimin queria me proteger daquela caminhada pra morte certa, mas eu não precisava daquela proteção. Eu tinha responsabilidade o suficiente para assumi-lo perante todos e era isso que eu faria. – Isso é para nós dois, você sabe disso, anjo.

Ele soluçou um pouco mais forte quando soltei o apelido carinhoso e finalmente me abraçou, me deixando levantá-lo do chão e tê-lo contra mim. Deus, como eu amava ele. Sequer percebi que Yoongi e Hoseok se afastaram, dando alguma privacidade, enquanto ainda batiam boca. Aposto que no fim daquela noite estariam enrolados um no outro, em alguma moita, como sempre.

Consegui levar Jimin dali, era um espaço muito aberto e ainda possuía pessoas circulando. Eu quase conseguia ouvi-los dizendo sobre minha morte eminente na floresta ou, pior, da minha incapacidade de trazer uma presa até o fim da caçada. Sinceramente eu preferia a morte do que ser privado de ter Jimin, mas sabia que era muito egoísmo da minha parte. deixá-lo por culpa da morte parecia apenas menos doloroso do que simplesmente não poder tê-lo para mim e ter que assistir outro tendo a chance.

Praticamente carreguei-o em meus braços, enquanto o mesmo se mantinha agarrado fortemente ao meu tronco e soluçando às vezes, até a campina de mais cedo. Era o nosso lugar particular e sabia que teríamos privacidade o suficiente para conversar em paz e apenas ficarmos juntos as horas que restavam. A quase lua cheia iluminava bem o local e eu imaginei se amanhã ela estaria mais clara e plena, quando eu me embrenhasse na floresta. Estremeci um pouco e tentei varrer a ansiedade para outro canto.

Mal soltei Jimin e me sentei na grama quando o mesmo quase pulou em meu colo, novamente me abraçando. Eu odiava o quanto aquilo parecia uma despedida, como se o meu destino já estivesse decidido, mas não poderia culpar ninguém. Como diabos um coelho fofinho e pequeno conseguiria trazer uma presa pela floresta, isso sem contar sobreviver por 3 dias nela.

- Hey, Jimin, calma. – falei, tentando tranquilizá-lo. Daí começaram os socos e tapas. – Jimin... – quando as garras surgiram eu tive que segura-lo de verdade, impedindo-o de me arranhar com vontade e gosto. – JIMIN. – gritei e ele parou de lutar.

- Você merece ser arranhado até amanhã. – ele deu um rosnado bastante felino e me arrepiei sem querer. Agora ele estava deixando a raiva surgir novamente.

- Eu sei, eu mereço mesmo, mas deixa pra fazer isso quando eu voltar da caçada, sim? – tentei brincar e o mesmo parou tudo e começou a chorar de novo. Ah, droga, eu só pioro tudo. – Não, amor...

- Não me chama de amor.

- Mas...

- Cala a boca, Jungkook. Só torna tudo mais doloroso. – sua voz soava anasalada pelo nariz entupido e por estar com o rosto afundado no meu pescoço. Ele respirou fundo e finalmente me encarou com firmeza, limpando as lágrimas. Suas bochechas, nariz e lábios estavam bem vermelhos sob o luar e os olhos brilhavam pelas lágrimas seguradas. Eu era o pior coelho daquela bosta de lugar, com certeza. – Porque não me disse nada?

- Você sabe que me impediria. Se brincar me amarraria na cadeira dentro de casa só para que eu não pudesse ir à cerimônia de hoje. – consegui arrancar um sorriso triste dele.

- Eu tenho medo, Jungkook. – a dor em sua voz era angustiante. Levei a mão direita até sua cintura e a esquerda até sua bochecha, acariciando ambos os lugares, tentando transmitir calma e segurança. Ele fechou os olhos e apoiou melhor o rosto na minha mão, buscando mais carinho.

- Eu também tenho. Deus, eu estou quase roendo aquele tronco ali de tanto medo. – dei uma risada engasgada e desesperada. Pensando mais naquilo eu estava quase dando um ataque de pânico. Ele voltou a me olhar com tristeza. – Eu só quero que você me desculpe por hoje. Por tudo.

- Eu já desculpei. – ele disse baixinho.

- Eu precisava fazer isso. Por nós dois. É o meu dever.

- Por culpa dessa droga de tradição ridícula e arcaica, por culpa desses anciões malditos e esse povo... – ele começou a amaldiçoar tudo e todos e calei o mesmo deslizando o polegar em seus lábios quentinhos e cheios. Ele se aproximou mais, quase encostando nossas testas. – Se dependesse de mim você já teria me marcado há muitos anos. – sua voz saiu contida e suave e eu quase engasguei.

- Eu sei. Infelizmente não depende só de nós. Mas eu vou voltar, Jimin. Eu vou ir para aquela floresta por nós dois e vou voltar trazendo uma presa para você. E finalmente poderei te marcar e te ter para sempre. – o ar ficou um pouco denso ao nosso redor e meu corpo esquentou mais a despeito do frio da noite de outono. Jimin vestia várias blusas de frio para esquentar seu corpo e estava adoravelmente macio nelas, mas ele ainda sentia um pouco de frio. Era bem conhecido que alfas produziam mais calor e eram um ótimo cobertor para ômegas no frio, era o meu maior desejo me tornar o cobertor de Jimin nesse inverno que se iniciaria. Eu só precisava voltar vivo e trazendo uma caça. Que fácil.

Jimin me abraçou com força, me deixando afundar em seu peito e ouvir os batimentos acelerados do seu coração. Ficamos algum tempo naquela posição, um buscando conforto e calor no outro e eu queria aproveitar todas as horas que teria ao seu lado. Eu tentava manter o pensamento positivo e firme de que voltaria inteiro e com algo, mas o medo realmente tinha se embrenhado na minha mente e corpo, nem um pouco disposto a me deixar descansar. O medo era principalmente de não conseguir nada e decepcionar Jimin. Não ligava para a vila e as expectativas deles, eu ficaria quebrado se chegasse com as mãos vazias e visse o mesmo olhar que Jimin me dera mais cedo. A angústia, temor e sensação de estar de mãos atadas que ele expressou... Foram demais. Eu queria esquecer aquela imagem, mas pelo visto ela me acompanharia por cada passo durante aqueles três dias.

Um suspiro doloroso escapou de sua garganta e Jimin levantou o rosto para o céu.

- Eu irei rezar todos esses dias para que você volte para mim. – ouvi-lo dizer aquilo me fez acompanhar seu olhar, observando a lua quase cheia e plena no céu.

Havia uma lenda antiga na aldeia sobre um Deus na Lua que era benevolente com os animais e, por sermos metade animais, poderíamos fazer preces e louvá-lo que ele nos ouviria. Alguns outros deuses menores permeavam a cultura, mas a nossa era particularmente atada aquele deus. Olhar para a lua ali, tão bonita e brilhante, me fez elevar um pensamento a esse Deus, quem quer Ele fosse. Nunca fui o mais religioso ou me preocupei muito em fazer oferendas, ir a caçadas por Ele, mas desejei por um momento que o mesmo fosse real e me ouvisse agora. Eu precisaria de toda a ajuda naquela empreitada extrema.

Apertei a cintura de Jimin e quis me fundir a ele por um instante.

- Eu vou voltar. Eu juro. Por tudo. Pela Lua. – disse fervorosamente enquanto o olhava com devoção. Eu daria algum jeito, mas estaria ali, com ele, naquele mesmo lugar, daqui 3 dias, sim.

Os olhos de Jimin brilharam novamente, mas dessa vez não foram por lágrimas dolorosas não derramadas.

- Eu te amo, Jeon Jungkook, e se você não voltar para mim eu vou até o inferno te caçar e te trazer de volta. – aquele era o meu gatinho feroz que eu amava.

Acabamos soltando uma risada boba e selei nossos lábios, tentando transmitir o quanto o amava nem que fosse uma última e fatídica vez.

 

 

 

 

15 de Novembro de 2018 às 13:03 0 Denunciar Insira 1
Leia o próximo capítulo II - O coelhosomem e sua caçada

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