O Diário de Uma Azarada Seguir história

sra_capitu Luzia Tôrres

Quero primeiro deixar claro que a história que vou contar já se passou e nesse momento, estou tentando ainda assimilar toda a loucura que me ocorreu. Tendo que resolver um problema que garante minha entrada no inferno caso eu não solucione logo, e sabe quem será a pessoa que me mandará ‘pra lá com entrada grátis? Se pensou em sua mamãe, parabéns, você acertou. Vamos iniciar o relato, pois só de lembrar eu já sinto náuseas.


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Começando com uma aposta idiota

Avisos: Nada aqui é real, é tudo fruto da imaginação da autora.

Não apoio ou incetivo os acontecimentos relatados aqui.

Contém linguagem imprópria.


Boa leitura.


[...]

Capítulo I – Começando com uma aposta idiota



Quinta-feira, 26 de janeiro, 2017. 11:21 h


Eu sempre tive na minha vida vários exemplos de como fodida eu sou, mas acontece que essa semana eu me superei e em modo hard! Não foi só uma superação de fodimento de cu, foi um fodimento grande, e não foi de qualquer cu, foi do meu cu: nossa, Cris, falando dessa forma o pessoal vai achar que você dá a bunda sempre! Cara, primeiro: para de ser iludido e para já! Porque quando eu falo do fodimento do meu cu – em modo hard e contínuo – eu estou querendo dizer que me ferro sempre e, mano, não estou de exagero. Segundo: nem pense que minha vida sexual é ativa, porque ai sim eu teria certeza que você fantasia demais, eu até queria que fosse, mas minha vida é fodida apenas na forma figurativa.

Sei que por dentro você deve estar se perguntando: o que raios aconteceu ‘pra você estar dizendo isso?

Simples: tudo aconteceu! E foi quando eu resolvi ir a uma festa.

Na verdade, dizer que eu resolvi ir a uma festa é muito redundante, porque, na real, falando sério mesmo, foram meus “amigos” que me arrastaram ‘pra lá – e é por esse motivo que atribuo a eles todo o fodimento do meu cu, não só dessa semana.

Segundas-feiras são horríveis, por esse motivo a segunda dessa semana não estará incluída na minha semana de fodeção de cu, mas em um resumo breve: fui para o colégio e depois voltei para casa, foi o primeiro dia de aula, e cara, como foi chato! Aquela mesma merda de todo ano. Sejam bem-vindos: ao inferno. O cão maior estava lá, senhora Brita – a diretora daquilo que chamamos de colégio. E, só um desabafo aqui: ‘pra mim brita são pedrinhas que se usam em construção, porém é claro que tem que ter algum pai – talvez pedreiro ou servente de pedreiro – maluco o suficiente ao ponto de pôr esse nome em uma filha. Desculpa se ofendi alguém de vocês que, por coincidência e desejo intenso do universo em me ver mal diante de desconhecidas, se chama Brita, mas eu tenho um conselho ‘pra você: arranja um apelido. Sério, é um conselho de amiga.

Quero primeiro deixar claro que a história que vou contar já se passou e nesse momento estou tentando ainda assimilar toda a loucura que me ocorreu, tendo que resolver um problema que garante minha entrada no inferno caso eu não solucione logo – e sabe quem será a pessoa que me mandará ‘pra lá com minha entrada grátis? Se pensou em sua mamãe, parabéns, você acertou.

Vamos iniciar o relato, pois só de lembrar eu já sinto náuseas.

Terça-feira, 24 de janeiro, 2017. 09:42 h

Segundo dia de aula, horário do primeiro lanche da manhã. Aqui, em Dinah do Sul, as aulas nunca passam do mês de janeiro para começar, o que é um saco, pois quem gosta de acordar seis da matina para tomar banho e ir para o colégio? Você? Que bom para tu és, pois para muá é horrível essa sensação. Agora nesse horário da manhã eu até aceito mais essa coisa, pois como eu sempre digo: nada melhor do que a hora de lanchar.

Sentada em uma cadeira e apoiada em uma mesa, eu como meu sanduíche caseiro sem problemas, acompanhado de suco industrial sabor morango, vejo uma sombra atrás de mim e aquele cheiro amadeirado me faz ter noção de quem seja.

— Está comendo sanduíche? — Aquela voz do Taehyung é inconfundível.

— Tae, ou você para com isso de perguntar coisas óbvias, ou eu te bato com a latinha do suco. — Ele mesmo, o alienígena da escola, ou eu diria: o senhor sorriso quadrado?

— É de frango? — Ele pega uma pasta com papéis e letras nele. Outra peça? Esse pessoal do terceiro ano não cansa? Me lembro até do desastre que foi a peça Romeu e Julieta… palco caindo não é uma cena legal, isso eu garanto.

— Carne, é caseiro, e pode me fazer um favor? — Ele incita minha fala me apontando o nariz. — Fica calado? — Ele, que antes mexia nas folhas, me encara. Notei naquele olhar espremido que recebia, a tentativa tortuosa de conter uma patada dentro de sua boca que ele não teria coragem de soltar, pois Kim Taehyung me conhece e sabe que eu sempre revido patadas com grande estilo.

— Pensei que poderia treinar meu papel de anjo com você. — Tinha desaponto naquela frase, mas eu não sei se realmente ligo.

— Você? Anjo? Nem que o próprio Deus quisesse — falo irônica. Embora eu seja católica – e saiba que é errado brincar assim com a religião alheia – eu sei perfeitamente bem que de anjo Taehyung só tem a cor do cabelo.

— Não pisa, porra! — grita e logo me dá língua. Taehyung se tornou meu amigo no começo do meu terceiro ano, digamos que passei dois anos nessa escola sem ter amigos próximos, Taehyung foi o melhor que puder conseguir nesse longo tempo. Mas ao menos eu tenho o Jimin. Aliás, quero saber o porquê dele resolver faltar no segundo dia de aula. Me pergunto quem Jimin pensa que é para fazer tal coisa comigo e me deixar forever alone. Ele devia ter noção que eu sei os seus segredos.

— Sejamos francos, Taehyung, você já pegou metade dos caras da escola, ‘né? Fala sério. Se você for anjo eu sou uma puta, e olha que nem dar eu ainda dei. — Quando eu disse que era fodida em sentido figurado, eu não estava brincando.

— Porque é besta. — Taehyung e a intimidade que eu não dei. — Porque, meu amor, dar é muito bom — disse convicto da sua certeza, e sim, ele podia falar daquilo com total liberdade, pois já tinha provado, mas precisava falar no momento em que eu como?

— Sai ‘pra lá com teus nojos, eu estou no meio da minha refeição. E outra, se é tão bom assim, por que você não vai dar? O Jungkook ‘tá lá te esperando! — Acenei com a cabeça para trás, onde estava mesmo Jungkook com alguns colegas.

— Falando de sexo? — Vejo Jackson sentar-se ao meu lado e perguntar, esse garoto tem um faro para esse tipo de assunto, não é a toa que quase engravidou uma menina e teve quase um enfarto com a notícia, mas Deus teve pena desse embuste e era só um atraso comum na menstruação da não mãe da vez. Eu não sei de quem eu teria mais pena, dessa menina por ser mãe do filho do Jackson, ou do bebê que seria filho dos dois adolescentes mais idiotas que já conheci na minha vida!

— Sim. Acredita que ela nunca fez? — Agora ele vai sair espalhando para todo mundo a minha inatividade no quesito sexo? Afinal, desde que quando ser virgem é vergonhoso?

— Não sabe o que perde — Jackson falou com o jeito canalha dele.

— Nem sei, nem quero saber. — Mentira, quero sim.

— Duvido dizer isso depois de fazer — continuou com a safadeza. Uma coisa dos meus amigos; eles são pervertidos. Não importa o horário ou situação, não interessa se você ‘tá no clima de conversas asneiras ou não, eles, atoa, vão falar besteiras pervertidas e ponto!

— Falando de quê? — Vejo Rose sentar numa cadeira na cabeceira da mesa. Eu bufei, eu só queria lanchar em paz, mas a tranquilidade cessa quando eles aparecem.

— Relações sexuais — Taehyung falava enquanto lia o papel, de forma natural como quem lê a folha do noticiaria da manhã num jornal. Eu me pergunto: como eles conseguem falar disso assim, enquanto eu como? ENQUANTO EU COMO?!

— Uh, adoro! — Claro, a rainha das putarias tinha que adorar tal assunto. — Mas vamos falar de algo melhor, algo mais bombástico, tipo minha novidade. — Sabe o que mais em assusta do que a visão do meu irmão dormindo, roncando e babando durante a noite no sofá? As novidades da Rose. Quando essa garota tinha algo bombástico para falar, eu sempre esperava uma bomba daquelas estilo Little Boy*, porque Rose sempre arranjava um jeito de destruir a tranquilidade das pessoas em volta com os assuntos bombásticos dela. Inclusive a minha.

— O fato de Cris ainda ser virgem? — E a pessoa que estava calada resolveu falar merda, Jackson as vezes é um pé no saco.

— Cris, você nunca me falou sobre isso. — Talvez, porque seja minha vida particular e não diz respeito a ninguém além de mim? Por que esse povo não entende isso? Que falta de semancol.

— Isso lá é assunto de estar por ai espalhando? — pergunto retoricamente. Encaro o senhor dono do teatro em pessoa e falo. — Eu vou contar ao Jungkook que você precisa levar tora, ‘pra ver se você para de falar sobre minha sexualidade por ai. Que saco! — Me levanto grosseira da cadeira e ando para fora do refeitório, depois procuraria Rose para me prevenir do que ela ia aprontar, eu não quero correr riscos.

Estava na porta do refeitório quando vi Hoseok entrando e indo em direção a mesa que eu estava antes. Parei de supetão e olhei ele caminhar mesmo até a mesa que estavam meus amigos. Se aquilo era comum? Óbvio que não! Como assim Hoseok indo até a mesa em que eu estava? Em que meus amigos estão? E aquele sorriso de cúmplice na cara de Rose? O que está ‘pra acontecer, gente? Eu não estou preparada psicologicamente e fisicamente para essa junção de amizade, Rose e Jung Hoseok seria o fim dessa escola, quiçá de Dinah, quiçá do mundo!

Quer saber o motivo do drama? Vou explicar:

Jung Hoseok, o garoto cujo é famoso por ser um rebelde de carteirinha, amigo de pessoas como Kim Namjoon e Kim Seokjin, além de ser carne e unha com Min Yoongi, pessoas cujo duvido que usem as faculdades mentais – acho até que sequer sabem o que é isso – formam o grupo da pesada aqui da escola, e acredite, esse grupinho não é só mais um grupinho “da pesada” que são muito relatados em histórias adolescentes e americanas – cujo não gosto. Eles são os caras que praticamente comandam a porra da ilegalidade aqui, ou seja, fumam maconha, ficam de brisa, cheiram um pozinho, arrumam tretas com professores e se safam, bebem até cair, fazem festas de arromba, festa graúdas, festas… bombásticas…

Isso não pode ser sério.

Vejo Hoseok sair de perto da mesa e encaro aquilo com a expressão de: COMO ASSIM CARA?! Foco na mudança de cenário e vejo uma Rose traquina conversando babacamente – creio que essa palavra sequer exista, mas vou usar e foda-se – com os babacas que ficaram na mesa, cujo são meus amigos. E um Hoseok despreocupado – como sempre – voltando para entrada do refeitório, os passos lentos, como se estivesse com preguiça, andando e divagando em coisas que pensa – se é que ele pensa em algo.

Desperto dos meus próprios pensamentos e vejo uma cena histórica ocorrer comigo: Hoseok para ao meu lado – já que não me mexi mais depois de tirar conclusões sobre Rose e sua história bombástica – com as mãos no bolso, me olha e solta um sorriso de lado, mas um sorriso debochado que não durou um segundo, vejo então ele sair definitivamente do local.

Chocada? Sim, e muito, meu bem.

Voltei praticamente correndo para a mesa onde aqueles idiotas estavam, cheguei já disparando as perguntas. Eu não ‘tô brincando quando digo que a junção: Rose, mais, Hoseok, é igual: muito fodimento de cu, e eu não quero que o meu esteja incluído nisso.

— Me diz que a sua novidade bombástica não tem nada a ver com o ser que acabou de sair daqui. — Observei a expressão dela e eu garanto que aquele olhar já me dizia que eu estava certa em minhas conclusões.

— Está bem, eu não direi. — Se sentou ereta e encarou a mesa como se nada tivesse acontecido, como se a vida estivesse limpa e clara igual à água que tem nas praias mais belas do mundo, sendo que na realidade a vida parecia estar mais um esgoto, só faltava cheirar mal.

— Vai, Rose, fala o que você está aprontando. — Pedi a ponto de chorar de desgosto. Hoseok, cara?

— Ela ‘tá bolando uma festa com Hoseok lá na casa do lago. Nessa quarta-feira. — Jackson revela.

Você já teve um infarto? Não? Que maravilhoso! Se já, me responde algo, é uma agonia excruciante que você tem, vai pelos membros e você sente falta de ar, dores nas costas e suor frio? É causada pelo desgosto também, ‘né?

— Na quarta? Mas tem aula quinta, sua louca! — falei, agressiva como sempre e foi o que era preciso para que Taehyung e Jackson esperassem ansiosos para eu esganar Rose. E cara, eu nunca pensei tanto em atender a um desejo deles dois como naquele momento.

— Na quinta não terá aula, é aniversário do prefeito — Taehyung explica.

— E que culpa a escola tem? — Sério isso?

— É de um prefeito bom que morreu, dai eles darão um dia de folga para toda a cidade. — Agora entendo. E mais uma prova que o universo é a favor do Hoseok e sua tropa, porque eles sempre acham um jeito de curtir e não serem pegos, primeiro que foi um prefeito bom que morreu, só por ele ser bom já é um sinal de cumplicidade do universo, segundo que esse prefeito foi daqui de Dinah, onde Judas perdeu os dedos do pé, porque as botas foram alguns milhares de quilômetros antes. — Você vai conosco! — impôs.

— O quê? — perguntei indignada. — Mas é claro que não, eu estou bem sem receber castigos da minha mãe e olhares decepcionados do meu pai, obrigada.

— Ninguém vai se ferrar dessa vez e seu pai nem vai saber. Vai ser legal, eu juro — falou tentando, mas só tentando mesmo, me convencer.

— Das suas promessas eu estou farta! Lembra daquela brincadeira com bebidas na sua casa? Eu estava dormindo no sofá e mesmo assim fiquei uma semana sem internet. Além daquele dia que você matou aula e disse que eu estava com você, sendo que agente nem se encontrou na rua, eu fiquei sem poder sair de casa por uma semana! — Eu evito lembrar essas coisas porque sempre me bate uma vontade de bater na Rose, de triturar toda ela e terminar nossa amizade… — Mesmo sem você querer eu acabo me ferrando, Rose, então não. Valeu mesmo!

— Já comprei seu ingresso — falou simplista, como se fosse mudar minha opinião.

Sabe, eu amo essa garota, amiga porreta ela, mas tem cada enrascada que ela se mete e eu tenho que tirar, ou que ela se mete e me arrasta junto… só compensando com muito companheirismo mesmo ‘pra eu não largar essa coisa.

— Problema é seu, eu não vou usar. Gastou dinheiro porque quis! — Sai em disparada daquele antro de ervas daninhas.

— Sua ingrata! — gritou.

Não julgue meu comportamento como se não gostasse dos meus amigos, eu gosto, sério! Mas as vezes, tipo uns setenta por cento do tempo que estamos juntos, eu sinto muita vontade de me tornar uma assassina profissional…

E não pense que não gosto de festas, eu realmente gosto, mas só quando eu sei que essas festas não me causará alguma dor de cabeça futuramente com minha mãe, que cá entre nós, depois da separação ficou mais chata ainda, ela precisa de um homem e rápido! – não que eu também não precise. E mãe, se a senhora estiver lendo isso – o que eu espero que não esteja – saiba que eu te amo e nunca quis quebrar aquele vaso, na verdade foi o Henrique, ele que me odeia e colocou minha mão ali enquanto eu dormia no sofá, tirando isso tudo, eu te amo, de verdade.

Mas voltando ao assunto festa, digo: festas do Hoseok. Aquilo é um caos! Um bando de adolescentes pulando, bebendo e fumando, alguns até trasando nos banheiros e outros praticamente fazendo o mesmo, porém em sofás e escadas. Se um dia minha mãe descobre que eu estive presente em uma coisa dessas, ela simplesmente me manda para o Japão, e sem passagem de volta. Me manda estudar com os monges e me tornar uma monja – eu também estranhei o feminino de monge, mas fazer o quê, ‘né?

Ter notas médias, já ter sido pega bebendo na casa da amiga, já ter sido pega dando uns bons pegas num carinha, já ter quebrado o carro dela, já ter comido da sobremesa especial dela escondido, já ter sido acusada de cabular aula, já ter sido marcada em uma foto de armas, já ter quebrado o jarro dela e já ter gritado com ela hoje de manhã, – muitas dessas coisas nesse ano – me proporcionaram experiências cujo não quero repetir a dose, minha mãe é um amor, mas desobedece ela para você ver, chinelada certeira é fichinha para o que aquela mulher pode fazer, já tive o prazer de conhecer a cinta dela e não quero ter um reencontro não.

Conclusão: não vou nessa festa.

Foi com esses pensamentos que andei de volta para sala, meti a mão no bolso do casaco e retirei dele meu celular, desbloqueei e vi uma mensagem do Jimin. Suspirei debochada. É obvio que mandou mensagem, deve estar curtindo e muito a cama dele, esse anão de jardim, embora eu não seja a pessoa mais alta do mundo, nem maior que ele eu sou, mas isso nada importa.

Estou tranquilamente passando pelas salas e eis que surge um poste na minha frente, sabe o suco que eu ainda tinha em mãos? Então, na minha mão é que não está! Porque nesse momento se encontra nos meus pés, ou melhor, no meu tênis novo e branquinho. Olho o indigente que me fez ter a certeza da existência da inercia e traumatizo, sério que você está tão contra mim assim, querido Universo? Tantas pessoas para sujar e você me manda justo o Hoseok?

Encaro os olhos puxados na minha frente e estremeço, aquela sensação de fodimento de cu veio a tona de novo, se eu fosse um besouro fedorento, já estava cagado. Hoseok tem fama de ser mal, embora a aparência dele seja muito passiva e tranquila. Se ele lesse pensamentos saberia que internamente eu estou rezando para que ele deixe isso passar.

— Meu tênis é novo, sabia? — Eu não estava em um bom momento. Hoseok encarou breve os pés, ele tinha as mãos dentro dos bolsos da calça e parecia elaborar um plano de tortura na mente. Eu preciso de um psiquiatra.

— Como vou saber? Eu não sou adivinha. — Meu defeito maior é não ter freio na língua, a partir daquele momento eu senti um cheiro estranho, ah, era o cheiro da minha morte.

— E ainda caçoa? — Sim, eu estava prestes a morrer, eu realmente não gosto de dar de mole, mas o cara conhece gente da pesada vei. Embora que, fazendo as contas aqui, eu vou levar uns gritos da minha mãe por ter sujado meu tênis, além de provavelmente ter que pagar outro para Hoseok…

Então, quer saber? Foda-se! Vou meter logo o pé na bosta de uma vez.

— Eu não, você esbarra em mim e eu devo me redimir? Meu tênis também é novo e branco! — Oh, Deus, de onde eu tirei essa audácia? Cala a minha boca antes que Jung Hoseok cale!

— Então eu deveria me desculpar? — Retirou as mãos dos bolsos e cruzou-as na altura do tórax.

— É o mínimo. — Não é só o Taehyung que sabe atuar, embora eu estivesse me cagando, tendo uma convulsão, um colapso e tudo mais que pudesse causar minha morte dentro de mim – Whata? –, eu estava firme por fora, mas só por fora mesmo.

Sabe, muitas coisas na vida são para foder você, assim como muitos amigos, mas eu nunca achei tão bom ouvir a voz de Taehyung ali, eu amo ele, e aquela intimidade que eu não tinha dado antes, agora é totalmente dele.

— Atrapalho o casal? — Retiro o que eu disse, nada de intimidade ‘pra esse ai.

— Não existe casal — falei rápida, até demais eu diria.

— Ué, para quem disse que não queria conhecer o lado pervertido da vida… — Ele estava com as mãos no bolso, olhou para mim e depois para o cara a minha frente. — Conversar com Hoseok é o mesmo que se tornar embaixadora da Putalândia, você sabe né? — Se falar baixo fosse a única forma de conseguir dinheiro, Taehyung era pobre, muito pobre.

— Eu não quero conhecer o lado pervertido da vida, seu acéfalo!… Putalândia? — O encarei com minha melhor expressão de: cara, tu comeu bosta? Alguém rebobina a fita para o momento que eu achava que ia ter uma convulsão de medo por ter sujado os sapatos de Hoseok? ‘Tava melhor naquele momento.

— Quer dizer que a moça quer que eu mostre o lado pervertido da vida a ela? — Hoseok perguntou fingindo inocência, entortou o rosto de lado e sorriu pequeno.

Eu odeio minha vida, sem or!

— Não! — falei rápida novamente.

— Quer, já que ninguém mostrou a ela ainda. — EU VOU MATAR KIM TAEHYUNG! Como ele faz isso? Como? Isso é vergonhoso, poxa, estou tão puta com meu amigo que poderia enterrar ele vivo agora mesmo.

— Ahh, estou de frente a uma inocente? — É oficial, o mundo me odeia, junto com todos os outros universos paralelos dessa vida. Notei isso quando o embuste, vulgo Hoseok, perguntou com o deboche estampado na frase e sorriu cínico.

Juro que cada célula do meu corpo implorava para que eu matasse os dois ali a minha frente.

— Eu já disse ‘pra você parar de falar da minha vida aos quatro ventos, Kim Taehyung!

— Quer começar um relacionamento sem falar que ainda é virgem? — É por esse motivo que não gosto de dar intimidade a esse projeto de gente, aquela frase me renderia caçoamento eterno. Eu tenho certeza que grudei chiclete na cruz de Jesus para merecer isso. Ou pior! Na outra encarnação eu fui o soldado que matou Jesus com uma adaga.

— Mais inocente do que eu pensei. — Está vendo o que eu disse, nesse momento o quadrupede em forma de humano chamado Hoseok se contorcia de riso. Ah, como eu quero matar eles dois.

Suspirei, encarei Taehyung com certo ódio e senti ele recuar minimamente, me virei e sai dali partindo para a sala de aula, mesmo eu dividindo a sala com ambos os idiotas, queria apenas me certificar de que Taehyung perceberia que eu estou puta da vida com ele, aquele projeto de pessoa linguarudo de uma figa.

Sinceramente, pensei que veria o rosto daquele alienígena linguarudo se aproximando, mas vi o rosto do quadrupede em forma de humano se aproximar da minha banca. Deus, me mate de uma vez, vá logo, antes que ele se aproxime, use sua força, vá Deus! Poxa vei… notei que minhas preces não seriam atendidas quando o vi se sentar todo pomposo na cadeira ao lado da minha. Insolente, ri da minha cara e debochará mais vindo aqui? Esse cara é realmente um irritante.

— Seu amigo me contou coisas legais de você. — Fiquei calada. — Sobre quebrar um carro e nunca ter dado a ninguém. — Espero que entendam o motivo de querer tanto matar aquilo chamado Taehyung.

— Escuta aqui, quer ir falar da minha vida com aquele idiota? Vai, mas não vem falar comigo como se eu te conhecesse, porque isso é algo que não desejo fazer. — Foi tudo que disse ao desfazer a pose irritada e falar ligeiramente ao asno ao meu lado antes de voltar a pose de irritada.

— Por quê? — perguntou, mudando drasticamente o humor, não havia mais cinismo e deboche ali.

— Por que o quê? — perguntei, ainda reprovando a estadia dele ao meu lado.

— Por que não quer me conhecer? — perguntou e, no tom dele, ele estava realmente pensativo.

— Porque você é um prepotente, exibido, metido a gostosão, fala mais do que faz, irritante, idiota e sinceramente, parece um quadrupede quando ri — despejei, e por um momento – creio que ilusão da minha mente – o vi triste e talvez frustrado.

— Nossa… — Ele estava triste? É sério isso? Eu deixei Jung Hoseok triste? — Percebi que você julga muito mal, julga assim como a maioria e sabe Cris, ser a maioria é a maior burrice da vida, cuidado para não se tornar adulta com essa coisa, primeiro a gente conhece e depois julga, não continue sendo cega e burra assim.

Assisti ele se levantar e sair da sala. Nunca pensei que ele seria sério quando quisesse. Julgar errado? É, talvez eu tenha feito isso, embora que minha visão sobre Hoseok não mude, ele é sim idiota e um sortudo filho da puta, e sim, isso me irrita.

O tempo passou e não sai da sala de aula, a todo o momento pensava em Hoseok. Ele foi agressivo, tudo bem que sequer tenho convívio com ele e que para mim ele nunca fez nada de mal e mesmo que as vezes – ou sempre – eu ache que ele é um idiota… caralho, eu julguei o menino sem sequer ele ter me feito mal, droga. Ele ser sortudo, bagunceiro e as vezes fazer papel de delinquente não me dá esse direito… se bem que… por que caralhos eu estou pensando nele? A aula tem mais fundamento na minha vida do que os sentimentos daquele cara.

Depois das aulas do dia acabarem eu parti para o pátio, ir embora da escola é a melhor parte do dia escolar, porém eu deveria saber a partir do momento que decidi levantar da cama, que não seria fácil assim o dia de hoje, e deveria saber disso logo, porque quando dei de cara com Taehyung, Rose, Jackson, Hoseok, Yoongi e Namjoon emparelhados um do lado do outro, minha reação foi apenas dar meia volta e tentar passar despercebida, mas uma coisa, caro leitor, o universo me odeia com cada – micro – pedaço dele.

— Yah, Cris. — Além disso, eu tenho carma e Satanás foi quem lançou..

— O que há? — Me aproximei receosa, tentando ignorar todos que estavam junto dela.

— Preciso de um favor. — Apenas encarei Rose, ela entendeu e continuou. — Na verdade eu preciso que me empreste o som do Henrique para usá-lo na festa do Hoseok. — Por isso eu gargalhei, eu gargalhei desesperadamente, sentia cada pedaço meu tremer de tanto que eu ri daquele pedido, Rose só podia estar de zoação. Eu? Pedir o som do meu irmão? Para usar numa festa do Hoseok? Ela só podia estar de brincadeira com minha pessoa, não tinha outra explicação.

— Desculpa, eu… — Me abaixei enquanto segurava nos meus joelhos. Faltou o fôlego. — Pensei que tinha pedido para pegar o som do Henrique emprestado. — Soltei um riso curto.

— Você pode? — Perguntou ignorando minha ironia anterior.

— Está falando sério? Quer mesmo o som do Henrique? — Ela tinha noção do pedido que estava fazendo? Meu irmão é o satanás em forma de ser humano, não sei nem como ele consegue entrar na igreja todos os domingos.

— Sim. O som que teria na festa quebrou, dai o Hobi — Hobi? — veio devolver o dinheiro e dizer que a festa estava cancelada, mas lembrei do som do seu irmão e eu achei não ser problema você pegar emprestado. — Eu juro que senti uma pontada de pena da minha amiga, pois só sendo muito iludida para acreditar que Henrique, meu irmão, emprestaria o som dele.

— Achou errado, esqueceu da última vez que peguei o som dele emprestado? Eu tive que arrumar a casa sozinha durante um mês. Um mês! Eu realmente não estou disposta. — Virei meu rosto para Hoseok e falei o mais calma possível. — Não é nada contra você, mas meu irmão é uma peste! Peste cujo não estou disposta a suportar ouvi-lo dizer as mesmas frases durante um mês: “olha, isso aqui ‘tá sujo”, ou “trabalha, escrava!” — Fiz careta e mudei meu tom de voz enquanto falava, vi Taehyung e Namjoon soltarem um riso anasalado, Taehyung riu mais aberto logo depois, Namjoon parou por ai mesmo.

— Eu te ajudo durante o mês todo. — Rose falou. Ela deve querer muito ir nessa festa. Ri desacreditada em como Rose podia ser tão… grr!

— Não, esqueceu que também ia me ajudar da última vez? Não caio mais nas suas lorotas, Rose, por favor, desistam dessa ideia. — Revirei os olhos. Estava pronta para sair dali, queria chegar em casa, conectar no jogo Amor Doce e torrar meus créditos só para passar do episódio vinte, mas a voz dele… ah, como eu queria que ele enfiasse aquela voz pelo cu até sair pelo pê-… enfim.

— Claro que ela não aceita, não consegue sequer se domar, imagine o irmão — ironizou.

Ah, filho de uma mãe sofredora!

— O que disse? — Se em algum momento eu deixei de achar que Hoseok fosse um idiota, esse momento caiu por terra agora.

— Que você, mesmo que tentasse, nunca conseguiria pegar o som do seu irmão. — Ele…

— Ninguém duvida de Cris Xavier! — esbravejei.

— Eu duvido. — Me encarou com aquela cara de tédio, como odeio aquela cara de tédio.

— Está bem, Hoseok, parece que você vai ter um som nessa festa estúpida, caso eu consiga, terá que me dar o que eu quiser. — E eu tiraria proveito dessa situação.

— E caso não consiga, você terá que me dar o que eu quiser. — Me ferrei, como é possível? O ano mal começou, mas o fodimento de cu já está bem encaminhado…

— Apostado. — Me virei e dei passadas largas para fora dali. Fora daquele inferno e daqueles projetos de endiabrados.

As vezes você sente, do fundo do seu coração, que seus passos anteriores foram os culpados para toda sua desgraça dos momentos atuais, e, meus caros amigos, minha vida seria bem melhor sem essa aposta, a aposta foi o pulo do precipício para morte da minha calmaria. Embora eu não goste de me meter em confusão, pelos motivos citados, eu adorarei ver Hoseok com cara de tacho quando eu aparecesse com o som do meu irmão, tudo bem que eu não tenho ideia do que oferecer a Henrique para me livrar das tarefas de casa, mas ser desafiada assim? Hoseok vai se ferrar nas minhas mãos, pois o que eu vou pedir… espera, o que porra eu vou pedir? Enfim, tenho outro problema no momento.

Como vou pedir o som do Henrique?

Quinta-feira, 26 de janeiro, 2017. 12:49 h

Hoje, me arrependo de ter aceitado aquela aposta…




[...]

Notas:

E ai, gostaram? Mereço uns reviews? Espero que sim!

Obrigado por lerem até aqui, beijos até o próximo!





21 de Novembro de 2018 às 22:40 0 Denunciar Insira 0
Leia o próximo capítulo O vocabulário de Cris e os olhares de Jimin

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