It's like magic Seguir história

byun_re Becca Jorge

Essa é a história de um pequeno camponês que entra na Floresta Negra, durante o Halloween, atrás de um castelo encantado, pois necessita colher uma flor mágica para salvar a vida de sua irmã. Contudo, ao chegar em seu objetivo, dá de cara com dois grandiosos reis. bakudeku | tododeku | tododekubaku | fantasia


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Um vampiro, um lobo e um quase mago.

 



Já que grande parte das histórias mágicas começam da mesma forma, creio que deveria iniciar a minha assim também. Bem, era uma vez um garoto não muito alto, nem muito baixo; não muito forte, nem muito fraco; não era intimidante, nem um covarde. Era um garoto de bom coração, amado pelo povoado, filho mais velho de uma das famílias mais aclamadas da aldeia. Curandeiros, um dos poucos em toda a região.


Essa é minha história, Midoriya Izuku, o garoto que não era muito, mas também chegava a ser insuficiente. Até porque tudo que eu fazia precisava ser mantido em segredo, não por vaidade, mas por temer ser queimado vivo. Alquimistas, bruxos, demônios, existiam muitos nomes para pessoas como eu, ninguém era compreensivo com poderes que não entendiam.


Mas não se importavam que esse mesmo poder, antídoto, elixir, em suma, poção, houvesse salvado suas vidas.


Talvez as coisas continuassem assim, escondidas, por anos, décadas, séculos. Nem minha própria família tinha conhecimento do que eu era capaz. Só confiava em uma pessoa. Minha irmã mais nova, Ochako, e por causa dela tudo mudou.


A doença chegou ao povoado de forma rasteira, como uma cobra traiçoeira. Um dia, algumas pessoas estavam tossindo, no outro sentiam-se fracas, e em poucas semanas havia sangue no canto dos lábios, febre, dor e, em menos de um mês, não sentiam mais nada. Estavam mortas.


Eu jamais vi algo assim, e por mais que usasse toda poção de cura em meus livros, nenhuma surtiu efeito. Foi quando Ochako começou a tossir. Estávamos no final da lua de sangue, todos sentados ao redor da mesa para o jantar enquanto meu pai falava sobre essa doença inominável.


Era uma maldição, povoado sussurrava, devido ao dia da lua de sangue. Assim que a data passasse, os enfermos melhorariam, a doença sumiria, e todos seguiriam suas vidas. Era um mês amaldiçoado. Em seu último dia os demônios conseguiam romper a barreira do inferno, e se divertiam com mortais na terra. Um dia de caos.


A verdade não era bem assim.


O último dia do mês vermelho, como os supersticiosos chamavam, era de fato um dia mágico. Não porque demônios poderiam passear pela terra, eles já o faziam diariamente, não era novidade. Mas, na lua de sangue, a floresta negra se torna mais visível, dizem que o brilho da lua ilumina o caminho até o castelo perdido entre as árvores, e no jardim desse lugar teriam as mais lindas flores.


Flores com poderes de mudar vidas, curar doenças.


Assim que minha irmã ficou de cama, devido a febre alta, eu soube que ela teria apenas algumas semanas, e não confiava nos rumores do povo ao falarem que quando o mês acabasse ela ficaria, milagrosamente, bem.


Foi por isso que minha jornada começou.


O garoto que sempre precisou se conter por medo do que poderiam dizer, que nunca foi demais, nem de menos.


Nunca havia saído da aldeia, e a ideia era mais aterrorizante do que empolgante, ainda mais devido as condições de minha irmã. Eu precisava ser rápido, pois apenas no Halloween seria capaz de ultrapassar a barreira que protegia a floresta, separando o mundo mágico. Tinha que salvar Ochako.


Coloquei os vidros com diversas poções necessárias para minha viagem, alguns pedaços de pão enrolados em uma toalha e um cantil de água, beijei a testa de Ochako e de minha mãe, prometendo que voltaria com a cura em breve, depois parti.


A entrada da floresta fazia divisa com a vila, e ao dar o primeiro passo em direção às árvores, no amanhecer do dia dos demônios, eu soube que não teria como voltar atrás.


Não havia mapa ou bússola, nada funcionava na floresta negra. Apesar do dia estar começando, logo que assim dei alguns passos, um breu me tomou, com as copas das árvores fazendo uma barreira tão espessa que poucos feixes de luz conseguiam atravessar.


Meu medo não era, especificamente, sobre o que poderia encontrar, mas como eu iria sair de lá. Tinha que conseguir voltar a vila em menos de um dia, pois assim o dia se findar e o outro começar, todas as barreiras serão reerguidas. Seria impossível encontrar o caminho de volta.


Andei com um espelho em minha mão. Ele era minha forma mais clara de encontrar magia, de me guiar na escuridão. Em seu reflexo eu conseguia enxergar coisas que jamais seria capaz ver a olho nu.


Precisava seguir pelo caminho até o coração da floresta, onde o grande castelo se ergue. O problema? Ninguém é capaz de vê-lo até atravessar seus portões. Dizem que dois reis moram lá, duas das mais antigas criaturas mágicas, e de lá, mantém o controle de seus súditos.


Eu não sou um bruxo, de fato, sequer um mestiço. Minha avó era uma bruxa, minha mãe nasceu muito doente e para salvar sua vida, minha avó sacrificou toda a magia dentro dela, quando ainda era muito nova. Eu deveria ser como Ochako, sem nenhum sonho estranho sobre todas essas criaturas que ninguém vê, de fato, mas suspeitam da existência.


Afinal, o que deveriam pensar ao encontrar, nas bordas da floresta, corpos sem vida com sangue drenado?


Porém essa ânsia sempre existiu dentro de mim, como se algo muito grande estivesse prestes a acontecer, mas eu não conseguia entender o quê, ou quando.


Achei um livro da vovó com doze anos, e me encantei pelo que estava escrito, por todas as poções e feitiços. Ela arregalou os olhos, sem entender como eu conseguia lê-lo. Estava em runas antigas, e alguém sem magia no sangue, jamais entenderia. De alguma forma os dons da nossa família vieram para mim, apesar de minha mãe nem fazer ideias do que somos.


Por ter a idade avançada, minha avó não conseguiu me ensinar muito, mas deixou todos seus livros comigo antes de falecer. Tentar entender meus poderia sozinho, escondido e com o constante medo de morrer, me fez reprimir ao máximo meus dons. Na verdade, sequer sei se tenho algum. Nunca pude testá-los.


As horas se arrastavam enquanto andava sem um rumo definido, apenas usando meus sentidos para achar a magia mais forte. A prova que o tempo estava passando foi a fome que me fez parar um pouco para tomar um gole de água e comer um pedaço de pão.


Sentei perto de um enorme tronco de árvore.

Foi quando senti. Ainda não conseguia identificar direito todas as vibrações dentro de mim, mas sempre sabia quando estava próximo de algo diferente. Sobrehumano.


Segui na direção do ronronar em meu peito, andando cautelosamente pela floresta até me deparar com uma criatura mágica. A primeira que já vi, e logo, a que poderia me matar em instantes. Um dragão. Seu rugido era cheio de dor e ele não conseguia se manter quieto. Não era tão grande, talvez ainda fosse novo.


— Calma, Kirishima, assim vai se machucar ainda mais! — a voz feminina veio em seguida. — Como vou te ajudar assim? Não consegue voltar a forma humana? Não? Que merda! Como isso foi acontecer?!


A garota parecia impaciente, como não soubesse como ajudar o dragão. Seu tom de pele e cabelo rosa deixava claro que também não era humana.


Aproximei-me mais um pouco, entendendo a situação. A pata dele estava presa em armadilha pontiaguda, que mesmo não perfurando profundamente suas escamas, machucava a ponto de sangrar. Bem, talvez eu pudesse ajudar… Mas eu hesitei, porque, bem… Era um dragão! Dei um passo para trás, fazendo um galho quebrar e prendi a respiração.


— Quem está aí? — a garota gritou, com um adaga em punho.


— Eu não quero problemas! — disse.


— Apareça!


Com um suspiro resignado, saí detrás das árvores. Não posso perder muito tempo, ainda tenho que encontrar o jardim do castelo e voltar para a vila.


— Quem é você? — a garota perguntou.


— Ninguém! Só um viajante.


— Pessoas não transitam pelo interior da floresta negra, a não ser que queiram morrer…


— Eu estou procurando uma flor, é a cura para a doença de minha irmã. — olhei para o dragão, que parecia inquieto, mas não tão intimidador. — Se quiser, eu posso ajudar.


— Como?


Abri minha bolsa, pegando uma das poções.


— Se beber isso, voltará a sua forma humana, como é uma armadilha para animais grandes, não vai mais estar preso… Mas o efeito dura algumas horas, então poderá voltar a sua forma de dragão tão cedo.


— O que é isso? — a garota perguntou. — Quem é você? Um mago?


— Não chego a isso, mas sei algumas coisas.


Entreguei a ela o frasco. A garota, claramente, estava desconfiada, pois cheirou e franziu o cenho.


— Não parece veneno… — disse, depois me olhou com suspeita. — Qual seu nome?


— Midoriya Izuku.


— Sou Mina, e se isso fizer algum mal a Kirishima, você é um homem morto.


— É apenas uma poção simples, garanto que vai ajudar.


Mina se aproximou, olhando para o dragão como se conversassem sem palavras, então abriu o frasco e derramou o líquido azulado na boca dele. Não demorou muito para fazer efeito, logo todo o corpo do animal começou a encolher, até voltar a sua forma humana.


Devido a dor, talvez, ele não tenha conseguido fazer isso por conta própria, ou a armadilha tenha algum feitiço que o impeça, não sei. Mas assim que o garoto de cabelo vermelho espetado apareceu na minha frente, com o braço machucado — mas liberto — suspirei aliviado.


— Ah, obrigado! Isso estava doendo muito. — choramingou, apertando o braço e recebendo um tapa na cabeça da garota ao seu lado.


— Você não olha por onde anda? Idiota!


— Se você não percebeu, isso aqui estava escondido! Como eu poderia ter visto?


— Bakugou vai nos matar, você deveria proteger o castelo hoje.


— O castelo? — perguntei, esperançoso.


— É para lá que está indo, certo? — Kirishima sorriu, para um dragão, ele era bastante amigável. — Os jardins tem flores mágicas.


— Sim! Minha irmã está doente, preciso voltar o quanto antes… Vocês podem me apontar a direção?


— Nosso dever é proteger o castelo, não mandar as pessoas direto para lá. — Mina respondeu, e por um momento meu coração parou. E se Ochako morrer? — Mas como você se mostrou um ser mágico de bom coração, deixaremos os reis decidirem se pode entrar ou não.


— Ser mágico? Eu?


— Claro, quem mais?


— Não tenho nenhuma magia, apenas faço algumas poções do livro da minha avó.


— Mas se não houvesse magia em você, jamais conseguiria fazer essas poções! — Krishima riu, como se fosse óbvio. Era óbvio? — Mora na vila, certo? Aposto que as pessoas falam todo tipo de loucura sobre nós.


— Nunca pôde usar sua magia? — Mina quis saber, e eu neguei. — E ainda assim decidiu entrar aqui sozinho? É mesmo corajoso.


Corei com o elogio, e os eles me mandaram segui-los. Estávamos perto, pelo que falaram. Nós andamos entre as árvores, e mesmo que fosse impossível, a cada passo a floresta se tornava mais densa e escura. 


— Sempre tentam atacar o castelo no Halloween, sabe? Quando as barreiras estão fracas. — explicaram o motivo da armadilha. — Mas você não parece um conquistador.


— Conquistador?


— São sempre forças do mal que desejam tomar conta da floresta. Nossos reis, mesmo se odiando, juntaram seus poderes para resistir a esse vilão, mas tudo fica vulnerável hoje.


— Não quero conquistar nada, apenas desejo salvar minha irmã.


Mina e Kirishima se entreolharam e sorriram.


— Então precisará convencê-los.


A garota estendeu a mão para o nada, eu ouvi um rangido no momento que os portões apareceram magicamente e tudo à frente dele se tornou visível também. Eu jamais saberia entrar aqui sozinho.


O caminho de cascalhos levava até o imponente castelo, uma ponte de pedra se erguia antes da enorme porta de madeira. Era, ao mesmo tempo, bonito e intimidador.


— Só podemos te trazer até aqui, precisamos proteger a entrada. Os jardins ficam nos fundos, o que significa que precisará de permissão para ir até lá. Boa sorte, Midoriya.


Mina fechou o portão atrás de mim, e foi como se eu não pudesse mais ver a floresta. Tudo que envolvia o castelo estava protegido, à parte do mundo ao redor. Aqui conseguia ver o céu cinzento e pesado.


Respirei fundo, criando coragem para atravessar todo o caminho de pedras até a entrada. A porta não estava trancada, o que significava duas coisas: 1) ou tinham certeza que ninguém entraria 2) ou já estariam me esperando.


— Olá? A-alguém aqui? — quis saber. — O que estou fazendo? — sussurrei para mim mesmo.


Assim que a grande porta fechou-se atrás de mim, todas as luzes das velas se acenderam, mostrando um grande hall e uma escada toda trabalhada. No topo, havia duas figuras imponentes. É, eles estavam me esperando.


— Quem você pensa que é? Um merdinha desses entrando aqui sem permissão? — o loiro falou.


Ele estava com o peito nu, uma manta vermelha jogada em seus ombros e diversos colares no pescoço. Rosnou, avaliando-me com seus olhos cor-de-sangue, recuei um passo. Era ele!


— Onde está Kirishima, aquele imbecil? Deixando pequenos ratos atravessarem a barreira.


— O dragão? — minha voz saiu baixa, mas ambos se viraram na minha direção. — Eu o ajudei, ele ficou preso em uma armadilha e está machucado. Mina me mostrou o caminho até aqui, depois que ele voltou a forma humana, mas precisará ficar assim por algum tempo para se recuperar.


— Como? Mina te mostrou o caminho? — gritou o loiro, e recuei mais dois passos enquanto ele vinha em minha direção.


Contudo, o outro segurou-o pela capa, ainda olhando para mim.


— Se eles o ajudaram, deve ter um bom motivo para estar aqui. — diferente de toda a explosão do loiro, a voz deste era fria, como um sopro no inverno. Baixa, mas tão amedrontadora quanto. Suas vestes eram como as de um príncipe, em azul, branco e dourado. Austero.


— E-eu preciso de uma flor! — comecei a explicar. — Minha irmã está morrendo e a flor mágica é a única forma de salvá-la.


— Não estamos aqui para ajudar humanos. — o loiro disse, cheio de repulsa.


— Bakugou, calma.


— Calma com o quê, Todoroki? Olhe só para ele! É um filhote de mortal, se tremendo todo! — a risada veio cheia de ironia e de alguma forma isso me deixou bastante irritado.


— Então, vamos desafiá-lo. — Todoroki disse, seu tom entediado deixa claro que logo eu iria morrer.


Uma nova determinação se apossou de mim. Não seria subestimado por esses dois.


— Eu aceito! — gritei, dando um passo à frente. Coloquei minha bolsa no chão e os encarei, vendo o sorriso debochado de um e olhar indiferente do outro. — Eu aceito o desafio, falei o que for preciso para salvar minha irmã.


— Aceita? Bom… Eu vou pegar leve com você ,então. — Bakugou desceu os degraus, parando a poucos metros de mim. — Se conseguir encostar um dedo sequer em meus pelos, você ganha, se não, eu te mato.


Engoli em seco, não havia como recuar agora, por isso assenti. Minha mente entrou em pânico quando percebi o sorriso cheio de maldade do rei. Uma palavra voltou a minha cabeça. Pelos? Ele disse pelos?


Ainda tentando pensar no que fazer, vi o loiro tirar a própria manta dos ombros, ele se abaixou, em posição de ataque e apenas tive tempo de enfiar a mão na minha bolsa para pegar uma das poções.


No segundo seguinte, Bakugou havia se transformado. Na minha frente estava em enorme lobo branco com os olhos vermelhos, rosnando em minha direção. Pulei para o lado no instante que ele atacou e abri o frasco, tomando todo o líquido.


Senti o efeito ferver em minhas veias, quando me jogava no chão para fugir de uma mordida, que teria arrancado minha cabeça. Respirei fundo, olhando tudo ao redor. Bakugou já corria na minha direção, mas agora conseguia vê-lo mais lentamente.


Uma poção para apurar meus sentidos, aumentar minha velocidade e força.


Rolei para o lado quando ele atacou novamente e logo depois pulei, tentando parar atrás do lobo e tocá-lo, mas Bakugou também é rápido e se virou. Mais uma vez precisei rolar para longe. Ele não me deu tempo de respirar, logo se jogando em minha direção.


Precisava pensar no que fazer, se não todo efeito da poção se esvairiam apenas fugindo de seus ataques. Corri para longe dele, apesar de não conseguir ir muito longe, pois sua velocidade era assustadora.


O lobo parecia irritado, e usei isso a meu favor.


Fingi que iria para esquerda, mas no último instante virei para direita, não dando tempo de Bakugou mudar a trajetória de seu ataque. Respirei fundo, saltando para trás dele novamente, e meus dedos roçaram nos pelos de cauda.


Sorri vitorioso e sequer percebi a transição do lobo para humano, até novamente o loiro estar na minha frente. Ele puxou a gola da minha blusa de forma irritada.


— Quem é você? Não é um humano.


— Não sou ninguém.


— É um mago. — Todoroki disse, descendo a escadas calmamente. Seus olhos pareciam ser capazes de ler minha alma.


— Minha avó já foi uma bruxas, mas eu não… Eu só leio livros e faço algumas poções.


— Fez uma poção dessa, sem nunca ter praticado magia? — Bakugou arregalou os olhos. — Sabe como é difícil para um mago experiente conseguir fazer um simples elixir de cura?


— Eu nunca pude fazer nada na vila, me matariam! — sussurrei, sentindo Bakugou finalmente me soltar. — Não importa o que eu sei fazer, nada funciona com a minha irmã, ela está morrendo e eu preciso salvá-la, por isso estou aqui.


Encarei os dois, mesmo com todo o medo em mim, não poderia recuar.


— Ótimo, então se eu julgá-lo bom o suficiente, pode colher sua flor. — Todoroki falou.


Ele puxou duas espadas de suas vestes, uma em cada mão. A da direita parecia feita de gelo, já a da esquerda era coberta por chamas.


Engoli em seco.


Preciso enfrentá-lo enquanto ainda tenho os efeitos da poção de força em mim. Bakugou sorriu de forma maquiavélica e se afastou, colocando sua capa vermelha e voltando para as escadas.


Os ataques de Todoroki, diferente de Bakugou, eram calculados, minimalistas. Ele não fazia esforço em vão, e assim como o loiro, sua velocidade era assustadora. Por pouco consegui pular para trás, me afastando de seu primeiro ataque. Ele sorriu, e vi suas presas crescendo. Um vampiro.


Reis, Mina disse. Geralmente lobisomens e vampiros são inimigos, eles tomam conta de partes opostas da magia. Li isso em um livro. Seres de luz, seres de trevas. Isso não define se são bons ou maus, apenas o que seus poderes são capazes de fazer. Dragões são seres de luz, pois seu principal ataque é o fogo; elfos são seres de trevas, já que consegue manipular melhor a escuridão.


Vampiros são os reis dos seres de trevas, lobos são os reis dos seres de luz. E ainda assim, eles se juntaram para defender a floresta. Me perguntei que tipo de vilão seria forte o bastante para fazer dois opostos cooperarem.


Contudo, não consegui pensar nisso por muito tempo, já que o cabo da espada de Todoroki me acertou com força no estômago. Perdi o ar por um momento, caindo no chão. Ele aproveitou para descer sua espada de gelo em minha direção, rolei para o lado e fiquei de pé. Preciso me concentrar.


O rei das trevas novamente sorriu, então veio em minha direção em um ataque usando ambas as espadas, precisei correr até a parede oposta, para arrancar um escudo e me defender. Consegui chutar suas pernas para que lhe desequilibrar um pouco e me afastei, mas Todoroki era forte e muito experiente em batalhas, algo que nunca fui.


Então quando pensei que tinha conseguido uma vantagem, ele chutou o meu escudo, fazendo com que eu caísse para trás e o objeto voasse para longe. Antes que eu pudesse me recuperar, o vampiro já estava sobre mim. O efeito da poção havia diminuído, minha respiração estava acelerada, e mesmo quando ele encostou sua espada de gelo em meu pescoço, não desviei o olhar.


Se fosse para morrer, seria com honra, não parecendo um covarde.


Então ele levantou a espada e…



— QUE PORRA VOCÊS ESTÃO FAZENDO?


Pulei do sofá, com Todoroki ao meu lado. Seus olhos caídos mostravam que estava quase dormindo, se não fosse por Bakugou entrando em nosso apartamento de forma espalhafatosa às 3 da manhã.


— Kacchan!


— Você estava contando a ele uma história, sem me esperar, seu nerd de merda? — a voz do loiro estava baixa e cheia de raiva.


Ele arrancou a gravata, odiava suas roupas sociais de segurança, e depois nos olhou.


— Todoroki teve um pesadelo, só estava tentando acalmá-lo. — respondi.


— É muito escandaloso, Katsuki, nossos vizinhos vão reclamar.


Bakugou olhou para mim e depois para Shouto. Ainda era possível ver os rastros de lágrimas no rosto dele, fazendo cicatriz em volta de seu olho ficar ainda mais evidente. Os pesadelos de Todoroki sempre nos deixava preocupados, por isso Bakugou bufou e se virou.


— Vão para cama! De que adianta tentar dormir no sofá?


— Eu estava aqui te esperando, e Shouto apareceu, então comecei a contar sobre meu novo livro…


— São dois imbecis! Vão dormir!


Katsuki bateu a porta do banheiro e eu sorri para Todoroki, puxando-o pela mão. Nunca entendi muito bem como acabamos assim, nós três. Eu sempre amei Bakugou, o conheço desde que me entendo por gente, mas ele demorou anos para entender e aceitar seus próprios sentimentos, então sempre tivemos um relacionamento inominado. Nesse meio tempo eu conheci Todoroki, com seus olhos frios e jeito reservado.


Bakugou diz que eu tenho mania de herói, sempre quero salvar todo mundo, por isso me tornei um escritor. Mas a verdade é que eu só quero salvar esses dois. Eu só quero amar esses dois.


Nós fomos para cama, Todoroki tinha uma grande reunião na empresa de seu pai, no dia seguinte. Ele tem sérios problemas com sua família, e por ser o herdeiro de um império de hotéis cinco estrelas, Shouto se sente muito sozinho. Diz que não tem ninguém ao seu lado que o ame de verdade, só existe interesse ou opressão.


Então eu mostrei a ele o significado do amor, mesmo que através de palavras bobas dos meus livros. E nos apaixonamos.


Apesar de jamais ter deixado de amar Kacchan.


Foi bem complicado lidar com os dois, e com todos os sentimentos que vieram depois. Acho que foi a primeira vez que Katsuki disse que me amava, quando ele pensou que iria me perder. E talvez fosse egoísta da minha parte, um idiota que adora escrever romances, mas não queria desistir de nenhum dos dois, e eles não queriam desistir de mim.


— Izuku… — Todoroki disse, já deitado na cama, ele me abraçou por trás e deixou um beijo singelo no meu ombro, depois outro nos meus lábios. — O que o rei das trevas fez? Ele é mau?


— Não… Claro que não, ele só era incompreendido, sabe?


— Me conte o final da história, enquanto Bakugou ainda está no banho.


— Tudo bem…


“Eu pensei que iria morrer naquele momento, mas, no último instante, o vampiro recuou. Olhou-me atentamente e suspirou.


— Pode pegar sua flor. — ele disse.


— Não entendo, não consegui te vencer.


— Claro que não conseguiu, você não sabe lutar… — sua resposta foi fria. — Mas não era isso que eu estava avaliando, e sim sua determinação. Está mesmo disposto a morrer para salvar sua irmã.


— Claro que sim, eu a amo.


— Então é digno de entrar em nosso castelo.


Sequer acreditei que estava mesmo ouvindo aquilo, e quase chorei de emoção ao pegar minha bolsa e seguir até os fundos, sendo guiado por dois reis completamente opostos. Assim que eles abriram a porta que dava acesso ao jardim, meus olhos brilharam diante daquela beleza.


Havia diversas flores, árvores frutíferas, e verde para todo lado. Era como um pequeno oásis perdido dentro da floresta negra. De longe era possível ver o brilho da flor mágica, seu tom dourado a diferenciava de qualquer outra.


Não pude deixar de sorrir, andando por entre aquele belo lugar, tocando as pétalas de veludo. Colhi algumas flores, o suficiente para ajudar minha irmã e outras pessoas na vila. Então me virei para Todoroki e Bakugou, ainda sorrindo.


— Obrigada por isso.


Vi a surpresa em ambos os rostos e eles se encararam, logo desviando o olhar. Percebi não sabiam lidar muito bem um com o outro.


— Você fez por merecer. — Todoroki respondeu.


— Ainda assim, vocês foram justos e me deram a chance de provar meu valor. São bons reis. Eu queria poder olhar esse jardim por mais tempo, é tão bonito, e tem tantas plantas que podem ser usadas em poções… Mas minha irmã precisa de mim.


— Hey, seu merdinha… — Bakugou chamou. — Não desperdice sua magia em um lugar que não entende o quanto você pode ser forte.


— Como?


— O que Katsuki está tentando dizer… — Todoroki começou. — É que será bem-vindo se quiser voltar ao nosso castelo. Tem muito que pode aprender aqui, sobre sua magia, sabe?


— Eu posso voltar?


— Não foi o que o bastardo do meu lado acabou de dizer?


— Não seja tão rude, Bakugou.


O loiro rosnou para o vampiro, deixando claro que odiava quando chamavam sua atenção. Acabei rindo daqueles dois. Eles, realmente, não sabiam muito bem como lidar um com o outro.


Bakugou tirou um de seus cordões, e só então percebi uma pequena bússola como pingente.


— Isso mostrará o seu caminho de volta para a vila, e se quiser, também mostrará o caminho para o nosso castelo. — disse, e logo depois rosnou para mim. — Não ouse perder um dos meus cordões, meu merdinha.


Assenti uma vez.


E, por mais estranho que pudesse parecer, ao sair daquele castelo de pedra e intimidador, com dois reis superpoderosos, eu não senti como se fosse o final da minha jornada. Foi ao contrário, parecia apenas o começo.”


— O que achou, Shouto? — virei-me para ele, mas Torodoki já estava dormindo.


Sorri de leve, tocando na cicatriz em volta de seu olho e suspirei. Às vezes queria falar para ele desistir de toda essa coisa de família e ficar apenas comigo e Bakugou, mas ele era orgulhoso. Queria provar seu valor ao pai, assumir seus deveres, mas do próprio jeito. Isso me fazia admirá-lo, e amá-lo, ainda mais.


— O bastardo dormiu?


Shiu, Kacchan, amanhã será um dia difícil para ele.


— É, imagino.


— Você voltou cedo.


— Parece que o figurão tinha um encontro e não queria um segurança ouvindo enquanto estava fodendo.


— Kacchan!


— O quê? — ele rosnou, vindo em direção cama.


Apenas consegui rir de seu jeito irritadinho. Ele vestia apenas uma calça moletom e tinha o rosto cansado. Seu sonho é ser um lutador, e já ganhou alguns campeonatos pequenos, mas para ganhar um dinheiro extra também trabalha como segurança de um empresário todo cheio de sorrisos e bom-humor. O homem que o pai de Todoroki mais odeia, seu principal rival nos negócios.


— Desculpe por contar uma história sem você aqui. — disse, olhando-o de forma carinhosa. — Sei que prometi que só faria isso com os dois por perto para escutar.


Nah, se isso ajudou Shouto a se acalmar, o que eu posso fazer?


Assenti uma vez e o abracei, selando seus lábios brevemente. Katsuki sorriu de leve, acariciando meu rosto. E em momentos como esse, em que abaixa a guarda, sei que é verdadeiro tudo que construímos durante todos esses anos.


— Amanhã é seu dia de folga, certo? Enquanto Todoroki estiver na reunião eu conto a história para você…


— É sobre o que?


— Bem, dois reis superlegais e um pequeno mago que não sabe direito o que fazer.


— Isso me parece familiar…


Nós dois rimos, então a mão de Bakugou encontrou e a de Todoroki, ambos me abraçando pela cintura. Shouto suspirou atrás de mim, se aconchegando ainda mais, e Katsuki beijou minha testa antes de fechar os olhos.


Ter esses dois ao meu lado sempre me inspirou. Talvez eu só consiga escrever coisas tão legais e publicar os livros que eu tanto amo graças a eles. Estar entre um vampiro frio e um lobo voraz não me deixa com medo, ao contrário, me faz querer seguir essa estrada ao lado deles para sempre.


Pois, independente de quanto isso pode parecer estranho para os outros, para nós três esse amor dá certo. Mais do que isso, é genuíno e grande o que sentimos um pelo outro, quase… como se fosse magia.

6 de Novembro de 2018 às 16:27 1 Denunciar Insira 3
Fim

Conheça o autor

Becca Jorge Uma escritora apaixonada por cultura asiática e universos que me levam para longe desse mundo chato.

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Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá, tudo bem? Conte-nos como foi participar do desafio, se divertiu muito? 😊 Nos divertimos muito lendo essa jornada do herói do menino Midoriya. Mesmo que as duas histórias narradas uma diferente da outra, conseguem capturar cada essência dos personagens. E o enredo, que fofura mais Canon! O Deku sendo o herói que quer ajudar todo mundo. Tanto no livro narrado, quanto na realidade. Foi muito ele sem tiram nem por. 😊 A Fanfiction narra o tempo todo a busca do herói pelo castelo encantado no meio da floresta e conseguimos captar a essência do desafio, a imagem e o Halloween. Porém ao voltar a vida normal essa narrativa se perde pecando um pouco e deixando o tema de lado. Outro ponto a ser observado e o quesito originalidade, já que a história lembra alguns clássicos da cultura pop e até mesmo um tema um pouco batido no desafio. Em questão de ortografia ela tem poucos erros e a leitura segue fluída até o final. Só ficando um pouco confusa as trocas entre a história narrada e a vida real deles. Bom amamos a forma que você deu vida a esse universo fantástico e, as descrições ao longo da leitura. Parabéns! Beijinhos 💚😘
27 de Dezembro de 2018 às 18:54
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