My Little Ghost Seguir história

cisnenegrow Cisne Negro

Sentindo-se culpado pelo acidente que tirou a vida de sua namorada, Kurosaki Ichigo, um adolescente médium, decide se afastar de tudo e todos por um tempo. Quando finalmente resolve retomar sua vida, ele conhece Rukia, uma fantasma um tanto peculiar que não consegue se lembrar de nada além de seu primeiro nome. No momento em que se comprometeu a ajudá-la, Ichigo não fazia ideia de que poderia se apegar tanto a ela. Mas nem tudo é o que parece...


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#drama #258 #paranormal #IchiRuki #fantasma #sobrenatural #bleach
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Memórias Dolorosas

“Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente.”

William Shakespeare
 


— Vamos lá, Ichigo, conte mais uma vez. — A mulher tinha a voz doce, quase hipnótica, mas toda essa magia era quebrada sempre que ela fazia aquele pedido.

— De novo?! — Ichigo, que estava sentado no divã, acabou elevando a voz. Ela já o havia feito contar aquela história zilhões de vezes, e ele não entendia o porquê de precisar reviver aquilo em todas as sessões — Eu já contei tantas vezes, isso é ridículo!

— Não se trata do que você diz, mas de como se sente com isso. — Ela tentava fazê-lo entender aquilo sempre que o pedia para contar. Sim, ela tinha total conhecimento de que dizer aquilo outra vez fazia com que ele se sentisse culpado, triste... E é justamente isso que ela quer mudar — O objetivo aqui é fazer com que você entenda que não teve culpa, Ichigo.

— E como sabe disso?! Você não estava lá! Não sabe de nada! — Sim, ele estava com raiva! Todos lhe diziam que ele não poderia ter feito nada, que foi apenas um acidente, mas a verdade é que ele estava lá, ele sabe o que aconteceu, ninguém mais!

— Tem razão, eu não estava lá, mas a questão é que foi um acidente. Ninguém teve culpa, Ichigo! — Era compreensível que ele sentia falta dela, mas precisava superar — Agora, me conte o que aconteceu naquela noite.

— Está bem...


Estava escuro. Tatsuki e eu estávamos voltando de um grupo de estudos, já passava da meia-noite. Eu insisti para que ela me deixasse dirigir, mas ela não quis, disse que eu estava muito cansado e precisava dormir um pouco. Como eu realmente estava cansado, pois tinha passado a noite anterior acordado ajudando meu pai na clínica, não discuti muito. Acabei adormecendo.

Eu acordei com um grito, foi tudo muito rápido. Tudo o que me lembro é de dois faróis em nossa direção e do nosso carro capotando duas, três, quatro vezes. Depois disso, só escuridão.

Acordei dois dias depois, no hospital do pai de Ishida.”


— E foi então que lhe disseram que Tatsuki... — Ela sempre evitava dizer a palavra, Ichigo não entendia o porquê. Morta, Tatsuki estava morta!

— Sim...

— Disseram que você não quis saber o que houve com as pessoas do outro carro... — Viu ele acenar com a cabeça — Posso perguntar o motivo?

— Por que eu iria querer saber? Não traria Tatsuki de volta e... Sinceramente, eu não me importava.

— Alguma vez você já sentiu curiosidade em saber?

— Nunca. — A resposta rápida a deixou surpresa. Você sofre um acidente onde perde sua namorada e não quer saber o que aconteceu ou quem estava no outro carro? — Sempre que falavam disso nos jornais ou até mesmo na escola eu simplesmente me afastava. Tudo o que eu sei é que o carro era de uma família rica e eles se ofereceram para pagar uma indenização.

— E por que seu pai não aceitou o dinheiro?

— Eu pedi para que ele não aceitasse. — Deitou-se no divã, sem se dar conta de que o fez. Em nenhum momento ele olhou para a psicóloga, e ela entendia o motivo. Era sempre assim, ele se sentia envergonhado por não ter salvo a namorada, por não ser capaz de lidar com isso sozinho... Ela entendia — O dinheiro deles também não traria ela de volta.

— Você sente raiva deles, Ichigo?

Aquela pergunta o pegou de surpresa. Normalmente ela sempre faz as mesmas indagações, tanto que ele já sabia exatamente o que responder, mas isso... Isso ela nunca perguntou.

— Eu... Acho que não. Como você disse, foi um acidente.

— Se você não culpa a eles, que bateram no seu carro, por que culpa a si mesmo, que sequer estava consciente quando aconteceu? — Agora sim! Haviam chegado exatamente onde ela queria. Levou tempo e exigiu paciência, mas finalmente chegaram nesse ponto!

Mais uma vez a pergunta o pegou desprevenido. Talvez... Talvez Ichigo apenas precisasse de alguém para culpar e, entre os causadores do acidente e ele, escolheu culpar a si mesmo. Mesmo que diga que não sabe nada sobre as pessoas no outro carro, ele sabia. Sabia que uma mulher havia morrido e uma menina da idade dele estava em coma. Culpá-los parecia errado, o sofrimento deles era igual ou maior que o seu.

Antes que pudesse formular uma resposta boa o bastante, a campainha tocou anunciando que a sessão havia acabado.

— Salvo pelo gongo. — Ela falou e ele riu, mesmo que minimamente.

— Até semana que vem, Drª Yadōmaru.

— Até, e lembre-se de tudo o que falamos hoje.

Após murmurar um "tá", saiu da sala o mais rápido que pôde. Por mais que se recusasse a admitir, as conversas com Lisa estavam o ajudando, mesmo que não pudesse dizer toda a verdade para ela.

No caminho de volta para casa, passou numa floricultura. Levaria uma rosa para a pequena Reiko, que morreu ao ser atropelada por um maldito motorista bêbado.

Sempre que passava por aquele local, deixava uma flor. Rosas a deixavam feliz.

Sim, Ichigo conseguia ver Reiko. Conseguia ver vários espíritos. Menos ela.

— Olá, Kurosaki-san! — Cumprimentou alegremente, como de costume.

— Não me chame assim, fico me sentindo um velho.

— Você já tem o humor de um. — Ele cogitou brigar com ela, mas ao ouvi-la rir não conseguiu evitar sorrir também. Ela era muito simpática e doce, Ichigo não conseguia achar um jeito de ajudá-la na passagem — Já descobriu por que eu não consigo ir?

— Ainda não, — Admitiu — mas continuo procurando a causa.

— Tudo bem... — Ela parecia chateada com a resposta que recebeu. Era difícil ficar ali, sem sair daquela esquina por mais que quisesse. Era ainda pior ver seus pais chorarem sempre que passavam por ali — E... Já conseguiu ver ela?

Ele sabia exatamente de quem ela estava falando: Tatsuki! Quem ele mais queria ver, porém nunca conseguiu.

— Ainda não.

— Talvez ela tenha realizado a passagem sem problemas. — Tentou animá-lo — Talvez ela esteja num lugar melhor agora.

— É... Talvez... 

5 de Novembro de 2018 às 18:38 0 Denunciar Insira 0
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