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raviossa biaz

chanbaek | fluffy | livre Naquele dia, com Chanyeol todo envergonhado e de bochechas vermelhinhas bem na sua frente, Baekhyun tivera vontade de apertá-lo entre seus braços como um grande urso de pelúcia e nunca mais soltá-lo.


Fanfiction Todo o público.

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Como um furacão desengonçado e de cabelos encaracolados, Park Chanyeol deixou a sala de aula assim que o sinal soou janela afora.

O rapaz era alto demais para não trombar com ninguém no meio de sua afobação, mas ele não se importava. Os murmúrios sequer chegavam a suas notáveis orelhinhas; estava ocupado demais tentando não perder a cabeça de vez.

Agarrado aos livros de química avançada, Chanyeol já não conseguia controlar o ritmo do peito, tão frenético que mal sentia o próprio coração bater. Tinha dúvidas se ele realmente ainda estava ali; provavelmente já havia desistido de si, arrumado suas trouxinhas e ido para bem longe, cansado de esperar.

Ora, Chanyeol, ‘pra que tanta enrolação? Afinal, até onde sabia, Baekhyun não mordia.

Apesar do cartão devidamente feito, o moreno já tinha todas as palavras decoradas, em um replay eterno do sonoro poema que havia escrito meses atrás, mas que vinha editando sempre que encontrava uma nova parte favorita no baixinho do 204B.

Porque, toda vez que o olhava, era inevitável não ficar na dúvida: seus olhinhos sorridentes, seus cabelos macios, escuros como uma ganache de chocolate, e a risada mais gostosa que já ouvira em toda sua vida. Puxa, Chanyeol gostava tanto de todos aqueles detalhes que era capaz de descrevê-los todos em um livro digno de George R. R. Martin, um capítulo inteirinho para cada pintinha de Baekhyun.

Chanyeol era quieto, o mais caladinho do pequeno grupo de amigos que tomava milkshakes todas as quartas, no entanto, Baekhyun não parava de tagarelar por um só minuto. O mais alto podia passar o dia inteiro quietinho no seu canto, apenas escutando o outro e suas piadas de gente velha enquanto associava a bebida de baunilha ao seu perfume.

O mais velho era tão acolhedor, tão compreensível e de fácil conversa, que enchia o peito do Park de coragem por alguns segundos. E então lá ia Chanyeol, com um tantinho de confiança em uma mão e o telefone na outra, uma súbita determinação que o atingia de vez em quando. Contudo, sempre se arrependia quando ouvia a voz baixinha no outro lado da linha e, desesperado, encerrava a ligação na cara do pobre bichinho.

Se decidia ir direto ao ponto, encará-lo diretamente, o medo congelava cada parte do seu corpo e então nada podia fazer contra a mudez que lhe rendia um grande papel de idiota de bochechas rubras na frente do garoto mais incrível que tivera a chance de conhecer.

Antes que se desse conta, lá estava ele, bem na frente do armário do garoto que tirava suas noites de sono. Se tivesse demorado um minutinho a mais para sair da sala com certeza encontraria o Byun por ali, rodeado pelos colegas, e isso sim dificultaria mais ainda seus planos.

Mais do que depressa, olhou ao redor como se alguém o espionasse e, ao certificar-se de que estava a salvo, puxou o cartão cor de rosa cuidadosamente escondido entre seus livros pesados. Releu pela milésima vez o poema e então, a um passo de jogá-lo armário adentro por entre as laterais da lataria, hesitou.

Será que deveria mesmo fazer aquilo? E se ele achasse careta? Ou pior, se descobrisse de quem era? Chanyeol não conseguiria encará-lo no dia seguinte sabendo que o mais velho descobrira quem era sua pequena paixãozinha platônica.

Coragem, Chanyeol, pensou. Você já fez isso milhares de vezes na sua cabeça.

Resolveu aproveitar a pouca coragem que reunira antes que esta sumisse de vez: Chanyeol empurrou com um tanto de força maior do que necessária o cartão para dentro da portinha e segurou a respiração quando notou que não havia mais volta.

Apesar de suar frio, o Park sentiu uma certa leveza ao desfazer-se daquilo que pesava em seu bolso há algumas semanas. Talvez tudo desse certo no final das contas.  Contudo, não tivera a oportunidade de aproveitar a sensação de paz: a voz gostosinha do Byun chamou sua atenção na cabeceira do corredor, cumprimentando os colegas que passavam por si, felizmente distraído o bastante para não notá-lo.

Chanyeol, em pânico, arregalou os olhos e apertou o passo, afastando-se do armário o mais rápido que podia, olhando para os lados como um perfeito fugitivo em fuga. Contudo, nem sua imaginação fértil poderia preveni-lo da sensação de trombar com Byun Baekhyun poucos passos depois.

— Oh, me desculpe. — o mais velho disse envergonhado por sua distração e sorriu da forma que fazia o coração do moreno derreter. — Bom dia, Chanyeol-ah.

Chanyeol sentia como se não soubesse mais respirar, seu estômago gelou e o peito se aqueceu proporções tão grandes que acreditava ser um tanto prejudicial à saúde; não entendia como aquele baixinho provocava tantas reações em si ao mesmo tempo, muito menos se seu corpo resistiria a mais uma aproximação daquela.  

Chanyeol mal conseguia erguer os olhos. Ele tinha um cheirinho doce tão bom dali de pertinho que o mais alto não conseguia pensar em nada além do quanto queria abraçá-lo e enterrar o rosto naquele pescoço branquinho. Tentou encará-lo, mas as pernas bambearam assim que encontrara o par de jóias brilhando em sua direção, ansioso por alguma resposta. Ah, não…  

O rapaz mais alto engoliu em seco, as mãos suando e a voz presa na garganta. Havia um grande branco no meio da sua cabeça, como se houvesse desaprendido a falar; Baekhyun tinha esse efeito sobre si, como se nada mais importasse quando ele estava por perto. Milhares de Chanyeolzinhos desesperados corriam de um lado para o outro dentro de sua cabeça naquele momento.

Chanyeol, então, após duas ou três tentativas de não parecer um bobo e sem saber onde se esconder, voltou a andar apressado, passando direto pelo baixinho.

Era um idiota. Idiota, idiota, idiota.

O Park apertou os olhos com força, vermelho da cabeça aos pés. Por que tinha de ser tão estranho? E se Baekhyun tivesse visto ele em frente ao seu armário? Chanyeol não queria parecer um stalker esquisito que o seguia com os olhos o dia inteiro, no entanto, era mais ou menos aquilo que fazia no seu tempo livre.

Contudo, apesar de tentar justificar para si mesmo sua covardia, seu coraçãozinho estava mais apertado do que nunca, pulsando dolorido no peito. Os olhos redondinhos de Chanyeol começavam a arder, marejados. Estava arrependido, porém não havia nada que pudesse fazer agora.

Baekhyun, confuso, observou o Park ir embora, desajeitado como bem se lembrava. Será que havia feito algo de errado?

Assim que destrancou o cadeado de seu armário, o Byun checou o hálito e conferiu no espelhinho grudado na portinhola se suas olheiras estavam mais evidentes naquela manhã, procurando algum motivo para ter assustado Chanyeol daquela forma.

De longe, Chanyeol observava-o por detrás de uma enorme planta de folhas espaçadas, o coração palpitando em sua mão. Deveria correr para longe dali o mais rápido possível, mas o que faria se observar o baixinho era mais interessante do que seus exercícios de química? Ele estava tão bonitinho no uniforme azul-marinho que o mais alto podia passar o dia inteiro ali, com um sorrisinho bobo nos lábios e a cabeça no mundo das nuvens.

Baekhyun, ainda um pouco cabisbaixo, com um bico desapontado nos lábios e o cenho franzido, começou a organizar seus materiais para o dia seguinte.

Sempre achara o mais alto uma gracinha, apesar de um tanto estranho às vezes. Com suas orelhas maiores do que as dos demais e o sorriso que, mesmo sumido, era encantador, Chanyeol chamava sua atenção sem precisar dizer uma só palavra. Por isso o Byun fazia questão de soar o mais bobo que podia sempre que ele estava por perto; por menores que fossem, fazia de tudo para arrancar sorrisos do grandão.

Naquele dia, com Chanyeol todo envergonhado e de bochechas vermelhinhas bem na sua frente, Baekhyun tivera vontade de apertá-lo entre seus braços como um grande urso de pelúcia e nunca mais soltá-lo.

O Byun voltou sua atenção aos cadernos novamente, notando a presença de uma cor um tanto estranha ao mar de tons de azul de seus materiais escolares. Curioso, levou as mãos ao pedaço de papel rosinha, um pouco mais grosso que folhas normais e de uma caligrafia limpa e bonita, com seu nome escrito em letras douradas no verso.

Baekhyun olhou ao redor, teatralmente de sobrancelhas franzidas, desconfiado, mas não pôde enxergar Chanyeol, que caíra durinho para trás, com as mãos no peito e os olhos arregalados. O Byun então retornou ao cartão em suas mãos, ansioso para saber do que se tratava. Seria um admirador secreto ou apenas alguém tirando sarro de sua cara?

Sem mais esperar, Baekhyun leu com cuidado cada estrofe, absorvendo as palavras com calma, sequer notava que sorria mais a cada frase. Assim que lera tudinho pela terceira vez, o moreno teve vontade de guardar o poema em seu coração para sempre.

Era simples, nada muito rebuscado ou profundo, porém o suficiente para que o Byun abrisse um sorriso tão caloroso e brilhante quanto uma estrela e se sentisse a pessoa mais especial do mundo.

O mais velho, sorrindo feito bobo, inspirou fundo o cheirinho de canela impregnado na folha rosa. Levou o cartão ao peito, feliz da vida. Talvez não houvesse nenhum remetente ali, muito menos uma assinatura em código morse para que pudesse desvendar e encontrar o dono de poesia tão linda, mas tinha certeza que tudo aquilo tinha a ver com as orelhinhas salientes que enxergava por entre os ramos de uma palmeirinha de vaso.





talvez escreva um poema

no qual grite o seu nome

nem sei se vale a pena

talvez só telefone

eu me ensaio, mas nada sai

o seu rosto me distrai

e como um raio

eu encubro, eu disfarço

eu camuflo, eu desfaço

eu respiro bem fundo

hoje digo pro mundo

mudei rosto e imagem

mas você me sorriu

lá se foi minha coragem

você me inibiu

sei que tento me vencer e acabar com a mudez

quando eu chego perto, tudo esqueço

e não tenho vez

me consolo, foi errado o momento, talvez

mas na verdade, nada esconde essa minha timidez





3 de Novembro de 2018 às 15:55 0 Denunciar Insira 3
Fim

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biaz exo & desenhos fofinhos

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