Red Eyes Seguir história

jubanglo jubanglo

O que ele não sabia era que os olhos vermelhos lhe pajeavam de longe... a muito tempo. -- História publicada também nas plataformas (Spirit Fanfics&Histórias) e no (Wattpad) - com o mesmo user que utilizo aqui! Fora desses sites citados minha obra não estará em nenhuma outra além. E por favor, não reposte minha obra sem minha autorização - ainda que eu não aceite nenhuma republicação da mesma, obrigada! -- +história em revisão!+


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas. © Criação de minha autoria. Plágio é crime!

#twilightau #kookv #namjin #vkook #taekook
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My sweet vampire

A vida seria fácil se o mundo não resolvesse implicar consigo. Jeongguk sempre tinha problemas encima de si – ou eles que o tinha na maior parte do tempo.

Um jovem adolescente como qualquer outro, porém vítima dos valentões de sua escola. Ora e outra era sempre atingido por caras maiores e mais fortes que seu corpo magro.

Aqueles tempos foram ruins para sua memória, ainda mais quando ele era um reles novato em um colégio novo e estranho - muito diferente do que estava acostumado a frequentar na cidade grande. Ao se mudar junto com seu pai – que havia se desquitado de sua esposa – Jeon teve de passar pela terrível experiência de aprender a se virar sozinho num lugar sem amigos, pacato, e sem poder chamar sua mãe o tempo todo, já que esta não poderia mais estar tão presente agora.

O jovem de cabelos negros aguentou o que pôde por si só, mas em um certo dia – felizmente – ele batera de frente com duas pessoas, as quais ninguém tinha coragem de enfrentar, mesmo estando em maioria. Os dois caras com quem Jeon acabou chocando-se de frente – literalmente dizendo - pois ao fugir célere dos grandalhões que lhe perseguiam, o menino indefeso deu de cara com Kim Namjoon e Kim SeokJin indo prontamente ao chão em seguida, e neste mesmo momento o menino implorou ajuda aos desconhecidos, e bastara apenas um olhar firme e ao mesmo tempo sombrio encima dos outros moleques, que estes acabaram saindo depressa de perto de Jeon e dos dois caras estranhos – não era preciso muito para tal, pois muitos temiam aqueles rapazes, principalmente pelos boatos que os rondavam, e que aliás, o menino novato desconhecia.

Os dois Kim, eram parentes e estudavam no mesmo colégio que Jeongguk. Não se tinha muitas informações sobre eles. Eram dois seres que sempre ficavam distantes dos outros e nunca se enturmavam com ninguém – não falavam; andavam ou lanchavam juntos de outrem, ficavam apenas eles dois num canto. Moravam no lugar mais distante da cidade, e chamavam muita atenção por serem tão atraentes. Eles eram populares, mesmo sem precisarem de um fã clube envolta de si – eram distintos dos outros, e tinha algo neles que trazia curiosidade e medo ao mesmo tempo, por menores explicações.

Eles levavam uma vida tranquila, mesmo tendo tanta atenção e suspeitas sobre si. Entretanto, eles acabaram conhecendo seu mais novo protegido: Jeon Jeongguk – certamente a vida deles mudara muitodepois disso.

Após dois anos de muita insistência, o menino de cabelos negros como a noite, conseguiu a confiança, a companhia – e o melhor – a amizade dos dois Kim. Simplesmente começou a andar e falar com eles como se fosse a coisa mais normal do mundo, até que eles resolveram ceder, por terem gostado do jeito inocente do garoto. SeokJin foi o que mais se apaixonou pelo menor, o tratava como se ele fosse seu precioso caçula.

O menino nunca entendeu de fato o porquê dos outros os temerem tanto. Aos seus olhos inocentes, seus dois amigos ali eram supernormais e boas pessoas – um tanto estranhos, de fato, mas eram apenas dois rapazes afobados como qualquer adolescente, e era muito legal para si poder andar com eles sem ser perturbado. Aos poucos, Jeon estava ficando tão popular quanto – ainda recebendo o apelido de estranho, mas estava tudo bem até ali. Combinavam perfeitamente consigo.

O pai do doce menino havia arrumado um emprego de vigilante e por conta disso, estava sempre fora o deixando sempre sozinho. Quando Jeongguk se sentia extremamente entediado com sua solidão, gostava de passar todo o restante de seu tempo na casa dos Kim, dormia por lá as vezes, mas sempre ficava sozinho à noite. Nunca entendia o porquê daquilo, mas Jin e Namjoon nunca ficavam em sua casa à noite - os dois sempre saiam nesse horário, e era sempre assim desde que notara quanto tempo estava ficando naquele lugar. Achava que eles saiam para se divertir nas noitadas, mas nunca questionou sobre.

Jeon não se importava com o que seus amigos lhe escondiam, desde que eles nunca o abandonasse, já que se apegara a tanto por eles serem seus únicos amigos naquela cidadezinha sem graça, eram os dois que tornavam sua vida tragável.

Ele sentia falta do movimento da sua cidade natal, do cheirinho doce das coisas de sua mãe e da constante poluição sonora que jazia nos metais, asfaltos e a gritaria das ruas e bairros; dos latidos dos cachorros soltos e da molecada jogando bola e gritando na porta da sua antiga casa. Era uma boa vida que ele tinha; todo o luxo e mimo que um adolescente poderia querer, ele já tivera. Mas agora os tempos eram outros, e assim, ele teve de aprender a esquecer de tudo o que era bom e fácil demais para si. Todas as coisas fúteis que lhe faziam bem, e todo o mimo que a mãe lhe dava, afagando os fios para cada besteira que o filho cometia.

Seu pai era um homem muito bom, um trabalhador assíduo, porém, ele não costumava mimar Jeon da mesma maneira que sua ex-esposa, e queria mais que tudo dar ao menino a coragem para enfrentar seus medos e para que ele aprendesse a crescer sozinho, e por isso insistiu para que o jovem viesse a ficar consigo por algum tempo. E estava dando quase certo, se não fosse pelo fato dos outros na escola quererem o surrar o tempo todo.

O jovem estava sempre chorando pelos cantos até ter encontrado seus novos amigos. Depois disso, ele teve um pouco de paz para estudar, se sentia seguro e tinha os mimos de Jin – que mesmo não sendo o mesmo que de sua mãe, ainda era muito bom e acalmava seu peito carente de atenção.

Certo dia, Jeongguk recebeu um aviso inesperado dos dois Kim – ele teria de manter distância dos dois por um mês inteiro.

Foi um choque! Foi estranho. E por um momento o menino pensou que os dois em questão não queriam mais serem seus amigos, mesmo eles negando o fato. Só exigiam que o menino deveria manter distância da residência deles, porque eles teriam um convidado da família nesse período, e que esta pessoa não gostava de outros naquela casa.

O moreno mais novo pouco entendia aquilo. Mas obedecera prontamente, devido ao respeito aos dois.

Porém, já havia se passado uma semana depois daquele estranho pedido, e seus dois amigos haviam “sumido” de suas vistas. Não estavam mais frequentando a escola, nem apareciam em lugar algum. Não atendiam seus telefonemas e sequer mais nenhuma mensagem.

Ele ficou bastante intrigado, ainda sabendo dos boatos esquisitos que rondavam a pequena cidade do interior que moravam. Pessoas estavam desaparecendo, e sendo tais encontradas mortas no dia seguinte. O pior de tudo, era que sua preocupação com seus amigos estava só piorando, já que eles haviam supostamente “sumido”, Jeon só pensava no pior.

Teve então a ousadia de quebrar a promessa para com os dois Kim, e resolveu ir até sua residência no lugar afastado da cidade, atrás de respostas.

O lugar era longe, e bastante afastado de qualquer movimento ou vizinhança. Para se chegar lá era preciso algum veículo, e mesmo com a pouca idade, o pai do moreno lhe emprestava sua picape velha para ele se virar quando precisasse, e foi com ela que o garoto adentrou a noite a procura da casa dos amigos.

Seguiu viagem noite adentro, já que passara dias enlouquecendo de preocupação e sem nenhuma notícia. A picape era uma velharia de fato, e tendo um pneu furado no meio da estrada não seria uma grande novidade, a preocupação em ir atrás dos amigos era tanta que não vira que já havia saído de casa com um pneu já murcho.

O problema eram seus medos fluindo na sua mente, estando aonde estava, no meio de uma noite fria e parcialmente escura – agradecia por ter uma lua minguante no céu naquele horário. O celular não funcionava, e o posto mais próximo ficava a quase trinta quilômetros.

Estava ficando apavorado no meio daquele nada, aonde ele não podia distinguir se estava perto da casa dos Kim ou não. Além do mais, havia avisado ao pai que dormira na casa deles se não voltasse antes das oito – ou seja – não havia ninguém naquele momento preocupando-se consigo, e se acontecesse algo, ninguém nem notaria.

Lembrava-se repetidas vezes dentro da cabine fria da picape vermelha, sobre os boatos da cidade, e lembrou-se vagamente sobre umas lendas urbanas que abordavam vampiros naquela região, coisas da gente velha daquela cidadezinha pacata e que o seu pai sempre voltava do serviço comentando consigo.

“Impossível!” – Jeon nunca acreditara nessas coisas. Seu único medo era de coisas concretas e que podiam lhe socar a face. Nunca acreditou em lendas nem nada depois que soube da verdade sobre papai-noel e o coelhinho da páscoa. Sacudiu a cabeça, negando incessantes vezes que tentar acreditar naquilo só porque estava com medo do escuro, seria muito ridículo. Isso não era do seu feitio. Teria de ver, tocar, sentir o cheiro e talvez, ‘provar’ do gosto para saber se era real ou não.

Teria gritado o mais alto que conseguisse, se não tivesse se engasgado com a própria saliva ao acender os faróis dianteiros e avistar uma silhueta escura na frente do automóvel que surgira minuciosamente do nada, sem barulho ou rastro - sorrindo para si?.

Jeon não teve tempo de raciocinar. As mensagens seguintes não entravam em sincronia na sua mente, e então ele apenas assistia aquele entrando ao lado do passageiro depois de praticamente puxar com força a porta, destrancando-a como um milagre, e sentando-se bem ao seu lado, fazendo todo o ar sumir de seus pulmões e seus olhos saltarem para fora no susto que lhe acometia naquele instante.

“Não sabe que é perigoso andar sozinho por aí à noite, meu caro?” – O rapaz intruso apenas falava ainda mantendo aquele mesmo sorriso estranho para si. O ar envolta dele era gélido, temível e seus olhos eram vermelhos. Poderia jurar que eles cintilavam perante si se não estivesse tão atordoado para poder raciocinar ali.

Estava escuro na cabine, mas o vermelho naquele olhar jamais seria esquecido por si. Não tinha como não gravar aquela cena na mente, estando tão próximo, estando tão perto que por muito pouco a tal distância deixaria o intruso ver seu medo sair pela goela afora, de tanto que o coração saltitava dentro do peito.

“Quem é... você?” – Quando finalmente as vagas palavras quiseram se pronunciar, teve mais um susto repentino. Sua gola fora prontamente puxada e no mesmo instante, sentiu-se gelar por inteiro ao ter um nariz gelado roçando-se em sua pele alva do pescoço. “Meu Deus” – Estava gritando por dentro, mas não conseguia mover um milímetro de seu corpo, nem a própria saliva ele conseguia engolir, pois sentia que a qualquer instante desmaiaria de tanto medo e susto que sentia ali. Estava respirando tão depressa que aos poucos sentiu as forças dos pulmões se esvaírem e seus ofegos falharem. Iria implorar por algo, mas não conseguiu, seus olhos se fecharam e uma mancha escura tomou sua visão ao escutar de longe um grito uníssono e conhecido por si, clamando por... Kim Taehyung.

●●

Eram sete horas da manhã do dia seguinte. O relógio apitava incessantes vezes até seu dono de olhos cerrados ainda, bater a mão sobre o objeto, tentando o calar cegamente, até que ele cai de cima do criado mudo e finalmente para com o barulho irritante.

“Vai perder a hora. Levanta logo, Jeongguk! Você não vai matar aula hoje!” – Escutara a voz alta do pai, abrindo sua porta para checar se ele havia mesmo acordado.

O menino estava deitado debaixo de suas cobertas grossas, ainda tentando se lembrar em como ele foi parar ali, pra’ começo de conversa. Sentou-se no colchão, esfregando os olhos até finalmente ver que ele estava mesmo em sua casa; em seu quarto quentinho – e não numa caminhonete velha na beira da estrada sendo assaltado por um moleque estranho de olhos vermelhos. - “Mas como...? Como diabos eu vim parar aqui?”. – E por mais que perguntasse, ele não encontrava uma resposta plausível. Jurava que na noite anterior estava preso na estrada com um pneu furado e tinha um louco grudado ao seu pescoço.

Levou a ponta dos dedos em suas têmporas, as massageando, achando que estava ficando louco, se não se lembrava em ter voltado para casa sozinho. “O que está acontecendo, afinal?” – Não pensou por muito mais, levou a mão na gaveta do criado e tateou dentro até pegar o aparelho celular e digitar no instante seguinte os números do celular de SeokJin. Ele ainda estava intrigado em seu âmago e sua preocupação com os amigos ainda não havia cessado.

“Alô? Hyung? Hyung, atende porra!”

“Kookie?” – Uma voz calma soava do outro lado na linha.

“HYUNG! MAS QUE DROGA! POR QUE VOCÊS FIZERAM ISSO COMIGO, POXA?!”

“Primeiramente – Bom dia pra’ você também, Jeongguk!”

O moreno suspirou fundo antes de começar a falar.

“Desculpe-me. Bom dia, hyung. Agora me responde... por que vocês sumiram de mim?” – Jeon se levantava da cama de pés descalços, no chão gelado, jogando as cobertas no piso frio, como sempre fez, aliás. – “Hyung?”

“Desculpe-me, Kookie. Mas nós já tínhamos te explicado antes sobre isso.” – SeokJin parecia o mais calmo o possível do outro lado, o que estava irritando o mais novo ainda mais.

“Vocês não me disseram que iriam tomar um chá de sumiço! Nem no colégio estão indo mais. O que tá’ acontecendo, afinal?” – Adentrou ao banheiro, se olhando no espelho com uma cara imensamente amarrada e sem desgrudar o aparelho da orelha. – “Vocês não me atenderam nenhuma vez, hyung. Poxa. Eu fiquei preocupado.”

“Desculpa por isso, Jeongguk.” – Suspirou, fazendo uma longa pausa na linha. Jin estava parecendo um pouco cansado, deixando o moreno ainda mais intrigado por isso. - “Faremos o seguinte: Namjoon e eu, iremos à aula hoje, ok? Não precisa ficar bravo.”

Jeon demorou para assentir, não se sentindo totalmente satisfeito por ter somente ‘meias respostas’ do seu hyung. Quis lhe questionar sobre a noite passada aonde pensou ter escutado a sua voz antes de apagar, mas não tinha como começar aquela conversa que estava parecendo muito insana para si.

“Tudo bem. Me encontro com vocês por lá. Até breve, hyung.” – Jeon desligou, se sentindo um pouco mais tranquilo por saber enfim que SeokJin e Namjoon estavam vivos. O que não lhe tirava a paz era o fato dele não conseguir entender em como a noite anterior fora terminar daquela forma – tão sem sentido.

●●

Para a surpresa de Jeongguk, SeokJin e Namjoon ainda estavam na área de estacionamento do colégio, parados. Os dois estavam conversando, escorados no carro do mais alto. Ambos mantinham uma expressão séria demais – até mesmo para eles. O menino de madeixas escuras não deixava de ficar intrigado sobre o que estava acontecendo com aqueles dois, e o pior, era que ambos ali nunca lhe explicavam nada.

“Bom dia!” – Disse Jeon, se aproximando mais dos amigos, amassando a areia embaixo dos coturnos na calçada recém-molhada de orvalho noturno, fazendo os outros perceberem sua sutil aproximação, cessando assim, o assunto quando o viram chegando perto.

“Bom dia, Kookie.” – Os Kim responderam uníssonos, o olhando profundamente como nunca antes.

“Gente. O que tá’ acontecendo com vocês dois?” – Os estranhos colegas se entreolharam, mas nada disseram, deixando o mais novo mais nervoso ainda.

Sequer tiveram mais tempo ali fora, pois, o sino do colégio já tocava dizendo que era hora deles entrarem para suas respectivas salas. Os dois Kim pegaram as bolsas nos estofados do automóvel que jaziam no banco traseiro e chamaram pelo moreno para que também viesse para dentro do colégio, enfim. O menino percebera ali que nunca adiantaria lhes perguntar nada – eles nunca iriam lhe contar os seus segredos. Sentia-se um pouco mal por ver que eles não confiam tanto assim em si.

●●

Havia um alvoroço no intervalo envolto de um cara estranho. Em seu âmago, Jeongguk jurava conhecer tal silhueta, mas estava distante e não conseguia afirmar nada. Só via um monte de garotas grudadas em rodinhas entorno de um rapaz que tinha um palito na ponta dos lábios – talvez estivesse se deliciando de um pirulito. Quanto mais alto aquelas meninas falavam, mais chamava sua atenção para aquele ponto especifico vindo de fora da cantina.

Jeon estava lanchando sozinho. Seus ‘supostos amigos’ lhe abandoaram novamente, e o mais impressionante era que os dois estavam no outro canto do pátio, também fitando freneticamente aquele alvoroço lá fora. Eles nunca comiam nada da escola, mas faziam companhia para o mais novo na hora do lanche.

Intrigado, o moreno não estava com fome devido ao seu nervosismo interno, levantou-se e foi rumo aos dois Kim, que pouco se importaram de o ver ali do lado quando este chegou. Pareciam o ignorar propositalmente – ou talvez eles estivessem mesmo preocupados com o cara no centro daquela roda em sua frente.

“Gente... eu fiz alguma coisa com vocês? Por que estão me ignorando agora?”

“Não acredito que ele esteja fazendo isso. Tem algo de errado com esse menino.” – Disse SeokJin, arqueando as sobrancelhas sem deixar de fitar aquela aglomeração.

“Dá para desconfiar mesmo. Mas... talvez você esteja errado de novo, hm?” – Respondeu Namjoon, olhando para seu primo, sorrindo de canto, quando finalmente notou o Jeon cabisbaixo ali do lado. – “Kook?”

“Finalmente alguém me viu plantado aqui.” – Fechou o cenho emburrado, chamando também a atenção de Jin. O mais velho deles se mantinha de braços cruzados, mostrando uma preocupação evidente estampada no olhar. Jeon não conseguia imaginar o que se passava com aqueles dois.

“Não estamos te ignorando. Só estamos prestando atenção num certo indivíduo ali.” – Seok apontou para aquelas pessoas envolta do cara que Jeon ainda não tinha conseguido fisgar direito com os olhos. Deveras, ficou ainda mais curioso, até então o rapaz surgir do meio daquelas meninas tagarelas, as deixando para trás enquanto caminhava até os Kim.

Imediatamente, Jeongguk teve um choque ao se lembrar daquela face – estava escuro naquela hora, mas poderia afirmar com exatidão que aquele homem que se aproximava deles, era o mesmo que estava dentro de sua picape velha na beira da estrada na noite anterior.

Sem chegar muito perto deles, o estranho rapaz que manuseava um palito dentre os lábios, andava de modo descolado e modestamente chamava mesmo a atenção pela beleza destacada em sua face de bad-boy. Parara seus passos ao notar a figura do menino de cabelos pretos junto de seus primos no fim do pátio. O notável rapaz de cabeleira castanho claro, fechara seu cenho no mesmo instante que avistara a cena dos Kim junto do menino, agindo de modo rude, desviara além do olhar, também os seus passos indo em outra direção, mostrando claramente que havia um problema com Jeon estando ao lado deles.

“Jeon?” – Indagou SeokJin, notando a cara de espanto do maknae ao lado. Ele segurava forte a os fones dentro do palmo que antes usava enquanto lanchava na cantina – o menino parecia estar fora de órbita naquele momento.

“Hum?”

“Você tá’ bem?” – Jin colocara a mão sob seus ombros, preocupado com o estado de choque do menor. Mas ele sabia bem o porquê de toda aquela cena. Ele e Namjoon sabiam bem porque justo aquele estranho rapaz desviara naquela hora, e sabia porque Jeongguk se mostrava tão pasmo diante a visão do outro.

●●

De onde era aquele estranho rapaz?

Seu âmago estava uma bagunça. Sua mente estava revirada por não conseguir entender o que estava acontecendo ali.

Não se lembrava em nenhum momento de ter visto alguém sendo transferido para seu colégio nos últimos dias. Ter um alguém notavelmente tão popular e novato em sua escola, não lhe caia com sentindo nenhum. Ele era bonito, de fato, mas por que aquelas meninas todas estavam envolta de si? – Isso não aconteceu consigo quando fora transferido a uns dois anos atrás para aquele lugar.

E por que razão ele fora tão rude a ponto de desviar dos seus amigos só por causa de sua presença ao lado?

Ele era mesmo aquele assaltante na estrada?

“Jeon, você não vai descer para jantar?”

“Já vou, pai.” – Gritou de volta para o pai que lhe esperava para o jantar no andar de baixo. Jeongguk havia passado a tarde toda, deitado na cama, tentando encontrar respostas para toda aquela confusão em sua mente. Sequer ainda havia descoberto como tinha parado ali de manhã quando acordou, sabendo que estava aparentemente em ar puros na noite anterior com um cara fungando gelado em seu pescoço – se arrepiava todas as vezes que se lembrava da cena. Levava automaticamente todas as vezes, a mão sobre o tato aonde se recordava perfeitamente daquela temperatura gélida que o outro o fez sentir.

Com muito custo descobrira que o jovem novato e popular era o tal primo distante dos Kim que viria a passar uma temporada na casa deles – e que ele era totalmente antissocial com homens, deixando claro que ele não gostava nem mesmo dos próprios parentes por também serem homens. “Então que diabos uma pessoa tão inconveniente estaria fazendo na casa deles, afinal?” – Pensava. E mais nenhuma resposta obteve dos seus estranhos amigos – estava começando a aceitar as verdades sobre os boatos daqueles dois – que eram mesmo MUITO esquisitos e fora dos padrões comuns de amigos.

Será que todo mundo da família deles eram assim?

Com muito custo, e uma vontade mínima – quase zero – de se alimentar naquele dia, ele descera ao andar de baixo para fazer companhia ao pai. Lambiscou pouquíssimo do que tinha em seu prato, pensava mais do que comia.

“Jeon... tá’ tudo bem com você? Você está muito esquisito hoje.” – Indagou o pai, preocupado com a cena do filho em total descaso com sua alimentação. – “Está se sentindo mal?”

“Não, pai. Eu estou bem.” – Jeon mal o olhava de volta. Ainda estava pensativo e distante. – “Pai?”

“Sim?”

“O senhor me buscou na noite passada aqui para a casa?”

O pai do garoto não entendia bem a pergunta, já que tinha a certeza de que o filho havia dormindo ali, já que não o vira chegar em casa, apesar do mesmo lhe confirmar anteriormente que passaria a noite fora acaso demorasse a chegar.

“Jeon... você está mesmo bem? Não está doente, está?” – Arqueou a sobrancelha para o menor.

“Estou bem. É só que...” – O menino viu que nem mesmo o pai havia dado por sua falta depois que saíra, e logicamente não o viu chegar em casa porque dorme cedo devido ao cansaço – e como dorme! Parece até uma pedra que ronca. – Pensou.

Mas lembrou-se perfeitamente que tinha um pneu furado em sua caminhonete, e que incrivelmente o mesmo estava cheio na manhã de hoje. – Nada mais fazia sentido para si. “Eu estou sem fome. Desculpe, mas eu vou ir dormir. Boa noite, pai.” – O garoto já ia se levantar quando o pai lhe chamou a atenção.

“Auto lá! Você lava as louças hoje. Mesmo que não tenha comido nada, hoje é seu dia de limpar tudo.”

“Mas, pai...”

“Termine seu serviço e vá dormir depois!”

Como sempre o pai do garoto, sempre tentando o ensinar a viver sem mimos. A mãe dele havia o acostumado muito mal, tanto que até hoje, ele leva bronca por nunca arrumar a própria cama, sempre deixando jogado no chão os seus cobertores ao se levantar – um péssimo hábito que ele insiste em cometer desde que saíra do berço e ganhara sua primeira cama de verdade.

Jeon não tinha escolha, ele obedecia indiscutivelmente às ordens do mais velho – quando não envolvia a arrumação de seu quarto – entretanto, sempre o respeitou desde cedo, mesmo agindo de modo tão infantil com ele de vez em quando. O menino de cabelos pretos levou todos os pratos e talheres sujos para a pia na cozinha e começou a lavar tudo. Seu pai já estava na sala fazendo uma horinha antes de se deitar, provavelmente esperando o filho terminar seus afazeres para não o deixar totalmente sozinho.

Jeongguk lavava a louça tranquilamente, tomando o máximo de cuidado para não quebrar mais nenhum prato, depois dos quase cem que já havia destruído durante esses dois anos de aprendizagem na cozinha.

Sua expressão era distante, estava bastante longínquo, deveras, não prestava muita atenção no que fazia devido a tanta coisa lhe perturbando a mente.

Tinha uma janelinha de vidro de frente com a pia de mármore escura, ficava um pouco acima da torneira na altura do pescoço de Jeon. Ainda era noite de lua clara e nem foi preciso acender a luz da cozinha, visto que ali estava bastante iluminado pela pequena janela.

Houve um breve instante em que o menino na cozinha sentiu um calafrio lhe percorrer de cima à baixo como se alguém lá fora estivesse o espionando. E para piorar seus arrepios incessantes quanto aquela sensação ruim, quando ele decide levar a visão para além do cristalino de vidro, percebeu que tinha mesmo um ser lhe fitando lá de fora como imaginou. Era aquela mesma silhueta escura que parou de frente a sua picape velha no dia anterior – poderia jurar que era o mesmo homem de olhos vermelhos, pois aquele brilho intenso era visto de longe e mantinha sob si um peso imensurável de atenção.

Jeon não reagira perante aquilo, só conseguia continuar olhando através do vidro. Não gritou ou chamou o pai – pois no fundo não estava sentindo medo.

Foram alguns segundos, mas era intenso.

“Jeon? O que está fazendo com a torneira aberta à toa? Desliga isso, menino!”

“Hã?” – Jeon virou-se para o pai que estava de pé na porta da cozinha o olhando sem entender nada. Seu filho realmente estava um pouco esquisito demais hoje, principalmente com aqueles olhos saltando para fora e a boca aberta, agindo que nem um bobo.

“Meu filho... tá’ acontecendo alguma coisa com você? Garotas? Isso?” – Nesse instante a porcelana nas mãos ensaboadas de Jeon, fora parar no chão se tornando mil pedacinhos em branco. – “Ei! Não precisa quebrar meus pratos, moleque!”

“Desculpa, pai. E-eu...” – O moreno lembrou-se do ser lá fora, e voltou, o procurando com os olhos, mas ele não estava mais lá. Ignorou as broncas do pai e o vento gelado da noite lá fora, e saiu pela porta procurando qualquer coisa, rastro, ou precisamente – procurando aquele mesmo ser de instantes atrás.

“Mas o que está acontecendo? Quem é ele?”

O que ele não sabia, era que os olhos vermelhos lhe pajeavam de longe há muito tempo.

●●

“Quem é aquele garoto, afinal? Saco! Por que não consigo esquecer aquilo?”

Jeon se deparava todos os dias com aquele rosto de longe na escola, e jurava estar sendo perseguido por sua imagem o tempo todo – principalmente durante a noite. Isso já estava o apavorando. Podia jurar estar sendo perseguido de reflexo a reflexo do lado de fora de sua casa por olhos vermelhos sedentos e assustadores. Queria mais que tudo não estar pirando a essa altura da vida, ainda mais sendo tão jovem.

Aquele dia na estrada não lhe saía da cabeça. Seus amigos ainda o ignorava para poderem sem algum motivo plausível, ficar na espreita vigiando o ‘Mr. Popularidade’ nos intervalos com as garotas – pareciam seus seguranças e nunca tinham tempo para o menor. E ele ainda não tinha permissão para ir até a casa dos Kim, visto que o tal visitante inconveniente e anti-homens estava residindo com eles. Isso estava acontecendo há quase um mês já e Jeon estava ficando cansado e sem saber com exatidão de o porquê das coisas estarem tão esquisitas daquele jeito.

Estava ficando frequentemente sozinho em casa, já que o pai trocou seu turno de costume e tem trabalhado tanto de noite quanto de dia e as vezes ele nem dormia em casa e ficava no local de seu serviço. Se isso acontecesse enquanto morava na cidade grande, certamente aproveitaria para dar uma festa em casa, mas ali no meio daquele lugar sem graça do interior, aonde ele mal tinha amigos, isso nunca viria a acontecer.

“Saudades de casa...”

Como não podia sair e ir até a residência dos Kim, Jeon matava seu tédio estudando para o vestibular do ano que viria – não tinha nada de melhor para se fazer, afinal. Debruçava-se sobre a mesa de centro da sala totalmente incrédulo de que poderia ficar ainda mais entediado. Daqui a pouco seus livros estariam escassos – e de fato estavam mesmo, pois ele lera praticamente todos os que buscara na biblioteca da cidadezinha na semana passada.

Resolveu espairecer e sair dali caso contrário iria enlouquecer. Iria pegar sua velha picape vermelha e ir buscar mais material de estudo, e talvez parar para tomar um lanche – aquela cidadezinha tinha um comércio favorável e de boas iguarias as quais Jeon se viu viciado no primeiro ano morando ali.

Jeon seguiu tranquilo até a biblioteca da cidade. Lá era bem pequeno e muito simples, estava com muito custo se acostumando aquela simplicidade toda; com a inconstante precipitação daquela região que deixava tudo sempre úmido demais e escorregadio também – mas chuva sempre lhe agradava de certo modo; com aquelas pessoas gentis e calmas que perambulavam as ruas sempre encolhidas em seus casacos; com aqueles velhinhos que lhe contavam alguma historinha sem graça e repetitiva a cada vez que ia em uma padaria, ou até mesmo na biblioteca.

Quando menos notou, já tinha gravado nomes de estranhos e até mesmo alguns apelidos do povo. Havia também se familiarizado com os parques, supermercados e até mesmo se arriscava a ir ver uns filmezinhos no cineminha velho local. Tinha também se acostumado com as histórias de lendas da cidade sobre vampiros e lobisomens, e por mais que não acreditasse nelas, ele ouvia as conversas apenas por gentileza. Jeon havia se tornado o garoto descente e doce que seu pai jamais sonhou que veria algum dia, de tanto que ele era mimado pela mãe, era um menino cheio de defeitos e incrivelmente rude com os idosos e outras pessoas, e extremamente mimado e infantil. Hoje em dia ele é totalmente dócil e inocente – mas inocente, ele fora quase a vida toda, não tendo até mesmo provado sobre o que era a perversão e entre outras coisas além.

O jovem moreno estava deixando a cafeteria que ficava próxima a biblioteca, a qual já havia visitado, hipnotizado na leitura de um bom livro que havia apanhado no local. Ele descia as escadas sem prestar muita atenção – lia um romance entre vampiros, uma história atípica ao seu gosto, mas nele continha uma escrita divina e que não merecia desrespeito. Odiava coisas do tipo, mas naquela idade tudo era sempre contraditório, até mesmo para seu ego.

Adolescentes...

Já era noite – por volta das oito e meia. Estava frio e o chão molhado pelo chuvisco da tarde. Jeon carregava consigo uma mochila pesada e cheia de livros. Ele andava de modo descuidado enquanto se mantinha lendo, aproveitando as luzes dos postes pelo caminho, até que veio a escorregar nos últimos degraus do local da cafeteria. Teria se ferido com aquele tombo, se não tivesse sido apanhado nos braços por um rapaz forte que surgira de modo repentino, o salvando da queda.

“Me-me desculpe...” – Jeon iria pedir suas desculpas pelo descuido, mas acabou se deparando com um rosto conhecido por si. Era ele. O mesmo ser que tem invadido sua mente nos últimos dias; o ser que aparentemente vem lhe perseguindo do lado de fora de sua casa. – “Taehyung...” – Disse praticamente em um sussurro, estando paralisado nos braços do outro. Taehyung estava ali, tão perto de seu rosto, que pode assim contemplar o quanto ele realmente era bonito – aquela mesma beleza distinta dos outros dois Kim.

“Como sabe meu nome?” – O mais alto lhe soltou de vagar, sem deixar de franzir o cenho para o moreno atrapalhado a sua frente. “Deveria prestar mais atenção aonde pisa. O chão está todo molhado, não percebe?” – Logicamente ele era tão rude quanto tirou seus conceitos sobre o rapaz.

“Eu...” – Jeon conseguia se lembrar perfeitamente do nome clamado naquela noite antes de desmaiar – e ainda jurava que era aquele que havia o salvo do tombo de instantes atrás. Ele estava ciente de que aquilo nunca foi um sonho, e que ele não estava delirando. Porém, havia algo de diferente ali e agora... Os olhos antes vermelhos de uma cor pura como o sangue, estavam em um tom acastanhado – assim como seus fios que se mexiam com aquela brisa, o deixando incrivelmente mais bonito... “O que estou pensando, afinal?”

●●

“Não entendo. Por que está me acompanhando? É notável que você não vai com a minha cara!” – Jeon que antes estava estático, agora era tão ríspido com o outro quanto ele era consigo. Os dois mal tiveram um contato maior, e pareciam dois inimigos que não podiam se tocar, nem se olhar que já estavam brigando.

“Está muito tarde pra você perambular por aqui sozinho! Irei te acompanhar, você querendo ou não.” – Kim Taehyung era seu nome. O parente distante vindo da Romênia para passar um tempo com seus dois primos, Kim Namjoon e Kim SeokJin. Ele era tão estranho quanto os outros dois, e emanava aquele ar distinto de um adolescente comum – assim como os seus melhores amigos. “Sério que vai ficar me encarando o caminho todo?” – Indagava sem olhar diretamente o moreno ao lado. Taehyung parecia estar tremendamente mal-humorado.

Jeon havia deixado a caminhonete num estacionamento mais distante, e desde que fora apanhado nos braços pelo Kim, o rapaz rude começou a lhe acompanhar dizendo que seria perigoso o deixar ir sozinho até o tal pátio, aonde a luz era escassa e que ali tinha boatos de ocorrerem assassinatos com frequência. Jeon não tinha tanto medo dessas coisas de cidade pequena, mas deveras, estava sendo descuidoso consigo, já que o pai não estava em casa para o repreender por aquilo.

Não adiantou muito o garoto reclamar, e seu primeiro contato com o rapaz estranho não estava sendo tão agradável. Tinha muitas coisas para lhe perguntar, mas as perguntas não vinham. Queria muito saber se ele era um tipo de psicopata e se estava lhe seguindo a dias desde que chegara à cidade – mas aquilo era muita informação para se jogar na cara de um desconhecido que finalmente trocara as primeiras palavras doces consigo.

Chegando ao estacionamento onde estava a velha picape, uma tensão no âmago de Jeongguk foi surgindo, e por mais que não assumisse algum medo, ele estava começando a senti-lo já que o acompanhante ao lado não falava nada, apenas o deixava escutar seus passos ecoando noite adentro junto de si pelas ruas gélidas. A tensão foi ficando extremamente grande dentro de si e sua respiração começara a se acelerar sem motivo algum, deixando o outro notá-lo pelo desconforto que sentia.

“Você está com medo de mim?”

“Eu? Medo? Por que teria?” – Jeon disse com uma voz razoavelmente tremula, sendo também notada pelo ser obscuro ao seu lado.

Eles estavam ao lado da caminhonete vermelha, e Jeon escorou-se na lataria molhada sendo repentinamente prensado nela pelo corpo do rapaz que caminhara consigo instantes antes. “O que estava acontecendo, afinal? Será que ele é mesmo um psicopata?” – Pensou.

“Não parece que não está com medo.” – O rapaz pouco mais alto que si mostrava-lhe um sorriso devasso estampado nos lábios, pousando as duas mãos envolta do corpo do moreno sobre a lata vermelha e fria, deixando Jeon preso rente ao seu corpo. O moreno mais baixo não sabia o que pensar naquela situação, e seu coração começava a saltitar dentro do peito em desespero, mal conseguia respirar direito devido aquela distância e a aproximação do estranho sob si.

“O-o que vai fazer comigo?”

O Kim mordeu o lábio e ficou pensativo enquanto ainda sorria para si, sem deixar de manter aquela distância perigosa e naquele instante Jeon segurou o ar com medo de fazer qualquer movimento perante o maior.

“Nada. Só queria te passar medo, idiota! Tá’ achando que sou algum psicopata?”

Sem entender direito o que estava acontecendo ali, Jeon viu o outro se afastar de seu corpo, abrindo a porta do motorista para o garoto entrar. Só assim pôde conseguir respirar com mais calma e tentar acalmar o desespero no peito.

“Você é estranho!” – Disse Jeon com a mão sob o peito.

“Você que é! É assim que me agradece por te acompanhar, garoto?” – Não poderia ter esperado uma resposta mais gentil do Kim.

“O que pensa que está fazendo, Kim Taehyung?!” De repente um velho amigo de Jeongguk surgira do nada, repreendendo o de cabelos castanhos claro.

“Vai mesmo me perseguir o dia todo?” – Indagou Taehyung em uma falsa raiva, já que seu tom era manso como Jeon jamais tinha escutado antes.

“Irei sim. Tenho ordens para isso, não se esqueça!” – E de novo Jin estava ignorando seu protegido, fazendo como se ele nem estivesse ali, lhe deixando deveras, mais chateado por isso. Aquela já era a milésima vez que SeokJin lhe tratava tão mal – o menor nunca esperou por isso. E isso tudo por causa do tal ‘garoto popular’!

“Vocês dois são um pé no meu saco!” – O rapaz rude escorou-se na picape de Jeon, agindo com uma naturalidade que ele nunca havia visto antes.

A porta do passageiro estava aberta e o dono da mesma sentou-se dentro, sem fechá-la. Ajeitou seus livros no banco ao lado, se sentindo extremamente magoado pela indiferença do amigo ali presente entre eles. Não queria mais pensar no que poderia estar acontecendo com eles – não lhe importava mais. Só queria ir para casa e dormir.

“Kookie. Você não deveria andar sozinho à noite. Ainda mais por aqui.”

“Eu sei!” – O menino sequer lhe direcionou o olhar, e estava pronto para cerrar a porta, até então seu hyung o impedir de fazê-lo.

“Espera. O que foi? Está chorando?” – Esse era um dos motivos pelo qual Jeon queria sair correndo dali. Seu ego estava inflamado. Sentia-se sozinho como um enorme estorvo inconveniente para os Kim que ele tanto adorava. E isso tudo era culpa do cara esquisito que eles haviam adotado – sentia-se trocado por um ser sem escrúpulo.

“Não estou! Deixa-me ir, hyung!” – Uma lágrima teimosa rolava no belo rosto do menor, fazendo SeokJin se sentir terrivelmente mal por ver aquilo. Ele só tinha visto Jeon chorando quando lhe conhecera no dia em que se bateram de frente. O Kim malcriado apenas observava seu primo enxugando as lágrimas do menino mais novo, ainda escorado na picape do mesmo com a expressão mais indiferente que poderia mostrar.

Achava aquele afeto todo, muito ridículo e asqueroso. Taehyung realmente odiava o excesso de contato que seus primos tinham consigo e com outros – em especial, Jeongguk. Ele o detestava por saber o quão frágil o menino aparentava ser, porém, estranhamente apanhou uma vontade esquisita de o seguir minuciosamente e com mais frequência que poderia calcular. Ele tinha seu estranho interesse no jovem de cabelos pretos, mas não o suportava por ele ser um favorito para seus parentes.

“Já terminaram? Eu posso levar o donzelo aí pra casa. Por que você não vai fazer uma sopinha pro Namjoon, e deixa esse chorão nas minhas mãos?” – Taehyung indagou com ironia para o mais alto, recebendo um olhar terrivelmente assassino sob si. – “Qual é? Eu só vou levá-lo até em casa. Sabe-se lá o que pode acontecer na estrada até a casinha dele, não é?” – Deveras, o Kim mais novo era incrivelmente irônico e chato, tratava as coisas como se não fossem nada relevantes, sempre fazendo graça com a cara das pessoas – um verdadeiro imbecil e imaturo! – Pensava Jeongguk.

“Acha mesmo que nasci ontem, Kim Taehyung? Eu nunca vou te deixar sozinho com ele!” – Jeongguk só prestava atenção naquelas falas, tentando assimilar o que estava acontecendo ali fora, afinal. Quando Taehyung disse ‘estrada de sua casa’, Jeon se arrepiou todo ao se lembrar daquelas coisas que aconteceram no caminho da casa dos Kim.

“Eu também acho que deve dar uma chance a ele, Jin.” – De repente surgira Namjoon do nada – assim como Seok havia aparecido ali sem ao menos ter avistado o carro deles no estacionamento. – “Vamos. Vai ser um bom teste pra esse desmiolado. Oi Jeon. Cê’ tá chorando?” – O loiro sempre foi um ser um pouco alheado demais.

O mais novo negou, assistindo aquela estranha conversa do lado de fora do automóvel, como se ele nem estivesse mesmo ali. Parecia que todos estavam discutindo sobre o que fazerem consigo, sem ao menos lhe perguntar se ele aceitaria os termos. Ele não entendia mais nada, mas também estava curioso para saber aonde terminaria aquilo tudo. “Desde quando preciso de uma babá?!” – Pensou cessando seus choros.

Taehyung que antes se escorava na sua picape, repentinamente adentra o outro lado, sentando-se no banco do passageiro – como foi naquela noite sem explicação. Os flashes daquele momento vinham na sua mente incansáveis vezes quando seus olhos escuros caíram sob o Kim invasor. Como ele poderia sentir-se tranquilo com um cara que parecia com um psicopata maluco ao lado, enquanto ele dirigia de volta para sua casa?

“Gente. Eu não preciso de uma babá! Eu sei o caminho de volta para a minha casa, ok?”

“É. Mas uma companhia para te proteger, não é má ideia, Kookie. Taehyung vai com você!” – Disse Namjoon.

Jeon viu o outro ao seu lado sorrindo sínico como se não tivesse nada de estranho acontecendo ali. Engoliu seco só de imaginar aquele cara fungando novamente em seu pescoço. Suspirou fundo tentando sorver aquelas ordens do amigo. Sendo que SeokJin estava notavelmente contra aquela decisão de Namjoon, mas ele não fez nada a respeito, apenas continuou de cenho franzido.

“Você sabe dos boatos que rondam por aí, não é mesmo, Kookie?” – Indagou o Kim, sentado ao seu lado, mostrando um cinismo sem tamanho.

“Lógico que o único perigo aqui é você, imbecil!” – Pensava o moreno, segurando o volante como se fosse o esmagar a qualquer instante de tanto que se sentia nervoso naquele instante.

“Taehyung! Se ousar fazer algo com ele... eu mato você!” – Jeon arregalou os olhos os mirando rumo ao Jin, que ainda mantinha uma expressão séria e matadora para o primo que se acomodava tranquilamente no banco ao lado de si. Não iria protestar depois de ouvir aquilo. E assim que os seus amigos saíram de perto do automóvel, Jeon deu partida na caminhonete, saindo vagarosamente do estacionamento, com o inquilino indesejado ao lado, lhe fitando o tempo todo, como se quisesse o tirar do sério de propósito.

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Durante todo o caminho até sua casa, Jeongguk teve o indivíduo nostálgico lhe fitando descaradamente sem desviar-se de si. Sentiu-se terrivelmente incomodado com o ser, que não demonstrava nenhum pudor ou a decência de poder ao menos olhar pela janela ao invés de sua face.

“De que tipo de ‘teste’ Namjoon falava com SeokJin naquela hora? E o que diabos eu tenho a ver com isso?!”

Quanto mais pensava a respeito daqueles três, mais sua cabeça doía.

“Chegamos. E então...” – Antes de finalizar sua frase, o Kim rabugento desceu, fechando a porta do seu lado, indo até a de Jeon. O maior a abriu, dando espaço para ele descer. – “Então... tá’, né.” – Assim o moreno desceu, pegando seus livros de dentro da picape. Parou de frente sua casa junto de Kim, que a fitava com pensamentos distantes e indecifráveis. “O que esse cara tá’ pensando? Será que ele quer ficar aqui? Não é possível! Esse cinismo todo me assusta.” – Brigava com seus pensamentos, até então ter o belo olhar do Kim sob si. Ele estava sério, mas de um jeito diferente de antes. Estava sereno e tranquilo, como se estivesse o admirando por completo.

“Você... quer entrar?” – Viu a tranquilidade de Kim sumir repentino – era assim que ele era, aliás – totalmente imprevisível.

“Não deveria me convidar para dentro de sua casa, Jeongguk.” – Respondeu em um sussurro com aquele mesmo sorriso sacana nos lábios, fazendo o moreno engolir seco e aqueles mesmo arrepios surgirem dos pés à cabeça.

Psicopata – no mínimo!

“Por que não quer entrar? Vai ficar aqui fora a noite toda?”

“E se eu quiser ficar?”

“Aqui fora? Tá’ falando sério?” – O mais novo indagou, fazendo uma careta engraçada, arrancando um riso inesperado dos lábios rosados do mais alto.

“Eu aceito.” – Disse por fim, colocando a mão sob o ombro de Jeon, lhe fazendo tremer por dentro.

O que está acontecendo aqui?

Infelizmente um temporal começou a cair lá fora – naquele lugar as chuvas eram imprevisíveis e constantes - com direito a ventos fortes e descargas elétricas, provocando assim a interrupção da energia na casa dos Jeon, deixando os dois garotos distintos e sozinhos no escuro.

Jeon estava um tanto desconfortável por ter um cara todo curioso fuçando suas coisas, suas fotos, mexendo em seus perfumes e olhando tudo o que conseguia tocar dentro de sua casa. Mas não perderia seu tempo chamando a atenção do cara rabugento, muito menos tentaria dialogar sobre qualquer coisa consigo, já que ele era sempre muito ríspido quando tentava conversar. Queria apenas esperar aquela chuva toda passar, e rezava para que Namjoon fosse o buscar no seu carro de volta para sua casa – ou ele teria de aguentar o Kim lhe perseguindo também enquanto dormia – arrepiava-se só de imaginar.

Pois nunca saberia quando ‘aqueles olhos vermelhos’ iriam retornar.

“O que você faz pra se divertir aqui? É tão chato.” – Resmungava enquanto caminhava de canto a canto na casa do moreno, agora observando os rostos gravados naquelas fotos de família que decoravam as paredes do primeiro andar, lhe trazendo de fato um sentimento amargo por se lembrar também da sua, que a pouco o expulsara de casa.

O moreno dono da residência estava sentado no sofá apenas observando o intruso vasculhando seus pertences, usando a luz de seu aparelho telefônico, sentindo-se enjoado de tanto vê-lo caminhar por todos os lados resmungando coisas que tentava fazer seus tímpanos ignorarem – mas já estava ficando tenso, todo aquele barulho de chuva forte, o breu na casa e um cara extremamente chato lhe enchendo o saco. Fora que seu estômago já estava reclamando de fome, e tudo o que o menino sabia preparar na sua vida eram sanduiches com pasta de amendoim.

“Não tem diversão alguma quando se falta luz. Por que não se senta e fica um pouco... mais à vontade, Taehyung?!” – Sem que percebesse, Jeon chamava a atenção do outro como se ele fosse uma criança irritante – e de fato a semelhança era grande naquele momento – esfregando freneticamente as têmporas a fim de conter sua dorzinha irritante dentro da cabeça.

“Não me lembro de deixá-lo me chamar pelo nome, garoto!” – O Kim percebeu a forma como estava sendo tratado, e prontamente fora ríspido, como de costume, se jogando no outro sofá, fazendo o possível para manter uma distância considerável do outro. Não deixava de lhe fitar com o mesmo semblante de cara amarrada de sempre. Taehyung parecia odiar o garoto sem ter um motivo preciso – apenas sentia um certo asco do menor certas vezes.

“Te chamam de que então? Senhor chato? Qual é, dá um tempo!” – Jeon disse por último fazendo o olhar do Kim desviar-se de si. Ele também parecia preocupado em estar tão perto daquela presença. Talvez sua ideia de se livrar um pouco de seus primos não fosse mais tão atrativa como imaginava.

“Só não me chame. Já está de bom agrado. Irei embora assim que essa maldita chuva passar.” – Jeon o olhou incrédulo. Como poderia existir alguém tão ou mais infantil que si?

“Por que quis vir até aqui? Pra encher o meu saco?” – O dono da casa já estava cansado daquela atitude, e se ele teria de o aguentar por hora, que ao menos o outro lhe respeitasse um pouco ao menos embaixo do seu teto – ou no mínimo desse uma trégua com suas estranhas implicações consigo.

“Desculpe.” – O Kim fez uma pausa com um olhar meio perdido. Parecia procurar as palavras certas naquele momento. – “Eu só estou... com um pouco de sede.”

“Hã?” – Jeon se surpreendia cada vez que o outro resolvia abrir a boca. O visitante estaria mesmo sendo um pé no saco só por causa de sede?

“Fico um pouco nervoso quando sinto sede.” – O olhava agora de um jeito intimidador, como se o outro o devorasse com os olhos enquanto mantinha a mão no rumo da boca, acariciando os próprios lábios – Taehyung era definitivamente o cara mais estranho e intrigante que já se deparou na vida. Jeongguk queria muito entender como aquilo tudo foi acontecer, mas não encontrava as respostas que tanto queria.

“Se você queria algo, era só me dizer.” – O menino levantou-se já de mau humor e rumou a cozinha, dando as costas para o acastanhado, não notando a presença atrás de si que se aproximara numa velocidade que não conseguiu assimilar, já que ele estava no sofá mais afastado do outro lado da sala. Repentinamente ele estava atrás de seu corpo como uma sombra, lhe trazendo aquele velho calafrio na nuca por se lembrar da cena no carro. Cessou os passos na metade do caminho e lhe encarou por uns segundos totalmente confuso. Mas o que tá’ havendo aqui?

O jovem nada disse, e deixou o outro lhe acompanhar até a cozinha. Estava tudo escuro e a única iluminação dos dois era a luz do celular de Jeongguk. Obviamente ele seguiu até a geladeira a fim de encontrar algo para sanar sua fome, e afogar Kim Taehyung até que ele matasse a bendita sede que reclamara instantes antes.

O rapaz mais alto estava agindo de modo estranho, estava agitado e engolia seco repetidas vezes, ofegando um pouco pesado demais – tanto que Jeon conseguia ouvir de longe. O dono da casa até pensou que ele estivesse se sentindo mal do estômago ou coisa pior, mas preferiu ficar quieto.

“Você está bem?” – Levou a mão com uma latinha de Coca-Cola em direção ao Kim que a encarou sem entender bem o que o mais novo pretendia com aquilo.

“Coca?” – Riu debochado. – “Eu não... tomo essas coisas, meu caro!” – O Kim esfregou os fios, os jogando para trás diante o Jeon que se sentiu sem graça e tomou o refrigerante no lugar do outro, estampando um beicinho que fora perceptível aos olhos de Kim mesmo que rapidamente.

“Me desculpe, mas não tem vodka na geladeira do meu pai. Se estiver com sede, vai ter de beber água mesmo.”

“Não brinque com a minha cara, garoto!” – O Kim se aproximara de si, lhe olhando muito de perto. Se acaso as luzes estivessem acesas, ele poderia confirmar que os olhos do visitante estavam cintilando de raiva. Mas o celular estava encima da pia de mármore iluminando-os fraco. – “Eu não deveria estar aqui.” – Se afastara deixando o menino de cabelos pretos um pouco assustado devido a tantas atitudes estranhas e repentinas do mais alto – ele parecia ter dupla personalidade, era a única razão plausível.

“Tá’ chovendo muito lá fora. Não tem como você sair agora. Por que não espera um pouco? Depois te empresto a picape pra você ir embora se quiser.” – O Kim voltou a rir debochado com aquelas palavras ecoando na cozinha, andando de um lado para o outro se mostrando terrivelmente mais agitado que antes. Ele parecia nervoso e necessitado de algo que Jeon não conseguia compreender – julgaria ser ‘drogas’, mas o que ele sabia daquele rapaz, afinal?

“Ei... eu tô’ falando com vo...” – O menino fora interrompido por si próprio, quando veio a sentir uma ardência no lábio inferior, sentiu que havia cortado sua boca e esta agora tinha sangue saindo pela fenda no cortezinho, chamando instantaneamente a visão de Kim Taehyung naquela parte.

Estranhamente o rapaz mais alto sentiu-se vidrado naquela cena. Estava escuro, mas seus sentidos jamais falhariam o impedindo de sentir o cheiro daquele liquido, a cor e até mesmo secar a goela por imaginar o gosto e a textura que aquilo em Jeongguk poderia ter.

Sua sede estava piorando.

“Desculpe.” – O mais novo percebeu a inquietude do Kim e levou a mão tapando o lábio a fim de esconder que havia se ferido e que saia sangue de sua boca. – “Eu sempre me corto assim quando fico nervoso.” – Explicando ao outro que, quando se sentia ansioso demais, mordia os lábios até se machucar fazendo isso. Iria se limpar com a própria mão, mas fora prontamente interrompido pela mão forte e firme do Kim que estava o segurando antes que ele se limpasse.

“Não faça isso!”

De repente – de um modo muito rápido – Jeongguk teve o corpo novamente prensado, dessa vez contra a pia que estava atrás de si, derramando até mesmo a Coca que segurava com a outra mão, ficando novamente à mercê daquele garoto estranho e naquela posição extremamente desconfortável. O dono de fios negros era sempre muito fraco para enfrentar um outro alguém maior que si, e se praguejava por ser tão frágil aquele ponto. Mas era sempre assim no fim das contas.

O mais alto estava roçando freneticamente o rosto no seu de olhos fechados, murmurando coisas que Jeon não conseguia compreender – talvez pelo medo que sentia naquele instante. Ele segurava seus pulsos bruscamente para baixo com as duas mãos e de repetente começou a aspirar o seu cheiro profundamente e audivelmente, deixando o moreno saber exatamente o que ele estava fazendo em sua pele, rente aos seus lábios, perto demais daquela área – mantendo uma aproximação extremamente perigosa para sua sanidade que ultimamente não andava muito saudável devido a tanta coisa que tem se passado em seu âmago. Sua respiração se acelerava devido aquele contato brusco e persistente. Taehyung lhe pressionava cada vez mais naquele mármore da pia, fazendo uma pressão totalmente desconfortável em seu baixo ventre, o deixando sentir fielmente como era o corpo do devasso Kim por debaixo daquela roupa que ele usava. O ato do rapaz lhe causou uma sensação estranha e também muito desconfortante.

Quando Jeongguk abriu os olhos – havia os cerrado para evitar olhar diretamente para Taehyung – ele pode rever aquele brilho característicos de seus surtos sobre aquela noite na estrada dias atrás. Os olhos de Kim Taehyung estavam vermelhos. Vermelhos intenso como o sangue, e brilhavam no meio daquele escuro entre eles.

Eram lindos. Perfeitos. Kim Taehyung estava perfeito diante os seus olhos apesar de que estava aflito no meio daquela estranha situação.

“Como você faz isso?” – Suas palavras saiam em forma de sussurros enquanto Kim fitava assiduamente a mancha vermelha naquela bendita boca.

“O que estou fazendo com você, Taehyung?” – Mesmo que não fosse a hora mais correta, o moreno mais baixo estava o provocado ainda mais, e estava notavelmente fora de si devido aquela imagem do outro sob ele. Jeon respirava muito quente e muito rápido, fazendo Taehyung engolir pelos lábios entreabertos a sua respiração, seu medo e sua ansiedade.

“Como me provoca tanto? Por que faz isso comigo?” – E mesmo que não esperasse uma resposta, o mais alto levou a língua e passou lentamente na boca do outro, provando finalmente o gosto de ferro e que para si era como um frenesi acertando em cheio todos os seus sentidos, acordando um instinto que a tempos ele vinha tentando controlar sobre os outros.

Seus olhos brilharam ainda mais no meio daquele breu na cozinha, e por alguns instantes em que Jeon não conseguia compreender de seus murmurinhos rentes a sua pele, ele poderia jurar que escutara o maior gemendo manhoso como se estivesse excitado por apenas ter provado o sangue em seu lábio – o Kim estava em um tremendo êxtase - aumentando ainda mais a pressão sob si e a força que mantinha nos seus pulsos que estavam presos pelas mãos do moreno claro.

Kim Taehyung era terrivelmente forte! E em momento algum viu que conseguiria escapar de si acaso tentasse.

“Aquele idiota não aprende mesmo a lição!”

“Aonde você vai, Jin?”

“Não é óbvio?! Vou salvar o garoto antes que ele o mate!”

“Não! Espere um pouco mais! Tenho certeza que o Taehyung não vai fazer isso.”

“Namjoon!”

Os dois Kim estavam do lado de fora da residência a fim de vigiar Kim Taehyung desde o começo.

Eles ainda não confiavam com afinco na mudança do primo – bom, SeokJin não confiava ainda. Arrastou Namjoon consigo até a casa de seu protegido desde que este deixara o estacionamento com Kim Taehyung no banco do passageiro.

Tae estava sob a custódia dos dois Kim mais velhos há quase um mês. Os dois deveriam o ensinar os limites que sua família tradicional tinha para com os humanos há séculos: Os respeitando e jamais lhes tirando a vida para saciarem sua sede por sangue – eles tinham outros meios cabíveis para isso. Entretanto, Taehyung era um rebelde e nunca pensou nessa rígida regra como uma forma honrada de se viver. Sendo um vampiro, ele achava ridículo ter de se controlar e nunca poder matar ninguém, e já que eles precisavam do sangue para sobreviver, por que não tirar das pessoas?

Todavia, era frequentemente punido por seus atos quando infligia tais regras. A última escolha dos pais foi mandá-lo para os primos prodígios do clã para que eles tentassem o ajudar em seu vício pela maldade e pelo líquido vital que tanto lhe tirava a sanidade em questão de segundo quando o provava. O sangue sempre o deixava muito mais forte, então ele sempre buscava por mais, incansáveis vezes.

Por esse motivo SeokJin estava tão aflito e com medo de que ele viesse a matar seu garotinho por causa do estúpido teste de Namjoon. E naquela altura as coisas pareciam estar dando terrivelmente erradas.

“Espere.” – Namjoon o segurou pelo braço lhe tardando os movimentos.

“Namjoon o que está fazendo?” – Jin teve os lábios tapados por sua mão grande, e então deixou de protestar lhe metralhando com o olhar imediatamente.

“Olhe aquilo antes de me matar.” – Pediu que o outro checasse por si só o que realmente estava acontecendo naquela cozinha, espantando-se logo em seguida com o que via.

Jeongguk sentia dor no quadril e nos finos pulsos devido ao mau jeito que o outro se encostava a si com aquela tremenda força, mas ele não conseguiria se soltar daqueles punhos fortes do maior, que agora se mantinha ainda mais extasiado por ter sentido aquele doce gosto em sua língua. Sua vontade agora era de lhe sugar todo o sangue do corpo para enfim se saciar daquele que há tempos vinha lhe atraindo de certa forma – por mais que aquilo lhe intrigasse o fazendo pensar que era somente uma sede incalculável pelo seu sangue, que finalmente pôde constar o quão delicioso Jeongguk era.

Seus olhos só estavam vermelhos daquela forma por conta do vício gritando dentro de si lhe mandando incansáveis vezes abocanhar aquele bendito pescoço o mais rápido o possível. Há tempo o escolheu como uma possível presa – se acaso tivesse essa bendita chance. Talvez por conta disso estivesse o seguindo sempre.

Em sua cabeça só se passava aquelas vontades que ele sabia ser um erro tremendo. E logo iria saciar-se daquilo que há tempos estava o deixando tão irritado e descontrolado pela falta que tanto sentia, mas repentinamente foi surpreendido pelos lábios alheios se encaixando dentre os seus o beijando vagarosamente de um jeito carinhoso e envolvente, dando um baque totalmente inesperado em todos os seus sentidos.

Taehyung não esperava por aquilo nem em sonhos.

Era tudo tão novo e estranhamente bom. O gosto pecaminoso do seu sangue e a textura macia daqueles finos lábios era muito viciante - pôde constar aquilo somente com o primeiro contato. Era uma mistura perfeita do sabor agridoce e da pura tentação. Kim Taehyung nunca havia provado um macho da espécie desta forma.

Seu corpo demorou certo instante para reagir àquele contato. Taehyung ficou totalmente estático ainda com o forte brilho vermelho no olhar, sentindo com calma o toque sutil do menor em sua boca. Ele nunca entenderia naquele instante de o porquê ter correspondido o beijo alguns segundos depois dos primeiros movimentos do mais baixo. Mas o fez quando se pegou cerrando calmamente suas pálpebras, imitando as do moreno que agia tímido e devagar, quebrando sua postura de predador extasiado pelo gosto daquele sangue que jazia dentro de sua boca, dando vazão àquelas sensações inéditas do primeiro selar com um garoto que até segundos atrás seria sua presa em tempos sem ter uma à sua mercê.

Fora o melhor beijo de suas vidas.

“Eu não disse? Às vezes você tem que parar de ficar tão tenso, hyung.” – Disse Namjoon, deixando a mão que cobria os lábios de SeokJin se soltarem dali.

“Eu não acredito nisso.” – Jin estava estático, totalmente em choque e visivelmente incrédulo daquela cena que assistiam junto de Namjoon, do lado de fora da casa, num espacinho do cristalino da janelinha da cozinha – mesmo debaixo daquela chuva.

“Em que? Que você babou na minha mão?” – Dizia o loiro, indignado, olhando seu palmo molhado de saliva.

Os dois Kim jamais deixariam seu protegido à mercê do primo que eles conheciam tão bem.

●●

Era sexta de manhã.

Novamente o ensurdecedor despertador de Jeongguk tocava sem parar, o assustando como se ele estivesse tendo um pesadelo terrível – e de fato estava tendo mesmo um sonho ruim com um homem lhe torturando – um homem forte, alto e de olhos vermelhos...

O garoto levantou o torço rapidamente ainda meio desacordado sob o efeito de sua sonolência. Olhou para os lados procurando o objeto barulhento que ele sabia onde ficava, mas no susto não encontrava, até então levar as mãos no relógio encima do criado-mudo, o desligando. Depois de suspirar mais tranquilo pelo fim daquela coisa ensurdecedora, notou finalmente que estava em sua cama sobre os lençóis brancos, debaixo de seus grossos cobertores, totalmente de cabelos avoaçados e na companhia de um Kim Taehyung sentado na beirada da janela arregalada, lhe fitando fielmente – ele estava incrivelmente bonito com uns fios de luz solar batendo em seu rosto o tornando uma perfeita obra de arte.

Porém, o moreno estranhou o fato de ter aquele cara em seu quarto, mas levou alguns segundos até dar-se conta de que estava sendo observado daquela forma o deixando muito sem graça após desviar seu olhar do indivíduo.

“O que está fazendo aqui?” – Perguntou bem baixo enquanto buscava mais do cobertor para lhe cobrir devido o frio que entrava através da janela aberta onde Tae estava.

“Olhando você...” – Disse simplista sem mudar a expressão calma que mantinha desde o despertar do moreno. Jeon notou a fala calma e envolvente do rapaz – muito diferente de outras ocasiões quando tentava puxar algum assunto consigo.

Louco! – Xingava-o por dentro.

O jovem estava sentado, se sentindo um pouco envergonhado pela presença do outro – ainda mais com este o encarando daquele jeito. Jeon então se lembrou da noite anterior e ficou um pouco perturbado pensando em como diabos havia parado ali em seu quarto.

“A-aonde você... passou a noite?”

“Aqui com você, ué.” – O Kim desceu da janela, indo em direção ao menino sem se aproximar mais de sua cama. Ele ficou de pé com as mãos no bolso lhe estudando novamente, mas de um modo muito tranquilo, nem parecia que estava tão nervoso na noite anterior.

O coração de Jeongguk se acelerou por ter escutado aquilo. Ele sabia bem o que tinham feito na sua cozinha na noite passada, mas não entendia ou se lembrava de quando tinha subido ao seu quarto para dormir.

“Você dormiu no sofá, então eu te trouxe para este quarto.”

“Tá’, mas... aonde você dormiu?” – O moreno lhe devolveu o olhar que caia sob si – mostrando um constrangimento visível, fazendo o maior rir soprado de sua atitude.

“Tá’ achando que abusei de você?” – E Jeon corou instantaneamente voltando seu olhar para o cobertor branquinho. – “Não seja idiota! Eu nunca faria isso com um...” – O de cabelos castanho claro não termina sua frase, fazendo o moreno perceber seu deboche quando este riu sem uma vontade precisa – novamente via o mesmo sarcasmo irritante surgir no outro.

“Com um, o quê? Um garoto? Isso?” – Taehyung que já iria arredar os pés dali a fim de não ter de olhar mais para o menino ingênuo. Voltou o olhar sob si, arqueado e irritado com suas palavras. Ele nunca iria gostar de um homem! Pouco menos daquele infeliz em sua frente! – era o que gritava dentro de si.

“Isso mesmo. Eu não gosto de homens! Ainda vou te fazer pagar pelo que me fez ontem.” – Taehyung aproximou-se da cama encarando o menino de cabelos pretos bem de perto, e por mais constrangido que ele estivesse, Jeon não iria deixar o outro falar o que quisesse para debochar de si.

“Se não gosta, por que você correspondeu?” – Rebateu sem pudor.

“Não sei... mas não pense que gostei.” – Deu de ombros.

O moreno se lembrava perfeitamente bem daquele osculo que deram na cozinha. Se lembrava bem daquele gosto e do tempo que demoraram naquele carinho partilhado. Recordava-se com precisão dos toques do maior em sua cintura e em seus cabelos após soltar seus pulsos o deixando acariciar seu peito e sua nuca enquanto o beijava. Aquela pressão toda encima de si, os ofegos e os vários selares que trocaram naqueles instantes, jamais seriam esquecidos.

“Foi tão bom e gostoso. Mas por que tinha que ser justo com você?” – Pensava o menino na cama incrédulo de que havia o beijado ontem.

“Não é o que parece!”

“Jura?” – Kim ria de canto o contradizendo a todo custo.

“Foi você quem partiu pra cima de mim para começo de conversa.”

O mais alto nada disse, sabendo bem que não teria como explicá-lo do porquê de ter feito aquilo naquele momento em que o vira sangrar – inclusive – estava fitando aquele leve corte nos belos lábios do mais novo se lembrando também do que acontecera entre eles. Ele poderia dizer milhões de vezes para o jovem em sua frente o quanto era asqueroso beijar um homem, mas em seu âmago estava claro que ele havia apreciado sim, aquele contato, aquele gosto surreal que sentiu na boca do garoto que tanto lhe irritava.

“Mas foi você quem me beijou primeiro. Não se faça de vítima, garoto.”

“Meu nome é Jeongguk, vê se aprende a dizê-lo! E eu não teria te beijado se você não tivesse tão perto e me segurando daquele jeito!” – O moreno ficava cada vez mais vermelho enquanto dizia tudo o que tinha vontade.

“Acha mesmo que eu queria te beijar?”

“Tenho certeza! Se não, não teria colocado a língua na minha boca primeiro!” – Deveras, as últimas palavras do menor o deixou atordoado e surpreso. Não imaginava que ele estivesse tão bravo consigo ou que se alteraria tanto – para um humano, ele não parecia tão indefeso agora.

“Quer saber... não vou mais perder meu tempo contigo. Ainda bem que estarei indo embora deste lugarzinho amanhã!”

Assim que ditou as últimas palavras, Taehyung saiu pela porta a batendo com força, deixando o garoto que já ofegava de tanto que estava nervoso, sozinho em seu quarto.

Jeongguk suspirou profundamente tentando acalmar os nervos agitados – ele também não esperava ficar tão ríspido a ponto de se exaltar a tanto com um estranho. Um cara estranho, idiota, porém... terrivelmente lindo e atraente.

Jeon não negaria para si mesmo o quanto aquilo foi bom. O beijo deles foi como magia para si, e nunca havia provado um gosto agridoce tão delicioso em seus dezesseis anos de idade. Na verdade, nunca havia beijado um homem antes.

Porém, uma parte de si se arrependeu amargamente de ter deixado aquilo acontecer, mas como estava tão frágil e tão inerte dentre aquele corpo maior e mais forte que o seu, ele cedera para um desejo que até ontem desconhecia que sentia vontade de o fazer, ainda mais com aquele rapaz brutamonte.

Jogou-se para trás, caindo sob o travesseiro, tapando a testa com a curvatura do braço e cerrando os olhos com força a fim de tentar esquecer um pouco aquele rosto e voz que tanto lhe perturbava. Sentia um pouco de asco de si próprio por pensar até onde iria com aquele estranho, se o mesmo não tivesse o empurrado para o lado, se afastando consideravelmente de seu corpo e ofegando pesadamente depois do osculo que partilharam na cozinha de sua casa. Até aquele momento, percebeu que os olhos vermelhos não brilhavam mais, e que também o maior havia ficado consideravelmente abalado com o que haviam feito, saindo rapidamente da cozinha, sumindo para algum lugar dentro daquela casa, já que lá fora estava caindo uma forte chuva.

Jeon não teve coragem nem vontade de ir atrás dele, esquecendo-se até mesmo de que ele ainda estaria por ali até o fim daquele temporal. Deitou-se no sofá após deixar o cômodo anterior, e pôs-se a descansar ali mesmo cedendo às pálpebras exaustas e a doce calmaria que a chuva trazia naquele escuro propício a bons sonos. Por isso estranhou o fato de ter acordado em sua cama de manhã.

E mais uma vez ele sequer sabia que olhos vermelhos lhe encararam a noite toda.

●●

“Quê?”

“Perguntei se quer dar uma volta.”

O moreno estava em sua casa aproveitando a companhia da TV – que ele deu graças de rever depois que a luz voltou, enquanto fazia um sanduíche com pasta de amendoim para um lanche no lugar da janta, já que seu pai não estava, ele teria de se virar novamente. Estava tudo tranquilo naquela noite, passava um bom filme e ele já havia trazido do quarto alguns cobertores para se aquecer no sofá e ficar de boa.

Tinha passado um dia confuso e mal prestou atenção nas aulas no colégio, e também não vira Kim Taehyung no mesmo cogitando logo que ele já havia partido dali – e, estranhamente, isto estava o amargurando por dentro, ainda mais depois de tudo o que aconteceu.

Todavia...

Quando estava preparando seu lanche na cozinha, alguém batia incessantes vezes em sua porta – e não poderia ficar mais surpreso ao ver o rosto de Kim Taehyung em frente a si, mantendo um semblante mais calmo em seu belo rosto – muito diferente de outros tempos, mas tinha certeza que não demoraria a mudar de personalidade.

“Sair? Com você? Agora?” – Jeongguk ainda estava assustado e confuso com o rapaz ali, levou quase um minuto para retornar a pergunta ao moço mais alto, que ainda estava parado de pé do lado de fora – impecável como sempre. Ele podia jurar que não o veria mais, pois ouviu audivelmente bem que ele dissera durante a manhã que partiria dali da cidade, pensava que ele já tivesse ido embora por não tê-lo visto na escola.

“É. Tá’ a fim?” – Dizia ainda sereno e calmo.

Jeon estava confuso, mas uma coisa dentro de si gritava para que ele aceitasse o estranho convite e fosse caminhar no frio lá fora sob a luz do luar.

Ele demorou um pouco mais depois das últimas palavras sorvidas até dar espaço para que o rapaz alto adentrasse sua casa, lhe pedindo um segundo para que ele subisse e buscasse um casaco em seu guarda-roupa.

“O que diabos está acontecendo?”

“Acho que podemos ir.”

O moreno havia deixado o pão com pasta de amendoim encima do balcão da cozinha; a TV ainda estava ligada e seus cobertores espalhados pelo estofado e pelo chão. Ele havia deixado uma bagunça tremenda ali, e tinha sorte pelo pai não ver aquilo, caso contrário a bronca seria grande.

Os dois deixaram a casa e foram caminhar na estrada de terra que dá entrada ao caminho da casa dos Jeon, andando lado a lado em um silêncio que persistiu por longos minutos entre eles – mas não era tão desagradável. Não se olhavam diretamente, apenas com os cantos dos olhos. Ninguém falava absolutamente nada enquanto passeavam devagar tendo os cabelos balançados com o movimento da brisa fria que batia contra seus corpos.

Jeon já havia notado que o Kim era um garoto sério e um tanto estúpido, ridículo e infantil, mas parecia totalmente normal em horas como aquela – nesses raros momentos que tiveram no curto prazo em que se conheceram. Ele parecia um cara quase normal como qualquer outro, mas quando se pegava lembrando dos olhos vermelhos que tanto lhe perseguia, ele cogitava coisas surreais demais, até mesmo para ele que não acreditava em nada sobrenatural – não tinha mais explicação dentro de si para aquele comportamento bipolar do Kim, e da cor de seus olhos que mudam certas vezes. Mas nada poderia afirmar, caso contrário poderia ganhar fama de louco.

“Achei... que já estivesse longe daqui.” – Iniciou o mais novo a fim de espantar aquela tensão em si. Não queria começar com o pé esquerdo novamente e os dois acabarem rolando no chão por causa de alguma briga. – “Você disse que iria embora, e não foi no colégio, então...”

“Eu irei amanhã de manhã.”

E novamente ficaram em silêncio. Ora e outra eles se entreolhavam, mas Jeon se constrangia na mesma hora por ter aqueles olhos tão firmes sob si, pois Taehyung quando o olhava não desviava fácil – não estavam reluzindo fortes como outrora, mas o intimidava na mesma intensidade.

“Tae...”

“Eu queria... me despedir... eu acho.” – Taehyung interrompeu o menino que ficara surpreso novamente. Não tinha um motivo plausível para uma despedida. Eles não eram amigos, não tinham nada além da relação de ódio estabelecida entre eles desde o começo, e mal conversaram nessa vida. Mas ele não quis ser rude e falar coisas desnecessárias para o outro e acabar estragando aquela sensação de um bom começo de amizade – ou quase isso. – “Namjoon e Jin... gostam muito de você. Disseram-me para me despedir.”

“Eles te pediram isso? Por isso veio até minha casa?”

“Também. Mas eu...” – O maior parecia tomar cuidado com cada palavra que proferia. Ele não tinha muita paciência, mas pelo garoto, ele queria tentar agir da maneira certa, mesmo que aquilo fosse estranho de se acontecer entre as espécies. – “Eu estou confuso...” – Sussurrou a última parte quase sem som nenhum, e se não fosse a distância, Jeon não teria o escutado.

“Eu também.” – O maior voltou seu olhar que havia se abaixado, para o moreno ao seu lado, parando também os seus passos, e Jeon parou um pouco mais à frente também o olhando nos olhos. Eles sabiam bem que algo havia mudado em seus âmagos, e que a culpa maior era daquele beijo inesperado que acontecera entre eles – passaram o dia inteiro se lembrando de cada detalhe. – “Tem... um gramado perto dum lago aqui. A gente pode se sentar ali e conversar melhor. A luz da lua bate na água... e tudo envolta fica bem clarinho...” – Disse Jeon, bastante tímido e com medo que o outro o interpretasse de forma errada – e realmente essa não era sua intenção.

O moreno abre um sorriso fraco para o outro, apontando com o indicador para o rumo de uma estradinha em meio a umas árvores na beira da estrada – um lugar que Jeon conhecia bem, por morar naquela região há dois anos com o seu pai e aquele era um lugar que ele gostava muito de ficar para refrescar sua mente quando precisava, mesmo que em noites como aquela.

O Kim assentiu e o seguiu, o deixando ir à frente a fim de lhe mostrar o local, não fez menção de achar o convite estranho, ainda mais quando ele havia feito um ao garoto de cabelos pretos quando bateu em sua porta – tão inesperado quanto.

Chegando lá, eles sentaram-se um ao lado do outro na beira do tal lago que refletia perfeitamente a luz da lua aos arredores, deixando tudo muito claro e límpido assim com Jeon afirmou.

Estava bem calmo e tranquilo fora daquela brisa gelada que varria a estrada da casa do moreno. As cigarras faziam os sons ao fundo e os vagalumes enamoravam sob as águas, deixando tudo ridiculamente romântico e belo, o que fez Jeon repensar se seria mesmo certo estar ali justo com aquele ser que antes havia lhe cuspido palavras tão ríspidas pela manhã antes do colégio.

Permaneceram em silêncio por mais alguns instantes, pois nenhum dos dois calculava bem o que se fazer naquela situação, a não ser apenas apreciar o som da natureza envolta. Jeon morava num lugar mais afastado da civilização e sua casa era envolvida de arvores imensas e uma grande selva ao redor, por conta disso o menino de fios negros precisava de sua picape para ir até a cidade.

O Kim arrancava a grama do chão como um garotinho entediado e Jeon fingia fitar a água enternecida a sua frente, quando observava o rapaz de cabelos mais claros ao seu lado pelo canto dos olhos de segundo em segundo, se sentindo um pouco nervoso pela falta de diálogo. Como ele era o mais curioso dos dois, decidira que tiraria suas incertezas de outros tempos sobre o que estava acontecendo com o moço maior, já que agora ele não parecia nada ríspido. Deveria aproveitar aquela chance, já que provavelmente não o veria mais.

“Por que... quer se despedir de mim? Isso não faz... muito sentido.” – Tomou a atenção do outro sob si, que o olhara bastante antes de começar a falar.

“Eu não sei direito. A sua boca...”

“Hum?”

“Ainda está ferida.” – Tae firmava os olhos naquela parte. Se não estivesse se sentindo um completo louco afirmaria que estava com vontade de beijar aquela parte do outro com toda a vontade que queria. Chegou a engolir seco quando se pegou pensando naquele ato, deixando Jeon um pouco tenso por tê-lo notado fisgado em sua boca.

“Eu sempre me machuco quando estou nervoso. É uma... mania idiota minha.” – O mais alto sorriu fraco da situação, mesmo sem entender direito o porquê.

“Não deveria fazer isso perto de mim. Eu posso pular encima de você de novo.” – O moreno se assustou com aquela fala, mas assim que viu um sorriso bonito e distinto surgir nos lábios do outro, ele sorrira na mesma intensidade que o mais velho.

“Você fica bem melhor quando sorri. Deveria tentar mais vezes.”

“Eu não consigo. Minha vida é muito chata e cheia de restrições. Não dá para sorrir o tempo todo.” – Logicamente Jeon não estava compreendendo aquilo, mas não indagou sobre seus problemas íntimos não querendo ser mais inconveniente.

“Diz... por que seus olhos mudam de cor?”

“Hum?”

“Eles ficam... vermelhos.” – O mais novo o olhou profundamente querendo mesmo uma resposta plausível por mais que soubesse que perguntar sobre aquilo seria muito estranho – ou talvez não.

“Acontece quando estou excitado.” - O mais novo esperava uma resposta que não lhe deixasse vermelho, mas foi inevitável de acontecer, ainda mais que o outro mostrara um sorriso nada inocente para si mudando o ar entorno deles repentinamente. Estava começando a achar que aquele passeio não terminaria tão tranquilo.

“Desde de quando ficar excitado faz os olhos mudarem de cor? Isso não faz sentido algum.

Espera... então ele ficou excitado quando a gente se beijou ontem?” – Pensou o menor.

“P-por que você ficou excitado ontem?”

“Sua boca... sangrou perto de mim. Eu não me contive.”

“Então você se excita com sangue... que esquisito.” – Jeon pensou ter dito em pensamento, mas disse bem audível e o outro ao seu lado ouvira muito bem e riu do menor que corou tapando a boca. – “Desculpe. Mas... é muito estranho isso. Tipo... tem gente que tem medo de sangue, mas você fica excitado quando vê isso... então... é muito... muito estranho mesmo. Desculpe. Eu não sei o que estou dizendo.” – Disse o mais jovem, rindo de si mesmo e pela imensa confusão dentro de si.

Taehyung estava fisgado no outro. Um brilho diferente assumia-se em seus olhos, algo como ternura e calmaria vinha dele, atingindo em cheio seu âmago. O ver sorrindo era tão especial e único. Por que ele fica tão lindo quando sorri?

Estava mesmo fascinado tão de repente em um humano frágil como Jeon Jeongguk? Isso tudo só por causa de um beijo, que sequer deveria ter acontecido?

Ele não entendia, mas era bom; uma confusão ridícula, boba, porém, muito gostosa de sentir pelo outro.

Kim se aproveitou das risadinhas bobas do menor e de sua estúpida timidez e aproximou-se mais, sentando bem do ladinho de seu corpo, podendo estar bem perto do rosto alheio. No mesmo instante o garoto ponderou em arredar-se pelo susto, mas seu corpo não quis mover-se, deixando-se sentir mais quente com o maior ao seu lado daquela maneira – era inevitável não se sentir daquela maneira.

E como se as coisas não pudessem piorar para o nervosismo interno do menor, ele sentiu uns dedos levianos percorrerem os fios que lhe caiam sob a testa, os arredando para detrás da orelha – talvez ele quisesse enxergar melhor o garotinho tímido por trás daquelas madeixas escuras.

O Kim tinha que admitir. Até mesmo a luz da lua refletindo em seus cabelos pretos o deixava ridiculamente mais lindo do que já havia constado, e estando tão perto que pôde contemplar ainda melhor toda aquela beleza jovem que o menor emanava. Ele não sabia bem no que estava pensando, mas sentia-se assim quando o via de perto.

“E pensar que quase fiz de você a minha presa.” – Taehyung disse, soprado, terminando com um riso baixo, porém bastante audível pela proximidade que proferira perto da orelha do moreno, que deveras não estava entendendo absolutamente nada mais sobre Kim Taehyung.

“Por que você fala essas coisas estranhas?” – Ele não conseguia erguer o rosto rubro, por mais que o outro estivesse lhe fitando tão fiel e tão de perto pelos fios que foram retirados de sua frente.

“Você também faz coisas estranhas... por que não posso tentar ser como você?”

“Por que cê’ tá’ sussurrando?” – Ambos respondiam em tons baixinhos e realmente estavam só em sussurros por conta da pouca proximidade – estranhamente aquilo estava tomando um outro patamar.

“Por que é mais gostoso assim.”

Nesse instante o âmago de Jeon deu uma fisgada ditando-lhe que aquilo o remexia demais por dentro, como quando ele conheceu e namorou uma garotinha no passado – o seu primeiro amor. Só havia sentido aquele reboliço no estômago naquela época e foi só no seu primeiro beijo. Taehyung estava o deixando mais do que nervoso, estava lhe causando desconforto, falta de ar, e tremedeira. O moreno sequer sabia como denominar essas coisas. Estaria ficando doente de uma hora para outra?

“Tae...”

“Eu ainda não deixei você me chamar assim.” – Quando Jeon o olhou completamente vermelho e com a sobrancelha arqueada – provavelmente achando que o ‘velho Kim chato habitava naquele corpo novamente’ – ele sorriu sereno deixando o moreno mais trêmulo ainda, e principalmente quando este viu que o Kim percebia sua visão sob sua boca. – “Você... quer me beijar de novo?”

O pequeno nada lhe respondeu, e engolia seco, sentindo o peito disparar numa velocidade que ele não imaginava ser possível.

Mais uma vez os dedos do Kim percorriam seus fios teimosos que lhe caiam sob os olhos, demorando um pouco mais depois de retirá-los detrás da orelha do menor, deixando seu tato passar pela pele lisa, contornando vagarosamente o seu maxilar e seu queixo redondinho e macio. Taehyung sorria enquanto tocava aquela tez alva e juvenil como se tentasse gravar aquela textura lentamente para lembrar-se para todo o sempre do quão o menor era perfeito – era um humano! Um macho da raça. Porém, perfeito para si.

Jeon nada fez. Deixou-se ser acariciado daquela forma enternecida sob si e até mesmo cerrou fraco os olhos para senti-lo o mimar. Ele não se assustou quando teve o indicador do moço se atrevendo a lhe contornar os traços finos e macios da boca, tão devagar quanto fazia antes. Tae lhe acariciou várias vezes só ali, também a fim de gravar aquela maciez para nunca mais esquecer, passando a língua sob seus próprios lábios num desejo maior de querer o provar mais uma vez.

Jeongguk só estava ainda mais confuso, pois antes o outro deixara bastante claro que não gostava de homens e havia odiado aquele beijo.

“Diz, garoto... será que dessa vez, eu posso te beijar direito?”

Como se a primeira vez não tivesse sido perfeita e mágica para o menor...

Jeon engoliu seco, e tentou encarar o de fios castanhos sentindo o rosto arder. Ele estava flertando com um desconhecido, um alguém que ele sequer conhece as origens, passado, família... Estava quase entregue como se aquilo fosse certo, para um cara que antes foi bruto e ríspido, e cogitou também que ele tinha alguns problemas mentais – fora isso quase tudo era normal.

Ele queria o beijar, mas ao mesmo tempo, queria descobrir tudo sob si para nunca mais precisar sentir medo de se aproximar, de beijá-lo, de deixá-lo fazer consigo tudo o que ele quisesse. Mas não era tão fácil. Ele ainda se lembrava perfeitamente da confusão naquele dia na estrada, e sabia com certeza que aquele ser misterioso na sua caminhonete era o próprio Kim Taehyung. Ele sabia que o mesmo andava o stalkeando por todos os lados. Como poderia confiar em si?

“Taeh...” – Ele tentou proferir. Queria ter forças para relutar, mas o agridoce evolvente dos lábios carnudos de Kim o tirava de órbita rapidamente.

Além dos sons insistentes das cigarras, os estalos do ósculo tornavam tudo ainda mais romântico presente abaixo daquele luar – totalmente clichê, e o melhor de suas vidas.

Jeongguk nada proferiu e deixou-se levar pelo contorno daquela boca sob a sua, lhe pressionando da maneira certa, lhe enchendo de confiança e calor ao mesmo tempo. Cada movimento era aproveitado, e cada gosto era sentido como um vício precoce – quando se separavam para sorver um pouco de ar, logo sentiam falta de repetir aquela lentidão em busca dos sabores e do conhecimento nas texturas das cavidades molhadas.

Taehyung puxou o lábio inferior do moreno para si, mordendo-o, demonstrando o imenso desejo retido em si e suspirou em pequenas falhas após deixar aquele pedaço delicioso de carne bem vermelhinha e mais úmida que antes.

Jeon não abrira os olhos de imediato, pois ainda sentia a respiração quente do outro rente ao seu rosto, que roçava a pele na sua bochecha em forma de carinho – este que Jeongguk nunca imaginara que fosse acontecer algum dia entre eles.

O Kim se aproximara cuidadoso ainda lhe fazendo carinho com seu rosto por toda a extensão do maxilar do moreno, chegando ao pé de seu ouvido depositando um breve selo no lugar lhe causando alguns arrepios. Ele também se mantinha de olhos fechados, um palmo segurando o peso de seu torço na grama úmida e o corpo colado ao lado na silhueta do mais novo dando um fim no frio que jazia entre eles.

“Jeon... você ainda tem medo de mim?” – Sussurrou rente e caloroso, sem abrir seus olhos castanhos avermelhados, fazendo o menor na falta de coragem, lhe responder com um silêncio que durou por alguns segundos.

“Agora não... não neste momento, mas...” – Os dois abriram os olhos e se fitaram com seriedade – porém ainda mantinham-se ternos naquele clima gostoso entre eles.

“Mas?”

“Não é como na primeira vez que te vi.” – Disse mais audível para o mais alto parecendo convicto do que afirmava, e Taehyung sabia exatamente do que ele estava falando e insinuando ali. Mas nada disse, e manteve o mesmo sorriso simplista nos lábios enquanto fitava dentre os orbes do menor e sua boca pecaminosa e deliciosa – a provaria mais mil vezes só para constar que era a mais gostosa que havia tocado com a sua.

Taehyung o procurou naquela noite com um intuito maior, e não queria mesmo ir embora sem o tornar concreto.

Queria descobrir o que realmente estava sentindo pelo humano que lhe impedia de o atacar e sugar o seu sangue – cujo já descobrira ser tremendamente saboroso.

“Por que faz isso comigo?”

“Do que tá’ falando?”

“Você me deixa desconcertado. E por que tem que ser macho?” - Conseguiu arrancar um risinho baixo do moreno mesmo que não fosse a intenção – Taehyung realmente era revoltado com seres do mesmo sexo – Jeongguk era uma exceção inédita em toda sua vida.

Aproximou-se novamente da boca do menor, o segurando pelo queixo que descobrira que era extremamente fofo pelo formato redondinho que tinha. Tocou-lhe os lábios com a mesma pressão de antes surpreendendo o menor que, porém, correspondia na mesma intensidade.

E talvez ele já tivesse a sua preciosa resposta.

O jovem moreno se assustara um pouco com a ponta da língua alheia querendo invadir sua cavidade, mas depois de ceder, estava apreciando aqueles movimentos inconstantes e vagarosos dentro de si – era estranho receber aquele beijo não sendo como o incidente passado – parecia algo completamente inédito.

Voltou a cerrar os olhos e deixou um pouco da timidez de lado segurando também o queixo do maior na tentativa de trazer um pouco mais dele para si, e assim fora correspondido da maneira que queria.

“Jeon...” – Sussurrou e o jovem ao lado lhe respondeu no mesmo volume.

“Hum?”

“Você... teria coragem de fazer... uma coisa comigo?”

Nesse instante o menor sentiu seu interior revirar-se todo, por temer que ele faria uma pergunta que o deixaria tremendamente mais desconfortável que antes de tudo começar. Ainda mantinha os olhinhos fechados sentindo a respiração do outro acariciar sua pele, aquele era um carinho terno que jamais sentira antes – Jeon queria aproveitar cada segundo e cada toque, por mais que estivesse nervoso.

Taehyung percebeu a tensão que causara no mais jovem e riu baixo por achar fofo a sua reação somente pelas palavras – ele deveria ter achado aquilo?

Então voltou a sussurrar na orelha do outro depois de mordiscar de leve seu lóbulo lhe causando calafrios por toda parte, porém ele estava se esquentando gradativamente perante aquilo tudo – ele sentia tudo e ao mesmo tempo, não entendia nada dessas sensações, porém amava cada parte.

“Você faria amor comigo?” – Foi inevitável sentir aquela fisgada no baixo ventre. Se antes a situação estava tensa, agora só teria piorado para o âmago do menor.

Ele teria coragem de se entregar a um estranho – ainda mais sendo virgem e perderia sua inocência com um homem?

“Fazer... amor?”

O menor engoliu um seco com muita dificuldade. Sua respiração começava a se acelerar somente com aquelas palavras de puro pecado rente demais ao canto da orelha. Jurava já estar duro só por aquela aproximação perigosa demais ao seu lado e ainda lhe beijando e sussurrando coisas no seu ouvido.

Nunca imaginara que ter saído do conforto de seu sofá e da companhia da TV e seus sanduiches, lhe traria tantas turbulências no seu âmago ao acompanhar aquele ser incrivelmente irresistível – talvez por isso até agora não tenha conseguido lhe dar uma resposta negativa.

Talvez ele quisesse fazer sexo com um estranho. Mas somente por este ser exclusivamente o Kim Taehyung – o ser que vem mexendo tanto com sua sanidade. Talvez esse beijo que partilharam tenha o mostrado o quanto seu desejo era maior e mais forte que qualquer conduta puritana que tenha formulado para sua moral ao longo dos anos depois do primeiro selo de sua vida. E era exatamente isso no fim das contas.

“Você quer?”

Ele veria Kim Taehyung de novo? – Talvez nunca mais. Então por que não ceder dessa vez e se descobrir nos braços do outro que tanto lhe causa reboliços no estômago?

Talvez aquilo fosse só um desejo sexual, mas não queria se importar se era ou não. Jeon estava com vontade; seu baixo ventre sentia impudicamente a vontade de ser tocado pelo Kim; sua boca queria beijar outras partes daquele estranho homem de olhos vermelhos e queria lhe tocar por inteiro se pudesse.

Ele era fascinante de todas as formas, tinha que admitir. Sua voz grossa e às vezes rouca e deleitosa lhe causava arrepios por todo o corpo. Suas mãos grandes e fortes já lhe constaram que teriam um poder enorme de lhe dar prazer – o maior deles, e aonde quer que o tocasse.

Em poucos instantes estava de olhos fechados, perdido em pensamentos levianos, melando com os lábios a ponta do indicador de Taehyung que se mantinha contornando ali novamente enquanto sorria apertando os próprios lábios com seus dentes em deleite – um novo vício sob o outro, talvez.

“Quero...” – Respondeu um pouco depois em um sussurro que fez Tae aumentar o sorriso em deleite. Nem mesmo ele esperava sentir tesão por um humano tão jovem e ainda sendo o macho da espécie. E Jeongguk lhe fez perceber o quanto equivocado estava quando dizia a si mesmo que tinha nojo do osculo que trocara consigo na primeira vez. Sendo que aquilo havia se tornado um tipo de dependência para si.

Talvez de um modo tão desregrado quanto seu vício por sangue.

“E mais uma vez você se enganou, Jin-hyung.”

“Pois é, mas... eles... como vou saber se Taehyung não vai matar o menino?”

“Amanhã a gente descobre isso. Você é muito desconfiado, meu deus! Vamos embora daqui, não quero ver até aonde eles irão parar essa noite!”

Namjoon e SeokJin espionavam – como de praxe – o primo distante deles, escondidos na mata na espreita dos amantes. O que no caso, Taehyung sabia de suas desconfianças, mas que resolveu tentar ignorá-los por hora – já que estava ocupado.

O loiro praticamente arrastou Seok pelo braço, lhe tirando dali, indo os dois embora, trazendo prontamente uma tranquilidade maior no Taehyung que estava beijando Jeongguk com mais ferocidade.

Sob o gramado na beira do lago, e agarrado a ele, fez com que seus corpos se unissem no meio daquele prazer mútuo, tendo sua total concessão para fazê-lo seu por inteiro.

Pelo menos até antes do amanhecer, iria ter tudo do outro para si: seu cheiro, seus sussurros, seus gemidos e seu doce beijo.

Lhe mostraria seus fascinantes olhos vermelhos mais uma vez.

●●

“Você tem mesmo que ir?”

“Acho que sim. Aqui não é meu lugar, Jeon.”

“Vou te ver de novo... algum dia desses?”

“Vai sim. Ainda me verá por muito tempo, Kookie!”

Jeon Jeongguk era só mais um curioso no meio de muitos. Nunca soube ao certo o que exatamente Kim Taehyung era quando o conheceu e decidiu amá-lo.

Na verdade, nada importava depois daquela noite em que se amaram na beira do rio.

Fosse ele o monstro que se assumira para si alguns anos depois do colégio, ou fosse o mesmo Kim que o espreitava na beira da estrada numa picape velha a fim de matá-lo em certa noite no passado. Ou aquele mesmo que brigava consigo constantemente e sem motivos.

Jeongguk ainda iria amar toda aquela marra e má-criação do maior por simplesmente ser ele. Iria amar o brilho vermelho daqueles olhos cada vez que o visse reluzir somente para si. Iria amar cada noite no gramado, no seu quarto, ou até mesmo no sofá da sala do pai que passasse lhe sussurrando palavras de carinho e que recebesse as mesmas com a mesma intensidade ao longo dos anos.

Iria até mesmo se acostumar com aqueles surtos do maior quando seu lábio sangrava graças ao seu nervosismo bobo.

Taehyung ainda iria se esganar por ceder ao seu medo por machos, mas iria aprender também que só amaria apenas um em todo o universo – e isso se sucederia por mais anos que poderia contar. Enquanto Jeon fosse seu precioso mortal, ele estaria consigo até o fim, e quem sabe, além de suas vidas também...

Jeongguk lhe ensinou muito mais que compreendia, e até mesmo tirou de si o desejo devasso pelo líquido vital dos humanos ao longo do tempo, deixando seus dois melhores amigos e os pais do rapaz completamente surpresos pelo feitio, o fazendo enxergar as duas espécies como especiais do jeito que eram.

Se antes o Kim se achava sem vida ou sem motivos para sorrir; sem motivos para deixar a rebeldia e desrespeitar o mundo, Jeon Jeongguk lhe mostrou o quão sua falta fez presente nos dias de vida que não se conheciam. O que fazia falta em um, o outro lhe completava.

Pouco importava se eram machos, humanos, vampiros e até mesmo – possíveis inimigos em algumas horas do dia.

Contando que se amassem, nada mais importava.

“Eu não disse?”

“O que, Namjoon?”

“Que você se preocupa demais.”

“Talvez eu só precise de me ocupar com outras coisas na vida...”

“Talvez você só precise me beijar... hyung.”

11 de Outubro de 2018 às 03:18 3 Denunciar Insira 3
Fim

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jubanglo - social spirit & wattpad: @jubanglo

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Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Olá! Escrevo-lhe por causa do Sistema de Verificação do Inkspired. Caso ainda não conheça, o Sistema de Verificação existe para verificar o cumprimento das Regras comunitárias e ajudar os leitores a encontrar boas histórias no quesito ortografia e gramática; verificar sua história significa colocá-la entre as melhores com relação a isso. A verificação não é necessária caso não tenha interesse em obtê-la, então, se você não quiser verificar sua história, pode ignorar esta mensagem. E se tiver interesse em verificar outra história sua, pode contratar o serviço através de Serviços de Autopublicação. Sua história foi colocada "Em revisão" pelos seguintes apontamentos retirados dela: 1)Pontuação: "O que ele não sabia, era" em vez de "O que ele não sabia era"; "Os dois Kim, eram" em vez de "Os dois Kim eram"; "havia arrumado um emprego de vigilando e por conta disso, estava sempre fora" em vez de "havia arrumado um emprego de vigilando e, por conta disso, estava sempre fora" ou ainda "havia arrumado um emprego de vigilando e por conta disso estava sempre fora"; "estava sempre fora o deixando" em vez de "estava sempre fora, deixando-o". 2)Verbo: "a muito tempo" em vez de "há muito tempo"; "Moravam no lugar mais distante da cidade, e chamavam muita atenção" em vez de "Moravam no lugar mais distante da cidade e chamavam muita atenção". 3)Outros: Aconselho reformulação do parágrafo 4, mais especificamente das frases que se iniciam em "Os dois caras com quem Jeon acabou chocando-se de frente - literalmente dizendo - pois ao seguir" e terminam no findar do parágrafo. "mesmo sem precisarem de um fã clube envolta de si" em vez de "mesmo sem precisarem de um fã clube em volta de si". "muitodepois" em vez de "muito depois". Uso de "as vezes" quando se queria dizer "às vezes". Observação: os apontamentos acima são exemplos, há mais o que ser revisado na história além deles. Aconselho que procure um beta reader; é sempre bom ter alguém para ler nosso trabalho e apontar o que acertamos e o que podemos melhorar, e os betas do Inkspired, quando contratados, fazem uma análise detalhada da sua história e a enviam através de um comentário. Caso se interesse, esse recurso também é disponibilizado pelo Inkspired através do Serviços de Autopublicação. Além disso, também temos o blog Tecendo Histórias, que dá dicas sobre construção narrativa e poética, e o blog Esquadrão da Revisão, que dá dicas de português. Confira! Bom... Basta responder esta mensagem quando tiver revisado a história, então farei uma nova verificação.
Leticia Beatriz Leticia Beatriz
meu Deus! fiquei emocionada aqui! Não vou mentir, queria mais dessa delícia!!!!!
9 de Janeiro de 2019 às 04:39

  • jubanglo jubanglo
    Hauahauhaha ain q bom que tu gostou :’) Muito obrigada por vi aqui para ler a minha ficzinha *-* 10 de Janeiro de 2019 às 16:23
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