cheanderella m. jung

Park Jimin é um calouro que costuma passar suas tardes pós-aula pela bela praia de Haeundae, vivendo sem muitos planos e apenas se deixando levar pelas ondas. Porém, sua vida se torna um mar de confusão quando se depara com um tritão travesso e ingênuo que adora se meter em encrenca e deixando Jimin para lá de frustrado. Agora, além de ensinar à criatura - que ele batizou de Jungkook - sobre as coisas da superfície, Jimin precisava proteger aquele garoto dos problemas que poderia acarretar, caso descobrissem sobre sua existência. E mais do que tudo, precisaria lidar com os olhos brilhantes daquele tritão.


Fanfiction Todo o público.
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O desconhecido me interessa.

O fundo do mar é um mistério. Já ouviu essa frase?

É uma verdade comprovada que nós seres humanos conhecemos muito pouco o fundo do mar, de forma 95% do oceano inteiro ainda não foi totalmente descoberto. Esse fato, portanto, aumenta absurdamente a curiosidade do humano e sua teimosia em continuar explorando, afinal, todos adoraríamos saber o que mais tem de interessante nadando pelas águas azuis dos nossos oceanos. Mas será que realmente iremos encontrar o desconhecido nesse oceano tão vasto? Ora, mas é claro!

O desconhecido era belo, dentuço e muito curioso.

Por entre os corais coloridos e pedras cheias de lodo, ele passeava com toda a sua graça, bem, talvez seja uma graça nadar por aí assustando os peixinhos e siris, mas na verdade ele queria apenas conhece-los, afinal, era uma criatura solitária. E boba! Ah, como era bobo, seus dedos curiosos cutucavam os buraquinhos das esponjas e beliscava a nadadeira dos peixes que moravam por ali. Se pudessem falar, certamente o xingariam. Mas era apenas um peixinho curioso e inocente.

E como era bonito vê-lo contrastar perfeitamente com o azul absurdo que era aquele mar, sua cauda movimentava-se e criava bolhas por todos os caminhos que seguia, e bem, ele era tão desajeitado, nunca sabia para onde ao queria ir. Talvez seu único destino fosse conhecer o novo.

Ao longe podia ver uma silhueta robusta e comprida nadando logo à sua frente, ele já teria visto uma dessas um dia desses, mas como todo bom curioso, queria vê-lo de perto. E lá vai ele, travesso, acelerando a velocidade daquele enorme rabo de peixe, em direção do grandalhão que vagueava com calma pelo Pacífico. E como era grande! Ah, como o peixinho queria ser grande assim, meteria medo em todos. A sua presença repentina tampouco assustou a cachalote, na verdade, a surpresa a deixou curiosa, seus olhos grandes observavam os atos do menor, ele nadava ao seu lado com as mãos apontadas para a frente, preparando-se para iniciar um giro. Sua atitude tornou-se novidade para a cachalote, e as bolhas formadas pelos rodopios do tritão a entusiasmavam. No entanto, ela decidiu fazer o mesmo. E lá estavam eles, dois milagres da natureza formando bolhas divertidas pelo caminho que seguiam. O tritão era sapeca, queria impressionar a cachalote, que adorava a brincadeira, mas a mesma era um senhor cansado que precisava chegar rápido até o Norte, onde iria conhecer uma namorada. Com muito pesar, o grandalhão e o peixinho se despediram.

Mas o tritão não pararia por aí, para os que tem liberdade, esse mundo enorme ainda tem muito a mostrar. Em busca de um show de novidades, a criatura da cauda comprida zarpara. Ele era rápido como uma flecha, em menos de minutos estava ele numa área próxima à beira da praia, na qual só visitou uma vez em toda a sua vida, quando ainda era um filhote. Foi quando seus olhos estavam prestes a emergir da água quando sentiu uma presença não muito maior que si rodeá-lo. Seria outro cachalote?

Era do seu tamanho, não muito diferente da sua espécie. A outra criatura cuja cauda era uma graciosa mesclagem de azul e verde água, possuía dentes tão grandes e olhos desconfiados para o de cauda vermelha, que lhe devolvia o olhar. Estariam eles prestes a se tornar amigos? Longe disso, tritões não costumam ser amigáveis entre si, certamente esse encontro geraria um confronto.

O instinto deles os treinou perfeitamente para esse confronto.

E assim, o de cauda vermelha mostrou os dentes, estes pontudos, prontos para morderem o adversário, que também mostrava os seus, essa seria a introdução de uma árdua batalha. Sendo assim, o de cauda vermelha avançou sobre o de cauda turquesa para que este fosse mordido pelos seus dentes, mas a ação não foi realizada, já que o adversário esquivou-se com maestria de seu ataque, como se já tivesse passado por uma batalha do tipo. Já estaria gravado na cabeça do outro que o seu inimigo era um baita de um valentão. Mas ele não deixaria que o mesmo o vencesse, ah, nem em outra vida!

Em meio a uma confusão de mordidas e arranhões das garras de ambos os tritões, gotas de sangue e grunhidos de dor podiam ser ouvidos ainda que estivessem à quilômetros de distância, ambos já sangravam com a força dos dentes na qual um fincava no outro, a força da água levava a briga para cada vez mais perto da areia, que seria perigoso para ambos os briguentos. O adversário conseguiu juntar suas forças para prensar o outro contra a rocha enorme que ficava ao longe da praia. Deferia arranhões ardentes e golpeadas com a cauda forte por todo o corpo do tritão, que grunhia e gemia com a dor. Eis que por um momento, quando o de cauda vermelha achou que seria sua morte, sentiram um estrondo logo à frente, que formava milhares de bolhas, e consequentemente isso assustou o valentão, ele não era curioso como o outro, fugiu dali sem pensar duas vezes.

O tritão grunhia de dor enquanto observava a causa do susto do outro rodopiar pela água sem prestar atenção em sua existência, voltando logo para a superfície, e essa atitude interessou ao peixe, ora, o que aquela sereia a estaria fazendo fora d’água?

A ingenuidade do maior o fazia realmente pensar que aquilo era uma sereia. Queria ele descobrir para onde ela iria? Mas é claro!

Com toda sua força que ainda sobrava após um confronto repleto de dor, ele nadou para ver melhor o que poderia ter de legal na terra. Seus olhinhos foram os primeiros a emergir, estes fizeram uma análise completa do local. Franziu o cenho ao notar que havia um bando de sereias na areia e tritões bem feios sentados e... bem, que espécie de sereias tão feias seria essa? O peixe nunca se sentiu tão constrangido. Ao virar-se para olhar o outro lado daquela praia, se deparou com um par de olhos de um dos filhotes que por ali brincavam, e essa aproximação o fez grunhir e se assustar, que raios estaria aquele filhote fazendo perto de si? Com um leve impulso o tritão já estava a 10 metros de distância daquele projeto de peixe.

Ele não sabia o que eram, nem de onde viriam, e não sabia como reagiriam ao vê-lo. O seu instinto o fazia recuar, mas... ele não queria ir embora.

Quase tocando o chão raso na qual ele nadava, tentava saber ainda mais sobre os seres inéditos que estariam ali, foi bem estranho ver as coisas que faziam, afinal, onde que um tritão jovem poderia ver uma cadeira como aquela? Que coisa estranha era aquela que aqueles pequenos estavam comendo? Uma criatura dessa jamais saberia veria um sorvete no oceano, não é? Usava as mãos com unhas fortes para se arrastar pela areia, pois os machucados pelo seu corpo dificultavam a locomoção. Ele não sabia realmente para onde ir, e o mesmo aquele pouco sangue poderia atrair um de seus predadores para devorá-lo, e o pobre tritão não estava afim de virar comida.

A sua cauda impulsionava fracamente o seu corpo para a parte funda, onde poderia escapar do sol forte que o secaria em uma hora, pouco a pouco as escamas avermelhadas iam magicamente costurando todos os cortes feitos pelas garras daquele outro peixe maluco. O que mais poderia ser tão formidável de ver nesses seres?

Sua audição apurada pôde ouvir ao longe um som de algo balançando na água, não era como um rabo de peixe, talvez fosse um dos bichos feios que viu andar na areia, seria sua primeira chance de ver um bem de perto. Com toda a sua coragem, sua cauda o levou com rapidez e eficácia para perto de uma rocha, não tão grande como a outra, mas seus instintos diziam que ali estava o desconhecido.

E ele iria finalmente conhecê-lo.

Estava sentado, com suas pernas não muito compridas batendo na água, seus olhos puxados estavam fechados e a sua única sensação era a da água refrescando a sua pele. Ele era diferente dos outros que viu, não lhe parecia estranho, na verdade, parecia confiável...

E nossa! Como era bonito.

Já ouviu falar sobre ser discreto? Quando você vê uma pessoa bonita e procura observá-la sem criar alarde, para que ela não se sinta envergonhada ou assustada? Bem, o tritão mal sabia o que seria isso, preferiu o observar bem de perto.

Para ser mais específico, grudou a sua cara no rosto adormecido do outro.

O humano estava tão distraído em seu sono que demorou para acordar e quase gritar com o fato de ter uma cara feia olhando para cada canto do seu rosto. O mesmo não estava acostumado em ser observado tão de perto.

- Mas o que é isso?! Quem é você, garoto?- perguntou, ajeitando-se na rocha para manter uma distância entre os dois

Nenhuma resposta, o tritão curioso apenas olhava em seus olhos, mas ao invés de ser hipnotizado por aquela íris negra como o ébano, procurava entender o que levou o menino a quase enfiar sua cara no nariz dele. Foi quando seus olhos perceberam que o que estava abaixo do umbigo não era nada comum.

- Você é um sereio?

Pois é, burrinho da silva.

Não teve uma resposta concreta, pois o tritão estava focado em cutucar todo o corpo do humano, desde as narinas, os cabelos, os ouvidos, o umbigo, ele tocava tudo, explorava tudo, até mesmo dentro da bermuda.

- Ei! Aí não! O que é você, hein? Vai pra casa!

O tritão não estava entendendo absolutamente nada, e estava claro para o humano que ele não estava entendendo a sua língua. O mesmo apenas observava a criatura com os lábios entreabertos e os dentes à mostra, o que o apavorou. Ele não estava diante de uma pessoa, e sim de um bicho que poderia o morder a qualquer momento. E precisava sair dali antes que virasse petisco de peixe. Um movimento de perna foi o suficiente para assustar o tritão e fazê-lo grunhir em sua defesa, sabe quando falam “ele tem mais medo de você do que você dele”? Essa frase é válida para criaturas meio gente meio peixe também.

Quando sentiu que o peixe iria finalmente devorá-lo, ouviu um som de algo mergulhando, abriu os olhos procurando pelo mesmo, mas ele já estava a 20 metros longe daquela rocha. Poderia concluir que ele havia desistido de comê-lo.

Mas tritões não comem outro tritões.

Suspirou aliviado, talvez ele não tenha notado que havia acabado de dar de cara com um garoto que tinha um rabo de peixe logo abaixo da cintura. Estaria ele sonhando? Teria ele entrado em coma e parado numa dimensão paralela? Afinal, o que havia ocorrido ali exatamente? Nem mesmo os beliscões e tapas que deferia em si mesmo o faziam sair desse tal sonho na qual cismou que estava preso.

A verdade era que não estava em sonho algum. O humano estava acordado, lúcido, e tinha acabado de ver um tritão.

Talvez a força do seu sono tenha lhe causado alucinações, afinal era impossível que no mundo real, longe dos desenhos e filmes de aventura, poderia existir um ser incrível vagueando pelo mar azul, disposto a se aproximar das rochas para lhe conhecer.

Mas, como lhe falei, o fundo do mar é um mistério. E o humano sabia disso.

E o tritão, bem... ele iria vê-lo de novo. O desconhecido lhe interessou muito.

11 de Outubro de 2018 às 00:06 0 Denunciar Insira 1
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