Casos de verão Seguir história

ltcaceres Luciano C�ceres

Mais um caso de amor (ou quase) que acontece todos os verões e que, não raro, termina de um jeito inesperado.


Conto Todo o público.

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Casos de verão

Diego a viu em um momento de distração. Ele estava lá, sentado com sua bebida gelada sobre a mesa, olhando o movimento quando seus olhos a encontraram. Encostada no balcão do bar, o vento do litoral mexendo levemente seus cabelos morenos encaracolados e a luz do sol refletindo em sua pele morena, naquele tom bronzeado mas não queimado. A blusa azul céu só destacava ainda mais a forma de seus seios e cintura, soltinha o bastante pra ficar um vão entre o umbigo e o short jeans curto o suficiente pra atrair olhares masculinos, femininos e de quem mais pudesse enxergar. E a clássica sandálias havaianas, que Diego chama de chinelo, mesmo, e achou que era a única coisa dispensável naquela imagem hipnótica.

Era o quadro perfeito, o sorriso branco e espontâneo, as covinhas nas bochechas, os olhos castanhos, quase verde, quase mel, brilhando e hipnotizando. E a risada dela deixou Diego mais tonto do que já parecia estar. Devia estar dando aquela bandeira, mas azar, não ligava porque tinha a certeza que não era o único. Estava a uns dez metros de distância, mas o magnetismo dela o alcançava como se ele estivesse ao lado, coladinho em seu ombro.

Imaginativo como era, Diego já imaginou aquela mulher de aparência incomum, rara beleza, rainha do bar e da praia, quiçá do litoral todo, virando preguiçosamente sua cabeça, com o pescoço à mostra segurando um colar de artesanato, o cabelo seguindo o movimento e o vento contrário levando algumas mechas de encontro ao rosto, esse movimento tão simples e curto, mas que na cabeça de Diego duraria horas e se repetiria como em um comercial de shampoo e terminando por seus olhos encontrarem os olhos dele e então aquela pausa dramática de cinco milionésimos de segundo em que os dois se olham. Mas é nesse longo período de tempo que a magia acontece e ela percebe o brilho nos olhos castanhos escuros de Diego e não consegue mais desviar o olhar. Tanto magnetismo entre os dois faz com que, numa contração involuntária dos músculos da face, surja um sorriso de ambos os polos. Então, ainda na cabeça de Diego, ela gira seu corpo agora totalmente na sua direção, olha pro lado do balcão, sussurra, mia alguma coisa pra amiga que tá do lado, tão linda quanto, mas que nem teve tempo de ser percebida por Diego, e larga o copo da sua bebida gelada ao lado do da amiga linda invisível. Antes de dar o primeiro passo, desvia de alguém que estava passando em frente ao balcão e Diego não faz ideia do porquê ter imaginado algo tão sem sentido e contraproducente do que um cara de bermuda amarela florida, sem camiseta e queimado do sol surgir do nada em seu devaneio. Então, finalmente caminha lentamente em sua direção, desviando das cadeiras e pessoas e mesas e um cachorro deitado que não tem nada a ver com a história, com desenvoltura, graça e elegância. As pessoas do bar parecem estar congeladas, alheias ou não ao importante e sutil acontecimento que está prestes a mudar a vida dos dois para sempre ou até o fim do verão. Ela vem, vem, quase chegando. Não desvia os olhos dos olhos de Diego que não pisca nem se mexe nem mesmo pra perceber que estão um pouco ardentes pois acabara de entrar um insignificante grãozinho mínimo de areia no olho castanho brilhante esquerdo, que assim como a amiga linda, fora solenemente ignorado pelos protagonistas do devaneio. Enfim ela chega. Ela chega e para na frente da mesa. Ela chega, para na frente da mesa e diz nada pois Diego, nesse exato momento se deu conta que não precisava mais divagar, devanear, sonhar acordado, pois aquela olhada, aquela cruzada de olhares inesperadamente desejada aconteceu. E ele não pôde acreditar. Milionésimos de segundo preciosos, em que ela percebeu a existência de tão apaixonado fã. E para a surpresa de Diego, aquela magia, tão lindamente imaginada, aconteceu de verdade e ela percebeu o brilho nos olhos castanhos escuros de Diego e não conseguiu mais desviar o olhar. Tanto magnetismo entre os dois fez com que um movimento involuntário dos músculos da face se contraísse e um sorriso surgisse de ambos os polos. Então, já não mais na cabeça de Diego, ela girou seu corpo agora totalmente na sua direção, olhou pro lado do balcão, sussurrou, miou alguma coisa pra amiga que estava ao lado, tão linda quanto, mas que nem teve tempo de ser percebida por Diego, e largou o copo da sua bebida gelada ao lado do da amiga linda invisível. Antes de dar o primeiro passo, desviou de alguém que estava passando em frente ao balcão e Diego não fez ideia do porquê ter previsto algo tão sem sentido e contraproducente do que um cara de bermuda amarela florida, sem camiseta e queimado do sol surgindo do nada e, ainda por cima, real. Então, finalmente caminhou lentamente em sua direção, desviando das cadeiras e pessoas e mesas e um cachorro deitado que não tem nada a ver com a história, com desenvoltura, graça e elegância e um barulho irritante de chinelo sendo arrastado pelo chão que doía nos ouvidos de Diego, que quebrou completamente a magia e fez com que ele saísse do transe e percebesse que ela não era tão bonita assim, na verdade, e desviou o olhar para seu copo de bebida gelada na mesa. E a história acabou aqui, com final feliz para o cachorro, que não estava na história e continuou deitado, alheio a essa tragicômica narrativa.

29 de Setembro de 2018 às 21:16 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Luciano C�ceres Apenas mais uma que gosta de escrever e ser lido.

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