Ponta de Lança Seguir história

cadis Guilherme Schonhardt

Mawuniyo Achkebe veio do único continente no planeta onde não há magia. Ou prosperidade: as poucas riquezas da região são frequentemente disputadas por tribos que estão em constante conflito umas com as outras e nunca crescem ao ponto de formarem sequer um reino. Já com algumas experiências na bagagem e muito poder que lhe foi concebido ao acaso, busca se aprofundar no seu conhecimento sobre magia e o mundo. Para entender o que há com o seu continente. Porém, mesmo na Academia de Estudos Mágicos, no reino D’oraliz, o estudante da pele “cor de fuligem” não esquece por um momento sequer de sua terra natal, onde tudo é definido na ponta de lança.


Fantasia Épico Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#fantasia #magia #adolescente #lança #academia-mágica
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Em progresso - Novo capítulo Todas as Sextas-feiras
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Introdução

–Votos da... Ponta de lança?– Confusa, a garota deu ênfase na última parte tentando se certificar de que era realmente isso que o garoto quis dizer.


–Sim. Ponta de lança.– O negro confirmou com a repetição do termo e se ergueu da cadeira, observando seus dreadlocks pelo espelho. Andalúcia sorriu: captava a satisfação do cliente que se auto analisava. –Resumindo, no voto eu prometi a ela minha proteção. Minha força, toda ela, usada para que pudesse defendê-la. Ponta de lança é um termo interessante.– O rapaz deu uma breve pausa, verificando a pequena e atenciosa garota pelo espelho.


 –É a única expressão que possui um significado exato em todo o Continente sem Reino, que possui línguas e culturas extremamente variadas. A demônia Baba era diferente dos outros seres da Tríade Suprahumana. Ela não admirava apenas os belos lagos, paisagens montanhosas e a neve. Ela via a beleza no vasto deserto que cruza nosso continente. Por isso ela se apiedou dos humanos que ali moravam, que eram incompreendidos por todos os outros demônios, titãs e divindades que julgavam mal logo não os permitiam manipular a magia. Ela presenteou a humanidade que vivia naquela longa região com a arma que ela própria costumava empunhar: uma lança.–


Andalúcia escutava com atenção. Aquela não era uma história que ela conhecia. De fato, a Academia não citava isso nos estudos relacionados ao Continente sem Reino. Por isso a garota estava atônita e curiosa com a história de Mawu. O rapaz, erguido, se virou para a que o atendeu e arrumou seu cabelo. Agora, era ele quem estava em maior altura. E põe maior nisso. Mawuniyo estendeu um dos braços para a direita e fechou os olhos por um momento, inspirando profundamente e abrindo a palma da mão apontada para cima.


O ambiente ficou denso subitamente. A claridade antes predominante no ambiente parecia ter diminuído. O que não fazia sentido pois como a cabeleireira confirmava, todas as lâmpadas permaneciam acesas. Ao olhar novamente para o mago, viu escuridão pura, primeiro como aura sobre a mão grande e nada delicada dele, e logo em seguida tomando forma. Em poucos momentos depois, a claridade voltou a atingir o local como antes. E havia, nas mãos do rapaz, uma lança completamente negra. “Há um metal dessa cor?” Andalúcia se perguntava, realmente sem imaginar.


–Diga-se de passagem, essa é a própria Lança de Baba. Voltando ao assunto… Inspirados por essa arma, as tribos do continente largaram suas espadas rústicas e passaram a se esforçar em usar lanças. Também apresentavam certas vantagens principalmente na caça. Daí, tudo no Continente sem Reino foi resolvido na ponta de lança. A arma esteve presente em todos os conflitos, em todos os rituais e votos. Mesmo quando expulsamos dessas terras os colonizadores desse continente, foi com muito sangue e pontas de lanças. O mesmo pode ser dito dos invasores do Continente Mineral. Então podemos dizer que a ponta de lança é um símbolo do Continente sem Reino. E para mim e Melenit termos feito nossos votos queimando nossas peles na forma desse símbolo reconhecido por nossos ancestrais, é uma verdadeira honra.–


Após concluir o rapaz puxou a manga da capa do braço esquerdo, revelando os músculos do antebraço e duas marcas nele. Ambas simbolizavam a ponta de uma lança, porém uma era maior e a ponta tinha um fio mais longo e a outra tinha dois riscos paralelos cortando-a como se anulassem a marca.


–O voto que fiz com Melenit foi antes de possuir essa bela lança aqui. Fiz com uma qualquer que havia acabado de sair da forja. Esses riscos são uma lembrança de que falhei em protegê-la. Aonde quer que ela esteja, hei de me lembrar de sua existência, de meu fracasso e obrigação que ainda cumpro. A outra marca eu fiz com a Lança de Baba. Essa é a de Clarelise...–


Após concluir as falas, o rapaz deixou a cabeleireira pensativa, absorvendo tudo o que ele a disse. Era a primeira vez de fato que ela ouvia sobre várias coisas em relação ao Continente sem Reino, antes tido pela garota como um lugar meramente selvagem. Apesar de o próprio mago da capa negra concordar que seu continente de origem está muito distante da civilização, Andalúcia mudou suas opiniões.


Recebia o pagamento do jovem pelos dreads e o via partir enquanto percebia o quanto ela se correspondia com ele e sua longa e curiosa história. Mesmo sabendo que eram terras difíceis, a maga passou o resto do dia imaginando como seria se ela tivesse nascido por lá.

28 de Setembro de 2018 às 17:06 0 Denunciar Insira 0
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Guilherme Schonhardt trapstar bebedor de lean sonhador

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