Paixão Católica Seguir história

twogros Daniel Martins

Mia tem que lidar com o drama diário de uma mãe enferma e, agora, uma paixão platônica por um padre.


Conto Para maiores de 18 apenas.

#drama #angst #conto #pirlimpimpim #mula-sem-cabeça
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Capítulo Único


Essa história é para o desafio Inkspired #pirlimpimpim e inspirada na Mula Sem Cabeça, espero que gostem! <3





Boca da noite, as ruas mais vazias e geladas, uma brisa leve soprou seus cabelos loiros e sedosos, que embaraçaram com o vento. As luzes dos postes já começaram a se acender, mordia os lábios de nervosismo enquanto se aproximava do destino. Nunca havia ido lá, nem pretendia, foi praticamente levada a força pela mãe.

O quarterão seguinte já havia mais pessoas, estava na rua de uma feirinha que abria todos os sábados pela manhã. Ficava até que horas? Umas 17? Não lembrava. A moça era nova na cidade.

Avistou a estrutura, já modesta e acanhada, suas paredes brancas desbotadas e uma garagem que parecia vazia. Não era hoje o dia de culto? O portão não estava trancado, então decidiu entrar.

Hm...olá? Tem alguém aí? ─ perguntou enquanto andava pelo local que transmitia um sossego excêntrico.

Mais à frente, um homem de terno, sentado numa das primeiras fileiras e encarando o palco. Encurtou os passos e ao se aproximar, o cumprimentou.

Ah, indelicadeza minha. Meu nome é Josef. ─ aparentava ser novo, seu cabelo era curto e tinha os olhos um pouco cansados, devia estar ali há um tempo ─ Sou o padre. Como se chama?

Mia, me chamo Mia. Incomoda se eu sentar?

Imagina! Fique à vontade.

Ajeitou o vestido e se sentou, curiosa em saber o porquê da igreja estar tão vazia naquele período. Ele explicou, fingindo entender cada palavra exótica que ele dizia. Ficaram um tempo ali, foi bom, já que aprendeu alguns custumes e datas que deveria voltar, sentiu-se extremamente recebida e confortável, certeza que retornaria.



Mãe, a senhora vai ficar bem? A empregada já está chegando, se bem que eu deveria espe...

Filh..a pode ir ─ falou, com dificuldade, sua mãe já era idosa e tinha medo que algo acontecesse, mas se demorasse mais um pouco, se atrasaria para o culto ─ Se você estiver feliz, estou feliz.

Amava o sorriso de sua mãe, como ela era tão frágil mas conseguia ser tão, tão forte. Abraçou a mãe na cadeira de balanço e ficou ali mesmo, esfregando a cabeça na bochecha fria da senhora.

Eu te amo tanto, mãe. ─ disse, soluçando um pouco, pois ela sabia o que aconteceria em breve ─ Ainda gosta de waffles, senhorita? Posso fazer alguns. Seu médico irá me matar, mas vale a pena.

Ajeitou seus cabelos grisalhos e deu uma risadinha baixa, sentando-se confortavelmente na cadeira que fazia barulho metálico toda vez que mexia.



Padre...─ estava ofegante, foi uma corrida e tanto para chegar até ali rapidamente, mas conseguiu. Na verdade, depende a definição de ''conseguir'', já que as últimas pessoas já estavam se retirando.

Mia? Creio que chegou um pouco atrasada....─ ele a recebeu com um sorriso de canto, estranhou um pouco, já que esperava por um sermão.

Minha mãe não está muito sadia...resolvi fazer uma comida pra ela e me atrasei, por favor...me desculpe, de coração. ─ disse pausadamente enquanto tentava recuperar o fôlego.

Querida, não há nada de errado em passar um tempo com sua mãe. Depois de amanhã terá culto novamente, poderá comparecer.

Padre Josef, pode me passar seu número? Não sei se lembrarei e...

Antes que pudesse terminar, ele tirou uma nota fiscal do bolso e uma caneta de outro, e começou a escrever.

Aqui está! Caso esqueça qualquer coisa, pode me ligar.

Ela sorriu como agradecimento e ofereceu ajuda para limpar a igreja. Ele aceitou, e os dois ficaram ali, passando pano nos bancos, limpando banheiros e o chão.

Ao terminarem com bastante suor, se despediram e voltaram para suas casas, a pé.




O dia começou nublado, fazia mais frio lá fora e tinha acabado de recolher as roupas do varal, pois a garoa começou a cair. Os vira-latas se escondiam embaixo das árvores ou corriam para a floresta, que ficava perto de casa.

Começou abrindo as cortinas da casa, colocando a mesa e arrumando o quarto, subiu para o quarto da mãe e a acordou, com delicadeza e como sempre havia feito.

Ao menos, era isso que era para ter acontecido.

Continuou parada, imóvel na cama, não movia um músculo, não abria os olhos, não se mexia, não falava, não respirava. Sim, sua mãe estava morta, estirada na cama, sua pele agora mais fria que antes. Mia deixou escapar uma lágrima. Duas, três, deu um grito de dor, se ajoelhou no chão e berrava ─ MÃE! MÃE! MÃE! Eu te amava tanto mãe! Por favor, volte, por favor mãe...

Já tinha quebrado três ossos, grampeado o dedo, pisado num prego e até mesmo quase perdeu a mão, mas nunca sentiu uma dor tão grave e intensa....sua alma tinha morrido.

Segurou o cadáver e esperneou, bateu na cama e chorou, chorou como nunca. Nem mesmo na morte de seu pai havia chorado tanto, tanto, tanto...

Pegou o celular e correu para o quarto, tropeçando e soluçando, pegou uma nota fiscal de compra de uma comida japonesa e discou o número que lá havia.

─ Josef, Josef, minha mãe...por favor, Josef, por favor, venha prá cá.

A chuva cessou, o silêncio obscuro tomou conta da linha, ele mal tinha atendido o telefone.

─ Mia? Mia, o que aconteceu? Você está bem?

─ Minha mãe...─ caía lentamente no chão, escorregando pela cama ─ Eu acho que minha mãe morreu... 

─ Eu vou chamar uma ambulância, Mia. Onde você mora?

Implorou e gritou no telefone para que não ligasse para ambulância nenhuma, não queria a companhia de ninguém, se não a do padre. Passou o endereço de sua casa soluçando, desligou e deitou-se no chão, esperando...

Sete minutos e a porta rangeu, escutou a voz dele...ele...

Se levantou e correu, desceu as escadas e, com lágrimas nos olhos, abraçou o padre. Um abraço quente e agradável...não conseguia falar, só chorar.

─ Mia, vai ficar tudo bem...eu estou aqui. Vamos ligar para a ambulância?

Naquele momento, seu coração queria explodir...sentia algo tão estranho na barriga, no peito...ficava tão bem perto dele....sim, não queria admitir, mas se entregou. Estava apaixonada por um padre.

''Você pecou, garota. Sua mãe está morta e você, pensando em dar um beijo em um PADRE? Você é patética e, agora, você é minha.'' 

Aquela voz estranha tomou conta de sua cabeça e sentiu seu corpo explodir, dando um grito de dor.

Seus braços e pernas esticavam rigidamente, fazendo barulho de ossos quebrando. A mulher se retorcia. Sua coluna fez alguns cracks e se esticou, fazendo soltar mais um grito. Se tornou uma criatura curvada, quadrúpede, pelo começou a surgir em seu corpo e seu rosto foi sugado, desaparecendo completamente. No lugar, uma labareda de fogo. Já não era mais humana.

O padre nunca tinha visto aquilo em sua vida, mas uma oração não adiantava agora. Ele se ajoelhou e com os olhos arregalados, não sabia o que fazer. Foi atropelado pela criatura que se movia descontroladamente, pisado pelos cascos. Viu que a casa estava em chamas, e que ali, seria seu destino, seu fim. Estava preso com aquela mulher.

19 de Setembro de 2018 às 00:26 4 Denunciar Insira 4
Fim

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Olá! Primeiro de tudo, queremos nos desculpar pelo atraso no comentário e garantir que faremos o possível para que isso não se repita. Que fim trágico tem essa personagem principal, né? Se apaixonar pelo padre, perder a mãe e ainda se transformar em uma mula que destrói tudo por onde passa… Não era de se esperar que ela acabasse matando o padre e a isso foi muito surpreendente. Você trabalhou bem a sua lenda e ambientalizou bem a história, mas acreditamos que você deixou algumas coisas passarem. Por exemplo, na lenda é dito que uma mulher vira a mula sem cabeça quando tem envolvimento romântico com um padre a sua personagem está apaixonada, mas isso parece ser um amor unilateral sem nenhum envolvimento fora do normal, então temos uma brecha aí. Ao todo, você manteve a essência da lenda e soube trabalhar com ela, foi algo gostoso de ler. Sugerimos que você dê uma revisada mais minuciosa na história, pois ela tem alguns erros de pontuação, mas não é nada que atrapalhe a leitura. Parabéns por ter cumprido e desafio e obrigada por compartilhar a sua história com a gente. Até a próxima! <3
22 de Fevereiro de 2019 às 11:14
Sr.  Artie Sr. Artie
Eu tô em choque pela morte do padre ainda mdsss e que morte horrível. E o pior é que o coitado não tinha feito nada de errado aaaa Parabéns pela história
25 de Setembro de 2018 às 07:30
Yasu Wada Yasu Wada
Coitado do padre, teve uma morte horrível! A sua história ficou incrível!
21 de Setembro de 2018 às 18:05
Crytter Crytter
Gente! Amei essa história! E tadinho do padre, morreu sendo que ele só tava fazendo a parte dele de se preocupar com as pessoas! Achei ótimo isso de como alguém vira a mula sem cabeça!
19 de Setembro de 2018 às 10:38
~