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kalinebogard Kaline Bogard

Nem todo conto é de Fadas. Nem todas as prisões são feitas de grades, todos sabem disso, ou pelo menos deveriam. Porém, o que talvez nem todos saibam, é que o amor é, de longe, a mais cruel de todas elas...


Fanfiction Livros Todo o público.

#yaoi #lemon #slash #maldição #Coleira #linguagemimpropria #violência #estupro #NonCon #rape #bdsm #drarry #Draco #harry
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Situações Inesperadas

Notas do autor:

Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens e situações criadas e pertencidas a J.K. Rowling, várias editoras e Warner Bros. Não há nenhum lucro, nem violação de direitos autorais ou marca registrada.

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ATENÇÃO: EM ALGUNS SITES ESSA FANFIC ESTÁ POSTADA POR "FELTON BLACKTHORN" QUE É O NOME DO MEU FAKE.


Crawling

Situações Inesperadas


Tooku Tooku omoi hatenaku

(Distante, muito distante nossos sentimentos...)
Futari ga mujaki ni waratteta
(...estão adormecidos. Se ao menos pudéssemos voltar)
Ano koro ni modoreru nara...
(Àquele tempo em que sorriamos inocentemente...)


Draco Malfoy podia azarar alguém naquele momento. Ok, ele queria azarar, mas não poderia. Não estragaria aquela chance por nada do mundo bruxo. Ele seria outra vez paciente e faria o seu papel. Continuaria esperando.

Mesmo que esperar fosse indigno para um Malfoy.

Os olhos cinzentos vasculharam a floresta meio sombria com uma mínima esperança de que seu parceiro na missão resolvesse dar o ar graça e eles pudessem finalizar logo aquela merda toda.

Mas não. O desgraçado fazia questão de se atrasar sempre, apenas para provocar Malfoy, sabendo que o loiro só não explodia a duras penas. Apenas se segurava porque muita coisa estava em jogo.

Seria a terceira missão que fariam juntos. As duas anteriores haviam sido tão bem sucedidas que ninguém no Ministério cogitara separá-los.

“Claro... eles querem me ver enlouquecer... é a única explicação”.

Draco esfregou os olhos e suspirou pela enésima vez. A missão seria fácil. Só tinham que entrar naquele pub e investigá-lo, sondar as pessoas que o freqüentavam, começar a buscar os suspeitos de algumas mortes sem explicações que estavam acontecendo ultimamente. O loiro queria acabar com aquilo e voltar logo pra casa, pra ver como sua mãe estava.

Tinha tanta coisa pra resolver... Os advogados que não davam trégua, as visitas à St. Mungo... Mas não, por causa do ex-Gryffindor precisava desperdiçar seu escasso tempo e esperar.

— Maldição.

Começou seriamente a considerar a opção de abandonar a missão. Que se danasse!

Depois ele inventaria uma desculpa: podia dizer que passara mal, ou que recebera um chamado urgente da Mansão... Draco nunca falhara desde que aceitara o trato humilhante. Não seria imperdoável se falhasse agora.

Tentando se convencer com esse argumento, o ex-Slytherin preparou-se para desaparatar, quando ouviu sons de passos, e um característico cheiro de tabaco Leprechaun chegou às suas narinas. O infeliz de seu parceiro havia chegado.

— Finalmente, Weasley.

Ronald Weasley sorriu diante do tom irritado e ofendido. Tragou profundamente o cigarro e soprou a fumaça para o alto.

— Esperou muito, Malfoy?

— Não. Acabei de chegar. - mentiu mantendo uma expressão de enfado.

— Então porque reclamou? - Ron hesitou. Nunca ficava muito seguro na presença do ex-Slytherin. Por mais que a situação estivesse a seu favor.

— Não seja imbecil. Vamos resolver logo essa droga. Só precisamos entrar no maldito pub.

— Se fosse tão simples não teriam nos dado a missão. Sabemos que o Libertinus fica protegido por inúmeros feitiços. Não é qualquer um que pode entrar ali e Luna falhou tentando...

Draco segurou-se para não rir. Sabia que a loira paranóica estava internada em St. Mungo vítima de tantas azarações que provavelmente precisaria de muitos meses para se livrar dos feitiços. Isso se os Curandeiros conseguissem identificar todos...

Bem feito pra ela. Quem mandara se meter em uma missão tão delicada?

— Pra ajudar não temos muitas informações que nos ajudem no caso, sabemos apenas que uma barreira protetora envolve o Libertinus, e o que quer que aconteça num raio de aproximadamente cinco metros é invisível a quem assiste de fora.

Draco balançou a cabeça concordando. Havia um trato silencioso entre ele e o ruivo desde o primeiro encontro em que foram oficialmente avisados de que seriam parceiros, a mais ou menos um ano atrás. Ah, Draco ainda tinha algumas marcas em seu corpo para lembrá-lo daquele dia. E o ex-Slytherin sabia que Weasley também tinha um bom número de cicatrizes...

Fora um dia tenso, pesado... Draco não se recordava quem começara primeiro: se Weasley com as alfinetadas a seu pai e sua mãe; ou o próprio Draco, debochando da irmã e dos irmãos do ruivo.

Também não se recordava quem sacara a varinha primeiro e lançara a primeira azaração. Só se lembrava das conseqüências: oito dias em St. Mungo, em quartos muito longe um do outro. Depois da recuperação: uma suspensão para o ruivo, já Auror na época; e uma advertência verbal para Draco, recém admitido no departamento.

“Foi sua última chance, Malfoy. Esteja avisado.”

Maravilha. Pelo menos ambos haviam parado de se provocar depois daquele dia. Ronald não mencionava seus pais. Draco não mencionava a irmã e os dois irmãos de Ronald. Pelo menos durante as missões. E fora das missões eles não tinham contato.

Apesar dos contras, a missão fora um sucesso, e a fórmula repetida uma segunda vez. E agora, uma terceira, que parecia mais fácil que as anteriores. Apenas parecia, porque Luna Lovegood não seria descoberta em uma missão rotineira. Apesar de meio louca (Draco a achava louca e meio) era uma boa Auror...

— Vai ser uma investida as cegas... - Ron resmungou jogando o cigarro fora. - Aqueles babacas do departamento não nos deram nem uma pista boa.

— É por isso que estamos aqui, Weasley. Para descobrir essa pista.

Ron resmungou algo que Draco não entendeu, fazendo o loiro torcer os lábios. Maldita raça Weasley.

— Podemos apenas começar isso de uma vez?

— Claro. Quanto antes melhor. Nosso disfarce? Vamos chegar juntos como amigos ou separados? Seria mais verossímil, afinal fingir amizade não é com a gente.

— Wow, Weasley. Aprendendo a falar que nem gente?

— Porque você não morre, Malfoy? - Ron resmungou com os dentes cerrados.

— E fazer você feliz? De jeito nenhum. Mas vamos chegar juntos. Não aconselho a agir cada um por si depois do que aconteceu com Lovegood. Eles devem estar mais precavidos, e é melhor mantermos a cobertura.

— Sei. Vou tentar fingir que sou seu amigo.

— O sacrifício será imensurável pra mim também. Oh, você conhece essa palavra? Imensurável? Ou quer que eu explique pra você?

— Ande logo de uma vez, Comen... - Ron não completou a ofensa. Sabia muito bem que o ato de agredir aquele loiro os levaria a uma briga talvez pior. Quando fora suspenso na vez anterior recebera um ultimato: mais uma explosão de seu gênio incontrolável e estaria na rua. O departamento não precisava de um Auror Cabeça Quente. Undo Smith fora muito claro nisso.

Draco estreitou os olhos sabendo bem o que Ronald queria dizer. Se o maldito ruivo abrisse aquele bocão pra ofendê-lo, as coisas iam ficar pretas. E Draco não estava nem ligando pro fato de ser sua última chance. Não levaria mais um desaforo pra casa. Não daquela vez.

Porém visivelmente a contra gosto Ron calou-se. Guardou o xingo para si e fez um sinal com a cabeça.

— O pub fica naquela direção, em uma pequena clareira. Existe uma barreira mágica em volta, por isso só veremos a construção real quando a atravessarmos. Esteja preparado para tudo, Malfoy.

Draco fez um bico e concordou em silêncio. Não tinha certeza de poder abrir a boca sem deixar seu caráter falar mais alto. Se o ex-Gryffindor podia se controlar, então ele também faria um esforço supremo.

Caminharam lado a lado através das árvores. Draco ia se perguntando quem gostaria de construir um pub no meio daquele mato horroroso, e o pior: que tipo de pessoa se prestaria a freqüentá-lo? Com certeza os piores tipos.

Não era de se duvidar que crimes fossem cometidos em um lugar tão afastado e escondido dos olhos de todos.

Alguns metros depois, puderam sentir um foco forte de magia. Com certeza era a tal barreira protetora erguida ao redor do pub. Cheios de precaução, aproximaram-se se mantendo ainda escondidos atrás das árvores.

Viram uma pequena clareira num plano mais baixo, porque o terreno se declinava naquela direção. No centro da clareira havia uma casinha minúscula que não deveria ter mais do que três cômodos e estava toda às escuras. Estava em tal estado de destruição que provavelmente ninguém que a visse se atreveria a se aproximar.

— Bom disfarce.

— Com certeza.

Ambos os Aurors sabiam que o que viam não condizia com a realidade. Seus olhos eram enganados por causa da magia usada na barreira de proteção. Os donos do Libertinus não queriam que nenhum desavisado se aproximasse do local.

— Vamos acabar com isso. - Ron exclamou e avançou destemido. Draco rolou os olhos e seguiu o parceiro.

Deram alguns passos e então aconteceu. Atravessaram a barreira invisível que protegia o Libertinus.

A primeira coisa que Draco sentiu ao atravessar a barreira foi tontura. Aquilo não era apenas uma forma de proteção... Era uma espécie de Chave de Portal. Muito provavelmente eles não estavam mais no bosque em Londres, e sim em um outro lugar qualquer!

Voltou os olhos cinzentos para Ron e percebeu que o ruivo também sentira aquilo. O rosto do mais alto estava pálido e ele parecia prestes a enjoar. Haviam com certeza viajado uma grande distância em pouquíssimo tempo, por isso os distúrbios em seus corpos.

Quem conjurara aquela barreira devia ser um gênio!

Respirando fundo, Draco observou o pub. Ainda parecia pequeno, mas nem de longe se mostrava em um ruim estado de conservação. Era uma casa nova, e havia luz escapando pelas janelas. Não podiam ouvir sons, mas isso com certeza devia ser graças a algum feitiço que impedia a saída da música.

Com precauções dobradas, os jovens Aurors avançaram enquanto tentavam se recuperar da viagem forçada. Tinham que agir como se já soubessem daquilo, caso alguém estivesse lhes vigiando.

E acertaram em cheio.

Pouco antes de chegarem à única porta visível, que parecia trancada, um bruxo surgiu quase do nada. Era muito alto e forte, tinha aparência hostil. Os olhos eram grandes e castanhos assim como os cabelos curtos. Tinha barba cerrada escura.

O mais intimidador era a varinha que já trazia apontada para Draco e Ron.

— Convites. - intimou numa voz trovejante.

Com muito custo os jovens bruxos evitaram se entreolhar. Convites? Não sabiam nada sobre aquilo.

— Não trouxemos. - Draco testou sua melhor postura Malfoy, usando o tom mais arrastado e esnobe que conseguiu. Tentou transmitir uma segurança que definitivamente não sentia.

O grandalhão piscou contrariado parecendo indeciso sobre o que fazer.

— Eu não preciso de convite. - Malfoy entrou em ação outra vez, sem dar tempo do porteiro pensar.

— Todos precisam de convite.

Opa! Bola fora. Draco reconsiderou a estratégia. Aquele bruxo fora condicionado a não deixar ninguém que não tivesse convite passar. Mas que merda. Talvez fosse melhor dar o fora dali enquanto estavam em vantagem.

Certo. Mas antes de bater em retirada... uma última tentativa...

— Ele não me disse que devíamos trazer convites! - reclamou num tom ofendido.

Ron lançou-lhe um olhar de ‘quem é esse maldito ele?’. Draco respondeu-lhe com um olhar de ‘não faço idéia, seu imbecil! Não vê que acabei de improvisar?’.

O bruxo vigilante franziu as sobrancelhas mais confuso do que nunca. Ia responder quando uma outra pessoa aparatou ao lado deles.

— Torrance? Malfoy? Ron? O que está acontecendo aqui?

Draco abriu a boca e nem se preocupou em esconder o espanto. Quem aparatara fora nada menos do que Harry Potter, O Bastardo Que Venceu... então o Garoto de Ouro do Ministério freqüentava aquele tipo de lugar? Wow.

Ron não pareceu menos surpreso. Os olhos arregalados foram a prova substancial da estupefação do ruivo. Nunca imaginaria encontrar seu amigo ali no Libertinus, aparatando ao invés de atravessar a barreira. O que aquilo significava?

Se Potter espantou-se com a presença deles não demonstrou. Camuflou tão perfeitamente sua reação que acabou dando uma idéia a Draco. O loiro adiantou-se um passo e apoiou as mãos no quadril colocando no rosto a expressão mais ofendida que conseguiu, enquanto se esforçava para não reparar o quanto aquela roupa escura e um tanto justa caía muito bem no ex-Gryffindor.

— Está atrasado, Potter!

Agora Ron parecia prestes a desmaiar, Harry ergueu as sobrancelhas e Torrance fungou resmungando.

— Ah, estavam falando de Harry Potter. O senhor convidou esses dois?

Harry balançou a cabeça concordando lentamente, sem desviar os olhos de Malfoy nem por um segundo.

— Mas você conhece as regras, garoto! - Torrance se aborreceu.

— Pensei que pudesse quebrar esse galho, Al. - Harry abriu aquele sorriso que Draco sempre achava lhe dar um ar imbecil e ajeitou os óculos sobre o nariz.

— Não. - Al Torrance empalideceu. - Quebro galhos, não regras. E a principal lei deste pub é: sem convite não entra. A não ser que o senhor Potter finalmente vá gastar seu Bem de Direito e convidar a um deles. Mas apenas um.

— Claro que Potter vai gastar esse... Bem de Direito. Eu vou entrar com ele.

Draco viu ali a oportunidade de ter acesso ao Libertinus. Provavelmente aquele bruxo grandalhão não os deixaria entrar sem o maldito convite, pois não estava cedendo nem a Harry Potter, e todos cediam ao Garoto Que Venceu... Depois que estivesse lá dentro e conseguisse iniciar sua missão, interrogaria Potter e descobriria porque o Garoto de Ouro do Ministério freqüentava um pub que possivelmente servia de palco para misteriosos assassinatos...

Harry considerou por um segundo. Olhou de Ron para Draco como se os avaliasse tentando se decidir por algo. Então ele sorriu de lado, de uma forma que Draco não se lembrava de ter visto, mas que Ron conhecia muito bem: sempre que se deparava com um desafio Harry sorria assim.

— Rony, obrigado por ter acompanhado... Draco até aqui. - o loiro fez uma careta, mas ficou quieto. Estavam fingindo ser amigos então não podia brigar porque o outro usara seu primeiro nome - Pode ir embora agora. Não vai conseguir desaparatar por causa da barreira, apenas os que têm o Bem de Direito ou os que têm o Único Dever podem aparatar e desaparatar aqui.

— Harry...

O ruivo não parecia disposto a deixar seu parceiro ali. Por mais que detestasse Malfoy não podia abandonar o loiro sozinho no meio de uma missão. Mesmo que o deixasse com Harry. Seu amigo não era Auror. Não freqüentara a escola preparatória, fato que fazia sua presença ali ainda mais suspeita.

Porém Harry Potter lhe lançou um olhar significativo. Era como se soubesse o que se passava.

Suspirando resignado Ron cedeu. Harry nunca lhe decepcionara antes. Mesmo que se arriscasse e se metesse em encrencas. Afinal era Harry Potter, e com o Garoto Que Venceu tudo dava certo no final.

— Volte pela barreira, pelo mesmo trecho que atravessou. Cada parte da barreira serve de Chave de Portal para um lugar diferente. Se cruzá-la com alguns centímetros de diferença pode ir parar até no Canadá...

— Ok. - Ron camuflou a surpresa bem. Harry era realmente muito informado quanto àquele lugar. Se ele fosse um Auror não teriam problemas com as missões. Talvez devesse tentar convencê-lo mais uma vez... - A gente se fala depois, ok?

Harry assentiu. Sabia que aquela pergunta era mais profunda do que podia parecer. Ron ficara intrigado com sua presença ali. Situação muito divertida.

— Muito bem, senhor Potter. - Torrance respirou ruidosamente assim que teve certeza de que Ron atravessara a barreira. Depois lançou um olhar examinador para Draco, avaliando-o de alto a baixo. O loiro teve que se segurar para não gritar umas ofensas praquele grandalhão abusado. Quando acabou a longa observação, Al voltou-se para Harry e deu uma risadinha estranha - Sei. O senhor Potter me deixa desconcertado. Pensei que gostasse de sossego e certas facilidades...

— E onde estaria a graça, Al? Porque estragar a brincadeira?

— He... Mas algumas brincadeiras machucam, não é? Se gosta mesmo disso... Ensinou as regras ao senhor...?

Draco sentia que estava perdendo algo importante. Claro que não gostou da troca de palavras entre Potter e Torrance. Aquilo obviamente tinha um sentido oculto e o envolvia, o que era mais irritante. Só não retrucou porque não podia estragar tudo. Estava muito perto de se infiltrar no pub...

— Este é Draco Malfoy.

— Oho... - Torrance Gracejou. - Então o senhor Potter vai usar seu Bem de Direito em um Malfoy? Merlin me amaldiçoe! Eu nunca imaginei viver para ver esse dia... O dia em que um Malfoy aceitaria o Único Dever...

— E o que é isso? - Malfoy perguntou aborrecido. Odiava ignorar as coisas.

— Eu sabia! Potter, você não explicou tudo para ele, não é? Era demais acreditar que alguém assim aceitasse as regras tão passivamente.

Harry riu ao ouvir Torrance. Ele sabia que o ex-Slytherin surtaria ao descobrir no que se metera, mas o moreno não ignorava que Draco era um Auror, como era recém formado e o Ministério mantinha esse fato meio encoberto, Torrance e a maioria da comunidade ainda bruxa ainda não descobrira.

Era hora de colocar as cartas na mesa. Ajudaria o loiro a entrar no pub e facilitaria sua missão, e em troca, se divertiria um pouco a custa do antigo inimigo de escola.

— Ora, Torrance. Draco quer muito entrar na brincadeira e conhecer Libertinus, não é?

— Sim. - Draco lhe enviou um sorriso muito amarelo. Recusava-se a chamá-lo de Harry.

— Bem, se quer tanto assim entrar vai ter que aceitar as regras. As aceita?

— Sem as conhecer? - Draco questionou aborrecido e irritado. Estava perdendo a paciência com tanta palhaçada e tanto rodeio. Se continuasse assim quando conseguisse entrar a noite estaria no fim!

— Sim, Draco.— Harry lhe enviou um olhar significativo. - É o que acontece com a maioria das pessoas: vêm ao Libertinus sem conhecer as regras.

O loiro estreitou os olhos. Harry Potter estava lhe dando uma dica sobre sua investigação? Grande Merlin, aquele ex-Gryffindor sabia de alguma coisa!

— Aceito! Aceito logo essas malditas regras, agora nos deixe entrar de uma vez!

Torrance sorriu e acenou com a cabeça.

— Ótimo. Malfoy aceitou as regras. - ergueu a varinha que ainda mantinha na mão e aproximou-se de Harry.

O moreno foi dobrando a manga da camisa preta até o meio do braço. A primeira coisa que Draco percebeu foi que Harry devia estar malhando, porque estava muito forte! Evitando aprofundar-se na questão, cortou seu pensamento ao notar um fino bracelete negro preso mais ou menos dois dedos acima do cotovelo do ex-Gryffindor.

— Nudare Bracelete! - exclamou o grandalhão encostando sua varinha no bracelete.

A jóia brilhou e começou a mudar de cor. De preto passou a vermelho intenso, e vários olhos estilizados surgiram por toda a sua extensão. Eram contornados em dourado, parecendo de ouro.

Torrance observou o bracelete e balançou a cabeça, visivelmente mais do que satisfeito.

— O Olho Dourado. É difícil ver um bracelete assim. Nesses anos todos em que trabalho no Libertinus encontrei apenas dois Dominadores que criaram um Olho, um era branco e o outro era azul. Será um Mestre inigualável, senhor Potter.

Draco quase engasgou com ar. ‘Dominador’? ‘Mestre’? Mas em que merda estava se metendo?

Não teve tempo de continuar pensando. Torrance apontou a varinha em sua direção e exclamou:

— Dual!

Draco sentiu uma tontura e falta de ar. Suas pernas se dobraram e ele caiu de joelhos no chão. Sua respiração ficou rápida, e o loiro lutou para não perder o foco das coisas. Por muito pouco não desabou de vez.

Torrance e Harry se entreolharam.

— Senhor Potter. Encontrou um páreo duro. Em todos esses anos, é a primeira vez que aplico um Dual em um Submisso e ele não desmaia.

Por puro instinto Draco levou as mãos ao pescoço. Chocado, sentiu algo macio como seda e estreito como o bracelete de Potter envolvendo seu pescoço. Havia formas em alto-relevo, formas semelhantes a olhos...

Imediatamente lúcido Draco pôs-se em pé de um salto e lançou adagas com o olhar na direção do ex-Gryffindor:

— O que significa essa coleira? Tire-a de mim imediatamente ou vai se arrepender, Potter!

Torrance pareceu se divertir imensamente diante da cena. E foi o grandalhão que respondeu, ao mesmo tempo em que a porta do Libertinus se abria, como se fosse destrancada por magia:

— Essa ‘coleira’, como fiz, é o que garante o Único Dever. É feito do bracelete que concede o Bem de Direito de um Dominador. Bem vindo ao Libertinus, Malfoy. Esse é um pub para Dominadores e Submissos. Uma pessoa não pode entrar aqui se não tiver o Bracelete ou a Coleira. Você não conhecia as regras, e é um Malfoy... então serei benevolente e quebrarei um galho... Pode tirar essa Coleira, mas não poderá entrar. É você quem decide...

Draco trincou os dentes sentindo a face arder de humilhação. Não sabia o que fazer: continuar com a farsa e passar a noite fingindo que era Submisso de Potter ou mandar a missão à merda e voltar para a segurança da Mansão...


Harry&Draco


Notas finais do capítulo:

O verso do começo da fic é de uma música chamada Undo, um dos encerramentos do anime Full Metal Alchemist que eu acho muito bom.

10 de Setembro de 2018 às 12:17 0 Denunciar Insira 0
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