Dont Take My Crown Seguir história

chou-fly ChouFly ChouFly

Ser um herdeiro de um grande reino congelado pode ser uma tarefa simples, para alguns, mas para um príncipe com um saúde nem um pouco estável isso pode se complicar muito, principalmente, quando não se é como todos sonhavam que seria. Loki não era forte, não era robusto, nada que os outros desejavam de um futuro rei. Talvez por conta desse peso todo que precisou carregar tivesse perdido a vontade de tudo. Será que, mesmo contra, um amor possa solucionar as suas questões, seus problemas?


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At your mercy

   A luz ofuscando seus olhos indicava ser hora de acordar, ela o despertava lentamente. Mesmo que virasse de um lado para o outro não mudava sua ideia do quanto aquele irritante brilho estava determinado a lhe atingir. Rosnou abrindo os olhos verdes como esmeraldas polidas, piscou algumas vezes para se acostumar com a luminosidade no quarto, que afugentou sem dó algum seus sonhos, mesmo assim, a agradeceu por tê-lo acordado. Não poderia reclamar tanto assim, pois já era manhã, quase tarde, sabia que seus servos viriam correndo, desesperados, entrando com falsos semblantes de preocupação para perguntarem se estava bem, se precisava de alguma ajuda, se estava vivo, então, irão adentrar de qualquer forma seu recinto, mesmo dando respostas adequadas e convincentes, para fazerem seus deveres diários. Independente de apenas estar, como qualquer outra pessoa, relaxando num dia frio, não irão relaxar até terem certeza de que estava vivo, ou morto.

   Sentou-se calmamente, viu pelo canto do olho seu reflexo no espelho, notou os cabelos semi-encaracolados desgrenhados. Calçou as pantufas; então, como sempre, escutou delicados sons de batidas sobre o Shoji*, pediam permissão para entrar — a qual elas nem precisavam, pois não tinham verdadeira intenção de o respeitar. — Suspirou e viu as silhuetas de moças jovens mexerem-se atrás dos painéis, as quais deslizam as pequeninas mãos sobre as portas de correr, abrindo-as. Moças virgens, vestidas com Kimonos escandalosamente decorados, entraram acompanhadas de um guarda-real posto ereto em algum canto da sala, que ficava apenas observando silenciosamente caso alguma infelicidade lhe acontecesse.    

   Uma das servas que começou a falar, com uma voz esganiçada exageradamente afinada, chamou sua atenção. Ele não gastava tempo queixando-se daquela garota, pois, como todas as outras vezes, nada adiantaria — além de causar desconforto e difamações sobre o príncipe.

   Ela tentou buscar sua atenção; Quem não tentaria? Ele tinha poder e riqueza nas mãos. — Senhor, pedimos que se levante, por favor. — Comentou, a moça esperava ser notada pelos olhos verde-esmeraldas, derreter-se em meio aquele simplório olhar do seu príncipe, como outra garota sonhadora desejava, mas nada lhe aconteceu. Continuou a falar abertamente, tentando ao máximo seguir o protocolo e reprimir seus desejos carnais. — Hana preparou um banho quente com essência de rosas para você e… — Calou-se.

   Com um gesto rápido, Loki elevou as mãos deixando a barra marrom de pano frouxo dar um certo aspecto de magreza para si. Não escolheu nascer com aquele porte físico, mas não reclamava disso. A menina abaixou a cabeça constrangida voltando para a sua fila com as outras virgens, ajoelhou-se sobre o travesseiro deixando o rosto abalado escondido. Sentia-se humilhada pela interrupção súbita, quebrando, assim, o protocolo — o qual nunca foi cobrado ou, tampouco, existia —, que respeitosamente ela seguia. Ignorou as meninas o fuzilando com olhares, murmurarem xingamentos e se controlarem para não o desafiar, suas vidas dependiam do príncipe. A dor de cabeça, por conta de acordar de repente, parecia mais irritante que os murmúrios.

   Suspirou vendo o guarda abrir as portas do banheiro, entrou e este fechou elas, deixando o guarda aguardando do lado de fora. Tirou o Kimono vendo o corpo, outrora de aparência desnutrida, magro e um pouco definido. Entrou na banheira sentindo o calor da água morna tocar seu corpo sem pudor algum, o cheiro de rosas impregnava-se em suas narinas, penetravam em seus poros, perfumando-o. O vapor carregava suas aflições em longas ondulações para longe da sua mente, sentia-se livre por alguns momentos. Tocou o Shampoo, escolhido meticulosamente por seus servos, o passando por seus cabelos sedosos, esfregando-os com delicadeza, criando grandes espumas que jogaria feito bolhas de sabão de um lado para o outro. Aproveitava cada segundo como se sua liberdade fosse ser roubada de suas mãos assim que saísse daquele banheiro.

   Viu, como sempre, a espuma aos poucos se esvair, como o calor da água, acabando o sorriso sincero desenhado no rosto juvenil de Loki. Ele imergiu o corpo completamente na banheira livrando-se dos restos de sabão em seu corpo. Suas vestes pesadas sobre a pia o acordaram do transe e o colocava outra máscara seria, uma incógnita, para alguns; frescura, para outros; humildade ou pena, dependendo do ponto que se via o seu caso. Vestiu-se desleixadamente abrindo os painéis logo em seguida, espantando o seu guarda sempre atento, o lhe lhe fez revirar os olhos e engolir uma risada divertida, as servas o encararam com um cenho franzido, pois não estava arrumado devidamente. Elas murmuraram brincadeiras cruéis o fazendo mover, finalmente, seu ferino olhar sobre elas, calando-as. As serviçais começaram a desfazer seu obi prateado, retirar sua roupa, despi-lo. Pareciam arrumar ele lentamente com algum propósito escondido, ora ajustavam algum detalhe de suas vestes, ora domesticavam seus cabelos rebeldes e molhados.

   Escutou uma voz familiar comentar às outras. — Ele deveria estar com uma outra roupa, não esta daqui. — Disse simples mostrando outra peça na mãos. — Nosso Senhor o quer na Cerimônia do Chá…

   — Sim, senhora. — Comentou outra desfazendo seu Obi prateado.

   — Mas só será mais tarde. — Murmurou a tal Hana. — Refaça o Obi, senão ele se sujará e nos trará mais trabalho depois.

   — Sim, senhora Hana. — Respondeu arrumando novamente


   Suspirou tencionando os ombros. Suas esferas encaravam com desânimo um pequeno galho de Sakura, que adentrava furtivamente pela janela aberta. Os botões rosados das flores refletiam a luz os dando uma aparência doce. Conseguia perder o fôlego só de imaginar que teria a graça de ver outro desabrochar, desta vez, bem mais próximo de si.

   As virgens se adiantaram o vestindo e solicitando para se ajoelhar, assim poderiam organizar seu cabelo negro com mais facilidade. Penteram com delicadeza usando um pente especialmente feito para ele, finalizaram com pós sobre o seu rosto e cremes para o seu corpo alvo. As servas então se afastaram fazendo uma exagerada reverência. As ignorou saindo do quarto sem esperar o guarda abrir a porta ou segui-lo, tampouco aguardou suas virgens. Caminhou até a sala do pai, seu rei, retiraria explicações sobre aquele recente comportamento que estavam tendo consigo, não era como uma boneca de porcelana prestes a cair e se transformar em cacos minúsculos.

   Seu guarda segurou seu pulso refreando-o, sequer conseguiu ter tempo de chegar à porta do pai. Encarou enojado o homem que estremeceu com o seu olhar, mas tentou não demonstrar qualquer fraqueza ante ao príncipe deixando um semblante fechado, Loki pouco ligou para aquilo. O herdeiro o questionou seco. — O que quer?

   — Príncipe, você não pode sair desta forma. — Respondeu. — Precisa andar acompanhado de suas servas e de mim, senhor. — Loki revirou os olhos para aquela formalidade e deveres que, para si, apenas mostravam o quanto seu pai era possessivo consigo. Então o guarda continuou, delicadamente soltava os pulsos do seu senhor. — Elas não o agradam, fizeram algo que lhe incomodou? — Questionou preocupado.

   Aquela preocupação que quebraram suas barreiras, mesmo que por segundos, o fazendo encarar os orbes do guarda, calado. — Desde quando se importa? — Foi o que seus lábios permitiram que falasse, independente de ser ou não o que desejava dizer, ao menos era um começo para alguém que não respondia nada ou era tão frio quanto seu reino.

   — Não posso me preocupar com o meu príncipe, senhor? — Perguntou ajoelhando-se na frente do jovem herdeiro. Demonstrava naquele ato sua fidelidade para com este, uma ação completamente atípica para Loki acostumado com as formalidades banais de seus servos, os quais apenas se preocupam consigo mesmos por isso se submetiam aos seus caprichos sempre visando as riquezas do rei. — Sou seu guerreiro, alteza, cuide de mim. — Pediu olhando fixamente nos orbes esverdeados, o jovem estava corado e sem qualquer reação, de certo era completamente uma novidade aquela reação.

   O herdeiro estava desconcertado com aquela atitude, uma cena rara e fascinante, ao ponto de seu peito mostrar a respiração acelerada como se estivesse sofrendo de uma gigantesca confusão. Suas mãos suavam, o coração vacilava, porém, não demonstrou aquela face desorientada por tanto tempo revirando os olhos e começando a andar calmamente rumo à shoji de papéis com estampas exuberantes em tons dourado, verde-musgo e um pouco de azul.O guarda lhe seguia com um sorriso satisfeito nos lábios, não acreditou que iria conseguir ser o guarda sortudo “Aquele ficaria responsável pelos cuidados do herdeiro”. Parou de sonhar por segundos, então, viu a silhueta das virgens chegando, haviam andado despreocupadas — não dando importância ao descontento do príncipe. — , apenas suspirou acompanhando o Jotunn.

   Viu guardas de peitoral dourado e com detalhes esverdeados abrirem as grossas portas de madeira, que davam direto para o salão do rei, estes bateram continência e, sem sequer olhar corretamente, voltaram ao seu posto original dando sorrisos maliciosos para as virgens que ousadamente retribuíram escondendo sorrisos atrás de leques abertos, dando piscadelas e mostrando um pouco as curvaturas de seus chamativos corpos.

   Dentro, o rei jazia em seu trono de mármore, numa das mãos segurava uma belíssima taça de vidro cheia de vinho tinto, enquanto deleitava-se do silêncio e do frio trazidos. Estava tudo progredindo como o esperado, desde a comercialização do vinho, o pastoreio, o cultivo de algumas plantas geneticamente modificadas para sobreviverem ao rigoroso inverno, tudo ia bem.

   Suspirou calmo, mas surpreendeu-se ao ver seu filho caminhando à sua frente, com roupas pesadas sobre o corpo delicado e alvo, as moças virgens o seguiam de cabeça baixa, completamente envergonhadas e submissas ao seu poder, enquanto o guarda prestava meticulosamente atenção aos outros presentes. O príncipe parou na sua frente lhe encarando ferozmente, como se exigisse respostas.

   — O que faz tão distante dos seus aposentos, Loki? — Questionou pacientemente, mesmo que sua voz saísse mais seca do que desejava. Não gostaria de brigar com o príncipe naquele momento, mas precisava mostrar sua prepotência.

   O menino franziu o cenho e finalmente falou arrogantemente. — Por qual motivo mandou essas moças? — Apontou para elas com um grande desprezo, as meninas simplesmente encolheram-se envergonhadas. — Não as quero.

   O imperador observou o guarda, talvez seu filho houvesse esquecido de apontar com desgosto para o homem ou achasse aquilo uma atitude banal demais. Suspirando massageou as têmporas um pouco, estava pensando no que iria fazer. Havia escolhido garotas de luxo para satisfazerem os desejos carnais do seu filho, sequer escutou algo, como um simplório beijo chegar aos seus ouvidos. Loki poderia ser muito exigente às vezes, e isso o orgulhava, mas também conseguia o dar nos nervos. — Então suas moças e o seu guarda poderão retornar aos seus respectivos trabalhos e casas. As virgens poderão ser livres para casarem-se com quem desejarem e, se desejarem, podem receber o guarda real do príncipe como uma oferta de pagamento pelas dívidas; O guarda, poderá retornar para o campo de treinamento, assim poderá servir ao nosso reino como um verdadeiro guerreiro e, se assim desejar, poderá casar com uma das virgens e, assim, receber seu pagamento de dívidas. 

   — Comentou calmamente. Não haviam muitas cerimônias em seus atos, era simplesmente direto.

   — Não disse que queria me livrar do guarda, meu Rei. — Falou dando mais um passo. Seus cabelos remexeram-se com o ar frio o fazendo se encolher um pouco em suas próprias roupas e deixando o pai atento com a sua saúde. — Ele fica, elas vão. — Respondeu.

   — Não posso permitir que elas partam assim… Precisam de alguém para as acompanhar e servir como um bom marido, Anthony Stark é um bom homem para elas. — Respondeu esperando alguma reação do filho. Era incomum Loki se opor a alguma ordem sua, principalmente para manter alguém.

   Encarou friamente o herdeiro esperando qualquer movimento, porém, apenas o viu olhar ligeiramente para o guarda e analisar as moças virgens.

   Loki fez um estalo desgostoso com a língua e voltou a olhar para o pai, fitava-o fixamente como se pedisse para este repensar nas palavras antigas, reavaliar as questões, no entanto estava curioso para saber qual seria a reação do seu filho. — Se elas pararem de agir como se eu fosse uma boneca de porcelana prestes a cair e quebrar vou agradecer. — Respondeu simplório, virou-se para a porta deixando seu descontentamento transparecendo.

   As moças virgens abaixaram suas cabeças completamente submissas. O rei sabia que elas desagradaram seu filho, no entanto, aquela nova reação dele o fez agir de uma forma diferenciada. Queria ver até onde iria o seu herdeiro com aquilo. Encarou as moças paralisadas, olhando com rudeza, as esperando se tocarem que deveriam fazer o trabalho delas como servas.

   Viu Loki abrir com violência a porta e atravessa-la. Quase saltou do trono ao ver seu filho fazer aquele esforço todo. Olhou para as garotas, então rudemente falou — Sigam ele, preparem nosso almoço e não o percam de vista. — Elas logo correram para seguirem o príncipe até os aposentos dele.

   Loki continuou a andar sendo acompanhando pelo guarda. Agora sabia o nome dele, Anthony Stark, ou só Tony, não era do mesmo sangue o seu, mas por tornou-se parte dele ao alistar-se para o exército do reino. Virou um corredor, abriu uma porta, escapando do distraído soldado, que se preocupou com o fato de ter o perdido de vista. Loki olhou a janela aberta do cômodo, média a altura — Não era tão alto assim — saltou, pegando num galho grosso, de alguma árvore alheia, que inclinou por conta do seu peso. Tocou no chão e correu para o estábulo sendo assistido pelo guarda que gritava desesperadamente o seu nome. Ignorou indo mais rápido. Colocou a sela em seu cavalo preto e, simplesmente, acomodou-se sobre este. Viu Tony descer rapidamente pela árvore e se aproximar o impedindo de sair pelo mesmo local que usou para entrar, mas Loki, esperto, puxou as rédeas fazendo o cavalo fazendo o cavalo virar na direção de uma janela e pular por ela.

   Não ligava para o problema no qual se meteria depois que retornasse para a sua chata vida de príncipe, apenas queria aproveitar e esfriar sua cabeça. Fez um ruído fazendo o animal parar de andar. Aquelas árvores cobertas de gelo o fascinavam todas as vezes que as olhava, conseguiam sobreviver ao rigoroso inverno que o seu reino trazia todos os anos.    Elas não eram forçadas a serem grandiosas, gloriosas, frontosas nem nada disso, como tanto desejavam que fosse, na verdade, se via como as plantas enroscadas nas frondosas árvores, espinhentas, além de serem espertas, assim as tornando, de uma forma não convencional, mais grande, mais glorioso que os outros. Seus olhos brilharam ao notar uma flor aberta, mesmo no inverno, desceu do cavalo e tateou as pétalas congeladas delicadamente deleitando-se do toque e do aroma doce que a planta liberou suavemente. Caminhou um pouco mais apreciando a paisagem do seu reino, as cascatas congeladas que tiravam o seu fôlego. Gostava do inverno tanto quanto qualquer outra pessoas.

   Ao escurecer, voltou ao seu reino. Entrou no estábulo colocando palha para o seu cavalo comer. Entrou no edifício real fingindo não ter cometido qualquer delito, tampouco preocupado alguém. Seus servos lhe cumprimentaram, enquanto cochichavam asneiras sobre sua pessoa, mesmo assim, fingia não escutar cada palavra que conseguiam dizer sobre si. Suas servas logo lhe seguiram, todas em duas perfeitas filas. Suspirou fingindo não notá-las. Logo avistou Anthony com uma espada na Bainha completamente preocupado? Consigo? Piscou algumas vezes fingindo não enxergar nada daquilo e continuou a seguir o trajeto até o seu quarto.

   — Sabe que quase ferrou comigo? — Sussurrou buscando deixar a conversa apenas entre eles.

   — Por qual motivo eu deveria saber disso?

   — Pois me escolheu. — Respondeu estufando o peito com orgulho.

   — Talvez eu não estivesse pensando muito bem sobre isso. — Comentou. — Não confunda o eu não ter lhe mandado embora com o eu ter lhe escolhido.

   — Mesmo assim, poderia ter me mandando embora e não fez isso. Sou muito grato por isso.

   — Tanto faz.

   — Mas, não saia assim da próxima vez. Ao menos fale que irá fazer isso.

   — Por que eu devera? — Provocou mais um pouco.

   — Seu pai ficou preocupado contigo, meu príncipe.

   Loki parou subitamente, assim, fazendo as virgens se esbarrar umas com as outras. As ignorou em silêncio, ponderava quieto em uma resposta para dar ao soldado. — Ele não se preocupou comigo, pode ter certeza do que eu digo. — Comentou voltando a caminhar.

   — Como assim?

   — Vai compreender algum dia desses o que estou lhe falando. — Ditou abrindo as Shouji’s do seu quarto e sendo seguido pelas suas virgens e um guarda.

   O príncipe lentamente foi retirando as mangas de sua roupa, deixando-as escorrer pelos seus ombros, mostrando as marcas em diversos tons de roxos espalhadas pelo seu corpo. O herdeiro ao olhar cada mancha sorria em puro contentamento, como se tivesse feito algo verdadeiramente fascinante. As virgens, ao ver aquilo, correram pelo cômodo todo buscando algo para passar sobre o corpo do jovem, abriam gaveta por gaveta até encontrarem uma pasta de ervas frescas e passar nas manchas do mesmo.

   Anthony via com tamanha admiração ainda com as palavras martelando em sua cabeça, como não se preocupavam com o príncipe se ele vivia sua vida cheia de luxos assim? Suspirou mantendo a postura ereta enquanto olhava o herdeiro completamente despido. Ele parecia não ligar para as moças, como se não fossem nada além de seres quaisquer o tocando.    Se estivesse na posição do outro teria passado noites e noites com elas, retirando suas castidades. Olhou o garoto de membros tensos encontrar paz num galho de sakura, que adentrava a janela do seu quarto de forma sutil, conseguia ver o reino inteiro daquela abertura, as montanhas congeladas e a floresta de coníferas. Remexeu a cabeça quando notou um olhar vindo do seu príncipe, quando devolveu o ato o outro mudou o foco para qualquer local distante de Anthony.

   Loki entrou no banheiro aproveitando o tempo curto que tinha. Era sufocante ser um príncipe quando todos cobravam dele algo que jamais poderia ser. Seu reino refletia a imagem de quem o reinava e surpreendia-se com o fato de as pessoas conseguirem sobreviver naquele local.

   Doutro lado, Anthony via as garotas cochicharem entre si, resmungavam e jogavam pragas sobre o herdeiro o humilhando por trás, eram pessoas desprezíveis e, aparentemente, ninguém conseguia notar aquilo. Talvez, por conta daquilo Loki as rejeitava. Eram falsas, apenas desejando ser superior. Como irmãs o serviam, mas competiam para terem poder — eliminando a concorrência —. As escutou falar do quão horrível ele era na cama, não as saciava, nem sabia ser delicado, brincavam mentindo que era mesquinho e por isso ninguém o queria. Tossiu as assustando e encarou sério estas, mas elas nem sequer o deram atenção voltando a zombar do príncipe por trás dele. Tony, chateado, abandonou seu posto aproximando-se nas meninas — qual o problemas de vocês? Não conseguem falar de outra coisa sem ser sobre o príncipe?

   — E desde quando alguém liga para aquele mesquinho? — Questionou uma menina de cabelos castanhos. — Ele não se importará de qualquer forma.

   — Por que ele não tirou suas virgindades ainda?

   — Loki nunca teria coragem de fazer algo assim… — Brincou a loiro ao lado tomando um leque e rindo atrás dele. —Um completo fracasso como herdeiro. MInha mãe foi comido pelo rei quando completou dezessete anos e disse que foi uma honra ter sido escolhida para aquilo.

   Tony esboçou desgosto ao escutar aquilo, engoliu a vontade de xingá-las. — Calem a boca. — Falou sério as fazendo estremecer. — São realmente um bando de prostitutas

   — Se desejar alguma delas leve consigo para o seu quarto, não preciso ver você escolhendo nenhuma delas nos meus aposentos. — Resmungou Loki vestindo uma roupa simples de pano. Viu o mesmo fazer um movimento com as mãos mandando as servas se retirarem. Então o herdeiro foi até a janela apreciar a vista deixando Anthony plantado no mesmo local. — Vai continuar me admirando ou virá até aqui, senão pode sair dos meus aposentos como as outras.

   O soldado recuou um pouco assustado, mas logo caminhou até o lado do outro. Viu a deslumbrante visão da cidade com luzes acesas. Mesmo que ela fosse avançada de todas as formas, ainda tinha, por escolha do próprio reino, algumas características de uma cidade antiga. Apoiou as mãos sobre a barra de madeira vendo as mangas da roupa de Loki cobrirem completamente o seu corpo.

   — Quando me falou sobre o seu pai…

   — Se deseja falar dele saia, quero relaxar e apreciar as sakuras.

   — Compreendo. — Resmungou. — Elas são lindas, não?

   — Sim, são. — Ditou Loki respirando fundo a fragrância das flores. — Mais ainda quando vistas de perto, mas as servas não me deixam eu ter uma dessas nem mesmo em bonsai*, por isso, eu as observo de longe.

   — Não pode sair?

   — Há quanto tempo mora aqui, Anthony?

   — Alguns meses, no máximo quase um ano.

   — Então imagino que nunca escutou sobre mim. — Falou deixando um sorriso debochado escapar pelos seus lábios.

   — Eu escutei, alteza.

   Loki nada falou, apenas olhou para os guardas agrupando-se em filas. — Não vai também? — Perguntou estrategicamente.

   — Se o me permitir.

   — Se precisar, não irei o impedir de ir. — Zombou.

   Anthony olhou pela janela e depois olhou para o garoto, ele parecia mais vulnerável, como se estivesse mergulhado em um grande problema interno e lutasse contra ele inutilmente. Suspirou, bateu continência e correu para unir-se aos outros guardas. Já em baixo, olhou para trás, procurava o príncipe, e o achou, porém com um semblante indecifrável. Sorriu, porém o outro já havia saído da janela.

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   Anthony acompanhava as moças, que permaneciam caladas na sua presença, encarando o apetitoso café da manhã real sendo levado até o quarto do príncipe. Havia apenas comido uma barra de cereais no café e seu estômago clamava por uma refeição mais nutritiva como a do herdeiro. Entrou ignorando as cerimônias exageradas que as moças faziam, porém, seus olhos se arregalaram ao entrar e ver o quarto vazio. A cama completamente arrumada como se ninguém tivesse se deitado nela, tudo no exato lugar que na noite anterior. Rosnou irritado e foi em busca de alguém para encontrar o jovem herdeiro.    Retornou ao quarto vendo Loki sorrindo calmamente enquanto as moças estavam nos seus devidos postos. Pasmo, talvez fosse um eufemismo para o que estava sentindo naquele momento, estava mais que surpreso ao vê-lo calmo, vestido e comendo como se não houvesse feito nada de errado. Loki fez um movimento para dispensar as moças.

   — O que estava pensando saindo assim?

   — Você é muito insistente, Stark. — Desconversou. — De todos, você é o único que não voltou para casa na primeira manhã comigo, mas não posso contar isso como uma vitória sua. — Comentou comendo uma uva fresca. — Alguns conseguiram me “aturar” por mais tempo que o comum. — Afirmou. — Porém, você está bastante calmo e determinado, isso me intriga. — Sussurrou para si. Os olhos do guarda vagavam pela comida que tateava sem muita delicadeza. — Quer um pouco? Pode se sentar para comer comigo.

   — Não sabe o quanto lhe desprezo. — Zombou o outro.

   Loki entrou na brincadeira revidando. — Despreza mesmo? — Falou fazendo um arrepio passar pelo guarda. — Eu tomaria um pouco de cuidado com as palavras que usa comigo. Algum dia isso pode lhe causar um sério problema.

   — Sim, Senhor.

   — Agora pode ir, eu quero tomar o meu banho, já esquentei a água. — Afirmou retirando sua roupa sem qualquer pudor.

   Anthony levantou-se rapidamente, saiu do cômodo com alguns bolinhos e frutas na mão. Só então notou a mentira do jovem herdeiro. Ninguém esquentou a água para que ele pudesse tomar banho. Abriu a porta vendo a janela aberta, olhou por ela vendo o príncipe correr rumo ao estábulo. Rosnou indo apressado para o corredor. Era atrapalhado por seus colegas, que vez ou outra queriam conversar com ele. Pegou um cavalo qualquer do estábulo indo buscar o jovem. Agora sabia que seu mundo seria mais complicado cuidando do príncipe que servindo ao exército. Suspirou puxando as rédeas e indo rápido para não perder Loki de vista.

3 de Setembro de 2018 às 12:50 0 Denunciar Insira 1
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