L'allegro Paradiso Seguir história

linest LiNest

"A mente é seu próprio lugar e em si mesma. Pode fazer um Céu do Inferno, um Inferno do Céu. - John Milton". Na inauguração do belo L'allegro Paradiso, um assassinato ocorre e cabe ao detetive Lupin encontrar o culpado, mas e se essa pessoa quiser ser descoberta? (Fanfic escrita para o Desafio Norte e Sul 2018)


Ficção científica Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#fortemente-inspirado-em-Sherlock-Holmes #original #fantasticoink #detetive #policial #steampunk #citações-de-Dante-e-John-Milton #porque-sou-bitch-de-poetas-religiosos #free-simbolismo #slash #Caso-não-esteja-óbvio-a-fic-se-passa-em-Paris
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Verses d'une revanche

▼ NOTAS INICIAIS ▼

O sub-gênero que peguei foi o Steampunk.


Capa feita por mim.


Disclaimer: Essa fic contém muitas menções de versos de Dante e especialmente de John Milton já que a fic existe graças ao Paraíso Perdido.


Avisos: Essa fic contém homoafetividade e um suícidio em uma das cenas, se qualquer um desses assuntos te incomodar, então não leia. O tom machista da é apenas por conta da época, nenhum dos comentários do personagens representam minhas pessoais opiniões.


Também aviso que o texto está meio "arcaico" porque quis ao máximo ambientar conforme a época retratada, mas também tentei manter a leitura fácil e fluída. Espero ter conseguido.


Tenham uma boa leitura~



θθθθθ

27 de Junho – 1897


É gozado como versos de populares poetas parecem nos perseguir até os dias atuais, meu caro Dupuy.


“Quanto maior é a sede, maior é o prazer em satisfazê-la. De Dante.” me disseste em nosso terceiro encontro, até então apenas mais uma desagradável confluência na biblioteca da cidade, afinal, eu não o suportava por sua opinião sobre os protestos dos quais fazia questão de engajar-me e não creio que tivestes, tampouco, alguma estima por minha pessoa - não que me surpreendesse se esse fosse o caso. Não são muitos os homens que aceitam a opinião de uma mulher, quanto mais apreciam o gênio forte em uma, mas o senhor sempre soube mascarar muito bem seus reais humores e me questiono ainda hoje se essa característica particular me enoja ou não, mesmo após tudo pelo o que passamos. Um questionamento válido, visto o nosso passado, e a despeito de minha sempre necessidade por objetar a qualquer forma de irresolução, compreendo que há perguntas que não supõem-se serem sanadas. Sua existência em minha vida, talvez, meu querido Dupuy, seja uma delas.


Contudo, minha pertinaz natureza me traz agora para dentro da mais magnífica obra prima que humano algum jamais teve a inspiração de criar; desde seus minuciosos detalhes no piso de porcelanato revestindo os salões ao magnífico sistema da máquina de vapor que alimenta os moinhos e balões que permitiam tal obra, apesar do imenso tamanho, voar nos céus. E oh, Dupuy, quem imaginaria um dia poder contemplar um palácio no ar, mas era possível graças a façanha da construção de uma caldeira que tinha quase o mesmo tamanho da embarcação, ocupando toda a popa do navio protegida do tempo pela construção de aço que cobria toda a máquina, sua estética lembrando a cabine do capitão do navio mesmo que este ocupasse um quarto menor dentro da embarcação onde dava seus comandos; três grandes chaminés no topo da construção eram o escape da fumaça e aliviavam a pressão das engrenagens do motor; válvulas abrindo e fechando e água sendo bombardeada constantemente. Imagine a infernal algazarra de tal monstruosidade, mas novamente admiro a finalidade por detrás desta ideação, pois o silêncio impera nos salões e suítes – mesmo quando em total desempenho do motor – graças às pesadas paredes separando a área familiar das caldeiras, paredes estas uma fusão de diferentes metais e madeiras preenchidas por mantas de borracha que subjugam o som da máquina de vapor. Nunca antes havia presenciado tal engenhosidade e apenas a possibilidade me comove.


Mais fascinante do que a traseira, era a frente da embarcação. A proa e a proa bulbosa afunilam ao ponto de se tornarem quase um bico, sua extensão coberta por ferro revestido com ouro que refletia a luz solar em um show de formidável beleza. Um farol entre as nuvens. Era aqui onde se encontrava a cabine do Capitão e as suítes que abrigariam os tripulantes, quartos suntuosos dignos da casta que os ocuparia. Corredores dourados e quartos reservados para a música e jogos também compunham todo o compartimento dianteiro. Mas confesso que tão deslumbrada quanto estou com todo o esplendor desta embarcação; nada me cativa mais que a belíssima Dôme des Anges, o principal salão do navio, principalmente um salão para baile, mas que transmitia a sensação de um jardim aberto, pois, ao invés de paredes, janelas de vidro de cristal o cercavam cobrindo todo o redor do salão de piso branco; acima, no teto, delicadas pinturas de anjos voando com estrelas douradas em suas costas faziam com que me visse ali no topo, como um deles. Asas abertas no cobalto da noite, assistindo de longe a felicidade.


E era pelas vidraças do Dôme que se tornava possível vislumbrar um milagre, pois era através delas que se contemplava os detalhes por fora da embarcação e assim assistir os mecanismos – que se assemelhavam à rodas em diferentes tamanhos que foram distribuídas uniformemente pelas laterais do navio – em seu pleno funcionamento. É aqui, ó Dupuy, onde se encontra o segredo para a façanha de toda essa composição; a proeza mais extraordinária já realizada nesta década! Pois nas laterais da embarcação se encontram grandes turbinas por onde o vapor entra pelos tubos dentro de seus acoplamentos ao corpo do navio, fazendo com que as pás se desloquem em sentido giratório em uma velocidade inacreditável, criando assim um mini tornado e forçando então o peso do navio para cima graças ao choque do ar quente do vapor contra o ar mais frio. É por conta dessas turbinas que tal anomalia primorosa existia.


Era o futuro da humanidade, um paraíso dentro do milagre do homem. Um paraíso humano. Uma tecnologia completamente inimaginável bem aqui, diante dos olhos mortais. Quão incrível seria ter tal responsabilidade em seus ombros? Ser aquele guiando nossa raça um passo perto do divino. Imagine Dupuy, apenas imagine! Mas ó, quão tola estou sendo. Tenho certeza que tu não precisas imaginar nada, não quando tu és aquele que o nome se encontra ao lado do desse milagre.


L'allegro Paradiso de Dinis Dupuy.

O alegre paraíso de um mentiroso.


Quão catártico deve ser, levar o crédito pelo trabalho de outros? Não posso imaginar, afinal, minha natureza apenas me permite criar aquilo que eu mesma concebo; minha alma não suportaria o contrário. Talvez tenha sido por isso que foi tão fácil para ti roubar a alegria de mim. Ou porventura tenha sido possível graças ao meu gênero, quem sabes.


Apenas lembro-me quando me disse uma vez, após anos de disputas mesquinhas na frente da Universidade Real de Ciências do Vapor – antes que qualquer possibilidade de intimidade entre nós dois existir, mas a válvula do interesse já estava ali aberta – com um sorriso complacente de charmoso divertimento: “Li uma vez, minha cara, em uma obra da qual muito estima, que onde há uma grande vontade de aprender, haverá necessariamente muita discussão, muita escrita, muitas opiniões. Pois as opiniões de homens bons são apenas conhecimento em bruto.”


“Mas não sou um homem, meu caro.” rebati, não permitindo qualquer resquício de diversão transparecer em meu semblante. Você sempre achou divertido quão determinada eu tentava parecer ao resistir à teus encantos, e eu, ingênua, sempre me comovi com a mera perspectiva de ser diferente de todas as outras. Hoje, diante das grandes porta revestidas de ouro que se abrem sozinhas graças às engrenagens escondidas em suas dobradiças de ferro, questiono se a graça da brincadeira estava em quem se enganava sobre enganar um ao outro.


“Mas tampouco és uma dama.” respondestes, admiração em sua voz – ou aquilo que eu acreditava ser admiração, afinal o senhor acabara de casar na época, finalmente assumindo o compromisso com uma mulher escolhida a dedo por teu pai. Claro que me dissera, então, que eu era única. O tipo de mulher que homem algum encontrava na vida e, quando porventura se deparava com ela, não poderia a esquecer. E eu acreditei em ti então, Dupuy. Acreditei em teus sorrisos, teus toques, tua irritante calma, estúpida obediência para com todos, pueril felicidade ao criar e charmosa sagacidade ao discutir comigo. Eu me apaixonei tanto pela ilusão de igualdade ao ponto de me dar à você completamente em troca da promessa que existia na admiração em seu olhar e voz.


Até hoje me pergunto se não foi apenas meu bobo coração nublando minha mente e manipulando meus sentidos ou se alguma verdade existiu entre nós. Mas não, não importa se o passado não foi uma completa farsa, pois vinte oito anos depois tu roubaria meu filho de mim. Cruelmente me convencendo que, com o senhor, teu nome e dinheiro, eu poderia alcançar todos os sonhos postos no meu velho caderno de capa rosa – o primeiro e único presente de minha mãe antes da doença a levar.


Engraçado como, agora que penso sobre o assunto, a perda parece uma constante em minha vida. Perda da figura materna; levando à uma rebelião vigorosa na juventude; perda da confiança no amor – único sentimento nobre que quis acreditar existir diante da podridão do mundo – e perda da alegria de criar com o falecimento da inspiração de ser e fazer mais. E desalenta-me o fato de que há muitos tempo não sonho mais, Dupuy, quando outrora sonhar era tudo o que sabia fazer. Engrenagens de vapor, o conhecimento e o poder de usufruir dele não se sendo permitido apenas o acesso por homens e você. Esses eram os meus sonhos. Cada um foi aos poucos destruídos até que nada restou.


Mas essa noite Hipnos me fez uma visita e me deu um sonho; e nesse sonho, Dupuy, pude ver uma porta, a porta branca do sótão na casa de minha avó em Hampshire. Lembrei-me então, vividamente, de como um refúgio pude fazer ali; um refúgio dos olhares, da dor, encontrado na solidão, a paz.


Me pergunto se você, Dupuy, encontraria essa porta branca ou se precisaria de minha ajuda para guiar-te pelos quadros. Como a cobra que guiou Eva em seu furto, mas desta vez a boa vontade do preceptor. O que me faz questionar, quem é a Eva entre nós?


Embora eu não saiba ainda se sou a serpente ou a pecadora, sei que a morte sou. Sim, sou a morte para ti, Lúcifer. Como amante, assim como a morte foi do Arcanjo Caído, e como Tânato, com o doce veneno que findará tuas mentiras, meu amado Dinis.


A verdade, meu caro Barão, é que não serás tu quem irá ler minhas lamurações, pois quando essa carta chegar à ti, não será em vida. Essas letras são destinadas apenas à mim mesma, pois essa é minha confissão – minha para ter e minha para dar. Não roubarás de mim esse alento Dupuy, mesmo que me tenhas roubado a tudo mais.


Au revoir, mon bien-aimé Dupuy.


No inferno nos encontraremos.



⚙️



— Senhor Lupin. — o jovem rapaz, talvez com não mais do que vinte cinco anos, se dirigiu respeitosamente ao robusto homem em um terno preto que estava parado em frente ao grande palco na Dôme des Anges. Seus cabelos loiros brilhavam na luz da tarde que adentrava as janelas revestindo o recinto, parecendo fios de ouro graças ao contraste das cores; o alaranjar que anunciava o fim do dia era derramado em sua silhueta como se tentasse aquecer tal sucinta figura, mas as sombras pareciam cobrir Lupin mesmo em um ambiente aberto e iluminado. O Caça-Fantasmas de Paris, o jovem oficial o chamou em pensamento, recordando dos boatos entre seus colegas sobre aquele homem e, repentinamente, não desejando interromper o detetive em seu trabalho. Mas coube a ele dar o recado de seu superior. — O Capitão Armstrond requisita sua presença, Senhor.


Com o semblante fechado, Darlan Lupin acenou em resposta. O jovem oficial se despediu com uma continência e Darlan olhou novamente para a cena completamente limpa do crime que, talvez, fosse o maior do século em Paris. Olhou para a simples carta em sua mão; papel branco, de mediana qualidade. Caligrafia delicada feita com uma pena desgastada e usando tinta barata. A carta, sem dúvida, havia sido escrita antes do embarque ao L'allegro Paradiso, a tinta parecendo já bem absorvida pelo papel, provavelmente um dia antes da abertura do porto para a inauguração do grande naviogível, como a engenhoca foi denominada pelos entusiastas da nova tecnologia.


Lupin fez uma careta; se suas conclusões fossem corretas, a pessoa que escreveu a carta teria que ter conhecimento prévio sobre a embarcação. Ter ao menos trabalhado no projeto, o que era impossível já que, alegadamente, L'allegro Paradiso completamente autoral do próprio Dinis Dupuy, um trabalho de uma vida que o Barão Dupuy nunca permitiu o acesso além do de sua equipe a qual já havia sido interrogada, embora a maior parte dos seus membros nem ao menos no país estivessem na data do crime, não houvendo possibilidade do suspeito estar entre eles. Mas então como explicar aquele detalhamento nas palavras do suposto assassino - ou melhor, assassina - além daquilo que a própria acusava Dupuy de fazer: roubar seu trabalho?


Bem, não é como se eu quisesse passar a primavera em Provença, não é mesmo? Lupin zombou reservadamente esfregando o rosto com cansaço, coçando a barba por fazer enquanto relia a carta mais uma vez antes de dobrá-la e guardar no bolso. Ele se virou, indo em direção ao Capitão Murrié Armstrond, um esguio homem de cabelos pretos encaracolados e olhos grandes e assustadoramente azuis sob o nariz avantajado em um rosto fino. O Corvo Azul, era como o chamavam, mas nunca onde seus ouvidos pudessem escutar, afinal, sua alcunha podia ser o corvo, mas suas garras eram como as de uma águia. Afiadas e mortais. Para a sorte de Lupin, Armstrond o ignorava na maioria das vezes em que seus caminhos se cruzavam, facilitando assim seu trabalho e apenas exigindo total sinceridade em suas conclusões sobre os casos. Era uma troca justa, Armstrond lhe dava total liberdade e Lupin fazia seu melhor para não azedar o humor do capitão com divagações inúteis.


Por tudo isso, Lupin já antecipava a reação do capitão.


— Resultados? — Armstrond questionou assim que Lupin ficou ao seu alcance, dispensando os oficiais sob seu serviço com um olhar. Darlan tinha que admitir, a presença do homem era assustadora.


— Poucos. A arma foi veneno, embora ainda seja necessário identificar seu funcionamento no corpo da vítima com o legista antes de apontar possíveis toxinas.


— Como tem tanta certeza que foi envenenamento? — Armstrond questionou, não por discordar de Lupin – ele chegara à mesma conclusão ao ver o corpo da vítima – mas as conclusões do detetive eram sempre úteis quando Armstrond fosse lidar com seus superiores e a maldita imprensa que já estava rondando sua equipe como sarnentas hienas famintas. Sua forma de descrever o caso sendo surpreendentemente crível mesmo quando a situação fosse principalmente ridícula como a morte de 129 pessoas ricas em um bazar beneficiente de roupas de baixo. Armstrond estremeceu ao lembrar do ocorrido, ele esperava não ter que lidar mais uma vez com um circo parecido com o que foi o Bazar de la Charité.


— Além da óbvia falta de sangue e corpo sem qualquer laceração? A vítima vomitou antes de subir ao palco pelos relatos das camareiras, parecendo estar tendo um forte mal-estar uma hora antes do seu discurso. Isso nos leva à conclusão que o envenenamento ocorreu no mesmo dia da morte, não sendo algo administrado gradualmente, como muitas vezes acontece.


— O que descarta o envolvimento da esposa.


— Precisamente. — Lupin respondeu, soltando um bufo. Talvez a Senhora Dupuy fosse inocente sobre o envenenamento, mas Lupin não descartaria seu envolvimento, não com tais revelações pertinentes naquela carta. A desilusão de uma mulher poderia ser fatal. Ao lembrar da carta, Lupin a retirou de seu bolso, a estendendo para Armstrond. — Não há nada que indique o culpado além desta carta. E não acredito que seu conteúdo irá agradá-lo.


Com uma careta, Armstrond desdobrou o papel e se pôs a ler. Era fascinante a rapidez com que a cólera nasceu para então morrer em seu rosto em um piscar de olhos, Lupin conteve a diversão que sentiu, não era realmente engraçado e ele não estava tampouco disposto para lidar com um mal-humorado Armstrond, mas era sempre fascinante assistir os deslizes de um homem tão composto e frio. Emoções não eram o domínio de Murrié, para ele apenas resultados e conclusões importavam, e casos que eram inerentemente pessoais o irritavam profundamente tornando o processo de investigação particularmente satisfatório para Lupin. Só para mim tu mostrará tal reação tão crua, pensou com leve soberba mesmo que pudesse simpatizar com o capitão. Emoções não serviam de nada para Lupin também.


— Quem, em sã consciência, faria tal zombaria de mal gosto? — Armstrond questionou, suas feições já compostas, mas sua voz denunciou a irritação que sentia. — Você não pode estar considerando seriamente essa baboseira.


— O senhor teria outra prova? A carta foi encontrada ao lado da vítima, é uma confissão sobre o envenenamento e descreve perfeitamente detalhes que apenas quem esteve a bordo do L'allegro Paradiso poderia replicar. É o melhor que temos.


— O melhor que temos? É uma carta das lamentações de uma mulher que alega ser a criadora de tudo isso. — Armstrond resmungou com desdém, abrindo o braço como se para englobar toda Dôme des Anges, todo o navio. A carta em um aperto firme de seu punho tremendo no ar com o manuseio brusco. — É calúnia, mentiras para desviar a atenção da minha equipe, mas mais do que isso, é delírio. Eu não esperaria que fosse tão tolo em acreditar em tal loucura. Como pensas que me encararão ao mostrar para meu superior essa boba fantasia?


Lupin soltou um suspiro, fechando os olhos em cansaço. Não dormia havia dois dias e o grasnar de Armstrond se tornava tedioso com a falta de repouso. Ele compreendia de onde vinha a descrença do capitão, o próprio Lupin duvidava da credibilidade daquela confissão, mas na situação atual era a única coisa que ele tinha com o qual poderia trabalhar. Apesar da duvidosa veracidade por detrás dessas acusações, a carta era uma linha da qual Lupin não queria descartar.


— Não duvido que sejam calúnias. — respondeu, mantendo o tom neutro e abrindo os olhos para mirar diretamente nos azuis de Armstrond. Com frieza, continuou: — Mas é tudo que temos. Não estou exigindo sua permissão ou pedindo sua confiança, apenas apresentando aquilo que encontrei, Capitão.


E lá estava, o calor de algo, uma mistura de raiva, desafio e desejo, no gélido azul do corvo. Lupin apertou os punhos atrás das costas, mas manteve sua posição, o rosto não mostrando nada apesar do seu ser reagir de forma avassaladora à presença daquele homem.


Emoções de nada serviam para ambos, mas Deus os perdoe, elas os afetaram da forma mais pecaminosa e jamais desejada por ambos.


Armstrond pigarreou, desviando o olhar de volta para a carta em seu punho, a careta retornando em seu semblante. Lupin aceitou o louro da paz e também tomou aquela oportunidade para se controlar, voltar seu foco ao caso. Ele observou a Dôme des Anges, a luz da tarde desvanecendo lentamente para ceder seu lugar à escuridão da noite, as luminárias no teto que eram alimentadas pela grande caldeira do navio já estavam acesas, dando ao espaço aberto um tom de dourado em contraste com o branco do piso. Lupin, finalmente, percebeu quão celestial o lugar fora projetado para parecer; “(...) um paraíso dentro do milagre do homem. Um paraíso humano.” como fora dito na carta e Lupin se viu concordando com a declaração. A Dôme, e todo o L’allegro Paradiso, passava a sensação de que o próprio Lupin estava voando mesmo quando o L'allegro estava em terra e não em ar. Se distraiu por um segundo com o pensamento antes de ter sua atenção atraída por Armstrond, que lhe devolvia a carta. Ele havia se recomposto, Lupin notou, as portas em seus olhos mais uma vez se encontravam firmementes fechadas.


— Muito bem então, detetive, faça como bem entender. Se quiser perseguir fantasmas, estás livre. — disse, a voz calma e entediada.


— É o que eu faço melhor, capitão. — Lupin respondeu, aceitando o papel com delicadeza. Armstrond zombou, se afastando de Lupin para chamar a atenção da equipe, querendo apenas encerrar aquele dia e voltar para seu modesto quarto no x para começar o relatório daquele caso. Murrié não precisava nem ao menos estar diante da sua escrivaninha, papel e caneta à disposição, para sentir a dor de cabeça o acometer, ela já fez presença agora.


Lupin o observou aumentar a voz para a equipe no local, a voz forte e imponente para um homem que, em primeira vista, não transmitiria a impressão de poder, mas Armstrond era uma dicotomia e Lupin não poderia deixar de se fascinar com aquele fato. Para não cair na armadilha de outro devaneio, Lupin olhou para o papel em mãos, sorrindo para o estado amassado que Armstrond havia deixado a carta ao segura-la. Nunca gentil, pensou, passando o dedão nas dobras e distraidamente lendo linhas dispersas da carta.


Foi quando uma delas chamou sua atenção.



Em meus sonhos, Dupuy, pude ver uma porta, a porta branca do sótão na casa de minha avó em Hampshire. Lembrei-me então, vividamente, de como um refúgio pude fazer ali; um refúgio solitário dos olhares, da dor, encontrado na solidão, a paz.


Me pergunto se você, Dupuy, encontraria essa porta branca ou se precisaria de mim para guiar-te pelos quadros.”



Lupin fez uma pausa na leitura, algo soando estranho na forma como aquela frase foi construída. Guiar-te pelos quadros? Se questionou, tentando lembrar qualquer detalhe sobre quadros no L'allegro Paradiso. Não havia uma galeria no enorme naviogivel?


Com um estalo, a mente de Lupin começou a trabalhar, sua respiração ficando presa em sua garganta por um segundo diante da absurda possibilidade que ocorreu a ele. Foi em pura descrença que Lupin se aproximou em passos rápidos de Armstrond, que já estava prestes a sair da Dôme, e segurou seu braço, dando um puxão para fazer com que o capitão se voltasse para ele.


O ambiente silenciou, qualquer um que ainda estivesse no local olhando para o detetive e o capitão com completo choque. Com os olhos arregalados, Armstrond encarou Darlan, um brilho perigoso no azul de seus olhos.


— O quê o senhor está-


Mas Lupin não lhe permitiu proferir sua reprimenda, ele intensificou levemente o seu aperto no braço do capitão, o silenciando e disse com calma seriedade: — Ela está aqui. Ela está no navio.


Novamente os olhos azuis brilharam, mas agora era de descrença. Ambos se encararam por minutos que pareceram horas, todos os espectadores prendendo a respiração diante do embate que acontecia silenciosamente; o momento suspenso, mas o feitiço foi quebrado quando, bruscamente, Armstrond puxou seu braço do aperto de Lupin. Com um olhar irritado, Armstrond passou a mão onde Lupin o agarrou, alisando o tecido do casaco e dando dois passos para trás, colocando uma distância entre eles, antes de olhar novamente para o detetive.


— Onde?


Logo, eles estavam na galeria de quadros, o Floraison des Charmes. Se Lupin não estivesse tão concentrado em encontrar a porta branca, ele teria bufado divertido com a careta que Armstrond fez ao ouvir o nome do lugar de um oficial, seu olhar puramente desdenhoso com toda a luxuriosa extravagância do corredor estreito. Mas não havia tempo para distrações e todos se empenharam em encontrar a sua suspeita.


— Ela provavelmente já saiu do navio até agora. Se não com os passageiros durante a evacuação, então logo após o fechamento do porto, enquanto poucos oficiais estavam presentes no local. Somente um louco permaneceria na cena do crime sendo o culpado. — Armstrond racionalizou, seus olhos percorrendo cada quadro com atenção. Lupin sabia que era o que provavelmente aconteceu, afinal fugir era uma ação esperada do culpado, mas algo naquela carta o fez acreditar que – se a assassina realmente estivesse naquele navio, sua maior obra, ela não o abandonaria tão facilmente outra vez. Mas guardou a reflexão para si, sabendo que não seria bem vinda.


Com crescente frustração, Lupin percebeu que eles estavam perto do final da galeria e ainda não haviam encontrado a porta branca. “Um refúgio solitário.” ela o chamara. Lupin olhou novamente para os quadros a sua volta, talvez ele não estivesse prestando atenção.


— Algum desses quadros tem ‘solitário’ em seu nome? — perguntou em voz alta, chamando assim a atenção de todos. Alguns oficiais o olharam confusos e Armstrong o encarou com curiosidade, mas Lupin o ignorou quando um oficial, provavelmente um novato pela timidez com que se aproximou do detetive, respondeu:


— Senhor, acredito que existe um quadro com ‘solidão’ em seu título. O La solitudine del mare. — disse e apontou para um quadro à direita de Lupin, pelo menos dez passos afastado. Era uma tela do que parecia ser uma janela com vista para o mar – olhando de perto Lupin notou a engrenagem na lateral da “janela” que parecia estranhamente com uma maçaneta.


— Uma porta branca. — sussurrou e tocou no quadro, especificamente na engrenagem presente no quadro. Foi com um som abafado que algo pareceu destrancar por detrás do quadro e, ansioso, Lupin puxou o quadro que, como uma maçaneta, abriu uma porta secreta na bela parede dourada da galeria e um quarto escuro se abriu diante de seus olhos. Ele entrou calmamente, não arriscando ser pego desprevenido em sua curiosidade – aquela pessoa era um assassino, mulher ou não. Atrás dele, escutou Armstrond se aproximar, o revólver de madeira de carvalho em punho.


Mas não seria necessário.


Eles mal adentraram o quarto completamente antes de avistarem o cadáver da mulher; sangue cobrindo as saias do seu vestido de festa, seus pulsos cortados, estendidos em seu colo, e do seu lado um caderno rosa. O caderno dos seus sonhos.


Armstrond abaixou a arma, olhando o corpo da mulher em um misto de decepção e irritação. Se por Lupin estar certo ou por não terem capturado o culpado com vida, ele não tinha certeza. Apenas não queria pensar em como teria que explicar aquilo para o chefe da segurança nacional.


— Bem, você estava correto, como sempre, detetive. — disse, se voltando para sua equipe e mandando um dos oficiais usar o telégrafo da sala de comando do naviogível para contatar o legista. Armstrond então observou enquanto Lupin se agachava ao lado da moça e pegava o caderno, os dedos passando pela capa como se lesse algo. — O que foi?


— Ela rabiscou algo na capa, mas parece ter sido feito com um estilete. Provavelmente o que usou para tirar a própria vida.


Armstrond soltou um grunhido, mas se aproximou do detetive com curiosidade, a mão na cintura.


— O quê diz, então?


— A mente é seu próprio lugar e em si mesma. Pode fazer um Céu do Inferno, um Inferno do Céu. — Lupin leu em voz alta. Ele abriu o caderno encontrando em suas páginas a concepção de diversos maquinários extraordinários, havia desenhos desde carruagens flutuantes com turbinas no lugar das rodas até grandes cidades nos céus e Darlan folheou as várias anotações com surpresa. Seria possível todo aquele arsenal revolucionário ter sido criado por uma dama? Era inacreditável, de fato, mas não havia dúvidas que a letra nas anotações era a mesma da na carta.


— Paraíso Perdido, em? — Armstrond disse, olhando do livro nas grandes palmas de Lupin para o rosto do homem loiro, curioso com a expressão de sútil admiração no semblante do detetive enquanto lia um curioso projeto de um gato de metal que poderia ser usado como alarme de invasores – o tipo de bugiganga inútil que apenas Lupin se interessaria. Revirando os olhos, Armstrond voltou seu olhar para o cadáver da assassina e suspirou. — Curiosamente adequado. Embora devo dizer que a obsessão da mulher por esse livro seja excessiva.


Lupin bufou divertido com a observação do capitão e ambos ficaram quietos, apenas o barulho fora do quarto preenchendo o ambiente.


Enquanto ambos ficaram em silêncio contemplativo, absorvendo as palavras que a perturbada mulher havia escolhido para marcar seus últimos momentos, os olhos de Darlan subiram dos desenhos detalhados de diversos projetos – até do próprio L'allegro, provando as acusações na carta – para o rosto sereno da assassina pensando nas últimas palavras em sua carta.


— Eu espero que não o encontre para que, assim, alcance a paz e voe satisfeita em seu sonho. — Darlan disse para ela, ignorando o olhar confuso que Armstrond lhe deu. Ele se levantou, saindo do quarto escuro para a luz dourada dos corredores de um milagre, um caderno rosa debaixo do braço.



⚙️



Quando todas as provas foram entregues ao Chefe da Segurança Nacional, um item em particular não estava lá.


— E o caderno rosa? Foi encontrado na casa da Senhorita Benini? — Horace Burgois questionou enquanto lia o relatório de Armstrond, seus olhos cinzas como aço passando por cada linha da escrita cuidadosa do capitão. Já fazia quatro dias desde que detalhes do caso chegou à imprensa e mais do que a repercussão de que fora uma mulher a mente por trás da maior invenção de Paris e do século, a demanda da Académie pelo resgate do tal caderno já estava dando nos nervos de Burgois. Malditos ratos gananciosos, é claro que eles ansiariam colocar as mãos em tal mina de ouro já que o cérebro de Juliet Benini utilidade alguma teria agora que estava morta.


— Não, Senhor. Embora tenhamos confiscado os bens da Senhorita Benini na pensão em que residia, nenhum caderno rosa foi achado entre os seus poucos bens. — Armstrond respondeu, impassível.


— Perfeito, mais um dia tendo que lidar com aqueles benjamins com o ego inflado como o balão de um dirigível. — Burgois resmungou, amaldiçoando sua sorte de ter sido promovido para aquele cargo anos atrás. Deus, se ele previsse que seria um trabalho tão extenuante na época que a posição lhe foi oferecida então não teria hesitado em recusar. — Bem, não há nada que possamos fazer então. Encerre a busca pelo objeto, eu lidarei com os intelectuais. Dispensado.


Com uma continência, Armstrond se retirou do escritório do chefe Burgois, pronto para encerrar o turno e finalmente tomar uma boa xícara de café no De La Paix. Na rua um gato miou.


Murrié se perguntou como estava o tempo em Provença e se o estúpido Lupin havia encontrado um bom mecânico para fazer o seu alarme.



θθθθθ


▼ NOTAS FINAIS ▼


HEYA GENTE, OLHA SÓ QUEM VOLTOU! °˖✧◝(⁰▿⁰)◜✧˖° E COM UMA ORIGINAL! QUE ORGULHO!


Ok, ok, sinceramente nem é como se eu achasse que alguém estivesse esperando por mim, mas hey estou feliz de estar de volta e espero ficar mais tempo ativa dessa vez. Mas enfim, o que acharam da fic? Eu, particularmente, estou bem satisfeita, até porque esse desafio me deu MUITO trabalho, gezuis.


Primeiro que eu acabei pegando steampunk e bem... Não me entendam mal, eu AMO steampunk, é meu sub-gênero favorito de sci-fi, mas eu queria realmente me desafiar sabe? Bom, no final, o processo para escrever a fic steampunk pro desafio foi uma puta roleta-russa porque eu fiquei totalmente presa no tema! Srsly, eu descartei 3 projetos por não conseguir achar um jeito de terminar urgh isso meio que me desanimou, mas no fim deu tudo certo!!! (*⌒▽⌒*)~♪ E eu criei 2 ocs pelos quais agora to completamente apaixonada! Pretendo no futuro trabalhar mais com eles hohoho


Notinhas Históricas


Mulheres e a educação - Acho que qualquer mulher que tenha se interessado pelo feminismo sabe que por anos as mulheres não tinham acesso ao ensino superior. As mulheres puderam entrar nas universidades apenas em 1837 nos EUA e mais tarde no resto do mundo, mas foi um processo demorado até todas faculdades aceitarem alunos de gênero feminino e mesmo assim as mulheres ainda foram principalmente ignoradas no ambiente educacional. Quis mostrar isso na fic, eu escrevia os diálogos questionando a carta da Juliet com um misto de irritação e desprezo, mas essa era a mentalidade da época gente D:


Bazar de la Charité - foi um bazar de lingerie e bijuterias que aconteceu em Paris em 1897 que tinha o objetivo de arrecadar fundos para ajudar os pobres. 129 pessoas morreram durante um incêndio no local. (Uma curiosidade: eu ia datar a fic em março de 1887, mas aí descobri esse acidente e quis muito colocar na fic)


Café de La Paix - Um dos mais antigos cafés em Paris, foi fundado em 1862 e em 1975 foi declarado local histórico pelo governo francês. É palco de vários poemas, romances e filmes *0*


Espero que tenham gostado.


Comentários e críticas construtivas são sempre bem vindas~


See ya <3

3 de Setembro de 2018 às 03:01 14 Denunciar Insira 6
Fim

Conheça o autor

LiNest Meu nome é Aline, também conhecida como Linest e eu estou realmente feliz por poder compartilhar meu trabalho com tanta gente agora!!! Você só precisa saber 3 fatos sobre mim: Amo Angst. Sou Nerd. Sou Army.

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Olá, tudo bem? Como foi participar do desafio? Se divertiu muito? A história começa com uma carta cheia de ódio e ao mesmo tempo enigmas, gosto de enigmas e gosto mais de histórias do gênero investigativo, que você conseguiu muito bem levar até o final. Mesmo que não tenha um enredo grande cheio de mistérios e pistas para ligar, ainda assim dá vontade de correr até o final e ler tudo de uma única vez sem pausas. Sem contar que o Lupin é um charme, que homem é esse? Foi interessante como você se manteve focada apenas no desenvolvimento do crime em si, sem abordar a vida particular dos detetives ou seus relacionamentos de amizade/romance. A história se passa no período de, no máximo, uma ou duas horas, pela maneira como você a colocou. Isso é interessante, porque mostra o quanto o detetive Lupin é inteligente, porém dá a entender que esse evento em particular não foi muito significativo em sua vida. Ele resolve o caso sem maiores dificuldades e, claro, surpreende-se por ser uma mulher a ter desenvolvido tantas tecnologias, porém isso passa rápido também. Como você tem personagens muito marcantes, o leitor sente falta de saber mais sobre eles. É como se você tivesse nos contado algo cotidiano e sem muito impacto para a vida dos protagonistas, entende? Foi mais um dia de trabalho, com um homicídio resolvido em poucas horas (se tanto). O subgênero está muito bem encaixado aqui, você desenvolveu um cenário steampunk com sabedoria, o que para o gênero em si é muito importante, junto ao enredo incrível. Em questão de ortografia, o texto está muito bom. É impressionante como você usou uma linguagem mais antiga e elaborada, de acordo com as regras da norma padrão, eainda assim manteve a leitura clara e fluida. Apesar de você ter usado palavras incomuns, nada disso destoou do texto, porque você o ambientou numa época em que isso faz sentido. O próprio cenário ficou muito bem desenvolvido, trazendo à tona elementos do Steampunk e críticas sociais importantes. Parabéns pelo bom trabalho! Beijinhos 💚
4 de Outubro de 2018 às 14:38

  • LiNest LiNest
    Awn muito obrigado pelos elogios e o lindo comentário, como sempre o pessoal do Ink é o melhor <3 e sim, percebi tmb como a fic parece apenas um dia no cotidiano do Lupin, afinal já existe ai o relacionamento com Armstrond e a fama dele como detetive, e atribui isso ao fato de originalmente a trama seguir outro caminho, nem seria algo detetivesco, para começar, e esses dois acabaram nascendo justamente nesse conto lol mas vendo como tanta gente gostou deles planejo escrever mais de Lupin e suas aventuras aonde irei trabalhar mais seu personagem, o bom é que esse conto já estabeleceu várias coisas com as quais irei me aprofundar no futuro, então aguarde. Fico feliz tmb de saber que capturei bem o tema, steampunk é meu sub-genero favorito então honrar ele é meio que uma obrigação, mas tentei tmb apresentar mais do que apenas o maquinário, algo que acontece fácil no gênero, e fico satisfeita por ter conseguido mesclar bem tanto o steampunk quanto a mistério policial. No geral só estou muito orgulhosa haha 😊 participar desse desafio foi ótimo, fato. Novamente obrigada pelo comentário <3 4 de Outubro de 2018 às 17:05
Liiz Lestrange Liiz Lestrange
maaaaaaaaaaano, que bagulho bom. me prendeu muito, real, adorei a forma como vc desenvolveu a história, adorei sua escrita, adorei o plot, adorei os personagens, a relação entre eles, adorei o toque de usar o preconceito histórico, foi muito bacana, achei tudo top, parabéns. Inclusive shippei os caras, oq sempre é um bônus batuta AHUAHUAHUA mas real, tá muito bom, parabéns mesmo, enredo impecável <3
7 de Setembro de 2018 às 21:59

  • LiNest LiNest
    Ah muito obrigada pelos elogios, acredito que ainda tenho que melhorar muito, mas estou bem satisfeita com essa fic e seu resultado, me deixa muito feliz saber que vc gostou tanto dela. Armstrond/Lupin otp da vida kkkkkk adorei seu comentário sweetheart, muito obrigada <3 8 de Setembro de 2018 às 08:16
Emily C Souza Emily C Souza
MEU SENHOR EU TO TÃO APAIXONADA QUE NEM SEI O QUE DIZER!! Vamos do começo: eu adorei a carta, serio. Bem no comecinho eu tava tipo "pra q descrever o navio em uma carta que é a sua confissão?", mas ai eu entendi que, além de usar essa parte para descrever pra gente como é esse belo navio a vapor, você também usou isso como melancolia (entendo eu) e saudosismo da dona da ideia que foi roubada. Veja bem, se eu sou uma criadora e projetei algo que tenho o sonho de realizar e então roubam de mim, eu ficaria muito deprimida, e com certeza ela usou disso pra dizer que ela conhece aquele navio melhor do que ninguem. Ela ter colocado em uma frase onde ela mesmo estaria depois de morta foi tão codigo davince que eu morri lendo. Eu percebi no mesmo instante que era ali, em meio a quadros e uma porta branca que ela estava. Também percebi logo que ela tinha se matado, porque no final, ela disse mais de uma vez que perdeu tudo, mas que ele não poderia roubas sua ultima lamentação. Amei de mais essa mulher e essa carta. Essa parte dele ter a ludibriado com promessas para realizar o maior sonho dela e de ter a manipulado quando percebeu que o amor havia a cegado é muito real, chega embrulhou meu estomago. Sentimentos, costumo dizer, são o nosso maior bem e nosso maior algoz. Se alguem aprender a nos aprisionar emocionalmente, nossa vida sera sempre daquela pessoa. Isso também é muito do que a gente anda conversando no whats e eu fico feliz por você ter explorado isso aqui. Sobre a ambientação: VOCÊ ARRASOU CARALHO, EU TO MUITO APAIXONADA PELO NAVIO, ME DA ELE ALINE!!! Tirando os surtos, eu amei toda a descrição detalha e apaixonada que você fez; tanto do navio quanto dos personagens. FOI UM ARRASO DO COMEÇO AO FIM, PQP. eu penso muitas vezes em me arriscar no original, mas sempre acabo vetando minha propria ideia por não ter confiança pra isso, e pq original é complicado em questão de reconhecimento, infelizmente. SO QUERIA DEIXAR CLARO QUE EU ME SENTI NA EPOCA, e as curiosidades que você colocou só me deixou ainda mais impressionada e encantada. ESSA É A MINHA ESPOSA GENTE!!!! mas vamos falar da parte mais gostosa da historia: AMERSTRONG E LUPIN SE PEGAM LOGO, EU NUNCA PEDI NADA AOS DOIS!!! que tensão sexual é essa meu deus? eu tava na torcida pra ter uma pegação nervosa o final do livro kkkkkkkkkkkkkk PELO AMOR DE DEUS, ESCREVE MAIS DESSES DOIS, EU QUERO O CORVO AZUL E O CAÇADOR DE FANTASMAS JUNTOS AGR MESMO, NESSE INSTANTE. Você sabe que eu amo investigação criminal e eu so amei muito que você fez uma historia de romance tragico, de criação futuristica de investigação criminal e de tensão sexual em apenas 5K PORRA, EU AMO MUITO VOCÊ, SE TU ENTRAR NO TOP10 EU VOTO MIL VEZES EM TI!!!! Obrigada por compartilhar essa divindade conosco. To muito apaixonada, serio.
7 de Setembro de 2018 às 14:50

  • LiNest LiNest
    AI AMOR EU QUE TO APAIXONADA PELO SEU COMENTÁRIO! MANO DO CÉU VC É MUITO MARAVILHOSA! Vc sabe como adoro e enalteço o seu trabalho, então ver como vc gostou da minha primeira original me deixa muito gay kkkkkk sério, muito obrigada pelos elogios minha musa <3 E siiiim, como já te expliquei em audio, eu usei muito a carta para dar o tom da fic, ali que acontece tudo praticamente, e é uma forma tmb de dar um tantinho da Juliet já que por conta das mudanças da ideia original ela acabou não podendo aparecer ainda em vida. Quis fazer justiça pra essa personagem forte e incrivel, mas que infelizmente caiu nas garras de um embuste como o Dupuy D: AAAAAAA TO TÃO FELIZ QUE VC GOSTOU DA AMBIENTAÇÃO! Tentei ao máximo não deixar cansativo, já que expliquei muito de como o navio funciona, mas tmb dei o máximo de detalhe para que ainda fosse um steampunk sem exatamente tomar totalmente conta do plot, mas isso vc já sabia porque expliquei em audio kkkkkk ainda assim fico orgulhosa de vc ter se apaixonado pelo meu bb. Sobre o Armstrond e o Lupin, aguarde ;3 E VC JÁ SABE QUE EU QUERO ESSA ORIGINAL OK? QUERO TUDO VINDO DE VC, MINHA ESPOSA LINDOSA <333 E ainda eu vou chorar! Eu é que voto um milhão de vezes em vc, top 10 ou não, porque vc é incrivel! Muito obrigada por comentar Ems, todos os comentários importam para mim, mas o seu é especialmente significativo, te amo cachorra <3 8 de Setembro de 2018 às 08:07
Isís Marchetti Isís Marchetti
Que perfeição de história mulher! Me apaixonei por cada detalhe, foi um tiro em mim! achei bem interessante a forma que você escolheu contar a historia, no passado, sou apaixonada por esse tipo de escrita e me apaixonei mais ainda pelo gênero "policial" que você usou. Foi muita coisa de Sidney Sheldon e eu sou muito grata a você por ter me proporcionado essa leitura maravilhosa! Sucesso, beijos.
7 de Setembro de 2018 às 13:06

  • LiNest LiNest
    Que bom que vc gostou, estou muito feliz por ter agradado. Romance policial, especialmente detetivesco são meus favoritos, então sempre quis trabalhar com isso um dia e esse desafio proporcionou isso. E eu que sou grata por vc ter comentado <3 muito obrigada 7 de Setembro de 2018 às 14:09
Mary Olosko Mary Olosko
Boquiaberta. Que coisa genial. cada linha é um primor. Eu amo steampunk e histórias policias e você me fez a menina mais feliz do mundo ao escrever essa história e ainda colocar personagens tão gostaveis. O detetive é Lupin por causa do Auguste Dupin? da leitora que queria mais kisses sabor fumaça
6 de Setembro de 2018 às 20:02

  • LiNest LiNest
    Awn que bom que eu te fiz feliz, como vc amo steampunk e romance policial, então uni o útil ao agradavél nessa ficlet, fico feliz que o resultado tenha sido satisfatório. E sim, ele tem um pouco do Dupin! Meu deuses não imaginei que alguém pegaria essa referência, além do próprio nome tmb ser uma homenagem ao Arsène Lupin, inclusive tem livro dele com o Sherlock, 10/10 recomendo! E quem sabe, talvez te darei esses kisses no futuro ;3 muito obrigada por comentar <3 6 de Setembro de 2018 às 23:15
Zen Jacob Zen Jacob
Admito que foi só ler a citação de Milton e as tags pra essa história me fisgar, então acho que dá pra dizer que ela me cativou desde o olá. Adorei a forma como você construiu a ambientação de Paris, as referências ficaram claras e não me incomodaram ou confundiram em momento nenhum, como costuma acontecer em histórias que se passam em outros países. Mesmo que sendo uma narrativa curta, acho que deu pra expressar muito bem as personalidades de todos os personagens envolvidos e achei muito justo o Dupuy nem sequer aparecer em vida nela (macho safado =_=). Apesar de você falar que se inspirou bastante no Sherlock Holmes para desenvolver a narrativa policial acho que a personalidade dele ficou mais próxima do Poirot da Agatha Christie - exceto por esse final com o gato, que foi totalmente Holmes. uhauhahua Steampunk não é um gênero pelo qual tenho muito apreço porque muitas das vezes os autores que encontro só se focam no maquinário e não apresentam uma trama realmente consistente - o fato de você ter se preocupado em colocar uma Crítica Social Foda™, inserir todo um cenário artístico/científico e desenvolver uma história policial, pra mim, foi excepcional, e o que prosseguir cada mais interessado na leitura. Pena que o Inkspired não permite copiar e colar trechos da história, porque a minha vontade era só ficar citando os trechos que eu achei brilhantes na carta da Juliet. Por favor, faça mais histórias com o Lupin e o seu corvo azul, acho que isso aí ainda dá muito pano pra manga. hehe
4 de Setembro de 2018 às 07:40

  • LiNest LiNest
    Eu fico muito feliz que tenha gostado dela, a criei em um surto de inspiração então acho que caprichei haha mas, sim, acho que meu amor por Agatha Christie acabou transbordando nessa fic incoscientemente, afinal ela é minha musa. E que bom que eu consegui ambientar bem a cidade, como nunca estive em Paris não quis detalhar qualquer coisa que comprometeria a narrativa, apenas citar o básico para o desenrolar da fic então fico feliz em saber que deu certo! E sim, posso te entender em relação ao steampunk, embora ame o gênero, poucas histórias equilibram bem o universo com o desenvolvimento já que o steampunk foca mais no maquinario, então tentei já mostrar todos os detalhes do navio no começo e apenas algumas ideias no decorrer da fic justamente pra focar nos meus filhos que, falando neles, AMEI escrever sobre haha então quando li que vc conseguiu "sentir" a personalidade deles no decorrer da fic, mesmo o Dupuy (a persona não grata) eu tentei dar uma ideia de como ele era, mas, sim, ele é melhor morto. Seu comentário me incentivou muito, então pode esperar que logo logo no mais tardar o Lupin e o Armstrond voltam haha muito obrigada mesmo por comentar <3 4 de Setembro de 2018 às 08:40
Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Oie! Eu gostei muito da sua história, sou apaixonada por romances policiais e este aqui me lembrou muito a narrativa de Sr. Arthur Conan Doyle (Sherlock) e também a narrativa de "O assassinato de Roger Ackoyd", de Agatha Christie (apesar de ambos serem escritos em primeira pessoa, achei o tom da narrativa, assim como o seguimento dos fatos semelhantes, apesar de mais corridos). Acho que a carta deu um toque muito especial a tudo, confesso que até voltei para ler quando percebi se tratar de uma investigação (meu, como adoro tentar adivinhar as coisas!) e me diverti muito! Parabéns!
3 de Setembro de 2018 às 19:51

  • LiNest LiNest
    Fico muito feliz por ter te divertido e como vc eu AMO romances policiais tmb, então saber que consegui não só alcançar meu objetivo de homenagear mestre Arthur, mas tmb minha musa Agatha Christie é incrivel! Sério, um grande elogio, muito obrigada mesmo! E a carta é o principal motivo dessa fic existir, foi graças a ela que criei tudo haha então é nela que tudo acontece e fico feliz por ter notado. Muito obrigada pelo comentário <3 4 de Setembro de 2018 às 08:29
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