Terceira Lei Seguir história

nonna.ayanny Nonna Costa

Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante, a maior guerra que se tinha notícia era travada e em meio ao caos espacial, entre mortos e sobrevivente, alguém mudará todo o curso da história ao se erguer contra todos, sem assumir nenhuma frente. Será esse novo personagem herói ou vilão para esta guerra? Que rumo dará a ela?


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#sci-fi #aventura #yuri #naruto #darkfic #ação #fantasticoink #spaceopera
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Entre a Poeira das Estrelas

https://www.youtube.com/watch?v=-bzWSJG93P8

Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante, o Império controlava a tudo e a todos, subordinando-os com suas formas de compreensão do universo ao som de cornetas imperiosas. Aqueles que iam contra este regime foram chamados de Rebeldes, pois se rebelavam. Não aceitavam a censura, os ataques violentos aos mais fracos e nem as ideologias segregacionais. “Abaixo da tirania do Império! República já!” berravam em todos os cantos do espaço.

Durante anos, as mais bravas batalhas foram travadas entre asteróides e planetas, todas com o cunho da Paz e da Liberdade. Vidas foram perdidas nas espaçonaves velozes, que zuniam pelo universo como verdadeiros fachos de luzes incandescentes, os heróis desapareciam em explosões tão grandiosas que se tornaram lendas ecoadas por todos os lugares. E esta seria uma incrível e épica história a ser narrada nestas linhas. Seria, mas não é.

Essa é a história de uma menina que viu seu lar explodir. E ela começa como todas as histórias: com uma guerra e um erro fatal. Aconteceu quando o Império decidiu roubar algumas reservas energéticas de planetas que “só existiam para alimentar os Rebeldes”. Se destruíssem as fontes de insumos, estariam tocando a vitória.

O pequeno planeta Uh, orbitando a gigante vermelha Alas, não era conhecido, nem mesmo nos comércios os quais participava com a venda dos poucos produtos produzidos. Os únicos que sabiam de sua existência eram os escassos compradores, os habitantes e os Astrônomos Arquivistas, aqueles responsáveis por catalogar todo planeta encontrado. Do espaço, parecia uma pequena bola achatada nos tons de azul e vermelho, como se as cores se misturassem tal qual as tintas.

Na galáxia Atas-Tir, era o menor dos planetas, tão pequeno e infinitamente distante da estrela que nem os outros planetas, maiores e mais populosos, notavam sua existência. Era frio e suas noites eram mais longas que os dias, com altas montanhas, onde viviam a maioria dos habitantes. Uh tão estava em nenhuma rota comercial, nem servia como prisão ou banimento para criminosos, apenas estava lá, flutuando no espaço entre as estrelas.

Apesar disso, seus habitantes tinham o orgulho de serem os maiores admiradores das estrelas, uma vez que passavam mais tempo sob a noite, davam a elas mais importância e função que Alas.

E nesse planeta, vivia uma família pequena de plantadores de Bumbar, uma planta semelhante ao bambu, porém que cresce sob a escuridão. Eles eram instruídos, ao contrário do que a maioria pensa a respeito dos Uhrianos, conhecedores de diversas ciências e, principalmente, da música. Aquela família sabia do que se passava além dos horizontes de Alas, porém acreditavam que a guerra jamais chegaria ao planeta, como todos os outros moradores dali. Quem se importaria com um lugar como Uh, sem nenhuma influência no cenário político interplanetário? Ninguém.

Porém, há 10 anos-luz de distância, na galáxia vizinha, uma batalha feroz acontecia no famoso Cinturão de Zeta-Carinari, gigantesco cordão flutuante de asteróides que orbita o buraco negro Carinari. O Império sustentava sua Nave Master perto do Horizonte da grande massa giratória, absorvendo parte da energia que se locomovia em alta velocidade para abastecer seu Canhão Galactus. Iria destruir toda a frota dos Rebeldes com um disparo massivo e irradiativo. Seria um massacre.

Uma jovem acompanhava, no seu precário radar-computador, a contenda, pois acordara naquela manhã com um pressentimento ruim ao se deparar com ondas eletromagnéticas distorcendo sutilmente a atmosfera. O céu parecia se mexer como se fosse um manto azul. Aquilo era estranho. A jovem percebeu que grandes quantidades de energia se acumulavam em pontos específicos do Cinturão Zeta-Carinari e não pertenciam ao núcleo, além de que havia o deslocamento de corpos em alta velocidade para todos os lados. Ficou preocupada, pois mesmo que fosse uma batalha muito longe de seu lar, o pressentimento ainda estava ali.

O Almirante Dewis-Lee percebeu os planos do Imperador Vermelho ao ver uma espécie de núcleo de energia dourada. Milhares de vidas seriam perdidas naquele entrave se ele não tomasse imediatamente uma decisão: parte de sua frota caíra e só lhe restava mais um Encruzer para ataque em larga escala e mais algumas naves Assault. Todas as outras abrigavam os rebeldes e os feridos e estavam sob seus cuidados. O que faria? Sua frota só suportaria mais um ataque e, pelo o que souber, mais reforços chegavam para o Império. Tinha que bater em retirada ou a guerra estaria condenada.

Avaliou os rastreadores e os mapas das regiões mais próximas, procurou por uma rota de fuga segura e arquitetou seu plano. Havia um meio, seria o mais arriscado, mas daria uma chance de todos escaparem com vida. Ordenou aos tripulantes que seguissem para as naves menores e deixassem o Encruzer sob seus cuidados solitários.

-Não, Almirante! - berrou a Segunda-em-Comando Coronel Tan-Ten. - Não posso permitir que arrisque sua vida. O senhor é essencial para a vitória contra o Império. - anunciou de maneira nervosa, ao se ver sozinha com o imponente senhor de meia-idade e cabelos negros parado diante do painel de controle de sua nave de ataque. - Vá. Eu assumo o risco.

-Não permitirei. Minha ordem foi dada. Se eu não for, o Imperador Vermelho suspeitará de nosso plano e atacará as naves de fuga. Não posso permitir tal perda. - anunciou categórico, sem desviar seus olhos da enorme janela a sua frente, por onde encarava a Nave Master do Império.

-Então eu ficarei! - ela disse.

-Não. - o homem finalmente a olhou e havia um sorriso discreto, quase apaixonado. - Preciso que vá. Assumirá o meu cargo em minha falta. Eu não confio em outra pessoa para tal missão além de você, Tan-Ten. Por favor.

Os dois se aproximaram e trocaram um beijo de adeus, abraçados com força, pois sabiam que não haveria mais volta. Ela saiu da nave numa Assault, zunindo veloz para atrair as outras naves inimigas enquanto via o gigantesco Encruzer se mover lentamente na direção da Master. Tan-Ten não percebeu, mas lágrimas desciam de seus olhos enquanto pilotava habilmente a sua nave para escapar dos disparos das Assaults inimigas.

“Adeus” quis ter dito, mas Dewis-Lee jamais permitiria que ela, a mais incrível dentre todos, demonstrasse fraqueza no último momento, talvez o que ele precisasse que Tan-Ten fosse mais forte do que jamais foi em toda a sua vida para que o plano desse certo.

Dentro de Master, sentado em seu trono flutuante, o Imperador Vermelho sorriu discretamente ao ver o Encruzer Rebelde se aproximar de seu espaço de ataque. Mandou que os Assaults atacassem ao mesmo tempo a parte norte da nave, atirando consecutivamente para desativar seu campo de defesa. Funcionou e bem a tempo de seu Galactus preparar o primeiro disparo, o único que julgava necessário para acabar com todas as esperanças dos rebeldes.

Dewis-Lee recebeu toda a carga dos disparos na parte frontal, mas fazia parte de seu plano, de modo que não se preocupou, manteve o curso e a segurança. Pelo seu radar, percebeu que a frota saíra do alcance primário do disparo de Galactus e que não havia mais nada num raio de 13 anos-luz. Daria certo, precisava apenas posicionar o Encruzer no ponto certo. Lentamente, girou a gigantesca nave quando viu a energia se acumular num único ponto de saída e converteu toda a carga energética da sua para os escudos defletores laterais, criando uma angulação de desvio oposta à frota dos Rebeldes. Assim os salvaria e assim o fez.

O que ninguém percebeu, exceto aquela jovem em sua pequena cabana de madeira munida de seu radar-computador, é que o raio disparado era mais denso do que se esperava, pois se alimentara das energias de um buraco negro, ou seja, era energia de fusão, a mais poderosa de todas. Encruzer conseguiu desviar mais de 80% da potência do raio, porém reteu o restante e o isso o fez se desintegrar numa bola colossal de luz e expansão. Aquele impacto foi sentido há milhares e milhares de quilômetros além da galáxia Zeta-Carinari. O Almirante Dewis-Lee foi desintegrado. O mais rápido que pôde, tentou alertar aos aldeões sobre a quantidade massiva de energia que vinha dali, porém somente os seus pais acreditaram, de modo que tomaram a precária nave da família e partiram.

Não deu tempo. O raio de energia dourada chegou antes mesmo que pudessem está há centenas de quilômetros distante do campo gravitacional de Uh. Ele penetrou a crosta como se não fosse nada e fez o núcleo entrar em fusão, provocando diversos pulsares luminosos e, em seguida, a explosão. No primeiro momento, a nave de fuga foi atingida e estilhaçada, mas como todos usavam trajes de segurança com abastecimento de oxigênio, sobreviveram ao primeiro pulsar, porém o segundo impulsionou-os contra os restos da nave. Somente a jovem escapou, pois foi empurrada até chegar ao meteorito Oh-Ah, que orbita Uh. Dali ela viu.

Sozinha, naqueles longos segundos de silêncio, ela viu seu planeta inteiro se desintegrar como aconteceu com o Encruzer. A explosão foi tamanha que a jovem foi lançada para tão longe quanto pudesse contar e numa velocidade quase semelhante à da luz. Até hoje não sabe o que a salvou, mas apenas que ela assistiu seu planeta se converter num facho de luz e depois, nada. Nem mesmo meteoritos restaram. Isso abalou toda a galáxia, mas em seus olhos chorosos apenas existia a imagem daquele globo azul e vermelho brilhar como uma Estrela Branca para então desaparecer.

O universo tinha um inimigo em comum, porém ninguém se aliava a ninguém para combatê-los, pois em sua maioria, eram inimigos entre si. Depois da trágica perda do Almirante Dewis-Lee e do desaparecimento de Uh, o qual souberam apenas anos depois, frotas espaciais começaram a ser destruídas, uma a uma, de ambos os lados da guerra e ninguém sobrevivia para explicar quem era tal ser capaz de tais feitos. Seria uma pessoa? Seriam várias? De que planeta viera? Qual era o seu objetivo? Por que atacava a todos? Diversas perguntas sem resposta.

Um dia, porém, uma nave escapou antes de ser obliterada. Era uma pequena nave de caça, nada mais que isso. Conseguiu voar em hipervelocidade, porém sua tripulação nada mais era que um homem desacordado e um drive crackeado. Durante duas semanas, trabalharam naqueles arquivos enquanto esperavam ele despertar para lhes narrar a última batalha contra o que chamaram de “Fantasma”, pois nenhum rastro era deixado, apenas a morte.

Tan-Ten não suportava mais esperar. Perdera metade de seus guerreiros, que conseguiu reunir com muito custo e muita diplomacia, pois muitas nações se negavam em lutar contra o Império, mas algumas ainda tinha a Determinação do Fogo em suas almas. Tan-Ten queria saber, de uma vez por todas, quem era o inimigo que impunha medo até no Imperador Vermelho, que era conhecido por pertencer a uma raça muito antiga de alienígenas altos e dotados de capacidades psíquicas superiores.

O Imperador conseguia prever os movimentos seguintes de cada ataque ao ler a mente dos comandantes adversários, este era o único empecilho que Tan-Ten temia e por isso, dificilmente deixava sua sala de comando com isolamento de chumbo, o único material que impedia o alcance dos poderes daquela raça, chamado apenas de Altos.

Essa era a única razão para o Império ainda estar no controle de quase todo o universo e a única arma a qual não se tinha defesas, pois uma vez confinados em suas salas, os líderes não poderiam sair e dali teriam que comandar todos os ataques, quase insinuando aleatoriedade para confundi-lo, porém isso não era suficiente para prever os movimentos do novo inimigo.

Havia dias que o Imperador movera suas tropas em ataque. Aparentemente, todos os que se aproximavam do buraco negro Carinari e da gigante vermelha Alas eram destruídos, porém, pelo o que Tan-Ten percebeu através de análises das localidades onde as frotas eram atacadas, se alastrara para outras regiões, como numa caçada implacável. Nada fazia sentido naquele momento. Era um inimigo poderoso, indestrutível e mítico, tal qual um Fantasma. E não fazia sentido. Quem poderia ser dotado de tanto poder que bateria de frente contra a mente do Imperador?

-O que conseguiram? - ela indagou ao fitar seus pesquisadores.

-Veja, Almirante. - um deles, cujo nome era Shino-ran, depois de ajustar seus icônicos óculos escuros no rosto, apontou para a tela de seu computador. O vídeo gravado pelas câmeras de segurança, geralmente usadas para analisar as táticas de combate dos adversários, iniciou. - Consegui recuperar boa parte das imagens. E devo dizer, senhora, que… - engoliu em seco.

Nesse momento, Tan-Ten notou que todos estavam nervosos naquele lugar, porém de tanto estar preocupada com os resultados da recuperação e com os cuidados médicos com o piloto, não notou que todos os seu generais e os profissionais presentes ali demonstravam uma mistura de medo com incredulidade, o que não fazia muito sentido para si.

O que haveria naquele vídeo que provocara tanta comoção negativa nas pessoas? Fitou Shino-ran e notou-o igualmente abalado, o que contradizia sua personalidade sempre estóica e calma. Ela respirou fundo, como se preparasse para dar um mergulho ou enfrentar a mais importante batalha da sua vida, e assentiu para Shino-ran, que pausou o vídeo. Ele esfregou os olhos por baixo de seus óculos, clicou no botão e girou sua cadeira para outra direção, ficando de lado, para não ter que ver nada do que se passava ali mais uma vez.

Há duas semanas, Tan-Ten enviou uma tropa de sete caças e um Encruzer para combater batedores que atacavam as habitantes da Estação Nova-B, um ponto pacífico de restauração médica. Liderando aqueles ataques estava o famoso piloto Kakasherun acompanhado de seu fiel robô de rastreamento e de auxílio Pak-1, justamente aquele que sobreviveu. Era veloz e muito ágil em sua nave Hidori, um caça de ataque que tinha como armamentos canhões de eletrochoque.

Desviava dos raios vermelhos que vinham de inimigos que lhe perseguiam, mas não o alcançavam, como se praticamente dançasse no espaço negro e estrelado. Seus ataques eram certeiros e eficientes, destruindo os canhões do Encruzer do Império, acabando com os canhões opressores. Do lado norte, estavam as naves aliadas e elas passavam zunindo pela de Kaka, como era conhecido, e a todo instante ele berrava ordens para seus subordinados e tentava controlar a situação caótica.

Naves iam e vinham, se chocavam em explosões gigantescas e luminosas, como bolas de fogo dourado e vermelho, que logo se comprimiam. O Encruzer continuava se aproximando lentamente, como se quisesse deixar claro todo o seu poder maligno e suas intenções destrutivas, e Kaka tentava a todo custo pará-lo, mas era impossível com aqueles escudos terríveis. Ele deu um loop colossal, para desviar de um inimigo que vinha logo atrás, rodopiou sem parar enquanto atirava nas naves menores e as via estourarem uma atrás da outra.

Em dado momento de sua acrobacia, passando ao lado de todos os seus amigos, orientando-os naquela batalha caótica e violenta, cheias de luzes e de explosões, cujo Império estava em maior número e, obviamente, com a vantagem de armamento, uma onda invisível sutil o suficiente para não ser vista, porém forte o bastante para sacudir todas as naves ali.

-O que foi isso? - sussurrou ao perceber que não foram os seus raios que fizeram aquilo. Repentinamente, seu comunicador captou algo da escuridão, quando se afastou o suficiente para lançar uma rajada de eletrochoque no Encruzer e, assim, tentar desarmá-lo.

Naquela imensidão sombria, ele não ouviu mais nada inicialmente e isso foi estranho, pois deveria ao menos captar os sinais de seus companheiros de batalha, mas tudo silenciou. Nem mesmo os motores de sua nave ele ouvia algo, nada. Então, os aparelhos começaram a interferir, não conseguia mais verificar o radar, nem o sistema de armas, nem suas defesas, tampouco os sinais mais básicos. Sua nave estava desligada, flutuando a esmo.

Kaka olhou em volta e percebeu que todas as naves estavam assim e que seus companheiros estavam desesperados em suas naves. O que fizera aquilo? Até mesmo o Encruzer inimigo estava desligado, o que significava que não fora o Império. Kaka, que nunca abandonava velhos instrumentos de batalha como um binóculo analógico de penumbra, pegou o objeto e o ativou para enxergar na escuridão. Havia algo lá, não tinha certeza do que era, pois não havia iluminação, mas era veloz, muito veloz, como um caça ainda que muito menor.

A força energética voltou repentinamente, ativando todas as máquinas e todas as naves daquele quadrante e ninguém mais sabia bem o que fazer, pois foram atacados e não viam por quem. Kakasherun não pensou duas vezes ao ouvir os beeps de Pak-1, lhe explicando que fora um PEM que fizera aquilo tudo, porém o dispositivo que lançou aquilo deveria ter o mesmo poder que Galactus, pois o alcance fora simplesmente inacreditável: foi atrás daquela nave veloz. Zuniu pelo espaço, passando por entre naves inimigas e raios vermelhos cruzados, finalmente captando-o em seu radar. Não podia ser. Antes que conseguisse terminar o pensamento, aquela coisa passou por dentro de um bombardeiro, que acabara de sair do Encruzer na direção da Estação.

Passou como se o bombardeiro fosse de papel e o fez explodir como se uma estrela estivesse lá dentro. Kaka teve medo, mas não parou sua perseguição. Atirou nos caças do Império que tentavam abater aquela coisa, porém não teve mais certeza do que se passava, pois viu aquela coisa controlar duas naves aliadas e chocá-las uma contra a outra. Seria um Alto?! Somente o Imperador tinha aquele nível de poder, então seria outro sobrevivente da raça Alto?

Impossível. O Imperador Vermelho matou a todos para que só ele tivesse o poder psíquico total, apenas ele. Como poderia haver outro? Aquele ser estava caçando a todos, sem distinção, matando e destruindo de maneira ainda mais atroz que o Império.

-Se não está em nosso favor, está contra nós. - Kakasherun anunciou pelo rádio-comunicador e esperou alguma reação, mas tudo o que ouviu foi uma respiração compassada e robótica, como se sugasse o ar através de respirador mecânico. Aquilo arrepiou cada pelo do seu corpo, como um medo primitivo da imensidão escura que fica entre os pontos luminosos.

Pak-1 enviou para seu painel leituras do campo gravitacional e percebeu que tudo estava distorcido, bagunçado, de modo que as naves pareciam elefontamontes escorregando em gelo. Por isso elas se chocavam uma contras as outras, explodiam e atacavam a esmo, perdendo totalmente o controle de seus sistemas. Apenas a Hidori estava livre, como se aquelas ondas passassem ao seu redor, seguindo sua aerodinâmica. Mas este não foi o mais assustador.

O que lhe fez realmente tremer nas bases foi saber que os PEM’s, os pulsos eletromagnéticos de alto alcance e precisão, vinham de uma pessoa flutuando numa espécie de prancha anti-gravitacional e ela carregava algo em suas mãos, uma arma longa e da mesma cor e material do transporte. Uma pessoa. Uma única pessoa estava destruindo as duas forças de combate. Pak-1 mandava beeps constantemente avisando de que ele estava na linha de alcance da explosão do Encruzer, pois para onde aquela pessoa seguia. Todas as outras naves foram desligadas, exceto a de Kakasherun e ele não soube por que fizera aquilo.

O ser parou diante do Encruzer, apoiou sua arma diante do corpo, porém de costas para o piloto, de modo que a capa sobre seus ombros lhe impediu de entender o que era aquilo que causava os pulsos. Um som estranho ecoou por todo o ambiente de acordo com os movimentos das mãos daquele ser e Kakasherun viu, sob o anúncio de Pak-1, que clamava por socorro a todos os canais de comunicação, porém sem nenhum sucesso, não só o Encruzer desaparecer numa explosão gigantesca, como a Estação Nova-B, ao mesmo tempo. Os caças inimigos, os caças aliados, os destroços, os meteoritos que estavam por ali, absolutamente tudo foi obliterado.

Ele berrou com lágrimas nos olhos mesmo que a luz intensa, vermelha e dourada, fosse lhe cegar em algum momento, batendo contra o vidro de proteção de sua cabine. No fim, escuridão, silêncio e o fantasma. Nem mesmo rastros. Nada. Porém, sua nave e Pak-1 foram poupados, Kakasherun foi poupado e ele não entendia por que.

Lentamente, o ser se aproximou do transporte, saiu da prancha de cor negra e caminhou sobre o nariz da nave até estar diante de Kakasherun, bem ao alcance da câmera de Pak-1.

-Eu sei que vou morrer… - falou em tom de testamento. - Sinto muito, Almirante, sinto muito Rina, meu amor, por morrer em batalha sem ter salvo a ninguém. Eu tentei, eu juro que tentei, mas não há nada que eu possa fazer. Ele destruiu a todos de maneira indescritível. Não sei como ele fez isso, mas ele fez e não vai parar… Não sei qual é os seus motivos, mas… - parou de falar quando, desafiando todos os preceitos da gravidade, ele provocou interferência na comunicação.

Era alto, usava uma armadura negra, do mesmo material de sua prancha, composta por várias placas foscas, sobre seus ombros e suas mãos, na máscara que cobria o seu rosto, que era a parte frontal do capacete, haviam linhas finas, tênues e delicadas de energia luminosa. A arma estava escondida por trás de sua capa, de modo que ainda não podia ser reconhecida e nem vista, porém, em sua mão esquerda, havia a empunhadura de um sabre de luz. Não era um inimigo qualquer, disso teve certeza, pois aquele tipo de arma era extremamente difícil de ser fabricada.

Kakasherun apertou os olhos e esperou sua morte, mas ela não veio, de modo que os abriu e percebeu que o homem sumiu. Pela forma de seu corpo, a imponência como se mexia e a falta de qualquer tipo de sentimento ao atacar daquela forma brutal inocentes e culpados. Ele olhou em volta e viu outra nave, ainda mais que o Encruzer, se aproximava, porém ainda não era Master.

Aquele caos de naves menores e disparos de canhões recomeçaram. O Império contra-atacou aquele ser tão poderoso, mas sucumbia lentamente ante aquela força misteriosa. Tal como presenciara antes, um a um, explodiram como estrelas e se desintegraram, depois de atacarem a nave principal. Então, Kakasherun viu o homem passar como um cometa por dentro daquele colosso de metal e aço e fazê-lo se transformar em poeira cósmica numa expansão de luz e energia indescritível.

Todos os sistemas da sua nave colapsaram e a onda lhe lançou para tão longe, girando enlouquecidamente, que desmaiou e Pak-1 desligou por completo. E tudo isso, Tan-Ten assistiu em silêncio, abismada, com uma mão diante do rosto e os olhos inundados de lágrimas. Nem mesmo os soldados do Império eram capazes de tamanho caos e violência.

-Está vindo para cá. - Shino-ran disse, ao final, depois de tomar um grande fôlego.

-Como sabe? - ela o encarou.

-Ele mesmo disse. - indicou a tela, mostrando que o vídeo não acabou.

Diante da câmera de Pak-1, usando seu sabre de luz branca, escreveu no vácuo, deixando um rastro por apenas um segundo. A imagem foi congelada e assim Tan-Ten conseguiu ler. “L-3º”. O vídeo entrava em estática depois que a luz se apagou.

-O que é…? - Tan-Ten fitou o Mestre Decodificador na ponte de sua nave. - L-3?

-Não sabemos ainda, senhora. - respondeu Shik’maru, um dos homens alienígenas mais inteligentes da galáxia, pois seu cérebro eram simbiótico. - Já pesquisamos por todos os registros e…

-Não L-3. - interrompeu Shino-ran. Tan-Ten e Shik’maru o fitaram. - Não L-3, Almirante. Lau Terce. - corrigiu, mas todos continuaram confusos, com exceção do decodificador. - Ele escreveu o símbolo para Lau Terce. - os dois soldados se encararam.

-Ainda não faz sentido… - comentou Shik’maru.

-O que não faz sentido? O que é Lau Terce? Expliquem-me.

-Lau Terce é o termo em Condoriano para Terceira Lei. - Shik’maru começou.

-Lei de quê? Algum código penal interplanetar?

-Não, senhora. Caiu em desuso, mas existe uma antiga Física Espacial e Dinâmica. - Shino-ran mostrou a imagem novamente. - Um físico humano chamado Newton, da Antiga Terra, criou essas leis para explicar a interação entre forças e corpos, Almirante. Ele menciona a terceira.

-Que é…? - não entendia o que Física tinha haver com todas aquelas mortes.

-A Terceira Lei de Newton afirma que toda ação corresponde a uma reação de igual intensidade, mas no sentido oposto. A força é resultado da interação entre os corpos, ou seja, Almirante… - Shino-ran retirou seus óculos, respirou fundo e cruzou os braços. - Um corpo produz a força e outro a recebe, porém pode “devolvê-la” de forma negativa.

Tan-Ten fitou a face do mais novo inimigo do universo e engoliu em seco.

-Essa pessoa, seja lá quem for, é uma vítima direta desta guerra e está se vingando de todos os envolvidos nela, tirando tudo o que nós e o Império temos tal como tudo o que essa pessoa tinha lhe foi brutalmente tirado. - Shik’maru explicou, por fim, suas conclusões. - Pode ser qualquer um, mas pelo poder, acredito que seja um Alto, como Kakasherun acredita.

A mulher afastou-se dos seus pesquisadores para ir até a mesa central de controle digitar rapidamente uma mensagem hexi-criptografada. Se havia alguma mente distorcida pela dor e pela agonia das perdas violentas ao longo de sua vida, só uma pessoa poderia derrotá-la: o trunfo dos Rebeldes. Alguém que passou por igual sofrimento, chegou a servir ao Império como um poderoso soldado, talvez o mais letal de todos, mas deixou tudo aquilo ao perceber seus erros.

-Preciso de você. - disse quando a imagem holográfica surgiu diante do seu rosto. - Agora. O que estamos enfrentando vai muito além de qualquer força que tenhamos agora. - disse com convicção, apertando os punhos.

Parou de caminhar ao perceber que havia alguém contra o seu poder. Ela chegou. Fitou suas costas ao ouvir o som característico de um sabre de luz sendo ativado. Encurtou seu olhar ao se deparar com a mulher em postura confiante e um olhar firme para si.

Uma explosão externa clareou todo o corredor onde se encontrava naquele centro de comando, mas não foi o suficiente para abalar os dois adversários que se encaravam intensamente agora. Reconheceu o poder que seria usado contra si apenas de olhá-la. Devia ser de algum tipo de raça dotada de habilidades extras, como os Altos, a mesma a qual pertence o Imperador.

Ativou seu próprio sabre no exato momento que a mulher atacou, veloz como um raio, sem mal piscar, um golpe direto e rápido de cima para baixo, porém foi defendido com presteza. Encararam-se de muito perto quando as armas ficaram tão próximas e tudo o que viu naqueles olhos foi a determinação de um guerreiro que não tem medo de fazer aquilo que julga certo. Uma guerreira, na verdade, tinha que respeitar por isso. Enfrentou exércitos inteiros ao longo de sua vida, porém nenhum soldado foi à altura de sua espada como aquela mulher.

Afastaram-se quando a chutou com força, porém não deixou que se afastasse muito, pois atacou logo em seguida, fazendo os sons de seu sabre ecoarem pelo corredor. Corriam agora. Ela fugia de si, mas sabia que era uma estratégia. Alguém com tanto poder assim precisava de espaço, muito espaço para lutar com toda a força. Quando deu por conta, já estava do lado de fora.

Aquele era o planeta-sede do Império, orbitando o buraco negro Gargantua. Era ali que os seres mais poderosos que lutavam contra os Rebeldes residiam, era ali onde o Imperador Vermelho se escondia e emanava todo o seu poder psíquico. Foi difícil entrar, ainda mais com a missão de derrotar o maior inimigo da galáxia e de mais sete quadrantes externos, mas é claro que continuaria sendo difícil, ainda mais com ela em seu encalço, fazendo-lhe perder uma oportunidade única. Estava no Planeta Imperial, mas aparentemente ninguém queria que continuasse por ali.

Correu velozmente, saltou usando um apoio para ultrapassar uma nave, que fora derrubada e vinha em chamas contra o pátio de pouso onde estava, e atacou a mulher. Surpreendida pelo golpe repentino, recebendo-o quase que completamente nas costas, ela caiu rolando pelo piso de ferro até parar. Não se abateu: a guerreira se ergueu veloz, ainda forte, e devolveu o golpe violento, iniciando uma incrível batalha de luzes e espadas soltando faíscas ao colidirem com força.

Paralelo a isso, o Império se defendia dos ataques dos Rebeldes, que trouxe toda a sua frota para um último combate, atraídos pelo inimigo mortal conhecido, agora, como Fantasma de Lau Terce, que também era alvo de suas armas. O tiroteio era inacreditável. Naves explodiam para todos os lados ao se atacarem, porém antes causavam uma verdadeira destruição massiva sobre o controle do Fantasma no planeta e em todas as tropas do Imperador Vermelho. Encruzer eram titãs de aço e ferro digladiando nos céus com seus canhões poderosos. Os caças Assault assemelhavam-se a vespas e abelhas agressivas, atacando aos montes tudo o que surgia em suas frentes.

Não só os dois guerreiros lutavam entre si, como também destruíram todos os soldados que ousavam atacá-los durante o combate. Olhou em volta ao deixá-la atacar sem parar, dando-lhe a impressão de que sofria com a intimidação do poder alheio, pois quis saber onde se encontrava agora que caminhava de um lado a outro “fugindo” dos ataques ferozes. Estava perto da sala do Imperador, o único lugar onde se julgava seguro. Não pensou duas vezes: disparou em carreira para lá, arrombando a porta ao cortar o painel de acesso com seu sabre.

Ela lhe seguiu para interior e quando se deu por conta, mais uma vez, lutava contra o Imperador e contra a mulher numa batalha digna das lendas mais antigas sobre guerreiros espadachins. Quem pôde assistir, teve certeza que nada daquilo se repetiria. Em dado momento, porém, sentindo que não podia continuar com aquilo, que tinha que cumprir com seu objetivo, passou a usar mais força e mais poder em seus ataques, para desarmá-la de uma vez.

Quando fez isso, lançou a guerreira para o outro lado do salão e ergueu a vista ao notar Master sobrevoar o teto abobadado e apontar Galactus para baixo, exatamente para si. Acabou por sorrir ao notar que estavam tão desesperados que não entenderam que ativando aquele canhão, destruiriam muito mais que a si ou ao prédio, mas matariam o Imperador. No entanto, não se efetivou-se.

Antes que pudesse disparar, um Assault dos aliados atingiu a ponta do canhão, fazendo-a explodir e subir dezenas de metros no ar, afastando-se. Segurou firme sua espada e encarou o Imperador Vermelho, pois este é o momento de completar sua tarefa. Ele usou seus poderes contra si, fazendo seu corpo voar pelo salão, mas girou-o no ar e pousou quase de pé, meio apoiado sobre os joelhos, segurando firme sua espada e encarando fixamente o alienígena muito alto e muito arrogante.

-Quem é você, criatura patética que ousa desafiar a minha supremacia?! - ele bradou, tão furioso que fez o teto de sua própria sala se converter em milhões de cacos de vidro, além de a estrutura que mantivera-o no alto se retorcer e desabar, como se estivessem dentro do fogo.

-Eu sou… - a voz robótica e masculina ecoou. - O seu fim. - rebateu sem medo, deixando clara toda a sua segurança em seu tom de voz, ao ficar de pé. Girou o sabre em sua mão e partiu em ataque.

Tan-Ten não conseguia acreditar que sua guerreira atravessou as defesas do Império. Ela se comprometeu de ultrapassar as barreiras, mas ninguém acreditava que fosse possível por causa do gigantesco poderio militar do Imperador Vermelho, além de seus poderes. Curiosamente, porém, depois de mandar todas as suas tropas para um último ataque massivo uma vez que a guerreira disse que lutaria em favor dos Rebeldes, a Almirante contou com o auxílio indireto do Fantasma de Lau Terce.

Em sua famosa nave X-Wing, disparou em supervelocidade, desviando da tropa de Assaults que lhe perseguia, atrás do ser que literalmente surfava no espaço. Atirava nas naves inimigas quando percebia que encurralariam o Fantasma, ajudando-o a ter o caminho livre para penetrar a barreira psiônica e magnética do Império. Foi inacreditável a explosão que o homem causou ao finalmente entrar em contato. A guerreira teve que utilizar uma manobra evasiva muito perigosa, controlando os freios e manches, para usar as naves Assault negras que vinham atrás de si como escudo.

Não era à toa que era a melhor piloto entre todos os pilotos interplanetários, melhor até mesmo que Kakasherun, e isso além de fazer seu ego crescer, enchia-lhe de orgulho, pois aprendera com ele a pilotar. Foi ele que lhe achou no planeta-lixão Trasha, percebeu potencial em si, por mais que visse uma aura negra ao redor de seu corpo, e lhe treinou para ser uma Guerreira Espacial, pois ele acreditava que as trevas no seu coração, seu desejo de vingança pela morte de seus pais de forma acidental, não era maior que sua vontade de fazer o certo.

Passara anos treinando os seus poderes, pois descobriu que tinha semelhantes capacidades às do Imperador Vermelho, porém não pertencia à mesma raça dele. Dedicou-se sem parar, transformando todos os sentimentos negativos em combustível a ser queimado e assim se tornar a mais poderosa dentre os poderosos. Agora, enfrentaria seu Arquinimigo e descobriria qual dos dois era mais forte. E ela não iria perder. Não depois de todo o sofrimento que passou, os amigos que perdeu na guerra e todas as pessoas que contavam consigo para acabar com ela.

Infelizmente, porém, a guerreira julgou que o Fantasma esteve ao seu lado o tempo todo, por isso não desviou do golpe de sabre de luz que tomou quando ambos passaram pelas muralhes de delimitação da base principal do Império. Ela viu o homem usando armadura negra e se equilibrando sem esforço sobre a prancha veloz continuar golpeando os Assaults, arrancando suas asas, seus canhões, destruindo suas cabines e provocando explosões como fogos de artifícios. Era como Almirante Tan-Ten lhe avisara: o Fantasma não distingue aliados de adversários, ele apenas almeja a destruição.

Sua nave se chocou contra as torres de comando e rolou no ar por alguns segundos. Ela usou seu poder para se libertar da cabine em chamas e cair rolando no pátio, porém já se erguendo e correndo para alcançar o Fantasma, que teve sua prancha destruída durante o combate com dois Encruzers e um Longlancer, que era justamente uma nave-canhão criada pelo Império, e caiu metros a sua frente. Aparentemente seu objetivo era destruir a Nave Master, pousada no momento para se abastecer da energia superficial do buraco negro, e assim por um na maior arma de repressão.

Acharia um objetivo muito nobre, caso não estivesse presenciando a morte de todos que se colocavam no caminho do homem, sem exceções. A guerreira viu naves entrarem sob o controle psíquico do Fantasma e serem lançadas contra estruturas do planeta, contra pessoas fugindo, contra outras naves como se não fossem nada. É, chegou a conclusão que teria que usar todo o seu poder para vencê-lo. Tal como aconteceu quando ambos se encontraram já dentro da base armada do Imperador.

O Fantasma sabia que seria difícil se aproximar do corpo do Imperador para um golpe por causa da barreira mental, mas seu capacete protetor garantia que ele não lesse seus pensamentos e nem lhe causasse confusão com dores de cabeça ou ilusões. Precisava apenas de uma oportunidade para golpear aquele corpo magro e quase atrofiado antrs que a Guarda Imperial chegasse, isto é, a segunda leva, pois a primeira fora obliterada assim que adentrou à base, antes de iniciar o combate com a guerreira. Se ele pudesse ver o sorriso maligno que sustentava agora, quando percebeu que o Imperador Vermelho tremia diante da ameaça implacável que era o Fantasma, desistiria e aceitaria sua morte sem pensar duas vezes.

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Desativou seu sabre quando o alienígena passou a lançar todo e qualquer pedaço de entulho contra si, tentando lhe acertar, porém sem nenhum sucesso, e puxou sua arma mais poderosa. Ele franziu o cenho ao ver o homem ajustá-la diante do corpo, ao retirá-la de detrás da capa. Uma… Guitarra com núcleo de plasma? Não fazia nenhum sentido! Viu as linhas tênues nos braços e nas mãos acenderem quando o homem começou a dedilhar nas cordas de energia vermelha, tocando uma música feroz que emitia pulsos eletromagnéticos.

Então era assim que causara dos os PEM’s que destruiu sua frota e quebrara sua barreira psiquíca. Um inimigo extremamente inteligente e poderoso e não havia ninguém que pudesse sê-lo, por mais que forçasse sua memória. O Fantasma acelerou os dedos naquela melodia de guerra e foi aí que tanto a guerreira quanto o Imperador perceberam que as naves, todas elas, as grandes e as pequenas, desabavam do ar, fosse dentro da atmosfera do planeta, fosse no espaço, como uma chuva de meteoros incandescente.

Tan-Ten ordenara a evacuação quando recebeu o aviso de Shino-ran que os pulsos estavam mais rápidos e mais fortes do que nunca porque as ondas eletromagnéticas do Gargantua eram manipuladas para que os ataques fossem negativamente mais otimizados. O homem potencializou os PEM’s para um alcance orbital ainda maior que o do próprio planeta e tudo isso com um instrumento musical, a mais improvável das armas. Shik’maru não conseguia entender como aquilo funcionava, pois não havia mais tempo para análises, visto que todos os seus aparelhos foram fritados pelos pulsos.

-Estamos trancados, Almirante! - Shik’maru berrou ao ver que a porta eletrônica não abriu por mais que mexesse em todos os cabos. Todos gritavam desesperados agora, pois a nave estava em queda livre, na direção da Master.

-Tan-Ten… - Shino-ran bateu continência diante de si e ela franziu o cenho. - Foi uma honra servi-la em batalha. - Shik’maru fez o mesmo e pouco a pouco a equipe ali também o fez, pois todos aceitaram a morte como destino indesviável. - Almirante Dewis-Lee estaria orgulhoso da senhora, comandante.

Tan-Ten agradeceu com o olhar e encarou a nave gigantesca diante da sua. Fechou os olhos e lembrou da calma que seu amor estava quando o fim chegou. Quase podia ouvir sua voz lhe dizendo que estava tudo bem, que fizera tudo ao seu alcance e que haveria um planeta inteiro a salvo, pois o Império seria destruído. Sua morte serviria a um fim maior e isso foi reconfortante. Ela abriu os olhos, sorrindo de maneira confiante, e viu o enorme clarão do primeiro impacto com a ponta.

-Foi um prazer, senhores, vencer esta guerra ao lado de vocês. - ela disse. - Rebeldes pela liberdade! - gritou.

-Rebeldes pela liberdade! - gritaram.

E em toda nave dos Rebeldes, o grito de guerra era entoado como uma verdadeira despedida de heróis. A guerreira viu as duas naves colossais se encontrarem num impacto único e desaparecerem numa bola de luz e fogo grandiosa, que lançou uma onda de expansão que fez quase todas as estruturas num raio de 5km virarem pó. Ela bateu continência também, sussurrando “Rebeldes pela liberdade”.

-Não!!! - gritou o Imperador ao ver todo o seu poderio militar transformar-se em explosões consecutivas. Depois de dois minutos, nada mais restava no planeta ou no espaço, pois ninguém escapara. - Seu maldito!!! - ele berrou ao se voltar para o Fantasma, mas antes que o pensamento de ataque cessasse, sua garganta foi cauterizada pelo sabre de luz branca ao mesmo tempo em que sua cabeça se soltava do pescoço.

Morto. A guerreira, cujo nome é Nanaroth, apelidada de Naruto, arregalou os olhos quando viu o Fantasma parar sua melodia mortal, esconder a arma ao disparar numa carreira, conseguir apoio para um salto mais alto e assim golpear o inimigo num movimento giratório no ar, caindo metros depois, em pé, deslizando pelo piso metálico. Morto. Ninguém mais sobrara do Império. Estavam todos mortos, sem exceção, e o único obstáculo que havia entre o assassino terrorista mais notório do universo e o que restara dos Rebeldes num planeta escondido era ela.

Naruto se ergueu firme, ativou seu sabre e se colocou diante dele quando lentamente o Fantasma se aproximou do trono ocupado por um corpo sem cabeça. Colocou-se em posição de ataque e se preparou para o combate final. Ele não disse nada, apenas a respiração alta e compassada de robô era ouvida naquele momento. Ela disparou em ataque e o Fantasma esperou.

As espadas se encontraram e o combate durou por longos minutos, fazendo os sons ficarem ainda mais altos e as faíscas mais frequentes por causa da brutalidade como eles atacavam. Eram rápidos, eram ágeis e não se contiveram em usar suas habilidades para destruir a base onde estavam para atacar uma ao outro. O piso cedeu com um soco de Naruto carregado de poderes psíquicos e os dois caíram. Ela usou seus poderes para garantir um pouso suave, enquanto via o homem se chocar em diversos restos de estrutura antes de atingir o chão. Naruto daria um fim àquela onda de maldade de uma vez por todas.

O guerreiro se ergueu devagar. Depois de tudo o que passou, depois de todo o treinamento, os anos de estudos e de pesquisa para encontrar a forma perfeita de ataque e defesa que lhe concederia o poder para derrotar aqueles malditos que acabaram com sua vida, perderia? Não. Não depois de todos os sacrifícios e das escolhas que fizera.

Colocou-se de pé e ativou sua armadura, para aumentar sua força e sua velocidade, porém sentiu algo dentro de si vibrar, algo que nunca acontece antes.

-Você também possui o Dom, Fantasma! Eu posso ver o poder crescendo dentro de sua alma! Não resista. - Naruto disse quando as espadas se encontraram. - Aceite-o e desista dessa vida de crimes! Ajude-nos a recuperar a paz e a liberdade. Você, sozinho, derrotou todo o Império, pode lutar em favor dos Rebeldes. - se afastaram. - Eu te entendo.

-Me entende? - disse lentamente ao vê-la abaixar desativar a espada e desativou a sua também. Então era o Dom? Aquele mesmo poder que o Imperador Vermelho tinha e essa guerreira tem. Conseguiu desenvolvê-lo? Não pensaria no como agora, mas no que faria uma vez que o tinha.

-Sim. Eu também perdi tudo. Vi minha família ser assassinada pela guerra e eu quis me vingar, pois fora causada pelos Rebeldes, mas depois eu entendi que ficar do lado do Império, do lado negro da força, eu só causaria mais dor e sofrimento e não abrandaria aquele que existe dentro de mim. - Naruto sorriu e se aproximou devagar. Começou a chover repentinamente, de modo que a água fria molhava ambos os corpos e apagava o fogo do planeta. - Não é fazendo novas feridas que cicatrizaremos as que já existem. Se houve tempo para mim de me redimir, ainda há para você.

Os cabelos loiros pareciam brilhar sob aquela chuva e sob os raios que caíam contra a terra. Os olhos azuis emanavam muita energia boa e segurança. Aquilo lhe fez pensar por alguns segundos sobre sua decisão final. Talvez pudesse mudar seus planos de alguma diante dessa reviravolta. Talvez pudesse… Se ela visse seu sorriso sombrio agora saberia que aquele discurso heróico não fora nada além de gasto de tempo, usado em seu favor.

-É claro que me entende e é claro que ainda me resta tempo… - caminhou devagar, ativou seu sabre e sentiu aquilo vibrar em si de novo. Parece que quando usava as ondas eletromagnéticas para manipular a matéria, afinal a existência era apenas matéria e energia, de modo que depois de anos descobriu como controlar a energia das ondas, o Dom “ativava”. - Tempo para ter certeza que mais ninguém ficará em meu caminho.

Tornou à inexpressividade ao ver que Naruto fechou a cara num semblante de raiva. Finalmente se tocou de que nada mudaria os objetivos do Fantasma, título que aceitou de bom grado, afinal até combinava com seu estilo. Os dois retomaram o combate e segundos depois alguns sobreviventes dos Rebeldes e do Império chegaram ao local ds batalha.

-Nenhum homem pode me vencer! - Naruto falou com propriedade no momento de um golpe mais forte que cortou a proteção da barriga do Fantasma. - Nenhum homem é mais forte do que eu, logo você também vai cair! - golpeou-o de novo, no braço dessa vez, mas não o machucou.

O Fantasma não se deixou intimidar por todo o poder que Naruto emanava em seu momento de segurança heróica. Usou seu próprio Dom para lhe desestabilizar, mas não na mulher: mirou nos recém-chegados, causando um susto coletivo, e começou a jogá-los em todas as direções, matando-os assim. Naruto gritou ao ver seus companheiros morrerem e o atacou de novo com ainda mais força, porém não viu quando o Fantasma trocou o sabre de luz pela guitarra e a tocou. Recebeu o PEM em cheio, se chocando contra a única parede que havia ali. Seu sabre não funcionou mais, seu corpo perdera as forças e ela não conseguiu mais se mexer.

O Fantasma a pegou pelo braço e a arrastou até o trono do Imperador, jogou-a ali para que ficasse sentada e cravou a empunhadura do sabre desligado contra o braço, cravando-a ali. Naruto gritou de dor e tentou usar seu Dom para se salvar, mas sua mente estava confusa pela dor. O Fantasma tocou mais algumas notas e os pulsos causaram mais explosões pelo planeta: era a sua música triunfal, pois vencera.

-Você nunca será vitorioso. - Naruto ofegou cuspindo sangue. - Nós, Rebeldes, vamos nos livrar de sua tirania. - as forças do seu corpo voltavam devagar. Naruto precisava de tempo e o ganharia na marra. - Nada vai nos parar enquanto houver esperança! Essa chama nunca vai se apagar!

-Então terei que destruir a esperança. - falou calmamente e fitou a mulher por cima do ombro ao parar de tocar, deixando que o som do último acorde ecoasse pelo infinito. Naruto conseguiu tirar a arma que lhe prendia, ativá-la com seu poder e atacar o Fantasma, mas ele desviou com um salto.

-Não vai conseguir enquanto eu estiver aqui. - ela falou segura, ainda que sentisse seu corpo tremer ante a dor. - Eu já lhe disse, Fantasma, nenhum homem pode me derrotar. - partiu em ataque, mas sua espada foi defendida pela guitarra.

Naruto recebeu um golpe na barriga e perdeu o fôlego. Mesmo machucado no abdômem, o homem continuou atacando, porém com o sabre agora, até desarmar a guerreira. Tomou a arma dela para si e a fez cair de costas no chão. Um raio passou logo ali perto, clareando a tempestade desoladora que desabava sobre o planeta. Cravou o sabre contra a barriga dela e usou a mão livre para tocar as travas de seu capacete.

-Por que faz isso? - Naruto gemeu de dor, sem saber o que faria agora.

-Toda ação possui uma reação contrária e igualmente poderosa. Essa é a Terceira Lei. - a voz robótica ecoava com firmeza enquanto os cliques sinalizavam que o capacete seria retirado. - Eu apenas estou devolvendo o que fizeram comigo.

Ver seu planeta explodir e ser esquecido, ninguém lutou em nome dele, ninguém se prontificou a fazer justiça não só pela sua família, inocente enquanto tentava escapar da morte iminente, como todas as outras que residiam em Uh, aquilo não seria ignorado por mais tempo. Dedicou 20 anos de sua vida a preparar e desenvolver tudo o que fosse necessário para conseguir a sua vingança contra o Império e contra os Rebeldes, pois ambos eram culpados, ambos provocaram a aniquilação completa de seu lar. Se queriam tanto o fim da guerra, pois lhes daria exatamente aquilo: o fim. Para acabar com a guerra, acabaria com os combatentes e com toda a ideologia sustentada por eles.

Se infiltrou em ambas as forças armadas para encontrar os pontos falhos em cada defesa e em cada arma de ataque. Envolveu-se com as pesquisas mais ousadas, ganhou a confiança das pessoas certas, construiu sua armadura e sua guitarra, apoiando-se nos antigos ensinamentos de seu pai sobre música, e começou sua caçada. Agora, depois de quase um ano provocando o caos por todas as galáxias onde sabia que estavam as forças Rebeldes e as dp Império, só havia uma alma supostamente pura diante de si querendo bancar o herói.

-Quem é você? - Naruto ofegou e arregalou os olhos quando o capacete saiu daquela cabeça e uma longa cabeleira negra desceu sobre os ombros. Não podia ser. - Não… Não… Você não… Não!

Os ventos sopraram a capa e os fios negros na outra direção e parte da franja revelou o rosto tão familiar. A pele pálida contrastava com a escuridão dos olhos brilhantes, que lhe encaravam com uma mescla de arrogância com satisfação, ainda que os lábios finos fossem apenas um risco de seriedade. No olho esquerdo, a cicatriz fruto dos destroços, que atingiu o seu corpo depois da explosão de sua terra natal e ia de cima a baixo de sua face, deixou-o com um brilho vermelho por causa de algumas restaurações feitas com material biônico. A armadura lhe deu um aspecto masculino, mas agora Naruto enxergava a curva sutil da cintura por causa dos quadris.

-Eu sou a uhraniana Seasukeh, sobrevivente da aniquilação do planeta Uh, mas você me conhece como Sasuke. - sorriu de lado ao encará-la intensamente e puxá-la com força para se erguer. Guardou seu sabre para arrancar o que estava em Naruto, causando grande dor. - E eu não sou um homem. - deixou um beijo nos lábios sujo de sangue antes de se sentar no trono vazio, em meio a tempestade.

Naruto não acreditava: a sua namorada, o grande amor de sua vida, era o Fantasma de Lau Terce? Aceitou sua derrota, ao deixar seu corpo cair sobre as pernas garbosamente cruzadas, e chorou aos soluços. Sasuke afagou as costas femininas e usou seu poder para construir, com os destroços, uma cúpula de proteção da chuva. Venceu. Subjugou toda a galáxia ante o seu poder. Todos agora temiam Fantasma de Lau Terce e por isso sorriu enquanto assistia ao caos. Era uma força imparável. Não havia razões sombrias, apenas a Terceira Lei.

2 de Setembro de 2018 às 17:46 4 Denunciar Insira 3
Fim

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Nonna Costa Outros perfis onde publico minhas histórias NyahFanfiction (onde posto fanfiction do fandom Naruto) - https://fanfiction.com.br/u/533620/ Watt: https://www.wattpad.com/user/Nonna2317 Nesses perfis, vão encontrar mais histórias minhas.

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Karimy Karimy
Olá! Escrevo a você por causa do Sistema de Verificação do Inkspired. Caso ainda não conheça, o Sistema de Verificação existe para ajudar os leitores a encontrarem boas histórias no quesito ortografia e gramática; verificar sua história significa colocá-la entre as melhores com relação a isso. A Verificação não é necessária caso não tenha interesse em obtê-la, então, se não quiser modificar sua história, pode ignorar esta mensagem. E se tiver interesse em verificar outra história sua, pode contratar o serviço através do Serviços de Autopublicação. Sua história foi colocada em revisão pelos seguintes apontamentos retirados dela. 1)Falta de concordância, como em "entre mortos e sobrevivente" em vez de "entre mortos e sobreviventes". "Aquela família sabia [...], porém acreditavam" em vez de "Aquela família sabia [...], porém acreditava" 2)"Abaixo da tirania" em vez de "Abaixo a tirania". "Uh tão estava em nenhuma rota" em vez de "Uh não estava em nenhuma rota". "tinham orgulho de serem" em vez de "tinham orgulho de ser". "há dez anos luz de distância" "há" do verbo "haver" é usado com o sentido de existir e para denotar tempo passado. O correto seria "a dez anos luz de distância". 3)Dois tempos verbais na narração, como em "eles eram instruídos" — pretérito — e "a maioria pensa a respeito" — presente. Deve-se escolher apenas um tempo verbal e permanecer nele. 4)Falta de crase como em " enorme janela a sua frente" em vez de "enorme janela à sua frente". Obs.: os apontamentos acima são exemplos; há mais o que ser revisado na história além deles. Aconselho que procure um beta reader; é sempre bom ter alguém para ler nosso trabalho e apontar o que acertamos e o que podemos melhorar, assim como ajudar-nos com a gramática e ortografia. Caso se interesse, esse recurso também é disponibilizado pelo Inkspired através do Serviços de Autopublicação. Apesar de parecer ser muita coisa, isso não é verdade: sua história é grande, só isso. Bom, mas devo dizer que fiquei encantada com sua narrativa. Eu sou apaixonada por histórias que envolvem ficção científica e batalha e, para melhorar, a sua fala sobre tudo isso e ainda tem uma pitada de mistério. Pode ter certeza de que vou reler essa belezinha! Bom... Basta responder esta mensagem quando tiver revisado a história, então farei uma nova verificação.
7 de Março de 2019 às 12:57
Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá! Quantas referencias de Star Wars nós temos aqui. É bem difícil conciliar dois universos diferentes, não é? Mas você se saiu bem quanto a isso. A historia é cheia de reviravoltas, e confesso que meu coração apertou no momento em que o Kakasherun foi capturado. As cenas de luta foram bem detalhadas e com isso conseguiram passar toda a emoção da batalha. Durante toda a historia, a Ten-Ten se mostrou uma personagem forte e determinada, o que foi muito legal, já que é bem difícil historias terem mais foco nas personagens femininas. O final foi realmente algo surpreendente, descobrir que o Fantasma era uma mulher e o Sasuke. Ao começarmos, a leitura dá a entender de que a história se trata de uma Original, mas depois você percebe que não. Você deu codinomes a alguns dos personagens, e isso deixou tudo um pouco confuso, já que é preciso um pouco de tempo para assimilar quem é quem na historia. A sua ambientação do subgênero foi ótima, cheia de detalhes que ajudaram a visualizar os acontecimentos como se estivéssemos dentro da historia, mas em alguns momentos havia informações que não eram de grande valor para a historia, o que acabou confundindo o leitor sobre qual o foco da história e sobre quais elementos realmente são importantes para ela. Sugiro que você dê uma revisada mais profunda na historia, pois ela tem erros de concordância e de pontuação, o que prejudica um pouco a fluidez da leitura. Parabéns por cumprir o desafio, e obrigada por compartilhar a sua historia com a gente. Até a próxima <3
4 de Outubro de 2018 às 14:38
Mary Olosko Mary Olosko
COMO eu amei isso mds do céu. super bem escrita e terminada. chocada do quanto eu gostei
8 de Setembro de 2018 às 17:30

  • Nonna Costa Nonna Costa
    Obrigada pelo carinho <3 Foi muito importante o seu feedback. Obrigada de verdade por isso. 1 de Outubro de 2018 às 22:49
~