Pelos seus olhos Seguir história

rose_quartz Rose Quartz

Sasuke podia até não enxergar, mas sabia exatamente o que via em Sakura quando ela estava ao seu lado. "O coração dela batia descompassado. Sabia que Sasuke podia sentir e se amaldiçoava por isso, mas não conseguiu controlar a tremedeira nas pernas quando o viu se aproximar. — Você é linda"


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#universo-alternativo #querobiscoitofns #gincanafns #representatividade #sasusaku #sakura #sasuke #naruto
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Veja como te vejo

A garotinha de grandes olhos verdes corria desesperada pelos corredores praticamente vazios daquele enorme colégio. Olhava para trás de segundo em segundo, apenas para confirmar o óbvio: ainda estava sendo perseguida.

Em seu encalço, duas outras meninas e um rapazinho. Eles vinham bem mais rápidos e mais ágeis. Afinal, era mais fácil para eles. Eles não eram como ela.

Eles não eram gordos.

Era o intervalo dos pequenos. Todos os outros alunos lanchavam e brincavam pelo pátio. Apenas Sakura era covardemente coagida pelos corredores próximos aos banheiros.

Talvez, se mais alguém estivesse ali, poderia ajudá-la...

Não, não poderia. Provavelmente, se mais alguém aparecesse, seria para aproveitar a chance de tirar sarro da menina roliça demais para sua idade. Por isso seu objetivo era claro: os banheiros. O mais próximo era o masculino, mas não se importava. Só iria se esconder até que eles fossem embora.

Quando estava quase chegando na segurança do toalete, sentiu os pés travarem e os joelhos irem de encontro com o chão. Havia tropeçado nos próprios cadarços. Maldita habilidade de fazer laços!

— Cuidado pra não quebrar o chão, rolha de poço! — uma das garotinhas riu assim que Sakura caiu.

Ela se virou, envergonhada. Ia se levantar, mas mal conseguiu se sentar sem ser intimidada pelas três crianças. Sempre que ela tentava se elevar, era empurrada novamente para baixo. Seus olhos já estavam marejados.

— Por que quer se levantar? Seu lugar é aí, chupeta de baleia! — o rapaz provocou.

— Pare com isso! — ela esbravejou — Só quero comer meu lanche!

— É claro que quer. O seu e mais o de todo mundo. Não vai sobrar nada na cantina! — os três riram.

— Gorda, baleia, saco de areia! — uma das meninas puxou o coro e logo os três cantavam e debochavam de Sakura.

Gorda, baleia, saco de areia!

Sakura se encolheu, tentando se lembrar das palavras de sua mãe. Ela havia dito para ignorar.

Ignorar, ignorar, ignorar.

Mas era tão difícil ignorar quando as três vozes estridentes berravam aquilo em seus ouvidos.

Ouviu a porta do banheiro se abrir em meio aos gritos. Ela olhou para trás e viu outro rapazote ali. Ele não a olhou em momento algum e, sinceramente, Sakura não saberia dizer se ele estava olhando para as três pestes que lhe atazanavam ou não. Na mão direita, um bastão de Hoover ainda dobrado.

Sakura apenas abraçou mais o próprio corpo. Com certeza ele se juntaria ao pequeno grupo. Seus olhos e nariz já ardiam. O choro que estava preso não demorou a sair.

— Parem com isso! — o menininho disse determinado e Sakura estranhou. Ele estava pedindo que eles parassem?

— E se a gente não quiser? — o outro o desafiou.

O tal menino uniu as sobrancelhas e, desdobrando sua bengala, foi em direção ao som da voz que o desafiava.

— Eu vou contar pra professora — e apenas essas cinco palavras fizeram os três travessos se entreolharem e saírem apressados.

Vagarosamente, ele se virou para a garota sentada no chão bem atrás de si. Ela o olhava admirada. Sentia a quentura em suas amuras aumentar conforme o garoto se aproximava de si.

Em momento algum seus olhos cruzavam com os dele.

— E você? Ainda está aí? — dirigiu-se a ela pela primeira vez. — Garota?

Sakura tinha apenas oito anos, mas sabia que seu coração jamais bateria daquela forma.

— Sim, eu... Obrigada... — ela pronunciou em um fio de voz e ele estendeu a mão.

— Qual seu nome? Eu sou o Sasuke — ela se levantou e bateu as mãozinhas gorduchas pela saia negra do uniforme.

— Sakura... — disse baixinho, ainda envergonhada.

— Eles te importunam há muito tempo?

— Bem, mais ou menos...

— Você não pode deixar isso acontecer — mais uma vez, a carinha brava. — Devia contar a alguém sobre-

— N-não, espera! — sentia-se confusa. — Eu não quero que ninguém saiba...

— Não? — ele pareceu indignado por alguns segundos, mas logo inclinou a cabeça para o lado e deu de ombros. — Bom, meu irmão me ensinou a ser um cavalheiro. Então vou andar com você até ter certeza de que eles não vão mais te fazer mal — agarrou-lhe a mão — Você não ia lanchar?

— Sasuke... — ele ia andava com confiança. Prometeu que não a deixaria sozinha novamente apenas para que fosse vítima de mais um ataque daqueles pequenos encrenqueiros.

E ele não deixou.

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— Bati!

— Você está trapaceando! — Sasuke reclamou quando Sakura, pela terceira vez consecutiva, ganhou.

— Confere aí então, espertinho — ela jogou as cartas adaptadas no colo de Sasuke e ele as pegou, sentindo os pontinhos em alto relevo de apenas um lado das cartas e conferindo uma a uma.

— Certo, você bateu, mas ainda acho que é uma trapaceira. Não é difícil passar a perna no cegueta.

— Fique quieto — rindo, ela jogou um dos salgadinhos de seu pacote nele. — Eu ganhei de maneira justa.

Já estavam com seus treze anos de idade e a piada da vez era que Sasuke conseguia ler o próprio rosto pela quantidade de espinhas que tinha espalhada pela cara.

Não haviam se separado após o incidente com os três encrenqueirozinhos e, de certa forma, Sakura era grata aquele grupo de perseguidores.

Sem eles, jamais teria conhecido o seu melhor amigo.

Quando ela já embaralhava as cartas para dá-las novamente, o relógio no pulso de Sasuke apitou alto.

— Ah, preciso ir.

— Puxa, já? — Sasuke apenas acenou, estendendo a mão e pedindo pelo seu baralho.

Sakura odiava quando ele ficava todo calado.

Bufou e bateu o baralho na palma da mão dele.

— Vejo você amanhã.

— Espera, vai sozinho? — Sakura se levantou para acompanhá-lo conforme ele ia andando pela casa e batendo seu bastão como se a residência fosse dele. — Sua mãe te trouxe e Susanoo não veio junto.

— Acho que sei voltar pra casa sem a ajuda de um cachorro, Sakura — o sarcasmo escorria pelos dentes.

— Já está escuro. Eu fico preocupada.

— Não se preocupe. Sou muito bom em andar no escuro — ela revirou os olhos, procurando pelas chaves. — Eu sei que revirou os olhos.

— Que seja! Só tome cuidado.

Ele assentiu e ela, finalmente, abriu a porta para que ele fosse embora.

Ficou olhando a silhueta do amigo até que ele desaparecesse dobrando a esquina. Suspirou. Ficava apreensiva quando Sasuke saía sozinho por aí. Sabia que ele era orgulhoso demais pra admitir caso precisasse de ajuda, mas também o conhecia bem o suficiente para saber que ele não se perderia ou faria qualquer coisa idiota no caminho.

— Filha, Sasuke já foi? — ouviu o berro de sua mãe vindo da cozinha.

— Sim, mamãe — berrou de volta. Não tinha o menor problema em comunicação à base de gritos.

— Não acredito que ele foi antes do jantar! — Mebuki apareceu na porta com um pano de prato jogado no ombro e um pequeno vasilhame tampado em mãos. — Fiz tomates recheados!

Entregou mais que depressa a pequena marmita para Sakura e começou a empurrá-la.

— Mãe!

— Corra! Ainda dá tempo de alcançar o Sasuke. Se isso ficar aqui, vai acabar estragando!

Sakura, ainda a contra gosto, cedeu aos empurrões e saiu correndo para alcançar o rapaz que já havia sumido na esquina mais próxima.

Achou que teria que correr mais um bocado pra alcançá-lo, mas se surpreendeu ao vê-lo a apenas alguns passos de si.

O corpo franzino sendo prensado contra a parede e a bengala jogada ao chão. Segurando-o pela gola e morrendo de rir de sua deficiência visual, um garoto bem mais alto de cabelos castanhos.

— O que foi, hã? Além de cego, é surdo? — Forçou Sasuke novamente contra o muro, o fazendo perder o fôlego. — Eu te fiz uma pergunta!

— Kiba! — Ela largou os tomates ali mesmo, correndo em socorro do amigo. — Qual o seu problema?

Irritadíssima, Sakura o empurrou com força, libertando Sasuke e fazendo o outro rapaz recuar bons passos.

— Opa, o assunto chegou — Kiba riu e Sasuke agitou-se por um momento, sendo segurado por Sakura.

— Vá pra casa, seu grande idiota!

Kiba ergueu as mãos pro ar em sinal de rendição, ainda com aquele sorriso debochado no rosto.

— De qualquer forma, não gosto de segurar vela — e distanciou-se, ainda dizendo alguns absurdos.

— Você está bem? — Perguntou a ele enquanto lhe entregava de volta a bengala caída ao chão.

Sasuke assentiu.

— Mamãe me mandou te chamar pra jantar. Ela fez... Tomates... O que aconteceu? — Perguntou meio nervosa.

— Ele disse coisa que não devia.

— Esse seu temperamento explosivo ainda vai te trazer problemas, Sasuke! — Sakura parou e suspirou quando percebeu o tom de voz saindo mais alto que o normal. — Vem, vamos comer os malditos tomates. Mamãe me mata se souber que eu derrubei sua marmita.

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Sakura andava distraída pelas ruas. Poderia fazer aquele caminho de olhos fechados. Ia admirando as vitrines bonitas dispostas no centro comercial da pequena cidade. Passou pelo mercadinho, atravessou a rua e dobrou a esquina.

Sorriu quando viu o letreiro bonito da grande loja de ferramentas.

Entrou lá como se fosse sua casa. Foi apressada de corredor em corredor. Os olhos verdes passavam atentamente por cada canto de lá, mas não encontrava a cabeleira negra que tanto procurava.

— Sakura? — ouviu seu nome e se virou para o balcão de atendimento. — Ainda não tirou esse rosa do cabelo, garota?

Já estava com os cabelos curtos e tingidos há uns bons dois anos e Itachi sempre comentava.

Ignorando o comentário, correu até ele. 

— Itachi, cadê o Sasuke? Combinamos de fazer uma coisa muito importante juntos — ajeitou a mochila em suas costas.

— Muito importante, é? Hm... — coçou o queixo — Desculpe, pequena, mas não sei onde está o cabeça de vento.

— Não me chame assim... — Sakura não gostava daquele apelido. Se tinha uma coisa que não era, essa coisa era pequena.

Itachi só poderia estar gozando com sua cara.

Por trás, Sasuke vinha bem quietinho. Quando estava próximo o suficiente, deu um apertão na cintura da amiga e ela pulou com o susto. Era fácil demais assustar Sakura. Os dois irmãos riam de sua cara

— Não tem graça!

— E o cego sou eu — brincou.

— Há, há. Hilário. Vamos logo, Sasuke!

— Espere, preciso pegar Susanoo — ela assentiu, fazendo menção de segui-lo.

— Eu posso, ao menos, saber onde as princesas estão indo?

— Não — curto e grosso, Sasuke seguiu seu caminho.

Sakura revirou os olhos.

— Vamos alugar um smoking pra ele — sussurrou.

— O quê?

— Ora, Itachi! Estamos terminando o colegial. Vem um baile por aí — Sakura encenou uma dancinha ridícula. — E Sasuke está todo cheio de charminho fazendo mistério sobre quem ele vai convidar. Então eu o convenci a, pelo menos, me deixar ajudar com o smoking.

— Vamos? — Sasuke apareceu já com seu par de óculos escuros e com o grande labrador de pelagem negra abanando o rabo apenas por ver Sakura.

— Olá, garotão! Está feliz hoje? — abaixou-se para acarinhá-lo atrás das orelhas.

Susanoo só faltava se derreter ali mesmo com o carinho gostoso.

— Tsc, você o deixa mal acostumado...

— Tá, tá, vamos logo — Sakura foi indo em direção à saída, sendo seguida por Susanoo e, consequentemente, por Sasuke.

— Pegue um terno ridículo, Sakura. Ele não vai saber mesmo — Itachi gritou de onde estava.

— Sakura! — Sasuke ralhou.

— Ai, eu só comentei... — fora da loja, ela o esperou a alcançar. — Além disso, jamais te colocaria dentro de algo ridículo.

Sasuke parou e ela parou alguns passos à frente, virando para encará-lo.

Ele odiava sair em público à luz do dia sem seus óculos, mas sabia como pressionar Sakura muito bem.

Puxou os óculos para cima por alguns segundos. Os olhos pretinhos como duas jabuticabas pareciam enxergá-la com perfeição, mas ela sabia que não.

Sasuke havia crescido muito. Finalmente estava mais alto que ela e Sakura precisava olhar para cima para falar com ele. Os cabelos saíam cheios e sedosos da cabeça e parecia ficar mais forte a cada dia que passava.

A puberdade havia lhe feito — e ainda fazia — muito bem.

Claro, com seus 17 anos de idade, ainda tinha uma ou outra espinha pelo rosto bonito e Sakura julgava aquilo mais que justo. Era intragável que um ser humano fosse tão lindo e sem nenhuma imperfeiçãozinha.

Mas, às vezes, ela se pegava admirando até mesmo as acnes do rapaz.

Sakura, infelizmente, não pensava ter tido a mesma sorte. Continuava gorda e, automaticamente, interpretava aquilo como feio. No entanto, não era culpa dela. Sua cabeça havia sido muito influenciada pela mídia e por todo o resto.

Fingia não ligar, mas, até ali, ao lado do melhor amigo, sentia-se desconfortável às vezes.

— Sasuke, eu juro! Só smokings escuros — ele arqueou uma sobrancelha. — Certo, só pretos.

— Melhor agora — voltou a andar.

— Mas só se me contar quem é a felizarda.

— Já disse que não.

— Ah, vamos lá! Eu também tenho algo pra te contar...

— Não me lembro de ter dito que queria saber.

— Sasuke!

— Shiu, não distraia Susanoo ou ele pode me fazer cair — falou com humor e quase riu ao ouvir a bufada indignada de Sakura.

A loja que pretendiam ir não era muito longe. Em poucos minutos já estavam de frente para a vitrine. Sakura, assim que bateu os olhos num smoking azul petróleo, começou a ficar louca ao lado de Sasuke.

Foi o primeiro que ele levou para dentro do provador.

Susanoo, preguiçoso que só, acomodou-se ao lado de uma das poltronas onde Sakura poderia sentar para esperar por Sasuke, mas ela mais parecia um urubu rodeando a cabine.

— Sasuke, tem certeza de que não precisa de ajuda?

— Sakura, sou cego, não burro. Sei me vestir — rebateu meio irritado.

— Tá, mas esse aí tem um monte de coisinhas e botões e sei-lá-o-quês... — ouviu a cortininha do provador se abrindo e se virou imediatamente.

— Certo, então me ajude com essa porcaria de gravata. Não sei nem no que estou pegando — praguejava.

Sakura teve que parar alguns segundos.

Uau.

— Sasuke... Nossa... — levou a mão ao peito, fazendo de tudo para interpretar aquela batida rápida de seu coração como uma resposta à felicidade por ver seu amigo tão elegante e prestes a convidar uma garota para o baile de formatura.

— Ficou bom?

Por Deus, havia ficado maravilhoso!

— Você está lindo. Uau! Sinceramente, nem precisamos procurar mais.

— Esse não é o azul?

— Sim, mas-

— Quero experimentar um preto.

— Ah, Sasuke! Esse está tão... Tão... Perfeito! — Sentou-se na poltrona ao lado de Susanoo. — Seu humano não está um pedacinho de pecado, Susanoo? Hein?

Ao virar-se para o cachorro, acabou perdendo um dos raros momentos de Sasuke Uchiha.

As bochechas levemente coradas.

— Se gostou tanto deste... — ele ajeitava as abotoaduras pelo tato sensível.

— Oh, sim! Está tão lindo que fico com inveja da sortuda que irá levar ao baile. Ah, é... Por falar nisso...

— Sakura, eu não vou te cont-

— Tá, seu rabugento! — Puxou-o pelo pulso, o coagindo a se sentar na poltrona ao seu lado. — Mas eu tenho algo que quero te contar — mordeu os lábios em pura ansiedade. — Fui convidada por alguém!

— O quê?

— Dá pra acreditar?

Não, não dava pra acreditar.

— Quando? — disfarçando bem sua confusão, Sasuke perguntou.

— Na quarta. Conhece Hidan?

— O repetente? — Sakura o cutucou.

— Não fale assim! Enfim, sabe que ele deixa os cabelos cinza, certo?

— Sim, esses são os olhos de alguém que sabe a cor do cabelo de todos que conhece — Sakura soltou um riso pensando ter sido uma piadinha qualquer, mas Sasuke estava sério.

Estranhamente sério.

— Ele veio me pedir dicas de descoloração e, conversa vai, conversa vem... Ele disse que estava me observando já tinha um tempo e me pediu para acompanhá-lo — Sasuke podia sentir apenas pela vibração de voz de Sakura que ela estava, provavelmente, corando ao pensar na cena.

Segurou o comentário maldoso na ponta de sua língua.

— Sakura, tem certeza de que ele tem boas intenções?

— E o que seriam as más intenções? — perguntou meio temerosa. Sasuke era sempre muito racional. Se ele tinha algo a dizer, era bom que escutasse.

— Não, quer saber? Tenho certeza de que irá se divertir.

— Não é? — animada, ela segurou nas mãos dele. — Agora também irei e poderemos conversar um pouco lá caso seu par o deixe sozinho.

— Ah, sim. Sobre isso... Fui rechaçado.

— O quê? — ele sacudiu os ombros.

— Eu a convidei e ela disse que não estava interessada.

— Oh, Sasuke. Eu não sabia. Por isso não queria contar quem era? — ele assentiu. — Eu sinto muito. Por que viemos alugar o smoking então?

— Ora, eu perdi uma das candidatas, não todas. Além disso, vou com Susanoo da próxima. Ninguém diria não a ele — Sakura riu, curvando-se para perto de Sasuke e passando a gravata borboleta ao redor de seu pescoço.

— Não sei quem foi a louca que disse não pra você, mas prometi à tia Mikoto que mandaria uma foto com todos os elementos. Então, diga xis!

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O grande dia havia chegado. O tema do baile daquele ano era “Uma noite estrelada” e, embora fosse o mesmo tema carne de vaca de qualquer baile de formatura, Sakura nunca estivera tão animada.

O vestido escolhido era simplesmente lindo. As mangas ¾ que subiam até um decote ombro a ombro lhe caíam como uma luva. O colo à mostra era enfeitado pelo pequeno pingente da gargantilha negra. A saia godê ia até pouco abaixo dos joelhos e o tecido prateado combinava bem demais.

Os cabelos rosados, na altura dos ombros, estavam com ondulações lindas. Os olhos bem delineados de cílios longos a deixavam com o rosto ainda mais bonito.

Eram raros os momentos em que Sakura se sentia bonita, mas lá estava ela. Descendo as escadas com passos confiantes e não se sentindo apenas bonita, mas se sentindo maravilhosa.

Ao pé da escada, Mebuki batia mil e uma fotos ao lado de um marido todo emocionado.

— Está tão linda, minha pequena flor. Olhe só, Kizashi! Olhe como está grande...

O pai se recusava a falar. Uma palavra e as lágrimas sairiam todas de uma vez.

Sakura sorriu. Tudo estava perfeito. Nada estragaria aquela noite.

O celular em sua pequena bolsa de mão tocou com a chegada de uma mensagem e ela imediatamente o pegou. Só podia ser Hidan.

Abriu a mensagem sorrindo, porém, à medida que ia lendo, seu sorriso ia diminuindo mais e mais.

— Sakura? Querida? — Mebuki começou a se preocupar quando os olhos verdes encheram-se d’água.

Os lábios de Sakura tremeram. Ela entregou o celular nas mãos da mãe e, inconsolável, correu para cima outra vez.

Mebuki olhou da filha para o aparelho e para o marido.

Curioso, Kizashi agarrou o celular e começou a ler a mensagem aberta na tela.

— “Engane o porco”... — seus olhos passaram rápido pelas palavras absurdas narrando algum tipo de brincadeira de péssimo gosto contra sua adorada filha.

— Deixe-me ver isso, Kizashi! — Nervosa, Mebuki puxou o aparelho das mãos do marido e leu, furiosa, cada frase nojenta. — Ligue para Sasuke, querido. Agora.

(...)

Em seu quarto, Sasuke lia “A Laranja Mecânica” com certa raiva. Na verdade, nem mesmo estava entendendo as palavras pelas quais seus dedos passavam. Pro inferno com Alex e seus três druguis!

Àquela hora, Sakura provavelmente estava só sorrisos ao lado do tal de Hidan.

Ouviu três batidas gentis na porta.

— Tá aberta, mãe.

— Querido, a senhora Haruno quer falar com você. Ela disse que é urgente. Algo relacionado a Sakura e uma brincadeira que fizeram com ela. Não entendi muito bem. Mebuki estava muito nervosa ao telefone — disse baixinho, estendendo o aparelho a ele.

Sasuke o pegou de prontidão. Que papo estranho ela aquele?

— Alô? Sim... — em algum ponto, algo dito do outro lado da linha deixou Sasuke tão zangado que, mais que depressa, o rapaz fechou o livro com força e desligou o telefone sem nem mesmo se despedir.

— Sakura está bem, querido? — Mikoto perguntou, assustada com a reação do filho.

— Itachi ainda tem aquele smoking da formatura dele?

(...)

A porta do quarto de Sakura estava trancada. A maquiagem bonita, por mais que fosse à prova d’água, não duraria muito se ela continuasse apertando o rosto contra o travesseiro daquela maneira.

Seu peito doía de uma forma terrível. Havia sido humilhada da maneira mais baixa.

Os sapatos já haviam sido esquecidos e a pequena bolsa não estava mais em suas mãos. Provavelmente havia desfiado a meia-calça ao se enroscar numa farpa do corrimão da escada, mas pouco lhe importava.

Chorava copiosamente.

Tudo o que ela queria, uma vez em sua vida, era uma noite mágica.

— Sakura? — sua mãe batia à porta.

— Por favor, mamãe... — pediu com a voz embargada e ouviu passos se afastando para, logo em seguida, ouvi-los se aproximando outra vez.

Esperou pela voz da mãe que não veio. No lugar, a batida ritmada e conhecida que ela e Sasuke costumavam trocar para saberem quem era.

Sakura se levantou na mesma hora, destrancando a porta e abrindo uma frestinha.

Ele estava deslumbrante. O tom de azul daquele smoking era idêntico ao que o vira provar na loja, porém, o corte era mais elegante. Aquele combinava bem mais com o estilo de Sasuke e, por incrível que pareça, os pequenos óculos escuros redondos no rosto dele até combinavam com todo o resto.

— Sasuke?

— Posso entrar?

— Não, eu estou horrível!

— Não tem como eu saber — ele esperou por um risinho, mas Sakura continuou calada. — Vamos, me deixe entrar.

Sakura deu passagem a ele e, com seu jeitinho, o segurou pelo pulso para que não acabasse tropeçando pelas coisas espalhadas pelo chão.

— O que veio fazer aqui? — ela perguntou em uma última fungada.

— Vim levar meu par ao baile — ele enfiou as mãos nos bolsos da calça.

Sakura soltou um riso sem graça.

— Está brincando comigo?

— Sakura, você só fala desse baile desde que foi convidada. Eu quero que você se divirta nele.

— Era tudo o que eu precisava, Sasuke. Um acompanhante por piedade! — elevou a voz na última frase, arrependendo-se logo em seguida. — Perdão, sei que você não tem nada a ver com isso. Não devia estar gritando...

Ele ouviu quando ela caiu sentada na cama, cansada. Ouviu o suspirar abafado pelas mãos e ouviu a voz embargada quando ela falou:

— Era “Engane o Porco”. O nome da brincadeira. A ideia era me enganar e me fazer pensar que eu poderia ter uma noite mágica com alguém. Eu, um Porco. Por conta do meu maldito peso — ressentida, ela se calou. Não queria chorar mais. Já era humilhante o suficiente que aquilo a afetasse daquela forma.

— Eles são uns imbecis, Sakura — sentou-se ao lado dela com a cabeça baixa, como se fitasse os próprios joelhos.

— Sabe o que é pior? Hoje, quando me olhei no espelho, eu realmente vi algo que gostei. Eu estava me sentindo tão bonita... Deus, eu sou tão burra!

— Pare, não diga isso. Você n-

— Tsc, me desculpe. Você está todo arrumado e bonito. Não queria te tirar da sua festa com minhas idiotices. Seu par está lá embaixo? — Tratou de segurar as novas lágrimas que teimavam em se formar.

— Sakura...

— Desculpe... Desculpe! — ela secou as bochechas furiosamente com as mãos antes que Sasuke a tocasse devagar no joelho.

— Já te disse quem é meu par — ele ofertou a ela um sorriso simples e ela, como se sentisse um tremendo alívio, o abraçou com força.

No ombro de Sasuke, permitiu-se chorar mais um pouco. Talvez, no futuro, ao olhar para aquela tristeza, provavelmente imaginaria o quão dramática estava sendo, mas, naquele exato momento, a dor fazia tanto sentido que Sakura só queria pô-la para fora.

Abraçou-o por uns bons minutos e o soltou quando percebeu que estava molhando seu ombro.

— Oh, me desculpe... — ela fungou. — Acho que amassei seu terno.

— É do Itachi, então só tenho a agradecer — Sakura riu.

— Obrigada por estar aqui por mim... — ele ouviu o sorriso de Sakura. — É um desperdício que esteja aqui. Está muito bonito enfiado nessa roupa.

— Você também está linda — a cabeça nem mesmo estava virada para ela.

— Você não sabe — riu baixinho.

Mas ele sabia. Talvez não pudesse ver o vestido bonito, mas sentia o cheiro floral inconfundível e que tanto amava. Não enxergava o cabelo bem arrumado, mas sentia a maciez do toque dela em sua mão. Poderia não estar vendo os acessórios que a deixavam ainda mais deslumbrante, mas ele ouvia a voz melodiosa e única que só Sakura tinha.

Não lhe importava o que qualquer um dissesse. Sakura era a garota mais bonita que já conhecera na face da terra.

— Eu sei — devagar, ele elevou a mão direita até o rosto de Sakura, o sentindo.

Gostava de sentir o rosto dela. Só o fazia ter mais certeza ainda de que ela era estonteante.

Contornou a amura de Sakura com os dedos e repousou a palma ali, deixando que as pontas dos dedos roçassem nos cabelos cheirosos. Deslizou o polegar abaixo dos olhos dela, removendo qualquer resquício do pranto de minutos atrás.

Sasuke puxou os óculos, deixando que ela visse seus olhos que, mesmo cegos, carregavam um maremoto de confissões.

O coração dela batia descompassado. Sabia que Sasuke podia sentir e se amaldiçoava por isso, mas não conseguia controlar a tremedeira nas pernas quando o viu se aproximar.

— Você é linda — com a ponta dos dedos da outra mão, ele procurou pelos lábios dela, os tocando muito levemente.

Ela não rebateu. Não teria forças. Quando finalmente provou do beijo que nem mesmo sabia que ansiava, pensou ter conhecido o paraíso.

Estava apaixonada e nem mesmo se dera conta daquilo.

Espantava-lhe como a intensidade de sentimentos por ele explodia em seu cerne com aquele simples beijo.

Separou-se dele por alguns instantes, fascinada pela experiência.

— Eu era a garota? A que você convidaria? — Perguntou num fio de voz.

Sasuke assentiu e deleitou-se mais uma vez com os lábios de Sakura quando ela voltou a beijá-lo intensa e avidamente.

Ela não precisava do maldito estúpido baile. Ela só precisava daquele maravilhosamente estúpido Sasuke.

E Sakura, que só queria ter uma noite mágica, havia conseguido. Não só aquela, como todas as conseguintes.

Pois para Sasuke, pelos olhos dele, aqueles olhos que enxergavam nada e, ao mesmo tempo, tudo, sob aquele olhar, Sakura não tinha falha alguma.

Pelos seus olhos, Sakura era perfeita.

31 de Agosto de 2018 às 02:34 4 Denunciar Insira 5
Fim

Conheça o autor

Rose Quartz Leitora assídua e escritora amadora nas horas vagas. Amante de desenhos animados, apaixonada por música e fã de carteirinha de Steven Universo. Adepta do politeísmo, sendo minhas deidades Sakura Haruno e Rose Quartz. Venha me visitar um dia desses para a hora do chá(nnaro)!

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Políbio Manieri Políbio Manieri
Alá, eles têm que botar as criança. Eles têm que pegar na fraqueza! Eu não sei pelo que me derreto mais se pelas mãozinhas gorduchas, o sasuke lendo pelas espinhas ou Suzano o bigdog. Mais uma historinha que eu to suspirando nas alturas pra saber cada vez mais porque cada referenciazinha à adolescência e àqueles casos de amizade antiga... parece muito que estou assistindo um daqueles filmes da sessão da tarde e eu simplesmente AMO esses filmes. EU TO AQUI ME DESCABELANDO COM SASUSAKU COMO ISSO É POSSIVEL MEU BOM PAI JEOVÁ. Agora eu entendi porque a tatu queria tanto alguém pra berrar sobre isso aqui tá a coisa mais graciosa da face da terra. Ah meu deus como eu sinto falta de fics assim! A Sakura gorda e o sasuke cego, tomara que eles dois me explodam porque eu não to cabendo mais em mim!
5 de Setembro de 2018 às 23:57
Tatu Albuquerque Tatu Albuquerque
NÃO ME TOQUEM, EU TÔ MUITO SENSÍVEL. EU, EU... EU NÃO SEI NEM O QUE DIZER PORQUE PALAVRAS NÃO CONTEMPLAM A GRANDIOSIDADE DESSA FANFIC. OLHA ESSA DELICADEZA, OLHA ESSA MARAVILHA, OLHA ESSA... MANO, EU TÔ MUITO ENCANTADA COM A EVOLUÇÃO, A SENSIBILIDADE E A ABORDAGEM DESSA FIC. DESDE QUE ELES SE CONHECERAM ATÉ O FINAL, EU... AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA OLHA SÓ QUE MARAVILHOSO!
5 de Setembro de 2018 às 22:12
Nathy Maki Nathy Maki
KONOHA SOCORRO QUE EU TÔ NO CHÃOO! Pelos deuses eu tô muito apaixonada, olha essa fic mais linda, fofa e itimalia do mundo. Ai, calma que tem um olho na minha lágrima. Meus deuses que arraso de representatividade, o modo como foi tratado e o Sasuke todo fofo criança (era pra ter dado uma bengaladas bem dadas nos molequinhos mesmo! Felizmente o vou contar ora professora ainda funciona pra botar medo nos coraçoes u.u) Nossa, ainda tô em extase ♡ O romance foi um amorzinho e deu um calor no peito gostoso♡ Susaano melhor cãozinho, quem é o cãozinho mais lindo do mundo? É você! Pode mimar mesmo Sakura! A escrita foi maravilhosa e as comparaçoes e as ultimas frases me tocaram de verdade. Parabéns, você foi um arraso total! Beijinhos ♡
30 de Agosto de 2018 às 22:06

  • Rose Quartz Rose Quartz
    ITIMALIA MODEUSOOOOO KKKKKKKKK QUE BOM QUE GOSTOU DA REPRESENTATIVIDADE, GATA! Planejo trazer muitas outras fics assim (espero). Sasuke muito apelão chamando a prof sos kkkkkkkkkkkkk O romancezinho deles foi bem clichê justamente pq falta essa representatividade nos clichês, né? awnnnn. E Susanoo, melhor cão-guia. Docinho lindo principe perfeito! Fico muuuuuuito feliz que tenha gostado, meu xero! Muito obrigada pelo comentário e pelos elogios. Isso faz o dia de qualquer ficwritter <3 1 de Setembro de 2018 às 13:42
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