Marco Zero Seguir história

tiatatu Tatu Albuquerque

Cinco anos após o início de uma epidemia viral que devastou parte da humanidade, Kakashi volta ao marco zero em busca de Gai, a primeira besta, considerado o Paciente Zero do Tai-Vírus e, também, seu noivo. A esperança é que essa seja a última missão em busca daquele que pode ser o único caminho para a cura.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#terror #sci-fi #biopunk #violência #fns #Gai-Kakashi #kakagai
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Capítulo I

01/08/2025 - 09:00. Centro Evacuado de Konoha. Marco Zero da Liberação do Vírus Bestial.


O que um dia foi um grande e badalado centro de cidade grande agora eram apenas ruínas de construções abandonadas(?), ao menos pelos humanos saudáveis, cobertas por vegetação imprópria para o consumo humano(?), mas que provavelmente devia ser uma tentativa da natureza de consertar o mal causado por eles.


Pela primeira vez em muito tempo, humanos saudáveis(?) se aproximavam dali, após serem deixados à uma segura distância para os outros integrantes da missão que tinha como objetivo principal capturar o paciente zero ou algum tipo de DNA dele para os estudos em busca da cura para os efeitos do Tai-Vírus que há tanto havia destruído a vida de muitos, até dos homens que ali estavam.


Há muito não ia ali e, ao que se lembrava, a última vez que havia pisado ali estava tudo normal e nem sequer pensava na possibilidade do pandemônio que se seguiu.


Tocou, no chão, a pegada que por tantas vezes reclamou de ter sujado o piso ou os tapetes de sua casa e lamentou, sentindo saudades de quem por pouco pôde chamar de esposo.


Naquele primeiro de agosto faziam exatos 5 anos desde que toda a contaminação teve início, mas também faziam 10 anos de relacionamento. Por mais que Gai fosse catalogada como uma besta não-humana, se recusava a considerá-lo assim, ele continuava sendo seu noivo e, por mais que nunca tivesse ligado para esse tipo de coisa, gostava de dizer que ele era o mais próximo de alma gêmea que tinha.


Ajeitou a máscara com a qual escondia os efeitos do Tai-Vírus em seu corpo e sobre ela colocou a máscara de oxigênio. Não era seguro, ainda mais pra alguém já parcialmente contaminado, que respirasse o ar das áreas de propagação.


Incomodava, principalmente porque as grandes e afiadas presas que ganhara no incidente, mas era necessário. Já lhe bastavam os dentes novos e o olho incontrolável e vermelho que, ao menos, tinha serventias militares, o que o livrou das sessões de “execução de segurança”, que nada mais foi que um massacre à boa parte dos contaminados catalogados como inúteis e perigosos.


Talvez fosse por isso que Gai havia fugido, imaginando que também seria pego. Infelizmente ele sempre foi mais enérgico e até impulsivo e por isso era considerado o “paciente zero”, mas Kakashi também se recusava a acreditar que era assim, ainda mais da forma intencional que seus superiores alegavam.


Como o conhecia melhor que ninguém, sabia que, se soubesse que o vírus era transmitido tão facilmente como pelo ar, pelo sangue ou pelo simples contato com fluídos, ele teria preferido morrer que espalhar aquela sentença de morte aos demais. No mínimo, era mais uma tática dos chefes da Anbu para tentar diminuir sua culpa, afinal, se eles não tivessem feito testes com soldados visando maior força militar, nada disso teria acontecido.


Levantou-se antes de tocar o musgo que, mesmo após 5 anos, ainda não sabia se também era perigoso, e então lembrou de colocar as luvas de proteção. Deixou o saudosismo e a indignação de lado, afinal, não era por ser uma área evacuada que estavam sozinhos e a vizinhança não era nada agradável.


— Capitão! - chamou seu parceiro de buscas, Tenente Yamato, para lhe entregar o rifle de longo alcance.


Agradeceu com um aceno, colocando em si a alça de segurança e verificando todas as condições de uso da arma. Com a ajuda da mira laser, examinou a área e, ao longe, viu uma das bestas.


O rosto deformado e cheio de olhos impossibilitava dizer se era um homem ou uma mulher, mas, a julgar pelos brincos enferrujados que estavam pendurados em sua orelha, a segunda opção era a mais plausível.


Isso já não importava e sim o fato do rosto monstruoso lançar de seus olhos alguma coisa na direção deles. Antes disso, felizmente, Kakashi acertou um tiro em sua cabeça, findando o ataque.


Ainda não tinham visto uma mutação daquele tipo antes e por isso suspirou frustrado. Mesmo após tanto tempo, não haviam conseguido catalogar todas as novas espécies e isso era tedioso.


— Espécie nova! - disse à Yamato e dos bolsos ele tirou uma pequena bola, se aproximou da fera abatida e a lançou, com o aparato se tornando uma rede, capturando-a e retornando ao formato inicial.


Riu nervoso pensando que aquilo o fazia sentir como um mestre dos desenhos de Pokemon, mas não tinha tempo para fantasias infantis.


Acionou o rádio transmissor acoplado no colete verde do uniforme militar, contactando o veículo que estava mais distante e havia lhes deixado ali, com seus ocupantes monitorando-os de longe.


— Central, espécime novo capturado. - avisou, vendo a bola desaparecer.


— Bom trabalho, tenente ! - parabenizou a Major Nori, olhando atentamente nos monitores, tanto pelo zelo para com seus homens quanto pela esperança de finalmente encontrar seu ex marido.


Agarrou a medalha ao lado das placas de identificação, onde colocava pequenas fotos do filho que teve com Gai, suspirando pesado, mas confiante.


— Vamos levar seu pai pra casa, Lee! - prometeu junto com Kakashi, que disparava mais uma vez contra outra besta.

Mais um espécime novo e pensou que, talvez, o próprio vírus estivesse ganhando novas formas ao longo do tempo e esse era um mal sinal.


Após mais essa captura, verificou novamente o perímetro e notou que agora estava mais seguro de avançar, chamando Yamato com os dedos, indicando que deveriam seguir as pegadas rumo à uma das construções em ruínas por ali.


— Vamos! - já não tinha mais medos sobre aquela gente que, em partes, também era sua, mas ainda tinha um pouco de temor sobre o que Gai havia se tornado.


Respirou fundo, esperando que os galões de ar durassem o suficiente até o encontrarem e que, também, aquela fosse a última missão de buscas a ele e à chance de cura, dando um fim definitivo aquela agonia que já durava tanto tempo e que ele ainda podia lembrar como havia começado.


01/08/2020 - 11:20. - Academia do Núcleo de Biologia Unificada (Anbu) - Hospital Federal do Exército. Zona Central da Cidade. 5km do Marco Zero.


Não sabia se a escolha daquela base tão próxima ao centro era uma tentativa de acalmá-los ou se vinha da necessidade de evitar o trânsito do composto Tai-Vírus dali para outros locais, por mais que parecesse burra a opção de fazer algo daquela magnitude naquele local. Aliás, era estranho que tivessem fechado o atendimento ao público, mas talvez fosse melhor assim, algo lhe dizia isso.


Devia dizer que estava mais nervoso que o comum e olha que basicamente nunca ficava nervoso. Algo lhe dizia que todo aquele esforço de seus superiores para manter secreto aquela experiência era sinal de que as chances de dar errado era alta.


O pior era que não sabia se podia desistir de ser “agraciado” com aquela “verdadeira oportunidade” de aumentar seu rendimento depois de já ter assinado tantas coisas que certamente o obrigariam a prosseguir. Sabia que ali, naquele grupo convocado pelo Tenente-Coronel Danzou, estavam apenas os 10 melhores do batalhão regido por ele e era, até certo ponto, um grande elogio que fosse selecionado, mas o fato de não poder sequer comentar o assunto com os outros companheiros de trabalho era suspeito demais.


Gai parecia mais inquieto também enquanto os médicos daquela operação colocavam os cabos eletrodos semelhantes aos de exame cardíacos que também precisaram fazer para chegar àquele estágio final e que os deixavam ainda mais cismados.


Tudo parecia estar sendo tão rápido… Era como… Como não! Certamente a equipe científica estava sendo cobrada pelo superior para que fossem mais rápidos que outros países que estavam na corrida para o uso do composto que prometia transformar os soldados em verdadeiras máquinas de guerra.


Velocidade, agilidade, raciocínio, força, equilíbrio, regeneração… Essas e todas as outras habilidades de apreço militar seriam aumentadas em mais de 300%, essa era a Promessa do revolucionário Tai-Vírus investigado há tantos anos pelo capitão da equipe científica, Major Orochimaru, mas eles não sabiam se aquilo era real ou apenas uma tentativa de agradar o Tenente-Coronel que vez ou outra agia como se fosse o General ou outro que fosse superior que fosse.


Respirou fundo, olhando para os demais companheiros que seriam expostos ao procedimento. Rasa, Asuma, Hayate, Izumo, Kotetsu, Genma, Ebisu e Obito, todos pareciam ansiosos com a exceção do primeiro, mas não era surpresa a nenhum deles que ele parecesse calmo, tal como fazia em todas as situações.


O porquê as oficiais e capitães femininas não seriam expostas ao Tai-Vírus com eles era outra pergunta sem resposta, mas tinha um palpite de que talvez fosse melhor assim. Estava tudo muito estranho para querer ter mais colegas ao seu lado.


Riu nervoso quando a Sargento-Médica Rin tirou a última amostra de sangue de Gai, que fechou a cara por nunca ter gostado muito de agulhas. Foi uma rápida porém eficiente descontração, principalmente pensando nele…


Sabia bem que seu noivo só havia aceitado passar por aquilo por conta do gordo aumento de salário que ganharam em um novo “abono insalubridade”, desejando dar uma festa mais bonita tanto para o aniversário de seis anos de filho, que logo chegaria, quanto para comemorar a união estável que assinariam em breve, finalmente oficializando a relação.


— O Lee ficou tão feliz de ter conseguido a decoração de ninjas pro aniversário dele… - disse sorrindo e, mesmo que tivesse sido testemunha da euforia do enteado no dia anterior, sabia que era uma tentativa dele de amenizar mais o nervoso e não reclamou.


— Temos que dar a ele o boneco que prometemos… - completou e o viu assentir.


— Assim que sairmos daqui, eu vou comprar pra fazer essa surpresa pra ele hoje ainda! - disse em tom de promessa, olhando para frente sem ver seu rosto carregado de incerteza.


Estranhando e, talvez, pressentindo o que aconteceria, segurou a mão dele que estranhou. Kakashi nunca fora desse tipo de coisa.


— Tá tudo bem? - perguntou Gai e, mesmo incerto, ele assentiu.


— Acho que só é um palpite… - isso era preocupante, afinal, ele não costumava errar palpites, mas, antes que pudesse falar qualquer coisa, ouviram a voz de Danzou.


— Está tudo pronto? - perguntou e os médicos assentiram.


— Sim, Tenente-Coronel! - a voz do oficial não saiu muito firme e isso assustou Gai, que engoliu seco.


Desde as palavras trocadas com seu noivo, conseguiu prestar atenção em uma palavra sequer daquele discurso que provavelmente era o mesmo de todas as reuniões e exames que já haviam acontecido, mas parecia diferente. Talvez porque antes confiasse mais nas palavras que mal lia nos lábios de Danzou, o que Kakashi reprovava totalmente, ou talvez fosse pela cegueira que aquele aumento em ótima hora lhe provocou.  


Talvez ele falasse mais ainda dos riscos que tinham aquela operação, mas não se focava nas palavras, mas na estranha movimentação de alguns homens da tropa de contenção, pelo que via por entre as persianas da janela. Por que precisariam ser contidos? Começou a desconfiar mais ainda.


Assentiu ao “entendido?” por reflexo, se arrependendo logo em seguida. Antes que pudesse perguntar mais sobre o que seria feito ali, lhe foi posta a máscara por Anko, a auxiliar do doutor, e vê-la usando máscara anti contaminação e com incerteza nos olhos só aumentou sua preocupação, principalmente ao ver a cápsula ser fechada rapidamente.


Era tarde demais pra voltar atrás e as luzes esverdeadas daquela cabine dupla incomodavam. Pela máscara do inalador já saia um pouco do que seria o gás e isso(?) tornou mais difícil a respiração – se é que o problema não era a agonia sentida desde as poucas palavras trocadas com Kakashi, que o achou mais inquieto após o início do procedimento.


Tocou a mão dele, a segurando na tentativa de acalmá-lo, e fechou os olhos, esperando que não durasse mais que os 5 minutos que Danzou havia informado em suas breves palavras, apesar do incômodo que foi sentir o borbulhar de seu corpo após um minuto inteiro exposto ao Tai-Vírus.


Doía bastante em todos ali e Kakashi mordeu a boca, apertando mais a mão de Gai quando a queimação na região de seu rosto aumentou. Era insuportável! Será que aquilo fazia parte do experimento?


Ficou tonto e, em um ato de rebeldia e, também, de desespero, tirou de si a máscara, mas, diferente do que achava, a respiração não ficou mais fácil. Abriu os olhos e sua visão turva viu Gai tremendo enquanto arranhava a si mesmo, talvez pela coceira que o próprio Kakashi sentia na altura do rosto.


Era óbvio que tinha algo errado, mesmo assim, foi pego de surpresa quando, em um instinto protetor, Gai aproveitou que a cabine dos dois, com o agito, havia se aberto por pouco e, após um chute na porta, jogou o companheiro para fora dali o mais rápido que conseguiu, fazendo com que ele caísse quase que de joelhos aos pés de Anko que a essa altura já estava desesperada.


— Eu disse que tinha algo errado! - foi o que homem abatido ouviu, assim como o novo fechar da porta, que, voltou a se fechar tamanha a força com a qual fora aberta e fez com que ela retornasse.


Não foi o único a sair da cápsula. Ao olhar para o lado viu que os outros ou eram retirados pela equipe médica ou havia fugido em um esquema semelhante ao feito por Gai, que fora o último a ser liberto.


Ele parecia completamente transtornado e Kakashi não fazia ideia de quando aqueles homens da tropa de contenção entraram ali, sob as ordens do superior que já não foi mais visto ali, tendo recuado como um covarde à sua própria criação.


Não entendia o que estava acontecendo e nem porque estava sendo contido tão brutalmente, mesmo abatido, dolorido e quase que incapaz de reagir, ao lado de alguns colegas, uns desmaiados e outros rebeldes e esse último era o caso de Gai.


Ele já não parecia o mesmo e sua pele tomava tons avermelhados, com seus músculos já trabalhados dobrando de tamanho. Linhas escuras demais para serem confundidas com veias ficavam cada vez mais visíveis nele, assim como em Asuma, que, ao golpear um dos homens, foi morto no mesmo instante, como Kakashi lembrava que, em algum momento, Danzou havia dito que seria em caso de insubordinação.


Nervoso, passou a se debater ao ver quando a mira da arma de outro tomou a direção de Gai, mas perdeu a reação com o choque do taser de Anko. Tudo o que viu antes de desmaiar foi o sangue de vários sendo derramado quando seu noivo fugiu, pulando da janela daquele 8° andar como se fosse um degrau.


Nunca antes odiou tanto estar sempre certo e não confiar em seus palpites.


01/08/2025 - 09:08. Centro Evacuado de Konoha. Marco Zero da Liberação do Vírus Bestial.


Acionaram as viseiras dos capacetes pretos, assim fazendo com que os tecidos dos uniformes tomassem o tom da área em que pisavam, visando se camuflarem por saber o quão perigosos eram os habitantes dali.


Os estudos e relatórios feitos pelos robôs do exército, esses enviados para a central antes de serem destruídos – como sempre acontecia –, diziam que, naqueles prédios, havia surgido uma espécie de nova sociedade entre as bestas em padrões similares ao humano e, em partes, também investigariam isso.


Tudo o que sabiam era que, aparentemente, Gai era uma espécie de rei das bestas, que não gostavam de se expor e de serem incomodadas, por isso deviam ser cautelosos. Corpos humanos(?) eram ainda mais frágeis que robôs e seria mais fácil à eles destruí-los. Todo o cuidado, como dizia o ditado, era pouco.


Era a primeira vez que humanos iam até ali e aquela missão, que só ocorria por ser a única forma de se aproximarem e então capturarem o paciente zero, só foi possível graças ao esforço de todos os envolvidos, que se prepararam para as emergências.


Havia um helicóptero de prontidão nos arredores para uma possível fuga urgente, preparado para levá-los dali caso tudo desse errado, assim como o hospital de quarentena mais próximo estava preparado para recebê-los, mas não queriam pensar na falha e sim em dar um andamento bem sucedido à missão.


Suspirou pesado ao entrar no que um dia foi um centro comercial. Ali ficava o restaurante no qual encontrariam Nori, que no dia do desastre estava de folga, e o pequeno Lee. Era óbvio para Kakashi que, enquanto ainda tinha razão, Gai havia decidido ir até ali para vê-lo, mas suas suposições levando em conta o pai dedicado que o noivo era não valiam muito para o governo.


Aliás, nem mesmo ele valia muito – tanto que parecia até uma tentativa de livrarem-se dele e dos outros lhe alocarem nos grupamentos de risco –, e tudo que valia aos saudáveis em si era seu olho que se recusava a usar por sentir que isso aumentaria os níveis de Tai-Vírus em seu corpo e, por falar no maldito, só de estar ali sentia arrepios.


Com Yamato não era diferente. Mesmo que não estivesse entre os pacientes principais, também estava contaminado desde o confronto com o próprio Gai ainda no laboratório – escondendo os efeitos do vírus, que lhe fez ganhar uma pele semelhante à cascalhos de árvore nas mãos, com grossas luvas –, e estar ali era lembrar do terror daqueles momentos em que de tão perto havia visto a morte.


Horrível eram as sensações e o próprio lugar decadente e marcados de sangue e fluídos desconhecidos. Era tudo iluminado de forma precária pela luz do sol que entrava pelas janelas ou pelos buracos nas paredes, e, além do musgo, insetos também eram vistos. O que antes era um Hall de entrada até pomposo, agora era uma bagunça cheia de vidros quebrados, plásticos, sapatos, trapos de roupas e outros itens amontoados e, Nori, pela câmera, ficou horrorizada de ver tantas ossadas espalhadas por ali.


Foram capazes de imaginar o quão desesperados aquelas pessoas deviam estar naquele dia ao verem a primeira besta invadir o local e foi doloroso. Nunca antes a major agradeceu tanto por, no dia em questão, ter se atrasado no horário em que iria até ali com seu filho, o que havia assegurado sua sobrevivência junto de Lee.


Respiraram fundo. Não havia ninguém ali, como se muitos tivessem fugido ao notarem a presença deles, e eles precisavam continuar as buscas.


As pilhas de entulho pareciam travar boa parte dos caminhos e era melhor não escalar as montanhas de lixo para que o barulho não chamasse a atenção de todo o enxame, ou mesmo os soterrassem. Yamato avistou uma passagem livre e guiou seu superior até lá, dando de cara com uma escura escada para emergências.


O problema era o guardião da passagem, um assustador cão de grande porte, acometido pelo vírus. Seu corpo era tão musculoso quanto um antigo halterofilista e suas unhas grandes e ameaçadoras. A raça não era possível dizer, mas julgaram que a mordida dele seria perigosa e fatal. Sua cabeça quádrupla tinha rostos dos quatro lados e todos eles rosnavam, mesmo que não tivessem olhos, sentindo o cheiro dos estranhos.


Antes que chamassem ainda mais a atenção dele, Kakashi os parou. Em códigos, acenou que talvez não fosse bom falar ali e indicou que deviam capturar aquele espécime vivo. Matá-lo talvez fosse chamar a atenção de quem estivesse ali.


Depois de muito pensar em como acertar o cão com o instrumento de captura e ambos suspiraram aliviados ao ver que havia dado certo.


— Espécime canino capturado! - sussurrou à Nori pelo comunicador e ela teve pena de quem teria que lidar com aquele cão, assim como tinha pena dos dois que seguiram o caminho.


Estava tudo muito quieto e suspeito. As bestas eram barulhentas demais pelo o que sabiam e isso era preocupante aos dois, que subiram as escadas rumo ao 1º andar. A porta aberta deixava livre a passagem de feixes de luz e eles permitiam que eles vissem o montaréu de cadeiras empilhadas, as janelas quebradas e as trepadeiras espalhadas pela construção. Parecia vazio e Yamato pensou em investigar para ter certeza de que assim era, mas Kakashi negou.


— Ele está na praça de alimentação! - era um palpite e como o tenente sabia que dificilmente ele errava um o seguiu sem pestanejar.


A praça de alimentação ficava no 6º de um total de 12 andares. Ali ficava o restaurante favorito de Lee, ao qual iriam 5 anos antes e seria um esforço inútil, achava ele, examinar todos os andares. Achava que apenas Gai e poucos outros estavam naquele prédio em questão, mas não queria pagar pra ver. Se fossem emboscados por um grande grupo de bestas, seria o fim da missão.


Foram cuidadosos ao subir a escada de ferro mal cuidada e cheia de verdadeiras armadilhas, como o musgo que fez com que o capitão escorregasse duas vezes durante a subida. Com um aceno, agradeceu ao parceiro de equipe que lhe segurou e evitou que o último escorregão o fizesse cair em um ponto de ferro retorcido.


Os andares pelos quais passaram estavam com a porta de passagem fechadas e assim preferiram deixar até chegar no 5º. Ali estava escuro, toda a mobília havia sido posicionada de forma que pouquíssima ou nenhuma luz adentrasse o recinto, indicando que quem estava ali não gostava ou, talvez, não precisasse dela.


A visão noturna dos óculos permitiam uma boa noção do ambiente, mas, ainda assim, precisaram da leve luz das miras de seus rifle para ver melhor. Kakashi agradeceu pelo respirador ao ver todo aquele lixo e comida apodrecida por 5 anos que estava ali, jogada nas mesas e nos antigos restaurantes. O cheiro dali não devia ser muito agradável.


Seguiram rumo ao Youth Food, o restaurante que, mesmo servindo apenas comidas mais saudáveis, era o queridinho de Lee, tomando passos lentos por imaginarem que não seria fácil lidar com Gai àquela altura de sua mutação.


A cada cuidadoso passo dado pela dupla, a equipe de apoio na van sentia o coração quase pular pela boca, temendo por eles. A câmera captava pequeno ruídos desconexos ao longe e isso podia ser alguma forma de comunicação entre as bestas.


Uma revolta numerosa delas, no mínimo, terminaria com uma fuga arriscada. Se não fosse compreensível que, quanto menos pessoas ali, mais chances de sucesso tinha a operação, Nori estaria xingando seus superiores por mandá-los sozinhos.


Yamato escutava a respiração descompassada da Major que parecia tão agoniada quanto eles, porém não tinha tempo para dizer a ela nenhum tipo de palavra de consolo. Entraram no restaurante de costas um para o outro e, enquanto Kakashi patrulhava a cozinha, ele viu uma claridade preocupante escondida por entre as mesas.


Engoliu seco vendo um rosto ameaçador pela mira da arma e cutucou Kakashi, que o encarou em seguida, estranhando o aparente desespero dele.


— Capitão, acho que temos companhia! - antes que perguntasse algo, sentiu a aproximação de uma fonte de calor, vendo Yamato indicar, com o queixo, que deveria olhar para trás.


Virou o rosto na direção apontada e não acreditou no que viu, principalmente quando o scanner da câmera na viseira de seu capacete indicou a identidade de quem se aproximava.


Sua calma se esvaiu completamente ao ver a nova face de Gai, bufante e irritado, pronto para atacá-los e destruí-los, sem, aparentemente, reconhecê-los.


Os olhos avermelhados, combinando com a pele ainda mais “cascuda” que da última vez que havia visto, e os cabelos em forma de chamas, rosnando e mostrando os dentes de uma forma nada amigável.


— Kakashi? - perguntou Nori estranhando a falha das imagens, principalmente após a câmera voadora ser destruída no ar por Gai, com Kakashi tentando se conter ao passar a mensagem.


— Major… Achamos o Paciente Zero! - ou talvez fosse melhor dizer que ele os havia achado. 

30 de Agosto de 2018 às 13:53 2 Denunciar Insira 0
Continua…

Conheça o autor

Tatu Albuquerque Mãe de Konohamaru, madrinha de Hanabi, adepta da Fé do Sagrado KonoHana. Você tem 5 minutos pra ouvir a palavra da minha igreja? Kaiten no cu e gritaria, kore!

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Machadorisos . Machadorisos .
AAAAA MEU CU! Fode mais que tá pouco! Assustador em referências, pude imaginar perfeitamente, tudo o que você narrou! Caralho cara, cê tá em um outro nível! O enredo me lembrou muito um filme da netflix, the titan! Eu adorei, de verdade
30 de Agosto de 2018 às 11:06
Machadorisos . Machadorisos .
AAAAA MEU CU! Fode mais que tá pouco! Assustador em referências, pude imaginar perfeitamente, tudo o que você narrou! Caralho cara, cê tá em um outro nível! O enredo me lembrou muito um filme da netflix, the titan! Eu adorei, de verdade!
30 de Agosto de 2018 às 11:06
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