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pi_1983 pi _1983

é quando as crises invadem ou quando a loucura toma conta. é, até mesmo, quando os dedos entram em contato direto com o cérebro e escrevem. Eu Feito Pessoa Só me livro do desassossego Se escrevo . Esse expurgo Abençoa . de Adriano Dias E por tudo que lhe é mais sagrado, sonhe!


Histórias da vida Para maiores de 18 apenas.

#fantasia #loucura #contos #originais #delírio
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É um delírio

É um delírio, eu sei que é. O céu gira, cor de lápis azul. As nuvens são partes não coloridas, tão brancas e incrivelmente fofas.

São algodões, macias e convidativas para um cochilo. Mas não posso fechar os olhos, não posso escurecer meus olhos.

Rolo pela grama, ela é tão verde e viva, meu corpo é leve, eu flutuo no chão.

É um delírio, eu sei que é. É doce o delírio. Meus pés afundam na areia da praia, deixando pegadas de ontem.

O futuro é só uma perspectiva, olhando o horizonte do fim do infinito mar. É tão azul, reflexo que ele faz do céu.

Lápis de cor, azul. Como os seus olhos. Algodão doce derretendo na língua, uma montanha russa, um parque de diversões.

É um delírio, eu sei que é. Estamos no alto e todas as luzes iluminam a cidade para que possamos ver. É tão seguro aqui em cima e tão silencioso. Todos sorriem, nós gargalhamos, da perfídia que são esses risos. Eles riem de nós.

De mim. Eu me equilibro para não cair, a corda balança, me ameaça. Estico os braços, sinto o vento no rosto. Eu quero mergulhar, não importa onde vou cair.

É um delírio, eu sei que é, mas me atiro, fecho os olhos e meu corpo cai sem pressa.

Idiossincrasias afloram. Um colchão macio me apara, o lugar tem um cheiro doce. Baunilha, é, é isso. Baunilha. Abro os olhos, o teto é azul cor de lápis de novo e as nuvens pairam sobre mim.

Eu posso tocá-las. Se esfarelam e se espalham quando meus dedos passam por dentro delas. São apenas neblinas.

É um delírio, eu sei que é. Atravesso a rua correndo em cima da faixa de pedestres, contando os riscos, com tanto risco. Meu gato me espera do outro lado. Ele está com seu monóculo e nós vamos tomar um café. Ele segura um livro em baixo de uma das patas dianteiras.

O céu ainda está lápis de cor azul. Claro. Mas as nuvens se foram, o deixaram completamente azul. O asfalto reflete, invejado que está esquecendo-se do seu cinza encardido.

É um delírio, eu sei que é. O café é amargo, como o gato gosta. O livro está em cima da mesa. Eu puxo e leio na capa, “Guia Completo para Resolução de Qualquer Problema”. Começo a folhear, mas ele não tem fim.

Um carro passa voando, uma girafa está no volante. Ela acena para nós. Eu e o meu gato erguemos nossas mãos. Sinto algo quente, olho para cima e estou tocando o céu.

Sensacional. As idiossincrasias estão em ação. Tocar o céu é como tocar o céu. Não tem como descrever. Impossível comparar. O gato está lendo o livro. Acendo um cigarro. Ele reclama.

É um delírio, eu sei que é. Os lençóis brancos estão todos no varal balançando com o vento. O jatobá tem um balanço preso em um tronco grosso. Eu me sento nele, o gato me empurra.

Mais alto! E eu quase posso tocar o céu de novo. Eu solto das cordas e voo. Tenho asas de papel.

É um delírio, eu sei que é. Eu rolo na grama verde que pinica meu corpo. Mas é macia e cheirosa. Paro em baixo de uma árvore e uma maçã cai na minha cabeça. Ela é vermelha como sangue.

Crocante, doce e caldosa na medida certa. Um palhaço no monociclo desfila pelo picadeiro junto com outros palhaços sobre pernas de pau. Crianças riem. As luzes se apagam por um breve momento e quando acendem a cortina vermelha se abre e uma bailarina está parada no meio do palco.

Ela está sentada. A orquestra começa a tocar, ela se levanta. É uma bailarina toda dourada e ela brilha a cada movimento. Seus pés nas pontas dos dedos. Leve e graciosa. Gostamos do que estamos vendo, eu e o gato.

Estou segurando seu livro, é muito pesado. Olho para a capa e leio, “Guia Universal para se Guiar na Vida”. Folheio, mas as páginas são todas brancas.

É um delírio, eu sei. Mas é gostoso correr entre os lençóis brancos, estendidos no varal. O cheio do amaciante e a própria maciez deles. São lençóis de tecido nobre.

O rei mandou chamar. Pediu que eu e o gato cantássemos para ele. Eu não sei cantar, mas o gato se pôs a miar. Segurava seu livro enquanto isso e li na capa, “Todas as formas de ser feliz na vida”, comecei a folhear e as folhas foram se soltando.

É um delírio, eu sei que é. Uma chuva de papel colorido caia enquanto dançávamos um baile de máscaras. A minha escorregou, meu rosto se revelou.

O espelho me dava de volta uma imagem que eu nunca vi. Não reconheci. O gato disse que era eu ali no reflexo. Estava com seu livro embaixo de uma das patas dianteiras. Pedi o monóculo e encaixei no olho esquerdo. Fechei o direito e me olhei de novo.

É um delírio, eu sei que é. O grau era muito forte e tudo ficou embaçado. Sorri. Agora sim me reconhecia. Puxei o livro do gato e li na capa, “Só os loucos, completamente loucos, podem ler esse livro”, pedi emprestado. Fiquei com o monóculo e com o livro.

É um delírio, eu sei que é. Quando agradeci ao gato pelos empréstimos falei alto demais e a bibliotecária pediu silêncio. Olhei a capa do livro e com olho direito eu li, “Guia para entender todos os sons do silêncio”.

Minha banda favorita começou a tocar a minha música favorita. Aí eu fechei os olhos. O céu reluzia nos pratos da bateria. O gato ronronava no meu colo enquanto eu o acariciava e balançava meu corpo no ritmo da música.

É um delírio, eu sei que é. O show estava lotado e todos cantavam a minha música favorita enquanto eu dançava dourada como a bailarina, sob a chuva de papéis coloridos. Meu corpo enrolado em um lençol branco e macio. Uma coroa de folhas verdes como a grama e o céu azul cintilando acima de nós idiossincrasias.

26 de Agosto de 2018 às 01:52 2 Denunciar Insira 4
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Taynara C Taynara C
amei!!!!!
10 de Novembro de 2018 às 20:39

  • pi _1983 pi _1983
    Obrigada!!! :) 25 de Novembro de 2018 às 23:08
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