Coração de Pai Seguir história

pealruniverse Leticia Silva

Após a trágica morte de sua esposa, a vida perde o sentido para Jung-Ho, um homem de 23 anos que tinha tudo em sua vida. O homem como alavanca de escape, se joga na bebida e no trabalho esperando que isso diminua a dor de um coração dilacerado deixando seu filho, Dak-Ho de lado. Tendo como companhia a empregada, Dak-Ho trilha seu caminho sozinho e sem o reconhecimento de um pai.


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#História-de-vida #Homenagem-ao-pai #Bebida
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Meu garotinho especial

Nota; Isto era para ter sido postado como desafio do dia dos pais, porém, meu capítulo havia sumido do nada então, escrevi uma história totalmente diferente mas continua sendo uma estória em homenagem ao pai.

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5 de agosto de 2000

Um carro preto sedã estaciona perto de uma luxuosa mansão, de dentro do carro sai Jung-Ho, um homem de seus 23 anos. Ele adentra a mansão sendo recebido por Kyung-Soon, sua esposa. Kyung-Soon é uma mulher encantadora, de longos cabelos castanhos cílios longos e delicados.

Lábios finos e olhos achocolatados. Ele a beija sentindo seus adoráveis lábios macios, ao longo do corredor está sua mãe Kim-Ho dotada de beleza e inteligência. Ele a cumprimente também e logo em seguida, sobe para ver seu pai.

Um homem debilitado e com a saúde frágil, Dak-Ho ainda assumi as empresas da família com mão de ferro. Porém, Jung- Ho se preocupa cada vez mais com a saúde frágil de seu pai.

Dak-Ho é um homem confiante de si e gentil quando quer, está na casa dos 34 mas tinha a saúde de um homem velho.O escritório continuava o mesmo, a mesa de madeira de mogno impecável com alguns papeis e alguns documentos importantes, e uma imagem de sua família.

- Pai... - Deu seus cumprimentos se curvando levemente. - Estou ficando preocupado com o senhor, o médico tem receitado repouso absoluto...

- Não sege idiota, Jung-Ho! - Sua voz mesmo que baixa ressoava nas paredes de madeira.

- Está agindo como sua mãe, eu já disse não se preocupe comigo! - Repreendeu-o mais uma vez o lembrou de que sem ele a empresa falharia.

- Eu posso cuidar da empresa até que o senhor se recupere... - Tentou mais uma vez mesmo sabendo que falharia.

- Você ainda é jovem demais, filho... - Suspirou cruzando as mãos sobre a mesa.

- Eu já tenho 23 anos, papai... - Ressaltou franzindo a testa.

- Eu queria que você fosse um pouco como Taeyang. Que aproveitasse que ainda é jovem para fazer coisas de adolescente.

Jung-Ho fez uma careta. Nunca teve um relacionamento estável com o primo, os dois simplesmente se odiavam e constantemente Taeyang dava em cima de sua esposa.

Ele se lembrava do dia em que saíram aos socos e seu pai quase teve um ataque cardíaco. A careta se aprofundou ainda mais.

- Eu não sou um adolescente, e o senhor sabe que Taeyang está gastando o dinheiro com bebidas e suas festinhas.

- Jung-Ho o assunto acabou, volte para seus afazeres... - Seu tom era cansado, mas continha um tom autoritário.

Jung-Ho virou-se com as mãos em punhos e saiu pela porta.

20 de maio de 2005

Jung-Ho andava pelos corredores da Universidade de Ohio com tédio, Jung-Ho era um dos membros mais ricos desta universidade sendo o número três. Era popular entre as garotas e sempre tirava uma nota excelente. Um garoto de ouro. Apesar disso, ele não se interessava nisso, seu único objetivo era assumir as empresas e cuidar de seu pai.

Suspirou, ultimamente era só isso que passava em sua cabeça. Jung-Ho amava seu pai, faria qualquer coisa para mantê-lo vivo. Entre seus colegas, Jung-Ho fora o primeiro a se casar cedo. Andou até o terraço onde ficou por um tempo, tirou um maço de cigarros e o ascendeu. Jung-Ho começou a fumar aos seus dezoito no tempo em que farriava com seus amigos.

Parou de fumar quando começou a namorar com Kim, e a beber aos 20.

Porém, com os problemas acerca de seu pai ele voltou a fumar novamente como meio de descanso. Por um momento isso funcionou. 

Jung-Ho respirou o ar fresco da manhã e ficou lá nas próximas horas. Ele havia perdido duas matérias, mas não se importava, afinal de contas ele era o "cérebro" da universidade. O ar soprou seus cabelos trazendo o sentimento de paz, o outono iria começar este mês, as folhas das árvores estavam começando a cair. 

Ouviu o celular vibrar em seu bolso, porém ignorou. Ninguém iris estragar esse momento de paz.

Soltou a fumaça branca criando uma pequena nuvem, ficou observando ela até desaparecer. Jogou a cabeça para cima permitindo que o vento soprasse seus cabelos negros fechou e respirou fundo.

Mesmo quando alguém sentou em seu lado ele permaneceu desse jeito. 

- Ei, me passa um aí? - A voz de Ryan o fez abrir os olhos e olhar em sua direção. 

O sorriso zombeteiro estava lá, assim como o brilho malicioso em seus olhos.

Apesar de Ryan não nascer da Coreia, ele era lindo. 

Seu sorriso era contagiante e seus olhos castanhos que nunca perdia o brilho malicioso pareciam cristalinos para Jung-Ho. Ele ficou o fitando por longos minutos antes de lhe entregar um cigarro. Ryan sorriu em resposta ganhando uma olhada nada discreta de Jung-Ho.

Apesar de Jung-Ho amar sua esposa, Jung-Ho sentia uma queda por Ryan. 

Suspirou novamente e fitou o céu sem nuvens antes de voltar para suas aulas. 


Quando por fim as aulas acabaram, Jung-Ho não esperou pelo seus amigos, invés disso dirigiu-se de volta para a casa. Quando chegou lá foi recebido pelas empregadas da casa, subiu para ver sua esposa mas descobriu que ela não se encontrava lá. Procurou por sua mãe e estranhou não tê-la encontrado.

Quando esbarrou em Eunji, a filha da governanta, resolveu perguntá-la.

- Eunji, onde está minha família? - Quando perguntou, Eunji parecia nervosa, olhava para o chão e mexia com a barra de seu avental.

- Hum,s-sua família está no hospital, senhor... - Murmurou fitando seu calçado simples.

- O que? O que você quis dizer com isso, Eunji? - Perguntou já com a voz alterada. Seu coração batia descontrolado no peito, Jung-Ho sentia uma estranha pressão em seu peito, como se alguém o apertasse.

- Eu sinto muito senhor, seu pai passou mal e a senhora Kim e sua esposa o acompanhou para o hospital.

Sua respiração estava entrecortada, a pressão em seu peito aumentou até se tornar insuportável. Ele correu até a garagem e entrou em seu carro BMW dirigindo-se até o hospital. Quando finalmente chegou lá, estacionou o carro de qualquer jeito e correu até a recepcionista.

- Olá, meu nome é Jung-Ho e quero saber onde fica o quarto de Dak-Ho... - Seu peito subia rapidamente, suor escorria de sua testa e ele se sentia prestes a explodir.

- Ele está no quarto 301 a esquerda do corredor... - Antes mesmo da recepcionista terminar, Jung-Ho já corria desesperado até o quarto de seu pai.

Seu coração parecia uma caixa de volume ligada ao máximo, entrou pelo elevador e foi até o  décimo quinto andar. Olhou para suas mãos que não parava de tremer e fechou-as em punho. Assim que as portas do elevador se abriram, Jung-Ho correu em desespero até onde o quarto de seu pai estava. 

Como tinha dito a recepcionista, estava no corredor esquerdo. 

Jung-Ho avistou sua esposa sentada em uma das cadeiras do lado de fora do quarto. Seu cabelo estava meio bagunçado e seu rosto, enxado. Correu até ela e perguntou o que aconteceu, porém foi respondido com o silêncio.

Seus olhos estavam marejados indicando algo ruim.

Jung-Ho largou sua esposa e foi até o quarto, girou a maçaneta e a primeira coisa que vi fora a maca onde meu pai estava e os equipamentos médicos que evitava que ele tivesse falta de ar.

Sua mãe estava numa poltrona perto de seu pai, seus olhos estavam meio-avermelhados e o rosto enxado. 

- Pai... - Sussurrou sentindo uma enorme vontade de chorar por vê-lo desse jeito.

Porém, o silêncio foi a única coisa que o respondeu.

Ele se juntou perto de sua mãe onde lá permaneceu.

30 de maio de 2005

Jung-Ho estava mais preocupado do que nunca com seu pai. Apesar dele ser um homem forte, ele não esquecia que sua saúde era muito frágil. Sua doença era rara, e não tinha indícios de cura. Sua mãe parecia sempre triste, andava pela casa com um semblante preocupada e parecia mais perdida em pensamentos. 

Seu pai parecia mais cansado, e com certeza, mais fraco. Sua esposa parecia preocupada e vez ou outra, vomitava quando ninguém estivesse olhando. Jung-Ho tinha suspeitas que ela estivesse grávida. Seu primo imprestável vendo a saúde frágil de seu pai, vinha apenas para causar transtornos, novamente ele aparecia em jornais ou em TV por uma nova rixa ilegal ou então brigas de rua.

Jung-Ho estava cansado dele e de seus amiguinhos que todavia, retirava dinheiro da conta bancária de seu primo. Na última vez que seu primo veio buscar dinheiro, Jung-Ho o mandou pastar. 

Seus estudos finalmente haviam acabado e a cada dia, Jung-Ho ia mais insistente para garantir as empresas para si. Mas seu pai como grande cabeça dura, dizia novamente que só no dia de sua morte.

Jung-Ho se sentia cansado a atmosfera daquele lugar parecia pesada, combinou com os T7 de armarem um programa, talvez alguma festa?

Todos Aceitaram.

Jung-Ho estava se arrumando em seu quarto, colocou uma jaqueta jeans escura por cima de uma camisa branca de marca e uma calça jeans escura. Estava simples, porém elegante. Passou a mão em seus cabelos antes de se perfumar. Deu um meio sorriso para seu reflexo do espelho e partiu para a festa que aconteceria na casa de um dos membros.

Entrou em seu carro e deu a partida pronto para as noites de bebedeira e diversão entre amigos.

Quando chegou na casa de de Jung-Su era possível ouvir a música a quilômetros de distancia. As luzes psicodélicas era refletidas pela parede e as altas janelas do lugar.

Ao entrar pelo portão da frente onde dava acesso ao jardim da família Woo, ele esmagou alguns copos descartáveis que estavam espalhados pelo gramado verdejante. Na piscina, ele podia ver uma pessoa nua boiando na água.

Provavelmente bêbada.

Mais a frente ele pôde ver um um casal se pegando na parte interior da casa, ele ignorou aquela visão quando passou pelo casal. Ali havia vários formandos, outros que nem completaram o ensino médio. A casa que antes era tão perfeitamente arrumado, estava um zona. Havia vários copos descartáveis espalhados pelo chão, gente se comendo, gente bêbada exagerando na dose e vomitando pelo chão e gente dançando.

Mais a frente, Jung-Ho fitou Ryan praticamente comendo a garota no mini bar, revirou os olhos e pediu educadamente que um casal lhe desse licença. Foi até Kim- Soon abrindo caminho a cotoveladas e pedidos de licença. O ruivo não estava sozinho, havia uma roda de gente em que ele é o centro.

Jung-Ho fez uma careta. Fangilrs. Foi até o ruivo e o puxou pelo ombro, ouviu ele gritar um desculpe enquanto Jung-Ho abria caminho pela multidão. Quando estava no corredor do terceiro andar, onde a festa não o tinha alcançado, soltou o ruivo.

- Ei, imbecil o que foi isso? - Perguntou fingindo estar irritado com o fato de Jung-Ho o ter arrastado.

Jung-Ho revirou os olhos.

- Eu estava apenas te salvando do seu grupinho de fangirls, mas se você quiser retornar...

Jung-Ho deu de ombros.

- Ei, idiota eu estava apenas brincando! - Resmungou Kim-Soon fazendo biquinho.

Jung-Ho riu da maneira infantil do amigo. Fazia muito tempo que os dois não agiam desse jeito. Para falar a verdade, Jung-Ho sentia falta do ruivo, mas ele nunca admitiria isso em voz alta. 

- Posso te roubar só para mim, hoje? - Brincou mordiscando o lábio inferior quase que sedutoramente.

- Depende... - Disse Kim-Soon entrando na brincadeira. O ruivo soltou uma risada antes de ir para o corredor contrário.

- Ei! - Resmungou Jung-Ho que franziu a testa. Sem opção, foi atrás do ruivo seguindo-o pelos corredores até parar numa sala escura.

Assim que entrou no quarto, foi aprensado pelo ruivo que o beijou quase desesperadamente. Jung-Ho se lembrava no tempo em que beijava o ruivo quando ninguém estava olhando, mas isso era anos atrás antes de conhecer Kyung-Soon.

Quando por fim, o beijo fora interrompido, Jung-Ho deu um sorriso constrangido para Kim-Soon.

- Ei, esqueceu que agora sou casado? - Disse notando a careta de desagrado de Kim-Soon que se afastou de si.

Kim-Soon resmungou alguma coisa incoerente antes de se jogar no que parecia uma cama.

- Chato....

Jung-Ho sorriu.

31 de maio de 2005

Jung-Ho estava em sua cama de casal, ao lado estava sua esposa que dormia confortavelmente. Ele se lembrava da noite anterior em que beberá apenas três copos de puro vodka. Viu sua esposa levantar-se rapidamente e correr até a porta ao lado, onde era o banheiro.

Ouviu o som conhecido de vômito e suas suspeitas confirmaram quando ela apareceu novamente. Kyung-Soon estava grávida.

- Amor? - Engoliu em seco sentindo um bolo formar em seu estômago.

- Eu estou grávida, Jung querido. - Kyung disse sorridente com as mãos entre a barriga.

- Você...Confirmou com o médico? - Jung-Ho engoliu em seco, não que ele não queria ter uma criança, ele não se sentia preparado para isso.

- Sim, visitei o Doutor Jean Park quando você não estava... - Falou alisando a barriga lisa. 

- Aliás, onde o senhor estava? - Perguntou cruzando os braços encarando de forma séria o marido.

- Eu...Estava por aí... - De repente sua garganta parecia seca. - Bem, mas o que o Doutor disse?

- Que durante a gravidez devo estar de repouso... - Falou sorridente alisando novamente a barriga.

Jung-Ho deu um sorriso nervoso e enfiou a cabeça no travesseiro onde ficou por alguns minutos.

Se sentia pouco cansado e sua cabeça doía um pouco. A porta foi aberta por uma das empregadas da casa, ela parecia um pouco nervosa e hesitante em frente aos donos da casa.

- Senhor, seu pai o deseja em sua sala... - A voz mansa da empregada o fez levantar a cabeça para fitá-la. 

A empregada corou diante do seu olhar e saiu rapidamente. Jung-Ho levantou-se da cama suspirando, arrumou-se lentamente e beijou sua esposa e se despediu. Andou até o escritório de seu pai onde ficava num corredor extenso com várias pinturas e decorações valiosas.

Quando finalmente chegou, empurrou a porta de mogno adentrando ao recinto. A primeira coisa que viu foi o corpo de um homem com os anos reduzidos por causa de uma doença desconhecida. Jung-Ho sentiu um aperto no peito.

- Chamou-me, pai? - Perguntou hesitante, de alguma forma sentiu que aquela conversa não iria bem.

- Sim, estou avisando que seu primo Taeyang vai morar aqui, pelo menos até que ele se estabeleça.

- Pai, o senhor sabe que ele é encrenca... - Tentou reverter aquela situação, se Taeyang morar aqui, vai trazer apenas dor e desgraça.

- É por isso mesmo que sua mãe o mandou para cá. - Sua voz saiu fraca e cansada, como se tivesse vivido por tempo o suficiente.

Jung-Ho engoliu em seco e era nítido o seu nervosismo.

- Por favor pai, pense direito... - Tentou novamente mas foi interrompido pela chegada de sua mãe.

- Jung-Ho, querido, ouve seu pai e vá fazer seus afazeres... - Falou enquanto acariciava as suas costas eretas tentando passar tranquilidade ao filho.

Pareceu não surgir efeito quando ele suspirou e deixou a sala.


Quando Taeyang apareceu ele estava estampado com um sorriso sarcástico no rosto sem malas, sem nada. Apenas com a roupa no corpo. Era de marcas extravagantes e de cores claras e escuras. Seu sorriso aumentou quando encarou Jung-Ho. 

Jung-Ho lhe lançou um olhar feroz antes de subir as escadarias até seu quarto. Ele trepou na ampla janela e mediu a distância dali até o chão. Respirou fundo reunindo coragem e pulou minutos antes da porta ser aberta por sua mãe.

05 de Junho de 2005

Quando Jung-Ho chegou nesta manhã ele não esperava ver Taeyang paquerando sua mulher, novamente, na cara dura. Era notável o  quanto Kyung-Soon estava incomodada pela situação. Cerrando os punhos ele caminhou até a mesa onde a família estava comendo.

- Você não cansa de paquerar minha esposa, não é? - Todos se viraram para Jung-Ho, que estava com o rosto avermelhado por conta da raiva.

Taeyang não tirava o sorriso sarcástico do rosto, o que só aumentou a fúra incandescente de Jung-Ho.

- Eu vou te ensinar a não paquerar a mulher dos outros. - Sua voz saiu alta realçando na sala de jantar.

As empregadas próximas ficaram assustadas com a reação de Jung-Ho, que normalmente era tão calmo e civilizado. 

O coreano se jogou em Taeyang os levando para o chão, Jung-Ho começou a distribuir socos pela face de Taeyang que não conseguia revidar pela brutalidade de Jung-Ho.

Kim-Ho gritava para Jung-Ho parar com a luta, mas Jung-Ho parecia imparável. Kyung-Soon gritava pelos seguranças, enquanto seu pai, assistia tudo isso em choque.

O mesmo, ao tentar interferir, sentiu uma forte pressão no peito, e de repente, o oxigênio parecia faltar. A dor no peito parecia aumentar até se tornar insuportável. Ele deu um engasgo antes de cair no chão, inerte. 

Kim-Ho gritou.

06 de Junho de 2005.

O céu estava cinzento e o vento vinha fraco acompanhado por algumas folhas secas. Não havia quase nuvem nenhuma no céu, e as árvores parecia mais escuras. Os convidados estavam todos vestidos apropriadamente para este evento.

Enterro.

Havia alguns sócios de empresas próximas a seu pai, alguns velhos amigos e poucos familiares. Os pais de seu primo estava lá também junto com o irreparável Taeyang. O garoto parecia indiferente com aquilo o que causou irritação para Jung-Ho.

Mais próximo de si, estava sua esposa, sua mãe e seus amigos. Kyung-Soon segurava sua mão firmemente a aquecendo-a. Ryan estava com sua mão por seu ombro tentando reconfortá-lo. Mais nada pararia a dor gritante em seu peito.

Ele sentia que a morte de seu pai fora culpa sua, mesmo que todos dissessem ao contrário. Jung-Ho não havia soltado nenhuma lágrima até esse momento.

Jung-Ho sentia ter perdido mais que um pai, havia perdido aquele amigo que o ajudaria em todos os momentos, aquela pessoa que não importa se todos o julguem, ele vai estar lá para te apoiar. Isso era ser um pai e ele havia perdido um nesse dia.

O vento acariciou uma lágrima perdida, perdida assim como ele estava nesse momento.


Quando o enterro acabou, Jung-Ho permitiu-se chorar quando chegou em seu quarto, ele desabou como nunca antes, as lágrimas pareciam nunca cessar, e mesmo com o afago de Kyung-Soon em seu cabelo não estava adiantando. Jung-Ho se sentia o causador da morte de seu pai, sentia como era perder alguém e isso doía, doía muito.

Jung-Ho só parou de chorar quando caiu em exaustão.

08 de Setembro de 2015

Jung-Ho passou os olhos escuros para as linhas não esquecendo nenhum detalhe importante do documento. Assinou-o e depois suspirou, atrás dele estava uma janela grande e espaçosa onde dava a vista por quase toda a cidade. A mesa de mogno continha alguns documentos em que, ainda precisava ler uma xícara de café, uma fotografia de sua esposa e seu material.

A sala do chefe das empresas de transporte era grande e espaçosa, com alguns quadros rústicos e decoração profissional. As paredes eram pintadas de um tom rubro e havia uma planta quase ao lado da porta.

Se espreguiçou e guardou seu notebook em sua bolsa. Olhou para as horas de seu relógio no pulso esquerdo e levantou da poltrona. Pela janela era possível ver a lua brilhando e várias arranha-céus.

Jung-Ho era sempre o último a sair. Foi até o elevador, apertou o botão com a letra "T" de Térreo e esperou até que o elevador chegasse ao seu destino. Quando as portas finalmente se abriram para dar a visão de seu Toyota ele se dirigiu ao carro.

Voltar para a casa. Uma frase que já passara a não ter significado em sua vida.

Depois da morte de seu pai, sua mãe se tornou amarga passando a ignorar a existência de todos. Sua esposa ao entrar em andamento de parto acabou morrendo assim que deu à luz a Dak-Ho. 

O nome de seu primeiro filho.

Quando Taeyang passou a morar oficialmente ali, Jung-Ho se mudou para um apartamento numa periferia. Como Jung-Ho não conhecia ninguém para tomar conta de seu filho até que tomasse a idade de seis, ele ficou com ele.

A princípio fora muito difícil, as empresas o sobrecarregavam e Dak-Ho o lembrava bastante a sua esposa. Jung-Ho, afundou no trabalho passando a sair da empresa apenas à noite. Deixando seu filho aos cuidados de babás e empregadas, Jung-Ho afundou-se na bebida como um único meio de escape.

As poucas vezes que conversava com seu filho, ou era para cumprimentá-lo, ou era sobre a escola. Jung-Ho havia se tornado um homem frio.

O antigo Jung-Ho gentil e amável, fora morto para dar lugar a um Jung-Ho frio e insensível. 

O carro estacionou na mansão Ho, do carro saiu Jung-Ho que por meio de reconhecimento de suas digitais, adentrou ao grande portão para dar em frente ao imenso jardim.

Assim que adentrou em casa, a primeira coisa que fez foi averiguar se seu filho já estava na cama. Logo depois foi para seu próprio quarto, tomou um banho e se vestiu adequadamente para aquela noite.

Hoje era seu aniversário, mais um aniversário em que não era comemorado. 

09 de Setembro de 2015

Dak-Ho ficou surpreso quando encontrou seu pai na mesa de jantar naquele dia. Em todos os almoços e jantares, Dak-Ho comia sozinho apenas acompanhando de sua melhor amiga, Sehun, a empregada.

- P-pai? - Receoso, desceu o último lance da escada. Seu pai virou-se momentaneamente para ele sem dizer nada antes de se virar para seu café.

Dak-Ho após breves minutos de surpresa, sentou-se a mesa e começou a tomar seu café da manhã em puro silêncio.

Ele queria dizer alguma coisa, talvez puxar uma conversa, mas ele se sentia tão intimidado por seu pai, que resolveu ficar quieto.

Vez ou outra, ele olhava de relance para a forma reta e silenciosa de seu pai não acreditando que ele estava mesmo ali.

Quando por fim, tomou a iniciativa, seu pai já estava se levantando para se retirar.

- Pai! - Chamou-o corando logo em seguida. - V-você poderia me levar para a escola?

Seu pai o encarou por breves minutos, fazendo seu nervosismo aumentar até ao ponto de esfregar os pés debaixo da mesa.

- Desculpe Dak-Ho, estou atrasado... - Na verdade Jung-Ho não estava atrasado, só que ele não queria estar no mesmo lugar em que seu filho estiver e lembrar sua esposa em seu rosto.

O menino então, com esta resposta, abaixou a cabeça com um semblante triste no rosto antes de respirar fundo. Assim que seu pai deixou a sala, ele começou a comer lentamente com a tristeza enraizada no peito. Sentiu uma mão quente no ombro e soube que era Sehun.

Por um mero momento, ele quis que fosse seu pai.

A empregada o consolou com palavras gentis e dóceis e pôs-se a fazer companhia para o garoto solitário. Sehun sabia o quanto era difícil para o garoto aquela situação, sem mãe e um pai que dedicava seu tempo ao trabalho, Dak-Ho era um menino solitário.


As aulas eram longas e chatas mas a melhor parte era ficar com seus amigos, Dak-Ho tinha poucos amigos, dentre eles, estava Jean Wan Bisoo, seu melhor amigo. Eles conversavam de coisas aleatórias e Dak-Ho sempre participava de suas pegadinhas infameis. Ele já até foi para a diretoria por uma das pegadinhas de Jean. Teve casos que precisou chamar seu pai na escola.

Dak-Ho sentiu um arrepio quando se lembrou desse dia, seu pai nunca havia brigado com ele. O tom desaprovador foi como um soco em seu estômago e naquele dia, Dak-Ho chorou como nunca até ser acalmado pela Sehun. 

Dak-Ho prometeu a si mesmo que nunca irritaria seu pai. Os vários minutos se passaram com um Jean tagarelando sobre sua próxima pegadinha e os outros meninos anunciando o novo jogo que estrelaria este mês. Dak-Ho não estava prestando a atenção em nada daquilo apenas uma pequena garota sentada debaixo de uma árvore de cerejeiras. 

Seus cabelos eram loiros macios que batiam um pouco depois dos ombros e seus olhos eram azuis. Ela deveria ser aluna nova, pensou.

Ele queria ir lá cumprimentá-la e talvez puxar assunto, mas a timidez o acabou o vencendo e também, se fosse, seria motivo de chacota entre amigos.

Então, ele ficou lá só observando.

Mas Dak-Ho esqueceu o quanto Jean pode ser observador.

- Ei Dak-Ho, o que tanto olha? - Perguntou Jean seguindo o olhar do amigo.

Dak-Ho ficou tenso de repente, amaldiçoou Jean e sua observação excelente.

Um sorriso sapeca apareceu no rosto de cada um dos meninos assim que perceberam o que tanto Dak-Ho olhava.

- Então você estava de olho na menina nova, hein, Dak -Ho? - Todos, exceto o próprio Dak - Ho, gargalharam da fala do menino que continuou a sorrir.

Dak-Ho parecia uma estátua humana, ele pôde sentir o suor em sua têmpora e o nervosismo embrulhando o estômago.

Ele gaguejou tentando inverter a situação, mas já era tarde demais, Dak-Ho fora alvo de chacota entre seus amigos, e mais possivelmente para a sala.


Dak-Ho voltou depressivo para a casa, como previsto, o menino fora motivos de chacotas por observar a aluna novata. Sehun deve ter notado sua tristeza, pois logo voltou com um pedaço de bolo em suas mãos.

Sua felicidade fora gigantesca ao notar o pequeno pedaço de bolo de chocolate com cobertura de chocolate. Dak-Ho adorava chocolate. 

11 de Setembro de 2015

Dak-Ho estava ficando entediado em seu quarto, várias folhas estavam espalhadas em sua cama e seus materiais de desenho estavam ao seu lado. Ele havia desenhado vários desenhos de Pokémon, Dragon Ball, Yu Gi Oh e também um desenho de sua família. De como seria sua mãe se ainda estivesse viva, e o desenho de seu pai. No outro, ele estava incluindo junto com Sehun.

Dak-Ho estava de barriga para baixo, balançando suas pernas enquanto pensava em algo para fazer. Ele resolveu ligar para seus amigos decidido em convidá-los para brincar. Pediu para a governanta, mãe de Sehun, ligar para seus amigos, mas a mulher tinha que pedir permissão ao seu pai primeiro.

Aquilo desanimou o garoto, mas voltou a se animar quando seu pai permitiu. Poucas horas depois, pode se escutar o som da campanhia e Dak-Ho correu animado para atendê-los.

Os seis correram animados para o quarto de Dak-Ho, onde o pequeno ficou se gabando de seus desenhos acarretando numa competição de desenhos.

Logo depois os seis jogaram numa enorme quadra que ficava na parte de trás da mansão onde jogaram uma partida acalorada de futebol. Pela primeira vez na vida, Dak-Ho ficou imensamente feliz de ter seus amigos consigo. 


Jung-Ho voltou para casa, bêbado. Seu corpo estava mole e ele nem se aguentava em pé ele quase caiu duas vezes ao atravessar ao jardim. Ao abrir a porta foi recebido com o silêncio costumeiro. As luzes estavam apagadas dificultando ligeiramente sua visão. Ele deu três passos antes de cair no chão onde permaneceu poucos minutos.

Começou a rir e a risada se tornou histérica até se tornar gargalhadas profundas. 

- P-pai? - Ouviu a voz tímida e delicada do filho e sentiu seu coração se apertar. Parecia tanto com a da sua esposa.

- V-você está aí? - Seus passinhos lentos pela escada eram silenciosos, logo, o menino havia decido o último degrau.

- O que faz aí no chão? - Perguntou dessa vez mais firme. Jung-Ho não notou que agora estava chorando.

- Dak-Ho por que ainda não foi dormir? - Sua voz estava arrastada e sua língua enrolada, parecia mais difícil falar quando estava bêbado.

- E-eu escutei sons de risada então... - Dak-Ho engoliu em seco não querendo uma repreensão.

Jung-Ho suspirou.

- Vai dormir, vai... - Disse dessa vez soando mais firme.

Dak-Ho engoliu em seco mais uma visão e apertou a barra de sua calça de algodão em sinal de nervosismo.

- Pai... Por que você nunca...Fala nada? - A hesitação era clara em sua voz, assim como o nervosismo.

Sua garganta parecia seca e ele queria voltar para sua cama e deixar seu pai ali.

- Dak-Ho, volte para cama agora... - Jung-Ho soou duro tentando controlar as batidas fortes em seu coração.

- Eu sinto sua falta... - Ele continuou ignorando a ordem de seu pai. Iria confrontá-lo pela primeira vez.

- Dak-Ho saía da minha vista agora! - Jung-Ho gritou a todo pulmão ignorando a dor laçante no peito. Aquilo lembrava tanto sua esposa que o machucava.

O garoto se assustou tanto que enroupem em lágrimas, seu pai nunca havia gritado com ele dessa forma. Ele queria tentar parar a dor alucinante em seu peito e invés de correr para seu quarto, ele permaneceu enraizado em seu lugar.

Jung-Ho, que estava escorado no sofá, se assustou com os soluços do filho. Jung-Ho nunca gostou de ver Dak-Ho chorar. Correu até o garoto o abraçando fortemente ouvindo os soluços do filho. Desculpou-se com o coração doendo no peito enquanto ele mesmo soltava lágrimas no processo querendo arrancar aquela sensação de erro no peito.

Jung-Ho havia falhado como filho, havia falhado como marido, e havia falhado como pai. Mas ele jurou que dali para a frente, daria mais atenção ao filho, faria Kyung-Soon ter orgulho dele.

Pena que ele nunca cumpriu aquela promessa.


Notas Finais; Amar é cuidar e proteger aquilo que amamos e juramos proteger. Ao falhar nessa missão, falhamos não só com nossas promessas, mas com nós mesmos. Aqui mostra claramente isso quando Jung-Ho falhou em sua promessa em cuidar e proteger Dak-Ho, seu filho, falhando não só com o garoto, mas também com sua esposa, com ele mesmo, e com seu pai.

Isso é uma mensagem para as pessoas, e claro, para os pais também; cuidem de seus filhos e os amem, não deixem os erros do passado manchar isso. Até próxima estória, se minha net deixar!


 







14 de Setembro de 2018 às 12:59 0 Denunciar Insira 0
Fim

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