Desapareço em Você Seguir história

niccax Neeca Ashcar

Nagato não sabia se estava grato por ter sobrevivido ou perdido uma vez mais na solidão desde a morte de sua mãe. A única certeza que lhe assombrava era que daquela vez exagerou tanto e acabou na UTI. O que o Uzumaki não sabia; era observado. Um encontro inusitado causado por um gato de rua magrinho, leva Itachi abdicar de toda sua sobriedade, e desaparecer a cada dia nos olhos ingênuos de Nagato.


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos. © As histórias aqui postada são de exclusividade minha, Plágio é crime conforme a LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998 e Art. 184 do Código Penal – Decreto Lei 2848/40. Desapareço em Você – 2018 – Nicca X Keehl

#universo-alternativo #naruto #distúrbiosalimentares #anorexia #gay #yaoi #Adveniente #itachi #Nagato #Nagaita #angst #gatos #QueroBiscoitoFNS #GincanaFNS #Extraoficial
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O coração quer, o que o coração quer...


Naruto e seus personagens não me pertencem.

História criada de fã para fã sem comprometer sua obra original e sem fins lucrativos.

A Mii-chan sim me pertence, eu amo muito ela.

***

Notas:

Hello peoples, tudo bem?

Essa história participar extraoficialmente da gincana do biscoito da FNS.

Vim divulgar minha igreja suprema, meu OTP do coração, Nagaita! ♥️

Gatilho: distúrbios alimentares, precisamente anorexia. Inclusive essa é a minha representatividade. Se for sensível, não leia.

Para finalizar e não menos importante, essa é uma Sidefic de Adveniente, não postei ainda, tenho um pacto retardado de só postar uma história quando ela está finalizada, ou se, pelo menos, tenho metade da fic escrita, ela está quase finalizada, apenas revisando antes de mandar para a betagem.

Betada pela minha neném Alberta Einstein, Daniela Machado.  

O vídeo anexado a ela é o teaser da obra não publicada. Se gostou cola com nós e segue aí para acompanhar quando sair do papel.

Beijinhos e boa leitura!

📷 

Era quase engraçado notar o rosto iluminado de Nagato no último encontro deles; o sorriso mínimo, os olhos estupidamente azulados, cujos quais ganhavam um tom quase violeta, ou recordar o rosto chupado pelos resquícios da anorexia, vencida com muito custo, e os fios de um vermelho intenso, os cabelos batendo na altura dos ombros.  

Estava tudo perfeito, até a hora que Konan e Yahiko arrancaram de perto de Itachi um Nagato como nunca viram. Quando finalmente havia quebrado todas as barreiras sociais com Uzumaki, teve o colega arrancado de seus braços.

Não tinha um dia desde que fora apresentado para o companheiro das aulas Extra de confeitaria, que Itachi não sentia o coração acelerar de maneira calma. O arrependimento de demorar tanto para puxar assunto quase o consumia desde que houve a notícia sobre sua internação.

Itachi pegava-se suspirando pelos cantos e qual era o motivo?

Nagato era a pessoa mais interessante que conheceu em toda sua vida, além da aparência distorcida para os padrões que ele tanto odiava. Nagato era a personificação da indulgência e aquilo junto à inteligência emocional e o QI tão alto tanto quanto o do próprio Itachi, era, tinha que ser.  

Tinha que ser Nagato, mesmo que o Uzumaki não demonstrasse nenhum tipo de desejo sexual, por nada.  

Itachi sabia.

Rompendo a barreira de seu controle total em não demonstrar absolutamente nenhum pingo de sentimento, chegou à trágica conclusão daquela história, ou contava tudo, tudo mesmo ou enlouqueceria de uma vez por todas.

Não existe segunda opção para o que o coração quer.

O coração do Uchiha implorava por Nagato.

Mesmo correndo o risco de bancar o maior otário do mundo, Itachi naquela manhã acordou determinado, pronto para que aquele fosse “O” dia. O dia que acabaria com toda sua agonia, o dia que ou desencanaria ou avançaria. E estava certo como nunca antes esteve.

Pegou todo o material para as aulas de confeitaria, embalando-o na mochila preta, deixou em cima do sofá de dois lugares em chenile chumbo, e voltou pela última vez para observar-se no espelho de corpo.  

Sorriu assim que encarou o corpo esguio numa roupa toda preta. Aquela cor escura lhe dava confiança, trazia conforto; depois de se encarar, fechou seus olhos, com um sorriso pequeno sem mostrar os dentes, virou-se no mesmo eixo não encarando mais o pequeno banheiro todo azulejado e passou pelo apartamento luminoso e minúsculo, saindo pela porta.  

O prédio, em altura, não era dos maiores, possuía apenas sete andares, e ele vivia no terceiro, os corredores eram compridos e mal iluminados, e por algum motivo desconhecido aquela aparência tão diferente do seu apartamento claro, lhe trazia algum aconchego.  

Desceu as escadas de pedra em espiral e observou o portal para a vista reluzente do dia, que iluminava bem o primeiro andar.

O romper de uma memória lhe tomou ao dar por si e passar os dedos pelo que deveria ser a alça da mochila, mas a esquecera em cima do sofá, então deu meia volta um tanto irritado e correu de volta para seu apartamento.

(...)

O Uchiha desconfiou logo no primeiro momento de que aquele dia não era o seu dia. O estopim foi a bolsa preta, mas quando ele chegou novamente no primeiro andar bateu a mão no bolso para pegar as chaves e elas não estavam lá. Acabou tendo de voltar para buscá-las e depois disso uma série de pequenos esquecimentos não o deixavam sair de casa: carteira, dor de barriga, a balança de precisão para a aula, foram apenas alguns dos objetos importantes que precisava carregar consigo.

Ao descer pela sexta vez para o primeiro andar, o Uchiha viu-se preso num filme de terror, tudo que ele queria era ver o sorriso iluminado de Nagato e parecia que os planos de Kami eram o exato oposto.

Adentrou o apartamento sentindo-se um fracasso, sentou no sofá uma vez mais, encarou o relógio de pulso e... opa, não estava lá e, já cansado, repassou mentalmente todos os objetos necessários para aula.

Após abrir a mochila e contar tudo ali, pegou o relógio de pulso prateado deixado no rack lustroso e saiu pela porta, com a sensação horrível de que ainda estava esquecendo-se de algo.

Apenas balançou a cabeça, tentando jogar para o cérebro que nada faltava, ele havia contado.

Após se acalmar, Itachi estava na rua pronto para pegar o ônibus dás 08:45, vinte minutos depois do ônibus que costumava pegar, mas ainda assim estava adiantado.

Correu um pouco para não perder o meio de transporte, quando sua audição foi tomada de um miado fininho e triste. Ele parou e observou de onde vinha aquele chorinho. Uma bolinha de pelos branca e magrinha lhe cortou o coração. E naquele momento ele esqueceu-se da aula, de Nagato e de tudo.

Itachi suspirou alcançando o pequeno gatinho, e enquanto o agarrava, outra mão do outro lado o agarrou.

Itachi olhou para frente encarando o par de olhos estupidamente violeta, e sentiu o sangue concentrar nas bochechas, antes de ver Nagato meio bobo sorrir sem graça.

O gato parou de chorar ao ser levado para perto do recém-chegado, encostado ao peito do Uzumaki, e ali ouviu o outro balbuciar:

— Oi, Itachi!  

Nagato voltou sua atenção para o bolinho, acariciando o nariz rosado do bichinho.

— O...ii Nagato!

Itachi queria enfiar a cabeça num buraco e de lá não sair mais. Gaguejar? E corar? Tinha a certeza que estava tão vermelho quanto os cabelos do colega.

— Você vai ficar com ele? — Uzumaki perguntou simples enquanto esticava os braços para que Itachi pegasse o pequeno animalzinho.

— Pode ficar com ele! — Deu de ombros.

O colega de aula riu grave, antes de pronunciar:

- Eu queria mesmo, mas Konan me mataria, sabe, ela é alérgica!

Então nesse momento encarando os olhos estupidamente violetas, Itachi agarrou o animalzinho que grudou em seu peito.

— Obrigado!

— Eu que agradeço, iria passar o dia todo aqui até encontrar um dono para ele!

Itachi sorriu, bobo. Nagato preenchia seu coração como mais ninguém fazia. E todo o altruísmo de colocar a vida de um bichinho antes da sua era quase louvável.

— Bom... eu vou para a aula, você vem?

Novamente Nagato riu, desta vez confortável, atitude que fez Itachi erguer a sobrancelha em sua direção, curioso.

— Você não recebeu a mensagem do Obito?

— Que mensagem?

— Haverá uma reunião hoje com a coordenação da universidade, e todas as aulas foram canceladas!

— Não acredito! – Itachi tateou em busca de seu celular, e foi só aí que percebeu que não estava em seu bolso — Bem, então hoje o dia é todo nosso!

Encarou o bichinho que miou fraquinho lhe observando com curiosidade com seus olhinhos azuis.

— Se você quiser e se não for atrapalhar, claro, posso ir com você?

Itachi sorriu, doce e surpreso, quase não acreditando em sua sorte.

O coração quer o que o coração quer.

— Claro!

Caminharam em direção ao prédio, parando em uma petshop enorme no caminho. Tanto Itachi quanto Nagato compraram vários mimos para o bebê gato, desde caminhas ate brinquedos coloridos.

Nagato lhe fez prometer que o deixaria ver o pequeno animal, que não demoraram a descobrir ser fêmea, lhe dando o nome de Mii.

Para Itachi tudo parecia infinitamente bonito; Nagato daquele jeito, sem as devidas formalidades, mais solto que nunca, enquanto os assuntos se alongavam em todas as possibilidades, desde dango até mesmo a viagens que os dois queriam fazer assim que terminassem a faculdade.

— Tudo que eu queria na vida é ser confeiteiro!  

Itachi disse simples enquanto era observado pelo outro que mantinha a pequena Mii em seu colo, já que o Uchiha carregava as sacolas subindo as escadas mal iluminadas do prédio em que vivia.

— Então vá em frente!

Itachi riu com gosto quando seus pés lhe guiaram ao topo, e depois simplesmente respondeu:

—Envergonhar o senhor Fugaku...

Nagato apenas acenou com a cabeça e encarou o chão. Não tinha uma família convencional, sua mãe havia morrido há cerca de dois anos quando fora admitido na universidade, e seu pai, bom... ele nunca soube muito bem. Então não entendia o que Itachi dizia, era muito fácil tornar-se independente quando não se tem mais ninguém. Ou teve.

Ele apenas sorriu e depois o questionou:

— Você não vive dizendo o quanto seu irmão é maravilhoso?

Foi tão simples a fala de Nagato, ou o tom doce em sua voz despreocupada, que quase fizera Uchiha esquecer que o encarava parado no mesmo lugar, de iluminação precária, há uns cinco minutos. Só deu por si quando uma senhora passou o cumprimentando com educação. Então avançou sendo seguido pelo Uzumaki.

— E o que Sasuke tem haver com isso?

— Deixa seu pai se zangar, logo depositará suas esperanças nele e você pode seguir os seus sonhos!

Parecia um pouco óbvio demais o que ele dizia, mas conhecendo Fugaku como conhecia, sabia que este era capaz de afastar de seu irmão, e Itachi não saberia como viver sem Sasuke, então apenas concordou sem dizer mais nada sobre aquele assunto. Foi fácil, já que haviam alcançado a porta de seu apartamento, cuja qual foi aberta, ambos entrando e deixando o calçado no batente.

Os olhos violeta piscaram para a organização metódica, que fazia o pequeno apartamento parecer uma casa de revista, e depois falou:

— Que inveja da sua organização!

O Uchiha riu, dando de ombros e respondeu bem-humorado:

— Sasuke tem alguns problemas com TOC, e limpeza, quando ele vem aqui, praticamente todos os dias, ele mesmo arruma dizendo que eu não sou organizado o suficiente.

— É uma benção! — o Uzumaki respondeu observando uma luminária posta na parede da TV — Não precisar gastar dinheiro com uma empregada.

E voltou sua face para o outro que quase ria do devaneio dele, depois o Uchiha saiu pelo corredor para guardar a mochila, e voltou.

O coração quer o que o coração quer, pensou quando viu o Uzumaki tomar a liberdade de alimentar Mii, acariciando o topo de sua cabeça enquanto o bichinho devorava a comida.

Ao passar desse dia os dois juntos à pequena Mii, que engordava com rapidez, se tornaram inseparáveis. Nagato sempre aparecia com algum presente para o animalzinho, e Itachi ficava mentalmente se culpando por não ter declarado seus sentimentos ainda, era para ter sido há semanas, e parecia perdido sempre que olhava para aquele par de olhos tão exóticos, e ao mesmo tempo não queria que aquele pequeno fio alegre dos dias que ficava a sós com ele acabasse, contudo a paixão arrebatadora estava lhe tomando cada dia mais e mais, perdendo-se no brilho de Nagato, sentindo até o último órgão que tinha enrijecer e doer.

Dias como os que Uzumaki confidenciou quase que em estado catatônico de hesitação, sobre seu distúrbio alimentar:

— Depois que minha mãe faleceu, fiquei dias sem vontade de nada, não consigo me lembrar como clareza se comi, se dormi. Depois disso tudo ficou muito nublado em minha mente, está nublado, para ser sincero.

Os futons estirados pela sala pequena, a claridade era unicamente por causa da TV que passava qualquer série da Netflix. O silêncio constrangedor no mesmo instante em que Itachi segurou entre seus dedos as mãos magras de Nagato, e as beijou com tanta delicadeza, fazendo o colega, agora amigo corar.

Seu estômago se contorceu ao reparar na dor quase palpável que transmitia dos olhos violetas, sua respiração irregular tocando em seu rosto, o cheiro adocicado que exalava dos fios vermelhos de Nagato, quase não resistiu.

Apenas sorriu mínimo sem mostrar os dentes, enquanto acariciou o topo da cabeleira vermelha do colega e disse baixinho:

— Se quiser contar mais um pouquinho, estou aqui para ouvir.

Nagato apenas meneou um não com a cabeça e fechou os olhos. Adormecendo naquele misto quentinho das mãos presas sobre as suas, e a destras do Uchiha acariciando os fios rubros.

Itachi queria falar, eu estou aqui Nagato, preso no seu olhar puro, na sua voz doce, no seu cheiro. Apenas deixou o amigo dormir em paz.

Porém o ritmo que os embalava era como as ondas, algumas vezes calmas outras um maremoto de emoções.

O maremoto veio na manhã seguinte junto a lágrimas grossas ao confessar sobre o distúrbio alimentar, ao contar que quase morrera, que nunca em sua vida sentiu-se tão sozinho, ao dizer os pesadelos que lhe preenchia o âmago, e ouvir aquilo só fizera a admiração pelo outro aumentar.

— Todos os dias eu tenho o mesmo pesadelo, me olhou no espelho e nada está bem, depois de um tempo apareço na mesa, e tudo que vejo é um copo de água, depois minha imagem cadavérica logo a minha frente, rindo alucinante, e depois tudo fica escuro.

— Você sabe que se depender der de mim, nada disso vai acontecer novamente?

Itachi entregou um sorriso sincero.

— Obrigado por me ouvir de novo!

Itachi queria dizer que se fosse por ele, passaria o resto de sua vida ouvindo a voz doce que cada dia amava mais e mais, mas tudo que saiu de seus lábios foram:

— Somos amigos!

Não, isso não.

Não distinguiu o sorriso triste dos lábios do outro, não distinguiu quando Nagato com a voz falha lhe questionou:

— Você não falava comigo antes de eu ser internado, porque falou?

Fora tão simples o que questionara ali, mas que de qualquer forma Itachi nunca havia imaginado pensar antes.

Conhecia Nagato, pelo menos a educação fazia o cumprimentar todos os dias em aula, porque nunca antes alongou os diálogos além dos polidos “Olá Nagato-san, tudo bem?”.

A resposta estava ali na ponta da língua, tinha algo no olhar do prodígio que lhe sugava, assustava e ao mesmo tempo deixava Itachi em acanho grande, que responder aquilo parecia exagerado, ou até mesmo romântico. Não sabia se deveria falar. Acontece que o simples fato de perder o colega para a anorexia se tornou algo caótico para o Uchiha.

Pegava-as pensando noite e dia no período que o Uzumaki esteve internado, além dos níveis de sanidade apurados pelo Uchiha, que não queria o perder.

Mas dizia o ditado: você não perde aquilo que nunca teve.

Nunca teve uma relação além dos aprumados “Olá Nagato-san, tudo bem?”, mas Itachi caiu em si, teve medo, medo que Nagato morresse sem ao menos poder tê-lo em sua vida. E foi ali, vendo-o pelo vidro do hospital, que notou o que seus verdadeiros sentimentos por ele eram.

— Nunca tive coragem de um diálogo com você!

— Por que não? — Nagato riu.

— Porque tinha medo!

Riu desta vez um pouco melhor entre os soluços do que fora lágrimas.

— Estava tão repugnante assim?

— Para mim nunca você foi repugnante, muito pelo contrário! – Itachi sorriu enquanto perdia-se na risada fraquinha do Uzumaki. — Eu tinha medo de me perder, como estou agora!

Nagato entreabriu os lábios, numa expressão adorável aos olhos do Uchiha, nada mais precisava ser dito para que Uzumaki entendesse o que estava ali, as palavras que não foram ditas, ele apenas sorriu largo deixando um Itachi fascinado, perdido, preso um pouco mais.

Então fora tomado de esperanças, na manhã em que o Uzumaki apareceu sem avisar em sua porta, em um domingo particularmente chuvoso. Domingo tedioso para Itachi, mas um turbilhão invadiu sua mente ao encarar o colega todo molhado com aquele sorriso largo que Nagato poucas vezes dava, e que Itachi pensaria um milhão de vezes em se perder nele, e talvez só aí que tudo tenha se tornado um borrão, um borrão com o sorriso largo de Nagato, o tempo chuvoso visto das janelas da sala, e Mii se esfregar em suas pernas.

— Desculpa aparecer sem avisar!

— Aconteceu alguma coisa? — o Uchiha questionou preocupado.

Algo estava diferente entre eles, desde o último final de semana.

— Aconteceu! — o Uzumaki falou sem rodeios —Preciso falar com você.

— Okay, é melhor você entrar e se secar, antes que fique gripado.

O Uzumaki obedeceu sem o questionar, e logo estava vestido com roupas quentinha do outro, sentado no sofá junto deste e, estático, balbuciou sem lhe encarar:

— O Yahiko é um imbecil!

— O que ele fez?  

A pergunta viera simples, com um sorriso mínimo sem mostrar os dentes.

— Nem sei como falar, é muita coisa. — voltou sua atenção para o Uchiha, no instante em que seus dedos estavam presos sobre sua coxa.

— Melhor começar do início…  

— Certo, você tem razão!  

Itachi num rabo de olho percebeu o nervosismo que apoderou-se do colega.

A energia raivosa exalava de todos seus poros, enquanto batia um dedo no outro com as mãos entrelaçadas.

— Ele me fez entender que eu estou apaixonado, sabe?

O coração de Itachi falhou, e seu rosto meio distorcido pelo incômodo, foi tomado.

— Você não enxerga quando está apaixonado? — o timbre de sua voz saiu baixinho e suave.

— Não, eu sabia, sempre soube, mas ontem foi pior quando ele falou!

— E qual o problema nisso?

— São vários problemas Itachi, e nem sei porquê vim te encher com isso, é que fora a Yahiko e Konan, não tenho mais ninguém! Não aqui!

— Nagato, para de bobagem somos amigos, ou não?

Os olhos confusos encararam Itachi de lado, Nagato mordeu os lábios por um tempo, até seus dedos tocarem a mão de Itachi, um tanto acanhado. Foi então que Itachi percebeu.

Se pudesse descrever todos os sentimentos que lhe tomaram seria apenas a metade, tudo estava acompanhado de um calor crescente no ambiente inteiro, a chuva fria não era mais um incômodo, exceto por Nagato ter tomado a iniciativa e não ele, então a voz saiu calma:

— Eu estou apaixonado por você!

Itachi arregalou os olhos, não esperava que o colega, sempre tão reservado, fosse falar sem rodeios, e pegou num misto intenso de alegria e desespero, onde as palavras não saíam pelos lábios, por mais que as forçasse, os dois estavam perto de mais, o suficiente para sentir a respiração afoita batendo no rosto do outro, e mesmo assim Itachi estava estático, enquanto Nagato mantinha-se intacto no mesmo lugar, esperando uma resposta.

Ele estava lá se declarando e o Uchiha, que não conseguia formular as palavras, tossiu. E só aí que percebeu o quão ridículo estava sendo, fazendo todo aquele charminho maldito para dar uma resposta apropriada.

—Ohh desculpa, em nenhum universo eu imaginava que seria sobre isso. Nagato, não tem um dia na vida desde que nos conhecemos, onde não consiga pensar somente em você e ninguém mais.

Ainda conseguiram se encarar de perto com o mesmo sorriso bobo escapando de seus lábios, com os dedos de Nagato presos aos de Itachi, em silêncio, antes de pensar em se beijarem.

Mas o beijo aconteceu, quando o longo nariz de Itachi encontrou no do outro, apenas roçando de leve seus lábios, enquanto o par de olhos violetas não se desgrudava dos negros e ele percebia os lábios trêmulos do Uzumaki esperando pelos seus, com uma ingenuidade que lhe fez perder-se um pouco mais, se é que isso ainda era possível.

Puxou o amigo pela cintura no mesmo instante em que Nagato abriu passagem para que sua língua explorasse sua boca, dando espaço para beijo, que foi calmo e longo, ambos explorando e aproveitando o que sempre quiseram, mas que o medo impediu por tanto tempo.

Os braços entrelaçados com força um no outro, sem querer se soltar, o sentimento mutuo que sempre esteve ali, mas agora sem sequer questionar mais nada.

O Uchiha sabia como ninguém mais, que independentemente de tudo, estavam ali juntos e se fosse por si permaneceria daquela forma até o final de sua vida.

Enquanto o beijo permanecia, sua mente tocou uma bela canção:

"Since you belong to my heart

Since you belong to my heart

I disappear in you sometimes.” ¹

Talvez mais tarde escutasse ao lado de Nagato aquela mesma canção, contudo naquele momento tudo que queria ouvir eram os sussurros, finalmente apaixonados.

¹ Musica I Disappear — Plastique Noir

20 de Agosto de 2018 às 18:16 7 Denunciar Insira 3
Fim

Conheça o autor

Neeca Ashcar Escrevo uma par de coisas voltado ao publico LBGTQI+. De romances bonitinhos ao que der na telha, cheio de dor e sangue. Não espere constância! ;) Já ouviu a palavra de kakaGai hoje? Mama NagaIta. Best da Sata Nath! Melhor pessoa desse universo! <3 Perfil no Wattpad e no Nyah. ;)

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Camy <3 Camy <3
Olá! Venho em nome do Sistema de Verificação do Inkspired. Sua história foi colocada em revisão devido ao seguinte: 1) Sinopse: A frase final tem problemas de vírgula e faltam duas preposições. O correto é: "Um encontro inusitado causado por um gato de rua magrinho leva Itachi a abdicar de toda sua sobriedade e a desaparecer a cada dia nos olhos ingênuos de Nagato". 2) O título do capítulo não possui vírgula. 3) Os dois usos de "cujo" estão incorretos. "Cujo" não é sinônimo de "que". Em "estupidamente azulados, cujos quais...", o melhor é ter "azulados, que..." ou "azulados, os quais...". O mesmo vale para "a porta do seu apartamento, cuja qual...". 4) A frase "Nagato era a personificação..." está confusa, seria bom reformulá-la. Além disso, é "ao QI". 5) Você está misturando os tempos verbais. É preciso usar apenas o pretérito ou o presente. Em casos de ações acontecidas antes do pretérito, é preciso que se use o mais-que-perfeito.. 6) Faltou preposição em "o dia que ou desencanaria..."; deveria ser: o dia em que desencanaria. 7) Não podemos separar objetos de verbos ou sujeitos de predicados, por isso "aquela aparência tão diferente do seu apartamento claro, lhe trazia algum aconchego" precisa estar sem a vírgula (porque a aparência - sujeito - não pode ser separada do verbo - trazia). Isso se repete em muitos momentos no texto. 8) O verbo tomar não exige preposição, por isso não se utiliza "lhe" com ele; logo, "O romper de uma memória lhe tomou" deveria ser "o tomou". 9) Concordância: em alguns momentos, não há plural (olhos estupidamente violeta; roupas quentinha; pesadelos que lhe preenchia...); 10) vocativo. Quando você chama alguém, precisa ter a vírgula antes (O...ii Nagato). Em frases como "agarrou o animalzinho que grudou em seu peito", se não houver uma vírgula antes desse "que", você passa a impressão de que existem diversos animais, mas que ele agarrou só o que grudou em seu peito. Há muitos momentos assim no texto: é preciso cuidar com isso. 11) "Tinha a certeza que estava tão vermelho..." deveria ser "Tinha a certeza de que estava..."; "era capaz de afastar de seu irmão" deveria ser "era capaz de o afastar..."; "me lembrar como clareza se comi" -> "me lembrar com clareza..."; "a dor quase palpável que transmitia dos olhos violetas" -> "a dor quase palpável que os olhos violetas transmitiam", ou "a dor quase palpável transmitida pelos olhos violetas"; "teve medo que Nagato morresse" -> "teve medo de que Nagato morresse"; "e Mii se esfregar em suas pernas" -> "e Mii se esfregando em suas pernas"; "e pegou num misto intenso de alegria e desespero" -> "e foi pego num misto intenso"; "o longo nariz de Itachi encontrou no do outro" -> "o longo nariz de Itachi encontrou o do outro". "Pegava-as pensando" -> "Pegava-se pensando"; "depender der de mim..." -> "depender de mim..."; "mas tudo que saiu de seus lábios foram" -> "mas tudo que saiu de seus lábios foi". 12) Acento. É "até", não "ate", e "mútuo", não "mutuo". 13) Porquês. "porque falou?" -> "por que falou?"; "nem sei porquê vim te encher com isso" -> "nem sei por que vim...". 14) Algumas falas estão sem o espaço depois do travessão (envergonhar o senhor Fugaku). 15) Pontuação na fala "É uma bênção!...", porque você encerra a frase com a exclamação, porém a continua depois. 16) O parágrafo que começa com "Ao passar desse dia..." está muito longo e um pouco confuso, seria bom separá-lo em ao menos mais duas frases. Assim que tiver analisado o que coloquei aqui, responda a este comentário e analisarei sua história mais uma vez. Talvez seja interessante pedir betagem para esta história. Uma ótima semana!
3 de Dezembro de 2018 às 13:23
One Nightmare One Nightmare
MAS OLHA QUE OBRA DE ARTE!!! PERFEIÇÃO! ♡ Bateu um orgulho agora :'3
24 de Agosto de 2018 às 18:06

  • Neeca Ashcar Neeca Ashcar
    Ahhh olha que comentário mais fofo, que perfeição! 💚 Sério eu tô com muita vergonha, mas eu pensei que tivesse respondido todos os comentários dessa fic! Mil perdões e fico feliz que tenha gostado! 💚😊 28 de Novembro de 2018 às 22:45
Di Angelo Di Angelo
Se o Yahiko não aparecesse para jogar umas verdades ele nem era citado. Olha essa história que linda. Vontade de pegar o Nagato e dar um abraço ou Itachi e dizer que ele pode sim virar confeiteiro. A fic está uma fofura extrema, mas também o modo como você retratou o pesadelo do Nagato com o distúrbio dele foi de partir o coração. NagaIta é tão bom e o jeito como você escreve sobre eles é melhor ainda.
20 de Agosto de 2018 às 16:37

  • Neeca Ashcar Neeca Ashcar
    Estou embasbacada, gente eu não respondi nenhum dos comentários dessa fic! Como assim? O.o Desculpa Di anjo meu, pelo vacilo, sou muito desatenta se a Dany-chan não tivesse hoje cedo falado sobre ela e comecei a ler de novo nunca teria visto! Então é bem isso, o Yahiko é o pai do couple e eu a mama, assim une os dois e eu sou a couple do Yahiko, esse homão lindo, cheiroso e sensato. 😂😂 O Nagato ontem no meu sonho disse que gostaria muito de um abraço, o Itachi deve fazer o que ele quiser! Quem sabe isso não torna-se realidade num futuro por aí! 😊 Tudo que me lembro é do Itachi quebrando os obos, parecendo que tava no Masterchef, gente Itachi que manda bem de cozinha é meu headcanon ngm tira de mim! Gracias pelo comentário amorzinho, ainda mais dizendo sobre o meu shipp e do jeito que eu escrevo! Beijinhos 😘💚 28 de Novembro de 2018 às 22:41
Daniela Machado Daniela Machado
Eu era cética com Nagaita? Era! E muito! Mas o jeito doce e fofo que essa história tem me conquistou logo nos primeiros parágrafos! O jeito que você usa as palavras para passar os sentimentos dos personagens me encantou e a sua escrita (que melhora cada vez mais) me deixa bobamente orgulhosa <3 Parabéns pela história, ela está uma delicinha ^^ Bjoos <3
20 de Agosto de 2018 às 13:37

  • Neeca Ashcar Neeca Ashcar
    Eu jurei que respondi os comentários dessa fic, help me Dany-chan que tô maluca, meu Jesusinho! Nossa eu não respondi nenhum dos comentários, 😵 que vergonha! Hahahahah, convertendo hereges, o shipp tava lá na cara de todo mundo, mais Canon impossível. 😊 Me dá Nagaita? 💚 Peço tanto Nagaita para as pessoas que o corretor completa essa frase automaticamente. Hahaha. Fico super feliz que tenha entrado para a trup dos shippadores desse couple crack tao lindo e cheiroso! AHHHH, tem doçura maior que você sendo essa fofa sempre, elogiando meus projetos, dando sua opinião, betando minhas histórias e sendo essa fofa sempre? 😊 Ai vc diz que a fic te conquistou nos primeiros parágrafos, que honra linda essa. E ainda fala sobre como expresso meus sentimentos. Você é maravilhosa! Gracias por todo apoio sempre, pelos elogios, você merece muito amor sempre! 💚 Beijinhos 😘💚 Mano me perdoa pela demora, acho que tava com a cabeça no mundo da lua em agosto! 😂😂😂 28 de Novembro de 2018 às 22:31
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