A Jornada Seguir história

azusakim Jess Sibia

"A grande praga virá e do mal esconderijo não existirá. A arvore da vida está reluzente no aguardo da dúzia escolhida, a salvação da nação virá de baixo, do fanático, do herege, do herdeiro que foi perdido, da raça usurpadora e do fugitivo; Apresse-se e ache, a jornada vai começar, o trono chorará sangue e o povo sofrerá se dá arvore da vida o fruto não se buscar.”


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

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Capítulo I - Trebbia: A Cidade Luz


Era manhã de primavera, as ruas da cidade exalavam o perfume das flores do campo, o grande rio que a cortava e que lhe batizava o nome, tinha suas margens juncadas de lírios dando-lhe o ar de encantado, como se suas águas fossem mágicas. O comércio estava todo vapor mesmo nas poucas horas do dia, precisavam vender tudo que conseguissem enquanto o sol ainda estivesse no céu, pois quando o grande astro se deitasse, seria hora de recolher os negócios e adorar aos deuses, era tempo de festival, tempo de iluminar a cidade e saudar o rio que lhes dava possibilidade de vida, visto que a fonte de água mais próxima estava em território inimigo.


Trebbia era a uma das doze capitais do império Vitoriano, cada uma delas possuía um papel no Círculo da União, e anualmente seus governantes se reuniam na décima terceira cidade, Jakar, para discutiram sobre o andamento econômico, político, social e religioso de suas respectivas cidades. No último encontro, Trebbia e a cidade vizinha, Thaniã, entraram em conflito religioso, visto que Trebbia ainda era uma capital politeísta, adoradora em seu todo dos deuses supremos Anyam, deus da prosperidade, Brissa, deusa da segurança e da guerra e Ashya, deusa mãe e criadora de todas as coisas e seres do universo, juntamente com seus deuses menores, enquanto Thaniã declarava-se monoteísta, seguidor de um deus desconhecido chamado Heloin. O conflito entre as duas capitais dava-se além disso, pelo fato de que as terras ao redor de Trebbia e que estavam sob seu domínio eram prósperas a agricultura e suas florestas possuíam uma diversidade imensa de animais, frutas silvestres e plantas, muitas usadas no avanço de sua ciência.


E tudo que Trebbia possuía, Thaniã desejava.


O resultado da reunião foi a quebra do elo entre as duas capitais e o enfraquecimento da confiança da União, as demais capitais declaradamente politeista uniram-se ao rei de Trebbia, sendo eles a grande maioria, e ao lado de Thaniã, ficara apenas com dois representantes da união ao seu lado. Com a tensão existente, muitos moradores das duas capitais migraram para as vizinhas ou criaram suas próprias fazendas em campinas ao redor, porém muitos observaram o conflito como uma oportunidade e esse é o caso dos comerciantes de essências. A maioria deles vem de Jakar, o maior posto científico do império, com as melhores escolas e centros de formação específica, além de possuíram um jardim secreto repleto das mais diversas flores, ervas e temperos.


Bem, secreto seria uma palavra forte para defini-lo porque, afinal, a maioria dos comerciantes conseguiam acesso.



Jakar tinha fama de abrigar em suas ruas os mais trambiqueiros e trapaceiros, com aquela lábia de comerciante, costumavam convencer os visitantes, que na capital sempre são muitos, a comprarem suas bugigangas e seus falsos elixires e poções. Dentre esses comerciantes migratórios, temos um jovem, um garoto de não mais que dezoito anos que viaja em sua carroça articulado que a qualquer momento, transforma-se em sua pequena loja de essências. Nasceu e morou em Jakar, mas nunca planejou morrer por lá, sempre desejou mais, o desconhecido, sempre desejou estar entre os que comem e bebem em pratos de ouro, ele queria a riqueza e a fama e, embora seja extremamente esperto e inteligente quando assunto são poções, nunca teve a oportunidade de realmente estuda-las.


Agora, chegava sua carroça próxima aos portões da iluminada Trebbia, o sol já se punha no horizonte e pelo que havia ouvido por ai, ele não poderia vender nada naquela noite, era noite sagrada. Procurou uma vaga sem dono na avenida principal da cidade e, com a ajuda de alguns outros comerciantes conseguiu a tempo que outro encontrasse. Fixou seu ponto e montou sua tenda, ficaria ali por tempo indeterminado, seria bom ter um lugar fixo para vender e dormir, terminou a montagem tirando o casaco que vestia jogando-o para dentro da carroça, estava quente demais ali, havia muitas pessoas caminhando pelas ruas, todas elas vestidas em trajes coloridos portando balões coloridos em mãos, franziu o cenho curioso com o objetivo de tudo aquilo.


“Com licença” Chamou a um homem que estava passando, ele era alto possuía o cabelos acobreados lhe caindo pelos ombros, e assim como todos carregava um balão colorido. “Sou viajante, acabei de chegar e gostaria de me inteirar no que está acontecendo.”


“Um viajante que não se informa sobre a cidade para onde está viajando, precisa se precaver mais garoto.” A voz grave soou, seguida de um riso soprado, vendo o garoto fechar a cara. “São lampadas para Ashya, é noite da criação, vamos todos ao grande lado de Trebbia que é formado pelo rio e lançamos ao céu as lampadas em agradecimento a vida que temos, fazemos pedidos, promessas, tudo depende da sua necessidade.”


“Adoradores de Ashya, claro, eu deveria ter reconhecido a estátua na entrada da cidade.” Observou sem demonstrar real interesse, nunca fora muito religioso, mas no fundo gostava de pensar que existia algo maior que o seguia.


“Algum problema com adorarmos Ashya estrangeiro?” Seu tom antes amigável, tornou-se defensivo.


“Nenhum grandão, eu também a adoro, sou de Jakar, temos nossas tradições lá também.” Viu a expressão do outro suavizar-se
novamente. “Pode me arranjar um desses?” Apontou para o balão.


“Claro!” Sorriu animado, como uma criança. “Conheço alguém que pode lhe vender uma, de todas as formas e cores possíveis.”


“Ótimo.” Sorriu de canto.


“A propósito, meu nome é Park Chanyeol.” Lhe estendeu a mão.


“Baekhyun, Byun Baekhyun.” Apertou a mão do outro mantendo o sorriso.

Os panos já estavam encharcados e a febre ainda não havia abaixado, o olhar do garoto sentado a beira da cama estava aflito, tentava não chorar, a muito tempo que segurava todas as lágrimas para si, pois havia prometido que seria forte e cuidaria dela. Sua mãe estava acamada, a febre lhe assolava a dias e por pouco não lhe tomara a vida na ultima noite, estava doente de uma praga que nenhum dos médicos sabiam explicar, a mesma praga que assolava o filho do rei. Ela trabalha no palácio, e a suspeita é que tenha apanhado em seus corredores, suspeitavam que todos por lá estivessem doentes mas que a manifestação imediata venho apenas aos mais fracos, a criança com pouco imunidade e a serva que pouca comida possuíam na mesa para nutrir-se, todo seu dinheiro ia para banqueiros e tabernas da cidade, dívidas de seu falecido marido.


Algumas batidas na porta fazem o garoto se levantar do posto em que estava a mais tempo do que o aconselhável, suspirou fundo antes de abrir a porta esperando que fosse mais alguém lhes cobrando sobre algo que o pai ainda devia, porém o que encontrou foram duas moças com seus longos vestidos brancos e um sorriso caridoso, acompanhadas de um rapaz baixinho, que trajava um vestido sacerdotal igualmente branco com alguns escritos em vermelho em suas costas, era um aprendiz.


“Boa tarde jovem, acredito que você seja o menino Kim, correto?” O aprendiz iniciou, seu tom de voz era calmo e passivo.


“Sim, sou eu. Quem são vocês?” Indagou.


“Somos da Ordem de Ashya, soubemos do caso com sua mãe e viemos ajuda-la a nossa maneira.” Uma das moças se pronunciou.


“Podem cura-la?” O garoto perguntou, parecendo esperançoso dando espaço para que entrassem.


“Não, mas Ashya pode.” O rapaz respondeu, entrando na casa logo após as moças. “Onde ela esta?”


“Logo após as cortinas, está deitada a dias, não come e mal se alimenta de água.” Suspirou.


“Preparem o redor dela, faremos a oração.” Ordenou as duas moças que logo atravessaram as cortinas. “Soube que vocês possuem dívidas infinitas com o banqueiro da cidade, sinto muito por seu pai ter-lhes deixado tanto desgosto.”


“Desgosto é algo que ele sempre nos deu, senhor.”


“Não me chame de senhor, por favor, eu sou aprendiz ainda, sou teu igual e não mereço tal honra, me chamo Do Kyungsoo, provavelmente voltarei aqui outras vezes, então me chame pelo nome.” O rapaz pediu com um meio sorriso.


“Então me chame de Jongin, e não mencione meu sobrenome novamente.” A expressão do garoto era rigida, como se a muito não sorrisse.


“A tristeza transborda em seus olhos Jongin, precisa livrar-se dela, existem alguns centros de purificação dentro do templo, deveria procura-los.” Tentou aconselha-lo.


“Se conseguir curar minha mãe, eu serei feliz o suficiente, não preciso de purificações Do.” Respondeu ríspido.


“Sua amargura demonstra sua falta de fé, como quer que a curemos se você transmite sua energia incrédula em sua casa?” Kyungsoo indagou arqueando a sobrancelha. “O festival hoje a noite, estaremos indo para lá depois que sairmos daqui, posso deixar uma das minhas moças com sua mãe e você nos acompanha, será bom para seu espírito e para a cura dela.”


Jongin ponderou a proposta, não adorava aos deuses desde que seu pai morrera e os deixara na miséria, com dívidas e mais dividas, não achava a justiça dos deuses certa, havia muitos com saúde e dinheiro ou ao menos com dinheiro ou saúde, mas eles, não possuíam nenhum dos dois. Ashya sempre possuíra espaço em sua casa, no canto do quarto existia um pequeno altar que as vezes, a pedido da mãe, ele acendia algumas velas para a deusa, talvez ir até o lago naquela noite não fosse assim uma ideia tão ruim.


“Certo, eu irei com vocês orar a Ashya, mas não por muito tempo.” Concordou finalmente, com um suspiro.


“Maravilhoso!” Kyungsoo sorriu grande e animado. “Não irá se arrepender, vou mandar que preparem três belas luminárias para nós, não esqueça de escrever seus pedidos no pergaminho antes de sairmos, é importante.”


Tentou sorrir com a empolgação que o aprendiz demonstrava, era raro ver alguém do templo tão sublime e ao mesmo tempo tão alegre, os templários possuem características marcantes, são pessoas de natureza tranquila porém, sempre sérios e diplomáticos. Em sua maioria, vinham de famílias ricas do comércio ou da nobreza, eram escolhidos entre os filhos para servirem a Ordem com santidade, castidade e dedicação com amor aos menores e a causa. Do Kyungsoo era filho do irmão da rainha, o único sobrinho homem que a mulher chegou a ter, o único que poderia tirar o trono de seu filho, logo o escolhido para servir a Ordem, possuiam mais duas irmãs que logo estariam casadas, a mais velha com um nobre capitão da marinha em Yakan, a capital litoranea, e a mais nova com a possibilidade de unir-se ao príncipe de Jakar, tornando-se assim a próxima imperatriz do império Vitoriano, dos três, a com destino mais promissor.


Isso era o que pensavam e falavam, mas no fundo, Kyungsoo pouco se importava com o destino das irmãs, importava-se apenas em servir a missão que lhe foi dada e, a cada dia, estar mais próximo dos deuses.

A casa esta em um perfeito caos. Garrafas vazias espalhadas pelo chão, roupas femininas espalhas pelas acomodações, os cômodos todos em meia luz em um silêncio profundo. Um pequeno gato peludo estava deitado sob um vestido pomposo e rosa, onde dormia tranquilamente a porta do primeiro quarto da casa, onde mais rastros de roupas e bebidas se encontravam. Na cama enrolados nos lençóis brancos, estava um casal. A jovem dormia serena, os cabelos negros espalhados pelas costas, seu corpo tomava quase toda a extensão da cama, deixando apenas uma pequena beirada onde um rapaz de barba por fazer e cabelos castanhos estava acomodado, a metade de cima de seu corpo pendia para fora e ele não parecia apto a acordar muito cedo, embora o sol já se escondesse novamente.


O silêncio do ambiente foi interrompido por um abrir bruto da porta do quarto seguido de um resmungo do gato que saiu saltitando pela casa, resmungando, barulho que assustou o rapaz na beirada da cama que logo estava no chão, soltando alguns xingamentos baixos enquanto tentava se levantar, já a jovem dama acordou mal humorada soltando algumas reclamações, até se dar conta de quem irrompia no quarto. Através da porta, um homem fardado com dezenas de medalhas espalhadas pelo uniforme e com os cabelos de fios negros presos em um pequeno rabo de cavalo, adentrou com os olhos brilhando em puro ódio, se pudesse soltar fumaças por suas narinas, o faria.


“Kim Jongdae!” Bradou alto o suficiente para que as galinhas do lado de fora da casa se assustassem e corressem para longe.


“Bom dia mon amour.” Sorriu traiçoeiro, colocando-se de pé para alongar-se.


“Bom dia?! Bom dia?!” Gritou novamente, indo em direção ao outro homem, pegou-o pelo pescoço segurando-o na parede derrubando alguns quadros no impacto. “Como você tem a capacidade de desejar-me bom dia como se estivesse me cumprimentando na rua quando na verdade, esta na mesma cama que a sobrinha do rei!” Gritou novamente, fazendo Jongdae lhe dar uma careta em resposta.


“Vamos com calma querido, esta destruindo minha decoração com toda a sua ira, e além do mais nenhum de nós somos surdos, não grite, vai matar minhas galinhas do coração.” Respondeu, tediosamente.


“Não brinque comigo Kim Jongdae! Sabe que por muito menos posso manda-lo preso a qualquer instante.”


“Realmente, e olha só, ainda não mandou.” Sorriu brilhante e logo sentiu seu corpo ser jogado contra a cama.


“É terceira vez que o pegamos em ato, sabe muito bem que desonrar uma moça comprometida pode lhe custar a vida não é?” O de farda começou a andar de um lado para outro no quarto.


“Pois bem, Junmyeon, mas sua lei só é válida quando se faz isso a força não é mesmo? Eu não estou vendo-a amarrada, nem a reclamar de qualquer tratamento que vem recebendo nos ultimos tempos. Está chateada querida?” Ele se vira para a garota que ri baixo vergonhosa, sussurrando um doce não. “Veja, problema resolvido, você a leva de volta vestida como saiu de casa e novamente nós concluímos que eu não estou lhe dando problemas.”


“Sr. Kim, caso não tenha notado mas a mulher em sua cama além de sobrinha do rei é noiva do herdeiro do império em que você está neste momento, a senhorita Do é a futura imperatriz desta nação, e uma imperatriz de respeito não se deita com outros homens que não seja seu marido!” Bufava ao terminar cada frase.


“Pare de pensar tão negativamente, ao menos a senhorita Do já vai ter a experiencia necessária para manter o principezinho mimado de Jakar entretido não?” Riu soprado.


“Você não passa de um pervertido asqueroso Kim Jongdae.” Lançou-lhe um olhar de nojo.


“Diz isso porque nunca esteve em minha cama capitão.” Passou a língua entre os lábios em sinal de provocação observando o capitão engolir seco.


“Senhorita Do, vista-se rapidamente, precisamos ir antes que sua mãe tenha um ataque de nervos por seu desaparecimento.” Um segundo oficial entra no aposento carregando todas as peças de roupa da moça, colocando aos pés da cama. “E quanto a você, Jongdae, é bom que ouça-me dessa vez, fique longe dela e de qualquer um do palácio, não aceitamos incrédulos hereges no nosso meio.”


“Cientista, sou um cientista e não um herege. Talvez bêbado, mas não um herege.” Jongdae tomou um tom sério por um momento. “Temos o mesmo sobrenome senhor capitão, viemos da mesma linhagem, não cuspa no seu próprio sangue.”


“Que seja.” Desdenhou, superior. “Senhorita, aguardamos do lado de fora.”


“Vamos docinho, te ajudo com as roupas.” Jongdae sorriu para a garota, ficando satisfeito ao ouvir a porta do quarto ser batida com força.


Kim Jongdae e Kim Junmyeon se originaram da mesma linhagem sanguínea, o mesmo sobrenome de ambos denunciava o grau possível de parentesco. Porém, se odiavam, um ódio comum que rondava suas vidas por conta de serem tão diferentes. Jongdae era um cientista, um homem que vivia de teorias e tentava explicar os deuses de sua forma, com objetos concretos e resultados baseados em testes feitos com os elementos naturais que encontra nos campos e nas florestas, ele possuía certeza de que de alguma forma, ao menos Ashya existia, talvez não com esse nome, mas existia. Junmyeon era um devoto de Brissa, a deusa da guerra, como um ávido capitão e com sede de sempre ser o melhor e mais competente, não perdia tempo com o racional ou com o estudo, mal dedicava-se a religião e sua vida era baseada em montar suas estratégias de batalha e as vezes, entre seus treinamentos, retirava-se para o templo em oração e devoção a deusa que secretamente, declarava maior e mais poderosa que Ashya.


O fato de ter se tornado guarda costas de Do Shinhye, sobrinha do rei, deixou mais estreita a relação entre ele e Jongdae, e embora não se suportem, a sensação que a presença do cientista boêmio lhe causa é boa ao mesmo nível que lhe é perturbadora. Jongdae é, o pingo de fora da linha que falta na vida de Junmyeon, o pingo que a jovem Do não abre mão e que o capitão, se nega a compreender.

A lua brilhava bela no céu estrelado, a música e a voz daqueles que cantavam enchiam as ruas da iluminada Trebbia, crianças corriam segurando seus balões coloridos, por vezes deixando escapar alguns, para Baekhyun tudo aquilo era algo irreal, era mais belo e grandioso do que os festivais em Jakar, que costumavam ser apenas para operantes na Ordem e alguns convidados e devotos. Seu novo conhecido, o nomeado Chanyeol, lhe ajudará a escolher uma lanterna para ser acessa em honras a Ashya, como sua chegada foi recente, decidiu por uma lanterna redonda e azul, que logo colocaria junto as estrelas com o pedido de que seus dias sejam longos entre os trebbianos.


Chanyeol era um cara legal, Baekhyun concluiu, ele era alegre, conhecia a todos e aparentemente poderia se dizer que nasceu e cresceu ali, porém, a verdade era outra. O ruivo lhe contou que nasceu em uma província pertencente a capital gelada de Ay, ainda muito novo, perdeu o pai que trabalhava como pescado, logo fora obrigado a trabalhar ele mesmo para o sustento da mãe e dos dois irmãos menores. Porém, a situação financeira nunca foi das melhores para a família e na primeira oportunidade que teve, ele se foi, usando como escape um navio que navegava em direção das águas quentes de Jakar, mas a capital do império foi algo que veio a conhecer muito depois. O Park desceu no meio do caminho, quando a brisa quente das terras ao sul começou a soprar, e seu abandono a embarcação foi a melhor coisa que já havia feito, pois talvez não tivesse conhecido metade das terras que conheceu e nem adquirido metade da experiencia que possui.


“Eu só tinha treze anos quando fugi, minha mãe deve ter ficado desesperada por anos.” Confessou, ambos estavam sentados no gramado a poucos metros do leito do lago, as lanternas presas a uma estaca através de uma corda para que não voassem antes da hora.


“Idade não fala nada sobre nós.” Baekhyun rebateu.


“Realmente, tenho vinte e três agora e minha mente as vezes se volta aos comportamentos de um menino.” Sorriu de canto.


“Na idade em que saiu de casa, eu já sabia me virar sozinho a anos.” Baekhyun deitou na grama, encarando o céu. “Sou órfão desde que Ashya resolveu me dar a vida, sou filho do mundo e não duma mãe e de um pai.”


“Nunca os conheceu?” Acompanhou o estrangeiro também deitando-se na grama.


“Não, e também nunca os quis. Se eles não me quiseram porque iria quere-los?” Riu soprado. “Eu nasci na época pós re-conquista da dinastia Vitoriana, muitas pessoas morreram, muitas crianças de linhagens erradas foram mortas para que o sangue fosse enterrado, se perceber, não existe muitos Byun’s por ai.”


“Sua linhagem foi perseguida.” Chanyeol falou quase em um sussurro. “Não tem irmãos de linhagem.”


“Não.” Respondeu.


Irmãos de linhagem, o único vinculo que pode unir dois estranhos em situações de risco, seu sobrenome denuncia de onde seu sangue vem, e seu sangue lhe diz que são os seus irmãos, os que vieram da mesma fonte e que permanecem vivos pois seus anciões eram apoiadores do grande Vitoriano I. Não ter um irmão de linhagem significava que, provavelmente você era uma das criaturas mais solitárias do mundo e, neste caso, Baekhyun era essa criatura.


“Mas eu sou bem sozinho Park, sempre fui assim. Odeio me sentimentalizar com pessoas, porque no final, elas sempre vão embora não é? Essa é a verdade.” Suspirou fechando os olhos, algo em seu profundo lhe doía amargo.


“As vezes você precisa dar uma chance para que elas fiquem.” Chanyeol respondeu. “Veja, Trebbia esta me deixando ficar, esta me acolhendo a quase três anos e eu não sinto vontade de deixa-la.”


“Em nenhum momento pensou em deixa-la? Pela água ser ruim ou os vizinhos barulhentos?” Rebateu.


“E porque vou pensar na água ruim e nos vizinhos barulhentos, se posso pensar no aroma que a brisa traz dos campos de flores e na alegria que contagia as ruas?” Chanyeol sorria.


“Você é esperto Park.” Baekhyun abriu os olhos, voltando a se sentar.


“Em minha humilde opinião, você diz isso sobre sentimentalismo porque ainda não encontrou alguém que lhe prove o contrário. Quando achar a garota certa, vai repensar suas ideias.” Disse confiante na ideia.


“Eu tenho mais espinhos do que imagina Park Chanyeol, e para um ressalte de informação, eu não gosto de garotas.” Baekhyun sorriu divertindo-se com a cara de surpresa exibida pelo Park. “ Ah, qual é Chanyeol, se me disser que isso é incomum por aqui eu juro que pego minhas coisas e vou embora.”


Jakar era liberal, em todos os sentidos. Em todo o império existiam leis sobre relacionamentos e matrimônios, mas estes não se estabeleciam em Jakar, a capital era livre e possuía um conceito forte de punição em caso de repreensão pela opção, eles viviam na filosofia que matrimonio não passava de uma escolha meramente carnal, não havia sentimentalismo envolvido, pois os sentimentos seriam construídos ao decorrer dos meses e anos. Baekhyun cresceu aprendendo que poderia escolher quem ele quisesse e fosse melhor a seus olhos, independente de seu gênero.


“Deveria me lembrar que você cresceu em Jakar, as coisas lá são bem diferentes do norte.” Chanyeol respondeu.


“Olha, se tiver problemas com isso eu vou entender, mas sabe que por lei você não pode ter problemas com o fato de eu achar curvas masculinas mais atraentes do que curvas femininas certo?”


“Eu sei disso, não vou ter problemas com a lei por causa das suas escolhas.” Sentou-se novamente se juntando ao Byun. “Então corrigindo, quando encontrar o cara certo, vai repensar suas ideias.”


E ao ouvir aquilo, Baekhyun riu, riu o suficiente para faze-lo cair no gramado, porque aquela era a primeira vez em muito tempo que alguém de fora de Jakar não se levantava e saía para longe quando ele revelava que não se animava para ir ao encontro de alguma figura feminina. Chanyeol estava ali, olhando para sua cara sem entender o motivo de tanto riso, aguardando uma explicação do garoto.


“Está mesmo falando sério com isso?” Se recompôs voltando a sentar-se. “Achar um cara certo? Chanyeol, é mais fácil que eu ache a fonte da juventude do que o cara certo para mim.”


“Não seja tão exagerado viajante, você acabou de chegar e Trebbia tem muito a oferecer.” Sorriu.


“De toda forma, agradeço por não ser o tipo que acha que estou deturpando os conceitos de Ashya.” Baekhyun sorriu, e em muito tempo, sentiu ser sincero.

Estavam próximos ao leito do rio, Kyungsoo ajoelhado em constantes orações enquanto Jongin segurava as lanternas observando a multidão que cantava, dançava e orava para a deusa criadora. A muito que se esquecerá como essas comemorações eram calorosas, como eram bonito de ver o céu estrelado na noite de primavera e como seria ainda mais bonito ve-lo recheado das lanternas coloridas. Olhou em volta com um sorriso triste, sua mãe adorava traze-lo nos festivais quando era criança, adorava ensina-lo sobre o significado de cada um e de como os deuses eram importantes em suas vidas, cada pedaço daquela comemoração lhe remetia a lembranças e a uma saudade de tempos que jamais retornariam.


“Está pensativo.” Kyungsoo viu o garoto dar um pequeno pulo assustado pela surpresa da comunicação repentina.


“Estou apenas me lembrando.” Respondeu simplista.


“É uma pessoa de poucas palavras Jongin, mas de um coração muito cheio.” Kyungsoo comentou vendo-o franzir o cenho.


“Enxerga a alma das pessoas agora sacerdote?” Indagou.


“Já lhe disse que não sou um sacerdote, e não, não enxergo mas consigo descobrir facilmente o que pretendo, porque veja bem, você acaba de afirmar que a suposição que fiz esta correta.” Bingo, Kyungsoo era mais esperto do que parecia, e isso deixou o Kim sem palavras por um momento.


“Não gosto disso, não gosto e não quero que me enxergue.” Jongin resmungou.


“Eu não vou enxergar mas Ashya vai, me de a lanterna, esta na hora.” Estendeu a mão tendo a lanterna entregue, logo em seguida fechando os olhos como todos os demais.


A oração era recitada em alto e bom som por todos, como em um coral e aos poucos, cada um soltava sua lanterna aos céus como uma prece muda de seus desejos individuais, as mulheres templárias contornavam a margem do rio, abraçadas, de joelhos, balançando-se de um lado para o outro como se pudessem sentir a energia que emanava da terra, como se a presença da deusa fosse cada vez mais e mais forte e constante.


“Eu pedi força a Deusa

Ela me deu Dificuldades para me fazer forte.”


Eles oravam, com toda a força que possuíam.


“Eu pedi sabedoria a Deusa

Ela me deu Problemas para resolver.


Eu pedi prosperidade a Deusa

Ela me deu Cérebro e Músculos para trabalhar.”


O céu estava iluminado e colorido, a dança das templárias aumentava seu ritmo, Kyungsoo abriu seus braços enquanto sentia o poder emanando das águas.

“Eu pedi coragem a Deusa

Ela me deu Perigo para superar.

Eu pedi amor a Deusa

Ela me deu pessoas com problemas para ajudar.”


“Eu pedi favores a Deusa, Ela me deu Oportunidades. Eu não sei se receberei o que pedi, mas receberei tudo de que precisar.” Kyungsoo findou a oração juntamente com o restante do povo, mas antes que as palmas ecoassem juntamente com os gritos de alegria e louvor, o inesperado aconteceu.



Templárias são mulheres adjutoras dos sacerdotes que muitas vezes nascem com o dom de profecias, e nesses casos, são levadas até a alta torre do templo e residem lá até sua morte, são chamadas de oráculos, não podem ser visitadas por homens em nenhum momento, a não ser sob extrema necessidade. O único e maior problema dessa classe é que, só se descobre um oráculo quando uma profecia é proferida de si.


E fora isso que ocorreu ao findar da oração.


Uma jovem templária recém iniciada, das que estavam a margem do rio caiu na água inconsciente, seu corpo voltou a superfície boiando, de seus lábios um fio esfumaçado prateado saía enquanto a voz como um trovão jogava sob a cidade de Trebbia a primeira grande profecia conhecia dos últimos quatrocentos anos.


“A grande praga virá e do mal esconderijo não existirá. A arvore da vida está reluzente no aguardo da dúzia escolhida, a salvação da nação virá de baixo, do fanático, do herege, do herdeiro que foi perdido, da raça usurpadora e do fugitivo; Apresse-se e ache, a jornada vai começar, o trono chorará sangue e o povo sofrerá se dá arvore da vida o fruto não se buscar.”


A consciência voltou a moça que foi retirada do lago pelas outras templárias e levada as pressas até os superiores. O povo estava em choque, os olhares de pânico e medo espelharam por toda a parte, ninguém queria acreditar na profecia ouvida, uma praga estava a caminho, o trono choraria sangue e o provo sofrerá. Era irreal, Ashya jamais faria algo tão cruel a seus filhos, logo, muitos aprendizes do templo surgem entre o o povo instruindo-os a retornar a suas casas o mais rápido possível, profecias podem ser feitas para o agora ou para o depois, e se praga for algo real, por ora deveria ficar abrigados, mesmo que em breve nenhum lugar se torne seguro.


“Isso é loucura.” Jongin sussurrou ainda encarando o pedaço do rio onde a garota estava.


“Isso é poder divino, Jongin.” Kyungsoo não parecia assustado.


“Poder? Ela vai nos mandar uma praga!” Jongin olhava para o aprendiz, incrédulo.


“Não, ela vai usar a praga para nos dar uma dádiva.” Kyungsoo sorria, quase maníaco. “A arvore da vida Jongin é a coisa mais preciosa e poderosa que existe neste mundo e ela quer que achemos, quer trazer essa maravilha para o povo! Ela vai nos dar o seu poder, Jongin!” Soltou uma risada quase histérica fazendo Jongin recuar alguns passos.


“Você não esta bem Kyungsoo, melhor leva-lo de volta ao templo.” Jongin pegou o aprendiz pela mão começando a voltar para a cidade.


“Não!” Kyungsoo soltou-se dele. “Precisamos ir a biblioteca, em algum lugar terá algo falando sobre essa profecia.”


“Você esta rindo como um maníaco garoto, precisa voltar pro templo.” Jongin tentou pegar as mãos de Kyungsoo de novo, sem sucesso.


“Você não entende! Se acharmos a arvore da vida podemos salvar sua mãe!”


E aquela possibilidade lhe atingiu como um choque, uma simples árvore poderia ser a solução para toda a doença que sua mãe vem sofrendo a tempos, ele só precisava fazer com que a profecia se cumprisse e sair atrás dessa árvore que muitos diziam sequer existir. Porém, embora ele soubesse em seu íntimo que poderia simplesmente estar caindo em um conto de f adas contado pelo templo, seus olhos brilharam em expectativa e sem mais pestanejar rumou com Kyungsoo para a biblioteca.


E a profecia começara se cumprir ali, sem que soubessem, pois as primeiras duas sementes haviam sido plantadas.

5 de Agosto de 2018 às 16:19 0 Denunciar Insira 1
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