Fugitiva Seguir história

lolly nico f

Sooyoung não aguentava mais ter sua melhor amiga fugindo de si, ainda mais por não saber o motivo. Então, quebrando sua própria regra de nunca, em hipótese alguma, ser invasiva demais, decidiu confrontar Yerim. Só não estava preparada para o que ouviu.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#lgbt #lésbico #shoujo-ai #femmeslash #yuri #yeri #joy #red-velvet #joyri
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Fuga

Sooyoung fechou a porta atrás de si com cuidado, mesmo sem ter a intenção de fazer silêncio. Era quase como um reflexo, um ato não pensado.

Caminhou até a beirada da cama posicionada no centro do quarto e sentou-se, sem tirar os olhos das costas da garota distraída. Se perguntava por que não a chamava de uma vez, por que esperava que ela percebesse sua presença — o que seria difícil, já que estava com um par de fones de ouvido enormes ao redor da cabeça.

Tudo bem, talvez Sooyoung estivesse nervosa. Não que ela fosse admitir, mas tinha seus motivos. Oras, esteve por semanas ansiando por aquela conversa, nada mais normal e previsível do que estar com o coração acelerado. E também tinha a outra coisa.

Sua relação com a melhor amiga não ia bem e não era algo recente. Demorou para se dar conta do que estava havendo, e quando se deu, não fez sentido.

Fazia tempo que a outra mal conversava consigo, evitava qualquer contato, até mesmo suas mensagens e ligações noturnas, as quais sempre faziam para contar novidades ou simplesmente ouvirem a voz uma da outra. Sooyoung via que estavam cada vez mais distantes, mas pensava que a amiga apenas andava ocupada demais, cheia demais, já que estavam em semana de provas no colégio.

Das duas, Yerim sempre se dedicara mais aos estudos.

Porém, as coisas não voltaram ao normal ao fim daqueles longos dias de teste, ao contrário do que imaginava. Ainda assim, não se preocupou. Se Yerim estava distante, provavelmente tinha seus motivos, fossem eles problemas familiares ou outra coisa. Qualquer coisa. Acabaria voltando para si em algum momento.

O que também não aconteceu. Um mês após o último contato de ambas, Sooyoung entendeu que Yerim não andava ocupada ou atarefada.

Yerim estava fugindo de si.

Mas por quê? Por que afastava-se sempre que a outra se aproximava, calava-se quando acabavam no mesmo recinto, junto ao seu grupo de amigas, e desviava o olhar quando este encontrava o de Sooyoung? Por que baixava a cabeça e dava respostas curtas se era chamada por aquela mesma garota, mas conversava normalmente com as outras?

Por que agia como se fosse indiferente, como se estivesse abandonando Sooyoung aos poucos? Sooyoung sentia Yerim escapando por entre seus dedos, como areia, e nada podia fazer para impedir que se fosse por completo.

Não podia deixar de pensar que toda aquela distância se dava ao fato de ela ter um segredo, segredo este que Yerim nunca poderia descobrir, e talvez houvesse sido descoberto. Sempre disse para si mesma que ou o esconderia, ou contaria para a melhor amiga, que saberia apenas se fosse da sua boca. O segredo era o bastante para Yerim se assustar e fugir de si, exatamente como fazia naquele momento. E aquilo a machucava. Machucava a ponto de ela ir contra seu pensamento de não ser invasiva e caminhar até a casa da melhor amiga, mesmo que esta não tenha atendido suas ligações ou respondido suas mensagens, nas quais Sooyoung questionava a respeito de poder ir ou não.

Tudo para voltarem ao que eram antes.

— Sooyoung?

Levantou a cabeça ligeiramente, perdendo o ar e esquecendo momentaneamente tudo o que tinha planejado dizer à garota.

É, realmente estava nervosa.

A expressão de Yerim era a única que sequer passou pela sua cabeça quando praticava suas falas na frente do espelho e fingia estar chegando de surpresa na casa da amiga, o que acabou acontecendo mais tarde. Yerim não estava feliz por vê-la (Sooyoung imaginou que não estaria, mas era uma possibilidade), triste ou brava. Yerim estava assustada.

Não, não assustada. Yerim estava em pânico.

Sooyoung abriu a boca numa tentativa falha de dizer algo, mas acabou a fechando outra vez ao perceber que nada sairia. Ao contrário, apenas fitou a melhor amiga, tentando colocar os pensamentos em ordem.

Yerim era bonita, talvez a garota mais bonita em que Sooyoung já tinha posto os olhos. Tinha baixa estatura, traços delicados e cabelos escuros naturais. Nas últimas férias, decidira que queria mudar o visual, que estava cansada do que via. Fora a um salão de beleza e Sooyoung só soube dos seus planos ao vê-la com os fios muito, muito mais curtos do que antes, sendo que anteriormente batiam na cintura.

Yerim cortara os cabelos na altura dos ombros e aquilo a deixara ainda mais linda.

— Você não atendeu minha ligação — disse por fim. — Nenhuma delas.

A amiga desviou o olhar, o focando em sua escrivaninha, onde seu laptop estava aberto e pausado em um vídeo. O fechou e virou-se de frente para Sooyoung, sendo que antes estava de costas para a cama. Tirou os fones de ouvido e os colocou na mesa, cruzando as mãos no colo em seguida. Parecia estar sem jeito, Sooyoung percebeu.

— Soo, eu… — começou, mas interrompeu-se antes de terminar a frase.

Yerim se condenava por não conseguir formar uma única sentença coerente.

— Quando tínhamos treze anos, minha Barbie veterinária sumiu. — Sooyoung fez uma pausa. Não sabia de onde havia tirado forças para iniciar a conversa, mas não pararia agora. — Eu tinha certeza de que tinha a esquecido aqui, pois havia trazido algumas bonecas para brincarmos. Quando te questionei, você negou e me assegurou de que não a tinha visto. Fiquei chateada, estava certa de que ela não havia voltado para casa comigo naquele dia. Com isso, você parou de conversar comigo, isso até na escola.

Yerim finalmente fez contato visual, sentindo-se segura para tal ato. Sooyoung gostou de como Yerim não o desviou, apenas ouviu a história.

— Pensei que você havia roubado minha boneca. Me senti traída, ao mesmo tempo que pensava que não, você não faria uma coisa dessas. — Riu fraco. — Um tempo mais tarde, descobri que ela sempre esteve aqui, e você sabia disso. Yerim, você não queria me entregar a boneca porque Sun, sua cachorrinha, tinha a mordido e ela estava cheia de marcas de dentadas nas pernas e na cabeça. Achou que eu ficaria irritada, chateada e que te culparia, mas eu não o fiz.

— Você me pediu desculpas. — Sooyoung sorriu pequeno ao ouvir a voz de Yerim. — Disse que tinha pensado coisas erradas e que não estava brava, assim como não era minha culpa. Pegou a Sun no colo, a acariciou e, no dia seguinte, trouxe um bichinho de borracha que tinha na sua caixa de brinquedos antigos. Você sabia que ela era novinha demais, mordia tudo que encontrava, incluindo meus calçados e cobertas.

— E tudo melhorou depois daquilo, não? Porque, Yerim, não importava se você achava ter feito algo errado. Para mim, você não tinha como controlar aquilo.

Yerim abriu um sorriso mínimo, mas que foi o bastante para Sooyoung entender que ela estava disposta a conversar.

— Fui eu quem estragou a Barbie dessa vez?

Suspirando, Yerim balançou a cabeça e desviou o olhar. Droga, não queria falar sobre aquilo, muito menos com Sooyoung.

Não queria ter se afastado da melhor amiga. Na verdade, não pôde se impedir de distanciar-se, e só percebeu quando era tarde demais. Se arrependia daquilo, pois foi aquela mesma distância que a entregou. Se tivesse continuado ao lado de Sooyoung, seria imperceptível para qualquer um que havia algo errado.

— Me desculpe por sumir — murmurou. — Eu estive… com alguns problemas ultimamente, não queria te incomodar com isso.

— Me incomodar? — Sooyoung ficou chateada. — Sou sua melhor amiga, como você me incomodaria?

Yerim suspirou.

— Era algo meio pessoal. Não me sentiria confortável falando sobre.

Sooyoung estudou seu rosto. Yerim estava séria, fitava algum ponto no chão, visivelmente tentando evitar o assunto. Sooyoung respeitaria aquilo, se era o que a garota queria. Mas ela a conhecia como ninguém.

Yerim era um enigma, uma incógnita que Sooyoung aprendeu a decifrar. Podia estar calada, mas gritando por dentro. Para a maior, Yerim se tornara transparente como um rio de águas cristalinas. Além de que ela não disse que não gostaria de falar sobre o que a afligia.

Seus dedos estavam brincando uns com os outros, passando unha por baixo de unha. Yerim estava nervosa. Precisava desabafar.

— Você sabe que pode se abrir comigo, não sabe? — Estendeu a mão em um convite claro. — Independentemente do motivo do seu afastamento, está aqui agora. Eu estou aqui agora.

Yerim a fitou, alternando o olhar entre seu rosto e seus dedos abertos. Sabia que podia contar com Sooyoung, confiava nela. Tinha de tirar aquilo a limpo, resolver seus conflitos internos. Pena que não era fácil assim.

Sempre teve problemas para se expressar, desde que se lembrava. Para Yerim, o simples ato de aprofundar uma conversa era difícil, pois ela nunca sabia o que dizer, que palavras usar, como colocar para fora o que se passava dentro de si. Com Sooyoung era mais fácil, ambas eram muito próximas, mas ainda complicado.

Por fim, segurou a mão da amiga e levantou-se, se sentando ao seu lado no colchão.

— Ultimamente venho tendo alguns pensamentos esquisitos — confessou. — Do tipo que não faz sentido, que é novo demais, súbito demais. E isso meio que me assustou, me confundiu.

— Esquisitos como?

Puxou o cabelo para trás da orelha.

— Do tipo que eu nunca tinha tido antes, que nunca sequer passou pela minha cabeça. Eu… não pude controlar isso, não pude…

— Ei — Sooyoung entrelaçou seus dedos aos dela e os apertou, demonstrando apoio. Ver Yerim tão perturbada a deixava no mesmo estado. — Sei que não pôde, ninguém controla pensamentos, apenas se adapta a eles e os adapta para si.

Yerim balançou a cabeça, suspirando. Realmente necessitava falar sobre aquilo com alguém, mesmo que Sooyoung não fosse a pessoa mais indicada para aquela conversa. Mas, como era sua amiga mais próxima, ela entenderia, não?

— Não sei como aconteceu, Soo, mas aconteceu. Acho que… Acho que foi naquele fim-de-semana em que fomos ao shopping e compramos roupas, lembra?

Sooyoung assentiu. As duas tinham aproveitado uma super liquidação em uma das melhores lojas do lugar para fazerem compras, já que roupas nunca são demais. Se lembrava que Yerim chegara atrasada na praça de alimentação, o ponto de encontro definido, e acabaram, por isso, perdendo a sessão de cinema que pegariam. Foi um acaso avistarem o anúncio da promoção, mas não pensaram duas vezes antes de adentrarem o local.

— Quando você foi provar as peças que tinha escolhido, fiquei do lado de fora para te ajudar. Já estava certa do que levaria, então apenas aguardei. Você provou blusas e calças lindas, até aquela bermuda combinou contigo, embora meio curta. — Sooyoung sentiu o aperto em sua mão afrouxar. — Mas teve uma em especial que me… cativou. Hum, talvez essa não seja a palavra certa, desculpa. Era um vestido lilás soltinho, ia até a metade das coxas, mais ou menos, não tinha mangas, e me lembro de pensar na hora que “uau, realmente combinava contigo". Mas era mais que isso, entende? Sua cintura fina, suas pernas bonitas, seus… seios, tudo combinava perfeitamente com o vestido. Talvez eu tenha reparado demais nisso.

— Você sentiu… atração? — Sooyoung, com o coração acelerado, perguntou baixinho, não querendo assustá-la e fazê-la recuar.

Yerim deu de ombros.

— Esse momento meio que desencadeou outros, e, de repente, muitas coisas pareciam gritantes. Passei a reparar demais em detalhes pequenos, pensar demais em coisas que não deveriam me prender como prenderam.

Sooyoung não saberia dizer como se sentiu ao ouvir o que passava pela cabeça de Yerim, ainda mais com o fato de que os conflitos estavam relacionados a ela.

— Isso não quer dizer nada. — Manteve o tom baixo. Via Yerim, naquele momento, como um gatinho arisco. Precisava tomar cuidado, pois um movimento em falso podia fazê-la correr para bem longe. — Sei o que se passa na sua cabeça e o que você acha que está acontecendo, assim como sei que tem medo disso, mas não precisa ser, necessariamente, algo do tipo. Você pode gostar de roupas por querer usá-las, ou simplesmente por gostar de como elas ficam no corpo das outras garotas. É normal para meninas olharem para outras meninas, nem sempre é desejo.

— E esse não foi o problema real, entende? — Yerim franziu o cenho minimamente. — Não vejo problemas em reparar em um corpo feminino, em me sentir atraída por eles. Sabe que eu sempre fui mente aberta, não é? Até porque mais de uma das minhas amigas mais próximas não são heterossexuais, e uma delas é você. — Sooyoung estreitou os olhos, não entendendo onde Yerim chegaria com aquilo. — O real problema foi que…

— Sente que está sendo influenciada por nós? — a cortou.

Yerim balançou a cabeça negativamente.

— Eu não disse isso. Eu estou, sim, com as ideias meio fora de ordem, mas…

— Hey. — Outra vez, fora cortada. Fitou Sooyoung. — Sei como é essa fase da aceitação, passei por ela, e saiba que nós estamos aqui para você. Eu estou aqui para você. Isolar-se não foi uma boa opção e continua não sendo, acredite em mim. Sei que pode ser assustador, mas…

— Sooyoung — chamou, devolvendo o favor de cortar sua fala. Já parecia mais à vontade, e isso era bom —, obrigada, de verdade, mas eu não me isolei por medo de algo. Foi porque…

Sooyoung apertou sua mão, a desconcentrado. Logo agora que tinha tomado fôlego e estava pronta para se abrir, a amiga tirava sua concentração. Ah!

Vendo a expressão estranha de Yerim, a outra deu um sorriso torto. Só queria ajudar, fazer de tudo para que não voltassem a se afastar. Sooyoung não podia ter Yerim fora da sua vida, de jeito algum, e lutaria para que ficasse.

— Foi porque…? — incentivou a menor a continuar.

Yerim respirou fundo, soltando de uma vez:

— Eu meio que comecei a gostar de uma garota.

Sooyoung deixou os ombros caírem. Ah, então era isso. Não mentiria, estava decepcionada, e talvez fosse mais consigo mesma que com Yerim. O que pensou, que Yerim iria se manter sozinha para sempre? Que as duas estariam sempre juntas, até ficarem velhinhas, sem ninguém no meio? Que Yerim descobriria por si só seu segredo e a partir daí tudo seria como em filmes de princesas? Que tola, Sooyoung.

Sabia que a culpa era toda sua. Mas o que poderia fazer? Simplesmente chegar na amiga heterossexual e soltar um “Então, eu meio que nutro alguns sentimentos pequenininhos, assim, ó, por ti. Não surta.”? Era previsto que estragaria a amizade das duas, sem chance de voltarem ao normal algum dia.

Agora que sabia que Yerim tinha se apaixonado por alguém, suas chances tinham diminuído ainda mais. Sooyoung não queria nem saber do sexo de quem tinha o coração da sua garotinha, só pensava que, droga, tinha perdido sua chance, e nada mais poderia fazer para ter uma segunda.

— Soo?

Fitou Yerim.

— Tudo bem por você?

Sooyoung quis rir, mas não uma risada alegre. O que fizera para se encontrar naquela situação? Será que era alguma força maior a punindo por suas artimanhas de quando era criança? Será que era o troco pelas vezes que fizera pegadinhas de primeiro de Abril com Yerim? Ela as odiava!

Franziu o cenho e endireitou a postura, lutando ao máximo consigo mesma para não soltar a mão de Yerim.

— Por que não estaria? — Sorriu pequeno. Apenas sorria e acene, Sooyoung, como em Madagascar. Precisava passar confiança para Yerim, mostrar que estava tudo bem.

A outra suspirou, demorando a responder sua pergunta. Talvez não soubesse o que dizer, pensou Sooyoung. Faria sentido se apenas quisesse a aprovação da melhor amiga.

— Porque é de você… — hesitou — que eu gosto.

E se calou. Após proferir aquilo, Yerim baixou a cabeça e fitou a mão livre. Ela sabia que as chances de Soo reagir positivamente eram baixas, já que, apesar de ser bissexual, nunca fôra de demonstrar muito afeto com qualquer um daquela forma. Podia gostar de ambos os sexos, mas aquilo, Yerim tinha noção, não significava que sairia beijando todos pela frente e distribuindo juras de amor, ao contrário do que muitos pensavam sobre a comunidade LGBT. A única vez que Sooyoung aparecera namorando fora alguns anos atrás, logo após a descoberta da sua sexualidade, relacionamento este que não durou mais de três meses.

Yerim sabia que não era retribuída. Sooyoung era uma moça bonita, mais encorpada que ela, mesmo sendo apenas alguns meses mais velha. Era mais desenvolvida também mentalmente, muito madura e esperta, além de agradável, simpática e engraçada. Yerim era… Yerim. Não havia nada de extraordinário em si, e uma característica sua que mais chegava perto disso era seu talento inusitado de fazer malabarismo. Não era o bastante.

Sooyoung tinha dado pane, travado assim que as palavras deixaram a boca da amiga. Não podia ser verdade. Era uma ilusão, um sonho, algo do tipo. Quer dizer, em que mundo Kim Yerim, sua garota favorita na face da terra, gostaria dela?

O choque a entorpeceu e ela relaxou os músculos, soltando, sem perceber, a mão de Yerim, não percebendo a feição triste que ela estampou.

— Eu tentei ignorar esse sentimento, Soo, juro que tentei. Achei que me afastar faria ele sumir, que eu só precisava de um tempo para ver que tinha confundido as coisas. E eu não aguentava mais ficar longe de ti. Não digo que teria ido te ver se você não tivesse vindo hoje, mas… por favor, não me deixe. Não te peço que me retribua; se quiser, podemos esquecer que eu disse isso e…

Foi interrompida por um riso baixo. Sooyoung tinha um sorriso crescente no rosto e as bochechas vermelhas, e evitava seu olhar, mantendo a cabeça meio baixa. Yerim, por um segundo, achou que a amiga ria de si, mas sabia que nunca faria aquilo. Com aquele sorriso, soube que estava tudo bem, independentemente da resposta de Sooyoung.

— Me desculpe, é que eu… Uau. — Seu sorriso se alargava ainda mais a cada palavra dita, e, envergonhada, virou o rosto, impedindo Yerim de ver sua vermelhidão. — Poxa, eu… Eu não sei o que dizer. Digo, você está falando sério?

Yerim assentiu com a cabeça. Sentia-se tímida, e mesmo sabendo que Sooyoung não a vira, não verbalizou sua resposta. Talvez a outra não precisasse de uma.

— Deixe-me pensar. Ah, Yerim, olhe só como me deixou. — Voltou-se para a causa do seu estado atual. — Eu… Eu fico grata que tenha me dito isso, se aberto para mim. Sabe por quê? — Pegou ambas as mãos de Yerim, as acariciando com o polegar ao mesmo tempo que as apertava, como que para ter certeza de que aquele momento era real. — Porque se não tivesse, eu nunca teria coragem o bastante para te chamar para sair.

Yerim virou a cabeça tão rapidamente que seu pescoço produziu um ruído de estalo, mas ela não se importou. O que Sooyoung tinha dito?

Vendo que Yerim precisaria de uma ajudinha para processar, prosseguiu:

— Eu gosto de você — falou baixinho. — E faz tempo. Desde antes de você sequer cogitar a ideia de se relacionar com garotas.

— É s-sério? — uma Yerim nervosa gaguejou. — Céus…

Sooyoung estampou um belo sorriso bobo no rosto. Droga, estava muito apaixonada.

Levou a mão até o rosto da outra, passando a ponta dos dedos pelas bochechas cheinhas que ela tanto admirava. Os fechou no pescoço branquinho, a mão alta o bastante para alcançar as maçãs do rosto e atrás da orelha. Queria beijá-la.

— Kim Yerim, você quer sair comigo?

Yerim finalmente retribuiu o sorriso.

— Como um encontro?

— Exatamente como um encontro.

Yerim fugira não apenas de Sooyoung, mas também dos próprios sentimentos. Ambas se machucaram com aquela distância, e nenhuma das duas sequer pensou que havia um jeito muito fácil de resolver aquilo. No final, quando os lábios se encontraram em um toque suave, o primeiro de vários, Sooyoung jurou para si mesma que nunca mais deixaria Yerim fugir. E Yerim? Ah, Yerim sequer cogitava a ideia.

5 de Agosto de 2018 às 03:03 0 Denunciar Insira 2
Fim

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nico f "i'm on a curiosity voyage and i need my paddles to travel. these books are my paddles. i need my paddles!" wattpad: intohobi spirit: intojk

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