Alô, galera de caubói! Seguir história

mrs_odult Tauna Nataniele

Baekhyun é um menino da cidade, passou seus 16 anos vivendo entre arranha-céus, engarrafamentos e poluição; até que, inesperadamente, seu avô morre e deixa sua fazenda onde Judas perdeu as botas para sua filha, mãe do garoto, e ele, depois de muito show, se muda para o interior, um lugar sem quase um pingo de tecnologia. Quanto tempo ele vai sobreviver?


Fanfiction Para maiores de 18 apenas.

#caipira #comédia #chanbaek
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Bicho do mato

DROGA! MIL VEZES DROGAAA!!!

Vovô Minkyung tinha que morrer logo agora?! E pra piorar, deixou de herança pra Mamãe uma fazenda lá onde Judas perdeu a cueca.
Aí você me pergunta: ela vendeu, né? NÃO! Muito pior, ela assinou a papelada, e, nesse exato momento, eu estou confinado dentro da nossa minivan com meu irmão, Mamãe e minha poodle Joanne, a caminho da nossa nova casa.

Chorei muito, fiz um escândalo, mas minha mãe foi irredutível: nós íamos e ponto final. Me despedi de todos os meus amigos e fiz manha exagerada para Jongin, meu crush na escola desde o fundamental. Ligaria para eles sempre que possível, e mandaria muitas mensagens pelo Kakao Talk.

Na minivan estava um silêncio sepulcral, exceto pela música que saía baixinha do rádio. No banco do carona eu estava munido de um livro, fones e celular. A viagem demorava tanto que eu estava escutando a discografia da Lady Gaga pela segunda vez. No banco de trás Baekbom de fones de ouvido assistia Naruto, seu anime favorito, e Joanne dormia esparramada.

-Vocês vão gostar, meninos - ouvi minha mãe falar. Ela dizia isso desde que saímos de casa, de madrugada - Lá é bem grande, tem muitos animais...

-Você sabe que eu detesto mato... - falei por pura implicância. Eu estava odiando aquilo tudo.

Mamãe apertou o volante com mais força, mas não me respondeu com irritação:

-Com o tempo vai se acostumar. Eu era assim também, quando saí da casa dos meus tios e passei a morar com o seu avô... Conheci o seu pai lá na vila.

Xii, estávamos pisando em ovos ali. Mamãe ainda gostava muito do meu pai, aposto que não vendeu a fazenda por conta das lembranças. Resolvi ficar quieto e aumentei o volume da música; ela ia começar a desabafar e a chorar e eu ainda estava furioso com ela, o melhor era evitar.

🐮🐮🐮

Quando chegamos em frente à porteira da Fazenda Céu Azul eram quase cinco da tarde, e eu ainda fui obrigado a descer e abrir e fechar aquela coisa pesada. Pelo menos eu esticava um pouco as pernas. A estrada era de terra vermelha e pra todo lado só tinha mato. Parecia um planeta alienígena.

A minivan rodou mais um pouco e tivemos que parar porque um bando de vacas estava passando, conduzidas por vários caubóis e seus cavalos.

-Tarde, Dona Cho - um deles reconheceu minha mãe e tirou o chapéu. Estava cheio de terra e com lama nas botas.

-B-boa tarde - Mamãe sorriu um pouco travada e acelerou assim que eles liberaram a estrada. Ainda demorou um tempo até enxergarmos a casa e os celeiros, bem afastados, mas finalmente chegamos.

A casa era pintada de branco e bem grande, maior que a nossa na cidade. Tinha apenas um andar e uma varanda ao redor, com uma chaminé no telhado da cor cinza. As janelas eram de vidro e a porta de madeira envernizada.

Odeio admitir, mas eu tinha amado.

O quintal era pura terra e cheio de feno, uma picape vermelho desbotado estava estacionada ao lado da casa e, assim que estacionamos, contei cinco cachorros do tamanho de bois correndo e latindo loucamente. Isso acordou Joanne, que pulou no meu colo, quase afundando meu estômago, e ficou tremendo.

-Dona Cho - uma moça aparentando uns 50 anos com um vestido florido, avental e um lenço amarrado na cabeça veio nos receber. Ela tinha um sotaque bem forte, de gente que viveu na roça desde sempre, sabe?

-Comadre! - Mamãe sorriu e saiu da minivan, abraçando a mulher. Eu saí com Joanne ainda no colo (a essa hora os outros cinco monstros tinham sumido) e Baekbom me acompanhou - Estes são meus filhos, Baekhyun é o mais velho e Baekbom o menor.

-Deus abençoa, eles são lindo! - ela abraçou nós dois, que agradecemos - Podintrá, Dona Cho. Eu e o Seu Jung levamo suas coisa pá drento.

-Ainda tá do mesmo jeito? - minha mãe estava muito feliz, e aquilo me deixava ainda mais bravo.

-Tá, sim! Só arrumamo os quarto dus minino.

-Ótimo! Obrigada, comadre! - Mamãe nos levou pra dentro. Nós entramos na cozinha, onde havia um fogão a lenha, pia, armários Itatiaia e uma mesa e cadeiras de madeira. A sala tinha uns móveis que pareciam datados do século XIX, e em cima de um hack tinha uma televisão de tubo da Sharp.

Suei frio e já peguei o celular, confirmando meu maior medo: SEM SINAL!

Me virei para Baekbom, que também conferia o seu aparelho e abria a boca para chorar logo depois.

-O que foi, meu amor? - Mamãe pegou ele no colo. Ela tratava a gente feito bebê às vezes.

-Mãe, não tem sinal! - ele soluçou. Se eu não fosse o mais velho, estaria chorando também.

-Na vila tem sinal, amor. Amanhã na escola você faz o download do seu desenho, ok?

-Não é desenho, é anime! - revirei os olhos, mas minha mãe só beijou a testa dele e continuou com o pirralho no colo enquanto subíamos os dois degraus que separavam uma parte da casa da outra - Mas e aqui? Eu preciso de internet pra jogar!

-Querido, uma coisa de cada vez, tá bom? Vamos desfazer as malas primeiro, arrumar tudo, aí a gente olha isso, pode ser?

-Tá bom...

"Tá bom" o cacete! Como eu vou conversar com meus amigos assim? Como vou usar o Spotify, o Twitter? Mamãe tinha aspirado muita terra com esterco, só pode!

Achamos meu quarto primeiro, com uma cama e guarda-roupa simples, e uma escrivaninha com uma cadeira de madeira igual às da cozinha. Sabíamos que era o meu quarto porque tinha um armário de sapatos e uma estante, coisas que eu tinha exigido.

Nem quis saber de ver o resto da casa, fechei a porta e me joguei na cama, cansado de tudo. Joanne saiu pelo quarto cheirando todos os cantos, e depois subiu na cama, logo dormindo. Resolvi fazer o mesmo.



Alguém me sacudia pelo ombro quando acordei. Era um homem queimado de Sol, usando um chapéu igualzinho ao do Seu Madruga.

-Sinhô Baekhyun. Sinhô Baekhyun, acorrda.

-Quê? Quem...? - eu ainda estava mole de sono. Me sentei na cama.

-Sô u Seu Jung. Sua mãe tá chamano pá jantá.

-Ah, tá - esfreguei os olhos - Já vou.

-Tá bão, vô falá pá ela.

Deixei ele sair e bocejei, olhando em volta. Eles tinham trazido minhas malas e até as coisas da Joanne. Pela janela a luz da Lua iluminava o quarto todo. Desci as escadas e fui até a cozinha onde Baekbom e Mamãe, já de banhos tomados e pijamas, jantavam enquanto a "Comadre" mexia no fogão à lenha.

-Boa noite... - me sentei à mesa - Que horas são?

-Seis hora, Sinhô Baekhyun - a Comadre me trouxe um prato de frango com quiabo - Ieu num sabia si ocê gostava di angu, intão butei só o fran cum quiabo.

O "fran" com quiabo, é?

-É, não sou muito fã de angu. Obrigado - sorri. Eu estava puto sim, mas não precisava ser mal-educado com a Comadre. E que história é essa de jantar às seis da tarde?

-Baek - Mamãe me chamou - Depois do jantar, guarde suas coisas, tá? E toma banho também.

-Ok.

Sabe, o jantar estava até gostoso. Eu nunca tinha comido nada feito em fogão à lenha antes.

Depois de encher a barriga, subi e arrumei primeiro as coisas de Joanne, que praticamente atacou a vasilha de ração. Abri as malas e fui arrumando todas as roupas e sapatos. Empilhei os CDs e livros na estante e coloquei a mochila em cima da "escrivaninha".

Dado por findo o meu trabalho, peguei uma cueca limpa, toalha e o pijama e saí atrás do banheiro. Procurei, procurei, procurei e nada!

-Filho, o banheiro fica lá fora! - Mamãe soltou a bomba.

E lá estava, de frente para a casa, uma construção pequena e estreita, com dois compartimentos e uma caixa d'água minúscula em cima da laje. Engoli todos os palavrões que tive vontade de soltar na hora e cruzei o quintal empoeirado com aqueles cinco cachorrões na minha cola. A porta era de borracha e estava toda molhada, o chão devia estar um nojo, teria que tomar banho de chinelo.

Pelo menos, pensei quando abri a porta, o chuveiro é elétrico.

Já na minha cama, deitado e quentinho, me permiti chorar baixo. Sentia muita saudade de casa, dos meus amigos, e do Jongin. Chequei o celular, mesmo sabendo que não teria nada, e lá estava o X perto das barrinhas de sinal, como se zombasse da minha cara.

Resolvi dormir. Talvez amanhã na escola fosse melhor, mesmo que eu não estivesse levando muita fé.

🐮🐮🐮

Mamãe levava Baekbom e eu para a escola com a picape que rangia a cada curva, tinha um banco único para todos nós, e um volante maior que um bambolê. Ainda estava amanhecendo, deviam ser seis e pouco da manhã, eu acho.

Baekbom estava encolhido no seu moletom e tênis da Adidas e eu nos meus jeans e conjunto de blusa e casaco da Nike. Tudo comprado com a pensão que nosso pai pagava, é claro.

Os moradores da Vila Solar já haviam acordado a agora abriam o comércio. Tinha barbearia, padaria, armazém... Bem no meio da vila tinha uma praça redonda com uma estátua, provavelmente o fundador da vila, e à frente a igreja. Mamãe virou à esquerda e seguiu por uns cinco minutos, até parar ao lado de um cineminha.

Seguimos a pé até o fim da rua, onde estava a escola. Era maior do que eu esperava, e dividida em dois: Fundamental e Ensino Médio. Bem no meio, ligando as duas construções, estavam a Secretaria e a Diretoria. Foi para onde nós três nos dirigimos, com Mamãe segurando nossos documentos.

-Bom dia - ela cumprimentou a secretária, que tinha um cabelo curto e encaracolado e usava óculos com um cordão.

-Bão dia - a mulher sorriu - É a sinhora ChoHee?

-Eu mesma, vim terminar a matrícula dos meus filhos. A diretora me disse que eles já poderiam frequentar as aulas hoje.

-Craro, podi mi passá os documento - elas estavam muito calmas e eu, impaciente. Já havia conferido o celular e naquela vila só pegava 2G! Precisava urgente descobrir a senha do wifi daquela escola, mas eu duvidava que ela tivesse - Pronto, vô fazê uma lista di chamada nova i fazê algumas cópia, só um minutin.

-Com licença, quando nossos livros chegam? - meu irmão perguntou.

-Ah, seus livro fica nu armário da sala. Nu final du anu letivu ocês devorve tudo i a turma nova vai usá - ela disse com um sorriso na cara de cavalo.

Era só o que me faltava.

- U restu du material a pefeitura fornece. Eles já entregaro essi anu, mais possu incomendá...

-Ah, não será necessário - Mamãe sorriu - Eu já comprei o material deles.

-Bão, tudo bem - aquela mulher sorria muito. Senti um puta cheiro de álcool e então uns barulhos de compressa ou sei lá e então a secretária entregou para Baekbom e eu algumas listas de chamada atualizadas com nossos nomes - Sinhô... Baekhyun, sua sala é a númro 12. Baekbom, sala 7. Boa aula!

-Obrigado - respondemos e saímos de lá com Mamãe. Ela nos abraçou e disse que o Seu Jung nos buscaria mais tarde, e então foi embora.

-Boa sorte, Cabeção - meu irmão disse.

-Boa sorte, Fedido - desejei, e cada um seguiu para a sua sala.

Bati na porta da sala 12, que era de madeira pintada de verde-água e estava toda rachada. Um homem de óculos fundo de garrafa e cara de morsa a abriu:

-Pois não? - pelo menos meu professor não parecia ter sotaque.

-Sou o aluno novo - falei sem medo e entreguei uma das listas de chamada novas para ele - A secretária mandou te entregar. Tem o meu nome agora.

-Ah, sim. Entre - ele me deu espaço e eu entrei na sala, que devia ter no máximo 20 alunos.

-Pessoal, esse é o aluno novo... É...

-Baekhyun - sorri amarelo. Todos ali vestiam roupas gastas e desbotadas, e me olhavam como se eu fosse um bicho de zoológico.

-Vamos dar as boas-vindas?

-Bem-vindo ao Complexo da Vila Solar, Baekhyun.

-Pode se sentar agora, rapaz.

Obedeci com o maior prazer, sentindo todos me olhando. Tinha uma carteira livre na fileira do canto, sentei e peguei caderno e estojo. Só então que vi que o quadro era de giz. Quase bufei.

Ia ser uma longa aula.

28 de Julho de 2018 às 03:04 1 Denunciar Insira 2
Leia o próximo capítulo É na sola da bota, é na palma da bota

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brendon kim brendon kim
Aaaaaaaaaaaaaaa eu tô adorando, continua continua por favor
February 19, 2020, 01:12
~

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