Curiosamente falho Seguir história

hocksthot Afogata

Uma metáfora ininteligível em um texto relativamente triste. Você não é o único.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#drama #oneshot
Conto
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Único.

A cacofonia irritante de meus passos contra as poças d'água denunciavam minha localização a aquele de quem tanto fugi a vida inteira, minha respiração irregular e inquieta dificultava a capacidade de ouvir o que o exterior tinha a me contar.

Era esse meu destino? Morrer em um bosque úmido repleto de árvores desprovidas de qualquer folha? Alguém, de fato, encontraria meu corpo? Chegariam a procurar realmente? Dúvidas diversas para respostas rasas que deixavam muito a desejar.

Um incômodo descomunal em meus pés, cansados da correria que parecia sem fim. Todos os pelos de meu corpo arrepiados, a escuridão que vez ou outra insistia em roubar minha visão e o medo inquietante que grudou em meus ombros, torturando-me lentamente.

Não ousei olhar para trás, sinto que se o fizer irei cair ao chão e não levantarei novamente, minha vontade de viver é o que mantém minhas pernas cansadas ativas e se isso acabar estarei completamente morto, e ninguém além de mim e aquela coisa irão saber que meu corpo não se encontra mais com vida.

Um completo indigente.

Pois eu sempre fui e sempre serei curiosamente falho em tudo que faço para a voz dentro de minha cabeça.

8 de Julho de 2018 às 03:43 4 Denunciar Insira 2
Fim

Conheça o autor

Afogata Eu escrevo pecados, não tragédias.

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Rodrigo Borges Rodrigo Borges
Poxa, sinto que todo esse emaranhado de árvores, toda essa cacofonia, o medo e a persistência, não passam de apenas pensamentos dentro de sua cabeça, ao menos assim me identifiquei. Talvez o "monstro" que está atrás dele seja ele mesmo. Gosto de textos que me fazem pensar dessas maneiras.
6 de Setembro de 2019 às 21:10
tiago líreas tiago líreas
Aprecio muito qualquer um que seja capaz de expressar algo sem o dizer diretamente, então foi um Core automático da minha parte. Agora quanto à mensagem, só fiquei meio confuso quanto à floresta de árvores sem galhos. Não sei se têm alguma ligação direta com a analogia, e se tiverem diria que representam falta de vida/vivacidade ou mesmo a morte do narrador. Tirando isso, top, mas nem importa tanto de verdade. Não são poucas as vezes em que não se entende a metáfora extravagante de alguém. Também gostei da invulgaridade nas palavras.
22 de Agosto de 2019 às 19:12
MM Marcus M Antoniazzi
Gostei bastante da escolha de palavras, que traduziram claramente o que acontecia com o protagonista e me puxaram para dentro do conto já ao final do primeiro parágrafo. Sou fã das analogias e da atribuição de adjetivos ou ações para enriquecimento do texto, como acontece em "[...] a escuridão que vez ou outra insistia em roubar minha visão [...]" e "[...] minha respiração irregular e inquieta dificultava a capacidade de ouvir o que o exterior tinha a me contar." Parabéns pelo trabalho!
5 de Maio de 2019 às 08:55
Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Acho que, de uma forma ou de outra, está todo mundo correndo de algo ou alguém. Acredito que, há muito, parei de correr da loucura dos meus pensamentos e comecei a correr para eles. Não torna nada mais fácil, mas deixei de ser a caça. Gostei muito do conto, super me identifiquei!
10 de Julho de 2018 às 14:02
~