Min Yoongi nunca disse ''eu te amo'' Seguir história

blues jess and blues

Kim Taehyung gostava de filosofias de boteco, de piadas sobre fliperama, e de escutar rock clássico. Em meio a essa bagunça de preferências, que não combinam entre si, acabou descobrindo que o amor dos anos oitenta era tão dissimulado quanto os olhos de Min Yoongi. [80’s e 90’s – muitas recomendações musicais]


Fanfiction Para maiores de 18 apenas.

#taespringi #anos-80 #vsuga #taegi
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Min Yoongi era único em tempos de alienação

É começo dos anos 90. Peças jeans ainda estão na moda, há franjas em acessórios de tudo quanto é tipo e Kim Taehyung acha isso meio que cowboy demais; por respeito, ainda lamentam a morte de uma pessoa brilhante como Bruce Lee, apesar da guerra das Coréias ser uma cicatriz mais aparente e mais dolorosa do que qualquer outra já foi.

Mas Kim Taehyung discorda de alguns pontos dessa história, especificamente desse último tópico. A cicatriz mais aparente, mais dolorosa, e mais pulsante dele foi, literalmente, no fim dos anos oitenta (foi em 89’s se ainda te coça alguma dúvida) e ele não se lembra o dia que exatamente começou, mas sabe quando e como é que terminou.

Toda cicatriz começa pelo desamor, e ele obteve a dele por medo.

Taehyung trabalhava na rádio local, quer dizer “trabalhava”. O on stage era pré-gravado, e a programação de músicas diárias se repetia toda semana. Nesse tempo livre que ele tinha, se divertia nesses bares porcos, assistia aos jogos de bilhar que lhe eram proporcionados e ria sem vergonha quando os beberrões reclamavam às paredes de que as músicas nunca mudavam, mas que se mudassem iriam surtar por não se adequar mais na rotina.

Taehyung também participava do clube do comodismo, porque uma das coisas que ele não largava por nada neste mundo era o seu posto de “Rei do Fliperama”.

Ah... gastava dinheiro com fichas, e mais fichas, por mais que o seu salário não fosse do melhor, só porque queria continuar ouvindo aquela meia dúzia de pessoas gritando pelo seu nome. Entretanto, aquele final de tarde foi diferente. Ganhou de um rapaz de óculos e foi mimado com garrafas de cola diet e alguns pacotes de bala, como sempre. Mas havia algo no ar, um perfume que jamais sentira na vida – e tinha que admitir, era um cheiro bom – talvez fosse um pesar mais significativo sobre as suas costas. Percorreu com os olhos o local, e nada estava fora de seu lugar: bêbados bebiam, fumantes fumavam e quem queria morrer mais cedo fazia os dois; o grupinho do bilhar batia as suas bolas; e os tais dos amantes faziam competição para ver quem exibia melhor o seu amor.

Amor era uma palavra engraçada, fazia cosquinhas em seu nariz, e ele esperava que fumegasse algum dia em seu peito.

De repente, Taehyung avistou o problema. Lá longe – ou não muito – sentado na bancada, tomando distraidamente uma garrafa de refrigerante de laranja. O estilo dele era meio engraçado. Vestia uma boina, uma jaqueta de couro que o fazia parecer menor do que realmente era, e suspensórios sobre uma camisa do The Rolling Stones. Sem contar que o seu cabelo era definitivamente verde, ele não havia visto errado. Taehyung achou isso estranhamente sexy e até permitiu-se morder os lábios inferiores.

Ele não sabia como sabia o que seria no momento em que se encontrassem, mas sabia – e tinha absoluta certeza – que ainda estaria no quarto verso de Something, The Beatles. Décima segunda música de quinta-feira. E ele achou isso tão eles, por mais que ainda não conhecesse a figura.

Chegava no segundo verso e Taehyung já se encontrava impaciente, batucava nas coxas e cantarolava baixinho “I don’t want to leave her now, you know I believe and how...” até que o garoto fez seu primeiro movimento, dirigindo-se ao banheiro e Taehyung nada bobo, foi lá também.

— Achei que você não viria — ele havia tirado a boina, e sua voz também era bonita.

— Eu também achei que não iria rolar — respondeu despudorado. Quarto verso.

— E quem te garante que vai? — debochou — Você não é muito bom em jogos de fliperama, Kim Taehyung — proferiu o nome deste de forma quase irônica.

— Eu ganhei, não ganhei?

— Os controles da outra máquina estão quebrados — riu entredentes, enquanto dedilhava sensualmente sobre o peito do mais alto.

— Certo, então finja que eu não sou tão bom assim no fliperama.

— Então no quê?

— Olha... eu beijo bem — arriscou.

O mais baixou umedeceu os lábios – Taehyung sentiu suas pernas fraquejarem – e foi empurrando o outro calmamente contra a porta do banheiro, pegando nas chaves que se encontravam no bolso do Kim e trancando-os ali dentro – Taehyung não fazia a menor ideia de como é que ele sabia que ele possuía as chaves. Beijavam-se afobados, descontrolados, ferozes e a única preocupação pertinente de Taehyung naquele momento era em como tirar aquela jaqueta de couro irritante do completo desconhecido. Eles eram brutos e selvagens, não havia o porquê de ser gentil, mas foi enquanto o menor tirava a sua calça e sentava-se em seu colo, rebolando devagarinho – isso, até então, era a única coisa desacelerada permitida – que Taehyung olhou para ele, totalmente entregue ao clima de sexo, e percebeu mais tarde o que queria. Bem mais tarde do que deveria, mas percebeu:

— Eu sou Min Yoongi e espero que você gema meu nome tão bem quanto beija.

Que aqueles olhos eram dissimulados, caídos de cansaço, totalmente carregados de tristeza. Se Taehyung tivesse sido gentil, as coisas teriam acabado como acabaram?

Opa, isso é passagem de outra parte da história, bem mais pro final. Por enquanto só queremos saber como diabos é que Min Yoongi sabia que Kim Taehyung possuía a cópia das chaves do banheiro. E ele explicou, mesmo que já estivesse caído de sono e cansaço pós-sexo, ou que só conseguisse prestar atenção nos lábios finos do de cabelo colorido.

— Eu ganho muito bebida de graça, então chegou uma hora em que eu estava irritando o barman ao pedir tantas vezes as chaves para ir mijar — riu — e então, como você deve saber, agora o barman manda alguns até mim para pegar as chaves do banheiro.

— Oh, entendi... você é do tipo que atrapalha a vida dos outros — respondeu Yoongi, cruzando as mãos embaixo do queixo e sorrindo inocente.

— E... — estava se esforçando ao inclinar seu corpo em direção ao do mais baixo — por que eu seria?

Yoongi soltou o ar, debochado, empurrando Taehyung no peito para longe de si. Ele conhecia bem caras do tipo: eles cheiravam a perigo.

E, bom, para Yoongi, Taehyung era só mais um.


Min Yoongi nunca esteve enganado quanto a seus amores de verão. Quantas chances havia perdido ao rejeitar todos aqueles que poderiam ter sido os grandes amores de sua vida? Ele sabia, sabia de todas elas, e havia rejeitado todas elas também.

Era um romântico irremediável, porém, nunca havia dito “eu te amo”. Para ele só palavras não valiam, era preciso sentir, e ele nunca achou que havia sentido o suficiente. Nunca sentiria. Romances de uma noite foram criados para pessoas como ele, mas então Kim Taehyung apareceu: com uma conversa fiada, falsas habilidades no fliperama, e com um sorriso tão sincero que ele nunca seria capaz de esquecer. Taehyung fazia Yoongi querer recitar irresponsavelmente as malditas palavras, sílaba por sílaba, assim: “eu te a-mo”.

Era sábado agora, e tocava na rádio as maiores melações do século. E a voz – pré-gravada – de Taehyung ressoava pelos altos-falantes de lojas e restaurantes com toda a convicção de que “o novo milênio nunca será tão bom quanto esse que estamos vivenciando!”. O Taehyung de verdade andava descolado, com as mãos enfiadas no bolso apertado da calça e olhava despreocupado na seção de massas do supermercado. Era viciado nos miojos de copinho: eram baratos, deliciosos e faziam o seu coração apitar ao mesmo tempo que a chaleira, quando a água terminava de ferver.

Quer dizer, não exatamente o miojo. Mas aquela seção do supermercado, que coincidentemente havia levado Min Yoongi até ele.

Agora que estavam no claro, Taehyung pode visualizar a tatuagem de uma borboleta em sua mão esquerda, um pouco encoberta pela manga comprida da jaqueta de couro – que, mais tarde, descobriu que o Min vestia mesmo em dias quentes, apenas para manter o tal do estilo – e que o verde de seus cabelos mais parecia algodão-doce do que menta. Tão bonito!

— Isso só pode ser o destino, e você está sem a boina hoje, Min — Taehyung começou, enquanto o outro continuava a olhar para as prateleiras.

— Hã, oi, isso foi comigo? — se fez de sonso — ah, então cara, não é nada contigo, mas, sabe, eu não costumo conversar com transas de uma noite… o que você quer?

— Conversar — respondeu simples — e falar que você é muito mais bonito durante a luz do dia, escolhendo macarrão instantâneo, do que ajoelhado fazendo coisas indecentes — sorriu atrevido.

— Ora, seu… quem é você para me julgar? — Yoongi havia se irritado.

— Epa, epa, calma lá! — se defendeu — Eu sei que meu palavreado não é do mais refinado, é só que… eu não te vejo como mais uma foda, de verdade. Nós podíamos ser amigos.

— E o que eu ganharia brincando de ser seu amigo?

Taehyung pôs as mãos sobre o queixo, fez uma expressão de quem estava pensando, embora seu bico nos lábios era muito mais cômico do que sério. Por fim, ofereceu:

— A lista das músicas do dia. — sorriu confiante — Eu trabalho na rádio, sabia?

— Prove.

— A próxima música será Livin on a Prayer e antes dessa que tá tocando foi…

I Still Haven’t Found What I Looking For, U2 — ok, Taehyung estava surpreso agora — eu odeio essa estação de rádio — grunhiu de raiva — toca sempre as mesmas músicas.

— E por que isso te incomodaria? — Taehyung sabia fazer uns chistes de mau gosto sem ao menos se dar conta disso.

— Porque todas elas me remetem a algo triste.

Taehyung abriu a boca para falar algo estúpido, mas fechou-a logo em seguida. Pensara em uma ideia melhor.

— Então eu te concedo o poder de adicionar músicas na minha programação.

Yoongi ficou intacto, com as mãos ainda apoiadas sobre os pacotes de macarrão, fitava os próprios pés. Por fim, sorriu. Não tinha nada a perder, não é mesmo?

Taehyung não esperou mais, ficou tão feliz que puxou o Min para fora dali no mesmo instante, sem necessidade de uma resposta completa por palavras. Yoongi corria junto a ele sem saber pra onde iriam. E ria, ria, ria… como se lhe tivessem contado uma piada boa demais ou como se fosse um bebê de poucos meses achando graça das estranhices recém-descobertas do mundo. E até que era estranho tudo isso.

Apesar de se terem beijado várias vezes durante o sexo de dois dias atrás, Taehyung conta esse como o segundo.

Propriamente dito: eles se beijavam pela segunda vez, naquele estúdio de gravação minúsculo e abafado. Ele em cima de Yoongi, puxando-o pelo colarinho, e Yoongi com as mãos sobre os seus fios de cabelo. Taehyung até se permitiu pensar: “mais bonito que nós dois, só o jeito como ele explica suas rebeldias contra o fashion.

— Eu posso até achar cropped bonito, mas não quero ser controlado pela mídia, sabe? — explicou — o meu primeiro ato de rebeldia foi descolorindo meu cabelo, e acabando aqui nesse verde.

— Eu nunca experimentei cropped — comentou, Taehyung, despreocupado — e eu gosto. Do verde, quero dizer. Eu realmente gosto.

Silenciaram-se por alguns minutos, mas nenhum dos dois desviava o olhar. Se encaravam intensamente como se a vida deles dependesse disso, e Taehyung quase conseguiu decifrar os olhos indecifráveis de Min Yoongi.

Deveria ter mergulhado mais.

— Você quer que eu te ensine a jogar fliperama?

— Quero.

Chegando lá, o bar tocava What I Like About You e Taehyung gostou demais dessa coincidência.

E durante uma partida no fliperama, o Kim desatou a falar:

— Você é admirável, parece tão confiante de si… é até meio sexy — riu divertido — o que te faz ser assim?

O cabelo verde de Min Yoongi pareceu mais bonito do que nunca, as cores cromáticas da tela refletiam em seu rosto de pele branquinha, e por algum motivo ele pareceu tão… pequeno. Taehyung acha que foi o levantar sútil de ombros.

— A verdade é que todos precisam de uma pessoa como eu — falou ríspido, embora não quisesse ter soado assim — uma pessoa que você possa apontar a porra do seu dedo e falar “esse é o cara mau”.


Foram os três meses mais legais da vida do Kim, mas como toda a história tem um começo, todas elas levam a um fim também. É só que o ponto final de Taehyung veio cedo demais, céus! O que ele tinha feito de errado?

Eram seis horas da tarde quando ele estava sentado no meio-fio fumando – um dos hábitos que adquiriu nesses três meses – dessa vez cantarolava baixinho um trecho de RadioHead, porque fazia dois dias que o Min havia sumido. Assim, sumiu: não apareceu mais no fliperama e não tinha sequer uma ligação perdida no celular. Seria mentira se dissesse que o Kim não estranhou nem um pouquinho o sumiço do mais velho, mas ele não tinha o direito se de importar. Justamente porque eles não eram nada, ainda.

Uma silhueta parara à sua frente. Era Yoongi, com os cabelos pretos dessa vez, a jaqueta de couro fechada, ao invés de exibir a camiseta já tão conhecida dele, e as tatuagens das mãos todas à mostra. Os olhos de Taehyung brilharam, mesmo que estivesse vendo-o naquele ângulo horrível, de baixo para cima, porque sinceramente... Yoongi era lindo em qualquer posição.

— E aí, alienado! — Taehyung se referia ao novo cabelo do, agora, moreno. — Está se rebelando contra a sua rebeldia agora?

— Quase isso… — respondeu incerto.

— O quê então?

— Eu nem sei porque tô te contando isso... a gente nem tem nada direito, mas eu me senti na obrigação — suspirou — só... aconteceu.

— O que foi? É o cabelo? Você ficou lindo com o cabelo assim — Taehyung elogiou, sincero.

— Não é isso. — riu sem ânimo — É que hoje eu acordei e bateu uma vontade louca de sumir de novo, fiquei pensando em todas as merdas impulsivas que fiz, em todas as pessoas que enganei, em todas as fichas que apostei naquele cassino da outra cidade, você sabe... te contei esses dias, pensei até nas vezes que a gente se atracou no banheiro, aproveitando o som alto, e era incrível como com você sempre acabava em qualquer coisa, menos em apenas sexo... eu pensei bastante e percebi que 'tava só me autodestruindo e destruindo a vida de outras pessoas também. Taehyung, eu preciso de uma estrada diferente, eu não aguento mais fazer o mesmo caminho pra cá, sendo que eu sei que nunca vou conseguir criar raízes contigo. E nem com ninguém.

— Então é isso? Acabamos por aqui? — perguntou enfurecido, embora estivesse prestes a chorar — Eu caguei para o que você fez essa manhã, todo mundo tem suas crises existenciais, e você continuou voltando pra mim porque quis, eu não te obriguei a nada! Além de que eu só soube o seu nome quando você ‘tava em cima de mim, tirando a roupa, vê se me erra garoto. E pelo que eu entendi, por todo esse tempo, você só me viu como amante de uma noite mesmo, ótimo. Ótimo, Min Yoongi!

Os dois se magoavam, era uma disputa para ver quem desmoronaria primeiro. A grande revelação é que os dois sairiam perdendo.

— Pare de distorcer o que eu digo! — gritou, com os olhos lacrimejando — E por favor, eu só te dei o meu nome quando estava completamente disposto a contrair uma DST em troca de uma boa foda. Caralho, eu devo ter fumado um beck do tamanho do pau do seu pai para ter achado por um instante que iríamos dar certo. — Yoongi ofegava, estava chorando.

Naquele instante, Taehyung finalmente foi capaz de entender. Os olhos... aqueles olhos dissimulados já não estavam mais lá, expressavam mais sinceridade do que todos aqueles três meses poderiam ter revelado.

— E se eu tivesse insistido? — Taehyung também já chorava — Isso acabaria diferente?

— Acho que não nos servimos — disse mais calmo — Fomos pessoas certas que se encontraram em um tempo errado, eu sou muito desequilibrado mentalmente. Acredite, você não aguentaria ter que lidar comigo, Taehyung. Vamos acabar com isto agora.

— Você não se importa nem um pouquinho com o que sinto, e isso não foi uma pergunta.

Taehyung deu um sorriso terno, e então beijou gentilmente Yoongi, como era para ter sido desde o início. E, porra, aquele beijo tinha gosto de saudade.

— Antes você, do que eu — o moreno respondeu quase inexpressivo, mas era palpável a mágoa em sua voz.

E Taehyung não se entristeceu com a resposta insensível do mais velho, porque ele sabia. Sabia que o amor era a espera continua pelo golpe, e que ainda assim seria a coisa mais bonita que veria em toda a sua vida. Talvez fosse um pouco masoquista, huh.

Yoongi pediu para ser deixado antes mesmo que o deixem, isso dava-lhe a falsa sensação aliviadora de estar no controle. Estar com Taehyung foi o mais perto que ele chegou de sentir o amor, e isso dava tanto… medo. Ele partiu em direção ao pôr-do-sol meio lilás, andando a passos lentos – talvez não quisesse realmente ir embora – e ele sabia que ninguém seria tão bom pra ele quanto Taehyung foi, porque nenhum deles tentaria desvendar se há algo de errado em seus olhos, nem reparariam.

Min Yoongi desapareceu de sua vista, e Taehyung apagou o cigarro na grama, não estava com vontade de terminá-lo. 

No outro lado da rua, o bar tocava The Rolling Stones.

3 de Julho de 2018 às 16:36 5 Denunciar Insira 5
Fim

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jess and blues apaixonada pelas palavras e por suas várias formas. taegi. no social spirit como @fluchtig

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Buyoung Nam Buyoung Nam
Estou extasiada com essa história incrível
July 03, 2018, 19:50

  • jess and blues jess and blues
    extasiada estou eu por você ter gostado dela <3 July 04, 2018, 01:41
Alinne Nantes Alinne Nantes
Uau! Amei! Me definiu tanto. Vamos casar?
July 03, 2018, 19:01

  • jess and blues jess and blues
    vamos! HAHAHAHA obrigada por ter gostado da história <3 July 04, 2018, 01:41
  • jess and blues jess and blues
    vamos! HAHAHAHA obrigada por ter gostado da história <3 July 04, 2018, 01:41
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