Estritamente Profissional Seguir história

cupcakealado Princesa Jikooka

Mesmo que eles tivessem um péssimo histórico; mesmo depois da quinta dose de tequila; mesmo tendo uma ressaca horrível e mesmo com os sessenta graus daquela sauna, Jimin e Jungkook gostavam de se manter apenas no estritamente profissional.


Fanfiction Para maiores de 18 apenas.

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Tequila.

Alinhei pela enésima vez aquele blazer preto em meu corpo, pois já não havia o que fazer uma vez que estivesse devidamente pronto para sair e só faltasse Taehyung terminar aquela infindável conversa pelo celular com nosso chefe — claramente preocupado para que os mínimos detalhes da promoção de sua empresa fosse bem sucedida em minhas mãos, pois não acreditava que eu, sendo a imagem daquela revista em ascensão, colocasse algo a perder. — Afinal sempre fora assim e nunca houvera nada que um sorriso meigo da minha parte, não resolvesse.

Méritos pessoais a parte, mas até mesmo eu precisava admitir que não era atoa que estava naquela posição de divulgação do nosso trabalho — seja conseguindo entrevistas exclusivas com anfitriões dos eventos mais caros, até engajando novos patrocinadores que se agradavam dos trabalhos da revista a qual servia. — Logo aquele era apenas um trabalho como qualquer outro, onde promoveria a imagem de mais um novo hotel em inauguração, que para variar tinha esgotado suas estadias de modo que eu nem sabia como a minha própria havia sido reservada, pois não estava em meus planos passar a noite a fio em um lugar aglomerado de pessoas engomadinhas e de nariz empinado, mas nada podia ser feito se era isso que minha profissão exigia.

Respirei fundo, vendo meu reflexo no espelho — não gostava de ter que usar roupas formais e isso justificava a Skinny que usava em conjunto do blazer, que já me dava calor devido ao apartamento do Kim estar com o ar condicionado quebrado e ainda ser muito cedo para o clima frio de Seul à noite dar as caras. — Assim acabei indo até a janela para ver o sol em seus últimos minutos de esplendor, denunciando que ainda era extremamente cedo para se inaugurar um hotel, mas que os Kim’s eram suficientemente loucos para isso, não duvidando que o lugar iria lotar independente do horário — a modéstia de algumas pessoas era realmente surpreendente…

—Eu já entendi, não precisa repetir, pelo amor de Deus! — ouvi a voz de Taehyung vir estridente do corredor de casa, claramente não suportando as instruções do nosso velho chefe. — Não, não vamos esquecer de nenhum dos anfitriões e… Ah, dane-se você e tenha uma boa-noite falando sozinho.

Ri quando ele aparentemente desligou o celular na cara de seu superior — como sempre acontecia quando o mesmo lhe dava mais informações do que precisava e até mesmo redundantes sendo que aquela não era sua primeira vez naquilo, na verdade o Kim era até mesmo um veterano naquilo que fazia, mas o único que não parecia ver isso era seu próprio chefe. — Certo, o loiro podia ser um tanto imaturo às vezes (para não dizer o tempo todo) e agir por impulso quando as coisas saíam do controle — como quando se tornou o próprio assunto da revista ao fundar a discórdia quando teve sua matéria roubada por uma concorrência, — mas na maioria do tempo ele sabia ser profissional e nem dizia isso por saber dar nós de gravata, quando nem eu mesmo sabia amarrar um tênis decentemente.

Em suma, ele apenas precisava aprender a controlar seu temperamento frágil e poderia facilmente entrar algum dia entre os funcionários do mês, mesmo sendo apenas meu assessor e melhor/único amigo nas horas vagas — bem, nada podia ser feito se meu trabalho tomava parte do meu tempo e me impedia até mesmo de fazer novas amizades.

Darling, vamos logo antes que aquele ser humano me ligue de novo e eu vá até lá só para fazê-lo engolir meu celular — vociferou enquanto intercedia pela porta, indo até sua cama pegar as coisas mais necessárias para a longa noite que nos esperava.

—Dá uma chance para o velho, ele nunca teve filhos — dei de ombros, o acompanhando para a saída enquanto me estendia um bloco de notas. — Ele só gosta de bancar o pai coruja que nunca conseguiu ser.

—Quando você tiver a voz dele vinte e quatro horas por dia, pode falar comigo — passou a mão pelos cabelos, sequer olhando para trás quando abandonou a casa, me dando o trabalho de fechá-la.

Apenas me detive a rir comigo mesmo, balançando a cabeça negativamente ao constatar que aquela realmente seria uma longa noite. Guardei as chaves em uma pressa atípica quando o Kim começou a buzinar de dentro do carro esportivo, descontando seu desgosto em mim — o que não era novidade e só serviu para provar que estava na hora de arranjar novos amigos. — Bem, não que aquilo fosse sair dos meus pensamentos, afinal nem mesmo conseguira amigos em uma frustrada infância, pois mais gaguejava do que conseguia formular alguma frase coerente, enquanto hoje as únicas pessoas que se aproximavam eram por estar afim de sair ganhando por cima de meu reconhecimento.

—Talvez eu não consiga passar a noite com você, então já prefiro deixar o cartão do seu quarto com você — me estendeu o objeto com a numeração do quarto assim que me acomodei no passageiro e franzi o cenho.

—Você não vai sair de novo com aquele fotógrafo da editora, vai? — indaguei desacreditado que ele insistiria naquelas fugidas alheias.

—Apenas se preocupe com todas as pessoas que vai entrevistar — desvirtuou o assunto e apenas revirei os olhos ao que finalmente deu partida. — Soube que terão anfitriões importantes, então use seu charme para algo além de puxar saco do chefe.

—Eu não faço esse tipo de coisa e você sabe bem disso — observei pela janela quando a parte bagunçada da cidade finalmente deu as caras.

—De qualquer modo, além de falar com os Kim’s e mais especificamente Namjoon… — pegou o celular novamente, revezando sua atenção entre a rua e o aparelho. — Também quero faça um esforcinho para conversar com Park Jimin.

—Está falando daquele mesmo Park Jimin que praticamente nos expulsou da comemoração de dois anos do restaurante da irmã? — arqueei as sobrancelhas. — Quais as chances dele querer me ver de novo depois daquela crítica de primeira página?

Claro, é preciso citar que independente da minha carreira preenchida de sucessos, sempre haviam casos em especiais que custavam pelo menos o mínimo da minha dignidade — como ser exposto em revistas concorrentes de maneira um tanto quanto humilhante, pois não havia outro adjetivo a ser aplicado quando se era praticamente chutado para fora de um evento comemorativo da maneira que mais atraía holofotes. — Talvez chamar atenção fizesse parte da sua vingança particular uma vez que as atitudes de Park, por mais que odiasse admitir, tivessem um fundo de razão, afinal eu e Taehyung nunca que teríamos sido despejados se não fosse pela falsa matéria em relação ao empresário, onde acabamos falando mais que a boca na visão cega de uma promoção que veio no mesmo dia que a tal matéria estourou — onde ignoramos o anonimato ao colocar a cara a tapa, espalhando sobre os múltiplos relacionamentos que parecia ter se metido ao sair de casa com mulheres sempre diferentes.

Mas convenhamos que era realmente muito suspeito aquelas imagens que Yoongi, mesmo sendo de outra revista, me vendeu por um valor nada humilde — fotos quais ele estava com alguém diferente e aproximações distintas, mas claramente íntimas. — Logo dei o braço a torcer e mesmo que minha área fosse de propaganda, um trabalho extra sempre era bem-vindo e aquela edição em especial rendeu o suficiente para eu completar minha coleção de Cours Toujours.

Em consequência isso rendeu um ódio particular do Park sobre mim, não poupando esforços antes de me arrastar para fora como se fosse uma criança — com direito a amassar a gola de minha blusa, que era onde segurou até me retirar do prestigiado restaurante, — enquanto Taehuyng por sua vez optou em fazer um escarcéu e ser carregado pelos seguranças do local. Eu até pude ter o vislumbre de um sorriso diabólico nos lábios de Park quando os flashes entraram em ação, assim como poderia imaginar facilmente o sorriso ladino que brotou em seus lábios quando minha gafe foi ao ar nas revistas mais renomadas e tão sedentas de atenção quanto a minha própria.

—Já fazem cinco meses, ele deve ter superado — comentou despreocupado e tentei colocar fé naquilo.

—E como vou chegar nele com toda essa cara de pau? — procurei algo para me entreter enquanto ele parava em um sinal, me contentando com as balas de menta em seu porta-luva.

—Peça para ele dar as informações se não quiser que você as forje, como da última vez — disse corriqueiramente e me permiti soltar uma risada com sua cara deslavada ao falar aquilo.

—Não é perigoso tê-lo como inimigo e fazer essa espécie de ameaça? — perguntei, mas mesmo assim anotando sua dica no bloco de notas. — Digo, estamos falando de um empresário que tem o nome em destaque por ser maior fornecedor de todos grandes projetos… Se ele quiser acabar com nossa imagem não precisa mais do que estalar os dedos.

—Ele não fará isso se você agir como sempre — sorriu de canto e me encarou. — Como já disse, apenas use essa carinha de santo a seu favor e ganhamos a causa, darling.

Apenas dei de ombros quando piscou esperançoso em minha direção, mais uma vez me fazendo pensar na possibilidade de fazer novas amizades que não fossem amigas da onça como aquele ao meu lado era. Assim somente podia torcer para que nada desse errado e conseguisse ao menos me aproximar de Jimin sem ser ignorado ou diretamente enxotado para fora dali — eu não o conhecia o suficiente para saber se era o tipo que guardava rancor, apenas sabia a superficialidade o que as mídias ofereciam. — Tinha seus vinte e cinco anos a flor da pele, mas apesar de novo obtivera sucesso ao herdar o trono de ouro de seu falecido pai; histórico em um falho relacionamento que não durou mais de um ano antes de ambos recorrerem ao divórcio; tinha filiais com o restaurante da própria irmã; sua mãe supostamente se mudara para Grécia sem motivo específico, deixando assim todas as obrigações nas mãos do filho; adorava dar preferências a revistas inimigas a que eu trabalhava, como a Collab, que tinha péssimo gosto para funcionários — a prova disso era o próprio Yoongi que sempre fornecia-nos imagens de ouro das celebridades ao invés de colaborar para própria revista. — Afinal era assim que as coisas fluíam: Ou arranjava-se o próprio conteúdo, ou pegava ele dos outros.

Senti minhas mãos suarem frio quando Taehyung passou em frente ao estabelecimento em tons pretos e sofisticado, indo direto para ao estacionamento que deveria estar lotado levando em consideração o número de pessoas que entravam sendo recebidas por um tapete vermelho — contrastando com a fita da mesma cor que tomava a parte de cima da entrada, — sem contar as limousines que chegavam copiosamente para deixar cada vez mais pessoas da alta sociedade.

E era absurdo como as pessoas estavam trajadas em ternos perfeitamente alinhados ou vestidos mais caros que o próprio prédio, apenas para participar de algo tão tosco quanto uma abertura de hotel, que claramente já estava predestinado a cinco estrelas sem nem mesmo ter revelado suas estadias — o que me fazia cogitar a ideia de todos apenas estarem ali pelo vinho branco e comida grátis, pois claro que essa era a melhor forma de atrair pessoas, mesmo que maioria nem fosse voltar ali futuramente. — No máximo os patrocinadores, talvez, que também só iam para manter a imagem boa diante seu público.

Assim que o outro ao meu lado conseguiu acesso ao lugar privado — nada que uma carteira de trabalho e alguns trocados de suborno não resolvessem, — procurei mapear em minha cabeça tudo o que precisaria fazer naquela noite. Era simples e apenas precisava ser eficaz o suficiente para ir logo ao meu quarto, julgá-lo depois de uma boa noite de sono e então ir embora — pelo menos se Jimin não estivesse resguardando algum ódio de mim e acabasse me jogando novamente na sarjeta antes de ao menos conseguir trocar algumas palavras. — Balancei a cabeça para espantar aqueles pensamentos negativos, enfim saindo do carro e partindo para o elevador sem esperar o Kim ao que esse pegou seu celular novamente e esqueceu minha existência, afinal ele não era nada sem aquele objeto, assim como eu não era sem ele — um looping infinito e muito injusto por sinal.

—Namjoom disse que vai estar te esperando no salão principal — comentou enquanto adentrava o elevador e escolhia o andar do térreo. — Se já não estiver ocupado, será todo ouvidos com você.

Assenti minimamente com a cabeça, procurando alguma imperfeição no meu rosto enquanto olhava para o espelho daquele elevador exageradamente espaçoso e com paredes metálicas em tons brancos que deveriam certamente contrastar com toda estética do prédio. E ao que a porta finalmente se abriu, pude finalmente ver o que todos esperavam tanto nos últimos meses, sendo um local com metros quadrados nada simplórios, tendo seus móveis em ébano com tons de creme para cinza proporcionalmente organizados, uma área de espera que se estendia com seus assentos almofadados até o corredor que levava ao restaurante, que disputava em lotação com a própria entrada de onde provinha vozes se mesclando e flashes de todo lado, sem contar o lustre que fazia a iluminação central da maneira mais instigante possível.

Me indaguei por um momento quantos milhões deveriam ter sido gastos apenas naquele andar, mas percebi que deveriam ter coisas bem mais caras que isso naquele local, como, por exemplo, os vestidos distintos que cada mulher usava em uma disputa de quem conseguia brilhar mais.

—Agora é com você, darling, qualquer coisa vou estar no bar ou senão, te ligo para avisar — o Kim me deu um leve toque antes de se dispersar na multidão e me deixar mais perdido do que pai solteiro em playground.

Dediquei um pouco do meu tempo sem nada para fazer olhando as decorações como meu perfeccionismo pedia e anotando o máximo de informações possíveis — daquela vez me esforçando para passar uma imagem positiva, mesmo que não estivesse suportando tanta conversa e perfumes misturados ao meu redor. — Levei em consideração que ali deveria ser realmente agradável sem toda aquela aglomeração de pessoas, pois em outra perspectiva, seus tons leves passavam certo conforto e os uniformizados com a justificativa de trabalhar ali, mantinham constantemente um sorriso nos lábios, dando um otimismo peculiar — nada como gostar do próprio trabalho…

Vendo aquilo eu poderia facilmente pensar no meu retrospecto de vida, quando esperava a flor da pele findar o ensino médio e mergulhar de cabeça em alguma faculdade de publicidade e propaganda, pois por algum motivo tinha aderido uma certa paixão por aquilo — o que justificava o dinheiro que pedia semanalmente para meu pai apenas para correr na venda da esquina e decidir qual das infindáveis edições pegar. — Claro que na época meu pai achava suspeito que seu filho fosse comprar revistas jovens ao invés de alguma de pornografia e isso até podia justificar minimamente minha sexualidade, que apenas consegui assumir um ano antes de sair debaixo das asas de meus pais. Mas o que eu poderia fazer se algo tanto me chamava atenção naquelas páginas? Eu sequer conseguia definir o que mais gostava, mas particularmente tinha certa atração pela sessão de fofocas, onde era exposta toda vida alheia — na minha lógica, se aquilo estava lá era para ser lido, além do que, rendia mais risadas do que as próprias sessões de comédia.

Por isso foi um dos sentimentos mais libertadores quando concluí meus árduos três anos de curso, bancados por uma mãe cheia de prospectos. E de todas áreas que esperava me formar, não considerei que fosse ser tão bem sucedido em algo próximo as fofocas — que diferente dessas, eu conseguia informações a partir de entrevistas com bom senso e não invadindo a privacidade alheia para, mesmo assim, espalhar mentiras. — De todo modo eu fiz minha carreira em passos lentos, sem sequer perceber quando o meu chefe veio com a proposta de eu me tornar o garoto propaganda — certo que isso se devia mais a meu rosto angelical e forma aprazível de agir, do que pelo trabalho que eu fazia em si. Mesmo que eu colocasse o máximo de mim a cada matéria, agir como modelo também parecia ser favorável.

Apesar de tudo, as coisas foram melhores do que o esperado depois que fundei minha vida na capital, me livrando de vez daquela personalidade tímida que tinha para poder sobreviver naquela selva de pessoas e grandes negócios, pois era isso ou ficar sem rumo — Seul certamente não era um lugar para pessoas sem propósitos. — Certo, ainda tinha que lidar com as visitas anuais de meus pais todo natal e fazer o melhor para transparecer que não morava com um completo desocupado, que sequer sabia comer algo sem lavar o prato depois (mais conhecido como Kim Taehyung), mas nada que eu não conseguisse driblar.

Afinal também usava esse esquema de desviar dos problemas desde que havia admitido a mim mesmo que a atração por garotas era zero — enquanto meu colegas de classe se juntavam para ver filmes de maioridade, eu me mantinha preso no complexo de babar pelos atores ao invés de atrizes. — Tudo servindo para piorar minha forma de agir, pois acabava afastando todos no medo de transparecer aquela minha diferença — ah, se na época eu soubesse como o mundo da fama era cheio de pessoas assumidas sem medo do preconceito…

Minha sorte foi ter pais de mente aberta o suficiente para agirem indiferente quando declarei que não conseguia uma namorada pelo fato de querer o mesmo que elas queriam — sendo que o descontentamento de ambos apenas se deu ao fato de não poderem mais ser avós. — Ri com a lembrança, saindo de súbito dela quando uma voz familiar chegou aos meus ouvidos.

—Diga X — foi a única coisa que ouvi me assustar com um flash vindo de encontro com meu rosto e machucando meus olhos.

—Yah, por que fez isso? — esfreguei minhas orbes, piscando algumas vezes antes de conseguir focar na imagem loura a minha frente, que agora tinha a câmera pendurada no pescoço novamente.

—Faz um tempo que não nos vemos, me deixe dar as boas-vinda do meu jeito — resmungou Yoongi, desviando sua atenção apenas para pegar uma taça com vinho branco da bandeja em que passavam servindo. — Mas me diga, o que faz aqui? Pensei que depois daquele escândalo não fosse mais dar as caras — sorriu com o toque cínico de sempre.

—Não é como se eu pudesse ficar longe de escândalos, meu caro. Isso é praticamente meu salário — ri de quão trágico aquilo poderia soar. — E você? Bateu em algum segurança para entrar na festa? Pelo que sei não permitem a entrada de fotógrafos aqui…

—Namjoon permitiu a entrada de revistas específicas — suspirou, olhando para a entrada. — Fico feliz só de não precisar disputar espaço lá fora.

—Não sei como podem te privilegiar tanto — falei entre dentes. — Praticamente está tirando as melhores jogadas da Collab para favorecer as revistas alheias.

—Ser agente duplo tem dessas — piscou, seguindo o mesmo rumo que eu quando comecei a ir em direção ao restaurante. — Pretende marcar hora com o Park?

—Não tenho muita opção de escolha… — dei de ombros, tentando não me afogar naquela mistura química de perfume predominante no ar.

—Então só posso te desejar boa-sorte, agora preciso cobrir algumas fotos das pessoas que estão chegando. Não faça nada que eu não faria — tocou de leve meu ombro, logo tomando outro rumo e me deixando sozinho novamente.

Certo, vamos começar pelo menos pior — tentei me encorajar enquanto procurava o dono de todo aquele evento, assim como daquele prédio em si, mas me frustrei ao perceber que o mesmo estava sendo o centro de todas as atenções e nunca que conseguiria passar por aquela barreira amontoada de entrevistadores. — Definitivamente estava ferrado e com as chances zero de conseguir uma entrevista em primeira mão, respirando frustrado e decidindo dar um tempo até todos diminuírem seus hormônios da euforia do Kim ter cedido a falar com cada um.

Talvez pudesse ir de encontro com Taehyung no bar, que se localizava na outra extremidade do salão, mas isso apenas se desse a sorte do mais velho não ter escapado para um encontro às escuras com o garoto do setor de fotografia, Jung Hoseok.

Ele simplesmente não conseguia enfiar na sua cabeça que o outro era apenas alguém de uma noite só e por isso já até podia ouvir suas lamúrias após uma desilusão amorosa. Seria realmente uma dor de cabeça ainda maior que não estava afim de enfrentar estando tão perto de minhas férias — um longo mês sem fazer absolutamente nada e que não queria ocupar confortando certos cegos de amor. — Certo, um pouco egoísta da minha parte, mas quando se tem a cabeça longe da ingenuidade infantil e se começa a pensar como um adulto, apenas tendo propósitos acerca do trabalho, pensar um pouco no próprio ego nunca é demais.

Passei a mão pelos meus cabelos, localizando o bar pouco movimentado ao ponto do barman se entreter conversando com uma mulher, mas não dando atenção a isso quando certa figura tomou minha atenção — não diferente das outras vezes usando uma roupa social, mas daquela vez apenas com uma blusa branca com as mangas dobradas até a metade, contrastando com os cabelos de um ruivo chamativo até mesmo para ele. — Cerrei os punhos na oportunidade única que me acometeu quando o lugar ao lado de Park Jimin foi liberado e não demorei em avançar rapidamente para ocupar o espaço, mesmo que no fundo ainda não quisesse ter que olhá-lo de frente — ou pelo menos não sem um preparo psicológico antes, onde poderia selecionar as palavras certas para usar, — porém não teria mais a oportunidade e coragem de ir lá caso o assento fosse ocupado por outra pessoa afim de lançar seus charmes ao ruivo.

E talvez deva ter demorado um pouco por ele estar muito entretido olhando o gás da própria bebida, mas quando enfim senti o peso de seu olhar sobre mim — até então sem fazer qualquer movimento brusco ou sequer pedindo alguma bebida, pois de todos meus fracos, aquele certamente era meu maior, — também pude ouvir uma risada nasalada da sua parte.

—Então realmente decidiu reaparecer? — brincou com a base de sua taça e lhe dei minha melhor expressão despretensiosa.

—Não tenho muitas escolhas nesse mundo pequeno em que vivemos — retribuí ao sorriso ladino, grato por ele parecer resignado do nosso histórico. — Mas espero que se for me expulsar outra vez, o faça sem chamar tanta atenção...

—Ah, não se preocupe com isso, são águas passadas — deu de ombros, voltando a beber seu drink. — Eu teria feito o mesmo para ser promovido.

—Quem disse que fiz por uma promoção? — arqueei as sobrancelhas.

—E não fez? — rebateu e apenas abri a boca, sem conseguir falar algo contra sua suposição. — É apenas óbvio demais para alguém como você, que sempre fez críticas sinceras, do nada aparecer falando coisas sem fundamento lógico. Na época quase desisti de acompanhar seu trabalho, mas é meio difícil fugir de você quando se está em tantos lugares…

—Mas você precisa admitir que tudo aquilo era suspeito — cruzei os braços inconformado. — Ser flagrado com tantas mulheres diferentes depois do término de casamento… Isso não favorece sua imagem.

—Eu sei disso, mas como acha que conseguiria lidar com minha separação, ficando quase cinco meses sem transa? — indagou como se admitir aquilo não fosse nada demais. — Tem noção do que é isso?

—Se eu te contasse minha frustrações sexuais, se sentiria feliz com cinco meses na seca — o acompanhei quando se permitiu a risada.

—Então que tal um brinde pelas nossas infelizes semelhanças? — levantou em minha direção sua taça com uma bebida avermelhada.

—Eu não bebo — gesticulei em recusa quando o Park ergueu a mão vaga para fazer mais um pedido.

—Irá negar um pedido meu de reconciliação? — arqueou as sobrancelhas e comprimi os lábios.

—Okay, eu aceito, mas nada que desperte meu fraco por bebidas — suspirei, cruzando as pernas no aguardo que fizesse o pedido por mim e coloquei meu bloco de notas sobre as mesmas. — Você já foi entrevistado por alguém para estar tão na folga assim?

—Hoje deixei que Namjoon ganhasse os holofotes — declarou após pedir um martini e me encarou de canto. — Deixei claro que não daria entrevistas…

—Ah… — observei quando a bebida incolor foi posta na minha frente.

—Mas posso abrir uma exceção pela sua coragem em vir de novo — piscou antes de voltar a beber. — Claro que com a condição de que a matéria não envolva mulheres, pseudo bigamia e principalmente, mentiras.

—Não ache que estou tão cego por promoção quanto antes, querido Park — ri, pegando minha própria bebida e lhe estendendo em um brinde prontamente correspondido antes de tomar o primeiro gole.

Senti o mesmo descer quente pela minha garganta, do modo que me lembrava ser antes de me afastar do mundo com alto teor de álcool — assim fazendo questão de aproveitar aquele ínfimo momento, já que não estava nos meus planos beber mais do que minha sanidade dependia.

—Então…? — lhe olhei e estranhei seu olhar cair intimidador sobre mim. — Por onde começamos?

•✘•

—Então quer dizer que vocês pretendem hospedar especialmente pessoas do mundo da fama? — indaguei mais bobo alegre do que deveria e precisei apertar meus olhos por um momento, para que as letras parassem de se bagunçar sozinhas no bloco de notas.

—Essa é outra informação que vou ficar te devendo — riu e pisquei algumas vezes para conseguir foco. — Afinal seria um problema ter paparazzis rondando aqui vinte e quatro horas por dia.

—Certo… — falei tão baixo que duvidei ter chegado aos seus ouvidos, então voltando a anotar as informações, mas não conseguindo completar a primeira palavra sem ficar com a visão turva.

Balancei a cabeça atordoado, já estava mantendo tanto a pose sóbria que minha cabeça começava a doer e meus dedos formigavam para terminar aquela oitava dose de tequila que o barman se sentia no direito de me dar cada vez que acabava a anterior — como se quisesse me ver beber até cair no chão. — Mas aquilo nem estava nos meus planos e sequer percebi quando minha primeira dose acabou, sendo substituída pela segunda e terceira consecutivas, quando já era impossível me aposentar da bebida gelada e amarga.

Por isso acabei desistindo de anotar o que é que fosse e zerei aquela taça em um só gole que rasgou garganta abaixo, me inebriando por um momento e me tirando de órbita por um átimo de segundo que fiquei zonzo — já nem ligava se estava sendo observado pelo Park como forma de entretenimento, pois estava muito ocupado pedindo uma mistura nova que me renderia uma bela ressaca mais tarde.

—Não acha que está exagerando na dose? — o ruivo indagou assim que pedi qualquer coisa com doses a mais de energético.

—Exagero seria eu desperdiçar open bar — o outro riu nasalado e o acompanhei, mas feito um idiota. Nem estava mais parecendo um profissional e sequer conseguia lembrar do significado disso àquela altura.

Sentia uma animação incomum tomar cada um de meus poros e já não conseguia me manter em uma só posição — motivo pelo qual cruzava e descruzava as pernas constantemente, reparando o ruivo franzir o cenho com tamanha inquietude. — Em ocasiões normais que eu ficava bêbado, sempre eram em festas ou baladas, onde eu podia sair correndo e dançar até cair exausto, mas naquela situação onde a música ambiente era perturbadoramente orquestrada e todos se mantinham elegantes, precisava me controlar para não passar nenhuma vergonha que seria exposta em alguma revista — e vendo por esse lado eu estava até indo bem, pois ainda não havia tido PT, estava conseguindo conversar com Jimin sem parecer um irracional e também meu estômago não dava sinais de que colocaria tudo para fora - bens que apenas bebidas caras tinham.

E também, o máximo de recaídas que estava tendo surgiam quando tentava escrever e parecia ser tomado por uma espécie de déficit de atenção; quando subitamente ficava em estado de torpor e olhava um ponto fixo com pensamentos aleatórios vindo a tona; além das vezes em que ria de qualquer coisa que o outro falava.

Sorri quando vi a bebida alaranjada ser colocada na minha frente e não delonguei em tomá-la, quase engasgando no processo por conta da minha afoitação em querer mais e mais — resultando em outro riso baixo daquele ao meu lado, que já parecia mais um borrão em cores abstratas do que o Park Jimin que vira mais cedo. — Assim como todo o salão, devo dizer, pois não via nada além de cores bagunçadas e não ouvia nada fora da minha cabeça, como se a música ambiente estivesse sendo abafada e se tornando perturbadora, fazendo-me franzir o cenho em desagrado e ficar desnorteado quando ouvi outra dose ser colocada para mim.

Apenas dei de ombros, aproveitando daquela e das outras taças que vieram a seguir — gradativamente ficando cada vez mais fortes e descendo na marra, formando caretas distintas em mim.

Droga, era tão bom beber e me perder naquele mundinho desconexo que minha mente criava uma vez embriagada — ri sozinho com o pensamento enquanto virava o que deveria ser a sexta bebida carregada de energético. — Sentia uma mínima camada de suor se formar em minha nuca e os nós de meus dedos ficarem brancos, como sinal de que o que fizesse dali para frente já não era de minha responsabilidade — o que me fez lamentar por Taehyung não estar ali, pois ele era ótimo em me ajudar quando estava bêbado, mesmo que estivesse ainda mais que eu.

Agia como um ótimo hyung nessas horas e tinha mais ciências das minhas ações do que eu mesmo. — Mas por outro lado, sem ele ali eu podia extravasar ainda mais nas bebidas, não correndo o risco de que alguém me tirasse o álcool quando estava na melhor parte.

Pareci uma criança ganhando um presente de natal quando mais uma rodada foi servida, mas me frustrando quando sequer consegui tocar no copo antes do mesmo ser afastado de mim.

—Okay, vamos parando por aqui, mocinho — me assustei por perceber que Park ainda estava ali, me encarando num misto de graça e repreensão

—Me devolve — soou mais infantil do que planejei, mas antes de alcançar o objeto de sua mão, ele foi mais rápido em pedir para o barman retirar aquilo do meu alcance.

—Você já vai ficar com uma bela dor de cabeça, não quero correr o risco de te ver dando PT — declarou e não captei metade do que falou.

—Me d-deixa beber em paz — tentei controlar meu timbre para não denunciar minha decadência. — Não estou bêbado.

—Não, é? — arqueou as sobrancelhas, levantando seus dedos na frente do meu rosto. — Quantos dedos tem aqui?

—Eu odeio matemática — choraminguei, como se fosse justificativa e sua risada foi a prova do quão patético estava sendo.

—Você deve ter arrumado estadia aqui hoje, como maioria das revistas, então por que não vai descansar um pouco? — sugeriu e demorei longos segundos para processar o que disse, encarando seu rosto como se algo estivesse errado.

—N-não dá — não contive mais a voz embargada e me virei para pegar meu bloco de notas. — Ainda preciso falar com Nam… Kim — deixei uma risada sair sem mais nem menos, mas ao que me virei para levantar, arregalei os olhos pela falta de chão.

—Yah, olha onde pisa — se levantou dois passos mais rápido que eu, me segurando antes que me tornasse um só com o chão e me ajudou com o degrau antes dos bancos. — E vai por mim, você não vai conseguir entrevistar mais ninguém nesse estado.

—Me deixa em paz, seu chato — detalhe: meu vocabulário bêbado também era reduzido a um totalmente tosco, tanto que o outro apenas respirou fundo enquanto me ajudava a ficar de pé, pois subitamente minhas pernas pareciam incapazes de me sustentar.

—Amanhã te providencio uma entrevista exclusiva, mas por hora me diga onde você vai ficar antes que desista de te ajudar — precisou forçar um aperto em minha cintura uma vez que estivesse praticamente escorregando.

—Huh… — tateei meus bolsos por quase um minuto antes de localizar o cartão dourado e puxar para ver o número, ficando com dor de cabeça só por forçar a vista. — Dois, um, dois — ditei os dígitos na incapacidade de lembrar o nome deles juntos.

Após o dito cujo, deixei minha cabeça tombar até alcançar seu ombro enquanto lutava para manter meus olhos abertos ou pelo menos cientes do percurso que fazia — agora muito perturbador com luzes para todo lado e vozes se mesclando umas às outras de maneira alta demais para meus tímpanos fragilizados pelo álcool. — Mas justo por todos estarem muito presos no próprio mundo, é que quase passamos despercebidos por olhos de fora, que se algumas vezes nos viam enquanto atravessávamos o salão, sorriam como se Jimin fosse um amor de pessoa por estar sendo gentil com quem todos deviam achar ser seu inimigo — segundo o que as revistas disseram na ocasião em que fora expulso do restaurante. — Então no fundo fiquei aliviado por aquela situação não estar tão estranha quanto minha cabeça imaginava ser, porque bem… Eu estava sendo auxiliado por um dos anfitriões do evento, pois senão ainda me encontraria no bar e quem sabe dando em cima do barman.

Tirei o peso dos ombros ao que finalmente atravessamos o hall, parando diante o elevador na espera que abrisse suas portas — não entendia como poderia ter ficado cansado depois de beber tanto energético, pois eu era mais do tipo que virava a noite em claro após beber e não ceder na primeira proposta de ir dormir. — Respirei fundo quando adentramos o automóvel, mas franzi o cenho ao que um perfume peculiar tomou minha atenção, só percebendo se tratar do que o Park usava quando levantei minimamente a cabeça ao me dar conta do quão próximo estava do seu pescoço.

—Será que você não consegue ficar quieto? — indagou enquanto selecionava o andar, sabendo exatamente em qual deles o meu quarto estava.

—Você é cheiroso — falei da boca para fora, voltando a posição de antes e respirando ainda mais fundo, mas dessa vez com intenção. Sorri ao ver sua pele se arrepiar e em seguida trocar o peso de perna.

—E você não gostaria nada de saber como age sob efeito de álcool — riu, mas eu estava muito ocupado sentindo seu perfume para tentar prestar atenção nas palavras que proferia.

Me assustei quando o barulho da porta se abrindo no predito andar, soou, bufando por ter tido o meu momento de apreciação atrapalhado. E por isso relutei ainda mais nos meus passos pelo corredor vazio — eu deveria ser um dos primeiros, senão o primeiro, a ter saído da festa e adentrado a sessão de estadias, — por pura birra sem fundamento.

E sem perceber paramos novamente, mas dessa vez ele tomou o cartão de minha mão para abrir a porta, precisando outra vez me puxar para cima antes que cedesse ao chão ali mesmo. Abri os olhos que tinha fechado sem me dar conta e olhei desnorteado para os lados, já me vendo dentro do quarto e me sentindo ainda mais cansado por isso — afinal o lugar era tomado por tons marrons e era aromatizado por um perfume reconfortante de incenso, além do que a cama de casal no centro parecia tão absurdamente macia… — Estava quase divagando com os pensamentos de como seria deitar ali, que nem me dei conta quando o Park praticamente me jogou em meio à montanha de travesseiros, sendo tão gentil quanto Taehyung quando falava com nosso chefe.

Contudo, nem liguei para aquilo, pois já fazia uma nota mental de avaliar aquela cama como a salvadora da minha noite e de possíveis dores musculares, que tinha certeza que ela me evitaria ter. Sorri feito bobo e observei quando o ruivo foi em direção a sacada, fechando-a como se fizesse parte do pacote de cuidar de um bêbado — pelo menos assim eu não ficaria resfriado com a noite fria que já começava a dominar Seul, agora com o céu tomado pelo azul marinho e com estrelas a salpicando. — E nada pude fazer além de sorrir sem propósitos quando o ruivo me encarou claramente cansado por me carregar — mesmo que isso parecesse ir contra seu corpo e braços bem definidos. — Mas como se não bastasse, ainda retornou até mim e deu a volta na cama apenas para tirar meu sapato, como se manter a cama em perfeito estado fosse realmente importante.

—Você está me devendo uma boa crítica depois disso — respirou fundo e no mesmo momento peguei meu bloco de notas, grato por não ter perdido no meio do caminho.

—Fazer… Uma… Boa… Crítica… — ditei palavra por palavra do que escrevia em uma observação no fim de toda entrevista, rindo ao final da expressão descrente do outro.

—Você realmente não existe… — deixou-se rir quando joguei o objeto para fora da cama, pois a queria inteira para mim. —Também vou me lembrar de nunca mais te oferecer um brinde.

Após isso apenas assenti com o que quer que ele tivesse dito, agraciando do silêncio que se estabeleceu ao que finalmente fiquei sozinho.

30 de Junho de 2018 às 21:43 1 Denunciar Insira 5
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Taekook Jikook Taekook Jikook
2 de Novembro de 2018 às 08:55
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