Exilium Seguir história

vanessabr Vanessa Darioli

Uma ascensão antecipada ao trono. Uma traição. A queda. O exílio. Dez anos se passaram desde sua queda e sua condenação injusta ao exílio. Com sede de vingança, Maximilien Turner retorna ao reino de Ekhbart, disposto a retomar o que é seu de direito. Conseguirá Maximilien recuperar tudo o que perdeu dez anos atrás?


Fantasia Medieval Para maiores de 18 apenas.

#fantasia #Exilium #Maximilien
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Após o funeral

Vestra era um mundo que, quase mil e duzentos anos atrás, fora dividido pelos deuses em cinco reinos: Christel, Thornellia, Mornend, Zordaris e Ekhbart. Este mundo era formado por dois continentes, separados pelo Mar Escuro, cujo nome se devia às águas escuras que os separavam. Estes dois continentes eram o Grande Continente e o Continente Menor.

No Continente Menor, ao norte do Grande Continente, localizava-se o reino de Christel, um reino baseado na exploração de centenas de minas, nas quais se obtinham os melhores metais existentes para armamentos e armaduras. Esse ferro christeliano era vendido a todos os outros reinos, que além de pagar com moedas de ouro, prata, bronze e ferro, também enviava para aquela terra todo e qualquer criminoso condenado ao desterro.

Já no Grande Continente, localizavam-se os outros quatro reinos. Thornellia ficava a leste, e sua economia se baseava na criação de ovinos e na tecelagem. Seus tecidos de excelente qualidade eram adquiridos principalmente por nobres dos reinos vizinhos. Mornend se localizava ao sul do Grande Continente, era um reino também bastante próspero, que se sustentava com as riquezas geradas pelo fornecimento de especiarias e pelos frutos do mar. Zordaris ficava a oeste, e tinha na criação de gado a sua principal riqueza, mas só agora se recuperava de uma guerra terminada há dois anos contra Ekhbart. Este reino, localizado ao norte, também se recuperava da guerra com o reino vizinho, tentando retomar sua principal atividade, a agricultura e a fruticultura, após perder uma considerável parcela de suas terras devido a um acordo entre os dois reinos, o qual selou o fim dos conflitos.

E é no reino de Ekhbart que começamos esta história... No primeiro dia de inverno do ano de 1173.

O inverno era a última estação do ano, o qual tinha trezentos e sessenta dias. Esses trezentos e sessenta dias eram divididos em quatro estações, que duravam noventa dias cada. O ano começava no primeiro dia da primavera, passando pelo verão, outono e, por fim, o ano se encerrava ao nonagésimo dia de inverno.

O ano de 1173 se findava, como se uma vida chegasse ao fim...

*

Ele agora era o primeiro de sua linhagem. Era o herdeiro de todo um reino que estava em reconstrução após uma batalha devastadora, vencida pelos bravos cavaleiros que defenderam até com suas vidas o reino de Ekhbart. Após ver as cinzas de seu pai enterradas – a última parte do funeral – o jovem, vestido de preto em sinal de luto, decidiu se afastar de todos, ficando só, imerso em seus pensamentos.

Tudo acontecera rápido... Rápido demais. Precisava absorver todos os últimos acontecimentos, que estavam embaralhados em sua jovem cabeça.

Agora estava na iminência de assumir um reino inteiro em reconstrução, mas dentro de dez dias, quando completaria a maioridade. Até lá teria que antecipar ainda mais seu processo de amadurecimento.

Futuro rei de Ekhbart, Maximilien Turner tinha dezessete anos e era o filho único do falecido rei Edward. O rapaz estava sentado encostado a um grande carvalho, pensativo. Seus olhos intensamente verdes estavam fitando um ponto qualquer que estivesse distante, enquanto o vento frio de princípio de inverno agitava seus longos cabelos castanhos lisos, cujo comprimento ia até logo abaixo dos ombros. Levantou-se, ficando em pé e mostrando seu corpo esguio, completamente de acordo com o biótipo de um rapaz que estava saindo da adolescência. Não era franzino, mas também estava longe de ser robusto.

Em seu rosto havia abatimento, mesmo não derramando lágrimas durante o funeral. Maximilien nutria um grande respeito por seu pai e o admirava... Apesar de que, nos últimos meses, ele já houvesse perdido boa parte de sua sanidade mental. Diziam que ele já estava caduco, mas a idade de seu pai não era tão avançada a esse ponto.

O rei Edward vivera até seus cinquenta e sete anos e se casara duas vezes. Seu primeiro casamento fora com Gladys, e desta união não tiveram nenhum filho. Segundo se contava, de tanto se sentir pressionada com a obrigação de dar um herdeiro à casa real dos Turner, ela havia enlouquecido e desaparecido do palácio e, um ano depois, fora encontrada morta de forma misteriosa.

Dez anos depois, Edward desposava Emerald, com quem teve o único filho, Maximilien. Porém, cinco anos atrás, a rainha contraíra uma grave doença, à qual sucumbiu em pouco tempo. Nunca fora esclarecido o que ela exatamente tivera, mas foram dias angustiantes e tristes. E sua morte fora o fim de todo aquele sofrimento.

Durante tudo isso, desenrolava-se uma guerra contra o poderoso reino de Zordaris, a qual durara aproximadamente vinte anos. Edward participara de várias batalhas importantes, sobretudo durante a invasão, dois anos atrás, dos homens zordarianos, ao reino de Ekhbart. Uma batalha sangrenta marcaria o final daquela guerra, com ekhbartianos, liderados por seu rei, conseguindo expulsar os invasores e pondo fim ao cerco inimigo, que sitiava a capital Elib.

Na batalha, Elib ficara bem destruída, assim como várias outras cidades pelo reino. A reconstrução de Ekhbart havia começado, mas meses atrás Edward começara a adoecer, tendo delírios e enlouquecendo. Com o rei incapacitado, o Conselho é que assumira o comando, sob a liderança do conselheiro Ambrose Sawyer.

Em dez dias, a regência liderada por Ambrose teria fim e Maximilien seria coroado como o novo rei, pois atingiria a maioridade. E, a partir de então, prosseguiria com o legado de seu pai.

As responsabilidades aumentariam, mas ele estava preparado. Só não esperava que isso acontecesse tão rápido assim.

— Max?

O rapaz olhou para trás e viu uma garota, com a mesma idade que ele. Pele clara, longos cabelos loiros cacheados, que iam até a cintura como uma cascata dourada. Olhos verdes bastante vivazes, que penetravam profundamente em seus olhos. Lábios rosados, que se abriam para chama-lo mais uma vez com sua suave voz:

— Max? Não vai voltar ao palácio?

— Já estou indo, Melissa. – o jovem príncipe respondeu com um sorriso forçado. – É que eu precisava ficar um tempo sozinho.

— Compreendo. – a garota pegou em sua mão com carinho. – Mas, se quiser conversar, desabafar, pode contar sempre comigo. Afinal...

—... Passaremos o resto de nossas vidas juntos, certo?

— Certo. Afinal, estou prometida a você e desejo passar minha vida ao seu lado, Max.

— Eu também desejo, Melissa. E acho que meus pais fizeram a melhor escolha. Uma pena que não verão o dia do nosso casamento.

— Verão, sim, de onde estiver... Agora vamos, com certeza o esperam no palácio. Você precisa descansar.

— Vamos, então. Até porque seus pais a esperam.

*

— Nós devemos mesmo nos reunir ainda hoje? Deveríamos estar guardando o luto pela morte do rei Edward.

— Devemos, sim, Lorde Roth. Daqui a dez dias, será a coroação do novo rei de Ekhbart. É preciso que consigamos garantir que a sucessão se dê da melhor forma possível.

— Concordo com o Conselheiro Ambrose. – uma terceira voz disse. – Neste momento em que o nosso reino está bastante instável, devemos garantir que o Príncipe Maximilien ascenda ao trono sem maiores problemas.

— Lorde Krause, Conselheiro Ambrose – Roth disse. – Acham mesmo que pode haver um traidor no Conselho? E quem tentaria impedir a coroação do único herdeiro ao trono?

— Ainda não sei ao certo, Milorde. – Ambrose respondeu. – Mas tenho minhas suspeitas e eu as compartilho com vocês por serem confiáveis e pelas relações mais estreitas com o saudoso rei Edward. Durante esses dez dias, devemos ficar de olho nos demais do Conselho.

— Entendido. – os Lordes Krause e Roth disseram juntos.

*

— Tem desempenhado muito bem o seu papel, Alphonse. O nosso próximo passo será dado dentro de dez dias.

— Tudo para agradar aos Milordes, Lorde Bolton. – o homem chamado Alphonse sentiu-se lisonjeado. – Qual será o próximo passo, agora que nos livramos do rei Edward?

— Nosso próximo passo será daqui a dez dias, como Lorde Bolton disse. – outro homem explicou. – Será impedir que o príncipe seja coroado. Assim que definirmos tudo, conversarei com o Comandante Mitchell confirmando tudo o que combinamos até agora.

— Isso, Lorde Neville. – Bolton apoiou. – Teremos que ser mais drásticos, pois se fizermos com o garoto o mesmo que fizemos com o pai, dará muito na vista. Precisamos ser sutis, seguindo tudo conforme planejado. Para tanto, teremos que ser pacientes e aguardar os próximos dez dias.

— E aguardaremos, Milordes. – Alphonse disse. – Seguiremos à risca as ordens que recebemos.

*

Sentado nos degraus que levavam aos tronos, Maximilien quedava-se pensativo em meio ao silêncio da ampla sala. Em breve ele frequentaria ainda mais aquele ambiente. Por mais que tivesse sido preparado para ser o sucessor de seu pai, tinha suas incertezas. Afinal, ainda era um garoto saindo da adolescência, prestes a entrar na vida adulta em definitivo.

— Max, a gente pode entrar?

O jovem olhou para a grande porta da sala do trono entreaberta, pela qual era possível ver a cabeça de um garoto aproximadamente de sua idade. Ele sorriu e convidou o recém-chegado para entrar. Este adentrou a sala do trono acompanhado por uma garota, que tinha uma aparência ligeiramente parecida com a do garoto.

— Pensando no que vai acontecer daqui a dez dias? – ele perguntou.

— Sim, estou pensando, Luke. Eu me pergunto se estou realmente pronto para assumir Ekhbart daqui a dez dias.

— Acredito que sim. – a garota afirmou. – Você foi preparado para isso desde bem pequeno. Você será um bom rei, Max.

— Espero que sim, Lucy. E espero conseguir levar adiante o legado do meu pai.

Luke e Lucy eram irmãos gêmeos. Ambos eram albinos, longos cabelos lisos platinados, pele bastante clara, quase pálida e olhos azuis. Luke era aprendiz de mago, enquanto Lucy treinava com futuros cavaleiros da Guarda Real.

Lucy era a única mulher a treinar com a Guarda Real, e só conseguiu isso por uma permissão do rei Edward. Sempre tivera uma forte atração por espadas e lutas e já chegara a capturar um espião inimigo às vésperas da batalha decisiva. Por essa razão, conseguira uma autorização para treinar, embora não pudesse ser necessariamente parte do corpo de cavaleiros.

Luke era aprendiz de um conceituado mago de Ekhbart, Calvin Barnes. Barnes era conhecido como o “Mago Negro”, não por praticar magia negra, mas por sempre ser visto em trajes pretos. Era um homem sábio, que sempre estava disposto a dividir seus conhecimentos com quem se interessasse na arte da magia.

Os irmãos gêmeos cresceram junto com Maximilien desde que foram acolhidos por Doreen, uma das criadas do palácio, que os criou como filhos, após os encontrarem abandonados devido à aparência peculiar, pois muitos os consideravam amaldiçoados. Coincidentemente ou não, desde que os gêmeos passaram a viver no palácio, houve apenas dois infortúnios, as mortes de Emerald e, cinco anos depois, de Edward. Porém, nada levava a ligar essas duas mortes a uma suposta “maldição”.

Doreen sempre dizia que muitos tolos se deixavam guiar pela aparência. Para ela, isso importava tão pouco que deu a eles seu nome de família, como uma verdadeira mãe. Por essa razão, os irmãos tinham o sobrenome Albers.

Maximilien sorriu para os dois irmãos, vendo que os olhares de ambos transmitiam cumplicidade. Sabia que eles seriam os primeiros a ficar ao seu lado em qualquer situação. Dali a dez dias, quando ele fosse coroado o novo rei de Ekhbart, tinha certeza de que a amizade de longa data não mudaria.

Seguido pelos irmãos gêmeos, ele se levantou e terminou de subir os degraus da escada, até ficar frente a frente com o trono que ocuparia, sobre o qual estava a coroa que passaria a usar. Seus olhos verdes encararam longamente aquela joia, para depois olhar para a grande peça de tapeçaria azul, na qual estava estampada uma fênix prateada.

— Pai, eu levarei adiante o seu legado. Eu prometo que prosseguirei com o que o senhor deixou!


30 de Junho de 2018 às 19:33 0 Denunciar Insira 0
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