Fiend Club Seguir história

mandyphantom Amanda Rocha

Em 1996 Chanyeol era um garoto medroso com um único objetivo: Se aproximar de Kyungsoo, líder do clube de ocultismo.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#yaoi #90au #chen #sebaek #baekhyun #sehun #fluffy #kyungsoo #chanyeol #exo #chansoo
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We are the Fiend Club

Chanyeol não sabia ao certo como que se meteu naquele lance de invocar demônios, mas ali estava ele carregando um livro de feitiços incrivelmente pesado enquanto Kyungsoo caminhava na sua frente em direção à casa de Baekhyun. O baixinho reclamara que era demais para que seu “pobre corpo” pudesse aguentar, então sobrou para seu servo, aka Chanyeol, transportar aquela bíblia do demônio.

Era Halloween, a data mais importante do ano para o Fiend Club, o grande dia dos mortos onde a energia espiritual era mais forte que nunca e Kyungsoo achava que seria mais fácil para invocar alguns convidados do outro lado para juntarem-se à sua festinha particular.

– Soo, a gente não pode só pedir doces como todo mundo e passar a noite assistindo filme? – Chanyeol perguntou manhoso tentando ajustar o óculos no rosto.

– É claro que não! Hoje é o dia mais importante do ano, nossa única chance de contato com o outro lado.

– M-mas Soo, tá todo mundo enchendo a barriga de docinhos… Aposto que quando voltar para casa não vai ter sobrando nenhumzinho – Bufou fazendo biquinho.

– Prometo que te dou alguns quando a gente voltar - O baixinho respondeu revirando os olhos quando ouviu o gritinho de comemoração vindo do maior.

As ruas da cidade estavam enfeitadas com abóboras e manequins vestidos como zumbis, vampiros, bruxas e outros tipos de monstros. Sinceramente o grandão tinha um tanto quanto receio daquelas figuras, não era lá muito fã de terror ou aquelas paradas sinistras pelas quais Kyungsoo era tão obcecado, mas fazia um esforcinho por causa do menor. Chanyeol gostava de super herois e video games, era um nerd de carteirinha que passava suas tardes e fins de semana gastando o dinheiro da merenda em fliperamas.

Porém gostava de Kyungsoo e de ficar observando-o durante as aulas mais que o recomendável, por isso não pensou duas vezes antes de se inscrever no clube que o baixinho estava montando, independente se fosse de tricô ou rituais satânicos. Meio que suspeitava que o menor tinha certa simpatia com o lado trevoso da vida à julgar pela forma como se vestia e os desenhos que fazia entre as aulas. Eram sempre figuras bizarras demais para se compreender e assustadoras demais para encarar por mais de vinte segundos (uma vez Chanyeol conseguiu encarar por vinte e dois!).

– Ih, sei não Kyungsoo, esse pirralho tem cara de nerd punheteiro que se borra todinho com filme de terror – Baekhyun, um dos membros do clube, falou com desdém quando Chanyeol se apresentou para participar.

– Ô muleque, você é nerd punheteiro que se borra com filme de terror? - Kyungsoo perguntou assim, na lata, fazendo o grandão engasgar-se com a saliva e corar inteirinho.

– T-talvez.

– Talvez é nerd punheteiro ou talvez se borra com filme de terror? – Jongdae, outro membro do clube, perguntou insatisfeito.

– E-eu… É… – O garoto estava se embolando todo na fala quando fora interrompido por Sehun, mais outro membro do clube.

– Quem se importa se ele é um virjão ou não? – Ouch, aquela tinha ferido o orgulho do pobre garoto - A gente precisa de qualquer doido que esteja disposto a participar ou então vamos perder a sala, e não é qualquer um que ‘tá afim de participar do clube de ocultismo.

Os garotos entreolharam-se meio sem alternativa, ou era aceitar aquele poste com cara de bebê chorão ou era o fim do Fiend Club, já que a escola só poderia fornecer uma sala e os reconhecerem como clube caso tivessem no mínimo cinco membros.

– Tudo bem, – Kyungsoo, que descobriu ser o líder, falou massageando as têmporas – não me agrada nem um pouco a ideia de um cagão no grupo, mas é pela sobrevivência do clube.

Kyungsoo caminhou até um cantinho e de lá tirou uma pequena adaga preta voltando a dirigir-se ao novato. Naquele momento Chanyeol acabou se arrependendo de ter comparecido ao lugar, iriam matá-lo antes mesmo dele conseguir ingressar no clube e iam oferecê-lo ao demônio como sacrifício. Suas pernas começaram a tremer e o coração acelerou, era novo demais para morrer! Caiu de joelhos em frente ao líder antes mesmo dele conseguir abrir a boca e então suplicou o mais desesperado possível:

– Por favor não me matem! Eu prometo ser mais corajoso e não desapontar vocês, de verdade!

Os quatro integrantes o ficaram fitando completamente sem reação até Baekhyun cair na gargalhada acompanhado do resto, riam tanto que pequenas lágrimas se acumularam no cantinho dos olhos e o rapaz parado no meio da sala não sabia o que aquilo queria dizer.

– Com certeza vamos ficar com esse garoto! – Jongdae falou apertando a barriga tentando controlar o riso.

No fim das contas Kyungsoo só tirou um pouco de sangue de sua palma para selar o contrato e oficializar Chanyeol como membro do Fiend Club.

Quando chegaram à casa de Baekhyun foram recepcionados pela senhora Byun que ostentava um balde cheio de guloseimas e os ofereceu com aquele sorriso típico de mãe. Chanyeol ficou todo besta metendo a mão para pegar o máximo de pirulitos enquanto Kyungsoo fora educado e pegou só uns três. A mulher deu passagem para que os garotos adentrassem a residência e caminharam rapidinho até o quarto de Baekhyun.

Para a infelicidade dos dois, Baekhyun tinha acabado de sair do banho e estava vestindo uma calça preta quando fora pego de surpresa.

– Que nojo, porra! – Kyungsoo reclamou tampando os olhos.

– Puta que pariu! – Baekhyun acabou se atrapalhando com o susto e tropeçou no coturno largado no chão, caindo com tudo de costas.

Os dois garotos desataram a rir com a imagem do ruivo todo embolado no chão e o rosto vermelho de vergonha, por Deus aquilo era engraçado pra caralho e se não tivessem desviado à tempo teriam sido acertados por um dos coturnos que o garoto lançou.

– Qual a merda do problema de vocês? – Perguntou puto da cara, o que só fez os amigos rirem mais.

– O problema é essa visão do inferno que eu fui obrigado a ver, satanás deve ‘tá com inveja de você – O baixinho falou com um sorrisinho cínico no rosto.

– Vai se foder, anão de merda, eu ‘tô na porra do meu quarto!

Chanyeol descobriu que Baekhyun e Kyungsoo eram melhores amigos desde que se entendiam por gente e aquilo implicava várias briguinhas bestas e várias alfinetadas, mas não tinha jeito, não se separavam por nada no mundo. O grandão chegava até a se perguntar como que diabos eles podiam ser tão amigos quando eram o completo oposto? Baekhyun era o típico adolescente problemático de filmes americanos, com seus mullets vermelhos caindo pelo pescoço e as roupas surradas que usava. Era aspirante a um dos populares da escola e tinha uma banda de garagem bem legal, vez ou outra tocavam nas festinhas que o pessoal dava, não era muito fã daquelas paradas sinistras, mas participava do clube em solidariedade ao amigo.

– Agora só falta o Jongdae chegar e a gente pode ir encontrar o Sehun – Kyungsoo falou sentando-se na cama como se fosse a sua enquanto Baekhyun colocava uma camisa preta do Black Sabbath.

Jongdae era um nerd viciado em ufologia e paradas sobrenaturais, passava horas do dia pesquisando casos de paranormalidade na biblioteca da cidade e trocando várias teorias da conspiração em fóruns da internet. De todos os três ele era o único que possuía um computador, então era encarregado de coletar as informações necessárias quando os garotos não conseguiam encontrar nos livros. Por causa disso tinha conseguido um tabuleiro Ouija com um cara que tinha conhecido num desses fóruns e morava perto o suficiente para vendê-lo, o que era esquisito pra caralho, mas nenhum dos outros garotos sabia onde encontrar outro e acabaram aceitando aquele mesmo.

Depois de alguns minutos Jongdae adentrou o quarto com uma mochila gigante nas costas e um sorriso arteiro no rosto.

– Porra que demora, tava achando que ia ter que comprar outro – Baekhyun falou soprando a fumaça do cigarro para longe.

– Vai se foder, eu tava terminando a tarefa de física – Estendeu o dedo do meio para o ruivo e recebeu risadinhas do restante dos garotos – Qual foi? Vale ponto!

– Tá tá, a gente já demorou demais e eu não ‘tô afim de escutar o Sehun chorando no meu ouvido – Kyungsoo falou caminhando em direção à saída.

Naquela noite o Fiend Club pretendia “brincar” um pouco com o outro lado, tentar uma comunicação e pedir algumas previsões, quem sabe? O negócio é que Chanyeol estava se cagando de medo e não queria nem um pouco participar daquilo, já tinha ouvido falar de pessoas que acabaram por serem possuídas naquelas sessões, embora Kyungsoo insistisse em dizer que eram apenas boatos inventados por religiosos ignorantes.

Os quatro caminharam pelas ruas movimentadas sendo parados por uma ou outra criança que dava uma de espertinho e tentava assustá-los, claro, sem sucesso. A casa de Sehun estaria vazia naquele final de semana, já que seus pais tinham viajado para visitar sua avó paterna na cidade vizinha e era o local perfeito para se reunirem naquela noite.

Sehun era o mais novo do grupo, tinha entrado meio à contragosto, não tinha um interesse específico e anormalidades, mas também não tinha interesse em nada no geral, por isso tinha topado o convite de Kyungsoo por falta do que fazer mesmo. Apesar da pouca idade era o segundo mais alto, perdendo apenas para Chanyeol. Era um rapaz bonito que passava a maior parte do tempo com cara de tédio e só abria a boca para soltar comentários ácidos. O grandão sempre se sentia um pouco intimidado quando estava sozinho com o garoto, embora o mesmo parecesse não dar muita importância para sua existência, o que era ainda mais incômodo. Às vezes o flagrava encarando Baekhyun da mesma forma que o próprio encarava Kyungsoo e isso o deixava curioso para saber se Sehun tinha algum tipo de interesse no ruivo ou era apenas coisa da sua cabeça.

Quando pararam em frente à residência dos Oh, Sehun atendeu com a cara mais inchada que baiacu, estava mais do que claro que tinha tirado uma soneca daquelas. Chanyeol chegou até a acreditar que poderiam passar despercebidos pela fúria do garoto, mas quando Baekhyun lhe deu um peteleco certeiro na testa foi assinar a carta de morte.

– Porra que demora dos infernos! Até caí no sono achando que vocês não iam aparecer, fuleragem do caralho, hein? – Retorceu a expressão em pura irritação.

– Relaxa aí pirralho, a gente veio, não veio? – Baekhyun retrucou passando direto ignorando o mais novo e o irritando ainda mais.

Era a primeira vez que Chanyeol pisava os pés na casa do mais novo e por isso estava todo sem jeito, não sabia se podia ir sentando no sofá ou esperava Sehun voltar para a sala e dar permissão, tinha ido atrás de Baekhyun e era possível ouvir os dois de picuinha na cozinha. Por sorte Kyungsoo e Jongdae já foram se acomodando no tapete felpudo da sala e resolveu fazer o mesmo, não perdendo a oportunidade de sentar-se ao lado do baixinho.

– Chanyeol, o livro – pediu enquanto enfiava o pirulito de mais cedo na boca e o grandão perdeu-se por um momento nos lábios carnudos devorando o doce. Somente quando Kyungsoo o encarou de volta estranhando a demora é que acordou do devaneio – O livro!

– Ah s-sim – Entregou rapidinho abaixando o rosto que ardia em vergonha.

Ouviu Jongdae soltar uma risadinha cínica e torcia para que ele não estivesse debochando da situação, sabia bem o quanto aquele nerd podia ser sádico. Quando Baekhyun e Sehun voltaram para a sala com latinhas de Coca-Cola e alguns pacotes de salgadinho é que Kyungsoo começou a passar as instruções de como realizariam o contato. Aparentemente já tinha feito aquele tipo de atividade outras vezes e sabia bem como fazer os procedimentos, alertou várias vezes ao garotos sobre como agir e o que não perguntar, enfatizando veemente que não deveriam citar qualquer coisa relacionada a deuses ou religiões.

– E por último, não deixem o indicador sair pelas extremidades, o espírito em questão pode escapar e alguém vai ser possuído – Falou franzindo as sobrancelhas e Chanyeol não conseguiu evitar achá-lo a criatura mais linda do mundo com aquele vinco na testa.

– Bem que eu tô querendo ser possuído, dois meses sem sexo não é pra qualquer um – Baekhyun falou soltando uma risada.

Kyungsoo revirou os olhos em desaprovação e os outros garotos soltaram risadinhas, Chanyeol até agradeceu mentalmente por aquela piadinha, já que estava completamente se cagando das calças. Terminadas as instruções todos levaram os dedos ao ponteiro e o líder do grupo perguntou:

– Há alguém aqui?

– É claro que tem, ou você é cego? – Jongdae falou rindo e recebeu um tapa na testa em resposta – Ai! No Baekhyun você não bate, né?

– Fica quieto, ou eu que vou bater em você – Sehun bufou revirando os olhos.

– Vocês sempre brigam comigo…

– Shh! – Kyungsoo fez sinal de silêncio já irritado com a picuinha que estava prestes a começar.

Ninguém abriu a boca por uns bons minutos e até cogitaram má sorte naquele dia para contato com o outro lado. Quando Sehun pretendia reclamar da falta de resposta, as luzes do local tremularam e tudo ficou em completo silêncio, fazendo uma gota de suor escorrer pela têmpora de Chanyeol. Se entreolharam meio desconfiados no aguardo de qualquer outra “anormalidade”, até mesmo Kyungsoo estava um tanto quanto apreensivo, o grandão notara ao observar sua respiração desregulada. Esperaram por alguns segundos e quando Jongdae ia abrir a boca para soltar alguma gracinha, houveram batidas fortes na porta e uma voz conhecida gritar do lado de fora e fazendo todos se sobressaltarem:

– Sehun? Querido? Você está aí? É a mamãe!

– Fodeu! – Sehun exclamou todo esbaforido enquanto os outros garotos se recuperavam do susto – Anda logo, guarda isso, minha mãe não pode nem sonhar que a gente tá fazendo isso aqui na sala, ela me queima vivo e vocês também!

– Mas a gente não pode sair, tem consequências ruins para quem não pede permissão e– Baekhyun falou assustado.

– Tecnicamente isso é quando o espírito já deu sinal, mas o máximo que aconteceu foi a luz trem– Jongdae interrompeu.

– Com espírito ou sem espírito nada vai ser pior que ela entrar em casa e ver esse ritual! Anda logo, eu não quero levar uma surra!

– Sehun, o que você está fazendo aí? Ande logo e abra a porta, seu pai e eu estamos cansados! – A mulher bateu com mais força na porta de madeira assustando os garotos outra vez.

– Kyungsoo! – Virou-se suplicante para o líder do grupo.

Kyungsoo sabia bem as regras do tabuleiro e em hipótese alguma podia sair do jogo sem antes pedir permissão, mas não era como se realmente tivessem contatato algum espírito ou qualquer coisa do outro lado, então talvez não houvesse problema em encerrar aquela brincadeira por ali mesmo. Respirou fundo e falou:

– Estamos nos retirando, adeus.

Os pais de Sehun haviam tido algum problema com o carro naquela noite e precisaram voltar urgentemente para a casa, por causa disso o Fiend Club encontrava-se sentado na grama do jardim dos Oh e suspirando irritados sem ter nada para fazer durante o resto da noite. Claro que não dava para continuar brincando com o tabuleiro Ouija por falta de um local apropriado - usar aquilo no meio da rua era pedir para acontecer um desastre - e a noite de terror havia ido por água abaixo… Ou quase.

– Você é muito do cagão, isso sim, fica bancando o doido por sobrenatural, mas se aparecer um fantasma é o primeiro a sair correndo! – Baekhyun falou zombeteiro enquanto discutia com Jongdae sobre alguma trivialidade.

– Tá achando que eu sou bichinha que nem você? Pois saiba que num teste de coragem eu ganharia com toda certeza! – Bufou cruzando os braços e estirando a língua num claro ato de maturidade.

– É isso! – Kyungsoo deu um pulo da grama assustando os demais – A casa dos Lee!

– Hã?

– Um teste de coragem, na mansão abandonada dos Lee!

– Kyungsoo, talvez seja um pouco demais… – Chanyeol falou já pressentindo o que o menor estava propondo.

– Quieto! Essa será a nossa atividade da noite!

E com isso os cinco garotos embarcaram em direção à mansão abandonada e, mitologicamente, assombrada pelo casal que morreu assassinado pelo filho mais novo num massacre brutal. Quando o crime aconteceu Kyungsoo sequer tinha saído das fraldas, mas sabia bem a fama que o lugar levava, já que depois que a casa fora revendida nenhum dos moradores posteriores conseguiu permanecer por mais de seis meses e acabavam se mudando abruptamente, alimentando o folclore de que o fantasma dos Lee assombrava o local.

Era uma mansão enorme que ocupava um quarteirão inteiro, os portões de ferro há muito enferrujados estavam bastante deteriorados e por isso só precisava de um pouquinho de força para que qualquer um tivesse acesso à entrada da casa. Sua arquitetura era um tanto quanto ultrapassada, como se estivesse imitando casas vitorianas e por isso lhe conferia um ar bastante sombrio. Era composta de dois andares com janelas de vidro tapadas com tábuas de madeira impedindo fatores externos adentrarem o local, o jardim extenso estava coberto de folhas secas e à julgar por aquilo certamente não era limpo há um bom tempo. A porta de entrada era esculpida em madeira escura e havia um enorme cadeado trancando a casa, mas estava tão enferrujado que só precisava de uma pancada para quebrar e liberar o acesso.

Chanyeol estava tremendo por inteiro quando colocou os pés na varanda da frente, Jongdae mordia nervosamente o dedão, Sehun olhava ao redor em curiosidade, Baekhyun estava ocupado tirando a lama de seus coturnos e Kyungsoo procurava alguma coisa entre as folhas caídas na grama morta.

– É o seguinte – Falou mostrando cinco gravetinhos para o restante do grupo - A gente vai se dividir em duas duplas e um sortudo que irá sozinho.

– O-o quê? – Jongdae engoliu em seco.

– Qual é do espanto, princesa? Vai dizer que está com medo? – Baekhyun lambeu os dentes num sorrisinho bem sacana.

– V-vai se foder, idiota! – Retrucou estendendo o dedo do meio.

– Continuando – Kyungsoo bufou – quem tirar o menor palito vai sozinho, o resto que sobrar vai tirar no pedra, papel e tesoura para combinar a dupla.

– Eu n-não quero brincar disso… – Chanyeol falou com a voz quebrada.

– Qual é, Chanyeol? Vai dar pra trás justo agora? – Sehun o encarou irritado – Não sei por que você se força a participar do Fiend Club se tem tanto medo dessas coisas.

Chanyeol calou-se diante daquilo, ninguém jamais poderia saber que ele só topava aquelas ideias malucas por que queria se aproximar cada vez mais de Kyungsoo. Respirou meio nervoso e assentiu positivamente para que continuassem com aquele plano maluco.

Jongdae reclamava praguejando à todos os deuses, Sehun ria diabolicamente acompanhado de Baekhyun, Chanyeol tremia de frio e Kyungsoo lia algo naquele livro gigante que tinha trazido consigo.

– Isso é muito injusto, sempre sobra pra mim! – Jongdae bufava e cruzava os braços no maior espetáculo.

– Ninguém tem culpa do seu azar, baby – Baekhyun se dobrava de rir com a careta emburrada do amigo.

– E se acontecer alguma coisa comigo? Se eu me machucar? Como alguém vai saber que eu preciso de ajuda?

– Aí você morre e para de encher o meu saco – Sehun falou casualmente.

Nesse momento Jongdae o encarou com os olhos cheios de lágrimas e Kyungsoo precisou intervir, pois não gostaria nem um pouco de ver o amigo chorar, queria preservar o resto da dignidade do garoto.

– Nós vamos estar aqui fora o tempo inteiro, esse lugar é mais distante de onde está todo mundo e você sabe que ninguém vai se arriscar vindo aqui pra pedir doces aos mortos, só gritar por socorro que a gente te busca - Falou dando tapinhas no ombro do amigo e rindo.

– Mas…

– Para de reclamar e entra logo, a gente não tem a noite toda – Sehun apressou.

O objetivo do teste era um tanto quanto simples: Os garotos teriam que entrar na residência, subir até o primeiro andar onde ficava o quarto do casal, aparecer na varanda e acenar para os demais, provando que andou pela casa. Apesar de parecer muito fácil, o ganhador seria aquele que cuprisse a proposta em maior tempo, obrigando-o a permanecer mais tempo no local. Claro que era assustador entrar numa casa aparentemente mal assombrada e sem conhecer um palmo da área, ainda mais ter que passar tanto tempo ali, mas aquele era o desafio que o líder havia proposto e os outros se viam obrigados a cumprirem.

– Tá, mas qual é o prêmio? – Baekhyun perguntou entediado.

Kyungsoo não tinha pensado sobre um prêmio, havia sido tudo rápido demais, por isso ponderou por alguns segundos antes de soltar:

– Os ganhadores vão ter o almoço pago durante uma semana pelos outros.

Imediatamente os garotos tiveram seus rostos iluminados e um grande sorriso no meio da cara, até perceberem que se perdessem teriam que desembolsar uma graninha para bancar a alimentação dos ganhadores e o sorriso logo desapareceu.

– Ah não, hyung – Sehun começou a fazer sua vozinha de criança pidona, típica quando queria chantagear um dos mais velhos - eu estou sem dinheiro nenhum, só recebo mesada próximo mês.

– Aaaawn, Sehun-ah – Kyungsoo aproximou-se do mais alto fingindo choro – então você e o Baek vão ter que ganhar a aposta.

– Hyung! – Sehun inflou as bochechas visivelmente irritado e virou a cara, fazendo o líder rir.

Após mais um pouco de burburinho os garotos se organizaram e num Jo Ken Pô rapidinho decidiram a ordem de quem entraria na casa: Sehun e Baekhyun seriam os primeiros, Jongdae o segundo e Chanyeol e Kyungsoo os últimos.

– Boa sorte – Jongdae falou com um sorrisinho malicioso no rosto – e não demorem muito, não temos a noite toda.

Acabou recebendo dois dedos do meio estirados bem na sua cara, mas mesmo assim não evitou rir dos garotos. Os dois caminharam meio sem jeito até a porta de entrada que era guardada por uma corrente bem mixuruca e com um pouquinho de força conseguiram acesso à casa. Primeiro pôde-se ouvir um gritinho agudo de Sehun assustado com algo e a risada escandalosa de Baekhyun, logo em seguida o som do que parecia ser vidro quebrando. Ficaram em silêncio por alguns segundos até Baekhyun gritar para Sehun largar um pouco dele por que não estava conseguindo andar direito com o peso.

Do lado de fora puderam ouvir todos os gritos assustados dos garotos lá dentro e como Baekhyun reclamava de tudo: das escadas que rangiam, do cheiro de mofo, dos ratos que passavam correndo e do frio que estava fazendo. Jongdae se acabava de rir com o show de comédia que estava presenciando e se não fosse por Kyungsoo soltar um singelo “Está rindo do quê? Você é próximo e lembre que vai sozinho” teria perturbado pelo resto da noite. Após cerca de dez minutos a dupla apareceu na varanda da casa acenando para os demais, Baekhyun estava todo desgrenhado com a roupa amassada e o cabelo bagunçado enquanto que Sehun estava mais pálido que papel e mal conseguia abrir a boca.

A primeira parte do desafio estava completa, agora restava esperar os garotos aguentarem o máximo de tempo ali dentro - O que não durou mais cinco minutos, já que Sehun estava se borrando nas calças e saiu correndo na primeira oportunidade. Claro que Baekhyun ficou puto da vida pelo resto da semana e ignorou completamente a existência de Oh Sehun até receber uma barra de chocolate como pedido de desculpas e a promessa de uma tarde inteira no seu quarto jogando Nintendo - O que também acabou rendendo uns beijos e algumas descobertas, mas isso é história para outro dia.

Em seguida era a vez de Jongdae fazer seu teste de coragem e o garoto tremia mais que vara verde.

– E-eu acho que já tivemos o suficiente hoje… – Coçou a cabeça desconfiado.

– Não tivemos não – Baekhyun passou um dos braços pelo seu ombro o puxando para perto - na verdade nós acabamos de começar a noite.

– V-você fala isso por que já cumpriu sua missão!

– Qual é hyung! – Sehun interveio – Nem é tão assustador, dá pra aguentar.

– Ah é? Então por que você saiu correndo assim que desceu as escadas, hein? – Baekhyun lhe lançou um olhar mortal e o mais novo se calou.

– Anda logo, Jongdae, ainda tem eu e o Chanyeol – Kyungsoo bufou.

– Então podem ir na frente eu não me importo de furarem fila – Respondeu risonho.

Por um momento Chanyeol achou que Kyungsoo apenas o repreenderia e mandaria ele parar de ser um franguinho, mas quando o líder falou em alto e bom som “Tudo bem, nós vamos na frente então” o garoto sentiu uma descarga elétrica correr pelo corpo. Qual é, nem tinha se preparado psicologicamente e lá estava Kyungsoo colocando os carros na frente dos bois!

– A-agora? – Balbuciou todo nervoso.

– É, Chanyeol, agora – O baixinho rodou os olhos e o pegou pelo pulso caminhando até a porta principal da casa. Virou-se para os que ficaram para trás e disse – Acho bom vocês se sentarem, vamos demorar bastante aqui.

Chanyeol mal conseguiu controlar as batidas irregulares de seu coração ao ouvir aquilo. Só de imaginar ficar sozinho com Kyungsoo, sua paixãozinha, numa casa abandonada, por deus sabe-se lá quanto tempo, completamente isolados do mundo lhe dava tremedeira no corpo e cócegas engraçadas no estômago. Claro, estava se cagando de medo por ter que entrar naquele lugar absurdo, mas o menor estaria ao seu lado o tempo inteiro e ainda que não fosse nenhum feiticeiro ou caça-fantasmas, sabia que ele o iria proteger.

Assim que adentraram a residência um rato passou bem por cima do pé do grandão e o mesmo enrolou-se por inteiro em Kyungsoo, não sem antes de soltar um grito tão alto capaz de chamar a atenção da vizinhança inteira. Pôde ouvir a gargalhada que os outros garotos soltaram lá fora e os resmungos do menor por levar um susto daqueles.

– D-desculpa Kyungsoo… – Afastou-se rapidinho quando percebeu a situação e corou violentamente, por sorte estava bastante escuro e ninguém poderia ver as bochechas ardendo.

– Porra, Chanyeol! – Resmungou emburrado e ajeitou as roupas que o outro amassou.

Argh! Chanyeol queria morrer naquele momento de tanta vergonha. Era tido como o bebê chorão do grupo e ninguém entendia ao certo por que diabos ele entrou para o clube de ocultismo se tinha medo até da própria sombra, por isso o grandão estava sempre pagando mico com seus sustos e choramingos.

Continuaram andando pela casa e o maior imaginou o quão bonita deveria ser em seus tempos áureos. As escadas de madeira tinham desenhos belíssimos talhados no corrimão, a sala lotada de móveis cobertos por lençóis brancos era grande o suficiente para comportar um pequeno baile, as janelas de vidro tinham adornos em forma de flores, o piso de madeira apesar de ranger parecia bastante forte e a tinta verde musgo das paredes só precisava de um retoque para parecer nova em folha. No geral era uma casa muito bonita, se Chanyeol não soubesse do assassinato cruel que houve um tempo atrás com certeza adoraria morar naquele local.

Kyungsoo caminhava na frente enquanto subiam as escadas e Chanyeol não conseguiu evitar dar aquela espiadinha na retaguarda do menor e concluir que era muito da bonitinha. Acabou ficando vermelho com os pensamentos impuros que cruzaram sua mente, mas que droga, nem mesmo numa situação daquelas conseguia controlar seus hormônios adolescentes? Chegaram ao primeiro andar sem maiores problemas e acabaram demorando um pouco para encontrar o quarto de casal, já que aquele andar contava com várias portas.

Assim que entraram no cômodo certo puderam sentir a brisa gostosa da noite os abraçar num sopro gelado e o maior estremeceu, ainda que estivesse usando um moletom gigante e um casaco por cima. Notando o desconforto do outro, Kyungsoo tirou o casaco que estava usando e estendeu em direção ao outro.

– Toma, não quero você faltando os encontros do clube por causa de um resfriado.

– K-Kyung?

– Pega logo essa merda, Chanyeol! – A voz do menor falhou um pouquinho.

Chanyeol agarrou a peça de roupa como se sua vida dependesse daquilo e ao jogar o casaco sobre o corpo - já que era pequeno demais para que vestisse - sentiu o cheiro de Kyungsoo invadir seu olfato e por muito pouco não se deixou delirar por aquilo. Droga, estava tão apaixonado…

– Está melhor? – Perguntou sem virar o rosto.

– U-uhum, muito obrigado! – Assentiu balançando os cachinhos.

Caminharam em direção à varanda e antes que pudessem dar o grito da vitória, observaram o vigia noturno repreendendo o restante dos garotos que estavam lá em baixo.

– O que vocês acham que são para invadirem esta propriedade? – Era o senhor Hwan que falava - E ainda por cima arrombarem a porta da frente! O que são? Algum tipo de vândalos?

– N-não senhor Hwan, n-nós apenas-

– Não quero ouvir desculpas esfarrapadas, acho bom que voltem para suas casas agora antes que eu vá na residência de cada um ter uma conversinha com suas mães!

E os filhos da mãe não pensaram duas vezes antes de catarem suas coisas e saírem correndo como raios pelo portão e desaparecendo na rua. Kyungsoo e Chanyeol entreolharam-se concluindo que a pequena diversão da noite tinha chegado ao final e era a hora de voltar para casa, só precisavam esperar o senhor Hwan ir embora. Se ele tinha ficado irritado com garotos no jardim, imagine o que ele faria quando soubesse que pessoas tinham invadido a casa? Era melhor não arriscar.

Mas como felicidade de pobre dura pouco, o velho resolveu que o mais sensato a se fazer era corrigir a bagunça dos garotos e bloquear a porta de entrada da casa com um toco de madeira, impedindo que os garotos saíssem ou qualquer outra pessoa entrasse.

– Esses jovens de hoje não podem ter uma diversão normal? - Falou sozinho enquanto acendia um cigarro. Assim que soltou a fumaça observou um grupo de garotos vandalizando o jardim de alguém com papéis higiênicos molhados e tratou de ir acabar com aquela brincadeirinha.

Kyungsoo e Chanyeol observaram o velho desaparecer pela rua perseguindo os vândalos e só então se tocaram de que estavam presos, presos naquela maldita casa abandonada!

– Puta que pariu, Chanyeol, estamos presos! – Kyungsoo falou aproximando-se da varanda e dando uma boa olhada para baixo - A gente tá na merda de uma casa abandonada em plena noite de halloween!

– C-calma Kyung-

– Como ter calma? Aqueles palermas saíram correndo e pelo visto ninguém vai vir nos salvar até amanhã de manhã.

– D-deve ter outra saída…

– Que também está trancada! A gente só liberou a porta da frente.

– M-mas quem sabe se a gent-

– Não, Chanyeol, não tem outra saída e eu não vou me jogar do primeiro andar para quebrar a porra de um braço ou uma perna!

Chanyeol engoliu em seco e tentou colocar a cabeça para funcionar, deveria ter alguma coisa que pudessem fazer. Por mais que amasse passar um tempo com Kyungsoo, virar a noite com ele dentro de uma casa abandonada definitivamente não estava em seus planos. Os raios lunares entravam pela varanda e a noite ainda estava muito longe de acabar, teriam que aguentar até o sol dar o ar de sua graça e os garotos voltarem para o resgate.

Deu um sobressalto quando ouviu o livro pesado de Kyungsoo cair no chão e o mesmo fechar a porta do cômodo.

– O que você está fazendo? – Perguntou desconfiado.

Garantindo que nenhum espírito vingativo venha nos buscar até o amanhecer - Respondeu tirando algumas bugigangas da mochilinha que carregava.

– E-espírito?! – Chanyeol sentiu o coração descompassar e as mãos suarem.

– Isso, e em vez de ficar se tremendo aí é melhor você me ajudar antes que dê três da madrugada.

– P-por quê?

Kyungsoo parou o que estava fazendo e o fitou incrédulo com a pergunta.

– Como assim “por quê”? Você está na merda do clube de ocultismo e sequer sabe que três da madrugada é o horário dos mortos? Pelo amor de deus, Chanyeol, o que diabos você ‘tá fazendo no Fiend Club? – Bufou irritado e voltou aos seus afazeres.

Chanyeol não evitou sentir-se miudinho, sempre ficava meio chateado quando os garotos o questionavam daquela maneira e sentia que não passava de um peso morto naquele clube. Por que não tentava se aproximar de Kyungsoo como uma pessoa normal sem a necessidade de se submeter em situações que não gostava? Só fazia mal para si mesmo e aos outros.

Aproximou-se do baixinho que organizava os itens pronto para iniciar um feitiço de proteção e o observou meio sem ter noção do que fazer. Kyungsoo o encarou meio cansado e soltou o ar pela boca, lhe entregou um pacotinho com sal e disse:

– Coloca isso no batente da porta enquanto eu acendo os incensos, se certifica de fazer uma linha bem grossa.

– Certo! – Assentiu energeticamente.

Chanyeol se concentrou em formar uma camada grossa de sal exatamente como Kyungsoo instruiu. Voltou-se para o líder que acendia alguns incensos e o grandão ficou todo bobo observando o vinco que se formava em sua testa enquanto estava concentrado. Os fios escuros começavam a cair pelo rosto dando sinal de que o cabelo estava crescendo bem rápido, visto que Kyungsoo tinha cortado duas semanas atrás. Ele começou a ler algo naquele seu livro gigante de feitiços e sabe-se lá o que mais procurando algo entre todas aquelas anotações que fizera, corria os olhos com rapidez pelas letrinhas que sequer percebeu que Chanyeol o encarava com encanto completamente embasbacado de amor.

– Aqui! Está tudo certinho, só precisamos nos manter junto dos incensos e longe da porta e janela – Respondeu fechando o livro e guardando de volta na mochila.

Kyungsoo o encarou de forma bonitinha e a luz da lua que atravessava o vidro empoeirado da janela tocava sua pele leitosa o fazendo reluzir. Ah, Chanyeol achava aqueles pequenos detalhes tão lindinhos e ao lembrar-se de que passaria a noite com ele já era o suficiente para aquela ansiedade atacar suas entranhas e se contorcer todo. Tinham uma longa noite pela frente…

Quando estava perto das 01h da madrugada Kyungsoo bocejava de sono e se espreguiçava todo na almofada que tinham achado debaixo da cama, estava um tanto quanto suja e o cheiro de mofo era terrível, mas era melhor que sentar no chão duro e gelado. Chanyeol não sabia se estava mais nervoso pelos estalos esquisitos que a casa dava ou por ter o corpo do menor tão pertinho de si, lhe dando possibilidade de observar aquelas pintinhas lindas cara a cara.

– Chanyeol – Kyungsoo falou com a voz grossa fazendo o maior despertar de seus devaneios – Por que você entrou para o Fiend Club?

O grandão arregalou os olhos e sentiu as bochechas queimarem, tinha sido encurralado na parede e precisava bolar alguma desculpa realmente boa. Sentiu o estômago gelar e as mãos suando freneticamente enquanto o menor o encarava em expectativa.

– E-eu só não tinha nada melhor para ocupar meu tempo…

– Essa desculpa não cola, o Sehun já usou – Retrucou cruzando os braços e intensificando o olhar.

Chanyeol engoliu em seco e lambeu os lábios nervosamente, seria fácil driblar qualquer outro dos garotos, mas Kyungsoo era esperto. Antes que pudesse abrir a boca para cuspir outra desculpa estúpida, ouviram outro estalo na casa e Chanyeol encolheu-se todo tremendo de medo, arrancando uma risada gostosa do garoto ao seu lado.

– Está vendo? Até mesmo pequenos estalos já te deixam se mijando nas calças, como que você cogitou ser uma boa ideia participar do clube de ocultismo?

– E-eu só… – Perdeu-se nas palavras e virou o rosto para fitar o menor, acabou se embaralhando nas palavras ao ter seu olhar retribuído e acabou despejando a verdade – Eu só queria me aproximar de você.

Quando percebeu o que tinha acabado de falar sentiu o coração parar na hora e um fervor horrível tomar conta de seu rosto inteiro. Por deus o que tinha feito? Desviou o olhar e escondeu o rosto entre as mãos, tinha estragado tudo. Conseguia ouvir o coração acelerado fazer um barulho terrível que preenchia o silêncio do cômodo e certamente era alto o suficiente para que Kyungsoo ouvisse também.

– Sabe – Kyungsoo pigarreou e abriu a mochila – passar a noite fazendo nada vai ser um saco, então que tal a gente ouvir algumas músicas? Por sorte eu sempre ando com um Walkman e alguns CD’s, é uma boa oportunidade de matar o tempo e conhecer algumas músicas novas.

Oh, então ele tinha escolhido ignorar aquela confissão vergonhosa e fingir que nada tinha acontecido? Graças a deus, pois Chanyeol não saberia lidar com uma rejeição naquele momento, tampouco encarar Kyungsoo depois daquilo. Tinha acabado de se declarar gay para sua paixãozinha e dava sorte de não receber um olhar atravessado em resposta - no pior dos casos, um soco. Soltou uma risadinha despreocupada colocando um dos fones que o mais velho tinha oferecido e não demorou para reconhecer Don’t look back in anger preenchendo seus sentidos, gostava de Oasis e aquela era uma de suas músicas preferidas. Olhou para Kyungsoo que o encarava com um sorrisinho de lado ao perceber a reação positiva do maior.

– Não sabia que curtia Oasis – Falou meio sussurrando.

– Tem um monte de coisas que você não sabe, – Respondeu abaixando o olhar para o equipamento em suas mãos e as bochechas corando - mas não era você que queria se aproximar de mim?

Chanyeol o encarou incrédulo, o corpo inteiro explodindo em vários fogos de artifícios e um calor gostoso tomar conta de si, não evitando o sorrisão cheio de dentes que dirigiu ao menor. Realmente, tinham uma longa noite pela frente.

29 de Junho de 2018 às 01:13 4 Denunciar Insira 4
Fim

Conheça o autor

Amanda Rocha Eu gosto de doces e gatos; gosto do crepúsculo das 17:00 e de música clássica; gosto de animes e do barulho que as pessoas fazem quando comem algo crocante. Sinta-se a vontade para conversar comigo :)

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Nilma Almeida Nilma Almeida
Aaaaaah q amor, adorei s2
30 de Junho de 2018 às 08:38

  • Amanda Rocha Amanda Rocha
    Nhaaaa que bom ♡ obrigada: 3 30 de Junho de 2018 às 09:55
manuela cruz manuela cruz
eu sou a mulher mais apaixonada do mundo meu deus do céu que história gostosinh aaaaaa )))))):
29 de Junho de 2018 às 08:43

  • Amanda Rocha Amanda Rocha
    Aaaaa muito obrigada anjo ♡ 29 de Junho de 2018 às 08:54
~