I'll show you the world Seguir história

bttmjjk Minkook Shipper

Jeongguk apenas queria fugir de casa. Jimin apenas queria se esconder naquele beco.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos. © Todos os direitos reservados

#bts #yoonseok #sope #jikook #namjin #jimintop #jungkookbottom #minkook #topjimin #Jkobottomdebusan #Jiminétopsim #Bttmjjk
17
4942 VISUALIZAÇÕES
Em progresso
tempo de leitura
AA Compartilhar

Congrats on your luck

Mais um dia. Mais um dia nessa vida miserável como propriedade de um ser nojento que não possui o mínimo de compaixão e bondade. Alguém que me agride e abusa de mim o quanto quer sem me dar nenhuma chance de me defender, e se o faço, acabo sofrendo dez vezes mais com os castigos cruéis e doloridos desse desgraçado.

Mesmo que existam em grande escala, os híbridos ainda são considerados, por muitos, seres inferiores e até aberrações que não deveriam existir. Alguns dizem que somos o câncer do mundo.

Qual a grande diferença entre nós e àqueles considerados normais? Eu tenho a plena consciência de que ver um humano com algumas características de animais deve ser estranho, mas já existimos fazem séculos, já deveriam ter se acostumado com nossa presença. Não vejo motivos para sermos tratados de maneira diferente uma vez que possuímos tudo o que os não híbridos têm, principalmente a inteligência.

Quando era pequeno, vivia em Busan e tinha a vida desejada por todos. Uma família que me amava e uma condição financeira que não era abundante, mas que nunca nos deixou passar por necessidades. É uma pena que tudo isso me foi arrancado quando eu era uma criança inocente de seis anos e tive meus pais assassinados em uma tentativa de assalto. Mesmo sendo um dos vários híbridos da família, nenhum daqueles que diziam me amar quiseram me abrigar, então fui mandado para um orfanato onde vivi consideravelmente bem até meus nove anos, antes de ser “adotado” por Lee Kwan e o inferno pessoal que tenho que chamar de vida começar.

Nos primeiros três anos eu pensava que teria uma vida feliz novamente. Morava em uma grande casa no centro de Seul, estudava em um local onde o preconceito com híbridos era quase nulo e a educação era de qualidade, embora eu nunca pudesse ir à passeios ou saber mais sobre a maioria dos assuntos, e a condição financeira era a melhor que já tive o prazer de experimentar.

Mas não pense que por isso eu tinha algum tipo de liberdade. Todos os dias eram iguais, aquela rotina maçante “da casa pra escola e da escola pra casa” era o que devia ser seguida. Infelizmente fui tolo à ponto de achar que isso fosse mudar com o tempo, que ele iria me levar à lugares legais e mostrar e ensinar coisas novas. Nunca aconteceu.

Até que começou.

Kwan chegava cada vez mais tarde em casa e se tornava deveras violento, cada cômodo da nossa moradia ia se esvaziando conforme os dias passavam. Até que tivemos que sair da mesma quando agiotas a tomaram por conta de uma dívida gigantesca de jogos de azar. Fomos morar na periferia, tive que sair da escola de boa qualidade que costumava frequentar e fui para uma pública, onde conheci o lado mais obscuro das pessoas e do preconceito.

“Aberração” foi, provavelmente, a palavra que eu mais escutei durante meu curto período naquele lugar, os professores nem sequer tentavam me ensinar à fazer alguma coisa, me ignoravam como se eu fosse invisível. Nenhuma das situações durou muito, já que desisti dos estudos e parei de frequentar as aulas assim que completei treze anos. Pensei que minha vida fosse melhorar depois da minha saída da escola, mas isso não aconteceu quando Kwan passou à me prender ainda mais em casa, alegando que sua propriedade não podia sair andando livremente por aí.

O pior período da minha existência se iniciou quando eu tinha quinze anos e jamais me senti tão sujo, usado e insignificante como quando ele passou à me tocar de maneira indecente, fazendo coisas que foram além dos tapas e socos que já haviam se tornado rotineiros.

Como está minha vida agora? Posso dizer que não mudou muita coisa. Continuo sendo Jeon Jeongguk, um híbrido de coelho que não conhece absolutamente nada do mundo, considerado inútil, vive em cárcere privado, serve de saco de pancadas e escravo sexual para um cara que acha que tem algum direito sobre a minha vida e que se diz meu dono como se eu fosse um maldito objeto. Acredito que a única mudança foi minha idade, vim parar nesse inferno com nove anos e agora tenho dezoito, metade da minha vida sendo preso e tratado como um nada.

Me sinto no mais profundo tédio, não há nada pra fazer nesse cubículo que chamo de casa. A luz foi cortada por falta de pagamento e a água está indo para o mesmo caminho. Provavelmente Kwan gastou todo o dinheiro que ganha trabalhando em jogos de azar, nos deixando à boa sorte. Não é como se realmente tivéssemos alguma.

Provavelmente fazem cinco anos que não saio de casa. Não me lembro como é a sensação de tomar sol, sentir a brisa fresca no rosto ou sentir a água molhando meu corpo em um banho de chuva. As únicas memórias que me restam são pequenos flashs de uma infância feliz ao lado dos meus pais, de uma boa escola onde tive bons amigos e também das piores partes da minha vida, como o assassinato de meus progenitores, o bullying e os primeiros abusos que sofri.

Não é como se minha capacidade intelectual fosse limitada como a maioria das pessoas dizem. Eu tenho a inteligência de uma pessoa normal, atitudes de uma pessoa normal e sentimentos de uma pessoa normal. O que me condena são as orelhas compridas no topo de minha cabeça e os dentinhos avantajados em minha boca, fatores que me taxaram como inferior desde que me conheço por gente. Tudo isso somado ao fato de não saber absolutamente nada do mundo onde vivo, me faz ser um nada na visão das pessoas.

Está de noite, por volta das onze e meia, estou sozinho como sempre perdido em meus devaneios. Ouço um estrondo vindo da sala e meu nome sendo gritado de maneira nervosa, o que me faz estremecer por saber o que me espera assim que eu colocar os pés no cômodo principal do lugar onde moro. Todo dia é a mesma coisa.

Levanto da minha cama improvisada em passos lentos e respiro fundo ao enxergar o perfil do homem que me criou desde que tenho nove anos. Abaixo a cabeça juntamente com minhas orelhas e vou para perto do mesmo, já tendo uma ideia do que virá à seguir. O cheiro de álcool que emana do seu corpo faz mal ao meu olfato sensível, mas evito fazer qualquer tipo de careta. Logo suas mãos começam à tocar meu corpo, me sinto sujo e a típica ânsia se faz presente dentro de mim. Quanto mais ele me toca, mais minha vontade de desistir de tudo aumenta. Ouço um barulho do lado de fora, está chovendo. Fecho os olhos e imagino como seria sentir a água caindo sobre meu corpo, levando embora todas as dores e mágoas, todo o sofrimento que esse ser asqueroso à minha frente me faz passar.

Observo a porta aberta e fico surpreso. Em todo esse tempo desde que os abusos começaram, Kwan sempre tratou de trancar a porta assim que põe os pés pra dentro da residência. Vejo a chuva caindo pela primeira vez em muito tempo. Uma vontade avassaladora de acabar com isso surge dentro de mim. Não é como se tivesse alguma coisa à perder, se eu falhar, vou receber uma surra e tudo vai voltar ao normal. E se conseguir escapar, vou poder pelo menos ter a sensação de sentir a chuva uma vez na vida e marcar essa sensação.

Olho a pequena mesa de centro e vejo uma garrafa de vidro vazia ali, Kwan está bastante distraído tocando em partes inapropriadas de meu corpo. Aproveito que meus braços são compridos e alcanço a garrafa. Penso no que estou prestes à fazer e vejo que já está tarde demais para desistir. A seguro acima de sua cabeça e abaixo com força quando ele tenta me beijar. O vidro se estilhaça e o homem cai desacordado no chão. Fico atônito por alguns instantes mas logo sigo para a porta em passos lentos, dou uma última olhada em seu corpo e saio no meio da chuva sem levar nada. Estou livre afinal, não quero nada que me lembre tudo o que passei. A sensação de ter a água escorrendo sobre mim me relaxa instantaneamente, fecho os olhos por alguns instantes e deixo a boca entreaberta, sentindo aquele abraço gelado me acolher.

Percebo que preciso me afastar o máximo que puder da casa onde morava. Mesmo que eu denunciasse Kwan por cárcere privado e todos os outros malefícios, sei muito bem que a polícia não faria nada à meu favor. Ainda que existam diversos programas e leis que “defendem” os híbridos, nada de fato funciona, já que a justiça não mexe um dedo para nos ajudar quando precisamos.

Ando lentamente com as orelhas atentas à qualquer barulho, as ruas estão vazias, não sei se me sinto aliviado ou preocupado. O frio já começa à se fazer presente e sei que preciso de um lugar seguro para passar a noite para procurar um local para ficar quando amanhecer. Caminho um pouco mais pelas ruas desertas e vejo um beco com um pequeno espaço coberto e decido que passarei a noite ali. Não tenho muitas opções e sinto um incômodo no nariz, provavelmente estou ficando resfriado.

Corro até o beco e vejo se o lugar está vazio, quando constato que sim, me encolho para tentar me proteger do frio e começo à fungar por conta do nariz entupido.

Penso em tudo que fiz, em tudo que passei e no que irei fazer agora. Não tenho ninguém por mim, não tenho para onde ir e não posso nem trabalhar para sobreviver. Sei muito bem que não aceitariam um híbrido que não sabe fazer absolutamente nada. Por mais que seja difícil, começo à pegar no sono lentamente e quando estou quase no estado inconsciente minhas orelhas se movimentam rapidamente por conta de barulhos de passos próximos. O nervosismo que não senti até agora aparece. Fico atento e me encolho ainda mais para me esconder de quem quer que esteja no mesmo ambiente que eu.

Tento ficar em silêncio e falho miseravelmente quando um espirro alto ecoa pelo beco. Dou um choramingo baixinho quando os passos se tornam cada vez mais próximos e eu já espero pelo pior quando sinto uma mão se apoiar em meu ombro. Fecho os olhos e só espero pelo primeiro chute ou soco. Nenhum dos dois vêm.

Tomo coragem para abrir os olhos e levanto a cabeça. Dirijo meu olhar para cima e dou de cara com um rapaz baixinho de cabelos em um tom rosado, o mesmo está tão encharcado quanto eu, mas não parece se importar muito com isso. Há algo diferente em si, não se parece com aqueles valentões que batem nos outros de madrugada como já vi nos poucos filmes que me eram permitidos. Parece que existe algo à mais. Preocupação? Pena? Está zoando com a minha cara? Não sei, minha única certeza é que continuo encolhido encarando seu rosto. Pareço um filhote com medo.

— Quem é você e por que tá nesse beco sozinho à essa hora da noite? — a voz não soa rude mas ainda continuo preocupado, sei que não posso confiar em ninguém.

Fugir de casa pra tentar ter uma vida melhor e acabar com um estranho em um beco na mesma noite. Parabéns pela sua sorte, Jeon Jeongguk.

27 de Junho de 2018 às 20:22 2 Denunciar Insira 5
Leia o próximo capítulo Clear conscience

Comentar algo

Publique!
Wae Usagii Wae Usagii
woooaahhh!!! Q hinooo de fiiicccc ❤❤❤❤ mds, amei e preciso de mais 😂❤
8 de Agosto de 2018 às 03:42
Vict�ria Rosa Vict�ria Rosa
PERFEIÇÃO!! continua ♥
28 de Junho de 2018 às 06:18
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 3 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!

Histórias relacionadas