bbraettgo Bbraettgo Taekook

Kim Taehyung sofre de um distúrbio raro que o fez parar em grupo de psicoterapia para pacientes com distúrbios sexuais: ele sofria de sexonambulia. Jeon Jungkook frequenta o mesmo grupo desde que fora diagnosticado como somnofílico. Talvez eles sofressem por serem imperfeitos para a sociedade. Talvez se encontrassem por conta dessa imperfeição.


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#bottomjungkook #bottomjk #toptaehyung #toptae #yaoi #psicologia #parafilias #lemon #bbraettgo #vkook #taekook
72
6.7mil VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capítulo Único

- Você ainda tem uma vaga no seu grupo, não? – Dr. Senjin disse despreocupado, sem deixar de olhar para os papéis em sua mesa.

- Uma vaga – Eujin, a experiente psicóloga do Ambulatório de Distúrbios Sexuais lhe respondeu tranquilamente, apoiada no batente da porta.

- Ótimo, encaminhei um paciente ao seu grupo.

- Quem?

- Kim Taehyung, 25 anos.

- E qual a parafilia?

- Não é bem uma parafilia.

- E por que mandou para o grupo?

- Eujin, seu grupo traz resultados muito bons, eu reavaliei o Bogum e ele está ótimo.

- Obrigada, mas… se não é uma parafilia…

- É um distúrbio de sono.

- E o que faz um paciente do sono no ADS?

- Sexonambulia.

- Acho que nunca tratei isso, mas acho uma péssima ideia, não é algo com um quê de consciência.

- Eu sei, é raro e quero testar. Entrei com clonazepam, dose baixa ainda, não teve tanto resultado, quero associar terapia de grupo antes de aumentar a dose. Não quero chumbar ele agora.

- Acho bom, odeio massas morfas no grupo, mas já digo que vai dar algum problema…

- Por que pensa assim?

- Tenho um somnofílo no grupo, não quero nem imaginar o que pode acontecer…

Senjin riu e desviou o olhar dos papéis, fitando a profissional experiente à sua frente.

- Não é como se outros pacientes não tenham trepado antes, mas enfim, vamos experimentar e se não der certo, tentamos outras coisas.

- E qual a frequência do comportamento dele?

- Até o momento? Todas as noites, mesmo levemente dopado.

Eujin riu sarcasticamente e maneou a cabeça de maneira negativa. Seria muito difícil manejar esta nova situação no grupo, mas não deixava de ser um desafio que estava querendo vencer. Seria difícil, mas, talvez não fosse impossível. Ao se dirigir à saída, sua atenção foi chamada pelo psiquiatra.

- Ah, ele está um pouco deprimido, tem três processos de estupro contra si por conta disso, ele tem tentado provar que tem distúrbio, mas está difícil, sabe… Entrei com escitalopram de 20, mas não tem nem uma semana, sem reposta ainda.

- Certo… a história fica cada vez mais interessante, depois te dou um retorno de como foi a entrada dele no grupo, se eu sobreviver e não me intoxicar com benzos por conta do desespero – riu e saiu, fechando a porta do consultório atrás de si.

O grupo iniciava pontualmente às 2:00 da tarde. A sala de espera estava cheia de pacientes, já que além do grupo de distúrbios sexuais, havia pacientes dos atendimentos psiquiátricos e psicológicos individuais.

Eujin entrou na sala de espera e chamou pelo nome dos sete integrantes do grupo, que milagrosamente, estavam aguardando o início do grupo. Até Jung Hoseok, conhecido pelos atrasos constantes.

A psicóloga que abria mão do uso do jaleco durante os atendimentos ambulatoriais vestia uma camisa florida e delicada, calça jeans de lavagem clara e uma sapatilha azul pastel que combinava com algumas flores de sua camisa. Abriu espaço na porta da sala de grupo para que os mesmos entrassem.

A sala tinha um tamanho mediano, mas comparando com as demais salas do ambulatório, era deveras espaçosa. A tinta verde água cobria as paredes, no entanto, era possível ver algumas partes descascadas na tintura, indicando certo descuido da instituição para com a apresentação do local.

Oito cadeiras que se assemelhavam a cadeiras-carteiras escolares estavam dispostas em um círculo quase perfeito. Em uma delas, jaziam papéis e canetas, indicando que aquele era o local da terapeuta, que sempre fazia algumas anotações importantes sobre o grupo.

Após os sete pacientes se sentarem, Eujin fechou a porta e se encaminhou em silêncio para seu lugar. Olhou todos os pacientes com um sorriso no rosto. Os seis integrantes já conhecidos, olhavam para o recém chegado de maneira curiosa.

- Como perceberam, temos um paciente novo conosco – disse tranquilamente, puxando a atenção para si – Como de praxe, já que temos um integrante novo, vamos repassar o contrato terapêutico e nos apresentar novamente, antes de iniciarmos a pauta de hoje.

A fala da psicóloga fez alguns dos pacientes se remexerem de maneira desconfortável. Coincidentemente, o desconforto aconteceu por parte dos mais antigos, que já haviam feito este procedimento algumas vezes.

- Para começar, Kim Taehyung, seja bem-vindo. Você sabe por que está aqui?

- Obrigado – a voz rouca roubou a atenção de todos os presentes ali. Ele estava envergonhado e mantinha o olhar fixo na terapeuta – Sei sim.

- Ótimo, vamos começar. Então, repassando o contrato, este é um grupo de distúrbios da sexualidade que tem por principalmente característica ser um grupo aberto, o que significa que pacientes entram e saem conforme seus próprios processos pessoais, deste modo, alguns pacientes estão aqui a mais tempo do que outros. Todos aqui apresentam alguma dificuldade em sua sexualidade que acaba por atrapalhar a sua vida de maneira significativa, causando grande sofrimento e dificuldades de relacionamento – a psicóloga deu uma pausa para organizar os pensamentos, odiava repassar o contrato e se esquecer de alguma informação importante – O grupo é semanal e tem duração de 90 minutos. Atrasos de 15 minutos são permitidos após o grupo conversar sobre o assunto, deste modo, se o grupo decidir que o paciente não deve entrar, a falta é contabilizada. Após 15 minutos, a entrada é proibida. Depois de duas faltas consecutivas há o desligamento do grupo e o registro da informação no prontuário. Em termos de sigilo, este é um ambiente protegido e o sigilo deve ser mantido por todos do grupo, não sendo permitido que aquilo que é ouvido ou trabalhado aqui seja conversado com pessoas não pertencentes ao grupo, com exceção das discussões de casos que eventualmente acontecem com os médicos de cada um, no entanto, somente as informações de extrema importância para o esclarecimento do caso é que são repassados. Esqueci alguma coisa?

- Esqueceu-se de falar sobre a quebra do sigilo – Namjoon advertiu.

- Obrigada Namjoon, o sigilo somente pode ser quebrado por mim, caso a vida de vocês ou de outrem esteja em risco, no entanto, isso será discutido em grupo antes da quebra do sigilo. Aliás, o que acontece no grupo deve ser resolvido em grupo, e isso inclui os desentendimentos – mais uma pausa, onde fitou o rosto de todos os presentes - Eu anoto algumas informações importantes para o andamento do tratamento de vocês, mas estou prestando atenção em tudo o que é dito. Bom, já que repassamos o contrato terapêutico, que tal iniciarmos as apresentações. Namjoon, por que não começa?

- Tudo bem – se ajeitou na cadeira desconfortável – Eu sou o Kim Namjoon, tenho 26 anos, estou no grupo há uns três meses por conta do meu fetiche. Sou crematistófilo, o que significa que sinto um prazer imenso em ser extorquido e roubado – fechou os olhos, sorrindo depois de morder o lábio inferior – não preciso nem dizer como isso atrapalha minha vida de modo geral, me coloco em situações de risco de assalto só para poder gozar… Deus… é uma delícia, mas ao mesmo tempo é terrível.

- Obrigada Namjoon, quem é o próximo?

- Pode ser eu – os olhos se voltaram para o rapaz mais miúdo entre eles – Sou Park Jimin, hum, 25 anos, gosto de dançar e trabalho como professor de dança, mas não consigo desenvolver meu trabalho por causa da minha parafilia, a coreofilia. Sempre sou demitido por ficar excitado durante as aulas, eu já cheguei a ejacular durante uma aula para a turma juvenil. Fora que tenho alguns boletins de ocorrência por atentado ao pudor, o que me gera muita dor de cabeça.

- Ótimo Jimin, você não disse há quanto tempo está aqui.

- Ah sim, acho que deve ter uns três meses também, entrei um pouco antes do Nam.

- Próximo…

- Jung Hoseok, 26 anos, e partilho do mesmo sofrimento do Jiminnie. Mas, felizmente não tenho boletins contra mim, talvez por eu sempre ter lecionado aulas particulares para adultos, mas sou pouco recomendado por ser tido como pervertido e já levei uns tabefes também. Este é meu nono encontro, que eu venho né, por que acabo atrasando algumas vezes.

- Kim Seokjin, 28 anos, médico oftalmologista, oculofílico. Estou aqui há cinco meses.

- Por favor, Jin, explique à Kim Taehyung o que é a oculofilia.

- Claro. Tenho fetiche por olhos… e sou oftalmologista. Mas, além da parafilia tenho dificuldade de controle dos impulsos, o que já me fez não suportar a excitação pelos globos oculares, tão excitantes, e acabei por atacar alguns pacientes. Atualmente estou afastado do direito de exercer a profissão.

- Muito obrigada Jin… Jungkook por que você não se apresenta?

- Certo. Jeon Jungkook, 23 anos, estou aqui há cinco meses também, entrei junto com Jin hyung. Sofro de somnofilia, que é o prazer de transar dormindo, alguns curtem transar com pessoas dormindo, outros, como eu, gostam de acordar durante o ato sexual. Isso me causa sofrimento, por que não consigo me relacionar com parceiros íntimos, me acham estranho demais.

- Obrigada, Yoongi…

- Min Yoongi. Voyeurismo, talvez o mais conhecido dos fetiches. 14 processos por atentado ao pudor. Ah… e tenho 27 anos. Estou há um mês aqui, e há duas semanas sem maiores problemas.

- Muito bem. Agora é sua vez Taehyung.

Kim Taehyung viu todos os olhos voltarem para si. Estava perdido, não sentia que aquele era seu lugar, afinal seu distúrbio não lhe causava nenhum tipo de prazer, só vergonha e problemas.

- Bom, meu nome é Kim Taehyung, tenho 25 anos. Sofro de um distúrbio de sono, e não sei se é certo eu estar aqui. Bom eu tenho Sexonambulia, um distúrbio raro que atinge 7% da população mundial. Basicamente eu ataco as pessoas enquanto durmo – Jungkook o olhou e deixou um sorriso escapar pelos lábios – Atualmente respondo três processos de estupro e isso me machuca muito. A minha experiência mais traumática foi quando tentei transar com minha mãe. Felizmente eu não conclui o ato e mais felizmente ainda eu não tenho memória dessas ações.

- Enfim, todos apresentados. Obrigada por compartilharem suas histórias de maneira tão rápida. Bom, como estamos retomando, gostaria que Jin explicasse o que é terapia cognitivo comportamental para o novo integrante do grupo.

Após os 90 minutos de atendimento o grupo foi encerrado e todos deixaram a sala conversando entre si. Taehyung estava confuso, pois não se sentia parte do grupo, chegou cogitar questionar o seu médico sobre a sua permanência neste grupo específico, já que todos eram acometidos por parafilias, diferente de si, que sofria de um tipo de sonambulismo.

Antes de deixar o prédio do ambulatório passou no banheiro masculino, precisava lavar o rosto e se acalmar. Tudo em sua vida parecia nebuloso e difícil. Enquanto esfregava o rosto com água, ouviu a porta abrir, mas não deu muita importância.

- Bem vindo ao grupo – a voz melodiosa invadiu o banheiro habitado apenas pelos dois.

Taehyung enxugou o rosto e fitou o rosto angelical do paciente mais jovem do grupo.

- Obrigado – endireitou-se de frente a ele.

- O primeiro atendimento é o pior. Pelo menos para mim foi.

- É estranho, principalmente porque vocês parecem ter algum prazer com isso e eu não tenho nenhum.

- É… mas no fim todos nós sofremos, não?!

- Acho que sim. Mas mesmo assim…

- Hum… normalmente eu gosto de guardar o número do pessoal do grupo, sabe, caso um dia você vá se atrasar, pode me avisar e eu já comunico o grupo no início, mas só se você não se importar…

- Claro, sem problemas.

Passou o número para o novo colega semanal. Viu o sorriso enorme que o garoto fez ao salvar o seu contato.

- O que vai fazer agora?

- Ir para casa e chorar até morrer? – Taehyung respondeu com um falso humor. A verdade é que provavelmente choraria por conta do desespero que sua vida estava. Responder processos que o acusavam de agressão sexual não estava na sua lista de coisas a fazer durante a vida.

- Será que antes de morrer de chorar, não quer comer alguma coisa? Já que vai morrer, pelo menos morre de barriga cheia – disse sorrindo e cheio de intenções perversas. Taehyung por sua vez, deixou um sorriso tímido escapar dos lábios.

- Tudo bem, mas só por que ficarei magrinho depois de morrer.

- Com certeza.

Os dois se encaminharam para a lanchonete que fazia seu lucro com pacientes e funcionários do prédio de psiquiatria. O local era bem organizado e limpo. Tinha um grande cardápio de lanches que mais pareciam um infarto cardíaco no pão, de tão gordurosos.

Sentaram-se em uma mesa mais afastada e foram recepcionados por uma garçonete uniformizada e sorridente. Ela parecia ser a única a estar feliz por trabalhar ali. Jungkook pediu um X-bacon e um refrigerante e Taehyung um suco de laranja e um misto quente em pão de forma.

- E como é descobrir sua parafilia? – Taehyung não segurou sua curiosidade.

- É estranho. Aos 15 anos eu acordei durante um abuso sexual do meu padrasto e ao contrário do estranhamento e do nojo, eu senti prazer. Não por ser meu padrasto… ex-padrasto agora… e sim pelo ato em si. Eu fiquei confuso na época e acabei pagando um garoto de programa pra dormir comigo e fazer o mesmo, e ai que eu tive a mesma sensação…

- Nossa, você fala do abuso como algo, sei lá… normal.

- Acho que é por que era normal. Minha mãe estava com esse homem desde que eu tinha uns três anos, e desde que eu me lembro por gente, ele me molestava. Mas penetração de fato aconteceu aos 15 anos e foi o maior rebuliço na família.

- Que ruim isso…

- E você… como descobriu?

- Hum… foi quando eu tinha 20 anos, depois da minha primeira experiência sexual. Na verdade eu sempre fui sonâmbulo, mas antes eu só levantava e fazia coisas relativamente normais, tipo assistir filmes ou cozinhar, mas depois que eu transei pela primeira vez, comecei com isso…

- Você disse que tem três processos de estupro, como isso?

- Um foi de uma ex-namorada. Foi o primeiro episódio, ela acordou comigo dentro dela… só me lembro de acordar atordoado e perdido, levando vários tapas. Aí, fui parar na delegacia. Fiquei detido dois dias e fui liberado pelo meu atual advogado. O segundo processo foi aberto durante uma viagem à Busan. Eu fiquei em um hostel e ataquei um garoto do meu dormitório, fiquei mais um dia preso. O último processo foi porque transei com a enteada do meu tio, quando eu dormi lá no último Natal. Abriram processo, mas dessa vez eu não fui detido.

- Uau – estampou um sorriso no rosto – então estou sentado com um criminoso que até já foi preso?!

- Isso não é engraçado – franziu o cenho.

- Você nunca tentou procurar alguém que gostasse disso?

- Do que?

- De acordar assim… sabe… alguém como eu…

- Não… na verdade eu nunca imaginei que alguém gostasse disso.

- Sinceramente… é o maior sonho da minha vida.

- O que?

- Encontrar alguém que transe comigo enquanto durmo, meu único sofrimento é não encontrar ninguém que tope fazer isso comigo.

- É claro… isso parece estupro.

- Mas só é estupro se não houver consentimento. E eu consinto com isso.

- Estranho.

Os lanches chegaram interrompendo por ora o assunto em pauta. Taehyung achava Jungkook muito direto e já tinha percebido as intenções do mais novo. A questão é que esse comportamento trazia sofrimento para si, e não prazer.

Iniciaram o lanchar em silêncio. Jungkook estava visivelmente ansioso e empolgado. Taehyung percebeu isso e limpou a boca com o guardanapo.

- Por que está ansioso?

- Ai… dá para perceber?

- Sim, você não parou de mexer suas pernas.

- Preciso te perguntar algo.

- Pergunte.

- Você se importa de sair com homens?

- Depende – riu debochando de si mesmo – Acordado ou dormindo?

Jungkook riu grande, deixando os dentes saliente a mostra – Os dois, principalmente dormindo.

- Acordado, nunca pensei sobre isso, sempre saí com mulheres – bebeu um gole de seu suco – Dormindo, não tenho muito controle, fico meio bissexual – riu.

- Então você é mais ativo?

- Acho que não tem como eu transar com outro cara se o pau dele está mole e ele dormindo… então, sim, sou mais ativo, desse ponto de vista.

Os olhos do mais novo brilharam em resposta. Mordeu seu lanche ainda mais empolgado e ansioso.

- Pelo jeito você é passivo… acordado e dormindo?

- Sim… mas acordado não faço muita questão.

- Mas se você acorda durante o ato, o que faz? Para tudo?

- Normalmente gozo e… bom… ai para… afinal, sempre paguei pessoas para fazer isso até eu acordar.

- Eu me sentiria estranho em parar quando a pessoa acorda… na verdade eu sou sempre acordado quando a pessoa acorda – riu em desespero.

- Eu queria experimentar não parar.

- Ué… é só pagar alguém não?!

- Sem precisar pagar.

Taehyung ignorou a fala do mais novo e voltou seu olhar para o lanche novamente. Sua cabeça estava um turbilhão de pensamentos. Já tinha ciência de onde o mais novo queria chegar com aquela conversa, mas isso não significava que ele precisaria adiantar o assunto.

- Taehyung… posso te perguntar uma coisa?

- O que?

- Você toparia dormir comigo? Antes de o seu tratamento dar certo?

- Oi?

- É… sabe… para eu poder me realizar de novo.

- Isso é muito estranho.

- Eu sei – o seu semblante murchou e olhou entristecido o pratinho que abrigava o resto do x-bacon – Sempre me falam isso… mas… é que você é tão imperfeito quanto eu… eu pensei… que podíamos sei lá… nos dar bem, nesse sentido.

- Desculpa, não quis dizer isso para te magoar… mas é que, bom isso é sempre tido como uma agressão, e eu nunca me lembro, e na verdade nunca transei com outro cara por iniciativa própria.

- Eu não entendo como agressão – olhou para o mais velho – e se quiser, eu não te acordo.

- Mas aí, nós não estaríamos burlando o tratamento?

- Talvez, mas acho que eu não ligo.

- Mas e aí… depois eu voltaria a dormir e no dia seguinte?

- Se você quisesse eu poderia te contar, ou não…

- Não sei, não sei… isso é tão traumático para mim.

- Eu imagino, mas se quiser… eu topo.

Taehyung mudou de assunto, querendo conhecer o rapaz bonito à sua frente. Estava confuso. Nunca ninguém lhe pedira algo tão absurdo e estranho. Nunca imaginou que o que sempre lhe causou grandes problemas, poderia ser o desejo de outra pessoa.

Não podia negar que o garoto era atraente, apesar de nunca ter se aventurado por entre os corpos masculinos. E se ele perguntasse à Jungkook, provavelmente ouviria que ele é maravilhosamente bonito, já que essa era a conclusão que o mais novo tinha de si.

Despediram-se e rumaram cada qual para sua casa. Passaram a trocar mensagens pelo aplicativo de conversas durante todo o resto da semana. Jungkook era agradável. Era engraçado e tinha muitos gostos em comum.

Reencontraram-se na semana seguinte no grupo terapêutico, e assim como o mais novo lhe dissera em uma mensagem na noite anterior, o grupo foi mais tolerável e até mais divertido. No final das contas, todos ali sofriam por suas imperfeições e buscavam uma maneira de serem mais felizes e aceitos.

Uma fala de Jin lhe despertou interesse. O mais velho dentre eles disse claramente que sentia que seus problemas seriam no mínimo amenizados – senão encerrados – se encontrasse alguém tão estranho quanto ele, e que gostasse da mesma coisa, já que assim teria alguém para lhe suprir sexualmente, diminuído assim o seu tesão em olhos alheios. Pelo menos sua fantasia imaginava isso.

Taehyung ficou pensativo após essa fala. Talvez o seu problema poderia deixar de ser um problema se tivesse ao seu lado alguém que não o considerasse um estuprador potencial. Talvez assim, poderia suprir, não só sua carência, como também sua ansiedade na hora de dormir, já que não aguentava mais ouvir a mãe trancar a porta do seu quarto quando a hora de dormir chegava. Sentia-se um bicho selvagem e agressivo que precisava ficar enjaulado.

- Eu topo – disse após engolir o tão famoso misto quente semanal.

- O que? – Jungkook perguntou.

Os dois estavam cada vez mais próximos. Já fazia quase um mês desde que trocaram telefones. Falavam-se até altas horas da madrugada. Por vezes o mais o tranquilizava, já que o mais velho tinha medo de dormir e conseguir escapar pelo quarto e voltar a atacar a mãe ou o pai.

- Dormir com você uma noite.

Jungkook abriu o maior sorriso que Taehyung já vira. A boca manteve-se aberta, sem emitir nenhum som.

- É sério?

- Só preciso arranjar um jeito de convencer minha mãe, ela é tão traumatizada quanto eu.

- Por que decidiu topar?

- Ué… vai que dá certo né… vai que a gente dá certo.

- Nossa – ele não deixava de sorrir – Mas, me diz, o que você prefere, ser acordado? Não ser? Quando vai dormir comigo?

- Não sei ainda. Normalmente acordo assustado e confuso, é estranho e ruim.

- Não, precisamos mudar isso, se você quiser acordar na hora… não quero que se assuste. Quero tentar continuar depois de acordar e você não pode ficar mal, senão tecnicamente eu que estarei te agredindo.

- E como vamos fazer isso?

- E se a gente for mais íntimo? Talvez você se assuste menos quando acordar, afinal eu não vou lhe acordar com tapas.

- E como você acha que podemos ser mais íntimos?

- Sei lá… com coisas de casal, sabe, jantar, beijo, falar mal da sogra… coisas assim?!

Taehyung riu gostoso. Sentia-se a vontade com o mais novo. Sentia que não precisava ter medo de ser quem é, mesmo com seu distúrbio maluco e raro.

- Está me pedindo em namoro? – debochou.

- Na verdade não, você é o mais velho, isso é sua obrigação.

- Ai Jungkook… certo, então por que não falamos mal da sua mãe hoje a noite, depois de uma sessão de cinema?

- Para mim está ótimo!

O filme acabou e se dirigiram até o Ford Ka vermelho do mais velho. Comentavam cheio de entusiasmo as cenas do novo filme do Homem de Ferro, herói favorito do mais novo. Taehyung conseguiu aval da família para dormir fora, depois de garantir que o amigo tinha um quarto de hóspedes com chave, e que seria trancado como um animal de circo na hora de dormir.

Chegaram ao apartamento do mais novo. Ele morava sozinho, já que gostava de ter sossego para realizar seu fetiche, apesar de estar abstinente desde a terceira sessão de terapia de grupo. Certamente Eujin os mataria se soubesse o que estava prestes a acontecer.

Subiram pela escadaria do pequeno prédio de três andares. Por azar do destino, Jungkook morava no último andar. Adentrou o pequeno apartamento, que era iluminado por lâmpadas amareladas. O apartamento tipo studio, só tinha divisão para o banheiro, sendo os demais cômodos interligados, bem diferente do que Taehyung contou à sua mãe.

Jungkook lhe ofereceu suco de uva. Ambos tinham restrição de ingestão de bebidas alcoólicas por conta das medicações. Taehyung aceitou e bebericou o líquido arroxeado sentado no sofá.

- Dá para fingir que é vinho nessa taça – disse tentando extrair algo positivo naquela tragédia que era vida de ambos.

- Essa é a ideia.

O clima era estranho. Ambos sabiam o que aconteceria quando adormecessem. Ficaram um minuto em silêncio.

- Quero que isso fique menos esquisito – Taehyung disse antes de puxar o mais novo pela nuca para próximo do seu rosto e tomar-lhe em um beijo com gosto de uva industrializada.

O beijo era descompassado e sem nenhum ritmo, o que fazia Jungkook sorrir desconcertado de vez em quando durante o beijo. De um lado, Taehyung que estava tendo sua primeira experiência homossexual consciente. Do outro, Jungkook que estava pouquíssimo acostumado às relações de qualquer tipo durante o estado de vigília.

Aos poucos o beijo foi acertando seu ritmo aos poucos. Foi ficando gostoso e quente. Taehyung puxou o mais novo para mais próximo de si e Jungkook simplesmente cedeu, aproximando seu corpo.

O mais novo mantinha as mãos repousadas no rosto do mais velho, enquanto o outro par de mãos apertava a cintura malhada do moreno. Aos poucos o beijo ganhou intensidade e Jungkook não aguentou e sentou-se no colo de Taehyung, passando uma perna de cada lado do corpo mais bronzeado.

O ósculo continuou intenso e aos poucos foi perdendo velocidade, até parar completamente. Jungkook encostou sua testa na de Taehyung e não abriu os olhos.

- Posso te beijar quando eu acordar?

- Acho que pode, seria mais legal acordar durante um beijo do que durante um tapa – respondeu com os olhos igualmente fechados.

- Vamos dormir? – sugeriu.

- Vamos, mas talvez eu demore, não vou tomar a medicação hoje.

- Tudo bem, posso lhe fazer carinho até pegar no sono.

- Parece bom – enfim abriu os olhos e viu as orbes castanhas lhe fitando e corou levemente.

Jungkook levantou-se do colo do mais velho e o puxou pela destra, direcionando-o até a cama de casal que ficava mais ao fundo do apartamento. Taehyung sentou-se na cama desconcertado e viu o mais novo retirar a roupa.

- Prefiro facilitar as coisas.

- Não precisava, eu tiro as roupas durante o sono – riu fraco.

Viu o mais jovem dar de ombros e continuar a se despir, enchendo os olhos do loiro com seu corpo bonito. Viu quando o mesmo pegou um tubo de lubrificante no criado mudo.

- Para que isso?

- Gosto de já deixar preparado, facilita e evita que eu acorde antes.

- Hum – resmungou enquanto retirava a camiseta e a calça, dando uma visão do corpo, menos malhado, mais amorenado – Durmo só de cueca, eu sempre tiro durante o ato, sabe… – disse abrindo o tubo do gel e lambuzando o próprio ânus.

- Não vejo a hora, acho que vou explodir de ansiedade – lhe roubou mais um beijinho simples depois de falar.

- Isso é estranho.

- Pois é… vai ser a primeira vez sem pagar.

- Pelo menos você vai economizar dinheiro.

- Verdade… prometo pagar seu café da manhã.

- Vou cobrar – disse e se deitou, batendo no colchão ao seu lado, para que Taehyung se deitasse ali.

Deitou-se e viu o menor esticar o braço até um interruptor que desligou a luz do cômodo, deixando tudo escuro.

- Bom, boa noite…

- Boa noite, Tae – começou a afagar o cabelo do mais novo, colando seu corpo ainda frio no corpo do mais velho – Seu corpo é quentinho.

O mais velho riu e fechou os olhos, entregando-se aos carinhos em sua cabeleira e tentando relaxar o suficiente para entregar-se à Morfeu. No entanto, antes de adormecer de fato, ouviu a voz manhosa soar baixinha por trás de sua nuca.

- Eu lhe dou consentimento.

3:19 era o horário que iluminava o relógio na cabeceira da cama de Jungkook. No entanto nenhum dos dois poderia ver as horas, já que estavam entregues ao sono profundo.

Taehyung abriu os olhos, apesar de ainda estar dormindo. Olhou vazio para o corpo ao seu lado. Retirou a cueca que ainda habitava seu corpo e a jogou no chão. Alisou o corpo branquinho ao seu lado, recebendo um gemidinho gostoso em resposta.

Sentia o próprio pênis rijo e o tocou. Mordeu delicadamente a nádega direita do mais novo enquanto apertava suas coxas.

Sem hesitar virou o corpo do mais novo para cima, deixando-o de frente para si. Com menos hesitação ainda afastou as pernas do mesmo. Tocou o membro de Jungkook que começava a despertar e enrijecer.

Com os dedos ágeis desceu pelo períneo, lambuzando os dedos com o gel melequento que ali habitava. Sem pudor introduziu dois dedos de uma única vez no orifício, levemente apertado, uma vez que o moreno estava habituado a fazer sexo anal.

Olhou, sem enxergar propriamente, os dedos entrarem e saírem limpos de dentro do ânus, fazendo o mais novo gemer em resposta, mais ainda sem acordar.

O entrar e sair dos dois dedos continuou por mais alguns segundos. Jungkook gemia manhoso e respirava com mais dificuldade. Parecia estar sentindo prazer, apesar de Taehyung não ter essa consciência.

Retirou os dedos de dentro do orifício do garoto e posicionou a glande de frente para o ânus novamente contraído. Segurou os joelhos dobrados do moreno e raspou a cabeça do pênis na entrada do rapaz, fazendo-o contrair em resposta.

Mordeu o próprio lábio, ainda dormindo, em seguida mordeu o joelho esquerdo de Jungkook. Segurou o pênis com a destra e posicionou a glande alinhada com o ânus do garoto. Forçou a entrada do membro, que rapidamente foi engolido pelo corpo do outro. Lentamente viu o pênis ser pressionado pelo corpo do outro que arqueou o corpo em resposta.

Largou os joelhos do moreno e espalmou os braços ao lado do corpo do mesmo, deixando os corpos muito próximos. Beijou o pescoço do rapaz, sentindo-o arrepiar.

Lentamente, iniciou as estocadas. Entra e sai. Sai e entra. Aos poucos ganhando velocidade, no entanto, uma velocidade mediana. Sentia o pênis endurecido do rapaz raspar em sua barriga. Seu corpo começava a suar e o mais novo não deixava de arfar em resposta.

Por vezes, tirava o pênis grosso por completo, forçando a entrada novamente, que era facilmente conseguida. Mantinha as estocadas mais lentas e gemia em resposta. Passou a apertar a cintura branquinha do rapaz abaixo de si, o que o fez começar a despertar.

Jungkook abriu os olhos ainda gemendo. Sentiu que poderia gozar, mas se forçou a segurar a ereção, tentando desfocar o pensamento e bufando em resposta.

Sentia o prazer subir por sua espinha. Via Taehyung com os olhos aberto e o chamou com a voz mais manhosa que tinha, no entanto, não obteve resposta. O olhar do mais velho parecia vago e teve certeza que o mesmo ainda dormia.

Agarrou a pele morena pelas costas, fazendo os corpos encostarem. Seu prazer era imenso. Nunca achou que poderia sentir tanto tesão mantendo o sexo depois de acordar.

Com delicadeza, direcionou um pouco de força contra o corpo do mais velho que seguia a penetração. O ato fez o mais velho diminuir a velocidade.

- Hyung, desculpa, mas sempre quis ficar por cima.

Com cuidado fez o rapaz se deitar, sem precisar tirar o pênis de dentro de si. Espalmou as mãos no peitoral moreno, admirando por breves segundos o contraste na cor da pele de ambos. Era lindo. Era artístico.

Sentia o pênis clamar pelo gozo, mas ignorou. Aos poucos começou a subir e descer no membro dentro de si, mordendo o lábio para segurar o gemido alto que escaparia se não tomasse cuidado.

Sentiu as mãos do mais velho encaminharem-se até sua cintura e sorriu ladino com esse movimento. Maneou a cabeça negativamente, e com suas mãos, retirou as dele e arrastou-as até acima da cabeça do mesmo, segurando-as com força ao lado do travesseiro.

Manteve o sobe e desce intercalado com reboladas longas e gostosas e pôde ouvir o mais velho gemer em resposta. Mantinha seu corpo quase colado com o mesmo e não hesitou na hora que pensou que era hora de tentar acorda-lo.

Fechou os olhos com delicadeza e tomou os lábios carnudos contra os seus, iniciando um beijo cheio de luxúria e desespero, sem deixar de movimentar o corpo no ato sexual.

Sentiu o mais velho começar a relutar e abriu os olhos, vendo-o ganhar um brilho assustado no olhar. Interrompeu o beijo e soltou as mãos do rapaz.

- Estou adorando, apenas continue. Ainda consinto com isso.

Taehyung aos poucos recobrava a consciência, percebendo o estado de seu corpo e sentindo o pênis envolvido pelo reto do mais jovem que estava suado e rebolando acima de si. Riu entre gemidos.

- Melhor do que acordar com tapas – disse fraco sem tirar o sorriso do rosto, direcionando as mãos novamente à cintura de Jungkook.

Segurou a cintura do mesmo com força, erguendo-o com leveza, para ter mais espaço entre a cama e o corpo alvo. Iniciou estocadas mais rápidas, que fizeram Jungkook soltar o peso do dorso em cima de seu corpo. Afundou o rosto na curva do pescoço de Taehyung, sem deixar de gemer e arfar.

As estocadas continuaram rápidas e a destra do mais velho se direcionou ao pênis do mais novo, iniciando uma masturbação gostosa na mesma velocidade.

Aos poucos o corpo dos dois começaram a tremer e contrair em reposta. Quase que ao mesmo tempo, gozaram – Jungkook primeiro, lambuzando o dorso do mais velho.

Sentiu o peso do mais novo sob o seu e gozou em seu interior, gemendo alto em resposta. Não retirou seu pênis de dentro, sentindo-o murchar ainda no interior do mais novo.

- Muito melhor do que acordar, gozar e encerrar.

- Concordo – Taehyung disse de olhos fechado e recuperando o fôlego – E então… quer namorar comigo?

Jungkook riu, ainda mole e suado sob o corpo moreno – Só se você vier morar comigo e abandonar essa medicação.

Eujin anotou no prontuário de Jungkook e Taehyung após o término da terceira sessão que os dois não compareciam, que ambos tinham desistido do grupo. Em seguida se direcionou à sala de Senjin.

- Disse que daria algo errado…

- O que, Eujin – assinou em cima da carimbada que tinha acabado de dar e voltou sua atenção a mulher.

- O somnofílo e o sexonâmbulo desistiram do grupo – disse com um sorriso divertido.

Senjin riu alto e divertido, coçando a nuca em seguida.

- Bom, espero que pelo menos estejam felizes.

- Também espero… espero que não voltem deprimidos depois porque terminaram… enfim… tenho duas vagas no grupo agora.

- E quanto aos outros?

Eujin sentou-se na cadeira de frente à mesa do médico e abriu os prontuários, iniciando a discussão dos casos que seguiam em psicoterapia de grupo.

27 de Junho de 2018 às 03:21 3 Denunciar Insira 26
Fim

Conheça o autor

Bbraettgo Taekook Taekook namora muito.

Comentar algo

Publique!
TheDana K TheDana K
RAPAZ, GUXTEI....vou atras de alguem tão louco quanto eu..
June 27, 2018, 23:03
TheDana K TheDana K
VIADDUUUUUU QUE EU ACABEI DE LER?? MANOOOO PERA TO ASSIMILANDO
June 27, 2018, 22:59
Chonni TK Chonni TK
kkkk adorei kkkk temos que encontrar alguém mais louco que nós
June 27, 2018, 21:12
~

Mais histórias

Frio Frio
Manipulador das Sombras Manipulador das Sombras
Um café com amor... por favor Um café com amor... ...